A roda viva tem me impedido de atualizar as coisas por aqui.
Peço desculpas à minha meia dúzia de leitores, mas em breve retornaremos com nossa programação (a)normal.
Um dia parado, sereno, em que os minutos se esgueiram bem esquecidos no funil da ampulheta.
Um dia em que a gente se permite sentir saudades.
A saudade e a certeza do reencontro na poesia fina de Pedro Ayres Magalhães, na voz de Teresa Salgueiro e nos violões cuidadosos de Madredeus.
“Haja o que houver
Eu estou aqui
Haja o que houver
espero por ti
Volta no vento ô meu amor
Volta depressa por favor
Há quanto tempo, já esqueci
Porque fiquei, longe de ti
Cada momento é pior
Volta no vento por favor…
Eu sei quem és
pra mim
Haja, o que houver
espero por ti…
Há quanto tempo, já esqueci
Porque fiquei, longe de ti
Cada momento é pior
Volta no vento por favor
Eu sei quem és
pra mim
Haja, o que houver
espero por ti…”
Este blog rompeu a barreira das 50 mil visitas, fato que me surpreende e alegra.
Surpreende porque este Monitorando existe aqui no WordPress desde 20 de maio de 2007, há cerca de dez meses. Não pensei que alcançássemos essa marca em tão pouco tempo, dadas nossas condições:
Então, surpreendem as 50 mil visitas assim.
Por outro lado, alegra porque é uma medida de que há gente na internet que quer fazer contatos, que quer refletir e construir conhecimento de forma coletiva. Por isso, minhas palavras são de agradecimento e satisfação pela sua visita e pelo retorno a este blog outras vezes.
A exemplo do fiz em outras ocasiões, devo satisfações a você, leitor.
Para brindar a marca, adotamos um novo banner.
Agradeço mais uma vez a sua visita, e espero contar com isso infinitas vezes.
Venha, entre e fique à vontade.
Nas relações humanas, dois aspectos vêm chamando muito a minha atenção nos últimos dias: relacionamentos em grupo e doenças ocupacionais. As duas coisas parecem distantes entre si, mas estão diretamente vinculadas à minha rotina de trabalho, aos projetos em que estou envolvido, enfim, à vida produtiva.
Na semana passada, uma colega de trabalho passou mal durante uma defesa de dissertação. Sua pressão explodiu, pensou que estava enfartando. Suava e sentia fortes dores no peito. Não porque o trabalho em si era ruim, mas por cansaço extremo e grande sobrecarga de trabalho. Mal terminou a defesa, ela correu ao hospital. Não. Ela não enfartou, mas também não foi afastada para se tratar.
Dias depois, outra colega passou mal. Nervosismo agravado pelo terrorismo do cumprimento de metas e por sucessivos cortes de verbas em seu departamento. Esta também permanece no batente.
Ontem, conversando virtualmente com uma colega de outro estado, ouvia queixas semelhantes de exaustão, desânimo e desesperança no ambiente do trabalho.
Hoje, durante uma reunião, outra amiga passou mal. Teve uma crise de hipoclicemia, somatizada por dissabores diversos.
Todas as colegas citadas acima andam bem nervosas, e todas são professoras.
Não sou médico nem nada, mas na pele do doutor Gregory House eu arriscaria um diagnóstico: Síndrome de Burnout, cada vez mais frequente em profissionais dessa área.
***
Ao mesmo tempo em que assisto a colegas adoecer, vejo projetos em grupo naufragar por dois sintomas: falta de senso coletivo e incapacidade no gerenciamento do próprio tempo. Isso sim vem me deixando doente.
O que percebo ao meu redor é o total egocentrismo, a falta de um compromisso maior com conquistas grupais, a mesquinhez de sempre. Tenho me sentido um idiota em insistir em tantas frentes.
Qual o remédio para isso?
Querida meia dúzia de leitores,
estamos com alguns bugs neste blog.
Por isso, precisei desativar o radinho. Mas ainda nossos engenheiros e técnicos perseguem os problemas a fim de solucioná-los.
Quem navega com o Explorer vem tendo o seguinte problema: fecham as janelas. Quem opera com Mozilla, está tranquilo.
Pergunto: há algum médico no recinto e que possa nos ajudar???
ATUALIZAÇÃO: Joel Minusculi, um hacker contumaz, dá o diagnóstico da coisa. Aqui
A catraca registra que passamos das 40 mil visitas neste endereço.
Você, que é nosso leitor, merece satisfações:
Agradeço mais uma vez a sua visita, e espero contar com isso infinitas vezes.
Não é porque é agora não. Mas os anos 90 e esta década são simplesmente o supra-sumo das excelentes séries de TV. Elas são numerosas, bem escritas, bem produzidas, envolventes, viciantes. Sei que antes já tivemos ótimos produtos, mas penso que agora não temos só bons, mas muitos e muito bons. (se você discorda, comente!)
Fiquei parado com Lost. Vi as três temporadas e me intriguei com a trama caleidoscópica.
No final da temporada de 2007, lá por junho ou julho, pensei: e agora? Os episódios só retornariam no final de janeiro. Eu tinha que conseguir algo para “pôr no lugar”, preencher o lobo de entretenimento do cérebro. Parti para os videogames. Enfrentei God of War, e fui até o final. Segui com a sequência e God of War II também foi zerado.
Voltei aos seriados e caí com o queixo em House.
Nestas poucas férias devorei as três temporadas inteirinhas. Terminei ontem mesmo.
Hoje, nos Estados Unidos, recomeça o Lost, a quarta temporada, curta por causa da greve dos roteiristas. Claro que vou voltar a acompanhar…
Mas você, que está aí do outro lado da tela, deve estar pensando: “Que besteira isso tudo. São apenas filmes e personagens que não existem. Tramas rocambolescas, ficção pura”.
Concordo. Claro que é. E é justamente por isso que importa tanto. Precisamos de fantasia, precisamos de ficção. Precisamos de narrativas todos os dias, como de ar ou de alimento. Essas narrativas me desviam o olhar, me mostram novos horizontes, me fazem ver para além da minha vidinha. A arte, a literatura, o cinema, as fofocas cotidianas, tudo isso me leva a surfar na vida contemporânea. Me dá alívio, frescor nas narinas, vento nos cabelos.
Acompanhar o delegado Espinosa, dos romances de Luiz Alfredo García-Roza, não resolve meus problemas, não paga as minhas contas. Mas eu não o procuro para isso. Procuro para me divertir, para me envolver em outros problemas. Os meus eu faço questão de resolver. E se eu não os resolver, outros tantos ficarão na fila…
Em Sampa, hoje é feriado. Mas todo o mundo sabe que a cidade não pára. Nem na canção, nem na realidade.
Outro dia, senti uma estranha saudade de lá.
Hoje, foi nostalgia.
A ironia move meus dedos no teclado agora. Volto cem, duzentos, trezentos anos. Tempo das bandeiras, do faroeste caboclo…
Os bandeirantes cortaram picadas, avançaram sobre a grande muralha da Mata Atlântica, construíram cidades e expulsaram os selvagens. Mataram os bugres, não é mesmo?
Claro que sim. Basta olhar nas placas das ruas, nos obeliscos, no mapa:
Tietê
Morumbi
Cupecê
Paranapiacaba
Anhangüera
Pacaembu
Itapemirim
Anhembi
Jaraguá
Ipiranga
Ibirapuera
Anhangabaú
Jaçanã…
Não sobrou nadinha dos índios…
Após um curto período afastado das blogagens, retorno pra valer.
Não foi férias não!
Apenas mudei de casa, fiquei sem telefone, internet, tempo e energia para isso.
Agora, com tudo mais ou menos ajeitado – nunca nada está em ordem, abandone essa ilusão! -, estamos de volta com nossa programação anormal. Porque fiquei de jejum, não quero agora matar a fome, mas lá vão alguns links de aperitivo…
Aconteceu aqui o que havia ocorrido ao blog do GJOL em 30 de maio de 2007. De repente, percebi que a catraca não parava de girar. Fui rastrear e vi a razão: Ricardo Noblat indicou o Monitorando na sua seção Vale a pena acessar.
Para se ter uma idéia, apenas ontem, tivemos quase dez vezes a média de visitas que temos diariamente. A maioria delas seguindo o link de Noblat, um dos blogueiros mais populares e influentes do país.
Nossos sistemas marcaram 1175 visitas ontem, um novo recorde.
Obrigado, Noblat, pela maré.
Obrigado a você também que passou por aqui.
Seja estreante ou íntimo. Volte quando quiser.

Na noite passada, devorei O gosto da guerra, de José Hamilton Ribeiro.
O livro é o texto clássico do repórter que conta a sua ida ao Vietnã para cobrir a guerra e o acidente que teve no front, ao pisar numa mina, perder uma perna e quase morrer por lá. Para quem não se lembra, o jornalista foi à guerra em 1968 como correspondente da já mítica revista Realidade. O repórter acabou virando a notícia, e Zé Hamilton foi se construindo o repórter-símbolo do jornalismo no país. Não por causa de seu acidente, mas pelo que fez depois disso, ganhando dezenas de prêmios (sete Esso de Jornalismo, só…) e oferecendo centenas de reportagens com R maiúsculo.
O relato é quente, vibrante, cheio de adrenalina. Foi feito à época, mas o livro que me chegou às mãos traz um bônus: uma segunda parte em que Zé Hamilton narra o seu retorno ao Vietnã 23 anos depois. A emoção, a aventura, o jornalismo são espelidos pelos poros das páginas. Por isso, a gente devora o volume.
A apresentação é feita pelo genro de Zé Hamilton, o também excelente repórter Sérgio Dávila, que cobriu o 11 de setembro e a ofensiva ao Iraque, só pra citar os mais famosos.
O gosto da guerra é leitura obrigatória para quem é jornalista ou quer sê-lo. É recomendável para quem se interessa por história contemporânea ou relatos de guerra. É agradável para todos que apreciam uma narrativa ágil, intensa e sem pruridos para mostrar sentimentos.
Em 2008, faz 40 anos que Zé Hamilton perdeu a perna numa mina terrestre.
Não sabe o gosto da guerra? Zé Hamilton conta: é uma mistura de terra, pólvora e sangue que toma a sua boca, que permanece por dias, causa náuseas, vertigens e intensas transformações pessoais.
Fico pensando aqui o que faz de um professor professor…
Um diploma?
O conhecimento acumulado?
Uma paixão ou uma missão de ensinar?
A vocação, aquele chamado interior?
Pode ser uma dessas respostas, ou todas juntas, ou apenas algumas, ou ainda: nenhuma.
Ok, ok. Onde estou querendo chegar afinal? Não me atrevo a responder o que faz de um professor professor. Apenas passei a pensar e a repensar isso com mais intensidade nesses dias de janeiro depois de ler Ei, professor, de Frank McCourt.

Não sabe quem é McCourt?
Eu também não sabia, mas vou te apresentar.
O cidadão nasceu nos Estados Unidos de família irlandesa e passou sua infância toda na Irlanda. Um período bem difícil, conforme ele já contou em seu primeiro livro As cinzas de Angela, que não só virou filme, como lhe deu o Prêmio Pulitzer e outros tantos. Sabe o que é ganhar o tal prêmio com um livro de estréia aos 67 anos? É para poucos…
E por que tanto alarde?
Bem, McCourt lecionou no ensino médio em diversas escolas de Nova York onde mora há décadas. Seus livros são pungentes e verdadeiros, e se prendem ao seu cotidiano de professor. McCourt mostra como uma vida errante, cheia de medos, de inconsistências, de fragilidades pode encontrar algum sentido. Não porque o professor queira, trabalhe nisso ou faça desse propósito o seu caminhar. Mas porque a vida parece se rearranjar a cada passo que damos.
Os episódios que o autor conta em Ei, professor são de uma sinceridade absurda, constrangedora até. McCourt nunca é o herói, nunca tem a ação imediata ou corajosa. São suas deficiências como professor, os desafios, as impossibilidades que constróem seu cotidiano. Sem dourar a pílula, sem Happy End, sem idealismos. Ele não quer moralismos, não quer revelar seus feitos grandiosos, nem nada. Apenas ele se narra, apenas se detém ao que aconteceu, sem grandes recursos retóricos, sem ambições.
Isso não significa uma narrativa fria, ressentida ou rancorosa. Que nada! Há humor, há momentos de grande poesia e sensibilidade nas páginas de McCourt.
Ei, professor nos faz pensar, nos faz lembrar de histórias semelhantes que já assistimos ou protagonizamos. Tanto como alunos quanto como professores. O que fez Frank McCourt manter-se por 35 anos à frente de cinco turmas diariamente e centenas de adolescentes barulhentos? O que fez com que se mantivesse nesse calvário sem grandes satisfações ou honrarias? O que nos faz dar continuidade a isso? Para que servem, então, os professores, se seus alunos mal se lembram de seus nomes após um ano de convívio? Que tipo de falta fariam à educação desses caras? Dá pra pensar a educação sem mestres e mestras?
As perguntas são muitas, como as que os irriquietos alunos de McCourt lhe faziam nos três turnos de aula. As respostas são mínimas, como as que McCourt deixa escorrer pelo seu excelente texto. Biografias são bons pretextos para repensarmos nossas vidas. Ainda mais no início de um novo ano, quando as esperanças, os projetos e os horizontes se refazem.
Quando você vai ao médico, o cara do jaleco branco faz umas perguntinhas, não faz?
A gente chama isso de entrevista, os médicos de anamnese.
O palavrão vem do grego e quer dizer trazer à memória, fazer lembrar.
Então, vamos começar 2008 com um meme-anamnese.
Cinco perguntas.
1. Quem já fez a sua cabeça?
2. Quem corta os seus cabelos?
3. Quem te enche os olhos?
4. Quem enche o seu saco?
5. Quem não sai da sua cabeça?
Respondo as cinco agora, mas mando o bumerangue para mais cinco blogueiros, que devem fazer o mesmo: Danilo Azevedo, Adriamaral, Raquel Recuero, Pedro Serra e Dani Bertocchi.
Minhas respostas, doutor.
1. Stan Lee, Nietzsche, Peter Greenaway, Miles Davis, Bill Sienckiewicz, Frank Miller, Mark Knopfler, Renato Russo, Jerry Lewis, Gilberto Dimenstein
2. Marinho, um barbeiro das antigas que atende num salão perdido no tempo.
3. Vini
4. Palermas, folgados e puxa-sacos
5. Ana
Se você está navegando por aqui sem áudio, ligue as caixas de som.
Agora, o Monitorando tem musiquinha.
Optei por uma trilha entre o aconchegante e o vibrante.
Entre, sente e ouça.
E se quiser mandar sugestões, fique à vontade.
2007 está no finalzinho. Por isso, cabe um balanço rápido.
O ano foi muito para este blog:
Mudamos de endereço em maio, passando do UOL para o WordPress. Com isso, ganhamos mais visibilidade e mais visitas. Em sete meses, mais de 34 mil passaram pela catraca aqui. Para um blog individual, sem nada de especial, foi sensacional.
Criamos duas listas de blogueiros da Comunicação: uma lusófona e outra de brasileiros. A comunidade abraçou a idéia e chegamos a 180 links.
As visitas e os links em outros sites e blogs turbinaram a reputação deste Monitorando. No Technorati, nossa autoridade está na casa dos três dígitos, e na lista dos Top 500 em língua portuguesa, do Obvius, estamos entre os 330 mais-mais.
O que esperamos para 2008?
Sinceramente, gostaria de ter mais tempo para posts mais elaborados, coberturas de novos eventos e a certeza da sua visita sempre.
Tem um monte de blogueiros por aí que estão tirando férias.
Pois bem, faremos o mesmo.
Então, comecemos com três linquezinhos de jazz.
Um. Site oficial de John Coltrane. Você mal entra e ele e seu conjunto já te esperam com A love supreme. Bem recebido assim, você vai adiante, passe por fotos, por músicas e até por um vídeo histórico de 1959, quando ele acompanha Miles Davis. Numa das cenas, dá pra ver Trane solando e Miles atrás conversa com a galera, cigarrinho na mão.
Dois. Já que falamos no homem: site oficial de Miles Davis, onde você encontra um Miles Davis Music Player. Clique e viaje. Design arrojado, como não poderia deixar de ser. Discografia, biografia, fotos… O site promete vídeos e músicas baixáveis para breve.
Três. JazzTrumpetSolos. Nele, você encontra trechinhos de solos antológicos de trompete. Não só, você ouve e acompanha as cifras, caso queira acompanhar. Se não tiver tanta agilidade, não esquenta. Dá pra fazer download das partituras dos solos em arquivos em PDF compactados.
Agora sim, posso ter Natal e Reveillon.
Terminei o livro que prometi a uma editora.
Este foi um ano de trabalho, muito trabalho. De plantio, de semeadura.
Vou dormir esta noite com a esperança mais sincera de que os dias de 2008 amanheçam com o tempo de colher.
“Jingle bells, jingle bells, acabou o papel…”
Que o Natal seja só um pretexto para pessoas de todas as formas, cores, humores, sabores se olharem nos olhos e deixarem seus corações saírem pela boca. Que se ouça mais, que se use os braços para mais abraços e que a vida seja mais generosa.
Feliz pretexto!
O infectologista foi às compras. Não porque quisesse algo para si. Quem tem toda a ironia do mundo precisa de mais o quê?
Mas o doutor House foi atrás de um livro para uma amiga. Não teve uma recaída não. Só precisava de uma segunda opinião num diagnóstico, e o presente era a melhor forma de voltar a procurar a médica nesses tempos bicudos de dezembro. Na época de Natal, todos amolecem, e House chegaria com um pacotinho na mão, um meio sorriso e o prontuário médico no sovaco.
Acontece que as livrarias são, hoje, um dos círculos infernais de Dante. Têm de tudo, menos atendentes com dois neurônios. Esperar que conheçam este ou aquele autor é uma utopia vã. Digitam de forma errada os nomes dos autores nos terminais e as buscas nunca são frutíferas. Confundem o Espinosa, de García Roza, com o Spinosa da ética aos geômetras; confudem Sócrates, de Estagira, com o meio campo que veio de Ribeirão Preto…
House arrasta a perna de livraria em livraria. Pergunta por um título, soletra o nome do autor, ministra uma pequena aula sobre a diferença entre as edições lançadas, mas nada.
“Podemos encomendar, senhor…”
“Mas eu não quero encomendar. É pro Natal…”
“Mas todo ano tem Natal, senhor…”
“Humpf! Quanto tempo demora pra chegar?”
“Dez dias úteis, senhor”
“Dez dias?”
“Sim, dependemos da distribuidora”
“Vocês não têm internet, não? Já ouviu falar de Amazon?”
“Temos internet, sim. O senhor quer usar o cibercafé?”
“Você sabe o que acontece em dez dias?”
“O ano novo, senhor”
“Não… eu perguntei se você sabe o que se passa em dez dias. É muito tempo. Se alguém morre, em dez dias, a quantidade de microorganismos em seu corpo é capaz de…”
“Senhor, vai querer encomendar o livro?”
“Você já ouviu falar de Amazon, rapaz?”
“É nome ou sobrenome? O senhor sabe me dizer algum título que ele tenha escrito? Neste terminal, acho qualquer coisa…”
“Não, deixa pra lá. Pode me conseguir uma senha pro cibercafé?”
“Claro, senhor”
House apoiou a bengala na mesinha, entrou no site da Amazon e, do cibercafé da livraria, fez o seu pedido. “É por isso que eu prefiro diagnóstico à distância”, resmungou.
O doutor Gregory House anda trabalhando tanto que já confunde as coisas. Teve até mesmo que encarar alguns pacientes. Num deles, já atarantado, receitou asteróides em vez de esteróides.
Meus posts mais recentes queixam-se da exaustão, da fadiga, de poucas horas de sono e muitas olheiras.
Isso vai de norte a sul. Minha amiga Ana Prado, de Belém, reclamou pelo telefone e pelo blog. Outra amiga, Marcia Benetti, de Porto Alegre, foi além e também botou sua fotinho no próprio blog. Arrasô!
PS – São quase duas da madrugada e ainda estou escrevendo parte de um texto intimado pela Adriana Amaral. Outro dia, ela também chorava as pitangas por causa da correria e do cansaço. Será que ela está dormindo agora? Ou será que vai se juntar à legião de guaxinins…?

Hoje, acordei e não poderia ver outra imagem no espelho. William Waack teria tido inveja. Minhas olheiras são valas debaixo dos olhos. A barba por fazer e os cabelos despenteados deram um ar, digamos assim, de mendigo a este rostinho aqui.
Hoje é 10, dia 10, e ainda há muita coisa acumulada no horizonte dos compromissos.
Afff!!
Marcelo Träsel anuncia o lançamento de um livro alusivo a um ano de ausência de Gabriel Pillar, seu amigo. A ação vem dos mais íntimos, que reuniram textos e fotos do rapaz que morreu trágica e inesperadamente em 2006.
Não, eu não conheci o Gabriel. Não posso dizer que conheça também o Träsel, só por blog ou por textos. Aliás, quem pode dizer que conhece alguém mesmo?… De qualquer forma, o livro é belíssimo, bem editado, caprichosamente gerado. Oferece retratos de Gabriel Pillar, um cara antenado, sensível, amado e admirado por muitos. A nice guy. Cool and smart. Deu vontade de conhecê-lo.
É a saudade dos amigos e parentes em papel, numa tiragem exclusivíssima de quinhentos exemplares. E como os organizadores sabem que Gabriel tinha mais amigos do que isso, quem quiser – como eu -, pode baixar a saudade na forma de bits.
Viva a saudade. Viva a amizade.