mais chuva de concursos para professores de jornalismo

Agendem-se e preparem-se!

UFPE: 4 vagas para professor assistente + 4 vagas para adjunto
Inscrições até 14 de abril
Mais informações: http://www.proacad.ufpe.br

UFSM: 1 vaga para adjunto com especialidade em Produção Audiovisual
Inscrições até 10 de abril
Mais informações: http://www.ufsm.br

UnB: 10 vagas para professores adjuntos e assistentes
Inscrições até 19 de abril (alguns) e 23 de abril (outros)
Mais informações:

http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_299_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_305_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_312_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_313_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_314_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_315_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_318_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_320_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_321_09.pdf

UFAL: 1 vaga para adjunto
Inscrições até 27 de abril
Mais informações: http://www.copeve.ufal.br/concursos/concurso.php?id=27

Veja ainda esses

decisão sobre o diploma fica pro dia 22

Embora a presidência do Supremo Tribunal Federal tenha adiantado que a retomada sobre o julgamento sobre a Lei de Imprensa seja em 15 de abril, informações da Agência Brasil e do Consultor Jurídico dão que isso só irá acontecer no dia 22 de abril.

A razão é que a pauta do STF do dia 15 já foi publicada e não poderia ser modificada. Daí o adiamento por mais uma semana. Neste sentido, o provável é que a decisão sobre a exigência do diploma, que também estava programada para a sessão de ontem, aconteça no dia 22.

Esta informação, no entanto, não consta ainda da pauta eletrônica no site do STF.

No final da sessão de ontem, o ministro Celso de Mello chamou a atenção dos colegas para a necessidade de cumprimento das pautas agendadas e publicizadas pelo “sítio” do Supremo.

Paciência, meus caros… paciência!

diploma: fica pra outra hora

Reproduzo a Fenaj, o comunicado recentíssimo: (De acordo com o presidente do STF, Gilmar Mendes, a discussão fica para 15 de abril, quando da próxima sessão. A própria discussão sobre a Lei de Imprensa não foi concluída na sessão de hoje)

O recurso contra o diploma foi retirado da pauta de votações do STF. Está em debate no plenário a Adin contra a Lei de Imprensa. O Ato Público Nacional prossegue. A Executiva da FENAJ e a Coordenação da Campanha em Defesa do Diploma vão se reunir para traçar novas estratégias de continuidade do movimento.Às 16h45 desta quarta-feira (1º/04) a coordenação do movimento foi informada que, a pedido do presidente do Supremo Tribunal Federal e relator do RE 511961, ministro Gilmar Mendes, o advogado que representa a FENAJ e o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo na ação foi oficialmente comunicado da retirada do tema da pauta. Não foi divulgada nova data para julgamento do recurso contra o diploma.Dirigentes da campanha continuam no plenário do STF acompanhando a votação da Adin contra a Lei de Imprensa. “Após o Ato Nacional a Executiva da FENAJ e a Coordenação da Campanha vão definir novas ações, mas desde já a orientação é para que a movimentação nos estados e os preparativos para o Dia do Jornalista, 7 de abril, prossigam”, disse o diretor da FENAJ Luiz Spada.

 

acompanhando a sessão do stf

Para quem não tem acesso da TV Justiça ou da Rádio Justiça, sugiro que acesse o Twitter. Por lá, siga #diploma.

polêmica do diploma: aguardando o julgamento

Enquanto a sessão do plenário do STF não começa – isso vai se dar lá pelas 14 horas -, e se você está querendo saber mais sobre a polêmica sobre a exigência do diploma de jornalista, por que não passa pelos links abaixo?

Todos foram publicados no Observatório da Imprensa de ontem…

Uma decisão histórica sobre o diplomaElias Machado

Diploma, uma exigência legalRoberto Ramalho

Jornalista, só com diploma Sérgio Murillo de Andrade

Diploma é resquício da ditadura Laerte Braga

diploma de jornalismo: dois possíveis desfechos

O Supremo Tribunal Federal deve decidir amanhã uma pendência que se arrasta há quase oito anos: a contestação jurídica da exigência de diploma universitário para o exercício do jornalismo. Na última década, não houve assunto mais palpitante entre as redações e as escolas de Comunicação. As entidades classistas, como a Fenaj e os sindicatos, promoveram eventos, manifestações e lançaram livros sobre o tema, contribuindo muito para a discussão sobre a natureza da profissão e seu papel na atualidade. Publicações especializadas – como o Observatório da Imprensa – dispersaram uma torrente de idéias e argumentos contra e a favor do canudo, discutindo aspectos como o corporativismo e as mudanças pelas quais o jornalismo passa nas últimas décadas. Na academia, professores, alunos e pesquisadores deram suas contribuições, martelando a necessidade do diploma ou simplesmente descartando-o, como quem joga a criança junto com a água da banheira.

Previsível

O fato é que amanhã – 1º de abril, evento com a piada pronta – a suprema corte brasileira deve colocar um ponto final nessa história. Acompanho o processo desde outubro de 2001, quando do despacho da juíza Carla Rister. Participei de diversos eventos, escrevi textos e me posicionei sempre a favor da exigência do diploma. Reitero tudo isso. Mas o fato é que depois de amanhã, teremos um cenário distinto dos últimos oito anos: um cenário de definição sobre a regulamentação profissional.

O que antevejo são dois desfechos possíveis e fáceis de prever: 1) O SFT manter a exigência do diploma; 2) O STF descartar a exigência. Em ambos os casos, a regulamentação da profissão – como a conhecemos – estará em vias de extinção.

Comecemos pelo final.

Se os juízes do STF decidirem que não é mais necessário portar diploma universitário para exercer a profissão, os dispositivos de regulamentação profissional – o decreto -lei 972/69 e a lei 83284/79 – caem por terra, levam um golpe fatal. O marco de regulação perde o sentido com essa decisão da corte.

Mas mesmo que os juízes do STF decidam pela manutenção do diploma, a regulamentação dos jornalistas deve sofrer mudanças importantes nos próximos meses. O desgaste do chamado “entulho autoritário” fez com que o Ministério do Trabalho compusesse um grupo que fizesse estudos para uma nova redação para a regulamentação. Governo, patrões e jornalistas – por meio de seus representantes – compõem essa comissão, que deve gerar um ante-projeto de lei que vá substituir a atual regulamentação. Por isso, qualquer que seja a decisão do STF, a regulamentação como a conhecemos está com os dias contados.

Day after

As pessoas se perguntam sobre como será se a decisão sepultar a necessidade do diploma. Penso que é preciso ter clareza da situação e ausência de paixões. Se o STF decidir pelo descarte do diploma, o mundo não acaba. O jornalismo não acaba. As escolas de Comunicação não perdem a sua razão. E os estudantes que nelas estão matriculados não ficam totalmente desamparados.

Se a solução abstrair o diploma, será um processo natural se buscar uma saída para uma nova regulamentação. A via é o Ministério do Trabalho. Profissão regulamentada é profissão respeitada e assegurada de direitos. Penso que os jornalistas não vão abrir mão disso.

Se a suprema corte brasileira decidir pelo fim da necessidade do diploma, as escolas terão que buscar novos caminhos para se manterem, para oferecerem seus serviços e suas contribuições para a formação de novos profissionais. A discussão atual sobre as diretrizes curriculares dos cursos de jornalismo vai ser encharcada com as consequências da decisão do STF.

As coisas estão ligadas, e finalmente no Brasil – mesmo que de forma enviesada -, discute-se jornalismo e política, direito e exercício profissional, comunicação e poder.

O julgamento do diploma é o segundo ponto da pauta de amanhã. A sessão tem início às 14 horas e muitas redações e salas de aula vão estar sintonizadas na TV Justiça. A expectativa é grande e o clima, às vezes, beira o de final de campeonato. Vamos ver quem sai ganhando…

diretrizes curriculares do jornalismo: temperatura aumenta

O clima parece estar realmente mudando no terreno em que acontecem as discussões sobre a reforma das diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo. A temperatura vem aumentando gradativamente, e isso não é obra do aquecimento global. É fruto da participação maior de pesquisadores do campo principalmente nas listas eletrônicas das entidades da área.

Na semana passada, por exemplo, o presidente do Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo, Edson Spenthof, distribuiu um farto documento na lista da entidade, sinalizando as posições do Fórum sobre a reforma. O documento fermentou nas caixas de correio de muita gente, e ontem, um vigoroso email do professor José Salvador Faro espalhou brasas em muitas direções. Em suma, Faro – num tom elegantemente lúcido – questionou o fato de a  nova proposta de diretrizes estar apoiada no texto das vigentes. Se as atuais estão ruins a ponto de serem reformadas, por que tê-las como ponto de partida? E na sequência desse raciocínio, criticou com veemência a proliferação desenfreada de cursos pelo país, fato que foi defendido e elogiado pelo representante do MEC na primeira audiência pública que se deu no dia 20, no Rio.

Faro mexeu ainda num nervo exposto que incomoda a muitos quando se discute os cursos de jornalismo: sua vinculação (ou subserviência) aos de Comunicação Social. O professor da Metodista e PUC enfatizou que o jornalismo é um processo comunicacional, e como tal também precisa ser estudado na dimensão das teorias da comunicação, de maneira a preservar a dialética de sua natureza e surgimento.

Bem, o email de Faro – como já disse – espalhou a questão nas listas do FNPJ e da Associação Brasileira dos Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor). Diversos colegas se seguiram levantando questões ligadas ao debate, e tudo indica que teremos uma participação mais efetiva de nossos teóricos e professores. Tomara!

polêmica do diploma: mais um texto

Às vésperas do julgamento do STF sobre a obrigatoriedade do diploma para exercer o jornalismo, é muito natural que abundem por aí textos de lado a lado tratando da polêmica. Aliás, é muito bom isso. Os argumentos ganham relevância, as paixões se acirram, o entendimento pode ser buscado.

Hoje, recomendo o que o Cesar Valente escreveu sobre o assunto. Vai lá ver.

stf vai julgar obrigatoriedade do diploma em 1º de abril

A polêmica do diploma de jornalismo pode terminar em 1º de abril. E não é pegadinha.

A informação é da Fenaj:

O Recurso Extraordinário RE 511961, que questiona a constitucionalidade da exigência do diploma em Jornalismo como requisito para o exercício da profissão, entrará na pauta do Supremo Tribunal Federal (STF) em 1º de abril. Sua apreciação deve se dar no mesmo período do julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a Lei de Imprensa.

De acordo com a própria Fenaj, seus diretores iriam se reunir hoje – terça – para definir ações para as duas pendências. E prossegue a nota…

Segundo fontes, a decisão de incluir o RE 511961 e a Adin contra a Lei de Imprensa na pauta de julgamentos do STF em abril já estava tomada no final da tarde de segunda-feira (23) e sua formalização seria questão de horas. Com reunião já agendada anteriormente para as 14 horas desta terça-feira, a Executiva da FENAJ e a Coordenação da Campanha em Defesa do Diploma e da Regulamentação buscarão operacionalizar movimentos de sensibilização da Corte. “Agora temos ainda mais motivos de construir a Semana e o Dia Nacional do Jornalista, 7 de abril, com um grau maior de mobilização da categoria e da sociedade”, diz o presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade.

A iminência do julgamento das duas ações naturalmente obrigará dirigentes sindicais e apoiadores das causas que advogam a constitucionalidade da exigência do diploma e a aprovação de uma nova e democrática Lei de Imprensa a alterarem suas agendas. “Sabemos que o julgamento destas questões começará no dia 1º de abril, mas não se pode prever quando será o seu desfecho” destaca Murillo. Ele considera que os dirigentes de entidades sindicais e do campo do jornalismo, bem como de outras organizações da sociedade deverão se preparar para estarem presentes em Brasília no momento decisivo.

Já era cogitada entre os apoiadores do movimento a organização de caravanas dos estados a Brasília na data do julgamento do RE 511961. Agora, mais do que o caráter comemorativo, a Semana Nacional dos Jornalistas se converterá efetivamente numa Semana Nacional de Luta.

Novas mobilização nos estados deverão ganhar maior dinâmica a partir dos próximos dias, inclusive na perspectiva de conquistar novos apoios políticos. De lado porque a exigência do diploma como requisito para o exercício do Jornalismo é um dos pilares da profissão. De outro porque a regulamentação das relações entre jornalistas, empresas de comunicação e a sociedade é considerada fundamental para consagrar e assegurar a liberdade de imprensa.

Vamos ver se não haverá novos adiamentos nos julgamentos…

diretrizes curriculares: um relato da primeira audiência

Sylvia Moretzsohn, professora da UFF, fez um arguto relato sobre a primeira audiência que discutiu as reformas nas diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo, que aconteceu na sexta, 20 de março.

Saiu no Observatório da Imprensa, mas transcrevo aqui também:

Duas surpresas na audiência do MEC

Duas grandes surpresas – uma no início, outra no final – marcaram a primeira audiência pública para a reformulação das diretrizes curriculares de Jornalismo, na sexta-feira (20/3), no Palácio Capanema, sede da representação do MEC no Rio de Janeiro. A primeira foi notada por todos e dizia respeito ao tema central da reunião. A segunda, aparentemente, passou despercebida da maioria, mas é talvez mais relevante, pois revela uma concepção constrangedoramente simplória do sentido da expansão dos cursos superiores no Brasil.

Ao apresentar os objetivos da audiência, o representante do Ministério da Educação, Paulo Roberto Wollinger, diretor de Regulação e Supervisão da Educação Superior do MEC, provocou um burburinho na platéia ao afirmar que o pomo da discórdia da comunidade acadêmica do setor não estava em pauta: “Em momento algum pensamos em separar o Jornalismo da Comunicação Social”. Disse isso a título de esclarecimento, mas só poderia causar confusão, uma vez que a iniciativa de revisão das diretrizes provocou o recrudescimento desse debate e levou integrantes da própria comissão de especialistas a se manifestar a favor da autonomia para Jornalismo. No entanto, talvez a frase tivesse outro sentido, porque logo em seguida Wollinger diria algo ainda mais surpreendente: “Não existe curso de Comunicação Social; o que existe é essa grande área da Comunicação, da qual o jornalismo é uma das especialidades”.

Era uma afirmação contra toda evidência, a começar pelo nome do curso que vem gravado ano após ano nos diplomas de quem se forma na habilitação em Jornalismo. Porém, se interpretada de outra forma, a declaração inicial faria sentido: afinal, como o que existe de fato são jornalistas, publicitários, relações públicas – e não esse “comunicador” genérico –, seria ocioso discutir se o “curso de Jornalismo” deve ser autônomo, porque esta já seria sua condição inevitável. Assim, não se destacaria da “grande área” da Comunicação – porque, afinal, é Comunicação –, mas obedeceria a diretrizes curriculares próprias, sem qualquer relação com as das outras especialidades do setor. Na prática, portanto, seria já um curso autônomo.

O que, naturalmente, não resolve nada, porque o problema original persiste: quais serão as bases para uma adequada formação de jornalistas? E aqui retornamos à velha questão que divide duas correntes substancialmente distintas, cristalizadas na oposição entre “academicistas” e “tecnicistas”, “comunicólogos” e “jornalistas”, numa simplificação que jamais ajudou qualquer debate. E que não chegou a ser enfrentada na primeira audiência pública para discutir as diretrizes curriculares.

Polêmica antiga

Os cursos de Comunicação Social são contestados desde que foram criados. Seria excessivo tentar resumir aqui essa história, mesmo porque muita coisa mudou nas duas últimas décadas: basta dizer que até meados dos anos 1980 praticamente não havia jornalistas ou professores com essa experiência profissional dando aula de jornalismo, as escolas não eram dotadas de um mínimo de estrutura laboratorial e a pesquisa específica praticamente inexistia. Tudo isso contribuía para que os cursos se fechassem em torno de teorizações distanciadas da realidade que o futuro jornalista deveria enfrentar e fossem, portanto, desdenhados pelos profissionais formados “na prática” e pelos próprios estudantes.

Hoje ainda estamos longe do ideal – e mais ainda de um consenso sobre o que deva ser esse ideal –, mas a situação é radicalmente distinta. Apesar disso, frequentemente repetem-se os argumentos daqueles velhos tempos. Foi o que ocorreu há 10 anos, quando se iniciou o processo de avaliação das condições de oferta da habilitação em Jornalismo dos cursos de Comunicação Social. A avaliação exclusiva desta habilitação era uma tentativa de forçar a criação de um curso específico, desligado da “geléia geral” da Comunicação.

Este Observatório refletiu e estimulou a intensa polêmica durante meses seguidos. Então, como agora, prevalecia o pragmatismo entre os partidários do curso autônomo. Na época, um dos argumentos mais exuberantes nesse sentido valorizava a formação de profissionais comparados à excelência de um i-Mac: era “só ligar na tomada e começar a trabalhar”. Hoje, talvez em decorrência da preocupação com a inserção mais imediata do estudante num mercado de trabalho ao mesmo tempo tão diversificado e precário, defende-se um perfil de prestador de serviços. Num caso e noutro, o que prevalece é a concepção de universidade operacional.

O consenso sobre o óbvio

Na reunião com a comissão de especialistas, passou-se ao largo dessa questão. Nós, da Universidade Federal Fluminense, apresentamos um documento sintético, de quatro páginas, defendendo o jornalismo como “um `campo de saber´ do abrangente campo de conhecimento da Comunicação”, que exige a articulação entre uma sólida base humanística e uma oferta ampliada de opções para a formação profissional específica, de modo que o aluno possa “direcionar seus estudos para as áreas de atuação com as quais melhor se identifica, ampliando as alternativas de conhecimento e de prática profissional”. Mas a ênfase é na formação ética do jornalista e na conscientização sobre as dificuldades e as responsabilidades envolvidas no desempenho de seu papel de mediador.

Uma decorrência lógica dessa concepção é o entendimento de que a universidade não está aí para formar prestadores de serviço, mas sujeitos dotados de autonomia intelectual, capazes de exercer competentemente a profissão que escolheram. Mas essa questão central não foi discutida e as discordâncias praticamente não apareceram, a ponto de uma professora enaltecer o consenso em torno da melhoria da qualidade dos cursos.

Além de óbvio, tratava-se de um consenso prévio. Evidentemente, ninguém pode ser contra a qualidade: o problema é saber o que cada um entende por isso. Porém um ponto essencial foi levantado pelo presidente do Fórum Nacional de Professores do Jornalismo, Edson Spenthof: a necessidade de se responder à pergunta sobre “o que é jornalismo” para uma definição mais clara das novas diretrizes. Imagine-se o grau de controvérsia que esse debate há de gerar, especialmente nesses tempos de enaltecimento da figura do “jornalista-cidadão”.

Spenthof também fez uma observação conceitual relevante sobre as recorrentes demandas pela formação “multimídia”, normalmente associada à simultaneidade: não era disso que se tratava, mas sim do desenvolvimento de habilidades diversificadas. Desempenhar várias funções ao mesmo tempo representaria a tentativa, previamente frustrada, de assoviar e chupar cana, uma impossibilidade física que – acrescento eu – resulta na precariedade sistematicamente verificada no noticiário cotidiano.

A universidade redentora

As divergências certamente aparecerão nas propostas a serem enviadas diretamente à comissão até o fim do mês. Ali, no Salão Portinari do Palácio Capanema, ícone da arquitetura modernista brasileira no Centro do Rio, preservou-se o ambiente ameno. Mas, já perto do encerramento da audiência, um comentário mais geral do representante da Executiva Nacional dos Estudantes em Comunicação, Felipe Melo, sobre as diferenças entre cursos privados e públicos e sobre a política de expansão do ensino superior, provocou a segunda grande surpresa do dia. Ao responder à crítica, o representante do MEC defendeu enfaticamente a criação de mais cursos, “se possível um em cada esquina”, para sanar o déficit no contingente de brasileiros com formação universitária.

Se ficasse por aí, poderíamos apenas condenar o estímulo à proliferação de franquias no melhor estilo McDonald´s e o empenho na fabricação de números, que nos faz recordar o saudoso ministro Paulo Renato Souza. Mas Paulo Wollinger completou, com a fé dos justos: “Cada curso que se abre é um ponto de drogas que se fecha”.

Pena que pouca gente notou, ou não percebeu esse detalhe – justamente o detalhe, que é onde mora o diabo. Pois, salvo melhor juízo, essa justificativa para a abertura de novos cursos superiores é inédita. Mais que isso: é simplesmente inacreditável.


diretrizes curriculares de jornalismo: a primeira audiência e uma sugestão para as demais

A comissão de especialistas para a reforma das Diretrizes Curriculares para os cursos de Jornalismo avança no seu trabalho. Na última semana, na sexta, realizou junto com o Ministério da Educação a primeira das três audiências públicas que se comprometeu fazer para discutir o tema e colher sugestões para o novo documento.

Na própria sexta, tentei buscar informações na web sobre como teria sido o encontro. Mas ao final da busca, encontrei apenas dois registros: um do próprio MEC e outro do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro. O primeiro é uma nota oficial que pouco ou nada informa além do acontecimento da audiência (leia aqui), e o segundo é mais preciso, mas limitado no seu alcance (veja aqui).

O que fiz há pouco na lista eletrônica do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ) e faço neste blog é uma sugestão para a segunda e terceira audiências que acontecem nos próximos meses: usarmos alguns recursos tecnológicos para ampliar o acesso a essas discussões. Por exemplo, poderíamos contar com cobertura em vídeo streaming da audiência? Seria possível que essas reuniões tivessem relatos mais específicos e pontuais em blogs? As audiências poderiam ter um canal no Twitter para difusão das informações?

Isto é, o que estou propondo em voz alta é que os colegas que acompanham as audiências in loco disponibilizem materiais para os que não puderam estar presente. Somos professores de Jornalismo e podemos oferecer mais do que os links das notas oficiais do MEC; podemos oferecer notícias; podemos oferecer vídeos; ou mesmo discutir mais esse assunto na web. Quase nem tenho visto na blogosfera brasileira essa discussão. O que está nos acontecendo?

Numa das listas eletrônicas de professores que circulam por aí, li da necessidade de se formar jornalistas multimídia. Ótimo! Acho pertinente, oportuno e relevante. Mas como podemos formar jornalistas multimídia se os professores ainda nos restringimos a poucos canais informativos? O episódio da primeira audiência sobre as Diretrizes mostra isso.

Não se trata de uma crítica minha ao processo e aos colegas que lá estiveram. Apenas considero que esse é um momento muito importante para a formação dos jornalistas no Brasil, e não apenas uma hora para se mudar documentos, mas alterarmos atitudes e mentalidades nos cursos. Os professores também precisam mudar, e não apenas os cursos e os alunos. Estamos dispostos a isso? Que o episódio de reforma das Diretrizes Curriculares dos cursos de Jornalismo sirva também para que arejemos nossas posturas como professores, para que agilizemos nossos trâmites e que isso permita a circulação mais fácil dessas informações.

diretrizes curriculares do jornalismo: audiências começam amanhã

Nesta sexta, 20, no Rio de Janeiro, acontece a primeira das três audiências públicas para discussão sobre as diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo. Os eventos são promovidos pela comissão de especialistas designada pelo Ministério da Educação para reformar o documento que orienta a criação e a direção dos cursos de graduação.

Não sei se teremos cobertura ao vivo pela web ou se alguém vai tuitar do Rio, mas se algum leitor aí souber e der a dica, vai ser bem bom…

coleção de livros quer sistematizar teoria brasileira do jornalismo

O Mestrado em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina e a Editora Insular acabam de lançar “Jornalismo, fatos e interesses”, de Wilson Gomes, livro que inaugura a série Jornalismo a Rigor.

A série tem propósitos ousados. “Objetiva publicar reflexões acadêmicas de alto nível que contribuam para elevar o senso crítico e a qualidade da prática do Jornalismo como atividade intelectual” e “procura assim ajudar na superação do complexo de inferioridade de uma área que se deixou colonizar intelectualmente”, afirma o diretor da série, Eduardo Medistch. Os livros da série tendem a se fixar em aspectos conceituais, rompendo a dicotomia teoria-prática na medida em que se põem a enxergar a prática jornalística de uma outra maneira, com o intuito de transformá-la.

“Jornalismo, fatos e interesses” abre o caminho, e os editores pretendem lançar três ou quatro volumes a cada ano, atualizando a bibliografia brasileira sobre o jornalismo e apontando novos patamares para a discussão teórica. Autores internacionais também podem ser publicados, não se descarta. Os livros são voltados prioritariamente ao público acadêmico – alunos e professores da graduação e pós-graduação -, mas os títulos são extensivos também aos profissionais das redações que se dispõem a pensar a atividade.

O próximo volume será sobre padrões de qualidade no jornalismo, assinado por Carina Benedetti e com previsão de lançamento em maio no 12º Encontro Nacional de Professores de Jornalismo, que acontece em Belo Horizonte (MG). Outros títulos já estão no forno, informa o diretor da série Eduardo Meditsch.

diretrizes curriculares do jornalismo: as entidades ouvem os associados

Já disse aqui que estão agendadas as audiências públicas promovidas pela comissão que reformará as Diretrizes Curriculares para os cursos de Jornalismo. Serão três encontros:

  • 20 de março, no Rio de Janeiro: quando será ouvida a comunidade acadêmica
  • 24 de abril, em São Paulo: quando entidades classistas e profissionais, e a categoria participará dos debates
  • 18 de maio, em Recife: quando movimentos organizados da sociedade em geral estarão debatendo

As sugestões estão sendo recolhidas por email (consulta.jornalismo@mec.gov.br). Mas entidades como o Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ) e a Associação Brasileira dos Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) estão fazendo um corpo-a-corpo com seus associados, pedindo sugestões para compor intervenções mais práticas e pontuais.

Essas consultas estão sendo feitas nas listas eletrônicas e serão sistematizadas por comissões internas das entidades. O trabalho é de formiguinha, e altamente necessário não apenas para dar legitimidade ao processo, mas qualificar e adiantar o debate. Mas o que está em debate, alguém aí pode se perguntar…

1. A comissão de reforma das Diretrizes quer saber qual o perfil desejável de jornalista diante das transformações política, culturais, sociais e tecnológicas contemporâneas.

2. A comissão também quer saber quais as competências a serem construídas na formação superior desses profissionais em termos de conhecimento, habilidades, atitudes e valores.

3. A comissão quer saber a opinião sobre a possibilidade de criação de cursos de graduação e mestrado e doutorado em jornalismo, e não meras habilitações ou linhas de pesquisa de cursos de comunicação.

4. Está em debate também a dupla diplomação. Isto é, “deve o exercício profissional do jornalismo ser permitido a profissionais de outras áreas após uma formação complementar em jornalismo? Em caso afirmativo, como deveria ser essa complementação?”

5. A comissão se preocupa com a formação dos profissionais multimídia. Como ela deve ser feita e com qual perfil?

Pelos questionamentos acima, e pelos que serão deles derivados, dá pra ver o tamanho da reforma que se pode fazer no documento das Diretrizes e no próprio desenho dos cursos de Jornalismo no país. Como já comentei, esta é uma chance histórica.

chuva de concursos para professores de jornalismo

Por forças astrológicas ou meteorológicas, está acontecendo uma saraivada de concursos para professores de jornalismo, principalmente em instituições federais, mas não as únicas. Alguns desses processos de seleção já estão em andamento, como os da UFSC, da USP, e da UFRJ, entre outras. Mas outras estão com editais abertos. Veja algumas:

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Universidade Estadual de Ponta Grossa

Universidade Federal do Paraná

Universidade Federal de Pernambuco

Pra quem vai se aventurar, boa sorte!

comissão das diretrizes recebe sugestões até dia 30

(nota da assessoria de imprensa do Ministério da Educação)

Alunos, professores, pesquisadores, profissionais e representantes dos diversos segmentos da sociedade civil poderão participar, até o dia 30 de março, da consulta pública para a revisão das Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de jornalismo.

Durante esse período, a comissão de especialistas constituída pela Secretaria de Educação Superior para subsidiar o Ministério da Educação no trabalho de revisão das diretrizes receberá contribuições sobre dois principais temas: o perfil desejável do profissional do jornalismo e as principais competências a serem adquiridas durante a graduação. O endereço eletrônico é consulta.jornalismo@mec.gov.br

A intenção da comissão, presidida pelo professor José Marques de Melo, é receber sugestões de segmentos ligados às universidades, ao mercado de trabalho, aos movimentos sociais, além da sociedade civil de maneira geral. Veja a nota da comissão de especialistas sobre a consulta pública.

As diretrizes curriculares orientam as instituições de ensino superior para a formulação do projeto pedagógico de um curso de graduação e são estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), por solicitação do MEC. Audiências públicas – Durante a reunião de instalação, no último dia 19, em Brasília, a comissão de especialistas também definiu a realização de três audiências públicas nos estados do Rio de Janeiro (20 de março), Pernambuco (24 de abril) e São Paulo (18 de maio) e devem envolver públicos específicos. Para a primeira, serão convidados professores e intelectuais da área; na segunda, representantes das associações, entidades de classe e jornalistas profissionais que estejam no mercado de trabalho; e para a terceira, segmentos da sociedade civil, movimentos sociais e organizações não-governamentais.

fórum de professores prorroga deadline

Sim, ainda dá tempo.

Por questões de problemas no sistema eletrônico de envio de trabalhos, a organização do 12º Encontro Nacional de Professores de Jornalismo decidiu estender o prazo até dia 8 de março.

fórum de professores de jornalismo: prazo está esgotando

Daqui a poucas horas termina o prazo de envio de trabalhos para a 12ª edição do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo, que acontece em abril em Belo Horizonte. As informações podem ser obtidas aqui e se você quiser seguir o evento de perto, antes mesmo dele começar, a organização criou um perfil do encontro no Twitter.

(Com licença que ainda não terminei de escrever meu paper e o tempo está acabando…)

6 links estrangeiros sobre jornalismo

Laicom: Laboratório de Análise Instrumental da Comunicação, da Universidade Autônoma de Barcelona. Em espanhol.

Digitalistas: microblog coletivo sobre jornalismo e comunicação. Surgiu agorinha, no início de fevereiro, e é em espanhol.

Stuff Journalists Like: blog de Christopher Ortiz, em inglês, e direto do Colorado.

Congresso Internacional de Comunicação: direto da Universidade de Navarra, em espanhol.

Jornalices: blog português sobre ensino de jornalismo.

Índice da Nova Mídia: indicador para monitorar o conteúdo de blogs. Em inglês e desenvolvido pelo Project for Excellence in Journalism.

comissão das diretrizes curriculares de jornalismo já tem calendário

A comissão de especialistas que irá reformar o documento das diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo já tem um esboço da sua sistemática de trabalho. Segundo informações da Folha-Educação e do próprio Ministério da Educação, a comissão vai receber propostas e sugestões até 30 de março. Ainda não foi definido para onde essas indicações vão seguir, mas isso deve se dar em breve e na forma de uma página eletrônica no portal do MEC.

O presidente da comissão, José Marques de Melo, anunciou ainda que serão realizadas três audiências públicas: dia 20 de março no Rio de Janeiro, dia 24 de abril em Recife e 18 de maio, em São Paulo. “Cada audiência será focada em um público específico. Para a primeira, serão convidados professores e intelectuais da área; na segunda, representantes das associações, entidades de classe e jornalistas profissionais que estejam no mercado de trabalho; e para a terceira, segmentos da sociedade civil, movimentos sociais e organizações não-governamentais”, explicou Marques de Melo à assessoria do MEC.

novas diretrizes para os cursos de jornalismo: o que podemos esperar

O Ministério da Educação divulgou esta semana a formação de uma comissão de especialistas que irá reformar o documento que hoje define as diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo. A comissão terá a trabalhosa missão de revisar uma norma que é um verdadeiro monstro de Frankenstein, isso porque o documento de que estou falando é tão amplo que abrange todos os cursos de Comunicação, indo do Jornalismo à Publicidade e Propaganda, da Editoração ao Cinema, da Fotografia ao Radialismo. Isso mesmo! Um único documento do MEC sinaliza para gestores, professores e comunidade como devem se guiar os cursos de graduação nas chamadas habilitações da Comunicação.

Neste sentido, a notícia da criação da dita comissão é uma boa notícia. Outra boa nova é a própria composição desse coletivo, que será presidido pelo professor José Marques de Melo, o mais proeminente nome da área na academia brasileira. Os demais componentes da comissão são os professores Alfredo Vizeu (UFPE), indicado pelo Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ), Eduardo Meditsch (UFSC), indicado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Luiz Motta (UnB), indicado pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), Manuel Carlos Chaparro (USP), Sonia Virginia Moreira (UERJ), da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), Sérgio Mattos (UFBA) e Lúcia Maria Araújo, do Canal Futura.

Pelo que pude acompanhar em dois ou três fóruns eletrônicos da área, a comissão foi bem recebida por seus pares, seja pelo histórico que acumula ou ainda pelo amplo arco de entidades que indicaram a sua composição. O trabalho começa já e a comissão tem 180 dias para concluir suas tarefas. Mas o que se pode esperar disso?

Uma chance histórica

Antes de tudo, o momento é muito importante para a área da Comunicação em geral e para o Jornalismo em particular. Relevante porque a comissão de notáveis pode reparar equívocos como a esquizofrenia do documento das diretrizes atuais. Ao propor um documento voltado para o Jornalismo, certamente a comissão vai desencadear movimentos semelhantes nos demais campos assemelhados que compõem o amplo espectro da Comunicação. Assim, se publicitários estiverem bem articulados e suficientemente organizados, eles também poderão trabalhar por Diretrizes Curriculares mais afinadas com os objetivos e especificidades de sua profissão. Mas não só isso.

A elaboração de um documento próprio para o Jornalismo tende a reforçar a luta de diversos segmentos da academia que batalham por uma maior valorização e autonomia do campo entre as áreas de conhecimento. Essa luta vem se dando ultimamente na defesa de uma especificidade do Jornalismo na Tabela de Areas de Conhecimento do CNPq, na proposição de cursos de graduação e pós em Jornalismo – veja o caso da UFSC – e na tentativa de fixação de uma prova exclusiva para o Jornalismo no Enade… (Estive na comissão que prescreveu as diretrizes para essas provas, mas fomos vencidos pela burocracia do INEP e pela indisposição de dedicar mais de recursos nesse produto, objetivando uma avaliação mais condizente e mais coerente…)

A elaboração de um documento voltado para o Jornalismo vem a calhar também num momento delicado para a profissão. Como todos sabem, o Supremo Tribunal Federal está para julgar o mérito da liminar que desobriga o porte de diplomas de ensino superior para a obtenção de registros profissionais de jornalistas. A edição de um documento que padronize, organize e sinalize bons caminhos para os cursos de graduação auxilia na compreensão geral da nação de que estudar faz bem, e que sempre é muito melhor contar com profissionais bem capacitados do que “talentosos de plantão” ou “práticos”.

É importante lembrar ainda que outra comissão – na verdade, um grupo de trabalho – joga outro papel importante nos próximos meses. Desde o final de 2008, o Ministério do Trabalho constituiu um coletivo que tem por missão elaborar uma nova regulamentação profissional para os jornalistas. Conjugados os documentos – uma nova lei da profissão, a decisão do STF e novas diretrizes curriculares -, teremos um novo panorama para o jornalismo no Brasil. Podem apostar…

Melhor ou pior?

É difícil prever o resultado do julgamento do Supremo sobre a liminar de 2001, e não é muito fácil imaginar que tipo de regulamentação teremos nos próximos anos. Mas os resultados do trabalho da comissão de especialistas é possível de adiantar. Os erros do passado – como o currículo mínimo e a esquizofrenia atual – não serão repetidos. A variedade e amplitude das entidades que sustentam os membros das comissão também garantem que não haja um isolamento da academia frente o mercado.

Ouso em dizer que podemos esperar dias melhores. Mas não posso deixar de me preocupar com o longo prazo destinado aos trabalhos. Sei que o trabalho não é pouco, mas seis meses é muito para a discussão, elaboração e redação do documento. Pior: se for demorar seis meses, o MEC vai se encarregar de demorar mais seis até editar a medida, e aí adentraremos 2010. Por isso, acho que a celeridade é fundamental nos encaminhamentos das próximas semanas. Se a comissão for ágil e não comprometer a qualidade, teremos mais condições de colher um documento melhor e mais determinante para o jornalismo. A tarefa não é nada simples, mas seus executores têm totais condições de cumpri-las, digo sem qualquer bajulação.

Se conseguirmos chegar à metade de 2009 com a decisão do STF – qualquer que seja ela -, com uma nova regulamentação profissional e com novas diretrizes curriculares, poderemos iniciar uma nova fase para o jornalismo brasileiro. A partir de 2010, estaremos começando uma nova década e não apenas no calendário…

julgamento do diploma fica pra 2009

A informação é da Fenaj:

O Supremo Tribunal Federal (STF) não incluiu na pauta das suas últimas sessões de julgamento, antes do recesso, o recurso extraordinário contra a exigência da formação específica para o exercício da profissão de jornalista. As sessões acontecem nestas quarta e quinta-feiras, dias 17 e 18, e na sexta, 19, está prevista a realização de uma sessão extraordinária, que vai encerrar o ano judiciário. Mas como há possibilidade da pauta ser alterada, a FENAJ mantém plantão em Brasília acompanhando as decisões da presidência do Supremo.
Leia a notícia aqui.

marques de melo vai liderar revisão de diretrizes curriculares dos cursos de jornalismo no brasil

O Ministério da Educação anunciou hoje que o professor José Marques de Melo vai presidir a comissão que reformará as novas diretrizes curriculares dos cursos de Jornalismo. Segundo a assessoria de comunicação do MEC, o convite para a empreitada teria partido do próprio ministro Fernando Haddad, a exemplo do que fez com Adib Jatene com os cursos de Medicina.

Conforme ainda o MEC, Marques de Melo terá carta branca para constituir a comissão que reavaliará as diretrizes curriculares do Jornalismo, cujo período de trabalho será de 90 dias. Concluída a missão, um parecer deve seguir para o Conselho Nacional de Educação, órgão que irá bater o martelo para o documento.

Marques de Melo é o nome mais indicado para presidir a comissão, já que é o nome mais representativo da Comunicação no país. É autor renomado, tem fácil trânsito entre as entidades da área, é reconhecido por seus pares, tem articulação nacional e internacional, e trabalha muito.

A revisão das diretrizes é um pedido antigo de pesquisadores e professores da área, já que o documento é um exemplo completo de esquizofrenia. As diretrizes sinalizam competências e habilidades que egressos dos cursos de comunicação – e suas muitas habilitações – devem ter. Mas a leitura do documento e dos perfis esperados angustia o leitor que enxerga facinho a distância entre cineastas e jornalistas, entre publicitários e editores, entre relações públicas e radialistas, todos cobertos pelas mesmas diretrizes curriculares.

A revisão do documento, portanto, é muito bem vinda. Marques de Melo e sua equipe terão bastante trabalho pela frente, mas é preciso vencer os medos, as resistências, os ranços.

comentários estão fervendo

Meu post que argumenta que a discussão sobre o diploma está muito ideologizada está rendendo um debate muito, mas muito interessante nos comentários do blog. Em alto nível e atacando aspectos os mais diversos, os leitores Mauricio Tuffani – um dos mais declarados adversários do diploma de jornalista – e Luciano Martins Costa – do Observatório da Imprensa – têm protagonizado o embate, lançando mão de argumentos e contra-argumentos que merecem a leitura de todos.

mec quer revisar diretrizes curriculares dos cursos de jornalismo

Deu no Comunique-se:

O ministro da Educação, Fernando Haddad, defendeu a criação de uma comissão que vai definir as diretrizes básicas dos cursos de graduação em jornalismo. O objetivo é assegurar a qualidade da formação dos jornalistas, profissão considerada pelo ministro como central para o sistema democrático.

um estrabismo insistente estreita mais a razão

Uma confusão tem sido recorrente no debate que cerca a obrigatoriedade do diploma para jornalistas: tomar por sinônimas as expressões “liberdade de expressão” e “exercício profissional”. Entretanto, existe um abismo entre as duas coisas.

Em resposta ao meu post que criticava a ideologização da discussão, Mauricio Tuffani afirma que o que está em jogo no Supremo Tribunal Federal é

uma concepção do direito de liberdade de expressão que tem um significado muito maior que aquele insistentemente repetido por muitos sindicalistas e professores de jornalismo. Trata-se de um direito que não pertence apenas à categoria dos jornalistas, mas a toda a sociedade.

Mas é evidente que o direito à livre expressão não é e não pode ser um privilégio de jornalistas. Este direito é extensivo a todas as pessoas, na medida em que garante a elas a troca de idéias, a manifestação do pensamento, a formulação de opiniões e juízos. É um direito previsto na legislação e em protocolos consagrados internacionalmente, como a Declaração Universal dos Direitos do Homem, como já citou Tuffani. O artigo 19, em especial, merece uma leitura mais atenta que a realizada pelo autor:

Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.

Note-se que o artigo não menciona “produzir” ou “elaborar” informações. Isto é, o direito vige numa esfera ampla, generalista, e não restritiva ao mundo do trabalho. Jornalistas também são cidadãos, e também gozam do direito da livre expressão. Mas em sua condição profissional, produzem, elaboram, difundem informações com o propósito de abastecer a sociedade com dados que permitam uma compreensão melhor da realidade.

Não se pode esquecer também que o conjunto das atividades jornalísticas não se resume apenas à livre expressão. Há colunistas, articulistas, editorialistas que, sim, ocupam-se da formulação de idéias e da sua disseminação em escala massiva. Mas os demais profissionais do jornalismo não se expressam em suas lidas diárias. O que fazem é tentar oferecer ao público relatos dos acontecimentos que, por ventura, foram alçados à condição de noticiáveis. Para alcançar essa situação, os fatos devem conter elementos que dialoguem com valores de noticiabilidade, elaborados no mundo do jornalismo e que, cotidianamente, ajudam a organizar essa atividade. Esses valores compõem um rol de saberes específicos da profissão, conhecimentos a que se tem acesso nas escolas de jornalismo.

Mas voltando à Declaração Universal, encontramos o inciso 2 do artigo 29 que é esclarecedor na tensão entre direito e lei.

No exercício de seus direitos e liberdades, todo ser humano estará sujeito apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática.

Isto é, o direito à livre expressão se estende até a fronteira que inicia a demarcação de uma atribuição profissional, a regulamentação do exercício jornalístico, por exemplo. Note-se que não há contradição entre os artigos, mas complementaridade já que são contemplados o direito do cidadão comum a manifestar sua opinião e o direito do jornalista a exercer sua profissão (conforme o artigo 23).

Se recorrermos à Constituição Federal e ao próprio Tuffani, veremos que os dois direitos são também atendidos.

“É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença” (inciso IX do artigo 5º)

 “É livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer (inciso XIII do artigo 5º)

Desta forma, insisto que não se deve tomar por idênticos o direito à livre expressão e o exercício profissional do jornalismo. Se assim o fizermos, poderíamos por extensão confundir o direito à justiça com o exercício da advocacia, ou o direito à saúde com a prática da medicina. Em todos esses casos, o direito mais geral não colide com a atribuição profissional, que depende de qualificação técnica, de habilitação legal e de competências e habilidades específicas. Misturar as coisas é fazer prevalecer um estrabismo que prejudica nossa visão e compreensão. Embaçar as fronteiras entre ambos provoca, isso sim, o estreitamento da razão.

Se o que está em discussão no STF no imbróglio sobre o diploma é a concepção de direito à liberdade de expressão, esse debate não pode desconsiderar o lugar estratégico que a mídia (seus veículos, sistemas e profissionais) ocupa na vida social atualmente. Cada vez mais central na existência contemporânea, a dimensão da comunicação social precisa dispor de profissionais altamente capacitados para fazer as mediações necessárias entre os fatos e os públicos, contribuindo para o entendimento e o desenvolvimento humano e social.

O professor Eugenio Bucci formulou uma definição de jornalismo que é, ao mesmo tempo, ampla e precisa: O jornalismo é uma atividade que existe para satisfazer um direito do cidadão comum, o direito à informação. Neste sentido, essa atividade profissional – exercida por pessoas capacitadas e habilitadas – encontra justificativa social, utilidade pública e dimensão coletiva para a sua existência.

Dito dessa forma, o estrabismo insistente se dissolve e o campo de visão de abre para uma compreensão melhor do que temos adiante.

sobre nossa precariedade e insuficiência teóricas

Fiquei particularmente satisfeito com a conferência de Jacques Mick no segundo dia do Encontro de Professores de Jornalismo do Paraná e Santa Catarina, que aconteceu em Joinville na sexta e ontem. O foco de Mick eram os novos desafios à pesquisa, ensino e extensão na perspectiva do jornalismo do futuro, e sua fala foi secundada por comentários de Maria José Baldessar (UFSC), Tomás Barreiros (Universidade Positivo) e Elaine Tavares (SJSC).

Mick centrou sua fala na crítica de que os professores de jornalismo ainda sofremos de grande insuficiência teórica para justificar a profissão e o campo que constituímos. Para o autor, avançou-se pouco no Brasil em termos de Teoria do Jornalismo desde o lançamento de O Segredo da Pirâmide, de Adelmo Genro Filho, em 1987. Nos últimos anos, o país viu se espalharem as escolas de Jornalismo e os cursos de pós-graduação em Comunicação, condições que ajudaram a formar quadros qualificados para a academia e o mercado, mas para Mick, esses esforços se traduziram muito pouco em avanços verdadeiros na teorização do campo. “Esse desenvolvimento, o desenvolvimento teórico é uma necessidade do jornalismo”.

Em tom acadêmico, mas flagrantemente provocativo, Jacques Mick apontou dois aspectos que são marcantes na academia: a) Persiste uma obediência à normatividade técnica, reforçando e reproduzindo práticas do mercado, em detrimento da inovação; b) Há pouco espaço para a produão teórica na área.

Esses aspectos, segundo Mick, acabam criando um cenário bastante complacente, permissivo até entre os autores brasileiros. É “raro o pensamento novo”; as obras são quase sempre recebidas sem muita discussão; parece prevalecer entre os acadêmicos um compadrio – este termo não é dele -, sobrando generosidade e generalidades nas resenhas de livros e artigos. Mick põe o dedo na ferida de todos nós, com muita razão (ouso dizer), alertando para o pouco enfrentamento teórico, prática que torna vulnerável a nossa produção teórica.

Para Mick, hoje – vinte anos depois de Adelmo Genro Filho -, quando dispomos de mais escolas, de mais força na academia, de mais doutores e mestres nos corpos das universidade, os desafios para o ensino-pesquisa-extensão no jornalismo são mais acadêmicos que institucionais. Isto é, a bola está no nosso pé…

Minha satisfação ao ouvir Jacques Mick não se deve ao fato de que torço contra o campo do jornalismo. Claro que não. Mas é preciso reconhecer que ainda temos muito o que fazer, muito o que amadurecer na compreensão do jornalismo e nos seus entornos. Essa insuficiência, essa carência, essa precariedade teórica vem minando nossos passos. Já disse isso com relação à discussão sobre o diploma.

Enfrentar essa realidade é olhar-se no espelho e reconhecer falhas, para depois, traçar novos rumos e passar a caminhar com mais força e vigor.

encontro de professores de jornalismo

Começa hoje e segue até amanhã (sábado, 18), o 2º Encontro de Professores de Jornalismo de Santa Catarina, evento que acontece colado à 4ª edição do encontro dos mestres paranaenses.

O tema dos encontros, no Ielusc (de Joinville – SC), é “O futuro do jornalismo e o jornalismo futuro”.

Vejam a programação:

17/10/2008, sexta-feira
14h às 18h: Reunião de Coordenadores de Curso de Jornalismo.
Pauta: Questões gerais de ensino, pesquisa e extensão.
Coordenador: Prof. Márcio Fernandes (UNICENTRO)

16 às 19h: Credenciamento
Local: Associação Educacional Luterana Bom Jesus/Ielusc.
Endereço: Rua Princesa Isabel, 438 – Centro, Joinville/SC.

19h: Cerimônia de abertura
Local: Anfiteatro do Bom Jesus/Ielusc.

19h30: Conferência do Encontro, pelo jornalista Carlos Castilho.
Tema: “O futuro do jornalismo e o jornalismo do futuro”.
Local: Anfiteatro do Bom Jesus/Ielusc
Mediador: Prof. Dr. Juciano Lacerda (coordenador do NECOM/Ielusc).

18/10/2008, sábado
9h: Mesa Redonda – Os novos desafios à pesquisa, ensino e extensão na perspectiva do jornalismo do futuro.
Conferencista: Prof. Dr. Jacques Mick (Bom Jesus/Ielusc)
Debatedores: Profa. Dra. Maria José Baldessar (UFSC) e Prof. MsC Tomás Barreiros (Universidade Positivo)

13h às 14h30 – Almoço

15h às 19h: Grupos de Trabalho.
Local: Bom Jesus/Ielusc, Centro – Joinville/SC

19h30: Plenária de Encerramento: aprovação das deliberações do
Encontro e da Carta de Joinville

discussão sobre o diploma está muito ideologizada

As últimas semanas têm sido muito agitadas no que tange a discussão em torno da formação dos jornalistas. A Fenaj divulgou ostensivamente uma pesquisa que mostrava que a maioria da população prefere que os profissionais do jornalismo passem por cursos superiores na área. O resultado da sondagem serviu de munição para a entidade que mobiliza a categoria para o julgamento no Supremo Tribunal Federal da liminar que desobrigou a exigência de diploma universitário para jornalistas.

(Para quem não se lembra, em outubro de 2001, a juíza Carla Rister atendeu a uma ação civil pública que pedia essa desobrigatoriedade. A ação foi movida por grandes empresas jornalística e, concedida a liminar, permitiu que mais de sete mil pessoas obtivessem registros profissionais independente de diploma na área)

Dias depois, uma matéria do site Congresso Em Foco colocou mais lenha na fogueira, informando que a maioria dos magistrados que julgarão a matéria já sinalizou pela rejeição à obrigatoriedade. O próprio ministro da Educação, Fernando Haddad, chegou a sinalizar que os cursos de graduação poderiam não ser as únicas portas de entrada de profissionais no jornalismo.


Gritaria na web
Na internet e entre jornalistas, estudantes e pesquisadores da área, o assunto tem rendido discussões acaloradas. No Observatório da Imprensa, todas as semanas, artigos são publicados e versões são confrontadas. Numa lista eletrônica restrita a professores e pesquisadores da área, o professor Marcos Palácios insistiu em discutir aprofundadamente a possibilidade de mestrados profissionalizantes serem uma alternativa na formação de quadros mais qualificados para a profissão. Em poucos dias, a mensagem de Palácios foi objeto de reações as mais diversas, quase todas muito, mas muito apaixonadas, fazendo prevalecer argumentos corporativos e questionáveis.

Na blogosfera, gente influente do mercado e da academia vem se posicionando. Carlos Castilho (Código Aberto), por exemplo, ressalta o fato de que as escolas de comunicação não têm sido capazes de formar profissionais que possam enfrentar os novos desafios do jornalismo, provocados pelas novas tecnologias.

Alex Primo, por sua vez, afirma que a defesa do diploma não poder ser uma defesa do diploma per se, mas da formação de qualidade dos profissionais. Marcelo Träsel pega o gancho e envereda para o impacto que as novas tecnologias vêm provocando na atuação cotidiana desses profissionais. Já Márcia Benetti criticou violentamente a morosidade da inteligentsia brasileira, esperando uma atitude mais pró-ativa na condução e elevação do nível dos debates. Cética, ela acha que a batalha no STF está perdida e com a desregulamentação no jornalismo, não só os jornalistas perderão.


Os sofismas da liminar
Discuto a obrigatoriedade do diploma desde 2001, a partir da concessão da liminar. De 2002 a 2005, debati o tema, mesclando preocupações conceituais e corporativas, já que ocupava a vice-presidência do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina. Desde então, tenho feito uma autocrítica que me faz ver que a condução da questão não pode seguir essa orientação. Isto é, hoje, o debate está muito, mas muito ideologizado, o que é uma pena. Afinal, as questões centrais são deixadas de lado.

Primeiro, é sofismático o raciocínio que sustenta a liminar da juíza Carla Rister. Grosso modo, ela afirma que restringirmos o exercício do jornalismo àqueles que detêm diplomas universitários é um desrespeito à liberdade de expressão e a manutenção de um privilégio elitista. As premissas estão incorretas. Não se pode confundir o direito à liberdade de expressão com o exercício profissional do jornalismo. São coisas de natureza distinta. O primeiro é um direito, previsto em diversos protocolos, inclusive na Declaração Universal dos Direitos do Homem. O segundo é uma atribuição específica que depende de uma habilitação para tal. Isto é, o exercício de uma profissão exige conhecimentos técnicos, competências e habilidades para ser efetivado. No caso das profissões regulamentadas – e o jornalismo é uma delas -, há outras exigências, inclusive burocráticas para a obtenção de registro profissional. A inclusão da obrigatoridade de diploma universitário é uma maneira de contribuir para que os quadros que exerçam o jornalismo passem por uma formação mais ampla, mais específica, mais qualificada. Isso garante que essa formação aconteça? Claro que não. Mas as leis prescrevem e outros instrumentos devem garantir a efetivação das políticas previstas em lei.

Se formos confundir o direito à liberdade de expressão com o exercício profissional no jornalismo poderemos também nos exceder e misturar acesso à justiça (um direito) com a possibilidade de ser advogado (um exercício profissional regulamentado, previsto em lei e consolidado como prática social há anos)…


Cortar a cabeça do paciente
Outro sofisma na liminar é o que condena a elitização. É verdade que nem todos têm acesso aos bancos escolares universitários. É verdade também que o salário mínimo previsto na Constituição não garante o sustento pleno de uma família de quatro pessoas. Nem por isso se defende por aí o fim do salário mínimo. O que se faz é a reivindicação de seu aumento, e da sua extensão como uma remuneração mínima, referencial para o mundo do trabalho. Da mesma maneira, não se pode atribuir à regulamentação dos jornalistas um insucesso da política pública nacional de universalização do ensino superior. Se as universidades ainda são um sonho e uma realidade de poucos, deve-se trabalhar para transformar essa realidade, e não atentar contra os cursos ou as instituições.

Retirar a obrigatoriedade do diploma para jornalistas é recuar na história na medida em que reforçamos o entendimento de que não é necessário estudar, não é preciso se habilitar ou se capacitar para uma dada profissão. Com isso, antipedagogicamente, contribui-se para a idéia de que a escola não forma, não ajuda no desenvolvimento do sujeito, tem um papel sobressalente e descartável.

Pensando assim, agimos como o médico que decide cortar a cabeça do paciente que se queixa da dor. Decepar a parte doente não resolve o problema. Não se cura a dor. Pior: mata-se o paciente…

De qualquer forma, cabe pensar. Se as escolas brasileiras de comunicação são incapazes de despejar no mercado de trabalho profissionais qualificados, por que as empresas – de todos os portes e de todas as partes do país – continuam contratando esses jovens jornalistas?


Qualidade na formação
A discussão acerca do diploma para jornalistas sempre traz à tona uma suspeita sobre a capacidade das escolas de formar bons profissionais. Um argumento recorrente é o de que o mercado poderia fazer o mesmo, de forma mais barata e mais direcionada aos seus propósitos. Esse argumento é facilmente derrotado quando se lembra que o mercado não tem prerrogativa nem atribuição para formar profissionais, já que esta função é das escolas, das instituições e sistemas de ensino, que existem para isso. A idéia pode ser derrubada também pelo fato de que o mercado não tem condições de treinar e aprimorar todos os contingentes que anseiam por isso. O mercado não ensina, as empresas não têm infra-estrutura nem tempo ou prioridade para fazê-lo.

Cabe e deve caber às escolas de comunicação esse serviço: preparar profissionais para os desafios do mercado e as demandas sociais. As escolas de comunicação precisam ter (e muitas já têm) as condições necessárias para formar bons profissionais, já que reúnem quadros qualificados (e em constante aperfeiçoamento), infra-estrutura, experiência pedagógica. Há escolas ruins? Sim. Mas há boas também. USP, UFBA, Cásper Líbero, as PUCs, a UFSC, a UFRJ e a UnB não são bons exemplos de escolas de jornalismo?

Como em outras áreas do conhecimento, há exemplos e contra-exemplos. Veja o caso do Direito. Existem centenas de escolas no país que despejam milhares de novos profissionais todos os semestres no mercado. Apesar dessa quantidade, a OAB – volta e meia – se queixa que os concursos para juízes não preenchem a totalidade de suas vagas por conta da performance insuficiente dos candidatos. Nem por isso se prega o final das escolas de Direito no país… O que a OAB faz é recomendar as boas escolas, e com isso – de maneira afirmativa – sinaliza saídas positivas, esquenta a concorrência e obriga os cursos pouco recomendados a correr atrás…

As escolas de comunicação têm muito a melhorar? Sim, e precisam se preocupar com isso. Professores e pesquisadores da área precisam construir instrumentos e indicadores que afiram qualidade de ensino, eficiência na formação. Com isso em mãos, é mais fácil visualizar os resultados dos cursos, seus impactos nos mercados regionais, suas influências nas práticas e processos cotidianos, e até mesmo em procedimentos inovadores.

Nos anos 90, setores da academia que formavam a Fenaj concluíram um documento bastante importante para a qualificação do ensino na área do jornalismo. O Programa Nacional de Estímulo à Qualidade da Formação em Jornalismo é um instrumento detalhado, abrangente e aprofundado. Sabe-se que o texto de 1997 passou por avaliações e ajustes, e mesmo assim, passada mais de uma década, poucas escolas colocaram tais políticas em funcionamento. Não porque a proposta seja ruim. Pelo contrário: de tão boa, de tão comprometida, as escolas sentem dificuldade de contemplar todos os pontos, o que inviabiliza a sua implementação.

Entre outras coisas, significa que só o documento da Fenaj não basta e são necessários outros elementos para influenciar positivamente as instituições de ensino.


Debate ideologizado
O que, modestamente, venho percebendo é que a discussão em torno do diploma tem sido contaminada muito mais por elementos ideológicos do que racionais ou práticos. Isto é, a defesa do diploma fica muito circunscrita a argumentos circulares que endeusam o diploma por sua essência e não pelas qualidades ou potencialidades que pode reservar. Com isso, a defesa da formação universitária em jornalismo alcança contornos meramente corporativos.

É preciso entender que é legítima a atuação corporativista de sindicatos e da própria Fenaj, afinal, são entidades classistas e têm a função de defender os interesses da categoria. Entretanto, a questão da (boa) formação dos jornalistas transcende os interesses profissionais, já que jornalismo e comunicação são atividades de finalidade pública, de clara interferência no cotidiano e no imaginário das pessoas. Isto é, essa questão afeta a todos, produtores ou consumidores de informação. Como é o caso da Medicina ou da Engenharia, por exemplo. Imaginem se estivesse em questão a formação universitária (ou não) de médicos ou engenheiros? Isso não afeta toda a sociedade que se serve de seus serviços?

Como disse, é legítima a defesa corporativa do diploma, mas é insuficiente. A sociedade ou o STF não se comovem ou se mobilizam por isso. É necessário mostrar que o jornalismo é uma atividade de caráter social, e o seu exercício dependem de preparo técnico, de rigor ético, de comprometimento com o interesse público, entre outros fatores que incidem concretamente na vida das pessoas.

A campanha pela defesa do diploma que a Fenaj tem levado adiante tenta mostrar essa faceta mais social do jornalismo, mas não sei se vem causando os efeitos desejados. Por quê? Porque a Fenaj é parte interessada na manutenção do diploma, por uma questão de reserva de mercado, de controle da entrada dos profissionais no ramo. E porque é parte interessada, sempre será olhada como suspeita…

Por isso, hoje, não sei mais se a Fenaj deveria liderar e conduzir o debate acerca da formação dos jornalistas. Não porque seja ilegítima. Não porque não seja representativa. Não. A Fenaj é uma instituição legitimada e representa 31 sindicatos de jornalistas em todo o Brasil. Tem 60 anos de grandes contribuições à categoria e à profissão. Mas há tempos vêm sofrendo desgastes políticos internos e externos que combalem a sua imagem, e isso dificulta a sua atuação.

O discurso compreensivelmente ideológico da Fenaj em torno do diploma cumpriu um papel fundamental de colocar a questão na agenda nacional, de mobilizar setores nas redações e assessorias, nas escolas e nas instituições. A Fenaj e os sindicatos devem manter suas palavras de ordem, suas falas e seus discursos de mobilização, já que não podem (nunca) renunciar as suas funções políticas e aglutinadoras. Mas, insisto, a ideologização do debate sobre o diploma não cumpre propósitos além dos da mobilização.

Mas se não a Fenaj, quem deve liderar esse processo? O Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo? A Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo? A Associação Brasileira de Imprensa? O Conselho Nacional de Comunicação Social? A Sociedade de Estudos Interdisciplinares de Comunicação? Sinceramente, não sei que entidade conseguiria reunir legitimidade, representatividade e autoridade para tanto. Talvez nem uma nem outra. Talvez um novo coletivo, especialmente formado para isso. Não tenho essa resposta. Mas é fundamental que a academia, o mercado e outros setores da sociedade possam qualificar o debate, dando mais nível e direção às discussões. É importante que esses atores contribuam para a compreensão da questão, que pensem e proponham saídas, e que tenham no seu horizonte de trabalho um único objetivo: atender às demandas da sociedade.

Se conseguirmos mostrar que o jornalismo é algo relevante e essencial para a sociedade; se conseguirmos mostrar que o jornalismo deve ser exercido por profissionais especializados e bem formados; e se conseguirmos mostrar que o nosso sistema de ensino pode responder por essa demanda social; aí, sim, estaremos contribuindo substancialmente para uma sociedade e um jornalismo melhores.

ATUALIZAÇÃO de 20/10/2008: O professor Jacques Mick (Ielusc) também tratou de nossa insuficiência e precariedade teóricas na conferência que deu no 2º Encontro de Professores de Jornalismo de Santa Catarina e 4º do Paraná. Um resumo aqui.

ATUALIZAÇÃO de 21/10/2008: Retomo esse assunto para debater com Mauricio Tuffani aqui.

renoi terá duas mesas coordenadas na sbpjor

A Renoi estará com duas mesas coordenadas no 6º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, da SBPJor.
Agende-se!

Mesa Coordenada – 20/11/2008, às 14 horas
ENSINO DE JORNALISMO E A QUALIDADE DA INFORMAÇÃO
Coordenação: Gerson Luiz Martins

Qualidade da informação jornalística: o jornal laboratório em questão
Ana Prado

As potencialidades do ciberjornalismo no ensino de jornalismo
Gerson Luiz Martins

A pós-graduação em Jornalismo e a aproximação com os jornalistas que atuam no mercado de trabalho
Marcos Santuário

Mídia e intolerância: trabalhando a questão da alteridade com alunos de jornalismo
Valquíria Michela John

A hora da nova utopia
Victor Gentilli

Mesa Coordenada – – 21/11/2008, às 14 horas
QUALIDADE DA INFORMAÇÃO JORNALÍSTICA
Coordenação: Rogério Christofoletti

Jornalismo e informação de diagnóstico: um valor para a democracia
Danilo Rothberg

Responsabilidade social da mídia: análise conceitual e perspectivas de aplicação no Brasil, Portugal e Espanha
Fernando O. Paulino

Avaliação de qualidade jornalística: desenvolvendo uma metodologia a partir da análise da cobertura sobre segurança pública
Josenildo Luiz Guerra

Jornais populares de qualidade: ética e sensacionalismo em um novo fenômeno no mercado de jornalismo impresso
Laura Seligman

O jornalismo como teoria democrática
Luiz Martins da Silva

Concentração de mídia, padronização jornalística e qualidade do noticiário: o caso de Santa Catarina
Rogério Christofoletti