uma entrevista com raquel recuero

raquel2Raquel Recuero é um dos principais nomes brasileiros na pesquisa sobre redes sociais. Recentemente, lançou o livro “Redes Sociais na Internet”, que deve se tornar uma referência obrigatória para aqueles que se interessam pelo assunto. O livro pode ser encontrado nas livrarias e num site especialmente criado para o seu download. Na entrevista a seguir, Raquel fala um pouco mais sobre o tema. Confira…

Seu livro chega às bancas agora, justamente num momento em que as redes sociais são mais faladas do que nunca. Até mesmo os mais resistentes têm aderido a elas, como é o caso dos poderes centrais, dos governos. Esta semana, por exemplo, o Ministério do Trabalho e Emprego “entrou” no Twitter, e já está no Orkut desde o ano passado. De que maneira, os governos podem se valer das redes sociais? E como o cidadão pode se beneficiar com isso?
Penso que esses espaços na Internet contêm o potencial de ser extremamente democráticos, pois permitem um contato mais direto entre os governos e instituições e os cidadãos. Claro que isso depende do modo como o espaço é usado, mas de um modo geral, acho que essas redes podem prover espaços de debate e feedback para os cidadãos e espaços de informação e debate direto com a sociedade para os governos.

Você atua num programa de mestrado na área de Letras, um campo essencialmente ligado à Educação. Como as redes sociais podem contribuir para os avanços educacionais, em especial na realidade brasileira?
O espaços sociais que temos na rede auxiliam em um processo de comunicação mais amplo, tanto nos aspectos informativos (acesso à notícias, informações, serviços e etc.) quanto naqueles conversacionais (debates, discussões, etc.). Assim, também são espaço potenciais para a educação e o espírito crítico. Do meu ponto de vista, ainda fazemos um uso muito modesto das tecnologias na educação. Claro, é necessário um cuidado na exposição e na construção desses processos, mas poderíamos usar mais os sistemas que já existem em sala de aula. Se tu olhares para o Orkut, por exemplo, vais ver que ali há exemplos da cultura de toda a sociedade brasileira. Há pessoas em lugares menos favorecidos que estão lá, com seus perfis, suas comunidades, suas percepções culturais. Há uma quantidade expressiva de jovens e adolescentes que usam o sistema.  As pessoas vão construindo uma cultura ali, vão incorporando aqueles signos no seu dia a dia. No entanto, insistimos em ignorar essas práticas, focando sistemas “idealizados” para a educação e a chamada inclusão digital, que muitas vezes não refletem a experiência, os interesses e apropriações das pessoas. Penso que é preciso pensar a educação como espírito crítico e apropriação *a partir* dessas práticas.

No início deste ano, você lançou junto com Adriana Amaral e Sandra Montardo o livro “Blogs.com”, em formato de e-book e rapidamente absorvido pelos leitores brasileiros como uma importante sistematização da produção científica nacional sobre o tema. “Redes Sociais na internet” é seu primeiro livro autoral, embora você seja uma pesquisadora bastante produtiva. Ele não é propriamente a adaptação de sua tese de doutorado, não é mesmo? E por que você resistiu em lançar a tese antes?
É em parte uma adaptação da minha tese, em parte uma aplicação dela. O fato de não ter sido lançado antes foi menos por escolha e mais pelo tempo para adaptar aquilo que eu tinha escrito e as minhas pesquisas posteriores. A tese, em si, é meio “pesada”, tem muitos dados, muitas coisas que não entraram no livro para deixá-lo mais acessível. Claro que todo esse processo exigiu uma adaptação maior e um tempo maior para conseguir terminá-lo. 🙂

Pode-se notar que o Brasil vem criando um núcleo bem consistente de pesquisadores sobre cibercultura. Os esforços podem ser sentidos em diversos pólos regionais, como a Bahia e o Rio Grande do Sul. Que avaliação você faz desse cenário em construção? E como situa a produção científica brasileira nessa área?
Eu acho que é muito importante que a gente entenda como a sociedade brasileira vem apropriando o ciberespaço e vem criando novas práticas de identidade, participação e discussão. Essas práticas vão impactar a nossa sociedade offline cada vez mais fortemente. Por conta disso, acho extremamente saudável que novos grupos comecem a discutir essas questões, a pensá-las e a focar sua produção nessa compreensão. Quanto mais soubermos sobre esses impactos, melhor proveito poderemos tirar deles para a própria sociedade e melhor conseguiremos minimizar seus aspectos negativos. Espero assim que, no futuro, tenhamos mais grupos pesquisando essas questões em mais universidades e regiões do Brasil. 🙂

obamanofacebookPessoalmente, tenho a impressão de que os pesquisadores que estudam tecnologia e interfaces tecnológicas têm desafios sobressalentes no seu trabalho. Não apenas pela complexidade de seus objetos, mas pela fugacidade e volatilidade de temas e preocupações. Parece que esses cientistas estão sempre tentando trocar o pneu de um carro em movimento. Isso é só uma impressão minha? Ou ampliando: que outros desafios se apresentam para quem pesquisa tecnologia?
Hahahahaha Acho que é uma ótima analogia, mas penso que é o desafio de todo o cientista social. A sociedade é mutante, está sempre re-significando os processos culturais. É preciso ter claro que quase sempre temos, como resultado, um “retrato”de um determinado grupo em um determinado momento. Mas uma seqüência de imagens estáticas também pode ajudar a entender melhor a dinâmica, o movimento desses grupos. Por isso acho muito importante a continuidade dos estudos, sua comparação com outros trabalhos e sobretudo, o debate. São grandes desafios, precisamos de mais incentivo e mais pesquisadores para poder dar conta deles, especialmente em um país continental como o Brasil.

Já há uma agenda de lançamentos de “Redes Sociais na Internet”? E mais: após esse livro, quais são seus próximos estudos e projetos?
Estou trabalhando em um projeto com mais duas pesquisadoras, a Adriana Amaral e a Suely Fragoso em um livro focado em métodos de pesquisa para dados do ciberespaço. E estou também trabalhando em um projeto de estudo da conversação mediada pelo computador, tentando entender como a língua é utilizada e mudada no ciberespaço e como isso reflete os aspectos sociais da apropriação. Acho que são esses os atuais. 🙂

compós 2009: self service

Se você – como eu – não foi a Belo Horizonte para a 18ª Compós e quer ter acesso aos trabalhos apresentados, seus problemas acabaram!

É que estão disponíveis TODOS OS TEXTOS de 2009 gratuitamente. Aliás, os textos desde 2000.

Sirva-se!

intercom sul começa hoje em blumenau

A décima edição do Congresso da Intercom na região Sul começa hoje na Furb, em Blumenau.

Alguns números:

7 Divisões Temáticas, com 130 trabalhos previstos para apresentação

4 painéis

56 categorias da Expocom com finalistas

14 livros em lançamento

  • A Rádio no Espaço Escolar: Para Falar e Escrever Melhor, de Zeneida Alves de Assumpção
  • Civic Journalism: Haverá um Modelo Brasileiro?, de Márcio Fernandes
  • Contos de Fadas da Publicidade, de Lorreine Beatrice e Roseméri Laurindo
  • Ética no Jornalismo, de Rogério Christofoletti
  • História, Memória e Reflexões sobre a Propaganda, de M. Berenice Machado, A. Queiroz e D.C Araújo
  • Jornalismo e Mídia Social, de Evandro de Assis
  • Jornalismo em Três Dimensões: Singular, Particular e Universal, de Roseméri Laurindo
  • Leituras Sociais da Mídia, organizado por Cláudio Muller
  • Observatório de Mídia: Olhares da Cidadania, organizado por Rogério Christofoletti e Luiz Gonzaga Motta
  • O que é Radioteatro, de Ricardo Medeiros
  • Propaganda no Rádio: Formatos de Anúncio, de Clovis Reis
  • Realidade Regional em Comunicação: Perspectivas da Comunicação no Vale do Itajaí, organizado por Clóvis Reis
  • Retratos Midiáticos do Meio Ambiente: Gestos de Interpretação, organizado por Ariane Carla Pereira
  • Vidas Recortadas: Vidas Recontadas, organizado por Francisco Carlos Stocker

contagem regressiva para o intercom sul

Faltam oito dias para a décima edição do Congresso da Intercom na região Sul. O evento vai de 28 a 30 de maio, e acontece na Furb, em Blumenau (SC).

A programação pode ser conferida aqui, os finalistas do Expocom, aqui. As oficinas, aqui.

palestra: consumo, juventude e redes sociais

lustreA professora Adriana Amaral, da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), faz palestra na quinta, 7, na minha turma de Redes Sociais sobre o tema “Consumo, juventude e redes sociais”.

É no auditório 2 dos blocos de Medicina (24 e 25) no campus da Univali em Itajaí. O evento começa às 19 horas. Se ficou interessado e pensa em passar por lá, não deixe de ler este texto, especialmente recomendado pela palestrante.

mais uma parceria para debater indicadores de comunicação no brasil

(Da UNESCO Brasília)

A UNESCO acaba de fechar uma parceria com três organizações brasileiras para aprofundar no país o debate sobre indicadores de comunicação. A iniciativa tem como base o documento do Programa Internacional para o Desenvolvimento da Comunicação (IPDC)/UNESCO que trata de indicadores de desenvolvimento da mídia.

O objetivo, no Brasil, é estender esta discussão também para o campo de indicadores do direito humano à comunicação a partir de uma pesquisa sobre o tema desenvolvida nos últimos anos pelo Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social. Além do Intervozes, são parceiros do novo projeto o Laboratório de Políticas de Comunicação da Universidade de Brasília (LAPCOM) e o Núcleo de Estudos Transdisciplinares de Comunicação e Consciência da Escola de Comunicações da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NETCCON).

A ideia é promover o conhecimento e o debate público sobre este tema, buscando identificar os desafios de implementação, mapear possíveis instituições parceiras e construir legitimidade para a proposta a partir do diálogo com as diversas organizações e instituições ligadas à comunicação, incluindo o Poder Público, empresas e a sociedade civil organizada. A iniciativa é fundamental diante da ausência de referências objetivas para mensurar o grau de desenvolvimento da mídia e de efetivação do direito humano à comunicação no Brasil.

Será dada ênfase especial a universidades e estudantes de jornalismo, com a realização de debates sobre o tema em três capitais do país. Também está prevista a realização de um seminário internacional destinado a validar uma proposta de indicadores com a participação de especialistas e membros do IPDC.

A indicação do IPDC é que em cada país devem ser construídos indicadores que, ao mesmo tempo, respondam ao quadro de referência proposto pela instituição e dialoguem com a realidade local. Neste momento, o programa busca promover, em âmbito mundial, o desenvolvimento e a aplicação piloto desses indicadores. A intenção das quatro instituições parceiras é viabilizar, no futuro, a aplicação destes indicadores no Brasil.

palestra: conteúdo gerado por consumidor e reputação de marcas

campusparty2009-parte2038A professora Sandra Montardo, da Feevale, faz palestra hoje na minha turma de Redes Sociais sobre o tema “Conteúdo Gerado por Consumidor e Gerenciamento de Reputação de Marcas”.

É no auditório 2 dos blocos de Medicina (24 e 25) no campus da Univali em Itajaí. O evento começa às 19 horas.

intercom sul: contagem regressiva

Vão até 15 de abril as inscrições para quem quiser apresentar trabalhos no Intercom Sul deste ano.

Mais informações:

http://www.intercom.org.br/congresso/regionais/2009/sul/intercomsul_chamada.shtml

O Intercom Sul acontece de 28 a 30 de maio na FURB, em Blumenau.

monitor de mídia, nova edição na rede!

Acaba de chegar à web a edição 147 do MONITOR DE MÍDIA!

Veja as novidades:

DIAGNÓSTICO: O cardápio dos telejornais do meio-dia em Santa Catarina. O que mostram os jornais locais de maior audiência no Vale do Itajaí ao meio-dia? A equipe do MONITOR acompanhou as edições durante uma semana.

REPORTAGEM: Resquícios da grande enchente ainda prejudicam a população. O MONITOR investigou os principais problemas das redes de esgoto de Itajaí e Balneário Camboriú depois da grande enchente de novembro.

PERFIL: A magia do Photoshop nos cliques de Altair Hoppe. A acadêmica Sílvia Mendes conversa com o jornalista Altair Hoppe, referência nacional em tratamento digital de imagens.

EDITORIAL: Liberdade é uma idéia que está na moda. O mês de abril dá sinais de que o tema será bastante debatido.

realidade regional em comunicação: o livro

Clóvis Reis me avisa que o livro “Realidade Regional em Comunicação” acaba de sair. O volume, organizado por ele, reúne capítulos que tratam das origens e perspectivas da comunicação em Santa Catarina. O lançamento é da Edifurb, tem 156 páginas e custa R$ 28,00.

publish or perish: duas revistas científicas

A prestigiadíssima revista Journalism acaba de lançar sua edição de fevereiro e desta vez enfoca a produção científica brasileira. O número foi coordenado por José Marques de Melo e por Sonia Virginia Moreira.

O sumário é este:

Brazilian journalism — the state of research, education and media
Special Issue of Journalism: Theory, Practice and Criticism

Journalistic thinking: Brazil’s modern tradition – José Marques de Melo

Journalists and intellectuals in the origins of the Brazilian press (1808—22) – Heci Regina Candiani

The past and the future of Brazilian television news – Beatriz Becker and Celeste González de Bustamante

Cultural journalism in Brazil: Academic research, visibility, mediation and news values – Cida Golin and Everton Cardoso

Notes on media, journalism education and news organizations in Brazil – Sonia Virgínia Moreira and Carla Leal Rodrigues Helal

Journalism in the age of the information society, technological convergence, and editorial segmentation: Preliminary observations – Francisco José Castilhos Karam

O acesso é restrito, mas o link é http://jou.sagepub.com/current.dtl

***

Já o Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo da USP anuncia o lançamento de Signos d0 Consumo, revista eletrônica da área.

intercom sul com inscrições abertas

Estão abertas as inscrições para o Intercom Sul 2009, que acontece de 28 a 30 de maio na Furb, em Blumenau (SC).

Mais informações: http://www.furb.br/intercomsul2009

revista interin na rede…

Ver imagem em tamanho grande

Está disponível mais uma edição da revista Interin, da Universidade Tuiuti do Paraná.

Esta edição 6, de dezembro, tem os temas Corpo, Moda e Comunicação. Aqui.

livro sobre blogs: prontinho pra baixar

Agora, sim!!!

Aqui: http://www.sobreblogs.com.br

notas e números sobre a pesquisa em jornalismo

A pesquisa em Jornalismo no Brasil caminha a largos passos, e isso se deve ao esforço conjunto de alguns influentes cientistas nacionais, à definição de um foco claro para o dispêndio da energia produzida e a um bom momento da ciência nacional, entre outros fatores.

A última década tem sido pródiga no aumento da produção de artigos e livros sobre a área e na formação de capacitados recursos humanos para a pesquisa, notadamente mestres e doutores. O trabalho da SBPJor, neste sentido, tem sido capital, aliado a uma estratégia de conjugação de esforços com outras entidades, como a Intercom, o FNPJ, a Fenaj, a Compós, etc… Com isso, os pesquisadores do jornalismo vêm ganhando prestígio e respeito pelos seus pares, e vêm conseguindo – em alguma proporção – financiamento para seus projetos.

Alguns dados ajudam a moldar o perfil da área nos últimos anos: o Brasil tende a puxar a pesquisa em Jornalismo na América Latina, apesar da língua. E, no Brasil, o Rio Grande do Sul já chama a atenção pela articulação e coordenação de seus pesquisadores, pela presença em eventos e pela produção qualificada.

A diretora científica da SBPJor, Marcia Benetti Machado, e o coordenador do Grupo de Trabalho de Jornalismo na Alaic, Eduardo Meditsch, distrincharam a produção científica nacional na área numa mesa redonda durante o 6º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, em São Bernardo do Campo, em novembro passado. Sim, já faz dois meses que esses dados foram publicizados, mas não houve mudanças significativas.

  • O Brasil tem 33 programas de pós-graduação em Comunicação;
  • Apenas o Brasil tem doutorado na área! O que significa dizer que os pesquisadores latinos geralmente buscam se doutorar em outros países;
  • Dois terços dos países da América Latina nunca apresentou trabalhos no GT de Jornalismo da Alaic nos últimos dez anos;
  • O GT de Jornalismo é forte na Alaic: ele reuniu 194 dos 203 trabalhos no período;
  • O Brasil é forte no GT: respondeu por 59% dos trabalhos na década assinalada. Argentina ficou em segundo – com 20% -, seguida do Chile;
  • Nelson Traquina e Mauro Wolf são os autores mais citados nos trabalhos do GT da Alaic. Na seqüência, vêm Miguel Alsina, Eliseo Verón, Teun Van Djik. Entre os brasileiros, Nilson Lage é o mais mencionado;
  • 64 autores foram citados ao menos duas vezes de 1998 a 2008 nos trabalhos do GT de Alaic, sem considerar autoc-citação.  Os brasileiros são os mais citados  (em 32% dos casos), seguidos de autores franceses e norte-americanos;
  • Em termos de categorias, Meditsch identificou que o GT de Jornalismo da Alaic agregou 28% de seus trabalhos em “Enquadramentos, Temáticas e Coberturas” e 17% de “Linguagens, Narrativas, Formas e Formatos”, as categorias mais produtivas;
  • Nos trabalhos apresentados nos eventos da SBPJor de 2006 a 2008, os microcampos “Jornalismo e Linguagem” e “Jornalismo Online” somam praticamente 50%. Microcampos identificam mais do que temáticas, mas também áreas de atuação;
  • A diretora científica da SBPJor identificou ao menos nove microcampos entre os trabalhos apresentados no período;
  • A SBPJor surgiu há apenas seis anos, e já promoveu seis encontros nacionais e dois internacionais. Conta com mais de 370 associados, a maioria doutores.

Evidentemente, os dados acima auxiliam na definição de um perfil da produção nacional, mas também projetam a força da investigação científica em jornalismo do Brasil sobre o continente. Nada além do que se poderia esperar, dadas a trajetória histórica da área no país e as atuais condições de emergência do campo. Crescer é bom, mas é preciso manter a saúde, o vigor, o equilíbrio.

(A propósito: o UOL abriu inscrições para o seu programa de bolsas. Entre as áreas de interesse, estão Jornalismo, blogs e redes sociais, que podem muito bem ser desenvolvidas por pesquisadores da área. Estão previstas bolsas para graduandos, mestrandos e doutorandos, além das bolsas aos seus orientadores. Entre 2006 e 2007, conduzi uma pesquisa pelo mesmo programa na modalidade iniciação científica. A experiência foi muito boa porque a equipe do Bolsa UOL é muito competente, profissional e respeitosa com os pesquisadores. A iniciativa de uma empresa de tecnologia como esta precisa ser louvada num país onde a ciência quase nunca tem apoio da iniciativa privada. As inscrições para projetos vão até 15 de fevereiro)

livro disseca o fenômeno dos blogs no brasil

capalivroblogsOs blogs já existem há mais de dez anos e têm se espalhado com rapidez e força que impressionam. Já existem no mercado brasileiro alguns títulos que tratam do assunto. Blog, de Hugh Hewitt, e Blog: Comunicação e Escrita Íntima na Internet, de Denise Schittine, são dois deles que merecem atenção.

Mas na próxima semana chega à web um volume que atualiza a bibliografia e oferece muita informação sobre o tema: Blog.com: Estudos sobre Blogs e Comunicação. Coerente com o seu objeto, o livro organizado por Adriana Amaral, Raquel Recuero e Sandra Montardo não desembarca nas estantes e livrarias, mas segue direto para um site, para um espaço virtual onde poderá ser lido, baixado, compartilhado. Naturalmente, esta escolha não se deve apenas ao reforço da coerência, mas também às dificuldades de viabilização do projeto numa editora convencional, de suporte papel. A Momento Editorial responde pela edição em PDF que tem doze capítulos, mais prefácio e posfácio, distribuídos em 293 páginas.

O livro será lançado oficialmente no próximo dia 22 de janeiro, em meio ao Campus Party, e até o início da semana já estará à disposição no site: http://www.sobreblogs.com.br

A disponibilidade do livro gratuito na web amplia o seu acesso e faz ventilar com mais força as idéias ali contidas. Num mercado editorial como o nosso, carente de títulos inovadores e em língua nativa, isso é pra lá de muito bem vindo.

Para quem não sabe, as organizadoras não apenas estudiosas dos blogs, mas blogueiras contumazes, daí a sua familiaridade com a coisa e a facilidade com a qual conseguiram reunir relatos e textos de diversas partes. O prefácio é assinado por André Lemos, o principal pesquisador em cibercultura no país, e o posfácio é de Henrique Antoun, também um nome de peso na área. O sumário você confere abaixo:

SEÇÃO I – BLOGS: DEFINIÇÕES, TIPOLOGIAS E METODOLOGIAS

Blogs: mapeando um objeto – Adriana Amaral, Raquel Recuero e Sandra Portella Montardo

Ciberespaço e a escrita de si na contemporaneidade: repete o velho, o novo blog? – Rosa Meire Carvalho de Oliveira

Teoria e método na análise de um blog: o caso Mothern – Adriana Braga

A vitória de Pirro dos blogs: ubiqüidade e dispersão conceitual na web – Marcelo Träsel

Práticas de blogging na blogosfera em língua alemã: resultados da pesquisa “Wie ich blogge?!” – Jan Schmidt

SEÇÃO II – USOS E APROPRIAÇÕES DE BLOGS

O movimento Cansei na blogosfera: o debate nos blogs de política – Cláudio Penteado, Marcelo dos Santos e Rafael Araújo

Contribuição dos blogs e avanços tecnológicos na melhoria da educação – Helaine Abreu Rosa e Octávio Islas

Pedagogia dos blogs: posts sobre o uso da ferramenta no ensino de jornalismo – Rogério Christofoletti

Blogosfera X Campo Jornalístico: aproximação e conseqüências – Leonardo Foletto

Blogs como nova categoria de webjornalismo – Juliana Escobar

Os blogs na web 2.0: publicação e organização coletiva de informação – Maria Clara Aquino

Moblogs e microblogs: jornalismo e mobilidade – Fernando Firmino da Silva

Imperdível.

chamada de textos: ciência, tecnologia e sociedade

A Revista Brasileira de Ciência, Tecnologia e Sociedade lançou a chamada de artigos e resenhas para sua primeira edição. A publicação, em versão exclusivamente eletrônica, está ligada ao Grupo de Pesquisa Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) do Departamento de Ciência de Informação e Programa de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade da Universidade Federal de São Carlos. Saiba mais sobre o programa em http://www.ppgcts.ufscar.br/

A revista possui orientação pluralista e publica trabalhos que apresentem contribuições originais, teóricas ou empíricas, relacionadas à área CTS. Seu endereço é http://www.revistabrasileiradects.ufscar.br

Os trabalhos serão recebidos por via eletrônica até 2 de março de 2009. Os autores poderão acompanhar o progresso de sua submissão através do sistema eletrônico da revista.

teses e dissertações em comunicação

Para quem pesquisa na área é uma mão na roda:

Teses e Dissertações: resumos e textos na íntegra, de 1992 a 2004.

AQUI

pesquisa mostra que crianças digitais são “multitarefas”

O canal televisivo pago Cartoon Network realizou uma pesquisa com 7 mil usuários de seu site, entre 7 e 15 anos, e chegou a resultados impressionantes sobre os usos e apropriações desses meninos e meninas da tecnologia e de atividades cotidianas. A conclusão mais ruidosa é de que 73% dos sujeitos da pesquisa têm o hábito de combinar o uso de diversas tecnologias ao mesmo tempo, revelando um comportamento “multitarefa”. Realizada todos os anos, a pesquisa Kids Experts acompanha o comportamento infanto-juvenil. 

A idéia do estudo é entender como os pequenos “nativos digitais” consomem diferentes meios enquanto fontes de informação e ferramentas de entretenimento, desvendando seu lado multitarefa – o hábito que as crianças têm de utilizar mais de uma ferramenta e executar mais de uma atividade ao mesmo tempo: baixar arquivos enquanto falam com os amigos pelo MSN, terminar um trabalho de escola enquanto postam scraps no Orkut, jogar videogame enquanto ouvem música.

Para auxiliar na obtenção dos resultados, também foi utilizado o método qualitativo batizado de “observação com registro”, no qual as mães de meninos e meninas registravam em um diário, durante quatro dias, as atitudes de seus filhos em relação aos mais diversos aparatos.

Outras conclusões da pesquisa:

– Uma em cada cinco crianças já postou algum vídeo no YouTube;

– Crianças entre 6 e 8 anos usam a tecnologia de forma mais passiva, com foco no entretenimento, fazendo atividades que não exijam a divisão da atenção;

– Entre 9 e 11 anos começa a existir maior interação, com busca também por informação – é quando acontece o pico da utilização dos videogames pelos meninos;

– A partir dos 12 anos, a comunicação também passa a ser elemento primordial, com a criança dominando totalmente as ferramentas. Nesta fase, elas conseguem executar até oito combinações diferentes entre tecnologias;

– A TV é o primeiro aparelho com o qual as crianças têm contato e está presente durante toda a infância, mas a música em aparelhos como rádio e MP3 players surge logo depois e ocupa espaço permanente;

– O computador cresce em influência a partir dos 9 anos e se transforma justamente no equipamento mais usado em combinação com outros, registrando presença em 57,5% das combinações entre meios;

– O celular é o equipamento que tarda mais a ser incorporado, já que seu uso regular aparece entre os 9 ou 10 anos. O estudo sinaliza ainda que o celular pode cada vez mais assumir um papel importante como integrador de todas as tecnologias.

– Mais de 70% das meninas pesquisadas usam programas de comunicação instantânea, sendo que 46% das meninas usam o MSN todos os dias e 22% passam de uma a duas horas conversando por meio do software;

– Nas comunidades online (Orkut, Facebook, MySpace), as meninas também dominam: 66% delas são membros, mantendo uma média de 80 contatos;

– Nas redes sociais, as crianças têm em média 23 amigos que não moram na mesma cidade, sendo que 73% diz que em suas listas de amigos têm mais pessoas que conhecem pessoalmente;

– 23% das meninas têm blog, fotolog ou videolog;

– 75% dos meninos têm videogame, sendo que o Playstation é o console favorito;

– Em comum, meninos e meninas entram em contato com o mundo digital cedo: 77% das crianças entre 7 e 9 anos entraram pela primeira vez em um site de comunidade online quando tinham entre 5 e 8 anos de idade;

– Duas em cinco das crianças pesquisadas já trocaram com amigos algum conteúdo de mídia na web (música, vídeo, fotos);

Para ler matéria do Rio Mídia sobre a pesquisa, clique aqui.

Para saber mais como “funciona” a chamada Geração Multitarefa, veja matéria do espanhol La Vanguardia.

EM TEMPO: Por falar em geração multitarefa, Paco Tejero comenta o livro de Jeroen Boschma – La generacion Einstein -, lançado recentemente e que aponta esta “nueva generación de jóvenes más intelligentes, más sociables y más rápidos”. Mas Paco Tejero é bem crítico quanto a isso. Aliás, Alex Gamela faz o mesmo, se perguntando: será que nossos alunos de jornalismo estão preparados para o que vislumbramos em nossos cursos e disciplinas? 

200 blogs de comunicação em português

Em julho de 2007, criamos aqui uma lista de blogs de pesquisadores da comunicação.
Pouco mais de um ano depois, chegamos a 200 links para blogueiros brasileiros e portugueses, que tratam de diversos assuntos: de suas pesquisas a amenidades, de hobbies a especialidades pessoais antes desconhecidas.

São 157 blogs do Brasil e 43 de Portugal.
Evidentemente, esses números não esgotam a criatividade e expressão dos blogueiros da área, mas dão uma amostra considerável do global.

Agradeço aos colegas que levaram essa lista adiante, dando links e sugerindo novos endereços. Bem como corrigiram alguns pontos inativos ou quebrados.
Do primeiro post sobre a lista até hoje, atualizei 40 vezes o rol de blogueiros nacionais, e outras 31 vezes os dos patrícios portugas.

Nos 200 anos da imprensa no Brasil, esses 200 links são apenas uma amostra de como buscamos incessantemente nos comunicar, expressar nossas paixões e ódios e nos fazermos sujeitos de nossos próprios posts.

Adiante!

entrevista sobre cibercultura

Minha amiga Adriana Amaral manda avisar que a entrevista que deu em abril passado ao programa Cybercubo, da TV Feevale, já está na web. Para quem não ligou o nome à pessoa, a Adriana é a pessoa que mais entende de cibercultura, ciberpunk e cibertribos do país. Conectada!!!

Assista em quatro partes!

Parte 1

propaganda no rádio: lançamento de livro

Meu amigo Clóvis Reis convida:

amanhã, dia 11, às 19 horas na Biblioteca da Furb – Blumenau -, ele lança seu livro Propaganda de rádio: os formatos dos anúncios.

pauta geral: nova edição na rede

A editora Tattiana Teixeira avisa:

Já está disponível na rede a edição n.09 da Pauta Geral – Revista Brasileira de Jornalismo. Neste número, o dossiê é sobre História do Jornalismo e traz artigos dos pesquisadores Ana Paula Goulart Ribeiro, Jorge Pedro Souza, Rogério Martins de Souza e Aníbal Pozzo, do Paraguai.Um dos destaques da edição é a entrevista com Christa Berger, ganhadora do Prêmio Adelmo Genro Filho, em 2007. Na seção artigos, trazemos textos de Márcia Amaral e Josenildo Luiz Guerra e nas resenhas, a contribuição de nomes como Antônio Hohlfeldt e Xosé Pereira. A partir de 2008, a Pauta Geral passa a editar dois números ao ano. Outra novidade é que todo o processo de submissão e avaliação de artigos está online, já que a revista está integrada ao SEER.
Para conferir, acesse http://pautageral.editoracalandra.com.br

acompanhe dois eventos do sul pela web

Você não pôde ir ao Intercom Sul, em Guarapuava (PR)?

Não pode ir a Porto Alegre para a Maratona que discute jornalismo e internet na PUC?

Não tem problema. Acompanhe tudo isso pela web.

O pessoal da Católica de Pelotas montou um blog para a cobertura do Intercom Sul. Veja aqui.

A revista Cyberfam acompanha a maratona na Famecos.

marques de melo fala dos gêneros jornalísticos

A perspicaz Lia Seixas entrevistou – no último sábado – o professor José Marques de Melo, a “maior referência brasileira no assunto gêneros jornalísticos”.

A primeira parte da entrevista foi ao ar hoje. Veja aqui.

A segunda virá na próxima terça.

(A entrevista, longa, com bom ritmo e com diversas surpresas, vale uma aula e um seminário sobre o tema)

pesquisa em jornalismo, no méxico

Se aqui no Brasil já temos a Rede Alfredo de Carvalho (a Rede Alcar), que se encarrega de um gigantesco inventário das histórias das diversas mídias, no México, há a Red de Historiadores de la Prensa y el Peridosimo en Iberoamérica

Vale a pena passar por lá e cruzar antenas com nuestros amigos de la lengua de Cervantes

 

eco-pós recebe artigos

Ana Paula Goulart Ribeiro e Suzy dos Santos mandam o recado:

O conselho editorial da revista eletrônica ECO-PÓS, do PPGCOM da Escola de Comunicação da UFRJ, comunica a todos que estamos recebendo – até o dia 30 de maio de 2008 – contribuições (artigos e resenhas) a serem publicadas no nosso volume 11, número 2, que será colocado em circulação no segundo semestre deste ano.
Informamos que esse número terá um dossiê dedicado ao jornalismo na era digital, mas que também publicaremos artigos sobre outros temas na nossa seção “Perspectivas”. Comunicamos ainda aos interessados que as normas completas para a elaboração e envio das colaborações estão no site da revista:
http://www.e-papers.com.br/ecopos. As propostas devem ser encaminhadas (em arquivo anexado) para a revista no seguinte e-mail: ecopos.ufrj@gmail.com

monitor de mídia: edição 137

Já está na rede a edição 137 do Monitor de Mídia.

Um dos destaques é a entrevista com Jose Luis Orihuela sobre tecnologia, jornalismo e blogs.

Confiram!

estudos em comunicação: 3ª edição

Já está disponível a terceira edição da Revista Estudos em Comunicação.

Vejam o sumário:

  • Civic Mapping as a Public Journalism Tool – Tanni Haas

  • News commercialization, ethics and objectivity in journalism practice in Nigeria: strange bedfellows? – Kate Azuka Omenugha; Majority Oji

  • It’s all a question of form: Exploring how professional ideas and practices shape the language and visuals of the children’s news programme – Julian Matthews

  • The impact of cultural dimensions on language use in quality newspapers – Folker Hanusch

  • The National Press and the University of Mississippi: Forty Years After Desegregation – Melanie L. Stone

  • Working with nationalism as ideology – João Carlos Correia

  • Hope and Despair: Representations of Europe and Africa in Finnish news coverage of “migration crisis” – Karina Horsti

  • Framing the War on Terrorism? Linguistics Variation, Perspective and Iraq – Viktoria Jovanovic-Krstic

  • Shifted focus: newspaper coverage of female military personnel as casualties of war – Mercy Ettel

mídia-educação: banca de mestrado

Meu amigo Silvio Costa Pereira convida para sua defesa pública no Mestrado em Educação na UFSC.

A dissertação tem como título “Mídia-educação no contexto escolar: mapeamento crítico dos trabalhos realizados nas escolas de ensino fundamental de Florianópolis“.

Acontece no dia 14 de abril, às 14 horas, no auditório do CED-UFSC.

Parabéns, Silvio!