crise na américa latina

A Colômbia pulou o muro do vizinho Equador pra pegar um peixe grande das FARC. Matou o cidadão e violou tratados internacionais. O Equador fez beicinho e exigiu desculpas. A Colômbia contra-atacou, dizendo que o Equador não tinha do que reclamar, afinal ele e a Venezuela davam dinheirinho pros bandidos das FARC. Lá em Miraflores, Chávez ficou chateado e tirou seus tanques de guerra da caixa. Pegou os soldadinhos de chumbo também. Em Brasília, Celso Amorim dourou as pílulas, mas assentiu que um pedido formal de desculpas era de bom tom.

Tô sentindo falta da Condoleeza Rice nesse angu. Esse governo Bush não tem política para a América Latina, não?

Quer saber?

Acho que não vai dar em nada.

pseudotraduções da martin claret: dinamite pura!

O blog do Gaveta do Autor traz uma carta-denúncia de um tradutor que coloca mais gasolina na fogueira. Para quem não se lembra, a editora Martin Claret está sob denúncias de que plagiava traduções de livros, que não pagava pelos direitos de algumas outras e demais ilegalidades.

Vale a pena acompanhar…

sobre comentários e sobre ferramentas

Dois comentários de RogerKW me fertilizaram a cabeça esta noite.

O primeiro se refere aos próprios comentários em sites de notícias, por exemplo.

RogerKW critica o fato de os administradores de um site de uma rádio AM de Brusque deixarem os comentários abertos nas notícias de polícia, o que estaria se transformando num festival de intolerância, truculência, reacionarismo.

“Eles deixaram os comentários abertos, senão ninguém participa. Reacionária a coisa por parte da própria população, mas tudo bem, até tem justificativas. Aqui, por exemplo, tem uma dessas matérias de polícia:
http://www.radiocidadeam.com.br/noticia.php?cod_noticia=1621

Bom, é só de curiosidade mesmo. Pior que essas coisas “povão” dão audiência pra caramba. Matéria de política mal tem acesso. De polícia, extrapola os comentários. O que é sensacionalista são as fotos dos caras presos e tal.”

Entendo a preocupação de RogerKW. Mas daria para ser diferente? Os administradores deveriam fechar o acesso? Não permitir a participação das pessoas na seção de polícia e sim nas demais? Como motivar a interatividade e o interesse em outras áreas?

Algumas respostas e perguntas pessoais e transitórias.

1. Sites e blogs não podem mais conviver sem o espaço para a participação popular. Seria um retrocesso. Permitir o comentário e fechar a leitura não é solução.  Diversos sites optam por algumas formas de controle, seja moderando as mensagens, seja estabelecendo regras para os comentários – rechaçando ofensas, racismo e discriminação, seja ainda não permitindo o anonimato.

2. Sobre o anonimato, também concordo. Sou contra. Aliás, a própria Constituição veta essa prática. Na web, a coisa fica mais complicada porque o cidadão pode burlar o anonimato, inventando uma máscara, com dados fictícios. Não que isso fosse impossível antes. Claro que alguém poderia inventar endereço e nome e mandar cartas à mídia, detonando tudo e todos. Mas taí uma coisa que precisamos resolver: como lidar com a identidade e a identificação do público.

3. Uma pergunta capciosa: ao aumentarmos o rigor na identificação não iremos – de alguma forma – constranger ou reduzir a participação pública?

4. Como combater o conservadorismo, o ódio e a agressividade de alguns internautas? Nossa! Se eu tivesse a solução pra isso…

 ***

Um segundo comentário de RogerKW se refere aos posts que coloco aqui sobre blogueiros, professores e profissionais que martelam na tecla de ensinar a usar ferramentas e recursos.

“tu não acha que tem muita gente discutindo ferramenta em vez de discutir a profissão? Não sei (tenho essa impressão reforçada por lê-la), mas me parece que a preocupação é em educar os jornalistas a usar blogs, leitor de feeds, etc – o que é extremamente primário. Enfrentamos uma burocratização da profissão, queda de publicidade, enxugamento de redações e a web é uma coisa mutante”.

Eu penso que as coisas são diferentes, podem se complementar e não são excludentes.

Há espaço e leitores para os tecnófilos e para os mais reflexivos. Não se sobrepõem em importância. Mas temos que considerar que as realidades de Paul Bradshaw e Mindy McAdams são bem distintas das nossas. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, a discussão sobre a profissão passa por outros caminhos. Falo tanto do ponto de vista classista quanto teórico.

De qualquer forma, não tenho dúvidas de que temos que acompanhar o que pensam e escrevem esses caras (e outros). E mais importante ainda: precisamos NÓS escrever, pensar, produzir e publicar conteúdos na blogosfera nacional que sirva aos usuários desta mesma blogosfera.

web semântica: 11 coisas

Bernard Lunn, no ReadWriteWeb, lista onze coisas que se deve saber quando o assunto é Web Semântica.

Ele vai direto em alguns pontos que considero muito importantes: uma definição para a coisa, o cuidado com o apologismo, o que se pode esperar da coisa. Lunn é cuidadoso, e vê a coisa em perspectiva.

“Semantic Web will leverage the “community” to add structure and this will use some techniques from first generation Social Networking. But it is very unlikely that Semantic Web will emerge from the walled gardens of current social networking sites. The winners will know how to motivate community to provide structure and will provide the tools that make the structuring so easy that nobody knows they are doing anything so boring as structuring. That is the big lesson from Web 2.0 that will be applied in the Semantic Web”.

inflação e educação

O que mais tenho ouvido nas últimas semanas é que a educação está em crise. Isto é, que o mercado da educação está em crise, já que diversos números mostram que:

  • Hoje, as vagas oferecidas nas instituições de ensino superior são superiores ao número de candidatos na faixa dos 18 a 24 anos
  • Os custos ainda são muito altos para absorver parcela significativa dos “consumidores”
  • A concorrência cresceu brutalmente: as escolas particulares explodiram e o governo federal acordou, e vem polvilhando novas unidades em diversas partes
  • As federais querem reduzir abrupta e brutalmente a sua ociosidade: vai ter até curso noturno!
  • Tem IES colocando ações em bolsa pra captar recursos
  • Tem tubarões comprando as menores
  • Tem mais de 35 mil cursos de pós (especializações apenas) no país no momento

Aí, eu pergunto (inocentemente): isso é universalização da educação ou sofremos uma inflação de oportunidades?

Existe mesmo uma crise na educação?

escândalo do cartão

O governo Lula está evoluindo.

Deixou para trás o imposto do cheque, e agora só ataca de cartão de crédito.

Frank, o chargista mais moleque de Floripa, comenta o episódio na véspera do Carnaval…

matilde.jpg

suharto vai pro inferno

Suharto morreu. Sem ser julgado.

Mais um ditador truculento que escapa da justiça.

Vai se juntar a Pinochet, Stroessner, Médici, Hitler, Milosevic

Já vai tarde.

uma campanha mentirosa

el_grito.jpg 

Quem tem TV a cabo sabe o que estou dizendo.

No meio da programação, um rapaz levemente calvo com ar grave e tom ameaçador diz que se um tal projeto de lei for aprovado haverá uma hecatombe na TV a cabo. Não poderemos mais escolher o que assistimos, pois “eles” escolherão pra gente. A liberdade vai acabar. Oh!!!

Uma pinóia!

A discussão gira em torno do projeto de lei 29/2007, que – entre outras coisas – define cotas de programação nacional na TV por assinatura. O anúncio da Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA) é super apelativo (veja aqui). O tom é apocalíptico. E mentiroso, sejamos claros.

Afinal, não é o telespectador quem define o que assiste. Se fosse assim, na minha casa, não teria os canais Canção Nova, Shoptime, Mercado Persa, Canal do Boi, TV Turfe, e por aí vai. A gente escolhe o pacote e a operadora, e olhe lá. Então, os caras vêm fazer beicinho porque alguns parlamentares querem instituir uma reservinha de mercado para os produtores nacionais (o que gera emprego e renda AQUI, promove a cultura regional, a diversidade de conteúdos, coisas sem importância, né?)…

Os caras são tão manipuladores que, no alto do site da campanha, acima do contador, eles colocam “Até agora são …. pessoas participando”. Como se quem passasse por ali estivesse engajado numa batalha.

Ora, faça-me o favor!

Para saber mais, veja o site da campanha da ABTA ou leia a resposta do deputado Jorge Bittar ao ataque.

Em tempo: O projeto de lei prevê cota de 50% para canais pagos brasileiros , mais 10% de programação nacional nos canais estrangeiros – que hoje somam 75% da programação da TV por assinatura no Brasil.

no a chavez

Lá vai o Chavez, Chavez, Chavez…

chavessss.jpg

(Por Frank Maia, este monstro!)

corinthians na segundona

Frank – um flamenguista – dá a real no Parque São Jorge:

 bodypart.jpg

Veja o futuro do tal timão. Vale a pena ver de novo.

intervalo: morrem os blogs

Dou uma paradinha nas postagens sobre o Fórum Internacional Mídia, Poder e Democracia para anunciar: os blogs morreram. Calma, calma. Na verdade, quero chamar a atenção para o que escreveu Marcelo Träsel no seu Martelada. Inteligente e bem humorado como sempre, Träsel dá uma de Juremir Machado da Silva e anuncia que os blogs já eram.

O fato é que Träsel foi convidado para uma palestra e quis chocar os alunos, ele mesmo confessa. Pensou, pensou e teve a idéia: se eles me pediram para falar do crescimento dos blogs, vou falar que eles já eram. Träsel acabou acreditando na própria hipótese, e seu post convida a pensar o blog como mídia alternativa. Naquela fronteira entre ironia, falsidade e arrojo, Träsel não lacra o caixão.

Dá uma martelada, não uma pá de cal.

perguntar não ofende

  • Por que colocaram o Paulo Coelho na mesa da delegação brasileira na sede da Fifa pra puxar o saco do Blatter e confirmar o confirmado? Ele é jogador de futebol? Sabe fazer mais de três embaixadinhas sem deixar a bola cair? Por que não chamaram também a Gisele Bündchen? Pelo menos, ela bate um bolão…
  • Por que o Milton Zuanazzi saiu da Anac e disse que o ministro Jobim não sabe nada de aviação? O Zuanazzi sabia antes de ganhar esse empregão? Pelo que a gente viu nos aeroportos, ele sabia sim…
  • Por que Dilma Roussef e José de Alencar foram internados na mesma semana? Por que ambos estavam com problemas no sistema digestivo ou cercanias? Eles vêm engolindo muito sapo ultimamente?

a copa no brasil… já começou a lambança

Todos os jornais anunciam em suas primeiras páginas. Todos os telejornais desta noite dão a coisa como se fosse uma grande surpresa. “Amanhã à tarde, direto da Suíça, a Fifa deve anunciar se o Brasil será sede da Copa do Mundo de 2014. O anúncio é marcado por grande expectativa”…

BLA – BLA – BLÁ!!!!

Quantos candidatos disputam a honraria? Só Brasil.

O que já disseram as autoridades fifescas quando visitaram os estádios por aqui? Sorriram e fizeram joinhas com os polegares.

Alguém acha que o país não será confirmado? Por acaso, a Fifa não quer ter a Copa daqui a sete anos?

Ora, faça-me o favor!

esses gaúchos

Meu post sobre os gaúchos produziu risadas e ranger de dentes. Um pouco de cada, na verdade. E uma ou outra ameaça de morte por parte de umas amigas do Rio Grande. Mas como sou corajoso – sou casado com uma gaúcha, o que significa viver com uma mulher-com-faca-na-bota -, retomo o assunto que me é sempre fascinante: identidades.

Ando por aí e não conheço nenhum povo brasileiro com identidade mais marcada e esbravejada que os gaúchos. Não apenas os reforços dos estereótipos de plantão, mas um conjunto de traços que desaguam num sentimento que me parece genético entre eles: o orgulho. São orgulhosos de seus feitos, de sua história, de sua terra, de sua cultura. São tão orgulhosos que transpiram arrogância ou um pouco de presunção. Alguns são hiperbólicos, outros megalomaníacos. Mas são invejáveis na sua disposição por fazer e acontecer, e na grande satisfação de mostrar seus feitos.

Orgulham-se de um passado sangrento; de lutar pela terra; de seus times de futebol viverem epopéias; de seus livros serem épicos; de suas vidas serem tragédias cantadas em verso e prosa. São fascinantes porque contagiam, porque envolvem e porque teorizam sobre suas existências.

Agora à noitinha, apanhei um livrinho – por conta do tamanho e não da importância, não me trucidem, gaúchos! – de um grande compositor gaúcho, Vitor Ramil: A estética do frio. Na verdade, o livro é a versão escrita bilíngüe (português, francês) de uma conferência que o músico deu na Suíça, sob o pretexto de falar de sua trajetória e de sua relação com a cultura que o cerca e que o ajuda a ser o que é. Pois Vitor Ramil, em vinte e poucas páginas, percorre sua vida e a formação de seu imaginário íntimo para determinar uma busca estética que ajude a unificar seus trabalhos e sua produção musical.

Ramil – o irmão menos conhecido da dupla Cleiton e Cledir, e o mais talentoso de todos – elege o frio como um traço distintivo do que faz e a milonga, como expressão aglutinadora do sentimento-canção que o move no seu fazer cotidiano. Ok, o frio e a milonga, a contemplação e a melancolia, mas o que tem a ver com os gaúchos? Ora, penso que muito. Se há uma intensa alegria nas tertúlias, vigora também uma saudade-de-não-sei-o-quê. Se há um orgulho de ser da terra, esse sentimento lateja em qualquer latitude que os gaúchos estejam: seja porque está feliz junto à terra natal, seja porque sente a nostalgia de um exilado, de um expatriado.

Ainda corroboro com a lenda de que há um grande plano gaúcho para conquistar o mundo. As células de disseminação disso seriam os CTGs (Centros de Tradição Gaúcha), espalhados por todo o globo. Tem gaúcho em tudo o que é lugar. Há CTGs em Rondônia, churrascarias nos Estados Unidos, torrões do pampa no Japão globalizado. Como diria Flávio Rangel, citado por Vinicius de Morais, “são as raízes!”

tecnologia: americanos, argentinos e gaúchos

Minha amiga Laura, que é gaúcha, mandou a seguinte notícia.  Ela jura de pé junto que saiu no jornal. Eu acredito.

“Durante escavações nos EUA arqueólogos descobriram, a 100 m de profundidade, vestígios de fios de cobre que datavam de do ano 1000. Os americanos concluíram que seus antepassados já dispunham de uma rede telefônica naquela época.

Os argentinos, para não ficarem para trás, escavaram também seu sub-solo, encontrando restos de fibras ópticas a 200 m de profundidade. Após minuciosas análises, concluíram que elas tinham 2.000 anos de idade. Os argentinos concluíram, triunfantes, que seus antepassados já dispunham de uma rede digital a base de fibra óptica quando Jesus nasceu!

Uma semana depois, no Rio Grande do Sul, foi publicado o seguinte anúncio:
‘Após escavações arqueológicas no sub-solo de Bagé, Santa Maria, Pelotas, Cotiporã, Fagundes Varela, Vila Flores, Vila Maria, Itapuca e diversas outras cidades, até uma profundidade de 500 metros, os cientistas gaúchos não encontraram absolutamente nada. Eles concluem que os antigos gaúchos já dispunham há 5.000 anos de uma rede de comunicações
sem-fio.”

provocações aos professores de jornalismo

Venho discutindo há tempos com amigos e alunos os caminhos que nos restam quando o assunto é escolas de Jornalismo, cursos de formação de jornalistas. Há tanto a pensar! Como já aconteceu historicamente, é necessário abrir picadas na mata, desbravando não só o mercado da educação, mas a própria mentalidade de jornalistas e professores da área.

Por isso, linco aqui provocações às escolas e aos professores.
As provocações vêm de fora, mas não se pode ignorá-las, compadres!

Dan Gilmor – sim! aquele do Jornalismo Cidadão – sugere uma atualização urgente para a área. Veja como ele termina seu rápido artigo: “We’re collectively reinventing journalism over the next decade or two. Journalism schools can lead, or follow. Leading strikes me as a better idea”. Leia na íntegra aqui.

Joe Murray, da Ken State University, indica dez passos para a sobrevivência das escolas. Se você preferir ler o texto na íntegra – em PDF e com 21 páginas -, clique aqui. Se quer uma visão panorâmica, veja os passos abaixo:
1. Faculty, Know Thy Students
2. Faculty, Know Thyself
3. Compromise Writing Skills At Our Peril
4. Teach Students To Think And Use Technology
5. Introduce Convergence Early
6. Design And Usability Matter
7. Plant Generalists Now To Grow Specialists Later
8. ETWIAD (Embrace The Web In All You Do)
9. Multitasking Is A Waste Of Time
10. Rinse and Repeat

E aí, senhores? Alguma idéia brilhante?

pau na moleira

Rogerio Kreidlow postou comentário ácido e borbulhante sobre meu post dos fundamentos da nova ordem mundial digital. Adorei.

Se você concorda com os manda-chuvas do universo, tem que ler. Até para saber o que pensa a oposição. Se quer combater a nova ordem, Kreidlow oferece munição pra isso…

fuga de cérebros…

Rogério Kreidlow desabafa em seu blog sobre a situação calamitosa que se encontra por aí, no mercado jornalístico. Suas críticas são contundentes, verdadeiras e legítimas. E revoltará mais a quem lê se souber que o autor é um garoto raro, de talento, de inteligência e sensibilidade. E se souber que o menino é jovem, bom de texto e de foto – veja e leia o blog dele! -, antenado e esforçado.

Alguém aí pode dizer: azar do mercado, azar das empresas que perdem um potencial desses…

Que nada! Azar nosso. Nosso.