O mundo digital em 100 segundos

O Reuters Institute aponta algumas tendências da vida digital neste rápido e instigante vídeo:

Redes sociais: 28% do planeta está conectado

Infografia do Go-Globe apresenta dados mais recentes da presença, uso e engajamento nas redes sociais…

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um mapa nacional da mídia digital

Mapeamento da Mídia Digital no Brasil imagesgstsAcaba de cair na rede um estudo amplo e aprofundado sobre os meios digitais no país. “Mapeamento da Mídia Digital no Brasil” é uma iniciativa da Open Society, assinado por Pedro Mizukami, Jhessica Reia e Joana Varon. Tem oito capítulos espalhados em 173 páginas que tratam de consumo, relações com a sociedade, jornalismo, tecnologia, negócios e formas de financiamento, leis, regulações e políticas. Em linguagem clara, com textos analíticos e recorrendo a diversas fontes, o estudo merece leitura atenta e muita discussão. Tem mais: está bem atualizado, já que a ele foram adicionadas informações sobre o Marco Civil da Internet, aprovado e sancionado em abril passado.

Acesse aqui. (em PDF, em português e com arquivo de 7,6 Mega)

pesquisa vai mapear hábitos de jovens internautas

Screenshot 2014-08-13 05.23.35Uma rede de pesquisadores de todos os estados brasileiros está colhendo informações sobre as práticas de consumo e participação de jovens internautas de 18 a 24 anos.

O estudo é desenvolvido pela Rede Brasil Conectado por meio de um formulário eletrônico para a Pesquisa Nacional Jovem e o Consumo Midiático em Tempos de Convergência, sob coordenação da professora Nilda Jacks. O quesionário tem perguntas sobre o uso de redes sociais, dispositivos móveis e aplicativos,  e vai permitir comparar resultados entre as regiões, compondo também um cenário da realidade brasileira.

Para participar, basta acessar: www.redebrasilconectado.com.br

hackers, marmotas e jornalistas

(produzido originalmente para o objETHOS e reproduzido pelo Observatório da Imprensa)

O primeiro mês da campanha eleitoral já oferece lições importantes para candidatos, correligionários, mídia e eleitores. Embora a artilharia pesada fique tradicionalmente reservada ao horário gratuito no rádio e na TV, episódios recentes trazem à tona hábitos e mentalidades arcaicas, usados em outras ocasiões para desgastar os oponentes e confundir o eleitorado. Se antes essas táticas davam resultados mais efetivos, agora, com tantos canais de informação, mostram-se obsoletos, e às vezes até contraproducentes. Quer dizer: o jogo sujo pouco ajuda na atração de votos e na qualificação do debate político, encardindo os sapatos de quem está por trás dessas manobras.

Três episódios recentes ilustram.

Em maio passado, o candidato tucano Aécio Neves entrou na Justiça para barrar páginas na web por calúnia e difamação. Segundo seus advogados, as ações viriam de uma funcionária pública da Prefeitura de Guarulhos (SP), administrada pelo PT. Equipamentos e instalações da Secretaria de Comunicação teriam sido usados para atingir a imagem pública do senador mineiro. A denúncia veio à tona pela imprensa e o caso demonstrou não só má-fé da servidora, como seu despreparo e alguma ingenuidade ao pensar que não seria identificada. Justamente hoje, quando é possível rastrear cada clique ou movimento no teclado. O tiro saiu pela culatra.

Em julho, foi a vez da candidata da situação, Dilma Rousseff, reclamar. Um comunicado enviado pelo Banco Santander a clientes de alta renda alertava que o crescimento da presidente nas pesquisas poderia piorar a situação econômica do país. A imprensa deu o assunto, o banco se desculpou, cortou cabeças, mas ficou a má impressão. Restou um ranço de outros carnavais, quando a estratégia do medo foi usada pelo mercado para alarmar a sociedade. O tiro foi no pé.

Na semana passada, o jornal O Globo denunciou que perfis de dois de seus comentaristas teriam sido alterados na Wikipedia por computadores do Palácio do Planalto. Houve quem temesse pela liberdade de imprensa e até quem classificasse o caso como um “novo Watergate”. O Gabinete da Presidência se desgastou mais uma vez, prometeu descobrir e punir os (ir)responsáveis, e foi difícil evitar o mal estar. Para o senso comum, pareceu que o governo estava oprimindo jornalistas e calando opiniões contrárias, em plena campanha eleitoral. Bala perdida.

Realidade virtual

É muita ingenuidade acreditar que uma simples funcionária em Guarulhos possa acabar com a candidatura do principal nome da oposição. Alimentar essa ideia é apequenar o candidato e seu projeto. O temor era o efeito massivo: espalhar de forma viral um punhado de inverdades que aumentaria em muito as suas dimensões.

É demais esperar também que a cartinha de um banco faça despencar as pilastras da sexta economia do planeta. De forma sagaz, a campanha de Dilma se aproveitou da ocasião para se vitimizar. De forma geral, o brasileiro tem especial simpatia pelos fracos e oprimidos, e a correspondência de um banco multinacional poderia se mostrar um golpe abaixo da linha de cintura.

Por fim, chega a ser burrice chamar de “novo Watergate” a edição de páginas na Wikipedia. O caso que levou à renúncia de Richard Nixon em 1974 é muito mais complexo e grave, e tinha por trás dos abusos o presidente norte-americano, o que ainda não foi provado no episódio brasileiro.

A alteração de páginas faz parte da dinâmica e do funcionamento da Wikipedia, e seus procedimentos têm se aperfeiçoado bastante nos últimos anos. Ao mesmo tempo em que se incentiva criar novos conteúdos, existem regras claras para a sua edição, revisões contínuas e hierarquia para a certificação de informações. É verdade que postagem de conteúdos falsos e outras fraudes não são tão incomuns, mas a comunidade de editores da enciclopédia se preocupa muito com essas práticas que minam a credibilidade do projeto. Quando se percebe que mentiras foram adicionadas, há uma correria para restaurar a ordem. O risco de algum leitor se deparar com dados incorretos é real, mas isso não acontece apenas na Wikipedia. O mesmo se dá na mídia em geral, nos livros de história, em outras fontes informativas.

Alterar dados é uma maneira de reescrever as páginas do presente e afetar os sentidos da realidade. Mas existem outras formas, como alterar a ordem dos resultados em mecanismos de buscas na internet, por exemplo. Funciona como se mudassem a localização dos livros nas prateleiras de uma biblioteca, colocando alguns títulos mais à vista e outros, com as lombadas viradas para trás…

Em março de 2010, hackers manipularam os algoritmos do Google para vincular a página do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Wikipedia aos primeiros resultados da busca pela palavra “mentiroso”. A brincadeira não era novidade. Constrangimento semelhante se deu em setembro de 2007 quando vincularam o site do Senado Federal à pesquisa pela expressão “vergonha nacional” no buscador.

Esses e outros casos mostram que novos atores infiltraram-se na arena política. Se antes havia os políticos, os ativistas, os eleitores e os jornalistas, agora a eles fazem companhia os hackers, os “trolladores” e as marmotas que se arrogam a fazer guerrilha digital.

E as lições?

A disputa eleitoral começou em 6 de julho passado e já acumula muito “mimimi”,’ para usar um termo fartamente usado nas redes sociais. Aécio se queixa do PT, que se queixa do Santander, e os jornalistas se queixam do governo. É natural que as reclamações se multipliquem durante esse período, e veremos muita gente espernear até os resultados das urnas. Depois também. Como ainda temos quase dois meses de campanha, talvez possamos utilizar algumas lições já percebidas.

Correligionários e ativistas precisam entender que não se pode usar a internet impunemente. A tecnologia oferece instrumentos para fustigar os rivais, mas também para que percebam de onde vieram os torpedos que os alvejaram. E-mails anônimos podem ser identificados; todo tipo de navegação deixa marcas que são rastreáveis; a revolução não se faz do sofá; e ciberativismo exige dedicação, profissionalismo e inteligência.

Políticos devem ver na rede oportunidades para se aproximar de seus eleitores e estabelecer relacionamentos mais francos, transparentes e dialógicos. Se os candidatos não tiverem essa disposição, melhor não fingir. Na rede, a mentira emerge rápido, em poucos cliques. Políticos precisam entender que a internet não é mais um mundo à parte das ruas e das cidades. E os internautas não se restringem a um bando de jovens que gastam seus tempos diante de monitores nas madrugadas. Enfrentar os eleitores no corpo-a-corpo reserva um conjunto de estratégias que nem sempre funciona online. Mudar a mentalidade, neste caso, é um bom primeiro passo.

Jornalistas e meios de informação precisam aguçar ainda mais os seus sentidos para desviar de banalidades e desimportâncias que a rede cria e alimenta. Os boatos de antigamente são os hoaxes do momento, os virais da hora. Os dossiês que chegavam às redações, agora, são os leaks que lotam a caixa postal eletrônica. Não se destrair com miragens e cobrir o que realmente interessa ainda parece ser uma função relevante do jornalismo.

Os eleitores nunca tiveram tantas informações acessíveis sobre os candidatos. Verdadeiras e mentirosas. Por isso, usar a rede é fundamental não só para conferir o passado do político e o que ele promete para o futuro, mas também para colocar à prova os contextos que os cercam. Se antes já era preciso não acreditar ingenuamente nos candidatos, agora, é necessário também desconfiar das informações que temos sobre eles.

Com tanta tecnologia e inteligência, era pra ser mais fácil, né? Era, mas não podemos relegar a fios e chips os destinos que escolhemos para nossas vidas. Para votar bem, o eleitor não precisa ser hacker ou jornalista, mas necessariamente deve evitar agir como uma marmota.

vida e morte dos blogs de comunicação

Em setembro de 2007, criei uma lista lusófona de blogs mantidos e alimentados por pesquisadores da comunicação. À época, reuni num mesmo link as iniciativas de colegas sobretudo brasileiros e portugueses que se deslumbravam com as potencialidades de se ter um canal exclusivo, barato e poderoso de comunicação. (Sim, os blogs já foram isso!)

A lista foi crescendo, crescendo, crescendo à base de indicações de blogueiros de todos os cantos. Cheguei a fazer 47 atualizações do post e a lista alcançou o expressivo número de 223 blogs de comunicação, sendo 178 do Brasil e 45 de Portugal e outros lugares.

Passados quase sete anos, fiquei curioso em saber a quantas andavam aqueles blogs. Na verdade, já faz algum tempo que escuto a sentença de que os blogs estão morrendo. Não é totalmente mentirosa a afirmação. Este meu espaço ficou mais de 100 dias sem nenhuma atualização entre 2013 e 2014, afundado numa crise de existência virtual. Outro dia, li um post da jornalista e blogueira de primeira hora Cora Rónai que me fez novamente perguntar: como estariam os blogs daquela lista lusófona?

Fui conferir.

Dos 45 blogs listados de Portugal e cercanias, dez foram simplesmente desativados (22%), 24 não são atualizados há mais de um ano e, portanto, morreram (53%), e apenas onze sobreviveram. Considerei blogs ativos aqueles que tiveram ao menos um post novo nos últimos 90 dias. Na parcial, a taxa de mortalidade foi de 75%. Apenas um em cada quatro blogs se manteve vivo nesses quase sete anos que nos separam da primeira lista.

Entre os brasileiros, as baixas foram maiores ainda. Dos 178 blogs, 48 foram desativados no período (27%) e 100 não são alimentados com novos conteúdos há mais de um ano (56%). Apenas 30 blogs são ativos, o que significa 17% do total. A taxa de mortalidade da parcela brasileira é de 83%.

No consolidado da lista lusófona de blogs de pesquisadores da comunicação, apenas 41 dos 223 sobreviveram, o que equivale a menos de um quinto (18,3%). Impressionante!

Como explicar isso?

É difícil apontar uma única razão. Fatores combinados poderiam justificar: cansaço do modismo, falta de tempo, desmotivação pessoal, emergência de redes sociais com muitos recursos e grande visibilidade como o Facebook… O fato é que os blogs já não são mais o que costumavam ser. E isso aconteceu muito, mas muito rápido…

nem tudo tem um link

desplugadoEm tempos de conectividade total, uma história me divertiu semana passada. Quem contou foi o jornalista Ariel Palacios, correspondente de O Estado de S.Paulo e da GloboNews na Argentina. Ele estava em um local público e “pescou” uma rápida discussão entre pai e filho, que discordavam sobre algo. O pequeno teimava, argumentando que sabia do que estava dizendo, afinal tinha visto aquilo na internet. O pai não hesitou e mandou uma frase certeira:

Filho, nem tudo na vida tem um link!

o mundo, daqui a 50 anos

A vida estará melhor em 2064?

Até lá, a ciência terá resolvido nossos maiores problemas?

O futuro será como realmente sonhamos?

Essas perguntas devem martelar as cabeças de todos. Mas o PewResearch Center e a Smithsonian Magazine acabam de publicar um estudo que traz alguns dos resultados do que pensam os norte-americanos sobre o futuro e a ciência nos próximos 50 anos.

Ficou curioso? Não fique mais. Acesse aqui. (em inglês, em PDF, 18 páginas, arquivo com 301 Kb)

erros e mais erros…

Os erros jornalísticos têm sido um assunto recorrente em minhas pesquisas. Em 2005, junto com um inquieto aluno de graduação, abordei o erro como um problema que afetava a qualidade no produto jornalístico. Nós nos debruçamos sobre três diários locais e observamos como eles lidavam com as próprias falhas, se as reconheciam, se as explicitavam, se as corrigiam…

Tempos depois, o assunto voltou à carga, e uma rigorosa e atenta aluna de mestrado me procurou para levarmos adiante um outro estudo, mais focado nas versões online de importantes jornais brasileiros. Esta mestranda não só fez um intenso monitoramento de como as empresas jornalísticas erram, como propôs uma tipologia de erros e as bases para uma política de gestão de identificação de erros e qualidade editorial. O resultado é a dissertação “Parâmetros éticos para uma política de correção de erros no jornalismo online”, que Lívia de Souza Vieira defende publicamente na próxima sexta-feira, 11 de abril, no Programa de Pós-Graduação em Jornalismo (POSJOR/UFSC).

Um segundo orientando também se envolveu com esse assunto e está lustrando seu projeto de dissertação, para ser defendida em 2015. Enquanto isso, ele mergulha no tema, lendo, discutindo e escrevendo sobre erros jornalísticos. Na segunda-feira passada – ontem! -, ele assinou um artigo na seção Comentário da Semana do site Observatório da Ética Jornalística (objETHOS). Sob o título “O alargamento do espaço de reverberação e suas consequências, o caso Ipea”, o artigo de Thiago Amorim Caminada merece leitura, e comentários… Como se pode perceber, o autor tratou da derrapada de um dos institutos de pesquisa mais influentes do país e de como a mídia embarcou nessa história.

Como se pode perceber rapidamente, os erros jornalísticos são assuntos palpitantes, instigantes e muito férteis para debates profissionais e acadêmicos. Se o leitor se resigna e acredita que isso é mais que natural e que errar é humano, sugiro que olhe ao redor e perceba que o equívoco não é só das órbitas humanas. Robôs também erram, e robôs jornalísticos o fazem sem qualquer dor na consciência. Nicholas Diakopoulos mostra isso em seu artigo “Bots on the Beat”, publicado no Slate, com uma versão brasileira assinada por Fernanda Lizardo e Leticia Nunes, no Observatório da Imprensa.

Essa coisa de robôs fazendo notícias malucas me lembrou uma história recente. Em 2008, tropas russas invadiram a Geórgia, em mais um daqueles embates separatistas da região que já foi uma união de repúblicas soviéticas.  Acontece que os robôs do GoogleNews “montaram” relatos da ação e ilustraram as matérias com um mapa do estado norte-americano da Geórgia e não o país vizinho russo… Os mais afobados ficaram muito preocupados: os russos estão atacando os Estados Unidos… pura barbeiragem dos robôs!