mccombs e a longa cauda

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Foi aberta oficialmente agora há pouco a quinta edição do Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, aqui em Aracaju. Convidado para a conferência de abertura, o professor Maxwell McCombs (Universidade do Texas) voltou a falar do assunto que o notabilizou nas últimas três ou quatro décadas: a teoria da agenda setting. Só que desta vez, McCombs cruzou sua formulação com a de Chris Anderson, a teoria da longa cauda. McCombs aproveita o que escreveu o editor da Wired sobre a internet e as muitas opções e possibilidades que ela oferece para atualizar um pouco o seu próprio pensamento.

“Um doa grandes desafios metodológicos atuais é encontrarmos quais os atributos e critérios de interesse que os diferentes públicos e nichos usam para buscar produtos e informações qualificadas”, disse. Por isso é que McCombs fez questão de tratar não mais de agenda setting, mas de agenda atributes.

Ainda conforme McCombs, o futuro do jornalismo, das notícias, pode ganhar muito com o que os pesquisadores da área descobrirão sobre esses critérios/atributos de interesse e preferência de consumo de informação.

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notícias do reino unido

TV e rádio começam a ser “velhas mídias” para os jovens britânicos

Veja aqui.

 

Dica de Clóvis Reis

wikipedia e a justiça francesa

Stéphane Foucart analisa na edição de hoje do Le Monde a batalha que a Wikipedia trava na justiça contra processos por invasão de privacidade e difamação. O artigo – com o sugestivo título “Wikipedia, nem condenável, nem responsável” – pode ser lido aqui.

A propósito da enciclopédia colaborativa online, há também um estudo do Pew Internet & American Life Project que mostra que 36% dos norte-americanos adultos consultam a Wikipedia, e que ela é mais popular entre estudantes e os mais bem educados. Veja o arquivo em PDF… 

Ainda ouviremos muito dela…

a salvação do jornalismo cão de guarda?

Kelly McBride, do Everyday Ethics – seção preciosa do Poynter -, se questiona esta semana se não são os serviços de informação sem fins lucrativos a salvação para o jornalismo cão de guarda. Essa expressão soa melhor em inglês mesmo: watchdog journalism. E aponta para repórteres e meios de comunicação que acompanham de perto os movimentos dos poderes, fiscalizando, denunciando e fazendo aquela essencial marcação cerrada.

A questão de Kelly nos parece um pouco alienígena aqui no Brasil. Afinal, não temos por aqui redações mantidas por generosas doações de bilionários, como a ProPublica, mencionada por Kelly. De qualquer forma, o assunto interessa a todos aqueles que vêem no jornalismo uma forma de contrapoder, de instrumento da sociedade frente aos poderes constituídos.

Por aqui, temos soluções como a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e ONGs, como a Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI), que atuam junto aos profissionais, à academia, mas pouco ainda sensibilizam o empresariado e a sociedade como um todo. Claro que isso está condicionado ao tempo e à intensidade dos trabalhos destes atores, mas como seria interessante contar com iniciativas que viessem também das empresas e das elites…

(Para depois: esse assunto me faz lembrar do ótimo Watchdog Journalism in South America, de Silvio Waisbord. Fácil de encontrar na Amazon Books…)

o futuro dos jornais, sem papel

Ainda batendo na tecla da transição de mídias e na crise dos meios impressosHal Crowter faz um abrangente painel – com algumas comparações bem-vindas, outras forçadas – sobre as mudanças pelas quais passam as empresas e os produtos jornalísticos. Vale conferir, clique aqui. (em inglês).

crise da imprensa: novas notas sobre um velho vaticínio

O jornalista e blogueiro Ricardo Noblat esteve esta semana em Florianópolis palestrando a convite da Assembléia Legislativa. Foi enfático, conforme Galarça, e até apocalíptico com relação ao fim dos jornais. Eles vão acabar loguinho e a saída pode ser os blogs, e certamente a internet.

No início do mês, a Comissão de Negócios da Cultura do Senado Francês tornou público um relatório de análise sobre a chamada Crise da Imprensa. O relatório pode ser lido na íntegra aqui, e traça inicialmente um panorama do mercado na Europa, avalia os negócios do ramo, o papel dos sindicatos, dos jornalistas e dos editores e, por fim, faz proposições.

Em resumo, as saídas propostas pelos parlamentares franceses, são:

  • Reencontrar e fidelizar o leitor
  • Conquistar o leitor
  • Sensibilizar as novas gerações
  • Favorecer a entrada dos jornais no universo numérico (leia-se aqui: tornar o negócio dos jornais perene e estável)
  • Garantir o estatuto profissional dos jornalistas (leia-se aqui: reafirmar o ethos profissional e o papel deles na sociedade)

(O relatório tem 58 páginas, em formato PDF e está em francês)

seis perguntas sobre o futuro

Alessandro Martins pegou o rojão que apontei pro lado e ricocheteou de volta.
Ele propõe agora seis perguntas futuras sobre blogs.

Tento responder em pouquíssimas linhas.

1. Haverá um dia uma cadeira sobre blogs – ou seu equivalente futuro – nos cursos de comunicação? Há necessidade disso? Isso seria bom ou ruim?
Acho que não, nem precisa. Blogs são meios de transição.

2. E em outros cursos?
Idem, idem.

3. O que habilitaria alguém a dar aulas sobre isso?
Deveria ser blogueiro, mas como penso que não haverá tal disciplina…

4. Há como um curso universitário acompanhar as mudanças rápidas que acontecem nesse meio (pense no que eram os blogs há cinco anos e no que são hoje)?
Os cursos não. Os alunos e alguns professores sim. Os primeiros por vontade, os segundos pra não perder o bonde.

5. Haverá, no futuro, regulamentação do uso profissional de um blog ou seu equivalente? Há necessidade disso? Isso seria bom ou ruim?
Sou a favor das regulamentações profissionais, mas blogueiro ainda não é profissão. Nem sei se precisará, embora ache que as empresas de comunicação venham a absorver esses caras.

6. As leis hoje existentes são suficientes ou não para abranger a complexidade dos blogs? O que falta para elas serem suficientes?
As leis não são suficientes. Lei de Imprensa é de 1967. Lei de regulamentação do jornalista, de 1979. Não temos sequer Lei de Comunicação Eletrônica de Massa. A lei de direitos autorais é de 1998, mas já está defasada. O que falta? É mais fácil responder o que não falta…

mídias: transição!

Ana Brambilla reflete sobre tendências atuais e as apostas do mercado. Seu foco está nas revistas. Mas se pode estender aos jornais…

Carlos D´Andrea tece notas sobre uma cobertura multimídia. O esforço foi feito com os alunos dele. Mas se pode estender aos seus e aos meus…

outro evento sobre convergência

Em Belo Horizonte (Minas), acontece o 4º Seminário de Cibercultura e Convergência Digital. De 20 a 22 de agosto.

Na progrAmação,

  • Produção colaborativa de conteúdos em sistemas wiki
  • Tecnologias móveis: informação e interação em novo espaço de fluxos
  • Desafios sociais da digitalização das comunicações
  • Colaboração e arquitetura de participação em ambientes digitais corporativos
  • Comunicação intercultural e fluxos informacionais: dispositivos técnicos, interações e interfaces
  • A História é um jogo? games, juventude e aprendizagens em História

Inscrições AQUI.

Ainda sobre credibilidade e novas mídias

Três cliques sobre esse assunto tão importante e fascinante, e que não se esgotará neste post:

Carlos Castilho, do Código Aberto, mostra – com base em estudos do Pew Research Center – que a relação entre imprensa e público não vai nada bem.

Outra pesquisa da Association of Online Publishers mostrou recentemente que entre os leitores britânicos tanto faz se informar em meios impressos quanto pela internet. Eles confiam tanto nuns quanto noutra.

Ainda entre os britânicos, caiu a confiança na poderosa BBC, conforme revela pesquisa.

É por isso que no post anterior chamei credibilidade de Santo Graal da mídia.
Afinal, quem não está à procura disso?

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