Tag: transição na mídia
ocaso dos jornais e busca de soluções
Um dos assuntos mais recorrentes (e chatos) da internet nos últimos anos tem sido a tão propalada crise dos jornais, com acentuadas quedas em suas tiragens, com a redução de verbas publicitárias para anúncio e com a redução do número de leitores e de tempo de leitura. Já existem muitos dados por aí que mostram parte desse evento em curso. Existem também muitos profetas vaticinando apocalipses e renascenças. Tem até urubus de plantão, como o Newspaper Dead Watch.
Para tornar mais completa a chatice e a insistência no tema, The Wall Street Journal preparou um infográfico bastante esclarecedor da situação da imprensa norte-americana. Valeria a pena termos algo por aqui, mas quem se habilita?
Enquanto alguns contam os dias para a imprensa, há quem busque saídas. Em Stanford, acontece de 18 a 20 deste mês a 6ª edição da Conferência sobre Inovação no Jornalismo. É um evento bem agitado, pelo que se vê no programa e nas propostas de discussão. Até porque se formos olhar com um pouco mais de atenção para a história do jornalismo, veremos que ele sempre foi regido pelos signos da crise e da mudança. Reinventar-se faz parte do seu DNA…
um novo observatório e o futuro do jornalismo
Curto e grosso:
Um observatório dos negócios da imprensa escrita – em francês
A revista Journalism completa 10 anos e faz um sensacional dossiê sobre o futuro do jornalismo – em inglês
narrativa transmídia, experiências com produtos e marcas e outros birinaites
A dica é da Sandra Montardo, que me mandou a matéria que reproduzo abaixo. Deu na versão eletrônica da Meio & Mensagem. Quem leu Henry Jenkins e o seu “Cultura da Convergência”, sabe que boa parte do futuro – talvez uma das mais divertidas – passe por essas vias…
The Alchemists nasce com bases no Brasil e nos EUA
Empresa propõe que marcas se tornem contadoras de histórias e invistam em estratégias transmídia
Alexandre Zaghi Lemos23/04/2009 – 13:54
Transformar marcas em contadoras de histórias, cujos enredos possam se desdobrar em estratégias transmídia, parece ser uma das saídas para os anunciantes contornarem problemas como a maior dispersão da audiência dos formatos tradicionais da publicidade.
O desenvolvimento de propriedades originais para marcas, e também para distribuidores de conteúdo, é uma atividade que vem atraindo atenção crescente e acaba de ganhar mais um player. A The Alchemists nasce com bases no Rio de Janeiro e em Los Angeles, fundada pelo brasileiro Maurício Mota e o norte-americano Mark Warshaw, além de um sócio investidor.
“Um dos nossos objetivos mais importantes é o de mostrar às marcas que elas têm todos os ativos para se transformarem em estúdios. Podem desenvolver propriedades intelectuais para seus consumidores – que agora, no novo panorama midiático, são público, co-autores e até parceiros. Esta é uma boa época para contar histórias”, detalha Warshaw, que se notabilizou pelo projeto de desdobramento transmídia do seriado Heroes.
“Os ativos dos estúdios são talentos, marketing, distribuição e recursos financeiros e físicos. As marcas também dispõem de todos eles. O que nossa empresa pretende é facilitar o desenvolvimento de propriedades originais e planejar desdobramentos transmídia, aproveitando o que cada mídia tem de melhor”, acrescenta Maurício Mota. Para se dedicar à nova empreitada, ele acaba de deixar a direção de núcleo da New Content. Antes disso, passou pelas equipes da F/Nazca S&S e da Thymus.
A sociedade entre Mota e Warshaw vem sendo idealizada desde 2007, quando se conheceram em evento no Massachusetts Institute of Technology (MIT). Desde então, passaram a expor suas teses sobre transmedia storytelling no blog Os Alquimistas Estão Chegando, em eventos como o MaxiMídia de 2008 e em workshops para empresas como o iG.
Mota e seu parceiro norte-americano também se empenham em esclarecer as diferenças entre branded entertainment e transmedia storytelling. Segundo eles, enquanto a primeira ferramenta cria awareness para produtos integrados a conteúdos de entretenimento, o transmedia storytelling desenvolve narrativas proprietárias para as marcas. “São histórias que só poderiam ser desenvolvidas para aquela marca e que serão disseminadas em várias plataformas, criando audiências paralelas. Além disso, podem ser atemporais”, acrescenta Mota.
“As novas ferramentas que temos para envolver o público-alvo, informar os clientes e entreter as pessoas são muito mais poderosas do que todas já usadas pela história da comunicação”, garante Warshaw.
A The Alchemists já efetivou associações estratégicas com duas empresas brasileiras: a Moonshot Pictures – que tem a Fábrica de Ideias Cinemáticas (Fics), que desenvolve roteiros e produz projetos dramáticos, realities e séries, como a 9MM São Paulo, exibida pela Fox – e a Colmeia, produtora interativa do Grupo Ink.
Entre os projetos iniciais estão uma revista em quadrinhos digital para o mercado norte-americano, a elaboração e produção dos desdobramentos transmídia para a nova versão da série Melrose Place e a criação de uma plataforma de transmedia storytelling que será usada em projeto educacional voltado para 300 mil jovens brasileiros.
Além disso, a The Alchemists passa a atuar como representante para a América Latina do Convergence Culture Consortium (C3), grupo de trabalho do MIT focado em estudar e desenvolver projetos de convergência em mídia, entretenimento, publicidade e educação, ao qual já aderiram duas empresas brasileiras: Petrobras e iG. “Teremos uma atuação muito forte no fomento e na disseminação da cultura de convergência do transmedia storytelling”, frisa Mota.
palestra: conteúdo gerado por consumidor e reputação de marcas
A professora Sandra Montardo, da Feevale, faz palestra hoje na minha turma de Redes Sociais sobre o tema “Conteúdo Gerado por Consumidor e Gerenciamento de Reputação de Marcas”.
É no auditório 2 dos blocos de Medicina (24 e 25) no campus da Univali em Itajaí. O evento começa às 19 horas.
perder-se! um manifesto da mídia locativa
Fiquei quatro diazinhos em Belo Horizonte, e me perdi diversas vezes. Não era a minha primeira nem segunda vez por lá, mas me desorientei de carro e a pé. Na carona de amigos, e um deles com GPS, consegui zanzar perdido, o que inevitavelmente nos coloca na posição estrangeira de um forasteiro.
Agora, como uma bússola digital, me chega o Manifesto sobre as Mídias Locativas, sensacional texto de André Lemos para a 404notfound.
Para Bernardo, que já busca o seu lugar no mundo.
Mídia – Todo artefato e processo que permite superar constrangimentos infocomunicacionais do espaço e do tempo. Mídias produzem espacialização, ação social sobre um espaço. Mídias produzem lugares.
Locativo – Categoria gramatical que exprime lugar, como “em” ou “ao lado de”, indicando a localização final ou o momento de uma ação.
Mídia Locativa. Tecnologias e serviços baseados em localização (LBT e LBS) cujos sistemas infocomunicacionais são atentos e reagem ao contexto. Ação comunicacional onde informações digitais são processadas por pessoas, objetos e lugares através de dispositivos eletrônicos, sensores e redes sem fio. Dimensão atual da cibercultura constituindo a era do “ciberespaço vazando para o mundo real” (Russel, 1999), a era da “internet das coisas”.
1. Crie situações para perder-se. O medo de perder-se é correlato ao medo de encontrar. Mas perdendo-se, encontra-se. A desorientação é uma forma de apropriação do espaço! Tudo localizar, mapear, indexar é uma morte simbólica: o medo do imponderável, do encontro com o acaso: evitar uma dimensão vital da existência. “Perder-se é um achar-se perigoso”, como diz Clarice Lispector.
2. Erros, falhas, esquecimentos de localizações e de movimentações são as únicas possibilidades de salvação da hiperracionalização atual do espaço. Só uma apropriação tática dos dispositivos, sensores e redes poderá produzir novos sentidos dos lugares. Desconfie de sua posição e de seu status de nômade. Quando sua operadora diz, “você é nômade”, desconfie. Mas saiba que o nomadismo é um traço essencial da aventura humana na terra!
3. Tudo é locativo: aprendemos, amamos, socializamos, jogamos, brigamos, festejamos, trabalhamos…, sempre de forma locativa. Não há nada fora do tempo ou do ESPAÇO. E o espaço social é o LUGAR. Em tudo, o lugar é o que importa.
4. Lugar é composto por fluxos de diversas territorializações. Ele é sempre dinâmico e, ao mesmo tempo, enraizado. Lugar é vínculo social. Lugar é fluxo de emoções, é topos, é memória e cristalização de sentimentos. Lugar não é fixação mas interrelação. Com as mídias locativas, o lugar deve ser visto como fluxo de diversas territorializações (sociocultural, imaginária, simbólica) + bancos de dados informacionais. Espaços visíveis marcados por fluxos invisíveis de informação circulando por redes invisíveis.
5. Hoje é impossível pensar os lugares sem os territórios informacionais. Mas lugares persistem sem nenhuma informatização. Não esqueça destes lugares. Pense nos contextos independentes de qualquer tecnologia.
6. Estamos na era da computação ubíqua e pervasive (Weiser), ou seja da informática em todos os lugares e em todas as coisas. Mas não há tecnologias sensíveis e nenhuma delas está atenta a contextos! Elas estão em tudo e em todos os lugares, mas não sabem o que é um contexto e nem tem capacidades de sentir o local.
7. Depois do upload para a Matrix lá em cima, a internet 1.0, agora é a vez do “download do ciberespaço”, da informação nas coisas aqui em baixo, a internet 2.0. Não se trata mais do virtual lá em cima, mas do que fazer com toda essa informação das coisas e dos lugares aqui de baixo! Como nos relacionamos com as coisas e com os lugares? E agora, com essas coisas e lugares dotados de informação digital e conexão à internet? Convocamos Heidegger e Lefevbre?
8. Recuse os LBS e LBT que te colocam apenas na posição de mais um consumidor massivo. Busque produzir informação localizada que faça sentido aqui e agora. Esse é o único meio de construir lugares sociais com essa tecnologias de localização e mobilidade. Reivindique das mídias locativas as funções pós-massivas. A publicidade, o marketing e as operadoras te querem apenas como receptor passivo, massivo, embora supostamente livre, móvel e sem fronteiras. Eles te querem controlado, ativo mas consumindo, receptor pensando que está emitindo. Agir é mais. Reaja à isso.
9. Saiba que as mídias de localização não são novas. Toda mídia é, ao mesmo tempo, local e global. Preste atenção às mídias locativas analógicas que estão entre nós, pense nas anotações urbanas como os graffitis, stickers, bilhetes ou notas, preste atenção às marcas nas ruas, aos índices a sua volta, ao jornalismo local e agora hiperlocal. Aja como um detetive buscando solucionar os mistérios do espaço urbano! Busque o uso crítico dos dispositivos locativos. Lembre-se que o termo “mídia locativa” foi criado por artistas e ativistas para questionar a massificação dos LBS e LBT.
10. Use, divulgue e estimule o desenvolvimento de protocolos não-proprietários, de softwares colaborativos e de fonte aberta, de sistemas operacionais livres e participativos. A sua liberdade no mundo das mídias locativas é diretamente proporcional ao desenvolvimento da computação móvel aberta. Assim como na era do ciberespaço “lá em cima”, bem como na era da internet pingando nas coisas, lute contra o fechamento dos dispositivos, dos sistemas, dos softwares e dos contratos, como os que vigoram no atual sistema de telefonia móvel mundial. Busque, use e distribua jailbreak para todos os sistemas da mobilidade e da localização!
11. Pense que o único interesse do uso das mídias locativas é produzir sentido nos lugares. Se isso não acontece, desligue ou crie um uso que desconstrua o aparelho. Você não precisa ser preciso, você não precisa estar localizado o tempo todo, você não precisa ser sempre racional, um homo-economicus total para viver o local! Se os dispositivos ajudam, use-o, senão, desvie os usos (hacking) e, se não der mesmo assim, abandone!
12. Ache um equilíbrio entre o clique generalizado no mundo da informação e a contemplação ociosa. Desconecte e reconecte os seus dispositivos, sempre, diariamente, permanentemente. Pare, feche os olhos, abra os ouvidos e desloque-se apenas pelo pensamento, essa desterritorialização absoluta (Deleuze).
13. A questão da localização nem sempre está ligada ao espaço e ao movimento, mas ao tempo. Pense assim na duração, na viscosidade das coisas, na imobilidade, no tempo estendido. Saiba que nunca há “tempo perdido” e é impossível “matar o tempo”.
14. Independente de qualquer smartphone ou GPS, o que importa é que você já sabe onde está: “você está aqui” e “agora”. Inverta a máxima de Walter Benjamin (1927) que afirmava que os “lugares foram reduzidos a pontos coloridos em um mapa”. Faça com que este pontos sejam efetivamente lugares.
15. Lute para que marcas, indicando nos mapas o que está perto de você, não evitem o seu encontro com o inusitado nem com o outro. Não se preocupe se não souber o que há por perto. Tenha consciência que, de qualquer forma, você sempre encontrará o caminho para os lugares que procura. Simples: peça informação, pergunte, procure indícios, encare o espaço como algo a ser desbravado, localmente, em contato com o mundo ao seu redor.
16. Pense nos cruzamentos, nas esquinas, nas diferenças de posicionamento; pense nas conexões, nas distâncias e nas aproximações; pense no audível e no inaudível, no visível e no invisível, no fixo e no mutável. Pense nos lugares como parte da sua existência, permanentemente em construção. Pense que você só é estando locativamente.
17. Dê sentido ao seu lugar no mundo, social, cultural e politicamente. As mídias locativas podem, através de anotações, de mapeamentos, de redes sociais móveis, de mobilizações políticas ou hedonistas e de jogos de rua, ajudar nesse processo. Mas tudo é potência e resta ainda o trabalho difícil, penoso, lento, de atualização.
18. Pense nos bairros, nos cruzamentos, nos caminhos, nos pontos históricos, nas bordas (Lynch). Sempre se pergunte como as mídias locativas podem agir em cada uma dessas dimensões: Como criar comunidade e agir politicamente (bairro)?, como proporcionar encontros (cruzamentos)?, como abrir novas veredas (caminhos)?, como criar novos marcos (pontos)?, como tensionar as fronteiras (bordas) com essas tecnologias?
19. Toda mobilidade pressupõe imobilidade e não existe e não existirá um mundo sem fronteiras. Fronteira é controle e controle pode ser liberdade. A imobilidade é uma condição da mobilidade e vice-versa. Só podemos pensar uma em relação à outra. Devemos mesmo estar imóveis para pensar a mobilidade e em movimento para pensar a inércia. Defina as suas fronteiras, tenha autonomia no controle de suas bordas, pare para se locomover e locomova-se para parar.
20. “Des-locar” não é acabar com o lugar, mas colocá-lo em perspectiva. Desloque-se e aproprie-se do urbano, escreva seu espaço com texto, imagens e sons, reúna pessoas, jogue, ocupe o espaço lá fora. As mídias locativas permitem isso. Mas se não conseguir fazer nada disso, então pense no uso e no porquê dessas tecnologias.
21. Mapas são sempre psicocartografias, nunca são neutros. Instrumentos técnicos, mnemônicos e comunicacionais, os mapas, incluindo aí os “Google Earth”, “Maps”, “Street”, e seus similares, são sempre expressões de visões tendenciosas do mundo. Eles sempre refletem estruturas de poder e servem como instrumentos para estender um domínio geopolítico. Pense na “miopia” dos mapas digitais. Compare os detalhes de Tóquio e de cidades da África nos mapas digitais para ter uma idéia dessa invisibilidade.
22. Saiba que todo mapa é uma mídia e que todo mapeamento é uma ação de comunicação, com mensagem, emissor, canal e receptor. Mapear é escrever e ler o espaço. Mapear é sempre um discurso sobre o espaço e o tempo. Mapas, como as mídias, são sempre formas de visualização, de conhecimento e de produção da realidade do mundo externo. Busque, como Borges no “Del Rigor de la Ciência”, criar mapas que sejam novos territórios na escala 1 x 1.
23. Construa mapas que desconstruam visões de mundo. Produza mapas do que não é mapeado em seu entorno, do que é invisível aos olhos bem abertos. Escape do cartesianismo, do racionalismo e das coordenadas geoespaciais. Tente usar as mídias locativas para descentralizar o poder de construção de mapas e de sentido sobre os lugares. Como diz Meyrowitz: “toda mídia é um GPS mental”;
24. Não abuse das redes sociais móveis: encontrar amigos e conhecidos ao acaso pode ser mais interessante do que o tudo programado. A surpresa pode ser um ingrediente para grandes encontros. Mas pense também nas novas formas de voyeurismo, de controle, de monitoramento e de vigilância de amigos, familiares, empregados e empregadores.
25. Você é um ponto em roaming nos diversos sistemas (GPS, redes de telefonia celular, etiquetas RFID, redes Wi-Fi ou bluetooth…). Saiba que novos tipos de controle, monitoramento e vigilância (sutis, transparentes e locativos) estão cada dia mais presentes em tudo o que você faz, desde ligar o celular, acessar uma rede sem fio em um café, atualizar em mobilidade sua rede social, usar o caixa do banco, circular com uma etiqueta RFID em sua camisa ou pagar um pedágio automaticamente ao passar com o seu carro. Pense que não são apenas as câmeras de vigilância que estão te olhando!
26. Na atual fase da computação ubíqua e da internet das coisas, há os dados fornecidos, os “data”, mas há também aqueles que não são “dados”, mas captados à sua revelia e, as vezes, sem o seu conhecimento, os “capta” (Kapadia, et al.). Pense neles, nos “data” que você fornece e nos “capta” que te são roubados! Lute para proteger (agenciar) os novos territórios informacionais de onde emanam os invisíveis “data” e “capta”. Controle e defenda a sua privacidade e o seu anonimato, fundamento e garantia das democracias modernas. Crie, se for preciso, sistemas de contravigilância: sousveillance (Mann) contra a surveillance. No limite, forneça informações imprecisas ou desligue e torne-se invisível.
27. Não há apenas o panopticom do confinamento disciplinar de Foucault, mas o “controlato”, a modulação, a cifra e o “dividual” de Deleuze. As paredes não vedam mais nada. Os presos atacam da prisão. Para Pascal, o problema do homem é que ele não consegue ficar sozinho no seu quarto. Com as camadas informacionais, o que significa e qual a eficiência informacional de mandar alguém ficar de castigo, sozinho, no seu quarto?
28. Não há uso, distribuição, produção ou consumo neutro de informação e ou de tecnologias. Pense em como as mídias locativas podem te ajudar a criar e destruir seus territórios. Quais os limites dos seus territórios? Pense em maneiras criativas de contar histórias, de fazer política, de jogar e de se divertir. Essas tecnologias podem te ajudar a escrever e demarcar eletronicamente o seu espaço circundante, mas busque novas significações, novas memórias dos lugares, reforçar os vínculos sociais e o imaginário coletivo.
29. Comprometa-se em reverter a lógica dos olhares vigilantes, em produzir sons para ouvidos atentos, em criar imagens do passado atreladas ao presente. As mídias locativas só têm importância se ajudarem a produzir conteúdo que faça sentido para você e para o lugar onde vive. Não use passivamente nenhuma mídia, especialmente essas que agem sobre a sua mobilidade e localização no mundo!
30. Pense no uso da técnica (ela não é neutra), na comunicação como aproximação ao lugar e ao outro (ela não é impossível, mas improvável – Luhmann) e no seu lugar no planeta (ele é parte da sua existência). A pergunta deve ser: as mídias locativas te ajudam a encontrar o teu lugar no mundo?
mídias sociais x publicidade
Martin Benoit comenta estudo recente que aponta que as mídias sociais teriam mais credibilidade que a publicidade. De forma catastrófica, ele se pergunta: Vamos assistir à morte da publicidade tradicional da mesma maneira que estamos presenciam a morte dos jornais?
Benoit é professor de prática profissional jornalística em Montreal, Canadá, e o estudo a que ele se refere foi produzido pelo Groupe CNW e a Léger Marketing. A pesquisa feita naquele país teve com base respostas de consumidores e profissionais de relações públicas sobre seus hábitos em termos de mídias sociais.
Entre os resultados, está a confirmação da expansão das mídias sociais, já que 49% dos consumidores respondentes são usuários correntes e 62% dos profissionais empregam uma mídia dessas ao menos uma vez por dia. A pesquisa ainda aponta que 55% dos profissionais consideram as mídias sociais mais credíveis que a publicidade.
Será?
convergência midiática e mudanças na profissão de jornalista
Curto e grosso para dois links:
Converge Magazine é uma revista eletrônica brasileira que trata de transição de mídia, convergência e tecnologia. Na verdade, é um clipping de notícias, e pode ser adquirido por assinaturas.
Manuel Pinto disponibiliza em e-book gratuito as atas do seminário que realizou na Universidade do Minho e que tratou das mudanças na formação de jornalistas com as novas tecnologias. Baixe o livro aqui e leia, por exemplo, a conferência de Jane B.Singer.
fachos de luz sobre o futuro dos jornais
Jorge Rocha, codinome ExuCaveira Cover, publicou em seu blog um quilométrico post em que discute questões essenciais sobre o jornalismo que temos e o jornalismo que teremos muito em breve. Engana-se quem passa correndo pelo blog do Exu e lê no banner de entrada que o jornalismo morreu. Exu é uma dessas entidades malandras, provocativas, que fazem gags até mesmo de si. Jorge, não. Jorge é um cara preocupado com o jornalismo, mesmo que ele não reconheça isso. Jorge é um intelectual, meio ogro, é verdade, mas é um cidadão das letras e das ciências.
Então, dia desses, Pedro Dória escreveu um post que incomodou Jorge. Este mastigou os dentes um tempinho e cuspiu umas tantas perguntas para alguns dos blogueiros-jornalistas mais influentes e interessantes da esfera nacional. O resultado é o tal post quilométrico de que falei no início. Se você se interessa por jornalismo e se preocupa com o futuro dele, tome um atalho até lá e leia.
univali abre mba em mídias digitais

Estão abertas as inscrições para o MBA em Mídias Digitais da Univali. O curso de especialização tem 35 vagas e começa em abril no campus de Itajaí. As inscrições vão até 31 de março, e ex-alunos da Univali tem 15% de desconto sobre as mensalidades.
Com duração de 18 meses, o MBA é voltado para graduados em Comunicação Social, Ciências da Informação, Design Gráfico, Licenciaturas, Bacharelados em Humanas, Ciências Sociais e Artes, além de áreas afins. O público alvo é extensivo ainda a profissionais de instituições públicas ou privadas que tenham relação com produção de conteúdo e processos editoriais para mídias digitais.
O MBA em Mídias Digitais é uma iniciativa multidisciplinar, que reúne professores mestres e doutores de campos distintos do conhecimento: da Comunicação ao Design, passando pela Informática e Educação. Foram convidados ainda professores de outras instituições, como as universidades federais de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
As aulas acontecerão em modernos e bem equipados laboratórios na Univali, quinzenalmente, sempre às sextas-feiras (noite) e sábados (manhã e tarde). O currículo está apoiado em três unidades, cada um com 120 horas. Cada unidade reunirá quatro disciplinas, um seminário e um oficina, totalizando 18 atividades em sala de aula.
Conheça a grade curricular:
Unidade I – Tecnologia e Sociedade
Comunicação e interação mediada por computador (24 horas)
Tecnologia e a informação estratégica (24 horas)
Teorias da Cibercultura (24 horas)
Educação e Comunicação (24 horas)
Seminário: Análise crítica de mídia digital (12 horas)
Workshop: Webwriting (12 horas)
Unidade II – Comunicação Digital
Convergência de mídias (24 horas)
Sociedade em Rede (24 horas)
Ambientes Virtuais de Aprendizagem (24 horas)
Hipermídia e o texto na internet (24 horas)
Seminário: Media Training (12 horas)
Workshop: Webdesign (12 horas)
Unidade III – Produtos Digitais
Produção multimídia (24 horas)
Jogos digitais e plataformas de entretenimento (24 horas)
Ferramentas colaborativas (24 horas)
Metodologia da Pesquisa (24 horas)
Seminário: Direitos autorais na web (12 horas)
Workshop: Produção Multimídia (12 horas)
Saiba quem são os professores:
– Dr. Alex Primo – UFRGS
– Dr. Flávio Anthero Nunes – UNIVALI
– MsC. Valquíria Michela John – UNIVALI
– MsC Carlos Castilho – ASSESC
– MsC Sandro Lauri Galarça – UNIVALI
– MsC Mary Vonni Meurer de Lima – UNIVALI
– MsC Vera Lúcia Sommer – UNIVALI
– Dr. Luís Fernando Máximo – UNIVALI
– MsC. Laura Seligman – UNIVALI
– Esp. Tiago Ficagna – UNIVALI
– Dra. Maria José Baldessar – UFSC
– Dr. Rudimar Scaranto Dazzi – UNIVALI
– Dr. Rogério Christofoletti – UNIVALI
Inscrições:
De 2 de fevereiro a 31 de março. Para isso, junte:
* Formulário para Inscrição totalmente preenchido;
* Diploma de conclusão de graduação (cópia autenticada);
* Histórico escolar de graduação (original ou cópia autenticada);
* “Curriculum Vitae” resumido (atualizado);
* Carteira de Identidade e CPF (cópia);
* Uma foto 3×4 recente
Custos:
Inscrição (R$ 384,00) + 17 parcelas de R$ 384,00. Ex-alunos da Univali pagam R$ 326,00
Mais informações:
Gerência de Pós-Graduação da UNIVALI – Itajaí/SC – Bloco 5 sala 105
Rua Uruguai, 458 – Bairro Centro – Itajaí/SC – CEP 88302-202
Fone: 47-3341-7534 / 47-3341-7652
Contatos:
E-mail: mba.midiasdigitais@gmail.com
Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=54531828
Site: http://www.univali.br/modules/system/stdreq.aspx?P=3230&VID=default&SID=477966633789518&S=1&A=closeall&C=27372
crise ainda não chegou às bancas brasileiras
Na semana que está terminando, a editora do New York Times anunciou um prejuízo de mais de 57 milhões de dólares em 2008. Em 2007, no entanto, havia fechado o exercício com lucro de 208 milhões. Isto é, a crise já chegou por lá. E olha que pegou em cheio um dos grandes: a New York Times Company reúne quase vinte jornais e 50 sites nos Estados Unidos.
Por aqui, a “marolinha” ainda não chegou.
Segundo o Instituto Verificador de Circulação (IVC), a circulação média diária dos jornais brasileiros cresceu 5% no ano passado, alcançando 4,35 milhões de exemplares. Tudo bem que a evolução de 5% fica aquém dos crescimentos registrados em 2006 (6,5%) e 2007 (11,8%). Mas mesmo assim, tá muito bom, afinal é o dobro do crescimento mundial no setor.
Entre os títulos brasileiros, o Super Notícia, de Minas, foi o campeão de crescimento de circulação: 27,02% no período. O jornal popular custa 25 centavos de real. Tudo indica que o setor vem respirando graças aos resultados dos jornais populares e dos regionais. Mas até quando, senhores?
o futuro da música: um livro de graça!
Sergio Amadeu da Silveira e Irineu Franco Perpetuo lançam no próximo dia 22 no Campus Party “O futuro da música depois da morte do CD”, livro que organizaram e que dá uma geral na área que tem sofrido abalos sísmicos frequentemente com a chegada das novas tecnologias.
Ficou curioso? Baixe o livro então. É de graça!
henry jenkins no maximídia
Henry Jenkins, do MIT, falou de um assunto sobre o qual é bastante conhecido: convergência midiática. Na verdade, a proposta era de que contrapusesse a confluência dos meios e a divergência de interesses, de públicos, de consumos. A palestra de Jenkins se deu durante o MaxiMídia, evento que foi transmitido de São Paulo para várias cidades do país. Vi Jenkins em Itajaí, num dos auditórios da Univali, e a transmissão deixou um pouco a desejar. Não pela qualidade de áudio e vídeo, mas por conta da direção de imagens. Nem sempre, era possível ver os slides que Jenkins apresentava. Isso porque os realizadores do MaxiMídia insistiram em mostrar o palestrante, sem dividir a tela e conjugar os conteúdos…
De qualquer forma, a fala de Jenkins reforçou o que vem se lendo dele há alguns meses. Aliás, seu livro “Cultura da Convergência” já circula em edição brasileira… Jenkins bateu em teclas já bastante conhecidas:
(*) A entrada da grande mídia em novas plataformas ajuda a desenvolver a convergência midiática, já que esses players sabem muito bem fazer o que já fazem, além de não quererem perder mercado nem dinheiro.
(*) Digitalização e Culturas Participatórias também contribuem para este cenário, mas trazem novos contornos para os públicos e para o próprio negócio da mídia. Isto é, de consumers passamos a prosumers: não só consumimos, mas também produzimos conteúdos consumíveis… Jenkins citou dois números altamente expressivos: 52% dos adolescentes dos Estados Unidos já produziram conteúdos de mídia e outro terço já distribuiu esses conteúdos.
(*) Associados aos pontos acima está a idéia de Inteligência Coletiva, conceito que entrevê, por exemplo, que as pessoas estão formando comunidades para resolver seus problemas. Isso muda o conhecimento, os públicos e a própria mídia. Muda ainda o relacionamento entre meios e públicos, produtores e receptores.
(*) Contar histórias transmídia, fazendo cruzamentos e extensão de conteúdos para outras plataformas, amplia narrativas, de acordo com diversos formatos.
(*) Colaboracionismo. Jenkins afirmou a necessidade de conjugar interesses no novo cenário onde o público, muitas vezes, transgride direitos autorais dos realizadores para consumir seus produtos. Segundo ele, é preciso incentivar a criatividade dos públicos, dos consumidores, mas esses devem também cooperar com os proprietários das marcas. Isso faz parte de uma economia moral, onde se deve restituir a confiança entre as partes. Há um choque entre compartilhamento e pirataria, entre consumo pago e tráfico de produtos, entre ações legais e ilegais, por exemplo.
A fala de Jenkins foi dinâmica, bem ilustrada e esclarecedora em alguns pontos. A chatice mesmo ficou por conta de Luiz Fernando Vieira, da agência África, que se encarregou de fazer perguntas ao palestrante. Atrapalhado com os conceitos, inseguro na fala e pouco à vontade, Vieira fez perguntas redundantes e circunscritas basicamente aos interesses dos publicitários. Uma pena… Os organizadores do Maxi Mídia deveriam ter trazido alguém da academia – notadamente, um pesquisador que conhecesse mais a obra e o pensamento de Jenkins – ou algum jornalista – geralmente, mais afeitos e preparados para o posto de perguntador…
ATUALIZAÇÃO (10 DE SETEMBRO DE 2008): Tiago Caminada fez um relato do que Mark Warshaw tratou no segundo dia do MaxiMídia. Aqui.
velhos jornalistas projetam o futuro do jornalismo
Dois nomes muito influentes no jornalismo norte-americano vêm vaticinando os próximos passos da indústria jornalística – a de meios impressos, em particular – diante da avalanche diária de novidades tecnológicas: Bill Kovach e Philip Meyer.
Esses velhos jornalistas tentam enxergar à frente, pontuando o que teremos a seguir. Tudo bem, eles tratam do mercado dos Estados Unidos, mas não se pode ignorar o cenário de lá para pensar soluções por aqui, não é mesmo?
Aos links, portanto:
– Bill Kovach lista doze questões para o futuro do jornalismo
– Philip Meyer aponta que o fim dos jornais impressos está mais próximo do que pensávamos
a internet se discute (cada vez mais por aqui)
De repente, não mais que de repente começam a despencar eventos de altíssimo nível sobre as novas mídias, e as transformações nos mercados por conta dos avanços tecnológicos. O IDG Now!, por exemplo, está promovendo a Digital Age 2.0, trazendo gente de peso como Lawrence Lessig, Seth Godin e outros.
Para acompanhar basta seguir o blog do evento, ou mesmo navegar livremente pela blogosfera. Um punhado de blogueiros-conectados estão cobrindo o encontro.
Outro dia, aconteceu o Media On, que trouxe outros nomes influentes da área, como o português António Granado, por exemplo. (Veja as palestras aqui)
Na semana que vem, tem ainda o Maximidia, que traz o Henry Jenkis, do MIT, entre outros. Este devo acompanhar mais de perto, e talvez sobre algum post por aqui.
Alguém aí pode se perguntar: o Brasil, afinal, entrou na rota dos principais eventos sobre mídia e tecnologia? Na verdade, isso não é de agora. Mas é certo que hoje temos mais claro que ocasiões como esta são interessantes para os promotores – afinal, são muito rentáveis -, para os palestrantes – que expandem seus pensamentos para diversos públicos – e mesmo para o mercado e a academia brasileiros.
mas o que é mesmo o jornalismo?
A professora Ann Cooper, da Escola de Jornalismo de Columbia, escreve um interessante artigo na edição mais recente da Columbia Journalism Review (setembro-outubro de 2008). Para ela, pouco importa discutir o que é o jornalista na atualidade, mas sim o que é jornalismo.
Ela discute a emergência de novas formas de comunicação, a chegada de novos atores no processo da informação – como os blogueiros – e novas concepções sobre as competências que jornalistas devem ter. A partir do influente Jay Rosen – que propôs que se pensasse um modelo híbrido de produzir notícias online -, Ann Cooper chama a atenção para o fato de que a sugestão de Rosen muda o foco da questão. Não mais interessa saber quem é que faz a coisa, mas como é a coisa em si, o que a define e tal.
A autora sinaliza os próximos passos. Se vamos pensar um modelo híbrido de jornalismo, precisamos articular esforços entre os tradicionais e os recém-chegados:
Old media will have to let go of some attitudes and assumptions that are no longer relevant, and new media will need to recognize standards that can infuse credibility and trust into this new journalism. Working together will require everyone in the bigger tent to drop their animosities and check their egos. It’s not about us, after all. It’s about keeping watch on those in power, about ensuring an informed citizenry, about maintaining a democratic culture that is strengthened by vibrant reporting on vital institutions.
Claro. Esta luz no final do túnel não é inteiramente nova, mas é sempre bom repensar a questão e revisar os passos dados anteriormente.
o futuro do livro (eu sei, de novo…)
Quer ver mais um daqueles protótipos de como serão os livros num futuro próximo?
o destino do jornal: um livro, um comentário e muitas questões
Acabo de ler “O destino do jornal”, livro de Lourival Sant’Anna, editado pela Record. A leitura é rápida, o texto é claro e atraente, e o assunto – o leitor deste blog já sabe – me interessa muito. Mas para além dessas rápidas impressões, muitas outras coisas ficam dessa leitura.
A primeira delas é que o livro vem em boa hora, afinal é rara no Brasil a bibliografia que discute jornalismo pelo prisma de negócio, pela vertente mais mercadológica. Parece reinar entre nós um pudor ao tratar de notícias e informações como produtos. Como eu disse, há pouquíssimas obras que se debruçam sobre o nosso jornalismo sem melindres para analisá-lo pela ótica de um mercado, de uma indústria. Vém-me à cabeça o livro da Cremilda Medina – “Notícia: um produto à venda” -, mas que foi editado há pelo menos duas décadas. Outros títulos poderiam ser aqui citados, mas a ligação que faço entre “O destino do jornal” é com outro livro: “O papel do jornal”, de Alberto Dines.
Essa correspondência se faz para mim por algumas razões um tanto óbvias: os dois livros partem de ambientes de crise para discutir jornalismo, sua natureza e seu futuro. Os dois livros concentram-se nas empresas nacionais do ramo. Os dois livros já nasceram como clássicos porque, mesmo tratando de questões conjunturais, não deixam de considerar os aspectos estruturais que afetam o negócio do jornalismo. Se o gatilho de Dines havia sido a alta do papel de imprensa nos anos 70, o de Sant’Anna é a alardeada queda nas tiragens dos jornais, detectada no mundo todo, mas com algum respiro visível por aqui na última década.
É verdade que talvez o livro de Dines tenha mais perenidade que o de Sant’Anna, mas os dois volumes não apenas nos convidam a pensar em soluções para esse negócio de vender informações, como também nos incitam a discutir o próprio destino de um meio que sempre foi capital para as sociedades democráticas.
Aspectos como rentabilidade, equilíbrio contábil, busca de receitas e inovação tecnológica são tratados por Sant’Anna na mesma proporção de que se defrontam com “bens intangíveis”, como prestígio, credibilidade e fidelidade do leitor.
O livro de Dines nasceu de suas reflexões à época, enquanto que o de Sant’Anna é a versão livresca de sua dissertação de mestrado. Dines não foca sua análise num meio em especial, mas Sant’Anna se pergunta como três dos maiores jornais brasileiros – a Folha de S.Paulo, O Globo e O Estado de S.Paulo – vêm enfrentando um cenário de concorrência maior (com a web, as revistas e a TV a cabo), de mudanças nos hábitos de consumo dos leitores (queda no tempo de leitura e diminuição de tiragens pelo mundo afora) e de necessidade de adaptação e inovação tecnológica.
Outro dia, mencionei o livro de Philip Meyer – “Os jornais podem desaparecer?” -, ressaltando a necessidade de termos uma reflexão brasileira sobre essa transição de mídia tão ruidosa. Bem, o livro de Sant’Anna vem neste sentido, sem esgotar a questão, evidentemente. Poderá abrir espaço para novos lançamentos e discussões. O acento de Sant’Anna – entre o acadêmico e o profissional – também é muito bem vindo, já que essa oposição é improdutiva, preconceituosa e limitante.
Ontem mesmo, meu chapa PHSousa comentou a entrevista de Rosenthal Calmon Alves ao Estadão. PH escreve:
Eu acho que devem abandonar o hard news, que fica para TV e internet. Os jornais de papel devem se voltar para reportagens menos factuais. O que você acha?
Bem, não penso muito diferente, apesar de ter uma certeza: o problema é complexo. Isto é, diversas variáveis incidem na sobrevivência de alguns meios e na própria convivência das diferentes mídias. Não se pode deixar de lado, por exemplo, o conjunto de movimentos na audiência e nos hábitos de consumo. O Pew Research Center for the People and Press publicou esses dias um estudo muitíssimo interessante sobre as mudanças que a audiência vem exibindo a partir do desenvolvimento de novas mídias. O relatório da pesquisa, em suas 129 páginas, aponta para diversas “chaves” para o entendimento do cenário da mídia, a norte-americana, mas que pode se projetar por aqui também.
O estudo mostra que as notícias online ainda está em compasso de crescimento, mas mostra ainda que os consumidores de informação cruzam as mídias, buscam integrá-las em sua dieta informacional, entre outros aspectos.
Gestores e jornalistas precisam estar atentos a isso.
Ao mesmo tempo, ReadWriteWeb aponta para o NewsCred, sistema que promete distribuir as notícias com mais credibilidade, agregando conteúdos de diversos meios. É semelhante ao Digg e ao NewsTrust. Mas quem está por trás do NewsCred se apressa em mostrar as diferenças:
We love Digg and other social ranking sites, but NewsCred is completely different. We are using technology and the ratings from our user community to select the most credible articles. NewsCred selects quality, while Digg presents popularity. This is a fundamental difference in our approach, and we feel this difference is what will change the way we access news content forever.
We’re taking content from traditional, mainstream new sources, combining them with established blogs, and selecting only the highest quality articles that are relevant to you. We’re throwing in some real innovation to make the selection and filtering process the easiest you’ll see on the web, and fun too.
Esta é uma solução? Não sabemos ainda. O fato é que a corrida já está acelerada. Tem muita gente preocupada com o futuro dos jornais, com o presente da internet. O 7º Congresso Brasileiro de Jornais, que aconteceu esta semana, não se esquivou dessas questões. O discurso em uníssono é o de que qualidade e credibilidade andam juntas, mas deve -se atentar sempre para as questões de equilíbrio financeiro. Mesmo assim, os proprietários de jornais têm sorrido de orelha a orelha. A carta de abertura do evento, dirigida aos empresários do setor, não poderia ser mais otimista:
Depois do excelente desempenho do ano passado, quando tiveram aumento de circulação de 11,80% e subiram sua participação no bolo publicitário para 16,28%, os jornais brasileiros continuam a exibir números muito positivos. O mais recente levantamento do Projeto Inter-Meios, principal referência do mercado brasileiro, mostrou que no primeiro trimestre de 2008 os investimentos publicitários nos jornais cresceram 23,72%, comparando-se com igual período do ano passado. Com isso, em março a fatia dos jornais no bolo publicitário chegou a 19,40%.
Então, o livro de Lourival Sant’Anna está vendo fantasmas onde eles não existem?
Claro que não. O livro traz alertas, coloca o dedo nas feridas e deixa nervos expostos. O mercado brasileiro não está isolado numa bolha de prosperidade, blindado contra crises. Há questões estruturais que já afetam a indústria dos jornais por aqui. Sant’Anna não é o arauto do apocalipse, mas está de olho.
o futuro dos jornais… mais uma vez
Especialmente para meus alunos de Introdução ao Jornalismo.
Rosenthal Calmon Alves, jornalista brasileiro que dirige o Knight Center for Journalism in the Americas, da Universidade do Texas, em Austin, deu uma entrevista ao Estadão sobre o futuro do jornalismo.
São quase 28 minutos de uma entrevista interessante, esclarecedora e instigante.
O áudio não está uma maravilha, mas vale ouvir.
A repórter é Marili Ribeiro e vocês podem ouvi-los aqui.
faxina de links
ainda sobre o futuro dos jornais
O caderno Mais! da Folha de ontem veio com o tema que mais preocupa os publishers pelo mundo afora: o futuro dos jornais. Com um texto de abertura da editora executiva Eleonora Lucena, a Folha trouxe um longo artigo do jornalista Eric Alterman, que saiu originalmente na New Yorker em 31 de março passado. Trouxe isso, consumiu 5,5 páginas e deu. Ponto. Nem mais um pio sobre o assunto, ninguém mais escreveu ou discutiu o palpitante momento na edição.
Para um jornal como a Folha, é pouco.
Para a crise que se anuncia sobre o setor, é pouco.
Para o momento da imprensa brasileira, que comemorou no início do mês 200 anos, foi pouco.
Foi insuficiente, mas não só.
Conforme escreveu Adriana Alves Rodrigues no GJOL, o leitor atento percebeu uma certa confusão nos discursos ali estampados. A editora da Folha adota um tom otimista, despejando estatísticas que mostram um desempenho positivo do setor em no Brasil e nas economias emergentes (leia o texto dela aqui: para assinantes). Eleonora Lucena tem razão: por aqui, a coisa ainda não pegou pra valer, e uma certa reinvenção da imprensa se deu com o desembarque nas bancas da chamada penny press, formada por jornais mais baratos, mais quentes e voltados para um público ainda inexplorado.
Já o artigo de Eric Alterman beira o tom sombrio (veja aqui. Para assinantes). Ele escancara a situação norte-americana, a queda das tiragens, a migração de parte do bolo publicitário, uma disputa cada vez mais acirrada entre jornalistas e blogueiros. É uma aula de jornalismo. Uma aula de mercado. Mas jornalismo e mercado norte-americanos.
Neste sentido, a Folha falhou mesmo. Faltou complementar o tema com textos de gente daqui que pudessem oferecer tanta análise e interpretação quanto Alterman. O texto de Eleonora é claro, interessante, mas pouco analítico, mais informativo. Por aqui, já temos uma história de mídia na web e gente como Carlos Castilho, Marcelo Tas, Beth Saad, Pedro Doria, entre outros, poderiam oferecer análises tão densas e amplas quanto à gringa.
Alguns dados fazem pensar:
- 2,6% é quanto crescem os jornais no mundo atualmente
- 11,8% é quanto eles crescem no Brasil
- Os jornais abocanharam em março 19,4% do bolo publicitário no país
- 42% a menos valem as empresas de jornais nos EUA, e a queda tem sido impiedosa
- Os leitores têm sido cada vez mais raros entre os mais jovens
- O mercado norte-americano tem extinguido postos e mais postos de trabalho nas redações
- Pesquisas lá mostram a queda vertiginosa da confiança na mídia
- Aqui, também cresce a desconfiança, mas a mídia não é a única instituição a perder terreno
A crise dos jornais, a invenção de novas plataformas de consumo e distribuição de informações e a convergência midiática têm levado a indústria do setor a um comportamento esquizofrênico: tenta ser audaciosa em alguns casos, buscando soluções, mas atirando sem mira; ao mesmo tempo em que fica imóvel, fingindo-se de morta e aguardando uma solução dos céus…
O Mais! de ontem, na Folha, mostra o quanto a mídia ainda peca na análise de seu próprio mètier. Não consegue um distanciamento seguro que lhe permita uma avaliação mais ampla e serena do caso. Não mobiliza mais recursos para o debate que se faz necessário. Não contagia – para além dos diretamente interessados: empresários, jornalistas e pesquisadores da área – mais ninguém com o assunto. Um tema que deveria interessar a todos da esfera pública.
(Se você não é assinante da Folha e não consegue ler os textos da edição de ontem, não desanime. O artigo de Alterman, no original, está aqui… aberto para leitura.)
(Enquanto isso, nos Estados Unidos, durante a FreePress – a conferência internacional que discute reforma na mídia e transformações na democracia -, o jornalista Bill Moyers deixou a platéia eletrizada com sua fala e as perspectivas sobre o futuro das grandes corporações midiáticas. Leia aqui ou assista aqui)
credibilidade, confiança, reputação: 4 links
1. Na Slate, Chris Wilson demole a suposta democracia da web 2.0. Para isso, usa como exemplos a Wikipedia e o Digg.
2. No CyberJournalist, uma survey sobre a credibilidade online.
3. Marcos Palacios comenta o livro de Adrian Monck que questiona a credibilidade da mídia através da história.
4. O próprio Monck apresenta o sumário de seu “Can you trust the media?”
faxina de links: jornalismo & mídia
- Um verdadeiro radar sobre jornalismo: alltop
- Zé Renato Salatiel ensina o caminho das pedras quando o assunto é manual de redação na web
- Best online reporting – dica de Mindy McAdams
- André Deak lista um kit de ferramentas online indispensáveis para jornalistas
- Paul Bradshaw faz cinco perguntas para um outro estudante de jornalismo
- Jeff Jarvis e uma nova arquitetura da mídia
- Uso de blogs em pesquisa acadêmica: Orihuela posta
- Um coletivo multimídia: Garapa
- O futuro do jornalismo por Rosenthal Calmon Alves: DAndrea faz o resumo da ópera
inovação no jornalismo: um evento
David Nordfors, pesquisador sênior da Universidade de Stanford, convida para a 5ª Conferência de Inovação no Jornalismo, que acontece de 21 a 23 de maio no campus de lá.
Um apanhado do programa é o seguinte:
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‘THE ROLE OF MEDIA IN SOCIETY’
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INNOVATION TRENDS
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INNOVATION, INTELLECTUAL FREEDOM, INTERNET AND ITS IMPLICATION ON GLOBAL MEDIA ORGANIZATIONS
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HOW CAN THE NEWS INDUSTRY SUCCEED IN THE INNOVATION ECONOMY?
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ATTENTION WORKERS IN THE INNOVATION ECONOMY
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HOW DO WE INNOVATE?
o futuro e o presente do jornalismo
“É possível que, antes de 2030, a maioria dos jornais já tenha migrado para a internet. No futuro, toda informação tende a ser eletrônica ou virtual. O período de transição, que já começamos a viver, deverá ser conturbado sob todos os aspectos”. A declaração é de Ethevaldo Siqueira, conhecido jornalista especializado em tecnologia que escreve semanalmente para O Estado de S. Paulo.
Se ET está certo ou não, se vai acertar o futuro dos jornais ou não, é cedo pra dizer. (leia o texto dele aqui, pelo atalho do Observatório da Imprensa). Enquanto o futuro mais longínquo não vem, André Deak lembra que amanhã, o futuro mais imediato, dia 30, tem a quarta rodada da Ciranda de Textos, a versão nacional para o Blog Carnival. Desta vez, o blog hospedeiro é o de Ceila Santos.
E se o seu caso é o de estudar o presente para pensar e ajudar a construir o futuro, Sergio Amadeu anuncia (pelo Twitter) que em junho a Faculdade Cásper Líbero abre inscrições para mestrado em Comunicação e Tecnologia…
international symposiun on online journalism
Começa amanhã em Austin a 9ª edição do Simpósio Internacional sobre Jornalismo Online, uma promoção da Cátedra Knight de Jornalismo e da Cátedra Unesco de Comunicação da University of Texas, e que tem por trás o brasileiro Rosenthal Calmon Alves.
A programação vai até sábado, e resumidamente, envolve essas temáticas:
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Newspapers in the Time of Cholera: A Healthy Prescription for an Ailing Industry
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Hybrid Newsroom for the Digital Age: Journalists are reorganizing their routines, learning new skills and doing their best to work for multiplatform, multimedia operations. How are integrated newsrooms (i.e., print + digital) working so far?
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Emerging Business Models: Traditional media are struggling to adapt their old business models to respond to the devastating effects of disruptive, digital technologies, while a new generation of media companies is creating fresh, innovative new models. Will those efforts result in profitable businesses that would finance journalism as it happened during the last century?
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Communities: The old, passive audiences are increasingly becoming clusters of new, active communities that still read, listen and watch the media, but demand to be read, listened and watched. Engaging those communities has become high priority for the media, but are their efforts succeeding?
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Multimedia and Interactivity: Faster Internet connections and cheaper network and storage space have paved the way to more video and audio and more database journalism projects on the Web. Are online journalists finally taking advantage of the multimedia and interactive capabilities of the Internet?
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News Games: Video games have become serious games and started playing an increasingly important role in education and professional training. Can video games now become a more common tool to help journalists to tell the story?
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All for One and One for All? A Spanish Experience of Research About Media Convergence
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Managing the Production of Online Journalism
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Social Networking and User-Generated Content
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Citizen Producers, Bloggers and the Evolution of Journalism
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Issues in Online Journalism Research
Como tenho que dar aula nesta sexta à noite e tenho compromissos familiares no sábado, vou acompanhar os debates e falações por quatro canais:
O site oficial do evento, aqui.
O blog do evento, que conta com nada mais, nada menos que 15 repórteres (!)
O blog e o Twitter do António Granado, que está lá e participa do simpósio.
Ah! Dá pra assistir por um canal de vídeo em tempo real também: aqui
Dois brasileiros estão entre os convidados das mesas, a professora Elisabeth Saad (USP) e o jornalista Fernando Rodrigues (Folha de S.Paulo).
jornalismo online: princípios básicos (3)
Paul Bradshaw oferece a terceira parte de seus posts especiais sobre os princípios básicos do jornalismo online.
O primeiro foi Brevidade. Em seguida, veio o Adaptabilidade. Agora, o Scanabilidade.
credibilidade avança na internet

O Centro para o Futuro Digital da USC Annenberg School publicou a pesquisa Digital Future Report, com aspectos mirando 2008. O estudo é seriado, está na sétima edição, e permite uma visão histórica, evolutiva, das tendências na relação entre usuários norte-americanos e sistemas midiáticos.
Luís Santos, do Atrium, destaca quatro aspectos do documento:
“1. A Internet é cada vez mais um espaço considerado prioritário para a busca de informação – 80 por cento dos questionados com mais de 17 anos de idade (contra 66 por cento em 2006);
2. A informação online é cada vez mais credível – válido para 46 por cento dos utilizadores da web e para 43 por cento dos não-utilizadores;
3. As páginas web dos orgãos de comunicação estabelecidos são consideradas muito fiáveis como fonte de informação – cerca de 80 por cento dos questionados afirma confiar na informação disponibilizada em espaços como o NYTimes ou a CNN (contra 77 por cento em 2006)
4. “Would you miss the print edition of your newspaper?” – 52 por cento dizem que sim mas 27 por cento dizem já que não.”
Dei uma olhada no paper da pesquisa, e o que me chamou mesmo a atenção foi a seção sobre credibilidade na web, uma preocupação científica minha há alguns aninhos…
A pesquisa da Annenberg School pode ser comprada na íntegra, mas o site disponibiliza um resumo executivo. O documento tem dez páginas em formato PDF e traz dados telegráficos sobre os seguintes pontos:
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A internet nos Estados Unidos
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Não-usuários de internet
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Uso midiático e confiança
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Comportamento do consumidor
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Padrões de comunicação
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Efeitos sociais
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As crianças e a internet
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Poder político e influência
jornalismo 2.0: em português!

Em julho, disse por aqui que Mark Briggs acabara de lançar o livro Journalismo 2.0, com versão em PDF, de graça para baixar. Pois o Knight Center for Journalism in the Americas acaba de anunciar o lançamento das versões em espanhol e português do mesmo livro. A iniciativa democratiza ainda mais as boas e inteligentes reflexões de Briggs.
Em espanhol, a tradução e o prólogo são de Guillermo Franco, o competente editor de El Tiempo, da Colômbia. A edição em português está a cargo do antenado Carlos Castilho.
Para baixar a versão em português, clique aqui.
TV digital e Rede Pública de TV
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O dia é amanhã, quando começam oficialmente as transmissões da TV digital no Brasil e da Rede Pública de Televisão, o polêmico projeto do governo federal para a criação de um sistema inédito na área da radiodifusão.
Se você não sabe nada de TV Digital, passe por aqui. As informações são do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (SBTVD), coletivo que assessora o comitê de desenvolvimento do sistema. Para uma visão mais crítica do assunto, veja o que diz a Daniela Alarcon, do Observatório do Direito à Comunicação.
Sobre a Rede Pública, leia um extenso debate sobre ela, produzido pela Radiobras (contendo textos, entrevistas em áudio e vídeo e mais diagnósticos); o Rio Mídia ouviu diversas personalidades do mercado, da academia e da sociedade que opinaram sobre o assunto; veja quem vai compor o conselho curador da emissora; confira a posição esperançosa de Beth Carmona para o projeto; e tenha um contraponto crítico, com o que escreve João Brant, do Observatório do Direito à Comunicação.
Antene-se!


