Mas voltando ao tema da credibilidade para blogs, Pedro Doria pareceu tatear no escuro e encontrar algo que pode ser ouro ou apenas uma pedra reluzente. Ele lembrou que jornalistas se preocupam com a divisão Igreja-Estado em seus meios, e que – de maneira geral ou ideal – separam conteúdos editoriais/noticiosos de publicitários/propagandísticos. Doria dá a entender que talvez os blogueiros devam se preocupar com isso também, e que não apenas se seduzam com os adsenses da vida e com a rápida monetização de seus blogs. Particularmente, gosto de pensar que a credibilidade passe por aí, mas não me convenço totalmente. (Acho que Doria também não apostaria nisso como a chave para o sucesso, mas um fator entre outros). Esses tempos, publiquei um artigo resultante de pesquisa financiada pelo UOL sobre credibilidade na blogosfera. Estou escrevendo outros dois. E as minhas conclusões apontam para um emaranhado complicadíssimo de se desatar.
Em algum momento do debate, mais pro final, Gilson Schwartz chegou a nos lembrar de que reputação era mais do que números, que era mais do ser linkado muitas vezes e aparecer entre os primeiros resultados de uma busca no Google. Concordo, mas essa confusão não é originária das novas mídias. A própria noção de campeões de audiência na TV se apóia na quantidade medida projetada de aparelhos receptores sintonizados num mesmo canal num determinado horário. Isto é, o sujeito pode estar dormindo diante da TV, mas é contado como ponto no Ibope. Claro! É uma distorção. Mas ela é inerente ao sistema. Com isso, ainda confundimos audiência com satisfação, quantidade com qualidade…
Por isso, a discussão sobre credibilidade na blogosfera foi apenas arranhada no debate transmitido pela TV Estadão. A mesa redonda também não serviu para colocar os pingos nos is na trombada entre Estadão e blogs. Talvez nem tenha sido mesmo a idéia. Talvez a estratégia tenha sido mesmo não-cooptar a parte descontente, mas replicar o assunto, fermentá-lo e com isso fazer ecoar a polêmica. Pois gera conteúdo, opiniões de réplica sobre tréplica, etc. etc. Boa parte dos blogueiros à mesa gravitou em torno do desgaste produzido pela campanha da Talent, quando na verdade, ela é periférica, colateral. A campanha trouxe à tona um assunto para ser levado adiante. João Livi, o diretor da agência, deveria estar à mesa apenas para cumprir tabela, porque se não estivesse, teria blogueiro chiando. Os participantes poderiam ter se concentrado mais no tema da credibilidade, não para satisfazer ao Estadão ou a quem quer que seja. Este é um assunto da maior importância e interesse, inclusive de quem produz lixo.
Acho que este debate foi feito só para render “um post” para todos os blogueiros, participantes ou não. Daí, a partir disso, continuar a discussão de forma construtiva (diferente daquilo que a campanha publicitaria sugeria dos blogs…).
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Joel Minusculi