Marcado: blogagens

Este blog fez 10 anos!

Quando comecei este blog, em maio de 2005, o mundo era bem diferente do que é hoje.

George W. Bush não só mandava nos Estados Unidos, como estava no segundo mandato! Por aqui, Lula era o presidente e uma tal de Dilma Rousseff estava às vésperas de assumir a Casa Civil. O Fórum Social Mundial ainda acontecia em Porto Alegre e a Microsoft preparava o lançamento de uma novidade, o XBox 360. João Paulo 2º nem tinha esfriado ainda e Bento 16 dava o sermão na Praça São Pedro. Quem diria? O YouTube estava surgindo! O Orkut era o rei das redes sociais – apesar do Facebook já existir – e o Twitter só apareceria no ano seguinte, em 2006. Eu tinha um bebê em casa, muito mais cabelo e esperança, e muito menos barriga e mau humor.

Em dez anos, o mundo não parou de girar uma única vez. Por isso, mudamos tanto. Um passo à frente e você não está no mesmo lugar. Não foi assim que Chico Science ensinou?

Não entendo também como conseguimos chegar até aqui. Deveria ter desistido. Tive chance pra isso. Faltou coragem, faltou tempo, sei lá.

Registramos mais de 450 mil visitas, mais de 3,3 mil comentários e infinitas horas despejando coisas que colecionei por aí. Valeu a pena? Sim, valeu. Afinal, não são muitas as coisas na nossa vida que duram dez anos.

Obrigado pela visita, por algum comentário, por lincar este blog. De alguma forma, ele também foi seu. E eu me senti menos patético e sozinho enquanto remexia essas memórias.

2007: o endereço ainda era monitorando.zip.net

2007: o endereço ainda era monitorando.zip.net

2007: primeiro layout no wordpress

2007: primeiro layout no wordpress

2008: era demais ter um blog nessa época!

2008: era demais ter um blog nessa época!

2009: blogar era publicar para não perecer

2009: blogar era publicar para não perecer

2010: o blog se tornava cada vez mais um diário de bordo

2010: o blog se tornava cada vez mais um diário de bordo

2010: a cada mudança de humor, uma alteração no layout

2010: a cada mudança de humor, uma alteração no layout

2011: a integração com o Twitter ajudava a

2011: a integração com o Twitter ajudava a “espalhar” melhor

2012: começa a bater o cansaço. Os blogs já não são mais os mesmos

2012: começa a bater o cansaço. Os blogs já não são mais os mesmos

2013: posts ficam cada vez mais enxutos

2013: posts ficam cada vez mais enxutos

2014: as postagens ficam mais escassas

2014: as postagens ficam mais escassas

2015: o blog é

2015: o blog é “engolido” pelo site, mas sobrevive

Anúncios

menos dois blogs…

A blogosfera de Florianópolis sofreu dois solavancos fortes hoje (23/05): dois influentes e tradicionais blogueiros baixaram as portas de seus endereços virtuais. Isso mesmo! Num único dia, o Coluna Extra e o De Olho na Capital encerraram suas atividades. O primeiro – do jornalista Alexandre Gonçalves – parou justamente na data de aniversário de dez anos. O segundo – do também jornalista Cesar Valente – segue uma tendência de mortandade bloguística – veja aqui – e de diáspora para o Facebook.

Pena. Farão falta nesse canto cada vez mais empoeirado da web que chamamos de blogosfera…

A morte dos blogs parece ser uma consequência natural, como foi o êxodo do Orkut para o feudo de Zuckerberg. Poucos têm resistido. Não se sabe até quando. Me assusta essa migração total para um único endereço. Desculpem a sinceridade, mas – para mim – isso não soa como a internet plural e diversa com que sempre sonhei.

vida e morte dos blogs de comunicação

Em setembro de 2007, criei uma lista lusófona de blogs mantidos e alimentados por pesquisadores da comunicação. À época, reuni num mesmo link as iniciativas de colegas sobretudo brasileiros e portugueses que se deslumbravam com as potencialidades de se ter um canal exclusivo, barato e poderoso de comunicação. (Sim, os blogs já foram isso!)

A lista foi crescendo, crescendo, crescendo à base de indicações de blogueiros de todos os cantos. Cheguei a fazer 47 atualizações do post e a lista alcançou o expressivo número de 223 blogs de comunicação, sendo 178 do Brasil e 45 de Portugal e outros lugares.

Passados quase sete anos, fiquei curioso em saber a quantas andavam aqueles blogs. Na verdade, já faz algum tempo que escuto a sentença de que os blogs estão morrendo. Não é totalmente mentirosa a afirmação. Este meu espaço ficou mais de 100 dias sem nenhuma atualização entre 2013 e 2014, afundado numa crise de existência virtual. Outro dia, li um post da jornalista e blogueira de primeira hora Cora Rónai que me fez novamente perguntar: como estariam os blogs daquela lista lusófona?

Fui conferir.

Dos 45 blogs listados de Portugal e cercanias, dez foram simplesmente desativados (22%), 24 não são atualizados há mais de um ano e, portanto, morreram (53%), e apenas onze sobreviveram. Considerei blogs ativos aqueles que tiveram ao menos um post novo nos últimos 90 dias. Na parcial, a taxa de mortalidade foi de 75%. Apenas um em cada quatro blogs se manteve vivo nesses quase sete anos que nos separam da primeira lista.

Entre os brasileiros, as baixas foram maiores ainda. Dos 178 blogs, 48 foram desativados no período (27%) e 100 não são alimentados com novos conteúdos há mais de um ano (56%). Apenas 30 blogs são ativos, o que significa 17% do total. A taxa de mortalidade da parcela brasileira é de 83%.

No consolidado da lista lusófona de blogs de pesquisadores da comunicação, apenas 41 dos 223 sobreviveram, o que equivale a menos de um quinto (18,3%). Impressionante!

Como explicar isso?

É difícil apontar uma única razão. Fatores combinados poderiam justificar: cansaço do modismo, falta de tempo, desmotivação pessoal, emergência de redes sociais com muitos recursos e grande visibilidade como o Facebook… O fato é que os blogs já não são mais o que costumavam ser. E isso aconteceu muito, mas muito rápido…

este blog morreu. mentira!

O blogueiro Jason Kottke causou alguns tremores de terra com seu post no Nieman Journalism Lab nas vésperas do natal passado. No texto, ele dizia que os blogs como considerávamos desde 1997 estão mortos. E o blog como plataforma morreu justamente porque foi apropriada e absorvida por veículos e organizações que não produziam blogs, mas qualquer coisa que chamavam de blogs. E o blog como plataforma pessoal morreu porque as redes sociais têm servido muito mais a esse propósito, de maneira mais fácil, rápido e com mais recursos.

Kottke celebra: o blog morreu, longa vida ao blog.

Em janeiro de 2010, arrisquei um palpite numa mesa da Campus Party. Estava ao lado de André Lemos, Sérgio Amadeu, Sandra Montardo e Henrique Antoun. Eu disse que não sabia muito do futuro dos blogs, mas achava que eles eram uma mídia de transição, de passagem. Não sei se acertei, nem me interessa na verdade. O fato é que continuei blogando e vou permanecer nessa situação.

Não se aborreça, por favor. Você precisa relevar: sou quase um ancião, não aguentei os trancos das redes sociais e preciso escoar parte de minha tagarelice.

Este blog não era alimentado há mais de 100 dias, desde 30 de setembro de 2013. Não morreu de inanição. Nem eu. Por algum tempo não senti qualquer falta. Na verdade, não tenho lá uma ânsia para publicar conteúdos, mas voltarei sempre que der. Não farei promessas e você – se ainda estiver aí -, não mantenha grandes esperanças. Não sou como o notável e influente Dan Gillmor, que manifestou publicamente sua resolução para 2014 – lutar para impedir que os Estados Unidos se convertam num estado de vigilância plena de todos os internautas. Meus objetivos são bem menos ambiciosos.

Este blog vai continuar. Seja esta uma boa ou má notícia…

as entrevistas de assange em português

O jornalista e blogueiro Dauro Veras, em parceria com a Agência Pública, está publicando em seu DVeras em Rede a série O Mundo Amanhã, de 12 entrevistas em vídeo realizadas pelo fundador do WikiLeaks, Julian Assange. A série traz entrevistas com grandes nomes da política, cultura e pensamento para o canal de televisão russo RT. Cada capítulo tem cerca de meia hora de duração e será publicado pela primeira vez no Brasil com legendas em português no blog do Dauro às 18h das quartas-feiras. Aliás, começou ontem com o líder do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah.

Vá conferir!

2 mil posts depois…

Este blog existe desde maio de 2005 e há cinco anos está “pendurado” no wordpress, de onde já disparei 1999 posts. Este que o leitor tem diante dos olhos é o de número 2000, o que me impulsiona a pensar um pouquinho sobre o gesto de blogar. Desde que comecei, as coisas mudaram. No começo, escrevia quase que desesperadamente. Eram vários posts por dia, tentando dar conta das experiências online que ficavam cada vez mais ricas e múltiplas. O blog era efetivamente um diário de quem ricocheteava pela efervescente internet…

Não era à toa que eu havia escolhido batizar o lugar com um gerúndio. E não só: tinha optado por um verbo que está ligado ao olhar, ao capturar, ao vigiar… eu achava ser necessário monitorar o que estava acontecendo no universo das comunicações online, como se pudéssemos reter os movimentos.

Com o tempo, a frequência da escrita foi diminuindo, chegando à média de uma postagem diária, o que me levava a refinar o que poderia ser compartilhado. Assim, eu alternava posts mais pessoais com a replicação de conteúdos que julgava interessantes, como livros, filmes, músicas, eventos, vídeos. O diário compulsivo deu lugar a uma vitrine, uma prateleira de coisas úteis e interessantes.

A chegada de Twitter e Facebook, e o atoleiro de compromissos em que me meti desde 2011 têm feito com que o blog sofra algumas interrupções e fique meio à deriva. Já confessei que pensava até mesmo em desativar, por honestidade com alguns leitores ou mesmo pela simples tentação de não ter mais com o que se preocupar. Mas desisti. Gosto demais da possibilidade de ter uma frestinha na grande rede para soprar algumas das coisas que penso e julgo partilháveis. Talvez seja vaidade, talvez seja a teimosia da escrita. Talvez você, leitor, que me acompanha em algum momento, possa me explicar. Deixe o seu comentário então…

sete anos é um ciclo

Este blog completou sete anos de publicação no último dia 20. Eu ia escrever que são sete anos de publicação ininterrupta, mas se você passa por aqui com alguma frequência sabe que os posts têm ficado mais raros. A desculpa é a de sempre: absoluta falta de tempo. Desde que assumi uma montanha de compromissos profissionais – entre os quais a coordenação do Mestrado em Jornalismo na UFSC -, tem sido mais difícil levar esta second life de blogueiro. Já me queixei também se falta de motivação, mas o grande impedimento mesmo é a duração do dia. Ele curto demais.

De qualquer maneira, fica o registro. E pra não perder a mão, ofereço aos meus poucos (fiéis e insistentes) leitores um novo layout. Mais uma vez, fica o meu agradecimento pelo privilégio da sua visita.

ops! cancelaram o encontro de blogueiros

Sabe o Primeiro Encontro de Blogueiros e Tuiteiros de Santa Catarina, que aconteceria nos dias 9 e 10 deste mês?
Pois é, não vai ter.

Vejam a nota de cancelamento dos organizadores

Lamentamos informar que o Primeiro Encontro dos Blogueiros e Twitteiros de Santa Catarina está cancelado por problemas de planejamento e consequente falta de recursos para sua realização.

A ideia, porém, continua de pé. Neste espaço continuaremos a divulgar blogs do estado e notícias do interesse da população catarinense que não alcançam espaço na mídia tradicional.

Nossa luta por pluralidade de informações e pelo marco regulatório das comunicações continua, assim como a busca por qualidade e honestidade em nossas publicações.

Parceiros são bem vindos, o blog está aberto a colaboradores que queiram participar desta árdua batalha que é combater o pensamento único da mídia e sua relação simbiótica com o poder público catarinense.

Com pesar suspendemos o evento, mas continuamos com o projeto e se tudo der certo, teremos um grande encontro no próximo ano.

Aos inscritos, agradecemos a confiança e entraremos em contato por e-mail para maiores esclarecimentos.

A comunicação é um direito seu, participe desta luta que cresce em todo Brasil pela sua democratização!

blogueiros catarinenses, uni-vos!

(reproduzido do site da UFSC)

Estão abertas as inscrições para o “I Encontro dos Blogueiros e Twiteiros de Santa Catarina”.
O evento acontecerá nos dias 9 e 10 de março de 2012, no hotel e Centro de Eventos Canto da Ilha, localizado na Avenida Luiz Boiteux Piazza, 4810 – Cachoeira do Bom Jesus, Florianópolis-SC.
O objetivo do evento é debater o novo marco regulatório das comunicações e as ações regionais dos blogueiros catarinenses, que lutam pela criação do conselho de comunicação estadual e organização dos meios independentes de informação, os blogs e redes sociais.

Os convidados para a mesa principal, “Comunicação e Oligopólio em Santa Catarina”, são  Venício Lima, Professor Titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor, dentre outros, de “Regulação das Comunicações – História, poder e direitos”, Editora Paulus, 2011; e Rosane Bertotti, atual coordenadora nacional do FNDC (Fórum Nacional pela Democratização das Comunicações).

O custo da inscrição é de R$ 100,00, incluídas a estadia e alimentação nos dois dias de evento.

Para os participantes que não precisarem de estadia a inscrição é gratuita, sem alimentação inclusa. Basta enviar os seguintes dados através do formulário de contato no rodapé do site ou para o email contato@blogueirossc.com.br – nome completo, RG, telefone e e-mail para contato.

O evento é organizado pela estudante de economia da UFSC, Binah Ire, com apoio do professor Márcio Vieira de Souza, do curso de Tecnologias da Informação e da Comunicação do Campus de Araranguá.

Informações: binahire@hotmail.com ou http://blogueirossc.com.br

é, não tem jeito…

Fiquei semanas sem passar por aqui, cansado, desmotivado, aparentemente sem ter o que dizer. Acessei agora as estatísticas do blog na indisfarçável esperança que ele estivesse zerado, mas não. Ainda há quem por aqui passe. Me mostra que o blog resiste, apesar de mim. Bem, se não tem jeito, vamos adiante. Um passo à frente.

este blog subiu no telhado

Há semanas ando pensando sobre este espaço aqui.

Se você o frequenta, sabe que ele era atualizado com mais frequência, que era mais arejado. Mas isso mudou nos últimos meses. Antes, eu me angustiava porque não blogava. Depois, fui me convencendo de que a sobrecarga de trabalho simplesmente consumia todo ou quase todo o tempo que dispunha para o Monitorando. Hoje, tenho a consciência de que um certo abandono se deve também a outros fatores, como a desmotivação, o cansaço, o esgotamento físico e mental, um esvaziamento.

Será que cansei de brincar? Em que medida este espaço ainda é importante para mim?

Não tenho respostas definitivas, mas decidi compartilhar com você este sentimento de transe. Justo você que passa por aqui, que torna a atividade de blogar uma possibilidade não-solitária…

Ando sumido também em outros planos do ciberespaço. Tuito cada vez menos; passo pelo Facebook apenas para bater cartão; minha conta no Last.FM está coberta de teia de aranha…

Este post é uma despedida? Não, acho que não. Talvez seja uma preparação para isso. O blog me deu muitos prazeres, me conectou a pessoas muito legais, me permitiu conversar com gente de todos os tipos. O blog também trouxe problemas e dissabores, mas a vida tem disso também.

Em alguns momentos, para sacudir a poeira, eu fazia uma mudança visual no blog, apertava um parafuso aqui outro lá. As cirurgias plásticas resolvem epidermicamente, outras operações são mais delicadas, definitivas e quase sempre adiadas.

Tenho um motivo específico para essa elucubração toda? Não, não. A vida não precisa de motivos; ela precisa é ser vivida. Este blog pode ser atualizado com menos frequência ou simplesmente deixar de existir. O tempo dirá. Não me despeço nem agradeço a sua visita porque alguma coisa me diz que “voltaremos em breve com nossa programação normal”.

uso de mídia define gerações: será mesmo?

O Link, caderno de tecnologia de O Estado de S.Paulo, trouxe matéria sobre estudo da agência Adge/Magid Generational Strategies que apontaria uma ligação direta entre consumo de certas mídias por grupos etários em faixas de horário do dia. Quer dizer: o uso do meio ajuda a definir a sua geração. Típico caso de determinismo biotecnológico, fácil da gente “comprar” mas igualmente fácil de desbancar.

Veja a matéria aqui, o estudo aqui e um infográfico aqui.

Digo que a gente embarca nessa história com facilidade porque estudos deste tipo nos “ajudariam a explicar as mudanças pelas quais estamos passando nos últimos anos”, separando em gavetinhas as espécies de usuários e organizando a bagunça em que vivemos. Mas a coisa não é assim tão tranquila.

Se as gerações funcionam assim, como explicar os casos de velhinhos que estão nas redes sociais, que blogam, que se comunicam com seus netinhos pelo Skype, que postam suas fotos familiares no Flickr ou coisas do tipo? Como explicar que existem jovens usuários que não são necessariamente heavy users ou nerds de plantão, apesar de seus colegas serem? Eles são desvios da norma? São exceções à regra? Não se pode afirmar porque não há dados científicos que o coloquem dessa maneira…

Isto é, embora gostemos da piadinha que elogia as novas gerações por estas “virem software embarcado atualizado”, as formas de apropriação dos meios seguem regras que transcendem as biológicas: são culturais, sociais, contextuais, históricas. Quem dá bons argumentos nessa direção é o sagaz Clay Shirky, professor da Universidade de New York e autor de um livro inspiradíssimo: Cultura da Participação. Segundo Shirky, as gerações podem se diferenciar no uso dos meios não por aspectos inatos, ligados a sua genética ou coisa do tipo. Hiatos podem surgir entre elas por conta das oportunidades diferentes que elas têm de se apropriar de algo, de trazer isso para suas vidas e de transformar suas existências com essas novas chances.

O raciocínio de Shirky ajuda a explicar porque hoje milhões de pessoas – de todas as gerações – compartilham mais suas experiências nas novas mídias, articulam-se mais em torno de causas cívicas (ou não), buscam se organizar pela web e forçam a porta da participação nos meios convencionais. Temos atualmente mais oportunidades de fazer coisas que antes ficavam relegadas a grupos mais restritos. Temos capacidade de nos conectar mais rapidamente e mais facilmente a grupos de semelhantes, o que facilitaria trabalhar de forma coletiva. Não é, portanto, um fenômeno geracional; é histórico; é o momento. Segundo Shirky, temos os meios, os motivos intrínsecos para fazer isso e as oportunidades. Junte tudo, bata e coloque no forno. O resultado é o que o autor chama de “excedente cognitivo”.

Não disse que essa coisa do determinismo geracional era fácil de contrariar?

Não disse que as ideias do Shirky são interessantes?

tudo novo no monitorando

Certidão de nascimento: nosso Internet Blog Serial Number

Após exaustivas reuniões, infindáveis negociações e delicados ajustes, o monitorando entra em nova fase.

Criado numa data cabalística – 20/05/2005 -, o blog ficou inicialmente hospedado no UOL e dois anos depois migrou para o WordPress. Permanecemos no mesmo endereço, mas agora inauguramos domínio próprio – christofoletti.com -, o que permite que o visitante chegue aqui por mais atalhos.

Além do novo endereço, fizemos uma faxina nos links, filtrando inativos e desatualizados, e nos arriscamos a mais uma cirurgia plástica, adotando um novo template: Mystique, da digitalnature. Também reativamos páginas com conteúdos mais estáveis, como a de Artigos e Livros, e uma nova, com síntese biográfica.

Formalmente, o monitorando agora é um site. Mas o espírito continua de blog. Na verdade, hoje, não faz diferença ter site ou blog. Importante é estar online. Estamos aí!

jornalismo e redes sociais, o debate

Não deu tempo de avisar antes, mas não tem problema. Com a internet, pode-se recuperar muita coisa, até mesmo o debate “Redes sociais transformam o jornalismo?”, de que participei na quinta passada, 19, na Rádio Ponto da UFSC.

O debate aconteceu no programa “Jornalismo em Debate”, produzido por alunos de graduação e pós-graduação e parte da Cátedra Fenaj. Estiveram na bancada comigo o jornalista César Valente, do blog De Olho na Capital; o jornalista Alexandre Gonçalves, do Coluna Extra; e a Alexandra Zanela, editora do Diário.Com. Por telefone, participou o jornalista Douglas Dantas, do Sindicato de Jornalistas do Espírito Santo. A supervisão dos trabalhos foi de Valci Zuculotto e a mediação foi de Áureo Moraes, ambos professores da UFSC.

A conversa foi de alto nível e atiramos para vários lados: mudanças no perfil dos jornalistas, a participação do público, possíveis furos de reportagem pelas mídias sociais, fim do jornalismo, credibilidade dos meios, enfim, muita coisa interessante.
Ficou curioso? Então, ouça!

Bloco 1
http://www.video.cce.ufsc.br/radio/2011/2011.1.34.mp3

Bloco 2
http://www.video.cce.ufsc.br/radio/2011/2011.1.35.mp3

Bloco 3
http://www.video.cce.ufsc.br/radio/2011/2011.1.36.mp3

mais uma do maurício

Meu amigo Maurício de Oliveira tem “macaquinhos no sótão”, como diz o Ziraldo. Não para!
Por isso, na próxima sexta – 13 de maio -, quando a Ponte Hercílio Luz completa 85 anos, ele vai lançar nova edição de seu livro “Ponte Hercílio Luz: Tragédia Anunciada”. O evento acontece às 19 horas no estande da Editora Insular, na 4ª Feira Catarinense do Livro, no Largo da Alfândega, centro de Florianópolis.

Ele convidou os amigos, e eu reforço e espalho para os meus…

um radar sobre o jornalismo e a ética

Não tem chuva ou temporal que impeça: todos os sábados tem Radar objETHOS, uma coletânea de alguns dos links mais interessantes da semana sobre jornalismo, ética jornalística e assuntos afins. O serviço é uma publicação do Observatório da Ética Jornalística (objETHOS) e traz contribuições e links em português, inglês, espanhol e francês.

O desta semana pode ser acessado aqui. Mas você pode recuperar os demais por aqui. Sirva-se!

300 mil acessos e um novo endereço

Nossos sistemas acabaram de registrar que este blog já recebeu mais de 300 mil visitas desde que foi hospedado aqui no WordPress em 20 de maio de 2007. Isso é motivo de celebração e de agradecimento.

Começo pelo final, então: qualquer que tenha sido o motivo e a maneira que te trouxe aqui, obrigado pela visita. E se foi bem tratado, volte mais vezes. É sempre um prazer acompanhar as estatísticas e ver que os acessos são constantes, o que me dá a entender que o endereço (de alguma forma) se estabeleceu nesse oceano-web.

Para celebrar a marca, fiz uma cirurgia plástica no blog e estou decerrando a placa de meu site pessoal: www.christofoletti.com

Não, o Monitorando não está encerrando suas atividades.

Não, não republicarei lá o que faço aqui. Existem conexões entre uma coisa e outra, mas uma coisa é uma coisa; a outra coisa é outra, naturalmente.

Não, não darei prêmios e vantagens para quem visitar o site.

Então, por que ter mais um endereço? Para facilitar o trabalho dos meus biógrafos?
Não, apenas para eu ter um espaço um pouco mais estável e permanente com minha produção, meus projetos e outros trabalhos. É uma questão de sistematização, como quem arruma as próprias gavetas. No Monitorando, continuarei blogando com mais frequência; no site, estarão conteúdos mais sedimentados, mais cristalizados. Note, por exemplo, que as páginas livros e artigos que eu mantinha aqui foram parar por lá… Aliás, vá lá conhecer… E aqui, aproveite o novo visual…

ética para blogueiros

A definição de padrões de conduta para quem navega na web é um assunto bastante polêmico e recorrente. Desde o surgimento da grande rede, alguns cidadãos mais preocupados tentaram estabelecer algumas regras mínimas para uma convivência virtual. Surgiam as netiquetas, isto mesmo, no plural. Listinhas que tentam normatizar os comportamentos no ciberespaço existem aos montes, e de alguma maneira isso evoluiu para duas direções: a mais robusta delas é a das políticas de privacidade, algo mais institucional e corporativo e que tenta sinalizar ao visitante de um site alguns limites na sua interação com aqueles conteúdos e ambientes; uma segunda “evolução” das netiquetas são os códigos de conduta para blogueiros e redes sociais.

Já houve algumas tentativas de regramento das atitudes de blogueiros, mas todas elas ficaram ou muito restritas a grupos ou mostraram-se pouco eficientes. Trocando em miúdos: parece haver uma resistência maior da comunidade de usuários de estabelecer regras de conduta, receando que firmar um pacto como este possa “engessar” os blogs, cercear a ação de seus titulares.

Este medo é justificado? Talvez sim, mas não quero discutir isso agora. O que me interessa mesmo é trazer esse assunto à tona, já que ele me interessa bastante. Tanto como pesquisador da área quanto como blogueiro. E é aqui que eu queria chegar!

Códigos de ética para blogueiros são importantes? Podem ser.

São eficientes? Talvez.

São necessários? Ainda não sei, mas sei de uma coisa: não se pode conviver em grupo sem um conjunto mínimo de critérios e valores que sinalizem limites para os indivíduos. Sem isso, corremos o risco de atropelar as pessoas, ignorando aspectos importantes da sociabilidade humana. Não estou falando que todos os blogs devem seguir as mesma regras de ortografia, de distribuição visual de seus conteúdos, de oferecimento de links, etc.

Eu me refiro a aspectos mais profundos, a exemplo de valores como respeito a quem visita o blog, criatividade na oferta de conteúdos, inteligência na expressão de ideias, independência editorial, originalidade e inovação, entre outras coisas. Claro que cada um pode criar e manter o blog que bem lhe der na telha. Mas como qualquer meio de comunicação, um blog não pode descuidar daqueles que consomem seus conteúdos, que interagem com eles, que o replicam e por aí vai.

De maneira muito particular, tenho algumas regras no Monitorando:

a) Não reservo espaço para anúncios publicitários: tento “preservar” meu leitor da enxurrada de banners, pop-ups e outras interferências nos posts que tenham caráter comercial. A razão é muito simples: não ganha dinheiro com o blog e não tenho esta intenção. Ao me dedicar ao Monitorando, de alguma maneira, quero ter uma presença pessoal na web, estabelecer conexões com outras pessoas e ainda contribuir com algum conteúdo a este grande projeto de inteligência coletiva que é a web.
b) Não faço troca de links: o motivo é igualmente simples. Indicar um endereço na internet é como indicar um restaurante para um amigo, um hotel para um visitante, e por aí vai. Não pode ser qualquer indicação; é como empenhar a própria palavra. Existe uma responsabilidade embutida ali. Se alguém oferece um link, testo e vejo que vale a sugestão, indico, naturalmente. Mas trocar links não é só fazer uma ação entre amigos, é também estalecer uma reciprocidade compulsória, distante da espontânea indicação. Eu ainda prefiro a liberdade de escolher a quem indicar.
c) Não bajulo quem não mereça: as razões são as mesmas do item anterior.
d) Não ofereço links patrocinados: novamente, o que me desmotiva a fazer isso é a busca de uma independência editorial para o blog. Quero manter a liberdade que um blog me reserva. Nesta semana, por exemplo, fui procurado por um portal com a seguinte proposta: eu escreveria um post de até 300 palavras sobre um determinado assunto e me pagariam 25 euros por isso. Depois de escrever, eu deveria comunicar ao portal sobre o post, eles o cadastrariam e seria feito um vínculo entre meu post e o tal portal. Resumo da ópera: eu produziria conteúdo qualificado para o portal sobre o tal assunto e ganharia um dinheirinho. Declinei. Não se trata de pudor, não estou rasgando dinheiro, nem sou maluco. Mas é que prefiro escolher sobre o que escrever, quem linkar e quando fazê-lo. Prefiro ter a liberdade, inclusive, de citar esse caso, de falar abertamente sobre o tema. É uma questão de princípio, um

Sou melhor que os outros blogueiros? Claro que não.
O Monitorando é melhor que outros endereços por aí porque tem essas regrinhas? Claro que não, até porque os critérios que aferem qualidade são muito mais diversos, amplos e complexos.

Mas eu faço questão de criar limites para a minha conduta, de adotar essas regras e apresentá-las aos meus leitores. Acho mais honesto e franco, pois é nisso também que a internet se apoia, acredito eu. Mas mais importante que criar e seguir regras de conduta é pensar sobre elas. É nisso que consiste o raciocínio ético, é desta forma que se experimenta uma reflexão de caráter moral. Parece tão fora de moda, né? Mas que nada! Os valores e os princípios são uma necessidade da experiência humana, caminhos pelos quais nos aproximamos e nos afastamos uns dos outros.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

novos tuíters e blogueiros

Atualizei há pouco os mapeamentos que vimos fazendo sobre pesquisadores lusófonos da Comunicação que mantêm blogs e pesquisadores da área que estão no Twitter. A primeira lista já foi atualizada 45 vezes e agora tem 215 blogs de Brasil e Portugal. A segunda está na 40ª versão e conta com 360 tuíters.

Pesquisadores da Comunicação no Twitter: aqui

Lista lusófona de blogs da Comunicação: aqui

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

campus party corre perigo

Como nos três anos anteriores, a Campus Party Brasil conseguiu reunir milhares de aficionados por tecnologia, gerou mídia para as empresas do setor, movimentou um pouquinho as redações com pautas leves e popularizou o evento. Mas não parece ter ido além disso. Pelo menos foi o que percebi daqui, a 550 quilômetros. Sim, não fui a Campus Party este ano e acompanhei o evento pela mídia convencional e pelas redes sociais.

O que eu quero dizer? Quero dizer que, a exemplo do Fórum Social Mundial, a Campus Party Brasil corre perigo. Não de acabar ou de se desintegrar. Mas de se acomodar a ser apenas um evento, apenas um happening (empresto a palavra de Beth Saad). É claro que o FSM e a CP são ocasiões muito distintas em formato, alcance e propósito. Enquanto o FSM se propõe apresentar alternativas para uma alternativa global, principalmente no que tange aspectos econômicos, políticos e sociais, a CP é mais uma festa tecnológica, restrita aos países que a realizam. O FSM quer pensar e construir um novo mundo. A CP não necessariamente. Mas como posso compará-los?

Aproximo os dois eventos por considerá-los bastante importantes e oportunos. É realmente relevante debater soluções para os problemas da humanidade num momento de consumo exacerbado, de inchaço populacional, de impactos ambientais altamente agressivos, de injustiça social e de desequilíbrio econômico. Mas também é importante trocar experiências sobre tecnologia, apontar tendências de uso/apropriação de equipamentos e sistemas, debater impactos na sociabilidade e na comunicabilidade em tempos como os nossos. Daí que acho que a Campus Party – e o FSM – não podem se resumir a eventos que juntam tribos.

Há algum tempo, os organizadores do Fórum Social Mundial são cobrados pela mídia e por outros setores a apresentar resultados mais palpáveis das discussões. Questiona-se para onde o FSM leva; pergunta-se que “outro mundo possível” é este. Apesar de incômodas, essas perguntas são importantes, inclusive para que os organizadores revejam a trajetória do evento e trabalhem para que ele se mantenha importante e oportuno.

O mesmo vale para a Campus Party. Para onde ela vai? Para que direções aponta? O que é a Campus Party hoje além de uma ocasião geradora de mídia para as empresas de telefonia? Tem sido um momento de prospecção de talentos, de inovações, de empreendedorismo efetivo e influente? Ou, mudando um pouco o discurso, o que a Campus Party Brasil quer ser daqui a cinco anos?

É preciso se reinventar.

Eu sei que a CP é uma desconferência, um encontro mais informal e com propósitos mais amistosos. Isso por parte dos participantes. Não dos patrocinadores. Eles não querem apenas a amizade e a admiração dos milhares de nerds e geeks. Eles querem fidelizar suas marcas, querem ampliar seus públicos consumidores, querem se descolar dos concorrentes e se fixar no imaginário dos consumidores, de maneira que isso resulte em lucros e vitalidade empresarial. Os organizadores da Campus Party querem o que com o evento? Não sei dizer, mas gostaria muito de saber.

Diferente de há vinte anos, hoje, ser nerd é estar de alguma forma na moda. Há uma popularização do estilo geek de ser. Desktops, notebooks, netbooks, palmtops, smartphones, Iphones, Ipads e outras traquitanas estão se disseminando e facilitando usos variados. Eventos como a Campus Party são bem-vindos, mas não podem se limitar a ser vitrines; precisam ser arenas e laboratórios. Vitrines funcionam apenas como instigadoras do consumo; arenas permitem a discussão e o debate; laboratórios incentivam a busca de soluções. A Campus Party pode mais do que simplesmente reforçar o estereótipo de seus participantes – sujeitos sem vida social, afundados em seus computadores -, pode mais do que gerar imagens curiosas – como os computadores tunados – e pode mais do que criar mídia espontânea para construtores de máquinas e provedores de acesso. Se esta é a idade do conhecimento, se vivemos nas sociedades da informação, se os nerds estão no poder, se a tecnologia é uma determinante na distinção entre as civilizações do momento, penso que não é muito esperar mais do principal evento tecnológico do país…

para saber do rio, cadernos de reportagem!

Se você está interessante nos mais recentes acontecimentos que movimentam o Rio de Janeiro, não pode deixar de conhecer o Cadernos de Reportagem, um projeto do curso de Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense (UFF).
O blog foi criado há dois meses, é produzido pelos alunos do curso e coordenado pelos professores Ildo Nascimento e Sylvia Moretzsohn.
Jornalismo crítico e antenado.

mais de 300 pesquisadores no twitter

Se você é pesquisador da área da Comunicação ou se interessa por isso, não deixe de conferir nossa lista de perfis no Twitter. Já são mais de 300 contatos.

Temos também uma outra lista, agora com blogs de pesquisadores da comunicação dos países lusófonos.

Acesse e ajude a expandir!

mas, afinal, quem está blogando?

Lembra quando os blogs surgiram e os compararam a diários íntimos juvenis? Isso foi há pouco mais de dez anos, o que nesses tempos equivale a uma era inteira. O fato é que, hoje, o perfil do blogueiro está muito longe desse esteriótipo. O blogueiro médio é adulto, tem entre 25 e 45 anos, é homem, japonês e atualiza seu blog semanalmente, quase sempre por diletantismo. Esses dados podem ser conferidos nas pesquisas mais recentes sobre a blogosfera que hoje congrega algo em torno de 150 milhões de blogs, conforme relata Fernando Tellado no CiberPrensa.

Um infográfico produzido pela equipe do Infographiclabs.com para o The Blog Herald ilustra muito bem como a coisa está. Entre os dados que me chamam a atenção: o inglês não é a língua mais blogada; tem mais conteúdos em italiano e espanhol do que em português; blogs de notícia e tecnologia são os maiores do pedaço. Confira você mesmo!

ex-hacker existe?

Ao final da leitura de “Watchman – a vida excêntrica e os crimes do serial hacker Kevin Poulsen”, uma pergunta me martelou a cabeça: as pessoas podem mudar tanto assim?

Não que a biografia assinada pelo jornalista Jonathan Littman tenha me levado a pensar nisso. O livro conta como um adolescente norte-americano pacato, tímido e muito hábil se torna uma espécie de Inimigo Público Nº 1 nos Estados Unidos no começo dos anos 1990. Na década anterior, Kevin Poulsen era um gênio que se aventurava a hackear comunicações telefônicas, e em seguida passou a operar computadores se convertendo num impetuoso invasor de sistemas, acusado pelo FBI inclusive de espionagem.

Poulsen foi também o primeiro hacker a cumprir uma pena de prisão por seus atos – quase cinco anos atrás das grades – e ficou fora de circulação justamente no período em que a internet fervilhava, e novas gerações de hackers apareciam.

Mas como eu disse, não foi a leitura de sua biografia que me chacoalhou tanto. Foi juntar seu passado com sua atuação no presente. Poulsen deixou a cadeia em 1996, e passou a trabalhar com segurança online. Sua empresa chegou a ser adquirida pela gigante Symantec, e hoje Kevin Poulsen é ninguém menos que um dos editores-sêniores da Wired, a mais influente revista de tecnologia do mundo. O que é ter um ex-hacker na redação? O que teria feito com que Poulsen deixasse a adrenalina de seu cotidiano para “baixar a bola” e trabalhar com jornalismo? O tempo nos presídios o regenerou?

Na CampusParty deste ano, a organização trouxe Kevin Mitnic, outro lendário ex-hacker que cumpriu pena, deixou o “lado negro da força” e virou consultor de segurança. Assim como seu xará, Poulsen deixou tudo pra trás?

Alguém já me disse que “uma vez hacker, sempre hacker”. Isso porque o negócio nessa atividade não é dinheiro nem fama, mas entusiasmo pelo risco, respeito dos pares e outros valores de uma ética muito particular. Aliás, foi por conta da ética hacker que cheguei à biografia de Poulsen e venho estudando outros textos. Minha pesquisa sobre novos valores éticos que poderiam contagiar a prática jornalística esbarra na ética hacker e na presença de outros atores no cenário comunicativo contemporâneo. Mas a dúvida persiste: existe ex-hacker?

O que você acha?

pare tudo e veja esses 7 links

Fiz uma rápida faxina na gaveta de links, e esses aí embaixo não podem deixar de ser conferidos.

Aproveite!

o estupro, a denúncia, o jornalismo e as redes sociais

Na semana que passou um email explosivo se espalhou como rastilho de pólvora na Grande Florianópolis: adolescentes filhos de gente importante da mídia e da elite teriam violentado uma jovem na cidade. A denúncia se disseminou pelos porões da internet, sob a assinatura difusa de “mães do Colégio Catarinense”. Cocei os dedos para escrever sobre o assunto, mas não tive elementos suficientes para fazer uma análise mais equilibrada, mais detida, mais focada.

O César Valente fez isso hoje, e recomendo a leitura no blog dele.

5 anos monitorando

Hoje, este blog faz cinco anos de postagens ininterruptas. Criado no UOL, migrou há exatos três anos para o WordPress, e como estamos sendo muito bem tratados, por aqui devemos ficar por mais um bom tempo.

Em cinco anos, muitas coisas mudam, outras amadurecem. Para falar das mudanças, um post só não daria conta. Mas do lado de cá do teclado, permanecem dois sentimentos:

  • o entusiasmo pelo gesto e pelo estilo de vida blogueiro
  • e a imensa gratidão pela sua leitura

Beijos, queijos e caranguejos!

os nerds também amam

Amam, e se reproduzem!

Nas esquinas da Rede, acabei topando com um novo blog do Marcelo Träsel, voltado especificamente a sua nova condição: a de futuro pai. Fiquei feliz, pois é acima de tudo uma glória estar neste lugar. Fiquei feliz também pelo Träsel, que é um cara doce-raivoso, agridoce, destemperado… bem temperado!

Mas o título do blog dele – O pai nerd – me fez juntar as pecinhas que haviam caído no chão: os nerds estão se multiplicando. Träsel não é o único cara num “estado interessante”. Alex Primo está na fila e deve receber seu rebento no meio do ano… Em fevereiro, foi a vez de Raquel Recuero, e no ano passado (ou em 2008?) foi o André Lemos.

Tudo bem que ainda falta uma galera (adriamaral, gabizago, mcaquino, sandramontardo), mas um passarinho azul me contou que eles estão treinando…

O maior barato é imaginar que, daqui a uns 10 aninhos, esses filhotes estarão jogando spacegame, produzindo conteúdo colaborativamente, compartilhando experiências e olhando para a Rede de hoje como quem se detém diante de um jornal velho e amarelado…

para americanos, blogueiro = jornalista

Um estudo recentíssimo mostra que 52% dos blogueiros norte-americanos se consideram jornalistas. O levantamento é da PR Week e da PR Newswire. Essa sensação de equivalência era menor no ano passado: um em cada três blogueiros se achavam jornalistas.

Claro que cada caso é um caso, e que a pesquisa é concentrada no complexo ambiente dos Estados Unidos. De qualquer forma, os indicativos nos permitam pensar e discutir em torno das aproximações cada vez mais inevitáveis entre jornalistas e blogueiros. O combustível para essa atração e confusão de papéis atende pelo nome de Redes Sociais. Elas têm chacoalhado as relações profissionais não apenas na Comunicação, mas também na Educação.

Nas páginas finais de meu “Ética no Jornalismo”, eu projetava movimentos convergentes de uma ética jornalística tradicional e de uma ética hacker, cada vez mais influente. Está em curso. Aperte os cintos porque não é apenas a paisagem da janela que está mudando; nosso ônibus já não é mais o mesmo…

termine já a sua tese ou dissertação!!!

Recebi de minha amiga Marcia Benetti, e repasso por haver altíssimo valor científico…

Oração para “destrancar” trabalhos acadêmicos

Você está na reta final da sua tese ou dissertação?
Você sente que existe uma força misteriosa que tira seu ânimo?  Faz seu orientador adoecer ou sumir do mapa inexplicavelmente? Seu computador quebra ou é roubado com todos os seus dados e análises? Ou melhor, os seus dados não tem explicação??

Lamento ser o portador dessa má notícia, mas… VOCÊ TEM UM EXU TRANCA TESE NA SUA VIDA!!!

Esta é a corrente da Nossa Senhora Destrancadora de Teses. Você deve evocar esta novena toda vez que for vítima de alguma das artimanhas do “Exu Tranca Tese” ou se quiser apenas proteção contra essa entidade!!!  Então, toda vez que sentir necessidade, faça a seguinte oração:

“Nossa Sra. Destrancadora das Teses, em ti confiamos para a proteção contra o Exu Tranca Tese, nos proteja de: Queimação de pen drive; bibliografia em alemão; visita fora de hora; linha no word que não sobe com “del”; fotocopiadora quebrada. Dá-me: encontros com o orientador no corredor da Universidade e   livro emprestado com data de devolução pra 2050.

Ah, senhora, livra-me também das perguntas indiscretas, das dúvidas fora de hora, e das certezas idem. Ajuda-me a lembrar dos nomes dos autores e da   pronúncia deles, assim como do modo como se faz notação de revistas.
Nossa Senhora, livre-me de pensamentos acerca de minha tese durante meu sono. Que eu possa dormir o sono dos justos impunemente, sem que eu tenha que me levantar ou acender a luz para anotar insights invasivos que detonam minha mente quando preciso descansar para mais um dia de batalha! Que tais pensamentos venham na hora certa, quando me sento diante de meu PC e eu não me torne um zumbi.

Ó Senhora, desperta no meu orientador uma enorme vontade de ler minha tese. Que ele a leia com olhos vigilantes, para não deixar passar nenhuma monstruosidade, mas também com olhos piedosos, para me deixar enfrentar a banca. E que a banca, Senhora, me dê os apertos que achar necessários, mas que ao final assine a poderosa ata, redenção final dos meus inúmeros pecados.

Nossa Senhora, meu orientador insiste em dizer que a minha tese está, entre aspas, uma merda, mas eu sinto que a Senhora vai me dar uma luz bem forte e lançar como de um passe de mágica, artigos que abram meu cérebro tão debilitado por tamanha pressão.

Minha Santa querida, já que eu fiz esta escolha na minha vida e sinto na obrigação de terminar, me dá forças para não matar um, e que este “um” não seja o meu orientador, porque ele ainda precisa assinar a versão final!
AMEM!!!!”

E não seja egoísta, repasse esta mensagem imediatamente a todos os seus amigos e alunos que estão passando pela mesma pressão senão o Exu não vai te largar e você vai passar o resto da sua vida “quase” terminando sua tese.

twitter é jornalismo?

Hoje, notícias são como o ar; elas nos rodeiam, estão em toda a parte. As redes sociais radicalizaram essas possibilidades, e o Twitter – o recente maior fenômeno – ajuda a confundir o que é informação do que é jornalismo…

Conversação distribuída, notícia como experiência social, Twitter como ambiente jornalístico, todas essas ideias estão em “From TV to Twitter: how ambiente news became ambient journalism”, artigo do professor Alfred Hermida, veterano jornalista da BBC e hoje professor assistente da Escola de Jornalismo da University of British Columbia (Canadá).

Vale ler e pensar…

como as universidades usam redes sociais?

O jornalista espanhol Pablo Herreros mostra como as mais prestigiadas universidades do mundo estão usando redes sociais como o Twitter e o Facebook. Mesmo apesar da resistência de uns, da ignorância de outros e da incompetência de alguns.

Conforme Herreros, nas redes sociais, as instituições…

  • compartilham informações e notícias próprias;
  • explicam o que fazem;
  • conectando sua comunidade entre si;
  • retransmitindo eventos ao vivo;
  • criando conteúdos exclusivos;
  • permitindo a criação de blogs para alunos;
  • estreitando relações com alunos, professores e funcionários…

Enfim, aprofundando a especialidade das redes: relacionamentos.

Saiba mais aqui.

sobre livros e percursos

Existem livros que trazem consigo muito mais histórias que suas páginas contam. A trama, os personagens, as ações estão ali, mas o próprio-livro-como-coisa às vezes escreve narrativas a respeito de si mesmo.

Ontem, me deparei com um desses casos. Soube pelo Twitter que o André Lemos estava lançando o seu “Caderno de viagem: Comunicação, Lugares e Tecnologias”, um e-book gratuito sobre seu tempo de pós-doutoramento no Canadá. Fiquei curioso, baixei e depois me pus a olhar as mais de 300 páginas com um misto de curiosidade e encantamento. Quando percebi, já estava lendo, e devorando as páginas curtinhas, caprichadamente editadas para serem lidas com bastante conforto na própria tela do computador.

Lançado em vários formatos – inclusive para kindle e outros leitores digitais, com opção de impressão em papel -, o livro é interessantíssimo. Híbrido de diário de bordo, álbum de fotos inusitadas, e compilação de insights conceituais, “Caderno de Viagem” é atraente até mesmo para quem não quer saber do Canadá, não se interessa por traquitanas tecnológicas ou por quem sequer imagine quem é o seu autor. O livro interessa pois traça um mapa que reúne ideias muitíssimo importantes para todos nós, humanos: comunicação, cidades e caminhos.

Por isso e por outras razões, a gente consome o livro sem parar, em poucas horas. Seja motivado pelos mapas que o próprio André desenha de suas caminhadas pelas ruas de várias cidades; seja pelo que se pode imaginar desse narrador no momento de suas ações.

Produzido em meio a um ano sabático, o livro é um belo exemplo de como ciência e sensibilidade, narrativa agradável e pesquisa social, tecnologia e geografia se encontram. Aliás, não é que cairia bem se os editores lançassem uma versão em audiobook? É que aí, o “leitor” baixaria em seu IPod, e – caminhando – ouviria as páginas de André, tendo uma espécie de companheiro na jornada…

Como eu disse, o livro foi concebido num período sabático, aquele tempo em que artistas e intelectuais deveriam se devotar um tempo maior para maturar ideias e projetos, enfim, uma puxada de freio no campo das ideias e emoções. Que nada! Como o próprio André conta no livro, de sabático, o período não teve nada. Foi um tempo de muito trabalho, de muita produção, de muito empenho. O “Caderno de viagem”, que ele agora nos oferece, é apenas um dos muitos frutos desse ano no Canadá; desse período fértil, vieram artigos acadêmicos, palestras, capítulos de livros, comunicações científicas e até mesmo um filho…

Enfim, como eu disse no início, existem livros que têm suas próprias histórias. “Caderno de viagem” é um desses generosos casos…

***

Mas a vida nos atropela mesmo. E os livros com ela. Semana passada, encontrei em minha página no Facebook um recado inusitado de uma total desconhecida. Ela me contava que escrevia de Campinas (SP), onde havia ganho um livro com uma assinatura minha, seguido de uma data e uma localidade: 05 de outubro de 1992, Bauru.

A moça ficou curiosa diante do fato de que o livro continha outras marcas. Carimbos de um sebo de Itajaí (SC), mas o volume havia sido comprado em Ribeirão Preto (SP) por um amigo que a presenteara. A moça deve ter pensado: como esse livro veio parar aqui e quem é esse cara da assinatura? Entrou na internet e acabou me encontrando lá no Facebook (e em lugares não comentáveis aqui…).

O livro andou. Por caminhos que sabe-se lá quem determinou…

Este é mais um exemplo de como livros e percursos nos interessam, nos chamam a atenção. A ponto de a história que acabei de escrever ser até mais interessante que o próprio livro em questão. (A propósito, era um exemplar de “Comunicação em prosa moderna”, do Othon Garcia)

uma arca sem comandante: um desafio

Em novembro de 20o8, cidades do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, sofriam com enchentes, talvez as maiores da história naquela região. Chovia há dias sem parar e o solo encharcado não absorvia mais nada. A oscilação das marés impedia a vazão dos rios. A ocupação desordenada de morros e encostas e a impermeabilização dos terrenos foram outros componentes que ajudaram a produzir uma catástrofe que matou 135 pessoas.

Em Blumenau, um punhado de jornalistas, blogueiros e cidadãos comuns criaram o Alles Blau, um blog que conectou a cidade ao mundo, noticiando o que acontecia por lá quando os veículos convencionais de informação convulsionavam. Em Itajaí, um homem articulado e com um poder incrível de aglutinação criou uma rede social na internet que tinha como objetivo não apenas difundir informações, mas mobilizar a sociedade local para criar um efetivo sistema de defesa civil. O idealizador desta iniciativa é Raciel Gonçalves Jr., que tem um largo histórico de trabalho voluntário e de atuação em órgãos do poder público. A rede social era a Arca de Noé, evidente metáfora para um ponto de salvação diante de um dilúvio como o que testemunhávamos.

Desde o início, Raciel foi incansável: motivador, incentivador, concentrado e agregador. Criou para si um avatar, O Capitão, que moderava a rede, que a expandia e que convidava a tantos para não só subir ao convés, mas para integrar também a cabine de comando. Foi um belo trabalho!

Acabo de saber que O Capitão se demitiu. Não por cansaço ou por frustração. Mas porque uma rede social precisa ser descentralizada, precisa ter muitos nós operantes e planejantes, e porque o Raciel está assumindo novos desafios. A Arca de Noé está sem comandante, mas não está à deriva. Há muita gente por lá ainda e a força e a capacidade de trabalho e engajamento deles não há de fazer a arca parar. Modestamente, estive no convés algumas vezes, mas minha volta a Florianópolis naturalmente me afastou de Itajaí. Eu ainda sigo a Arca de Noé, sigo amigos e colegas em seus blogs e sites, e ainda tenho raízes na cidade-peixeira. Não poderia deixar de registrar minha admiração pelo trabalho de Raciel – a quem sequer conheço pessoalmente! – e não poderia deixar de torcer pela Arca. Que ela encontre um mar calmo, bons ventos e muitos entardeceres maravilhosos!

a brisa do coração

Um velho jornalista que não quer confusão. Um jovem impetuoso que não tolera a censura e a perseguição política. Um regime duro e intolerante. Uma canção inesquecível: “A brisa do coração”. É um emocionante Marcello Mastroiani no cinema; é um soberbo Enio Morricone nos arranjos; é a tocante Dulce Pontes na canção-tema…

“According to Pereira”, com direção de Roberto Faenza, é de 1995, e circulou pouco por aqui sob o título de “Páginas da revolução”. É um filme pra chorar e pra sonhar. Mesmo depois de quinze anos… Assista à canção…

blogs, twitters e um coletivo bloguístico

Rápido e rasteiro…

…a nossa lista lusófona de blogueiros da comunicação foi atualizada pela 37ª vez e está com 210 links quentíssimos

…a nossa lista dos pesquisadores da comunicação no Twitter já está na 21ª versão e conta com 260 nomes

… Charles Cadé acaba de inaugurar um coletivo de blogs, endereço que reúne atualizações de oito blogs (por enquanto!) que tratam de comunicação e cibercultura. É o Contexto Digital, que além deste Monitorando, congrega ainda os blogs OJornalista, o de Marcelo Träsel, o Mosca Branca, o Sam Shiraishi, o Tons de Azul, o Webmanário e o do próprio Cadé!

200 mil acessos!

Este Monitorando registrou hoje a marca de 200 mil visitas desde 20 de maio de 2007, quando adotamos este endereço.

Como é hábito por aqui, sempre que alcançamos alguma marca importante, prestamos contas:

  • Até agora, foram 1250 posts, incluindo este, e 2190 comentários.
  • O blog começou em 20 de maio de 2005 no UOL, mas dois anos depois na mesma data, migrou para o WordPress, onde está até hoje.
  • Nossa média de visitação diária está na casa dos 200 acessos.
  • O dia mais movimentado por aqui foi o 26 de novembro de 2008, com 2146 visitas. Foi um período difícil pois eu postava relatos pessoais sobre as enchentes no Vale do Itajaí, em Santa Catarina.

Nunca é demais agradecer as indicações, as visitas, os retornos, os links e em especial os comentários. É fato que muita gente transita por blogs, mas são poucos os que dão uma paradinha e deixam algumas palavras. Obrigado, obrigado, obrigado.

(Para celebrar os 200 mil acessos, o Monitorando passa a adotar o template de layout Vigilance, de The Theme Foundry)

3 ideias dispersas sobre pesquisas em blogs

Daqui a pouco participo de uma mesa que debate Cibercultura e as pesquisas sobre blogs e conversações, ao lado de Sandra Montardo, André Lemos, Henrique Antoun e com moderação do Sérgio Amadeu.

Minha curta fala vai se apoiar em três ideiazinhas sobre as pesquisas que se vem fazendo sobre blogs. Claro que os poucos minutos que terei não vão me permitir fazer um panorama da coisa, mas não é o que quero fazer, e sei que tem gente em melhores condições disso. Vou centrar meu foco nas pesquisas que se faz na área da Comunicação e mais detidamente no Jornalismo.

Primeira ideia: ao contrário do que se pensa no campo da Comunicação, a maior parte das pesquisas acadêmicas sobre blogs ou tendo blogs como suporte de visibilidade de fenômenos NÃO É FEITA NA COMUNICAÇÃO. Uma rápida pesquisa no Portal de Teses da Capes mostra que saem mais mestrados e doutorados em Linguística/Letras/Literatura sobre o tema do que em qualquer outro lugar. Essa diversidade abre portas para uma série de outros insights.

Segunda ideia: as pesquisas dos últimos oito ou nove anos sobre blogs ajudou a academia a perceber as crises contemporâneas no jornalismo. Se a queda maciça de tiragem nos jornais ainda não aportou no Brasil, o signo da crise só foi pairar sobre as cabeças dos pesquisadores da área graças à atenção que deram aos blogs como instrumentos de comunicação, difusores de informação e opinião. Os blogs, para os pesquisadores da Comunicação, deram o primeiro lampejo de uma crise existencial que se acomodou sobre as redações. Depois vieram as redes sociais, que só tornaram a situação mais aguda, o nervo mais exposto. Então, a pesquisa sobre blogs foi a ponta do iceberg de um novo continente que hoje se descortina na academia: a reflexão sobre o jornalismo, a sua natureza, as suas bases, e as mudanças que fazem tremer o seu chão. Não que isso não interessasse a pesquisadores antes, mas agora é bem evidente essa preocupação.

Terceira ideia: cada vez mais me convenço de que não estaremos pesquisando blogs daqui a dez anos. Não com o mesmo vigor. Não com o mesmo ímpeto. E talvez com um objeto de pesquisa totalmente reconfigurado. Quer dizer: acho que o blog é uma mídia de transição. Futurologia minha? Não, é apenas um palpite, uma pequena convicção.

Como disse, falarei desses três pontos daqui a pouquinho na Campus Party 2010. Se as ideias evoluírem e se assentarem, escrevo mais em seguida…

(Ficou curioso? Então, assista por aqui: http://tv.campus-party.org)

campus party, lá vou eu!

Como já adiantei, participo este ano da Campus Party.

Estou entusiasmado e ansioso para o debate “Cibercultura e pesquisas sobre blogs e conversações” ao lado da Sandra Montardo, de André Lemos, do Henrique Antoun e com moderação do Sérgio Amadeu. Havia preparado uma fala mais acadêmica e chatérrima. Ontem, uma vozinha interior me aconselhou a mudar o tom. Revisei meus pontos e espero não fazer ninguém dormir a partir das 14 horas…

Alinhavei duas ou três ideias sobre a pesquisa brasileira sobre blogs e sobre jornalismo, a área em que me sinto mais confortável para falar. Devo comentar um pouquinho do que se vem fazendo em termos de pesquisa mais longas no país em outras áreas também, como na Educação, na Comunicação e em Letras/Linguística/Literatura. Não preparei nenhuma provocação, mas talvez as duas ou três ideias que eu compartilhe na mesa causem alguma reação.

Escrevo mais sobre isso na sequência…

tem mais gente de mudança

Não sou o único a desencaixotar a vida nesses dias… meu camarada Dauro Veras também está de endereço novo. Enquanto adoto um novo CEP físico – agora em Florianópolis -, Dauro se muda para o wordpress e para um domínio próprio. Aqui, a bagunça está diminuindo, mas por lá, as coisas já estão bem arrumadinhas.

Felicidades, meu caro!

campus party, eu vou!

São Paulo sedia mais uma vez o maior evento informal da internet do país e um dos maiores do mundo, a Campus Party. Planejei participar nos últimos dois anos, mas por uma série de fatores não pude estar no lugar onde todas as mentes se conectam, todos os downloads são possíveis e onde a taxa de upload demonstra que a internet é mesmo mais criativa e compartilhadora do que qualquer outro projeto humano.

Por isso, estou bastante feliz com a perspectiva de estar no meio de milhares de campuseiros. Como estou em processo de mudança, apenas darei um pulinho por lá, mas quero postar alguma coisa seja por aqui ou pelo twitter. Participarei do painel “Cibercultura e pesquisas sobre blogs e conversações” ao lado da Sandra Montardo, de André Lemos, do Henrique Antoun e com moderação do Sérgio Amadeu. O convite partiu do Edney Souza que explica no vídeo abaixo como estará a programação da área de blogs…

Se você quer saber mais, acesse o site do evento (aqui), acompanhe o blog da Campus Party (aqui) ou ainda consulte a agenda (aqui).

2010 já é!

O ano que começa hoje já começou antes do seu primeiro minuto. Começou num pensamento furtivo, numa esperança que me escorreu dos dedos, num sonho que alimentei outro dia. 2010 já é. Pessoalmente, inicio o ano e a nova década muito bem. Depois de seis anos, retorno à cidade mais maravilhosa do mundo: Florianópolis. Retorno em definitivo, espero, à cidade que viu meu filho nascer, me viu sorrir sem dó pra vida, me recebeu como a um nativo.

Inicio 2010 na cidade que amo, no emprego em que sonhei, com a mulher que desejei, e com o astral batendo no Everest. 2009 foi bom, 2010 será melhor. Se os céus puderem me ouvir, faço três pedidos: saúde, paz de espírito e bom humor.
Tudo isso pra mim e para os que me rodeiam. O resto, bem, o resto xácomigo!

2010 terá feriados, dias ensolarados, noites maravilhosas, e pra completar vai começar numa sexta, feriado, e com lua cheia.
Quer mais?

Feliz ano novo, leitores!

(Este blog pode ficar fora do ar nos próximos dias por problemas de conectividade)

este blog não parou…

Se você é um dos seis ou sete leitores que me acompanham por aqui deve ter notado que não tenho postado nada há quase uma semana. Calma. Não arranque seus cabelos, não cometa nenhuma loucura, não recorra ao Procon. Este blog não parou.

Só estou tentando terminar um dos semestres mais agitados da “história defe paif”…

Já, já, eu volto.

blogosfera policial e direitos humanos para mídia comunitária

Dois estudos bem interesantes caíram na rede nos últimos dias: um trata de blogs de policiais brasileiros ou com abordagem policial, e outro é uma cartilha sobre direitos humanos para comunicadores comunitários.

Os estudos foram produzidos pela UNESCO, Oboré e Centro de Estudos sobre Segurança e Cidadania, da Universidade Cândido Mendes.

Baixe A Blogosfera Policial no Brasil: do tiro ao Twitter aqui!

Baixe Direitos Humanos na Mídia Comunitária aqui!

não é descaso não…

Se você é um dos poucos leitores fiéis deste blog deve ter notado que ele ficou às moscas por alguns diazinhos… Não é descaso não, viu? É absoluta consumição…

Sim, aproveitei o feriado prolongado e fugi com a família. Foram dias ótimos para recarregar as baterias, aprumar a cabeça e voltar a viver com intensidade cada dia. Quando retornei na terça, ontem, fiquei sem contato internético em casa o que quase me deixou louco com o provedor do serviço. Com uma montanha de coisas por fazer e sem comunicação com o mundo exterior, só podia estressar mesmo…

Pois hoje retomei a vida louca, e na medida do possível estou respondendo emails, lendo feeds, e até mesmo fazendo vazar um ou outro tweet. Normalizarei em breve. Inclusive este blog. Tenha dó e paciência…