O Brasil responde hoje por 1,7% da produção mundial em ciência e tecnologia. É pouco, eu sei. Mas já foi pior. Outro dia, passamos Suíça e Suécia nessa corrida.
Este índice se refere à quantidade de artigos publicados em periódicos internacionais indexados em importantes bases de dados. Estados Unidos e Japão estão à frente. Por várias razões: têm políticas científicas perenes e consistentes; os investimentos vêm das empresas também; e as áreas de Ciência e Tecnologias (C&T) e Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) são consideradas prioritárias, estratégicas.
Nos países da vanguarda científica, pesquisadores são muito bem tratados: contam com tempo para se dedicar, com infra-estrutura para trabalhar e até mesmo com incentivos financeiros.
Por aqui, a coisa vai caminhando nessa direção, mas a passos bem mais lentos. O governo Lula anunciou enxurrada de recursos (R$ 41 bilhões até 2010), concedeu aumento para bolsas e tem universidades que até dão prêmios para quem publica em revistas respeitadas lá fora. É o caso da Unesp, que lançou um programa que dará R$ 15 mil às equipes de pesquisadores que publicarem artigos na Science e na Nature, as mais proeminentes publicações do gênero. Na Unicamp, os 20 melhores professores do ano recebem prêmios de R$ 25 mil. Na Federal de Viçosa, o pacote de incentivos prevê pagamento por serviços de tradução e medalha anual conferida ao pesquisador de maior destaque da instituição. Em dez anos, a UFV aumentou sua produção científica em 640%!!
No Paraná, o governo aumentou em 25,7% o orçamento da pasta de Ciência e Tecnologia, o que significa contar com R$ 694 milhões por ano.
Aqui em Santa Catarina, o prefeito da capital lava as mãos e a pesquisa com cobaias é proibida. Na esfera do governo estadual, dia 15, sai a nova lei de inovação, que vai criar um conselho estadual para a área. Apesar disso, as torneiras parecem entupidas: recursos ainda não foram repassados para pesquisadores contemplados em editais e prêmios…
Mais detalhes no Jornal da Ciência.