Imprensa ainda hesita diante das mentiras do presidente

O presidente da República reuniu 70 embaixadores estrangeiros para mais uma investida ao sistema eleitoral brasileiro. Hoje, 19 de julho, os principais jornais do país reconheceram que foi mais um ataque, mas apenas um deles teve a coragem (bom senso? senso jornalístico?) de dizer que ele mentiu… aliás, a Folha de S.Paulo também publicou editorial com o seguinte título: “Presidente golpista: Bolsonaro barganha com Congresso liberdade para atacar a democracia; isso tem que acabar”.

Nas capas dos jornais que juntei, destaque também para o Correio do Povo, que trouxe uma foto que traz mensagem subliminar sobre os apoiadores de Bolsonaro.

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Inaceitáveis 500 mil mortes

O Brasil alcançou hoje, 19 de junho de 2021, ao trágico marco de meio milhão de mortos oficiais por Covid-19.

Não podemos normalizar essa ferida escancarada.

Não podemos aceitar que famílias se dilacerem, se dissolvam, se esfacelem.

Não queremos mais mortes que poderiam ser evitadas.

Jair Bolsonaro é o maior responsável por chegarmos a este cenário dantesco. É o presidente da República, a autoridade que deveria liderar o combate à doença, o ocupante de cargo público que deveria apontar caminhos para enfrentarmos a pandemia.

Por incompetência, inabilidade, descaso, despreparo, insensibilidade e perversidade, Jair Bolsonaro pouco ou nada fez. Não é o único responsável por tantos cadáveres, mas é o maior responsável. A ausência de liderança, de uma política pública nacional nos trouxe até aqui.

Que os cidadãos deste país e que as instituições que compõem isso que resta de sociedade possam ter a dignidade e a força para responsabilidade Jair Bolsonaro e todos os outros que, por ação ou inação, produziram esse genocídio.

Regina Casé e a invisibilidade das mulheres pobres

Ouvi a Branca Vianna entrevistar Regina Casé e Sandra Kogut sobre “Três Verões”, filme que elas fizeram e que estreia em março. Regina vive Madá, uma personagem que pode fazer lembrar da Val de “Que horas ela volta?” e de Lurdes, de “Amor de mãe”. A exemplo das outras duas, é mais uma mulher com mais de 50, suburbana, forte, periférica, e que está imprensada pela luta de classes. As semelhanças param por aí, concordam Branca e Regina. E Regina explica de uma maneira espetacular: as mulheres pobres estavam tão invisibilizadas que agora, quando aparecem, parecem todas iguais. Parte do público que ignora a sua existência pensa que não há nuances entre elas, e há muitas!

A entrevista foi para o podcast Maria Vai Com As Outras, da revista Piauí. Você pode ouvir o episódio aqui.

E um trailer do filme tá aqui:

O governo exterminador das universidades

Acaba de sair a edição nº 147 do Primeira Pauta, jornal-laboratório do curso de Jornalismo do Ielusc, de Joinville. Me convidaram para escrever um artigo sobre os cortes orçamentários na educação.

O resultado é este aqui:

Um governo exterminador das universidades

Os cortes de verbas, bolsas de estudo e investimentos na educação brasileira são a pior política que o governo federal pode ter para a área. Esta opção compromete a formação de uma geração inteira na medida em que sucateia escolas e universidades, desestimula professores e funcionários, e degrada o nível de conhecimento de uma nação que já ambicionou um dia ser uma potência global.

Quando o governo decide fechar as torneiras, mostra para a população e o mundo que educação não é prioridade na sua visão de país, e, com isso, ignora a obscena injustiça social que corrói o presente e o futuro do Brasil. Os cortes são profundos no orçamento deste ano e eles prometem ser mais drásticos ainda em 2020. Eles afetam a educação superior, a fundamental, e a própria ciência, pois a tesoura não discriminou laboratórios e institutos de pesquisa. Está também seriamente afetado o programa de livros didáticos e a formação de professores, e universidades deixarão de pagar contas de água, energia elétrica, telefone e segurança. Restaurantes universitários, que vendem comida a preços populares a estudantes de baixa renda, fecharão suas portas, e hospitais universitários vão restringir o atendimento à população carente. Milhares de bolsas de estudo em diversos níveis deixarão de existir, e teremos não só estudantes em início de formação, mas também cientistas de ponta sem recursos para trabalhar. Livros deixarão de ser comprados, computadores continuarão quebrados, salas de aula não serão reformadas, e um conjunto impressionante de pesquisas fundamentais para o país poderão ser interrompidas de imediato.

Já tivemos governos que congelaram salários de professores, que retiveram verbas e que deixaram de investir no setor. Mas já tivemos também governos que aumentaram a participação da educação no orçamento da União, que expandiram a rede de universidades e que implementaram políticas para ofertar vagas a camadas historicamente deseducadas. O governo Bolsonaro não se parece com nenhum de seus predecessores. Orgulhosamente, considera educação um gasto e não investimento; é uma gestão que desdenha da pesquisa, abomina o conhecimento e desconsidera o avanço tecnológico produzido no país. O governo Bolsonaro parece seguir uma agenda de extermínio das universidades, pois sufoca professores e estudantes, cientistas e qualificados servidores técnicos. É, portanto, negacionista, obscurantista, e perverso, pois impede que a sociedade usufrua dos benefícios que a educação pode trazer para suas vidas.

Pessoalmente, resisto à ideia de que todo governo detesta escola. O argumento é que a educação permite que o povo se emancipe e seja mais crítico ao governo. Ora, a história está cheia de exemplos que provam o contrário. O Japão ficou em frangalhos depois da rendição no final da Segunda Guerra Mundial e só se reergueu após investir quarenta anos em educação de qualidade. A Coréia do Sul se tornou um importante player tecnológico porque escolheu o desenvolvimento por meio da educação. A China despeja bilhões de yuans no setor, e até mesmo empresas privadas criam as próprias universidades para formar e qualificar sua mão-de-obra. Na Europa, as universidades existem desde o século XI e são motivos de orgulho continental, e até no norte da África elas existem há milênios. Aliás, as instituições de ensino mais antigas do mundo em funcionamento estão na Tunísia, no Marrocos e no Egito!

Atravesse o oceano e veremos que os Estados Unidos atraíram algumas das mentes mais brilhantes da Europa nas décadas de 1930, 1940 e 1950, tornando-se um pólo de desenvolvimento científico e tecnológico global, ao mesmo tempo em que injetavam caminhões de dinheiro nas universidades que hoje são as mais prestigiadas do mundo.

Em resumo, os governos não odeiam a educação; pelo contrário, convertem-na numa estratégica alavanca de formação de recursos humanos qualificados, visando resolver problemas do setor produtivo e da sociedade, o que resulta em duas coisas: desenvolvimento e soberania. A educação não liberta apenas pessoas, mas emancipa também países. À medida que cria produtos e serviços, que se organiza e avança no conhecimento, que desenvolve soluções, um país se torna menos dependente dos outros. A soberania é essa chave de independência que dá maioridade às nações, e as afasta de desigualdades que fragilizam a sua própria paz. Um exemplo próximo é a Venezuela, que tem as maiores reservas de petróleo do mundo, mas sofre com uma crise econômica que esmaga a maior parte de sua população. Fatores políticos também interferem, é verdade, mas o fato é que a Venezuela extrai de suas terras quantidades colossais da maior riqueza do planeta, mas refina muito pouco, vendendo o óleo cru. Investir em tecnologia de processamento fez com que os países do Oriente Médio se destacassem no mercado mundial, e isso tem a ver com educação e ciência! É uma escolha!

Ao asfixiar o sistema de ensino público e gratuito, o governo Bolsonaro não só extermina o nosso futuro, mas ataca o presente. Afeta a qualificação profissional e aumenta a dependência brasileira de soluções estrangeiras. É, no mínimo, um projeto entreguista! Pode-se perceber ainda que acabar com as universidades federais é ruim até mesmo para as particulares, pois boa parte de sua mão-de-obra foi formada na rede pública. Então, se destruir as universidades é um negócio tão ruim, por que o governo federal está fazendo isso? Bem, responder a essa questão também depende de estudo e pesquisa. Percebe a gravidade da coisa?

Desinformação e eleições: uma publicação digital

A Artigo 19 acaba de lançar uma plataforma digital que junta reflexões e recomendações sobre desinformação, liberdade de expressão e eleições. A publicação digital traz ainda casos ocorridos na campanha eleitoral de 2018 no Brasil, episódios de ameaças a comunicadores, e entrevistas com especialistas. Entre os oito capítulos, um específico sobre WhatsApp…

Acesse aqui.

Comunicação e direitos humanos, uma cartilha

A Associação Henfil e a Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania de Minas Gerais lançaram uma cartilha sobre comunicação e direitos humanos. A publicação é gratuita e pode ser baixada aqui.

Na cartilha, o leitor encontra textos sobre democracia, concentração dos meios de comunicação, fake news e a necessidade de democratização da comunicação. No final, há também um roteiro de oficinas para serem livremente replicadas e adaptadas para diversos contextos, para além dos Geraes…

Uma série brasileira sobre jornalismo, ética e poder

Contracapa mostra uma equipe de jornalistas de um jornal impresso enfrentando situações de risco ao investigar um esquema de corrupção no Brasil. A série tem 12 episódios e estreou no dia 21 de janeiro na TV Brasil e TV Educativa Paranaense. Com criação de Rafael Waltrick, direção geral de Guto Pasko e produção de Andréia Kaláboa, Contracapa deve ter uma segunda temporada, informa a GP7 Cinema.

Uma newsletter sobre lei de acesso à informação

O Fiquem Sabendo, projeto independente com objetivo de revelar informações de interesse social e que o poder público não divulga, acaba de lançar a primeira newsletter nacional especializada em Lei de Acesso à Informação (LAI). A newsletter se chama Don’t LAI to Me, é quinzenal, de graça, e “tem tem como objetivo criar uma rede para fomentar a transparência pública e o controle social”.

Nela, notícias, exemplos de reportagens feitas com base na lei de acesso e dicas preciosas para QUALQUER UM usar seu direito e solicitar informações de caráter público na sua cidade, estado ou mesmo em órgãos federais.

Esta é mais uma iniciativa jornalística, mas que marca uma nova fase do projeto. Se o Fiquem Sabendo foi criado para ser um portal de notícias sobre temas como transparência e direito à informação, agora, ele passa a ser uma agência de dados, conforme explica Maria Vitória Ramos. Aliás, a Fiquem Sabendo é ela, Léo Arcoverde, Luiz Fernando Toledo e Matheus Moreira, jovens repórteres com experiência em farejar histórias por trás de dados opacos e escondidos.

Em tempos que prometem ser sombrios para a sociedade, com ocultação de informações e um perverso ambiente de negação do jornalismo profissional e de propagação de desinformação, vale muito a pena assinar a Don’t LAI to Me. Por aqui, por favor!

Comércio de dados pessoais no Brasil: um relatório

Os coletivos Tactical Technology e Coding Rights acabam de publicar um importante relatório sobre o comércio de dados no Brasil. Nesses dias pré-eleição, o tema do momento é a avalanche de fake news, mas há mais coisa acontecendo bem debaixo do nosso nariz.

Um resumo pode ser conferido aqui, e a íntegra do estudo, aqui.

Enquanto isso, Tim Cook – o poderoso da Apple – reconhece que privacidade não tem sido uma prioridade lá no Vale do Silício.

 

Manual do Pobre de Direita

1. O pobre de direita é uma classe numerosa de pessoas, que abrange não apenas os que nada têm, mas também a classe média que pensa que tudo pode.

2. Se você não tem avião próprio, escolta particular e depende do salário para pagar suas contas e seus luxos, não se engane! Você não é rico e tem uma grande vocação para ser pobre de direita.

3. Ser pobre de direita traz poderes especiais a alguém. A pessoa não tem sexo, não tem cor, nem condição social. É por isso que o pobre de direita se acha igualzinho ao rico.

4. O pobre de direita é, portanto, um estado de espírito, um jeito de pensar, agir e conspirar contra si mesmo. Ele faz isso com um sorriso no rosto de quem pensa ser mais esperto que os demais.

5. Apesar de já não ser atendido pelo Estado, o pobre de direita é a favor do estado mínimo, pois pensa que acabar com o Estado vai melhorar a sua vida.

6. Altamente resistente e adaptável, o pobre de direita está em toda parte e, mesmo assim, consegue ficar invisível, já que ele só se manifesta em momentos-chave da vida nacional. Nem sempre para melhorá-la, é verdade.

7. O pobre de direita se seduz com candidatos valentões, pois esses são espontâneos e falam as verdades que ninguém quer ouvir. O pobre de direita adora quem diz a verdade.

8. A esta altura, o pobre de direita já parou de ler este texto. Ele detesta verdades sobre si mesmo.

9. O pobre de direita é politicamente conservador. Ele luta com todas as forças para conservar a situação que o oprime.

10. O pobre de direita vive em bandos, mas pensa e age individualmente. Seu umbigo é o centro da galáxia e a consciência de classe só atrapalha seus planos.

11. O pobre de direita engrossa o coro de ataque aos direitos humanos. Embora os direitos humanos reafirmem direitos civis para a busca da igualdade, o pobre de direita não gosta deles. O pobre de direita é um humano que é contra os direitos humanos.

12. Portar armas de fogo e “se defender” é um dos sonhos do pobre de direita. Mesmo que ele não saiba atirar, não tenha dinheiro para comprar armas e, se as tiver, vai atirar em outros pobres. Os ricos estão a salvo da sua mira.

13. O pobre de direita defende o bolso do patrão. Afinal, a economia tem que estar necessariamente favorável para quem o emprega (e o explora) e não necessariamente para o pobre de direita.

14. O pobre de direita vive em fila de banco, é constantemente humilhado na porta giratória, paga taxas altíssimas, mas se emociona com a propaganda do banco na TV.

15. Não se pode reclamar da sua humanidade: o pobre de direita é solidário. Vota com o patrão. Quer ser como ele e trabalha antecipadamente para plantar as condições políticas que possam beneficiá-lo no futuro. Mesmo que isso não aconteça.

16. O pobre de direita não quer que a pobreza acabe. Quer mantê-la para quando for rico, continuar a ver outros pobres sob seus pés. Como já foi muito explorado, o pobre de direita sabe fazer isso como ninguém.

17. Espontaneamente, o pobre de direita não se envolve com política. Por isso, boicota os sindicatos, desdenha dos partidos progressistas, e mesmo assim deseja que as coisas melhorem.

18. O pobre de direita perde a paciência rapidamente com os governos de esquerda. Com os da direita, tem uma complacência infinita.

19. O pobre de direita simula isenção, mas descarrega votos na direita. Seu mantra predileto é: “tudo farinha do mesmo saco”.

20. O pobre de direita intriga a ciência como o Monstro do Lago Ness e o Pé Grande. Com um detalhe: o pobre de direita existe.

Fenaj quer que presidenciáveis se comprometam com estatuto do jornalismo

[reproduzido do site da organização]

Em carta aberta, Federação dos Jornalistas defende o Jornalismo como base da democracia e pede aos candidatos a presidente do Brasil um novo marco regulatório para o setor das comunicações, a ser construído a partir de uma nova Confecom.

Carta aberta aos candidatos à Presidência da República.

Jornalismo integra a base da democracia

Introdução

É obrigação dos candidatos ao cargo de maior importância da República apresentar ao povo o plano de governo que pretende implementar, caso eleito. As propostas a serem debatidas, por necessidade, devem tratar dos grandes temas nacionais e, em especial, dos assuntos que são da competência da União.

O setor das comunicações, entretanto, tem sido esquecido. Não há propostas a discutir; não há reflexões sobre o passado, o presente e o futuro. Esse “esquecimento” é proposital e revelador: não mostra a pouca importância do setor, mas a omissão histórica dos governos brasileiros em relação às comunicações, área estratégica para a vida cultural, política e econômica de qualquer nação.

A Constituição brasileira confere à União – e somente a ela – a exploração e/ou organização dos serviços de telecomunicações e da comunicação social. A exploração desses serviços está majoritariamente nas mãos da iniciativa privada, mas o governo federal não pode deixar de cumprir o seu papel de ser o organizador e fiscalizador do setor, sob pena da prevalência de interesses privados sobre os interesses públicos, como tem ocorrido historicamente.

Assim, o governo federal deve se responsabilizar pelas políticas para a área das comunicações que, em determinados aspectos, é essencial para a garantia da soberania nacional. Também deve assumir a tarefa de fortalecer o sistema público de comunicação, em especial a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), fortemente atacada no atual governo.

A FENAJ, por ser a entidade máxima de representação dos jornalistas brasileiros, chama a atenção especialmente para a Política de Comunicação Social, na qual o Jornalismo deve estar inserido. E reafirma sua reivindicação para que o país se debruce sobre o tema, visando a construção de um novo marco regulatório para o setor e reforça os aspectos que devem ser observados, conforme documento (anexo) do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), do qual a FENAJ é integrante.

O papel do Jornalismo

A ênfase da FENAJ ao Jornalismo brasileiro justifica-se pela natureza da entidade e, principalmente, em razão da importância do Jornalismo para a constituição da cidadania, elemento fundante da democracia. Sem cidadãos e cidadãs com conhecimento da realidade imediata e capacidade de formulação de juízos não há debate público real nem tomada de decisões conscientes.

O Jornalismo surgiu de uma demanda social das sociedades republicanas, assentadas nos valores da liberdade, igualdade e fraternidade. A princípio, foi o local das manifestações de grupos que defendiam causas específicas. Mas evoluiu; deixou de representar interesses particulares (ainda que justos) para tratar dos interesses coletivos. O Jornalismo passou a defender o interesse público, compreendido como o interesse da maioria.

Mas a mercantilização da informação e o predomínio de grupos econômicos na produção da notícia trouxe novas mudanças, frutos dos tempos atuais. O Jornalismo passou a defender os valores desses novos tempos: redução da presença do Estado; defesa do mercado como condutor das coisas econômicas e políticas; desregulamentação do setor financeiro e das relações de trabalho, e outros preceitos neoliberais.

O que se tem, na atualidade, é a imposição do interesse privado sobre o público, a desconstituição da política como mediadora das relações humanas e sociais, a negação e a criminalização dos movimentos sociais e a defesa do lucro como finalidade última das atividades humanas.

O Jornalismo presente, quase sempre, não defende o interesse público, o interesse da maioria. E não trabalha para que a maioria perceba quais são, de fato, os seus interesses.

Mas essa não é uma condição inexorável; é uma construção humana, de uma época, e que pode/deve ser novamente mudada. O Jornalismo não está condenado à falácia e à manipulação e os jornalistas podem mostrar, com sua prática profissional, que é possível informar à sociedade, reportar fatos, promover o debate de ideias e dar aos cidadãos e cidadãs condições de formar seus juízos e agir em sociedade.

É preciso, ainda, reforçar o papel a ser desempenhado pelo sistema público de comunicação, em especial pela EBC, para a produção de um Jornalismo paradigmático, que sirva de referência para a sociedade.

Para o desenvolvimento do Jornalismo brasileiro e para que os jornalistas tenham garantidas suas condições de trabalho e autonomia intelectual. A FENAJ propõe que o presidente eleito:

– Após aprovação pela Confecom, apresente projeto de lei para criação do Estatuto do Jornalismo Brasileiro, como um dos mecanismos de controle público para garantia da qualidade da informação jornalística difundida pelos veículos de comunicação social, sejam impressos, audiovisuais ou digitais.

– Encaminhe ao Congresso Nacional projeto de lei para criação e implementação do Conselho Federal de Jornalistas, para promover a autorregulamentação profissional, a partir do Código de Ética do Jornalistas Brasileiros (proposta já aprovada na 1ª Confecom).

Uma nova Confecom

É grande o déficit democrático no setor da comunicação social no Brasil, a começar pela concentração da propriedade dos meios nas mãos de poucas famílias ou grupos econômicos. Essa concentração permite o monopólio da pauta dos debates públicos, com interdição de temas e de grupos sociais.

Na área das telecomunicações, há uma desastrosa política de desnacionalização que precisa ser revertida, assim como há a necessidade de fortalecimento da Telebrás, como empresa pública do setor, capaz de garantir a universalização dos serviços.

Também é urgente a adoção de uma política de universalização do acesso à banda larga para que toda a população brasileira, independentemente de seu local de moradia e condição social, tenha acesso à internet.

Todos esses temas, além do Jornalismo e da produção cultural, devem ser objeto de amplo debate nacional para que haja, de fato, uma construção democrática de um novo marco regulatório para o setor das comunicações.

A primeira Confecom (Conferência Nacional de Comunicação) foi realizada com êxito, no final de 2009, e resultou em 672 propostas aprovadas. Mas não houve seguimento nas ações.

A FENAJ defende que o presidente eleito convoque uma nova Confecom, como ação inicial para a construção de um novo e democrático marco regulatório para o setor.

Brasília, 27 de setembro de 2018.

Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ.