Manual do Pobre de Direita

1. O pobre de direita é uma classe numerosa de pessoas, que abrange não apenas os que nada têm, mas também a classe média que pensa que tudo pode.

2. Se você não tem avião próprio, escolta particular e depende do salário para pagar suas contas e seus luxos, não se engane! Você não é rico e tem uma grande vocação para ser pobre de direita.

3. Ser pobre de direita traz poderes especiais a alguém. A pessoa não tem sexo, não tem cor, nem condição social. É por isso que o pobre de direita se acha igualzinho ao rico.

4. O pobre de direita é, portanto, um estado de espírito, um jeito de pensar, agir e conspirar contra si mesmo. Ele faz isso com um sorriso no rosto de quem pensa ser mais esperto que os demais.

5. Apesar de já não ser atendido pelo Estado, o pobre de direita é a favor do estado mínimo, pois pensa que acabar com o Estado vai melhorar a sua vida.

6. Altamente resistente e adaptável, o pobre de direita está em toda parte e, mesmo assim, consegue ficar invisível, já que ele só se manifesta em momentos-chave da vida nacional. Nem sempre para melhorá-la, é verdade.

7. O pobre de direita se seduz com candidatos valentões, pois esses são espontâneos e falam as verdades que ninguém quer ouvir. O pobre de direita adora quem diz a verdade.

8. A esta altura, o pobre de direita já parou de ler este texto. Ele detesta verdades sobre si mesmo.

9. O pobre de direita é politicamente conservador. Ele luta com todas as forças para conservar a situação que o oprime.

10. O pobre de direita vive em bandos, mas pensa e age individualmente. Seu umbigo é o centro da galáxia e a consciência de classe só atrapalha seus planos.

11. O pobre de direita engrossa o coro de ataque aos direitos humanos. Embora os direitos humanos reafirmem direitos civis para a busca da igualdade, o pobre de direita não gosta deles. O pobre de direita é um humano que é contra os direitos humanos.

12. Portar armas de fogo e “se defender” é um dos sonhos do pobre de direita. Mesmo que ele não saiba atirar, não tenha dinheiro para comprar armas e, se as tiver, vai atirar em outros pobres. Os ricos estão a salvo da sua mira.

13. O pobre de direita defende o bolso do patrão. Afinal, a economia tem que estar necessariamente favorável para quem o emprega (e o explora) e não necessariamente para o pobre de direita.

14. O pobre de direita vive em fila de banco, é constantemente humilhado na porta giratória, paga taxas altíssimas, mas se emociona com a propaganda do banco na TV.

15. Não se pode reclamar da sua humanidade: o pobre de direita é solidário. Vota com o patrão. Quer ser como ele e trabalha antecipadamente para plantar as condições políticas que possam beneficiá-lo no futuro. Mesmo que isso não aconteça.

16. O pobre de direita não quer que a pobreza acabe. Quer mantê-la para quando for rico, continuar a ver outros pobres sob seus pés. Como já foi muito explorado, o pobre de direita sabe fazer isso como ninguém.

17. Espontaneamente, o pobre de direita não se envolve com política. Por isso, boicota os sindicatos, desdenha dos partidos progressistas, e mesmo assim deseja que as coisas melhorem.

18. O pobre de direita perde a paciência rapidamente com os governos de esquerda. Com os da direita, tem uma complacência infinita.

19. O pobre de direita simula isenção, mas descarrega votos na direita. Seu mantra predileto é: “tudo farinha do mesmo saco”.

20. O pobre de direita intriga a ciência como o Monstro do Lago Ness e o Pé Grande. Com um detalhe: o pobre de direita existe.

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  2. gustavo_horta

    Republicou isso em Gustavo Hortae comentado:
    😏😏😏😏 QUER UMA LEITURA INTELIGENTE? OLHA O QUE ESCREVEU A DANI CRONEMBERGER 👍👍

    PORQUE #ELENÃO – Dani Cronemberger
    > https://gustavohorta.wordpress.com/2018/10/02/porque-elenao-dani-cronemberger/

    > https://quadradobrasilia.com.br/eu-acho/querida-familia-por-que-elenao/

    “Querida família, queridos amigos,

    Por isso, achei necessário explicar por que a questão “o Coiso” atinge meu corpo e minha mente com tanta dor. Você não é obrigado a ler, claro. Mas se tiver apreço por mim e quiser entender onde me dói, vou tentar te explicar.

    …Dito isso, vou falar sobre a hipótese de segundo turno entre Haddad e “o Coiso”. E começar dizendo o quão absurdo é colocar esses dois candidatos no mesmo patamar. Eles não são duas faces da mesma moeda. Eles não são comparáveis. Simplesmente porque “o Coiso” não está no mesmo nível, como pessoa capaz de governar e especialmente como ser humano, de nenhum outro candidato destas eleições. No campo político oposto a Haddad estão Alckmin, Amoêdo, Meirelles. E eu votaria em qualquer um deles, qualquer um, contra “o Coiso”. Ainda que eu fosse totalmente contra o partido, suas bandeiras e prioridades. Porque não tem comparação.

    E por que não? São tantos motivos que não sei por onde começar, juro. Mas acho que bastaria dizer um: o grande herói, o grande ídolo deste homem é um torturador. Eu gostaria muito de parar por aqui, porque queria acreditar que esta é uma razão suficientemente grave, que vai muito além da política e do nosso sistema político corrompido. O meu primeiro choque, e minha primeira dor, surgem neste ponto: isso não é suficiente para que fique claro que “o Coiso” é a pior opção, seja qual for o seu opositor. Então, não posso parar por aqui. Preciso continuar argumentando.

    O grande herói e ídolo deste homem foi o primeiro agente da ditadura a ser reconhecido como torturador pela Justiça brasileira. É responsável por pelo menos 45 mortes e desaparecimentos – ou seja, execuções sem direito a defesa ou julgamento judicial. Carlos Alberto Brilhante Ustra espancou e aplicou choques em uma mulher grávida de 7 meses. Colocou mulheres e homens em pau-de-arara, aplicou eletrochoques em lugares diversos de seus corpos, incluindo mamilos e órgãos genitais, submeteu pessoas a afogamentos, palmatória e espancamentos. Levou duas crianças (de 4 e 5 anos) para assistir seus pais torturados, nus, sujos de vômito, fezes, urina e sangue. Este é o herói de um candidato à Presidência. Mas preciso continuar argumentando.

    Queria muito ter parado no parágrafo onde falo sobre tortura. Mas é preciso argumentar mais e mais. E isso me dói, porque não se trata de política.

    Abraço,
    Dani”

    Nota: ao longo do texto, em cada citação feita pela autora do nome do Coiso eu, por minha conta, alterei para “o Coiso”.

        • Roberto Sais

          Gustavo, não se importe. Se tem coisa que a direita (e, por conseguinte, o pobre de direita) detesta é arte e cultura. Chegam a xingar artistas com a frase gasta: “A mamata vai acabar, você vai ter que trabalhar”. Aqui, além da pena, sempre há uma questão objetiva: o fruto do trabalho do artista é sempre visível, audível. E nenhum dos repetidores desse clichê conseguiu até hoje me responder onde está o resultado do trabalho de quase 30 anos do candidato que apoiam à Presidência. E continuam propagando a ideia de que se trata de um investimento tão vão quanto prejudicial ao País. Adianta argumentar que arte e cultura são chaves, elas abrem mentes, fazem refletir e questionar? Não, porque nesse espelho está o verdadeiro horror a olhos que se impõem antolhos (tapas, em alguns lugares). Nem mesmo se perguntam por quê em outros países desenvolvidos esse tipo de investimento do Estado também existe, seja na forma de desoneração, seja por meio de desconto em impostos do setor privado. Mas, pensando bem, pensar para quê, pensam eles. Seguem em sua cavalgada, em seu “turn down for what”, em sua “mitagem” cega e infeliz. Continuemos na boa luta.

        • Adilson dos santos

          Entendeu sim!!! Vc talvez tenha se perdido pelo caminho. Volte e acerte o passo ao certo compasso.

          • gustavo_horta

            Se você está dizendo que eu entendi, você deve me conhecer melhor do que eu mesmo… Você deve estar certo, deve ter razão, mas eu não concordo com você, ao que parece, em nada .

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