Marcado: tecnologia

Vazam os seus dados, mas quem recebe a indenização é…

Segundo a Reuters, a Uber vai pagar US$ 148 milhões – mais ou menos R$ 500 milhões – por conta do vazamento de informações de 57 milhões de usuários. O acordo foi fechado entre a gigante de tecnologia, o governo federal norte-americano e os 50 estados daquele país. O incidente aconteceu em 2016, mas a empresa não reportou o ocorrido às autoridades, ocultando o problema inclusive dos usuários.

Foram 10 meses de investigação e se descobriu, por exemplo, que foram expostos 600 mil números de carteira de motorista. Dos 57 milhões de pessoas afetadas, pelo menos 196 mil eram brasileiros, informa o Convergência Digital.

O dinheiro vai todo para os governos estaduais e federal. Sim, isso mesmo! A Uber recolhe os SEUS dados, os deixa vulneráveis a ataques e usos não previstos, os SEUS dados são expostos, e a indenização não vai para as vítimas de violação.

Isso é um senso de justiça, no mínimo, bizarro!

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Vamos falar de monopólios?

A rigor, monopólio é quando uma empresa ocupa todo o espaço num mercado, só ela oferece um certo produto ou serviço. Veja o caso dos correios no Brasil: é um monopólio estatal, previsto na Constituição, e que restringe outros players de entregarem correspondências ou cartões de natal…

Mas em algumas partes do mundo, monopólio não é só quando há apenas um jogador na partida. Monopólio é quando esse jogador fica tanto com a bola que não permite que seus adversários se divirtam e sequer sonhem em ganhar o jogo…

Que tal dois exemplos? Amazon e Facebook.

> Na Motherboard, Stacy Mitchell explica como a gigante criada por Jeff Bezos vai além dos livros que a gente compra: Como funciona o monopólio trilionário da Amazon que muitos fingem não ver.

> Na Wired, Emily Dreifuss mostra como Facebook é um monopólio social, afinal, ele é grande demais para deletar.

O Círculo decepciona muito no cinema

A versão cinematográfica de O Círculo chega aos cinemas esta semana, e se você leu o livro de Dave Eggers, cuidado! O filme pode te enfurecer. Listo algumas das decepções que tive:

  1. Um personagem central na trama é reduzido a tal ponto que quase se torna uma peça do cenário. Acreditem, Ty não é só o carinha enigmático do campus, é parte da argamassa do suspense criado naquelas páginas.
  2. Aliás, o ator escalado para Ty é muito, mas muito mais jovem do que o original. E isso não é um detalhe se lembrarmos que ele faz parte do trio criador de O Círculo…
  3. E cadê a química existente entre ele e Mae?
  4. E por que os realizadores aliviaram tanto a carga de crítica a empresas como Facebook e Google? Não quiseram colidir contra os gigantes?
  5. E por que criaram aquele finalzinho feliz? Para que relaxemos ainda mais em nossas redes sociais, e entreguemos mais e mais os nossos dados pessoais nos sites em que navegamos?

Sim, perderam uma chance de ouro para oferecer um filme que discuta as relações complexas e contemporâneas de nossos usos e apropriações tecnológicas. Sim, poderia ter sido mais um filme inteligente e sensível como Her. Mas as câmeras ficaram apaixonadas pela excelente Ema Watson…

Jornalismo, hackers, cypherpunks e Wikileaks: um debate

Já está disponível a íntegra do debate “A reconfiguração do jornalismo investigativo e a Influência do Hacktivismo, do Movimento Cypherpunks, e do Wikileaks”, que aconteceu no finalzinho de agosto em Recife. O evento foi uma promoção do Núcleo de Pesquisas em Tecnologia, Lei e Sociedade do Centro de Informática da UFPE. Foi muito bom discutir e refletir com a professora Carolina Dantas de Figueiredo (UFPE) e com o professor e jornalista Luiz Carlos Pinto (Unicap e Coletivo Marco Zero Conteúdo). Tivemos a mediação do professor Ruy de Queiroz (CIn/UFPE).

Sobre Florianópolis e a inovação no jornalismo

Tenho uma visão preocupante e a ao mesmo tempo otimista quando o tema é jornalismo. Preocupante não apenas pela crise das empresas do setor, mas também pelas muitas mudanças culturais pelas quais a nossa profissão tem passado nas últimas três décadas. Otimista justamente pela potencialidade do que tais mudanças podem provocar em termos de aperfeiçoamento e correção de rotas.

Um post do Alexandre Gonçalves no seu Primeiro Digital acabou me provocando. Ele se pergunta “Por que Florianópolis não é a ‘capital da inovação’ do jornalismo?”. Ele menciona uma característica que a cidade e seu entorno exibem: uma indústria consolidada de tecnologia e seus recursos humanos altamente qualificados. E exorta que jornalistas, veículos e esse promissor e influente segmento econômico dialoguem, buscando formas inovadoras de apresentação de conteúdos e mesmo de modelo de negócio.

Para além do fetiche que a expressão “capital da inovação” causa por aqui – e pelo que conheço do Alexandre, ele foi irônico -, eu gostaria de apimentar mais as coisas, pois quando se trata de inovação, estamos falando não apenas da obssessão pelo novo, mas acima de tudo, pelo busca do diferente e do inconformado. A inovação é um processo, um conjunto de ações e esforços para não fazer do mesmo, na tentativa de fazer melhor. A inovação também ajuda a fertilizar uma cultura dinâmica de desapego, de empreendimento e – cuidado com o palavrão! – de risco.

As empresas jornalísticas e os profissionais da área estão dispostos a correr riscos? Quais? E suportariam quanto?

O Alexandre Gonçalves conhece melhor as empresas locais de tecnologia do que eu, mas alimento uma desconfiança de que esse setor não esteja assim tão aberto ao jornalismo. Isso implica em formar parcerias e elas só se forjam quando há interesse mútuos e cambiáveis. Neste sentido, será mesmo que a indústria tecnológica de Florianópolis precisa do jornalismo que aqui é produzido? Será que depende dele? Será que iria se beneficiar com ele e com seus profissionais?

Essa minha desconfiança se apoia na observação dos fatos. Os grandes monstros da tecnologia global têm se aproximado do jornalismo tão somente para vampirisá-lo. Facebook e Google fazem isso. Não porque se importem ou se interessem por jornalismo. Eles estão atrás de conteúdos que atraem usuários, que carregam consigo dados e mais dados. Facebook não é uma rede social, é uma empresa de dados. Google não é uma páginas amarelas da web, é uma empresa de dados. Jornalismo, mídia ou entretenimento têm mostrado nos últimos dois séculos que comportam em si condições de atrair a atenção das pessoas, e é dessa maneira que os grandes conglomerados tecnológicos mundiais veem. O jornalismo é uma oportunidade.

Numa escala bem menor – Florianópolis -, não seria o mesmo?

Agora, vamos inverter a equação. O jornalismo que se pratica por aqui depende de nova tecnologia? É dependente dela? Iria se beneficiar com ela e seus desdobramentos?

Não arrisco respostas fáceis. Minhas questões têm um propósito simples: colocar em xeque o fascínio que construímos em torno das soluções tecnológicas como se nossa existência e subsistência dependessem delas. Será mesmo? Não estaríamos nós transferindo a terceiros a necessidade de alcançarmos melhores patamares de apuração e apresentação de conteúdos, de interação com públicos, e de sustentabilidade financeira?

Sim, a cidade tem potenciais incríveis, é verdade. De um lado tem um pólo tecnológico inovador, atuante, produtivo e agressivo. De outro, a região oferece pelo menos quatro opções de formação superior em Comunicação, sem contar o único Doutorado em Jornalismo no país, e uma quantidade respeitável de veículos e profissionais na área. No meio disso tudo, há quem empreenda. É o caso do Barato de Floripa, do Desacato, do Estopim, do Maruim, do Catarinas, e do Farol Reportagem, que chega hoje à rede, sedento por fazer coisas. Essas iniciativas ainda não se consolidaram, mas estão erguendo pilares se não de inovação tecnológica, mas de oferta alternativa de informação. Há outros coletivos e empreendimentos surgindo e essa efervescência só melhora o ambiente de discussão, formulação e implantação.

Numa rede de pesquisadores em torno do projeto GPS-JOR, estamos mapeando o cenário, coletando dados e discutindo modelos de governança, formas de financiamento e arranjos produtivos que transcendam a imagem única e poderosa que se consolidou no mercado: a empresa. É possível pensar em jornalismo de qualidade e que seja sustentável, para além de como funciona uma empresa jornalística? Como isso pode ser feito? Quem ganharia com isso? Quem estaria conosco nessa? Afinal, isso também não é uma forma inovadora de se ver o jornalismo?

Transformações no jornalismo: quer que desenhe?

O pesquisador José García Avilés junta num único post oito infográficos que mostram de forma clara, contundente e direta as muitas mudanças pelas quais passa o jornalismo. É um ótimo exercício de síntese para uma equação complexa e dinâmica.

Trocando em miúdos: economia da atenção + crescimento constante das redes sociais como fonte de informação + redução do papel dos meios impressos + consequente reinvenção desses meios + explosão dos ganhos de publicidade dos gigantes da internet + preferência do mobile + retorno do “textão” + fortalecimento do vídeo na web.

Para ver na íntegra, clique aqui.

arte, ativismo e tecnologia da comunicação

(Reproduzindo…)

Permanece aberta a chamada para a seleção de artigos a serem publicados nas seções Dossiê e Conexões da segunda edição de 2014 da Revista Contemporânea, publicação acadêmica eletrônica semestral e interdisciplinar do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (PPGC/UERJ).
Edição no 24 – Dossiê Arte, Ativismo e Tecnologias da Comunicação – 2014/2
Este número reunirá artigos que discutam as relações entre arte, novos ativismos sociais e práticas participativas na contemporaneidade. Interessam-nos trabalhos que privilegiem: as principais transformações no mundo contemporâneo abarcando as problemáticas no âmbito cultural e tecnológico; análises e interpretações sobre a relação e a simbiose entre a sociedade e as tecnologias de informação e comunicação; os processos identitários contemporâneos fruto desses novos processos sociotécnicos; bem como o crescimento de iniciativas colaborativas de coletivos e o surgimento de novas cenas sociopolíticas culturais no espaço urbano. O que se propõe é reunir um conjunto de artigos que reflitam sobre: o papel significativo das redes sociais para a construção de experiências socioculturais; os usos artísticos das tecnologias de comunicação para realizar novas formas de ação política; as novas práticas de ativismo e ações críticas nos espaços públicos e na internet; e, finalmente, as ações críticas de artistas que, por meio de tecnologias de comunicação, apresentam formas de participação e colaboração, mesclando arte e ativismo.
Prazo para os artigos: 30/09/2014.
Mais informações aqui

um mapa nacional da mídia digital

Mapeamento da Mídia Digital no Brasil imagesgstsAcaba de cair na rede um estudo amplo e aprofundado sobre os meios digitais no país. “Mapeamento da Mídia Digital no Brasil” é uma iniciativa da Open Society, assinado por Pedro Mizukami, Jhessica Reia e Joana Varon. Tem oito capítulos espalhados em 173 páginas que tratam de consumo, relações com a sociedade, jornalismo, tecnologia, negócios e formas de financiamento, leis, regulações e políticas. Em linguagem clara, com textos analíticos e recorrendo a diversas fontes, o estudo merece leitura atenta e muita discussão. Tem mais: está bem atualizado, já que a ele foram adicionadas informações sobre o Marco Civil da Internet, aprovado e sancionado em abril passado.

Acesse aqui. (em PDF, em português e com arquivo de 7,6 Mega)

pesquisa vai mapear hábitos de jovens internautas

Screenshot 2014-08-13 05.23.35Uma rede de pesquisadores de todos os estados brasileiros está colhendo informações sobre as práticas de consumo e participação de jovens internautas de 18 a 24 anos.

O estudo é desenvolvido pela Rede Brasil Conectado por meio de um formulário eletrônico para a Pesquisa Nacional Jovem e o Consumo Midiático em Tempos de Convergência, sob coordenação da professora Nilda Jacks. O quesionário tem perguntas sobre o uso de redes sociais, dispositivos móveis e aplicativos,  e vai permitir comparar resultados entre as regiões, compondo também um cenário da realidade brasileira.

Para participar, basta acessar: www.redebrasilconectado.com.br

nem tudo tem um link

desplugadoEm tempos de conectividade total, uma história me divertiu semana passada. Quem contou foi o jornalista Ariel Palacios, correspondente de O Estado de S.Paulo e da GloboNews na Argentina. Ele estava em um local público e “pescou” uma rápida discussão entre pai e filho, que discordavam sobre algo. O pequeno teimava, argumentando que sabia do que estava dizendo, afinal tinha visto aquilo na internet. O pai não hesitou e mandou uma frase certeira:

Filho, nem tudo na vida tem um link!

o mundo, daqui a 50 anos

A vida estará melhor em 2064?

Até lá, a ciência terá resolvido nossos maiores problemas?

O futuro será como realmente sonhamos?

Essas perguntas devem martelar as cabeças de todos. Mas o PewResearch Center e a Smithsonian Magazine acabam de publicar um estudo que traz alguns dos resultados do que pensam os norte-americanos sobre o futuro e a ciência nos próximos 50 anos.

Ficou curioso? Não fique mais. Acesse aqui. (em inglês, em PDF, 18 páginas, arquivo com 301 Kb)

cadê a privacidade que estava aqui?

Capa_PoliTICS_16_100x133Se você é daqueles que andam bem cabreiros quando navegam na internet, vale a pena estar muito informado sobre as principais discussões sobre privacidade e segurança de dados. Existe muita coisa por aí que merece ser conhecida e lida, e uma lista de leituras obrigatórias seria sempre muito limitada. Por isso, nem me arrisco a fazer, até porque por mais que estude o assunto, ainda tenho muito a aprender sobre a tal coisa…

De qualquer forma, me atrevo a indicar a leitura do mais recente número da revista poliTICs, editada pelo Nupef, que circula gratuitamente e pode ser lida tanto em papel quanto em PDF.  O número em questão traz três artigos muito importantes. O professor Pedro Antonio Dourado de Rezende, de Ciências da Computação da UnB, aponta caminhos para se entender melhor as denúncias de espionagem e vigilância global, hipertrofiadas com as ações de Edward Snowden. De quebra, faz um “afago” ao ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.

O cultuado ativista Cory Doctorow chacoalha a cadeira para falar de marcos regulatórios para proteção de dados na União Europeia. Você não mora por lá? Não importa. Se algo de grave acontecer do outro lado do Atlântico, o que garante que as ondas não cheguem aqui?

E se você pensa que “privacidade” é apenas manterem seus dados guardadinhos quando você acessa algum site, abra a cabeça com o artigo de Koichi Kameda e Magaly Pazello, pesquisadores do Nupef, que abordam a segurança de dados sobre a saúde das pessoas num ambiente hiperconectado como o nosso.

E já que estamos falando nisso, por que não conferir Os arquivos de Snowden, o livro do jornalista Luke Harding, do The Guardian, sobre o delator dos megaesquemas de espionagem dos EUA? Lendo a trajetória do jovem analista de segurança terceirizado da NSA, dá pra ver como resta quase nada do que chamávamos de segurança na navegação e privacidade…

previsões para o jornalismo em 2014

mae-dinah-foto

mãe dinah…

Não tenho bola de cristal, mas há quem tenha. Vale a pena conferir o que alguns dos principais produtores, teóricos e críticos do mundo têm a dizer sobre o jornalismo em 2014. Vale a pena também retornar a este post em janeiro de 2015 para conferir quem acertou e quem fracassou miseravelmente… (marque na sua Google Agenda)

O site britânico Journalism.co.uk lista dez tendências (um resumo em português aqui, com o Newsgames):

  • Mobile e design responsivo
  • Conteúdo geolocalizado
  • Redes sociais privadas
  • Jornalismo feito por drones
  • Vídeos curtos
  • Análise de dados e audiência em tempo real
  • Windows phones
  • Tecnologia “vestível”
  • Notícias “antecipatórias”
  • Publicidade nativa

O Nieman Journalism Lab publicou uma série especial sobre o assunto, ouvindo 52 especialistas, que vão de Amy Webb a Alfred Hermida, passando por Rick Edmonds e Michael Schudson. Tem chute pra todo lado, mas há ideias bem instigantes (confira aqui).

Mas se você ainda não virou a página e ainda está em 2013, não tem problema. The New York Times juntou um punhado de ótimas reportagens multimídia e interativas que você pode ver aqui (sem pressa nenhuma).

o jornalismo para além de sua indústria

O clichê mais desgastado do jornalismo é que ele está mudando muito e rapidamente.

Enquanto quase todo o mundo repete o mantra, alguns alongam a vista e lançam opiniões, previsões e análises. Tem de tudo! Há quem preveja dia, mês, ano e horário em que os jornais pararão de circular; há os que se apeguem às rotativas e às broadcasting com todo o fervor; e há ainda os que culpam as redes sociais pelo colapso da cultura, da civilização e de toda a humanidade.

No mar dos profetas, volta e meia, aparece quem tenha algo robusto e interessante a dizer. Foi assim no ano passado quando C.W. Anderson, Emily Bell e Clay Shirky produziram um alentado relatório sobre o tema para o Tow Center for Digital Journalism da Escola de Jornalismo da Universidade Columbia, uma das mais prestigiadas do mundo. Sob o título “Jornalismo Pós-Industrial”, o documento é o que os autores chamaram de um ensaio para tentar entender o que se passa no mundo do jornalista, entre os profissionais e organizações a que se dedicam a isso, e ao entorno (o que é mais impressionante!).

O documento tem 60 páginas em média e pode ser acessado na íntegra (em PDF e em inglês aqui ou em espanhol aqui). Uma versão para o português foi especialmente traduzida por Ada Félix para a Revista de Jornalismo ESPM. O Observatório da Imprensa reproduziu essa versão em capítulos, que você pode acessar aqui: Introdução (Adaptação aos novos tempos), capítulo 1 (Os jornalistas), capítulo 2 (As instituições), capítulo 3 (O ecossistema) e conclusão (Movimentos Tectônicos).

O jornalista Carlos Castilho, colunista do Observatório, publicou em seu blog dois posts que oferecem um bom resumo do documento (aqui e aqui), mas se você é jornalista, pesquisador, estudante da área ou apenas um interessado no assunto, NÃO DEIXE DE LER o trabalho de cabo a rabo. Claro, faça os devidos descontos: foi elaborado a partir de referências e especialistas norte-americanos e reflete o estado da coisa por lá; é composto por análises, mas também por uma boa dose de futurologia; não tece considerações a longo prazo (sabiamente!); não tem caráter científico, embora se apoie em alguma metodologia… Particularmente, senti falta também de ponderações mais amplas e aprofundadas sobre aspectos éticos na profissão e para os usuários em geral, mas isso é uma cisma minha…

De qualquer maneira, “Jornalismo Pós-Industrial” é hoje uma leitura obrigatória para a área. Não chega a ser um mapa que nos guie para fora da alardeada crise. Não chega também a ser uma bíblia cuja leitura esconjure as muitas ameaças que nos rondam. Mas é um esforço sistematizado, equilibrado e atualizado não apenas dos tremores que nos assustam, mas das muitas oportunidades que se descortinam. Só por isso já vale a pena conferir…

jornalismo-drone: questões éticas

O Observatório da Ética Jornalística (objETHOS) retoma suas atualizações semanais hoje com um comentário que fiz sobre o uso de drones por organizações jornalísticas. Os drones são aqueles aviões-robôs, veículos aéreos não tripulados, criados com objetivos militares, mas já devidamente apropriados para outros fins, inclusive os jornalísticos. Meu comentário (que você pode ler na íntegra aqui) aborda cinco questões éticas para o jornalismo…

a internet do mundo e a máquina de moer carne dos eua

Responda rápido: o que há de comum entre Aaron Swartz, Bradley Manning, Julian Assange e Edward Snowden?

Muitas coisas ligam esses nomes, a começar pelo fato de que usam a internet para revelar informações e fatos que muitos tentam ocultar. Mas não só isso. Nenhum deles tem mais de 45 anos, e todos pertencem a gerações diretamente afetadas pelas novas tecnologias de informação e comunicação. Todos desafiaram agências de inteligência e o governo norte-americano trazendo à luz iniciativas mesquinhas, neuróticas e moralmente questionáveis.

Bradley Manning é o ex-oficial acusado de ter vazado centenas de milhares de dados sigilosos dos Estados Unidos e que municiaram o WikiLeaks no maior escândalo da história da diplomacia mundial. Foi caçado, preso e está sendo julgado por diversos “crimes”, entre os quais “traição”. Ele tem 25 anos e exibiu uma face simplesmente abjeta do Império. Pode pegar prisão perpétua.

Por falar em WikiLeaks, seu líder, o australiano Julian Assange, também encarou o Monstro. Foi perseguido por norte-americanos, suecos e ingleses e ficou detido em prisão domiciliar. Para além dos vazamentos que constrangeram diplomatas e poderosos, mostrou como helicópteros Apache metralharam civis e jornalistas em suas ações “táticas”. Refugiou-se na Embaixada do Equador em Londres. Precisa viver clandestino para sobreviver. Nada nem ninguém podem garantir isso.

Aaron Swartz era um prodígio da web e tinha colaborado diretamente com algumas das soluções mais inteligentes e solidárias para compartilhamento de informação e conhecimento. Foi perseguido pela justiça norte-americana por ter “roubado” milhões de artigos científicos em bases de dados por assinatura. Detalhe: a maioria das pesquisas relatadas naqueles artigos havia sido financiada por recursos públicos, mas mesmo assim as tentaculares empresas do ramo cobram pelo acesso a esses textos, e os seus autores nada ganham com isso… Aaron foi perseguido, preso, acusado por diversos “crimes” e ameaçado a pegar 35 anos de prisão mais multa milionária. Tinha 26 anos e não suportou a pressão, e se suicidou em janeiro deste ano.

Edward Snowden é a bola da vez. O ex-assistente técnico da CIA denunciou os sistemas de vigilância interna dos Estados Unidos a telefones e emails. Jogou um facho de luz sobre o rosto do Big Brother. Republicanos e democratas se alternam nas condenações ao ato antipatriótico do rapaz, que precisou sumir. Nada nem ninguém pode garantir sua integridade física diante da caçada que se anuncia.

As campanhas difamatórias aos quatro sujeitos acima aconteceram nos últimos cinco anos. As perseguições não foram perpretadas por George W.Bush ou Ronald Reagan, mas por Barack Obama, o democrata, sedutor, liberal e popular presidente da era das redes sociais. A instauração do terror virtual, a truculência e o abuso de poder vêm de um governo supostamente mais conciliador que o isolacionista anterior. Vem de um presidente jovem, com uma biografia admirável, que já ganhou o Nobel da Paz e que sinalizava uma transformação real no panorama das relações globais.

Não, isso não é um filme de ficção. A neutralidade da rede está em perigo, a internet como arena global corre riscos reais, e os usuários do sistema estão sendo monitorados, quando não criminalizados, oprimidos e eliminados. A inocência é uma palavra amarelada no dicionário, mas a política é um instrumento movido a ideias, palavras e ações. A política se faz nas ruas e diante dos teclados. Como a ética, a lei e a guerra, a política é uma invenção humana para buscar o equilíbrio. Arregace as mangas, então!

10 anos que abalaram a mídia

Lembra do livro do John Reed? “Dez dias que abalaram o mundo” trazia um relato pungente e testemunhal da revolução de 1917 na Rússia. É obra importante e influente do jornalismo. Pois o Instituto Reuters para Estudo do Jornalismo acaba de lançar um relatório de pesquisa cujo título lembra bastante o livro de Reed: “Dez anos que chocaram o mundo da mídia”.

O estudo se debruça sobre a primeira década deste século e milênio, observando os mercados de seis democracias fortes e ricas e dois países emergentes, um deles o Brasil. São 75 páginas, em inglês, formato PDF e com arquivo de 4,8 megas de tamanho. Acesse aqui.

(cabalístico: este é o post número 2012 deste blog…)

mudanças no mundo do trabalho dos jornalistas

O Centro de Pesquisa Comunicação e Trabalho (CPCT) realizará o Ciclo de Seminários As Mudanças no Mundo do Trabalho dos Jornalistas para divulgar os resultados da pesquisa O perfil do jornalista e os discursos sobre o jornalismo. Um estudo das mudanças no mundo do trabalho do jornalista profissional em São Paulo, realizada entre 2009 e 2012 com apoio da FAPESP. Este Ciclo de Seminários propõe-se a discutir sobre o perfil dos jornalistas a partir do ponto de vista do profissional sobre o seu trabalho. Os dados sobre o perfil e as falas dos jornalistas profissionais foram coletados durante o desenvolvimento do projeto.

A pesquisa realizou o estudo proposto a partir do binômio comunicação e trabalho, o qual mobiliza o ponto de vista da atividade humana (ergológica) para entender as práticas profissionais no contexto da fusão de mídias e de relações de trabalho cada vez mais precárias. O projeto abordou o objeto empírico – amostra de jornalistas profissionais em São Paulo – a partir de métodos quantitativos e qualitativos, e os dados foram analisados por meio da Análise do Discurso.

Obtém-se como resultado um mapa do perfil do profissional de jornalismo e o ponto de vista deste profissional sobre seu trabalho, para que se possa entender qual o compromisso dele com o direito à informação, bem como poder traçar caminhos mais profícuos para a sua formação universitária. Neste Ciclo serão apresentados o desenvolvimento e os resultados da pesquisa, além de contar com a participação do jornalista Luciano Martins Costa no dia 08/10 e dos Professores Rogério Christofoletti (no dia 18/10) e Jacques Mick no dia 23. Nos três dias o evento contará com a presença dos professores Roseli Fígaro (ECA/USP, coordenadora do CPCT e da pesquisa), Maria Aparecida Baccega (vice-coordenadora do CPCT, ECA/USP e ESPM) e José Coelho Sobrinho (ECA/USP). Veja a programação completa:

Seminário O Mundo do Trabalho dos Jornalistas

Coordenadora:

Roseli Fígaro Profa. Livre-docente do Departamento de Comunicações e Artes da ECA/USP, coordenadora do CPCT.

Convidados:

Luciano Martins Costa: 8/10 (segunda-feira) no Centro Universitário Maria Antonia USP (Rua Maria Antonia, 258 e 294, Vila Buarque), SP

Rogério Christofoletti: 18/10 (quinta-feira) na ECA/USP – Auditório Lupe Cotrim (Av.Prof. Lucio Martins Rodrigues, 443, 2ºandar)

Jacques Mick: 23/10 (terça-feira) na ECA/USP – Auditório Lupe Cotrim (Av.Prof. Lucio Martins Rodrigues, 443, 2ºandar)

Debatedores (presentes a todos os eventos):

Maria Aparecida Baccega – Profa. Livre-docente, vice-coordenadora do CPCT da ECA-USP e orientadora no Programa de Mestrado em Comunicação e Práticas de Consumo da ESPM.

José Coelho Sobrinho (Prof. Titular e chefe do Depto de Jornalismo e Editoração da ECA-USP).

Inscrições: grátis. Enviar e-mail para comunicacaoetrabalho@gmail.com com nome completo, contato e instituição/vínculo até a véspera do evento.

(reproduzido do site do grupo de pesquisa)

ponto positivo para a positivo

Se você acompanha este blog com alguma frequência, viu de perto uma pequena saga para que eu consertasse meu Alfa, o e-reader da Positivo. Pois não é que dois meses após meu aparelho parar de funcionar e eu pedir auxílio para os fabricantes, recebi um novo em minha casa?

O Serviço de Atendimento ao Consumidor da Positivo foi bastante prestativo, mas estava muito moroso na resolução do meu problema. Eu pedia que me indicassem serviços autorizados, mas o que se viu foi a total impossibilidade de me darem esse suporte. Troquei diversos emails com a Positivo e quando já não mais restava esperança, desabafei no Twitter.

Foi o lance certo para que a empresa entrasse novamente em contato comigo e tentasse rapidamente resolver meu problema. Mandei meu aparelho danificado para a fábrica e, constatada sua “morte” com apenas um ano de vida, me encaminharam outro novinho em folha e funcionando!

Um ponto positivo para os fabricantes, que demonstraram um respeito que deveria ser comum nas relações com os consumidores.

uma enciclopédia do rádio

Vem aí uma Enciclopédia do Rádio Esportivo Brasileiro, livro que vai biografar os 230 mais destacados radialistas esportivos do país. O lançamento acontece em 5 de setembro, em Fortaleza, durante a realização do 35º Congresso da Intercom. A organização é de Nair Prata e Maria Cláudia Santos, com textos de 119 autores do Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora da Intercom. Editado pela Insular.

ponto negativo para o alfa positivo

Se você tem um Alfa, o leitor de livros eletrônicos da Positivo, e ele der problema, esqueça de tentar resolver com a própria empresa. Você vai se incomodar, como eu, e não terá a solução esperada.

Em junho de 2011, ganhei um Alfa de presente e passei a usar com bastante frequência no trabalho e nas horas de lazer. Na verdade, cheguei a alterar alguns hábitos de consumo de livros por conta da comodidade, da praticidade e do conforto do aparelho. Embora tivesse algumas limitações – sobretudo no contraste entre o texto e a tela -, o meu Alfa funcionava não só como meu livro de ocasião – aquele que a gente leva para todo lugar -, mas também como biblioteca – eu tinha mais de 150 títulos ali armazenados.

Tudo ia bem até que, no final de junho passado, de repente, meu aparelho não respondia aos toques na tela sensível e meus livros não estavam mais visíveis. Entrei em contato imediatamente com a Positivo Informática, solicitando assistências autorizadas. Eu queria que um técnico especializado fizesse um diagnóstico e um orçamento para o reparo. Todos os meus contatos foram por e-mail, e minhas mensagens eram respondidas logo nos dias seguintes aos meus chamados.

Em 24/06, a Central de Relacionamento Positivo me indicou uma assistência técnica no centro de Florianópolis. Fui atrás e deixei meu aparelho para uma análise. Dias depois, o diagnóstico foi econômico e impreciso: “não compensa fazer o conserto”. Em 13 de julho, solicitei novamente à Positivo o endereço de uma autorizada, eu queria uma segunda opinião, afinal não me conformava em ter um aparelho que só durasse um ano!. No dia 24, tive o novo endereço, e novamente fui atrás. Qual não foi minha surpresa quando lá fui informado que a assistência estava deixando a Positivo: “Estou surpreso que eles tenham nos indicado. Estamos nos descredenciando da empresa, não ficamos com mais nenhum produto da Positivo”, me disse o atendente.

No dia 25, acionei mais uma vez a empresa, pedindo instruções de como agir. No dia 26, a Central de Relacionamento Positivo me deu duas novas referências, mas numa outra cidade, ao lado da minha. Eu precisaria me deslocar algumas dezenas de quilômetros para fazer um diagnóstico de meu aparelho. Fui à primeira autorizada e lá me informaram que o atendimento era exclusivamente corporativo, isto é, só atendiam a empresas e não pessoas físicas. Na segunda assistência, a atendente me respondeu: “Ah, esse aparelho aqui a gente não pega não. Ele é recolhido pelo próprio fabricante para eventuais consertos…”.

No dia 8 de agosto, cansado, decepcionado e indignado, escrevi à Central de Relacionamento Positivo que estava desistindo de tentar consertar um aparelho que só funcionara por treze meses e cujo fabricante não me garante ao menos uma rede confiável de assistência técnica. Até agora não tive uma linha de resposta, nenhuma justificativa, nada.

Se eu tivesse importado um Kindle, teria tido tantos problemas? O senso comum nos faz crer que investir em produtos nacionais facilitaria o conserto, uma orientação ou algo do tipo. Que nada! Com o meu Alfa Positivo, não foi assim. Se alguém me pedisse uma recomendação do produto ou da empresa, claro que eu não recomendaria!

ATUALIZAÇÃO DE 17/09/2012: Felizmente, a situação foi bem resolvida pela empresa, conforme você pode conferir aqui: http://wp.me/p4HHl-26l

o futuro do jornalismo em 46 páginas

Chega à rede e pode ser baixado gratuitamente o sétimo número de Cuadernos de Comunicación, editado pela Evoca: El futuro del periodismo , com textos de Gumersindo Lafuente, Ramón Salaverría, Chiqui Esteban, Silvia Cobo, Juan Luis Sánchez, Ismael Nafría e Pepe Cervera.

Vá espiar o futuro, vá!

continua o inferno astral de assange

A Suprema Corte Britânica aprovou hoje cedo a extradição de Julian Assange para a Suécia, onde deve responder por acusações de crimes sexuais. O rosto mais conhecido do WikiLeaks vem enfrentando meio mundo desde que o site virou de pernas para o ar a diplomacia norte-americana e contrariou os interesses de outras grandes nações. Assange está em prisão domiciliar há mais de 500 dias e vem produzindo uma série de entrevistas televisivas com pensadores, políticos e ativistas. Os programas estão disponíveis na internet, inclusive com versões em espanhol, árabe e russo.

Num dos episódios, Assange conversa com o presidente do Equador, Rafael Correa, e lá pelos 10 minutos da entrevista, é citado o livro WikiMediaLeaks, dos amigos Martín Becerra e Sebastián Lacunza, pesquisador e jornalista argentinos que participaram do nosso Bapijor em 2011. Quando você é citado por um presidente da república numa entrevista transmitida mundialmente, não há como negar que seu trabalho esteja sendo reconhecido…

desconecte-se! um pouco…

Não adianta negar! Você é um cara comum: tem perfis em algumas redes sociais, passa por sites e portais diariamente, participa de umas listas eletrônicas, tem mais de um endereço de e-mail e checa suas caixas postais com frequência. Vez ou outra deixa comentários em blogs, cutuca um amigo no Facebook, compartilha um arquivo de áudio, baixa o último episódio da sua série favorita, e retuíta uma mensagem engraçadinha que recebeu. Faz isso tudo ao mesmo tempo, no meio do ambiente do trabalho ou mesmo enquanto estuda para a prova de amanhã. Você não diz uma palavra, mas está em contato com dezenas de pessoas, “conversando” com elas simultaneamente. Não está fazendo uma, mas várias operações ao mesmo tempo, e isso te dá aquela sensação de onipresença, versatilidade e produtividade.

Não adianta negar! Se você fica mais de oito horas por dia plugado na web, sabe do que estou falando. Você faz isso também. “Todo o mundo faz!”, pode até argumentar. Isso não quer dizer que seja o certo, o normal, o natural, dirá o escritor William Powers, autor de “O BlackBerry de Hamlet”, um best-seller no ano passado nos Estados Unidos e lançado por aqui recentemente.

A tese central de Powers é que precisamos desconectar pelo menos um pouco. Jornalista aficionado por tecnologia e colunista da área em importantes veículos norte-americanos, ele teria razões de sobrar de dizer justamente o contrário. Já fez isso, mas alterou drasticamente seu comportamento e, neste livro, chama a atenção do leitor dos perigos da “ultraconexão”. Sim, Powers nada contra a corrente. Talvez sozinho…

A questão que ele coloca é que estamos muitíssimos mergulhados nas telas (do desktop, do notebook, do tablet, do smartphone…), que consumimos um tempo infinito administrando nossas vidas online e que isso tem repercussões negativas. Segundo Powers, é falsa, então, a sensação de que estamos mais produtivos, que o comportamento multi-tarefa é sinal de versatilidade e que somos tão populares e aceitos quanto nos mostram as redes sociais. O raciocínio é que, mediados pelas muitas telas, construímos e alimentamos relacionamentos breves, frágeis, superficiais; que nossa vida se apequena diante das telas (ao invés do contrário); que priorizamos a vida virtual compartilhada em detrimento de vivências interiores mais intensas e profundas.

Ainda está aí? Imagino que alguns leitores já torceram o nariz e abandonaram o post. Sim, você pode discordar totalmente de William Powers, mas não pode ignorar os argumentos ou os fatos que ele apresenta. De forma esperta, você pode até aproveitar para refletir sobre a sua situação particular à frente das telas, e – quem sabe? – mudar algum hábito (ou não). Você verá que ele tem razão em muitos aspectos…

Powers não pede nem espera que você se desconecte por completo. Nem ele fez isso! “O BlackBerry de Hamlet” não é desses livros que ditam-regras tão somente. O autor parte de sua experiência pessoal para pensar em voz alta sobre como as coisas podem não estar bem. A chave parece passar pela moderação, uso racional e equilíbrio.

Escrito com leveza e bom humor, o livro merece atenção em tempos de pensamento único e deslumbrado pela tecnologia. Sai da frente desta tela e se conecte no livro de Powers…

boa notícia! capes e cnpq criam nova bolsa para estudantes

(Reproduzido da assessoria de comunicação da Capes)

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) criam, como projeto piloto a ser iniciado ainda em 2012, uma nova modalidade de bolsa destinada aos estudantes que ingressaram este ano nas universidades federais e institutos federais de educação, ciência e tecnologia. Preliminarmente, o projeto prevê a concessão de 6 mil bolsas de estudo que serão oferecidas pelas duas agências.

Nos próximos anos, esta modalidade de bolsa será estendida para os alunos ingressantes em universidades estaduais e também não públicas.

Estas bolsas terão por objetivo identificar precocemente nossos melhores Jovens Talentos entre os ingressantes universitários, para estimulá-los ao interesse e dedicação plena ao aprendizado acadêmico e a prática em ciência e tecnologia. Os alunos serão selecionados internamente em cada universidade, mediante prova de conhecimentos, para receberem estas bolsas já a partir do segundo semestre de 2012. Adicionalmente, os resultados obtidos poderão também ser utilizados como critérios de prioridade nos Programas Institucionais de Bolsas de Iniciação Científica e no Programa Ciência sem Fronteiras.

vida digital, um estudo global

Foram apresentados publicamente os resultados de um amplo estudo sobre hábitos e apropriações de usuários digitais em 60 países, incluindo o Brasil. “Digital Life” é uma pesquisa que traz dados de 2011 a partir de entrevistas a 72 mil usuários de 16 a 65 anos, uma amostra de 93% da população mundial conectada. A pesquisa foi feita pela TNS, multinacional de pesquisa de mercado.

Alguns dados que chamam a atenção:

  • Dos 2,1 bilhões de internautas, 84% estão nas redes sociais e 33% elegem marcas como “amigas”
  • 80% deles usam o meio digital para conseguir informação e 78% levam em consideração comentários sobre marcas, produtos e serviços
  • No planeta, a média é que se destine 18 horas semanais à internet, quase um quinto disso nas redes sociais
  • O tempo conectado por dispositivos móveis vem crescendo e já ocupa 11% do total global
  • Esses dispositivos impulsionam o crescimento das redes sociais e dos comentários, e em países emergentes acaba sendo uma das únicas formas de estar conectado
  • Em junho de 2011, contava-se 200 milhões de tweets ao dia
  • 64% de quem posta comentários sobre uma marca, o faz para oferecer conselhos ou compartilhar uma experiência; 53% para criticar

O estudo interessa a empresas do setor de tecnologia e mídia, mas também a pesquisadores da área e a usuários comuns, que podem ter uma compreensão maior dos fenômenos atuais da comunicação.

Saiba mais sobre o estudo aqui

Veja a apresentação dos resultados dirigida à mídia!
(em formato PDF, em espanhol, 65 páginas e arquivo com 1,6 Mb)

um especial multimídia sobre o cérebro

La Información começou a publicar um caprichadíssimo especial multimídia sobre o cérebro humano. A primeira parte trata dos “cérebros reparados”, com implante de eletrodos biônicos, por exemplo, e já está online. A segunda parte – “En busca de la memória” – cai na web a partir do próximo dia 26.

É bonito, bem construído, muito informativo e útil.

Se você tem o cérebro lesado, como eu, fica a dica!

dc impresso chama para o online

Assinantes e bancas de jornais receberam ontem no final da tarde a edição dominical do Diário Catarinense e os leitores mais desatentos chacoalharam a cabeça, incrédulos. É que o jornal impresso reproduzia a nova versão eletrônica da publicação. A ideia é boa, mas não é nova. Para se ter uma ideia, o Correio Lageano fez o mesmo quando o seu portal o CLMais completou um ano. O jornal da serra chegou às bancas como se tivesse sido arrancado da web…

 

como adolescentes se comunicam?

Surgiu um estudo recente da Ericson sobre como os adolescentes norte-americanos se apropriam de tecnologias para se comunicar. A pesquisa leva em conta 2 mil entrevistas online feitas com sujeitos de 13 a 17 anos. A amostra representa uma fatia de 20 milhões de pessoas nessa faixa etária, afirma o estudo. Alguns resultados:

  • Mandar textos pelo celular é legal, mas não substitui contato presencial
  • Videochat é uma tendência crescente
  • O telefone celular é uma ferramenta social
  • Adolescentes e adultos usam o Facebook de forma diferente

Quer ver o estudo na íntegra, clique aqui.
(em inglês, 12 páginas, em formato PDF e arquivo de 498 Kb)

jornalismo em desenho animado

Se você admira o jornalismo feito em quadrinhos por Joe Sacco, vai gostar muito do que os salvadorenhos do El Faro fazem. É outra amostra de como o jornalismo pode se reinventar. Historias Urbanas é uma série de seis histórias colhidas nas ruas, reescritas e vertidas para animação. O trabalho é executado por sete jornalistas, um diretor de teatro, 25 músicos, um editor, dois animadores e sete ilustradores.

A ideia é simples e complexa ao mesmo tempo: narrar a cidade de San Salvador, a capital do país. Com isso em vista, durante um ano, jornalistas apuraram, artistas gráficos deram formas e cores a personagens e cenários, e músicos compuseram temas exclusivos para as histórias.

Resultado? Um jornalismo multimídia diferente, único, completo e bem arquitetado.

Confira!

 

cnpq baixa normas éticas para pesquisadores

O CNPq recebeu denúncias de fraudes em periódicos científicos, cometidas por seus pesquisadores. Diante disso, percebeu-se que não havia diretrizes claras para lidar com situações desse tipo. Em maio passado, foi formada uma comissão para elaborar uma política de ética científica. Essas regras foram anunciadas recentemente pelo CNPq, conforme aponta o Relatório da Comissão de Integridade de Pesquisa (leia a íntegra aqui).

Em resumo, o CNPq identifica quatro tipos de fraudes científicas:

Fabricação ou invenção de dados: consiste na apresentação de dados ou resultados inverídicos.

Falsificação: consiste na manipulação fraudulenta de resultados obtidos de forma a alterar-lhes o significado, sua interpretação ou mesmo sua confiabilidade. Cabe também nessa definição a apresentação de resultados reais como se tivessem sido obtidos em condições diversas daquelas efetivamente utilizadas.

Plágio: consiste na apresentação, como se fosse de sua autoria, de resultados ou conclusões anteriormente obtidos por outro autor, bem como de textos integrais ou de parte substancial de textos alheios sem os cuidados detalhados nas Diretrizes. Comete igualmente plágio quem se utiliza de ideias ou dados obtidos em análises de projetos ou manuscritos não publicados aos quais teve acesso como consultor, revisor, editor, ou assemelhado.

Autoplágio: consiste na apresentação total ou parcial de textos já publicados pelo mesmo autor, sem as devidas referências aos trabalhos anteriores.

Para orientar a conduta dos pesquisadores brasileiros, o CNPq lista um conjunto de diretrizes:

1) O autor deve sempre dar crédito a todas as fontes que fundamentam diretamente seu trabalho.

2) Toda citação in verbis de outro autor deve ser colocada entre aspas.

3) Quando se resume um texto alheio, o autor deve procurar reproduzir o significado exato das ideias ou fatos apresentados pelo autor original, que deve ser citado.

4) Quando em dúvida se um conceito ou fato é de conhecimento comum, não se deve deixar de fazer as citações adequadas.

5) Quando se submete um manuscrito para publicação contendo informações, conclusões ou dados que já foram disseminados de forma significativa (p.ex. apresentado em conferência, divulgado na internet), o autor deve indicar claramente aos editores e leitores a existência da divulgação prévia da informação.

6) Se os resultados de um estudo único complexo podem ser apresentados como um todo coesivo, não é considerado ético que eles sejam fragmentados em manuscritos individuais.

7) Para evitar qualquer caracterização de autoplágio, o uso de textos e trabalhos anteriores do próprio autor deve ser assinalado, com as devidas referências e citações.

8. O autor deve assegurar-se da correção de cada citação e que cada citação na bibliografia corresponda a uma citação no texto do manuscrito. O autor deve dar crédito também aos autores que primeiro relataram a observação ou ideia que está sendo apresentada.

9) Quando estiver descrevendo o trabalho de outros, o autor não deve confiar em resumo secundário desse trabalho, o que pode levar a uma descrição falha do trabalho citado. Sempre que possível consultar a literatura original.

10) Se um autor tiver necessidade de citar uma fonte secundária (p.ex. uma revisão) para descrever o conteúdo de uma fonte primária (p. ex. um artigo empírico de um periódico), ele deve certificar-se da sua correção e sempre indicar a fonte original da informação que está sendo relatada.

11) A inclusão intencional de referências de relevância questionável com a finalidade de manipular fatores de impacto ou aumentar a probabilidade de aceitação do manuscrito é prática eticamente inaceitável.

12) Quando for necessário utilizar informações de outra fonte, o autor deve escrever de tal modo que fique claro aos leitores quais ideias são suas e quais são oriundas das fontes consultadas.

13) O autor tem a responsabilidade ética de relatar evidências que contrariem seu ponto de vista, sempre que existirem. Ademais, as evidências usadas em apoio a suas posições devem ser metodologicamente sólidas. Quando for necessário recorrer a estudos que apresentem deficiências metodológicas, estatísticas ou outras, tais defeitos devem ser claramente apontados aos leitores.

14) O autor tem a obrigação ética de relatar todos os aspectos do estudo que possam ser importantes para a reprodutibilidade independente de sua pesquisa.

15) Qualquer alteração dos resultados iniciais obtidos, como a eliminação de discrepâncias ou o uso de métodos estatísticos alternativos, deve ser claramente descrita junto com uma justificativa racional para o emprego de tais procedimentos.

16) A inclusão de autores no manuscrito deve ser discutida antes de começar a colaboração e deve se fundamentar em orientações já estabelecidas, tais como as do International Committee of Medical Journal Editors.

17) Somente as pessoas que emprestaram contribuição significativa ao trabalho merecem autoria em um manuscrito. Por contribuição significativa entende-se realização de experimentos, participação na elaboração do planejamento experimental, análise de resultados ou elaboração do corpo do manuscrito. Empréstimo de equipamentos, obtenção de financiamento ou supervisão geral, por si só não justificam a inclusão de novos autores, que devem ser objeto de agradecimento.

18) A colaboração entre docentes e estudantes deve seguir os mesmos critérios. Os supervisores devem cuidar para que não se incluam na autoria estudantes com pequena ou nenhuma contribuição nem excluir aqueles que efetivamente participaram do trabalho. Autoria fantasma em Ciência é eticamente inaceitável.

19) Todos os autores de um trabalho são responsáveis pela veracidade e idoneidade do trabalho, cabendo ao primeiro autor e ao autor correspondente responsabilidade integral, e aos demais autores responsabilidade pelas suas contribuições individuais.

20) Os autores devem ser capazes de descrever, quando solicitados, a sua contribuição pessoal ao trabalho.

21) Todo trabalho de pesquisa deve ser conduzido dentro de padrões éticos na sua execução, seja com animais ou com seres humanos.

informação de papel x informação online

A Associación para la Investigación de Medios de Comunicación (AIMC), entidade espanhola, acaba de publicar resultados de uma pesquisa que pode interessar a muita gente: “La Prensa: digital vs papel” é o primeiro de uma série de estudos semelhantes, centrados nas particularidades de cada meio e nas formas de como se relacionam com seus públicos.

Conforme esclarece a associação, a pesquisa “está focalizado en prensa diaria e indaga en los comportamientos, actitudes y preferencias ante los dos sistemas de distribución de los contenidos, tanto “tradicional” (papel) como en online”. A coleta de dados se deu entre 20 de maio e 16 de junho de 2011.

Acesse a pesquisa aqui.

presentinho 3: guia para gerir marcas na web

A Lewis PR, empresa espanhola de relações públicas e de consultoria em comunicação, lançou um guia para administrar marcas na web “sem barreiras”. O manual pode ser útil para empresas e organizações, mesmo que elas estejam em outras partes do globo.

O arquivo tem 6 Megabytes, está em espanhol, em PDF e tem 28 páginas.

Baixe aqui.

uso de mídia define gerações: será mesmo?

O Link, caderno de tecnologia de O Estado de S.Paulo, trouxe matéria sobre estudo da agência Adge/Magid Generational Strategies que apontaria uma ligação direta entre consumo de certas mídias por grupos etários em faixas de horário do dia. Quer dizer: o uso do meio ajuda a definir a sua geração. Típico caso de determinismo biotecnológico, fácil da gente “comprar” mas igualmente fácil de desbancar.

Veja a matéria aqui, o estudo aqui e um infográfico aqui.

Digo que a gente embarca nessa história com facilidade porque estudos deste tipo nos “ajudariam a explicar as mudanças pelas quais estamos passando nos últimos anos”, separando em gavetinhas as espécies de usuários e organizando a bagunça em que vivemos. Mas a coisa não é assim tão tranquila.

Se as gerações funcionam assim, como explicar os casos de velhinhos que estão nas redes sociais, que blogam, que se comunicam com seus netinhos pelo Skype, que postam suas fotos familiares no Flickr ou coisas do tipo? Como explicar que existem jovens usuários que não são necessariamente heavy users ou nerds de plantão, apesar de seus colegas serem? Eles são desvios da norma? São exceções à regra? Não se pode afirmar porque não há dados científicos que o coloquem dessa maneira…

Isto é, embora gostemos da piadinha que elogia as novas gerações por estas “virem software embarcado atualizado”, as formas de apropriação dos meios seguem regras que transcendem as biológicas: são culturais, sociais, contextuais, históricas. Quem dá bons argumentos nessa direção é o sagaz Clay Shirky, professor da Universidade de New York e autor de um livro inspiradíssimo: Cultura da Participação. Segundo Shirky, as gerações podem se diferenciar no uso dos meios não por aspectos inatos, ligados a sua genética ou coisa do tipo. Hiatos podem surgir entre elas por conta das oportunidades diferentes que elas têm de se apropriar de algo, de trazer isso para suas vidas e de transformar suas existências com essas novas chances.

O raciocínio de Shirky ajuda a explicar porque hoje milhões de pessoas – de todas as gerações – compartilham mais suas experiências nas novas mídias, articulam-se mais em torno de causas cívicas (ou não), buscam se organizar pela web e forçam a porta da participação nos meios convencionais. Temos atualmente mais oportunidades de fazer coisas que antes ficavam relegadas a grupos mais restritos. Temos capacidade de nos conectar mais rapidamente e mais facilmente a grupos de semelhantes, o que facilitaria trabalhar de forma coletiva. Não é, portanto, um fenômeno geracional; é histórico; é o momento. Segundo Shirky, temos os meios, os motivos intrínsecos para fazer isso e as oportunidades. Junte tudo, bata e coloque no forno. O resultado é o que o autor chama de “excedente cognitivo”.

Não disse que essa coisa do determinismo geracional era fácil de contrariar?

Não disse que as ideias do Shirky são interessantes?

não é bem um wikileaks, mas vale…

A Folha de S.Paulo está colocando à disposição dos leitores uma série de documentos que ajudam a dar mais clareza às relações políticas nacionais e internacionais dos últimos anos. O projeto Folha Transparência, segundo o próprio jornal, é “é um conjunto de iniciativas do jornal para divugar informações e documentos de interesse da sociedade. O projeto reflete não só o trabalho de reportagem da Folha como também ações nas esferas administrativas e judicial para levar o poder público a revelar dados mantidos em sigilo”.

Não chega a ser comparável ao WikiLeaks, mas vale pelo esforço e pela abertura.

apesar do mimimi dos deputados, ele vai voltar…

Ao que tudo indica, o site mais polêmico de Santa Catarina deve voltar em breve. A Facisc emitiu nota anunciando que retomará o ranking dos parlamentares locais em seu Deputadômetro. A iniciativa causou irritação de suas excelências e a pressão fez com que a organização classista recuasse. Baixada a poeira e com um punhado de manifestações de apoio, o site deve ser atualizado em 30 dias.

Tomara que o site retorne rapidamente e que não volte atrás na sanha de observar os políticos catarinenses…

Veja a nota da Facisc

A Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (FACISC) vai voltar a publicar o ranking dos deputados estaduais no site Deputadômetro (www.deputadometro.com.br). A decisão foi da diretoria da entidade após o recebimento de inúmeras manifestações de apoio e ponderações da sociedade, através de entidades empresariais e cidadãos. A FACISC também recebeu solicitações de entidades empresariais de outros estados para implantar a ferramenta nas suas assembleias legislativas.

Segundo o presidente da FACISC, Alaor Tissot, a intenção é rever alguns critérios, mas publicar novamente o ranking. “Nós vamos analisar outros itens sugeridos para ampliar a avaliação”, ressaltou.  A Federação ressalta que o site faz uma análise quantitativa da atividade parlamentar dentro da Assembleia Legislativa através de dados oficiais disponibilizados
pela própria Alesc.

Na próxima semana a Federação tem uma reunião agendada com o diretor executivo Cláudio Abramo do portal Transparência Brasil para troca de ideias. “Vamos buscar informações com a entidade a fim de promovermos as melhorias necessárias”.

Sobre a data do retorno a diretoria avalia que deve ser o mais rápido possível. “Temos que fazer as adequações e retornar com o ranking num prazo de 30 dias, que é o tempo necessário para coletar dados e adaptar a tecnologia”.