Sim, 7 de abril é o dia do jornalista. Datas são apenas marcas no calendário, mas que nos provocam a pensar, a refletir sobre uma situação, uma idéia, uma coisa. Penso sobre o jornalismo todos os dias, e hoje não pensei mais por conta da data comemorativa.
Mas a Miriam de Abreu, do Comunique-se, me escreveu pedindo umas palavras sobre a data e o momento atual do jornalismo brasileiro. Muito rapidamente, escrevi o que segue:
Acho que estamos vivendo um momento bastante importante para o jornalismo no Brasil, seja pelo que acumulamos historicamente e ganhamos com a evolução da profissão, seja ainda pelas decisões que 2009 deve trazer para a profissão. Os debates em torno das diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo são cruciais para modernizarmos as bases pelas quais as escolas de comunicação se orientam para criar e manter cursos. Mas são vitais também para repensarmos e refundarmos a identidade do jornalista e a função do jornalismo nos tempos contemporâneos.
As decisões que virão do STF este ano – sobre a constitucionalidade ou não da Lei de Imprensa , e sobre a exigência ou não de diploma universitário para a obtenção do registro profissional -, essas decisões vão tornar claros os limites legais para o exercício do jornalismo, mexendo com o mercado e provocando consequências na qualidade dos produtos oferecidos à sociedade.
Mas não é só isso. O Ministério do Trabalho deve concluir em breve um estudo para uma nova regulamentação da profissão. Um grupo de trabalho foi formado e o resultado disso deve ser uma lei que auxilie não só os profissionais e as empresas, mas a população que anseia por informação responsável, de qualidade e com ética.
Vejo com grande otimismo esse momento, independente de quais sejam os rumos que tomaremos. O mais importante é refletir sobre a nossa profissão, discuti-la e reforçar suas bases que desembocam inevitavelmente na função social que o jornalismo deve encarnar. É um momento histórico, e isso não é exagero. Sairemos de 2009 com novas bases para o jornalismo brasileiro. Em poucas ocasiões tivemos tantas definições concentradas num período tão curto.
Claro que esse pensamento corriqueiro não resume o que eu penso e o que espero do jornalismo. É só uma declaração para uma matéria (leia aqui), e por isso limitada nas palavras, na abordagem e na profundidade. Quem passa por este blog sabe que tudo isso é muito mais complexo e demanda discussões intermináveis e palpitantes. De qualquer forma, faço o registro acima como quem anota uma idéia que teve durante a caminhada, como quem cuida para não perder um fio da meada.
O jornalismo, bem, o jornalismo continua e a vida também. Sigo confiante na profissão, na carreira, na função social que ele pode exercer. Sigo acreditando que o jornalismo pode ser um instrumento para que a sociedade se melhore e que a vida alcance dimensões mais positivas para todos.
Muito bom Rogério.
Veja artigo que publiquei, ou melhor leia, no jornal Correio do Estado. Está disponível aqui: http://gersonmartins.jor.br/opiniao.php?cod_artigo=47
Gostei também do seu texto, Gerson.
Grande abraço e parabéns!