É com a frase do título que o redator-chefe da Superinteressante, Sérgio Gwercman, justifica o conjunto de mudanças pelas quais passou a revista a partir do número que está nas bancas. Quer dizer: a Super mudou para manter-se no jogo, para reforçar seu espírito de sempre.
Se você não viu ainda a edição 268 – de agosto de 2009 -, eu dou o serviço: as mudanças são mais de forma que de conteúdo. Isto é, com exceção do surgimento de uma ou duas novas seções, a estrutura da publicação continua a mesma. O que se percebe a olhos vistos é um novo projeto gráfico e a assunção de uma vocação histórica da revista: os infográficos. Quem acompanha a Super sabe que a publicação sempre foi jovial e sempre, sempre investiu pesado em infográficos de peso, que geralmente ocupavam as páginas centrais, juntinho aos grampos, estrategicamente ali colocados para serem destacados e se tornarem pôsteres. Esses infográficos tomavam duas páginas e o leitor – como os da Playboy – precisavam virar 90 graus a revista para acompanhar os detalhes.
A coisa era tão bem feita que houve um tempo em que a Super era a única publicação brasileira a trazer nas matérias a assinatura do repórter, do fotógrafo/ilustrador e do designer da página!
Pois bem, a Super – segundo Gwercman – agora traz mais e mais infográficos. E é verdade. Não apenas esses gigantes, mas outros menores, ocupando uma página ou menos. O fato é que se percebe que a redação decidiu colocar matérias e infográficos no mesmo patamar. Com isso, não uma mas várias vezes, o leitor vai encontrar arranjos tipográficos, soluções gráficas e muito visualmente trabalhadas ao invés de um texto corrido. Isso é uma mudança e tanto! Vou repetir: o jornalismo visual ganha espaço e divide as páginas da Super com o jornalismo de texto tradicional, bem redigido e tal.
É cedo para dizer se isso vai dar certo e se essa é a melhor forma de se adaptar a novos tempos de jornalismo e de mídia renovada.
Mas é curioso perceber que a Super faz isso para se manter firme e forte. Ao mesmo tempo em que permite que qualquer leitor acesse seu farto conteúdo na internet, apela para uma estratégia inteligente para reembalar seu conteúdo para o suporte impresso. No site, há infográficos também. Mas não se compara ao prazer de vê-los em papel de revista. Prazer mesmo!
Eu disse há pouco que é curioso perceber esse caminho, pois nos anos 80 a sedução pelos olhos foi a saída para uma certa reinvenção dos jornais. A Folha de S.Paulo seguiu os passos do USA Today, que buscou na TV uma nova diagramação para suas páginas, abrindo fotos em mais colunas, recorrendo à cor e reforçando a narrativa do texto com gráficos… Àquela época, os jornais copiavam a linguagem da TV para aumentar seu tempo de sobrevivência. Como o animal que mimetiza seu predador para não ser devorado por ele.
No caso da Super, não se trata de copiar a TV novamente. Mas de reforçar nas páginas impressas uma vocação da revista, um jornalismo visual que parece funcionar muito bem no suporte de papel e não na tela. Com isso, a Super oferece conteúdos semelhantes, mas embalados de forma distinta na web e nas bancas. Não é mais o mimetismo da presa, mas a encarnação de uma pelagem para se fazer notar, como os espécimes que se transformam para seduzir e acasalar. Namorar com o leitor, no caso. Me parece inteligente, ousado, arriscado.
É bem verdade, não gostei tanto das tipologias adotadas pelo novo projeto gráfico. Mas a revista continua superatraente. De qualquer forma, é bom acompanhar o desenrolar dessa história. Ao invés de sentar, cobrir a cabeça com o véu e chorar diante do alardeado cadáver do jornalismo impresso, tem gente que está é sacudindo o caixão e bagunçando o coreto do velório…
Olá, Christofoletti!
Concordo com seu post de que a Super está sempre se renovando para manter-se firme no mercado editorial brasileiro, e investindo muito,muito no jornalismo visual, sobretudo, através dos infográficos.
Cabe notar que, embora a Super tem esse pioneirismo no impresso, construindo os chamados “megainfográficos” que ocupam duas páginas q dão conta de uma reportagem, esse ano, a Super ganhou a medalha de bronze no Malofiej (considerado o Oscar da infografia mundial) na categoria on line, com um gráfico interativo sobre as sondas nucleares.
Uma outra revista que ganhou medalha nesta premiação foi a “Nova Escola”, uma revista com pouca tradição na linguagem visual.
A Revista Época também vem investindo nos gráficos interativos nas suas reportagens (http://colunas.epoca.globo.com/fazcaber/page/8/) , o que tem sido para eles o novo desafio do design.
Isso demonstra, entre outros fatores, que a infografia brasielira está avançando, na medida em que há, além de investimentos nesta linguagem, valorização do discurso visual como transmissor da informação, tanto no suporte impresso quanto no on line….
abraços,
adriana a. rodrigues
Só completando o comentário da Adriana, no caso de Época vale destacar que este ano eles contaram com a assessoria do Alberto Cairo que ficou um tempo na redação, inclusive quando houve o acidente do vôo da AirFrance e a revista investiu pesado na infografia. No caso da Super, sua história demonstra altos e baixos na quantidade e na qualidade dos infográficos, mas seu pioneirismo e profissionalismo são indiscutíveis.
Falou e disse…