o selvagem dos livros

Causei revolta, ranger de dentes e olhares desconfiados ao dizer aqui que sublinhava trechos de livros à caneta. Mas alguns corajosos saíram do armário e deixaram comentários no blog, confessando-se também vândalos livrescos que fazem o mesmo. Aliás, na contabilidade rasa, os comentários solidários foram mais numerosos… sinal de que há um exército munido com suas canetas pronto para vilipendiar páginas e páginas por aí…

Mas preciso explicar: não desprezo os livros. Devoto a eles o que o Caetano Veloso dizia dos maços de cigarro: um amor-táctil. Adoro livro novo: o cheiro do papel, a maciez da capa, o barulhinho do farfalhar das folhas, o formato fácil de empilhar… mas há anos venho notando que as coisas vêm mudando e que posso ler em outros suportes… por causa do trabalho, consumo páginas e mais páginas diante da tela de um computador: corrijo trabalhos escolares, leio teses inteiras, reviso materiais, tudo sem apalpar papel… não é só um brio ecológico; é que assim acontece…

Com a chegada dos e-readers, essas reflexões pessoais se tornaram mais agudas. E sim, eu teria um Kindle para ler meus PDFs e carregar levemente uma boa biblioteca. Só não tenho ainda porque sou um duro… (mas aceito presentinhos sem segundas intenções…)

Por isso, o que me interessa é a leitura. Os livros também, mas um dia, é possível que eles sejam deixados de lado, como as fitas cassetes em que a gente gravava as canções favoritas diretamente do rádio… Quando isso acontecerá? Sei lá… até este dia devo rabiscar um milhão de outras páginas…

3 comentários em “o selvagem dos livros

  1. Livros podem ser sentidos de muitas formas. Há aqueles que o entendem cada vez mais substituíveis, incômodos, desajustados, fora de moda. Há outros, no entanto, que cultivam o sentimento pela peça, que se orgulham em ver o objeto na estante, perdido entre tantos outros, que olham a capa e folheiam os capítulos da histórias, resgatando sua próprias lembranças.
    Ao contrário das fitas cassetes, que duraram só uns 30 anos (pois datam de 1963, e foram largadas lá pelo começo dos anos 90), os livros têm resistido ao tempo e às tecnologias. Eles existem desde o século II A.C., e eu realmente espero que não se despeçam ao cedo…

    1. Também espero que eles durem muito mais… assim como desejo manter estantes e prateleiras de livros contigo por décadas e décadas… amém!
      bj

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