quatro meses com um e-reader

Não é novidade nenhuma que eu adore livros. Gosto de ler, de comprar, de ganhar. Carrego sempre um comigo. Leio mais de um ao mesmo tempo. Me orgulho da biblioteca que tenho em casa. Amo o cheiro de livro novo, sofro com os ácaros e traças dos mais velhos. Tenho um amor táctil por eles. Mesmo assim, tenho experimentado a leitura por meio de um e-reader: o Alfa, da Positivo.

Ele é compacto, leve, e faz as vezes do Kindle, já que o modelo da Amazon Books não pegou pra valer no Brasil. Há quatro meses tenho usado o Alfa com bastante regularidade. Descarreguei mais de uma centena de livros em PDF nele e alguns em formato ePub. Usei todos os recursos dele, alterando tamanhos das letras, orientações de leitura (vertical/horizontal), explorando a legibilidade de figuras coloridas na tela em preto e branco.

E aí, vale?

O que eu mais gosto dele é o tamanho. Envolto numa charmosa capa preta de couro, o Alfa é gostoso de pegar e de carregar. É levíssimo, confortável de abrir e ler. É ergonômico, como dizem os especialistas. É prático, pois nele você pode carregar até 1,5 mil volumes, uma biblioteca!

Mas tem lá seus defeitinhos. Para mim, o principal é o pouco contraste na tela. Como o aparelhinho usa a tecnologia de tinta eletrônica e não emite luz a exemplo de um tablet ou netbook, o Alfa precisa ser lido em ambiente claro ou iluminado. Por isso, um bom contraste entre o preto das letrinhas e o fundo da página é super bem vindo, e este e-reader deixa a desejar…

Outro probleminha é a impossibilidade de se editar as propriedades dos arquivos em PDF. Se você descarrega nele um arquivo cujas propriedades não trazem título completo e autor, no índice das obras, o livro não se encaixa na lista alfabética e vai lá para o final. Isso chega a incomodar se você tem uma grande quantidade de documentos no e-reader.

Um leitor mais conservador e fanático por livros convencionais pode ter torcido o nariz até agora. Afinal, vale a pena trocar livros de papel por eletrônicos? Vou ser sincero: este é um falso dilema. Uma escolha não exclui a outra. Eu continuo idolatrando livros de papel, bem editados, caprichosamente produzidos, cuidadosamente impressos. Mas confesso que a facilidade de comprar livros pela internet, baixá-los em segundos e poder lê-los quase imediatamente é muito tentadora. A possibilidade de carregar um número grande de obras com um peso de menos de 250 gramas também é muito atraente.

Antes de testar o e-reader, pensei que me cansaria facilmente de ler em tela e isso não aconteceu. O recurso de ajustar o tamanho da letra conforme a conveniência do leitor e a facilidade no manuseio do equipamento tornam a experiência de leitura muito agradável. (Tenho um tablet da Orange – um TB002 -, onde é possível também ler livros eletrônicos, e não é nada cômodo. Após alguns minutos, os olhos ardem, a gente muda de posição um monte de vezes, enfim…)

Compensa?

No meu caso, continuo comprando mais livros em papel que os eletrônicos. Basicamente por dois motivos: as edições convencionais são produtos mais bem acabados e as eletrônicas ainda são CARÍSSIMAS. Um exemplo que pinço da Livraria Cultura:

Céu de origamis (Luiz Alfredo García-Roza) em papel = R$ 39,00
Céu de origamis (Luiz Alfredo García-Roza) eletrônico = R$ 27,00

A segunda opção custa 70% do livro convencional, mas não tem os mesmos custos de impressão, estocagem, transporte e distribuição. NADA JUSTIFICA ISSO, até porque o autor não ganha a mais sobre o valor…

Ler livros em bons aparelhos ajuda a popularizar o hábito e a quebrar preconceitos, mas é preciso popularizar as maquininhas e as obras. Isenções fiscais vêm a calhar, mas o mercado editorial nacional também despertar para o momento e as oportunidades que se apresentam. Se não reduzirem suas margens de lucro, se não redefinirem suas políticas de preço, se não alterarem seus modelos de negócio, as editoras podem terminar como a indústria fonográfica, a mais atingida com o processo avassalador da digitalização dos arquivos. Não é praga não. É o que está diante dos nossos olhos.

ATUALIZAÇÃO DE 13/08/2012: Infelizmente, todo o entusiasmo acima foi por água abaixo, quando após um ano de uso, o aparelho quebrou e não tive nenhuma resposta efetiva da empresa para consertá-lo. Veja mais detalhes aqui: http://wp.me/p4HHl-25c

ATUALIZAÇÃO DE 17/09/2012: Atendendo aos meus chamados, a empresa me enviou um novo aparelho, o que me deixou bastante satisfeito. Mais detalhes em: http://wp.me/p4HHl-26l

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  1. Raphael Calmeto

    Tenho um Alfa há mais ou menos o mesmo tempo que você, e só posso assinar em baixo de tudo que você tisse. Tive as mesmas sensações.

    Parabéns pelo site! 😉

  2. Pingback: ponto negativo para o alfa positivo « monitorando

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