o fim do ancapital

Depois de comprar o concorrente A Notícia, o Grupo RBS – do Diário Catarinense e do Jornal de Santa Catarina – decidiu agora fechar o ANCapital, suplemento de A Notícia que circulava na Grande Florianópolis. O jornal deixa de circular amanhã, dia 1º de fevereiro.

Trabalhei em A Notícia entre 1998 e 1999. Em 1997, frilei por lá. Na época, o ANCapital não era um encarte, mas um “excarte”. O suplemento trazia o AN. Era importante para a região, o único que tratava de assuntos locais mesmo. Depois, a própria empresa medrou e jogou o jornal para dentro. Mais ainda: encurtou o AN, e tornou-o um tablóide.

Aí, veio a RBS e arrematou o concorrente, domesticando o mercado. (Para saber da história toda, siga o Jacques Mick)

A história do ANCapital termina amanhã. O sindicato e a Fenaj se apressaram a emitir nota. Veja:

Contra o desemprego, contra o fechamento do AN Capital, contra o monopólio!

A Direção do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina e a Direção da Federação Nacional dos Jornalistas repudiam o fim do AN Capital, segmento do jornal impresso A Notícia que deixa de circular nesta sexta-feira na Grande Florianópolis, assim como repudia a demissão de experientes profissionais do jornalismo catarinense. Desde a aquisição do A Notícia pela RBS, no final de 2006, o monopólio da comunicação em Santa Catarina estabeleceu o rumo do AN Capital: na época da transação, a redação contava com cerca de 30 jornalistas e, nesta quinta-feira, ao anunciar a última edição, alegando questões financeiras, havia apenas 12. O Sindicato e a Federação reiteram sua posição em defesa da diversidade de olhares, para uma informação plural e democrática – sem o AN Capital, a comunidade perde uma possibilidade de visão diferenciada sobre os fatos -, assim como exigem da RBS a manutenção de todos os postos de trabalho dos jornalistas cujas demissões foram anunciadas. Florianópolis, SC, 31 de janeiro de 2008.  Direção do SJSCDireção da FENAJ”

40 mil visitas

A catraca registra que passamos das 40 mil visitas neste endereço.

Você, que é nosso leitor, merece satisfações:

  • Estamos neste endereço há exatos 255 dias, pouco mais de oito meses.
  • Alcançamos 10 mil visitas em 28/08/2007, 20 mil em 14/10/2007 e 30 mil  em 29/11/2007
  • Até agora, deixei aqui 483 mensagens (incluindo esta)
  • Neste mesmo período, o blog recebeu 782 comentários
  • Abrimos os trabalhos neste endereço do wordpress em 20/05/2007
  • Levamos 99 dias para chegar às primeiras 10 mil visitas
  • Levamos 47 dias para chegar às 20 mil visitas
  • Levamos 46 dias para alcançar as 30 mil
  • Levamos 65 dias para chegar às 40 mil visitas
  • O dia em que este blog mais recebeu leitores foi 08/01/2008, quando o serviço de estatísticas do WordPress registrou 1174 acessos (veja o porquê)

Agradeço mais uma vez a sua visita, e espero contar com isso infinitas vezes.

fim das férias: séries e a vida que a gente leva

Não é porque é agora não. Mas os anos 90 e esta década são simplesmente o supra-sumo das excelentes séries de TV. Elas são numerosas, bem escritas, bem produzidas, envolventes, viciantes. Sei que antes já tivemos ótimos produtos, mas penso que agora não temos só bons, mas muitos e muito bons. (se você discorda, comente!)

Fiquei parado com Lost. Vi as três temporadas e me intriguei com a trama caleidoscópica.

No final da temporada de 2007, lá por junho ou julho, pensei: e agora? Os episódios só retornariam no final de janeiro. Eu tinha que conseguir algo para “pôr no lugar”, preencher o lobo de entretenimento do cérebro. Parti para os videogames. Enfrentei God of War, e fui até o final. Segui com a sequência e God of War II também foi zerado.

Voltei aos seriados e caí com o queixo em House.

Nestas poucas férias devorei as três temporadas inteirinhas. Terminei ontem mesmo.

Hoje, nos Estados Unidos, recomeça o Lost, a quarta temporada, curta por causa da greve dos roteiristas. Claro que vou voltar a acompanhar…

Mas você, que está aí do outro lado da tela, deve estar pensando: “Que besteira isso tudo. São apenas filmes e personagens que não existem. Tramas rocambolescas, ficção pura”.

Concordo. Claro que é. E é justamente por isso que importa tanto. Precisamos de fantasia, precisamos de ficção. Precisamos de narrativas todos os dias, como de ar ou de alimento. Essas narrativas me desviam o olhar, me mostram novos horizontes, me fazem ver para além da minha vidinha. A arte, a literatura, o cinema, as fofocas cotidianas, tudo isso me leva a surfar na vida contemporânea. Me dá alívio, frescor nas narinas, vento nos cabelos. 

Acompanhar o delegado Espinosa, dos romances de Luiz Alfredo García-Roza, não resolve meus problemas, não paga as minhas contas. Mas eu não o procuro para isso. Procuro para me divertir, para me envolver em outros problemas. Os meus eu faço questão de resolver. E se eu não os resolver, outros tantos ficarão na fila…

blogagens e ativismo

O Global Voices está disponibilizando um manual rápido para quem quer usar blogs a favor de causas, os chamados blogs advocacy. O manual está dividido em cinco seções:

  1. Frequently asked questions about what blog advocacy is
  2. The 5 key elements of any successful advocacy blog
  3. The 4 steps to creating an advocacy blog
  4. How to make your blog a vibrant community of active volunteers
  5. Tips to help blog activists stay safe online

O manual é gratuito, está em inglês e em formato PDF, e tem 21 páginas.
Para baixar, clique aqui.

blogbeach em bombinhas

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Anote aí: dias 23 e 24 de fevereiro tem encontro de blogueiros em Bombinhas (SC), aqui ao lado.

Esta é a primeira edição do blogbeach, que – na verdade – é um blogcamp na praia.

Para quem não conhece, Bombinhas é uma pequena e paradisíaca cidade no litoral norte catarinense, com praias ótimas para banhos e mergulhos. Tem pousadinhas charmosas, mas o acesso de carro na temporada é terrível por conta dos engarrafamentos. O site do evento é este: http://blogbeach.gvip.net

credibilidade da mídia: mais um capítulo

Reproduzo excelente texto de Venício A. Lima no Observatório da Imprensa.

A (des)confiança na mídia

Telespectadores da edição de terça-feira (22/1) do Jornal da Globo e leitores do jornal O Globo (24 e 25/1) foram surpreendidos com a informação de que “brasileiros confiam mais na mídia” e que “o governo ficou em último lugar” (entre as instituições mais confiáveis), segundo pesquisa realizada por uma empresa de nome Edelman. Surpreendidos porque outros resultados divulgados recentemente indicam tendência exatamente oposta.O que justificaria mudança tão repentina na opinião dos brasileiros?Um estudo mundial sobre a credibilidade das instituições, contratado pela BBC, a Reuters e o The Media Center, realizado em março de 2006, revelou que, no Brasil, mais da metade dos entrevistados – ou 55% – declarou que não confiava nas informações obtidas através da mídia. Entre todos os países pesquisados, esse percentual era igual ao da Coréia do Sul e só não era maior do que o obtido na Alemanha (57%). Além disso, a pesquisa revelou que, comparativamente, o Brasil era o país onde os entrevistados estavam mais descontentes com a sua própria mídia: 80% disseram que a mídia exagera na cobertura das notícias ruins; 64% concordam que raramente encontram na grande mídia as informações que gostariam de obter; 45% não concordam que a cobertura da grande mídia seja acurada; e 44% declaram ter trocado de fonte de informação nos 12 meses anteriores por terem perdido a confiança [ver, neste Observatório, “Pesquisa revela a (des)confiança na mídia“].

Parte da elite

Por outro lado, além das sucessivas pesquisas de opinião realizadas pelos principais institutos brasileiros (Ibope, DataFolha, Sensus, Vox Populi) indicarem índices positivos de avaliação do governo, o LatinoBarômetro 2007 divulgado em novembro de 2007 mostrava que o presidente do Brasil foi o mais bem avaliado da América Latina (ver aqui).

Ao contrário, a notícia publicada no jornal O Globo (25/1, A-8), com o título “Brasileiros confiam mais na mídia” e subtítulo “Pesquisa mostra que imprensa tem credibilidade para 64%; governo, para 22%” afirma que:

“Pesquisa realizada pela multinacional de relações públicas Edelman mostrou que 64% dos brasileiros consideram a mídia a mais confiável das instituições. Conforme informou ontem a coluna Ancelmo Gois, no Globo, o governo é a instituição de menos credibilidade para os brasileiros – apenas 22% das pessoas ouvidas disseram ter confiança” [ver abaixo texto integral da matéria].

Um leitor atento, no entanto, que não se inclua entre os brasileiros entrevistados e não confie tanto assim na mídia, poderá, ele próprio, visitar o site da Edelman – a maior empresa de relações públicas do planeta, com sede em New York/Chicago e escritórios em 46 cidades de 23 países dos 5 continentes, inclusive São Paulo – e obter informações fundamentais que não encontrará na matéria de O Globo sobre a tal pesquisa.

O “2008 Edelman Trust Barometer” foi realizado nos meses de outubro e novembro de 2007 e os 150 (isso mesmo, cento e cinqüenta) entrevistados, por telefone, no Brasil, são considerados (por quais critérios?) “líderes de opinião” – 50 deles entre 25 e 34 anos e 100 entre 35 e 64 anos. Eles têm curso superior, pertencem aos 25% detentores do maior nível de renda por domicílio e têm grande interesse em assuntos relacionados à mídia, à economia e aos negócios públicos.

Trata-se, portanto, de uma amostra de parte da elite brasileira, sem qualquer representatividade do conjunto da população.

Amostras representativas

Lendo e relendo os textos das matérias de O Globo e do Jornal da Globo, fica-se com a impressão de que eles foram escritos deliberadamente para passar a impressão (falsa) de que a maioria dos brasileiros confia mais na mídia do que no governo. As matérias, ao não contextualizarem a informação e omitirem dados essenciais sobre a pesquisa da Edelman, acabam por contar uma meia verdade que esconde uma inverdade.

Não é sem razão que a credibilidade da mídia, revelada por pesquisas feitas com amostras estatisticamente representativas do conjunto da população, é – ao contrário do que diz O Globo – cada vez menor entre os brasileiros.

pausa para pensar

Mindy McAdams faz um rapidíssimo comentário sobre senso comum, compaixão e ética jornalística.

Vale a pena ler. E pensar sobre.

credibilidade avança na internet

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 O Centro para o Futuro Digital da USC Annenberg School publicou a pesquisa Digital Future Report, com aspectos mirando 2008. O estudo é seriado, está na sétima edição, e permite uma visão histórica, evolutiva, das tendências na relação entre usuários norte-americanos e sistemas midiáticos.

Luís Santos, do Atrium, destaca quatro aspectos do documento:

1. A Internet é cada vez mais um espaço considerado prioritário para a busca de informação – 80 por cento dos questionados com mais de 17 anos de idade (contra 66 por cento em 2006);

2. A informação online é cada vez mais credível – válido para 46 por cento dos utilizadores da web e para 43 por cento dos não-utilizadores;

3. As páginas web dos orgãos de comunicação estabelecidos são consideradas muito fiáveis como fonte de informação – cerca de 80 por cento dos questionados afirma confiar na informação disponibilizada em espaços como o NYTimes ou a CNN (contra 77 por cento em 2006)

4.Would you miss the print edition of your newspaper?” – 52 por cento dizem que sim mas 27 por cento dizem já que não.”

 

Dei uma olhada no paper da pesquisa, e o que me chamou mesmo a atenção foi a seção sobre credibilidade na web, uma preocupação científica minha há alguns aninhos…

A pesquisa da Annenberg School pode ser comprada na íntegra, mas o site disponibiliza um resumo executivo. O documento tem dez páginas em formato PDF e traz dados telegráficos sobre os seguintes pontos:

  • A internet nos Estados Unidos
  • Não-usuários de internet
  • Uso midiático e confiança
  • Comportamento do consumidor
  • Padrões de comunicação
  • Efeitos sociais
  • As crianças e a internet
  • Poder político e influência

sai-fai: o que é e como se faz

Adriana Amaral pegou o bonde da Raquel e também fez sua listinha de bibliografia básica sobre Ficção Científica (Sci-Fi, ou Sai Fai, como gostaria o Millôr). Para analfabetos no assunto como eu, a lista é mais do útil.

A gente encontra robôs, ciborgues, replicantes, ciberpunks, pós-humanos e mais gente esquisita, como eu…

A lista está aqui.

lessig de graça (claro!)

Daniela Bertocchi, do Intermezzo, avisa que o novo livro de Lawrence Lessig já está na rede para baixar.

Para quem não se lembra, Lessig é o professor de Direito que bagunçou o coreto dos direitos autorais ao criar a licença Creative Commons, que flexibiliza esses direitos e permite maior circulação e compartilhamento das idéias.

Baixe o livro “The Future of Ideas” daqui.

ATUALIZAÇÃO:

Suzana Gutierrez me puxa a orelha. Sim, ela deu antes a notícia: em 15 de janeiro. Veja aqui.

lista de artigos sobre blogs

Raquel Recuero, do Every Flower is Perfect, acaba de publicar uma utilíssima lista de artigos sobre blogs.

Como qualquer lista na web, ela está em constante expansão e revisão.

Veja aqui.

suharto vai pro inferno

Suharto morreu. Sem ser julgado.

Mais um ditador truculento que escapa da justiça.

Vai se juntar a Pinochet, Stroessner, Médici, Hitler, Milosevic

Já vai tarde.

poeira e naftalina

Me diverti muito vasculhando o Blog do Dodô, mantido pelo Marcos Palacios. Embora seja produzido lá de Salvador, o blog não trata nem de trio elétrico nem do artilheiro baiano. Trata de velharias, de quinquilharias e curiosidades que a era da informação parece tentar esconder:

Mapas antigos

Marcadores de livros

Fotos em preto e branco

 Previsões malucas do futuro

Revistas velhas

Coleções

Velhas tecnologias

E por aí vai…

Ah, por que chama Blog do Dodô?
Ora, porque trata de coisas extintas ou em extinção.
Como a ave desajeitada e com bico curvo. Cuóoooooooo!

minhas virtualidades

  • Sim, deixei o orkut no ano passado. Eu tinha mais de 400 amigos. Quando mandei mensagem à lista anunciando minha saída, apenas três pessoas se manifestaram. Isso provou que eu não faria muita falta.
  • Não, não estou no Second Life.
  • Sim, já fiz compras pela net.
  • Não, quase nem uso o MSN.
  • Sim, quase nem uso o Skipe, mas gosto dele.
  • Não vivo sem RSS, vou de Bloglines.
  • Tenho quatro contas de email: no UOL, no webmail da Univali, no Hotmail e no CNPq.
  • Tenho um blog e uma página pessoal que precisa ser recauchutada.
  • Sim, me rendi de curiosidade e estou experimentando o Twitter.

são paulo, a cidade

Em Sampa, hoje é feriado. Mas todo o mundo sabe que a cidade não pára. Nem na canção, nem na realidade.

Outro dia, senti uma estranha saudade de lá.

Hoje, foi nostalgia.

A ironia move meus dedos no teclado agora. Volto cem, duzentos, trezentos anos. Tempo das bandeiras, do faroeste caboclo…

Os bandeirantes cortaram picadas, avançaram sobre a grande muralha da Mata Atlântica, construíram cidades e expulsaram os selvagens. Mataram os bugres, não é mesmo?

Claro que sim. Basta olhar nas placas das ruas, nos obeliscos, no mapa:

Tietê

Morumbi

Cupecê

Paranapiacaba

Anhangüera

Pacaembu

Itapemirim

Anhembi

Jaraguá

Ipiranga

Ibirapuera

Anhangabaú

Jaçanã…

Não sobrou nadinha dos índios…

winehouse: será que ela se rendeu?

Amy Winehouse aceitou ser internada numa clínica de desintoxicação. (Para saber mais, leia a notícia no G1, aqui).

Justo ela que canta a plenos pulmões

“Tentaram me mandar pra reabilitação mas eu disse
não não não
Sim, eu tenho estado mal mas quando eu voltar vocês vão saber, saber, saber
Eu não tenho tempo e se meu pai acha que estou bem
Ele tentou me mandar pra reabilitação mas eu não vou, vou, vou”

O trechinho é de Rehab – Rehabilitação – do excelente CD Back to Black.

Será que ela se rendeu mesmo?

proibição da venda de bebidas nas estradas

Tenho visto e ouvido muita besteira nos últimos dias sobre a medida do governo que proíbe o comércio de bebidas em estradas federais. Tem chiadeira dos comerciantes, lei da mordaça entre os patrulheiros e algumas manifestações de motoristas. O argumento mais usado por quem vende bebidas em postos de gasolina, bares e restaurantes é o de que a medida não irá impedir o consumo de bebidas alcoólicas por quem realmente quer beber. Basta trazer suas garrafas ou latinhas no próprio carro. Ou ainda passar em qualquer estabelecimento em área urbana.

Ok, é verdade. Mas é um sofisma.

A medida do governo não tem a pretensão de erradicar o consumo de bebidas nas estradas. Seria muita pretensão ou alguma ingenuidade. O propósito é simples: não fazer vista grossa para este comércio nas estradas federais, nos locais da sua jurisdição. E claro: não facilitar o acesso.

O governo está certo? Está. E a medida demorou. Deveria ter sido implementada antes, bem antes. O governo tardou em atuar. E agora, faz apenas o necessário, nada mais que isso. A medida vem em bom tempo porque já vale para este carnaval. Mas penso aqui: e se tivesse sido antecipada em seis meses? Certamente, não teríamos os mesmos números vistos nos feriados de Natal e Reveillon…

E a medida precisa ser estendida para as estradas estaduais, por meio de leis específicas. Em São Paulo, já é assim. Minas e Santa Catarina, sempre na dianteira das tristes estatísticas, deveriam fazer o mesmo.

A lei não é a panacéia, mas é uma ação. O governo e a sociedade não podem se omitir. Agir é o contrário de se omitir.

Milhares de pessoas morrem no trânsito todos os anos. Muitos dos acidentes estão diretamente associados ao consumo de álcool. Há campanhas cada vez insistentes sobre a não combinação entre bebida e trânsito. A sociedade cada vez mais está consciente desses riscos.

A proibição da venda de bebidas em estradas federais não é populista, nem moralista. As mortes no trânsito são questões de saúde pública. As estatísticas são suficientemente claras e trágicas. Quem já perdeu alguém assim sabe o que é isso. Quem ainda não perdeu, não pode esperar que isso aconteça. Os argumentos dos comerciantes são movidos apenas por um interesse: o financeiro.

Até quando ficaremos vendo e revendo imagens e fotos de acidentes, com corpos mutilados, metal retorcido e gente sofrendo pelas perdas?

de volta

Após um curto período afastado das blogagens, retorno pra valer.

Não foi férias não!

Apenas mudei de casa, fiquei sem telefone, internet, tempo e energia para isso.

Agora, com tudo mais ou menos ajeitado – nunca nada está em ordem, abandone essa ilusão! -, estamos de volta com nossa programação anormal. Porque fiquei de jejum, não quero agora matar a fome, mas lá vão alguns links de aperitivo

logo, logo

feliz.jpg

As coisas estão se ajeitando.

Estou muito feliz.

Voltarei a qualquer momento.

man at work

Estou com os cabelos em pé e a cabeça na lua.
Estou de mudança.
Dá um trabalho insano.

Por isso, ficaremos fora do ar para a troca de nossos transmissores. Na sequência, voltaremos com nossa programação anormal.

meme do “onde você estava em…”

Adriamaral me passa um meme. Eu respondo e convoco DVerasRobson, Larissa e RogerKW. Para repassarem a mais alguns por aí.

1. O que você estava fazendo em 1978 (há 30 anos)?

Estudava na escolinha infantil Emílio Carlos, em São Caetano do Sul (no ABC, certo). Me maravilhava com Sítio do Pica-Pau Amarelo e adorava uma macarronada que serviam na escola nas sextas, com danone. Já tinha dois manos.

2. E em 1983, há 25?

Em Rio Claro (SP), Ouvia Thriller de carona. Minha vizinha tinha comprado, e o prato não descolava do disco. Meses depois, eu e toda a periferia imitaríamos os passos de Michael Jackson em gincanas escolares. Pode?

3. O que você estava fazendo em 1988?

Frequentava bailinhos juvenis. Beijava umas meninas. Me metia em poucas confusões, e estudava muito. Era do tipo CDF. Pensava em ser astronauta, zoólogo, militar, escritor e jornalista. Eu optaria pelos dois últimos.

4. E em 1993?

Já era adulto. Já trabalhava em jornal em Bauru (SP) e estava devidamente amasiado. A vida se descortinava à minha frente.

5. O que estava fazendo há 10 anos?

Já estava em Florianópolis, Santa Catarina, para um exílio voluntário. Frilava no jornalismo e fazia o mestrado. A terra prometida.

6. E há cinco?

Estava prestes a defender o doutorado, já tinha deixado o jornalismo diário e casado mais uma vez. Na verdade, já estava grávido…

ensino de jornalismo na áfrica

Pense em jornalismo. Agora pense na África. Isso: jornalismo na África. Mas vá adiante: pense em como se formam os jornalistas no continente esquecido. Isso… ensino de jornalismo na África.

Para saber mais sobre isso, há diversos artigos na edição 28 da revista African Journalism Studies, editada pela Universidade de Wisconsin.

Veja parte do índice desse número:

Journalism education as a vehicle for media development in Africa: The AMDI project
 
[Abstract] [PDF]  – Patrick M. McCurdy and Gerry Power

In search of journalism education excellence in Africa: Summary of the 2006 Unesco project
[Abstract] [PDF]  – Guy Berger

Contextualising journalism education and training in Southern Africa
[Abstract] [PDF] – Fackson Banda, Catherine M. Beukes-Amiss, Tanja Bosch, Winston Mano, Polly McLean, and Lynette Steenveld

Institutional and governmental challenges for journalism education in East Africa
 
[Abstract] [PDF] ]- Terje S. Skjerdal and Charles Muiru Ngugi

West African journalism education and the quest for professional standards
 
[Abstract] [PDF] – Folu F. Ogundimu, Olusola Yinka Oyewo, and Lawrence Adegoke

South African journalism education: Working towards the future by looking back
[Abstract] [PDF] – Nicolene Botha and Arnold S. de Beer

Revisiting the journalism and mass communication curriculum: Some experiences from Swaziland
 
[Abstract] [PDF] – Richard Rooney

Para chegar à edição na íntegra,
acesse aqui: http://ajs.uwpress.org

férias (5): vídeo dá a dica do que fazer

A equipe do Monitor de Mídia é quem dá as sugestões, faça chuva ou faça sol…

uma campanha mentirosa

el_grito.jpg 

Quem tem TV a cabo sabe o que estou dizendo.

No meio da programação, um rapaz levemente calvo com ar grave e tom ameaçador diz que se um tal projeto de lei for aprovado haverá uma hecatombe na TV a cabo. Não poderemos mais escolher o que assistimos, pois “eles” escolherão pra gente. A liberdade vai acabar. Oh!!!

Uma pinóia!

A discussão gira em torno do projeto de lei 29/2007, que – entre outras coisas – define cotas de programação nacional na TV por assinatura. O anúncio da Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA) é super apelativo (veja aqui). O tom é apocalíptico. E mentiroso, sejamos claros.

Afinal, não é o telespectador quem define o que assiste. Se fosse assim, na minha casa, não teria os canais Canção Nova, Shoptime, Mercado Persa, Canal do Boi, TV Turfe, e por aí vai. A gente escolhe o pacote e a operadora, e olhe lá. Então, os caras vêm fazer beicinho porque alguns parlamentares querem instituir uma reservinha de mercado para os produtores nacionais (o que gera emprego e renda AQUI, promove a cultura regional, a diversidade de conteúdos, coisas sem importância, né?)…

Os caras são tão manipuladores que, no alto do site da campanha, acima do contador, eles colocam “Até agora são …. pessoas participando”. Como se quem passasse por ali estivesse engajado numa batalha.

Ora, faça-me o favor!

Para saber mais, veja o site da campanha da ABTA ou leia a resposta do deputado Jorge Bittar ao ataque.

Em tempo: O projeto de lei prevê cota de 50% para canais pagos brasileiros , mais 10% de programação nacional nos canais estrangeiros – que hoje somam 75% da programação da TV por assinatura no Brasil.

retrato da mídia na iberoamerica

O antenadíssimo Ramón Salaverria, do blog e-periodistas, informa que a Fundação Telefónica acaba de lançar mais uma edição do anuário Tendencias 7 – Medios de Comunicación, que trata do cenário ibero-americano na mídia.

O arquivo pode ser baixado aqui, mas vou avisando que é pesadinho: 10,2 Mb. São 421 páginas em PDF, fartamente ilustrada com gráficos coloridos e demais imagens. Entre os colaboradores do documento estão nomes de peso como Luis Ramiro Beltrán, Octavio Islas, Jesús Martín-Barbero, German Rey. No comitê científico, também: Antonio Fidalgo e Guillhermo Mastrini. Três brasileiros apenas nos créditos: José Marques de Melo, Matías Molina e Maria Immacolatta Lopes.

Se você quer saber sobre blogs, mas tem preguiça ou pressa, Salaverria destaca alguns pontos, que reproduzo:

“En la parte 3, la investigadora Bella Palomo publica un capítulo sobre “Blogs en el espacio iberoamericano” (pp. 215-225), donde expone los resultados de una encuesta realizada entre periodistas-bloggers iberoamericanos, a la que contribuí con mis respuestas. Los resultados principales son:

  • El 75% de los periodistas-bloggers tiene menos de 40 años.
  • Tres de cada diez blogs son elaboradas por mujeres periodistas.
  • La mitad de los periodistas iberoamericanos con blog tiene varias ocupaciones profesionales.
  • Los periodistas menos atraídos por el periodismo 3.0 son los dedicados al sector audiovisual y a la comunicación institucional.
  • Tres de cada cuatro encuestados consideran que con el blog practican periodismo de opinión.
  • El 61,9%cree que el mayor logro de su blog ha sido hablar con la audiencia.
  • El 52,4% ha logrado una libertad editorial que no tiene en el medio para el que trabaja.
  • Sólo un 3% ha logrado por esta vía otra fuente de ingresos.
  • El 63% recibe comentarios ofensivos.
  • El 40% ha recibido ofertas de trabajo a través de su blog.
  • Al 63% no le preocupa la cuestión del copyright.
  • El 35% sabe que en alguna ocasión han plagiado contenidos de su blog.
  • El 60% ha incorporado alguna vez elementos multimedia en su blog.”

Evidentemente, o documento não pode ser resumido a isso.
Há muito mais. Principalmente, nas partes finais, das tendências…
Merece longa degustação… enjoy it.

estímulo à pesquisa

O Brasil responde hoje por 1,7% da produção mundial em ciência e tecnologia. É pouco, eu sei. Mas já foi pior. Outro dia, passamos Suíça e Suécia nessa corrida.

Este índice se refere à quantidade de artigos publicados em periódicos internacionais indexados em importantes bases de dados. Estados Unidos e Japão estão à frente. Por várias razões: têm políticas científicas perenes e consistentes; os investimentos vêm das empresas também; e as áreas de Ciência e Tecnologias (C&T) e Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) são consideradas prioritárias, estratégicas.

Nos países da vanguarda científica, pesquisadores são muito bem tratados: contam com tempo para se dedicar, com infra-estrutura para trabalhar e até mesmo com incentivos financeiros.

Por aqui, a coisa vai caminhando nessa direção, mas a passos bem mais lentos. O governo Lula anunciou enxurrada de recursos (R$ 41 bilhões até 2010), concedeu aumento para bolsas e tem universidades que até dão prêmios para quem publica em revistas respeitadas lá fora. É o caso da Unesp, que lançou um programa que dará R$ 15 mil às equipes de pesquisadores que publicarem artigos na Science e na Nature, as mais proeminentes publicações do gênero. Na Unicamp, os 20 melhores professores do ano recebem prêmios de R$ 25 mil. Na Federal de Viçosa, o pacote de incentivos prevê pagamento por serviços de tradução e medalha anual conferida ao pesquisador de maior destaque da instituição. Em dez anos, a UFV aumentou sua produção científica em 640%!!

No Paraná, o governo aumentou em 25,7% o orçamento da pasta de Ciência e Tecnologia, o que significa contar com R$ 694 milhões por ano.

Aqui em Santa Catarina, o prefeito da capital lava as mãos e a pesquisa com cobaias é proibida. Na esfera do governo estadual, dia 15, sai a nova lei de inovação, que vai criar um conselho estadual para a área. Apesar disso, as torneiras parecem entupidas: recursos ainda não foram repassados para pesquisadores contemplados em editais e prêmios…

Mais detalhes no Jornal da Ciência.

férias (4): dois clipes

Jamie Cullum é descolado, talentoso, jovem, pulsante e mal começou a botar pra quebrar.

Porque os dias têm sido lindos por aqui, ofereço dois clipes legaizinhos. 

Everlasting lover

Get your way

revista na rede

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 De Portugal vem a notícia: já está na rede a versão eletrônica da revista Estudos em Comunicação/Communication Studies, editada pela Universidade de Beira Interior.

O segundo número da publicação semestral, datado de dezembro de 2007, vem com a seguinte composição:

  • MUDs and power – Reducing the democratic imaginary? – Nico Carpentier, Niky Patyn
  • What is Visual and What is Evident About Racial Definitions in Media Representations? Journalism rhetoric, crimes reports and racial profiling practices – Juliana Santos Botelho
  • Risco, dispositivos de informação e a questão do governo em sua relação com a saúde nas sociedades contemporâneas – Mónica Carvalho
  • O preto no branco: democracia midiática no Brasil e a presença de negros nas fotos dos jornais – Rogério Christofoletti, Marjorie K. J. Basso
  • Journal télévisé et information d’urgence vers une nouvelle approche sémiodiscursive. Alexandre Manuel
  • Horizontes do webjornalismo. Rui Torres
  • Verdade e rigor no Jornalismo. Heitor Costa Lima da Rocha
  • La ideología liberal y los medios de comunicación en Polonia. Radoslaw Sajna
  • O Espaço Público na rádio do sec. XXI. Vítor Soares
  • Evolução da regulamentação da mídia eletrônica no Brasil. Edgard Rebouças, Mariana Martins
  • A verdade dos Factos – Excurso sobre o serviço “FactCheck” no jornalismo político Isabel Salema Morgado
  • Entre crime e terrorismo: o dilema apresentado pela Folha de S. Paulo. Beatriz Marocco
  • Comunicação, participação política e deliberação nas democracias contemporâneas. Gil Batista Ferreira
  • Espaço público no Brasil: visões da tragédia – Verónica Aravena Cortes, Célia Regina da Silva, Maria Cleidejane Esperdião
  • Investigative Romanian journalism in electoral campaigns: 2000 vs. 2004 – Valentina Marinescu
  • Cibercidadania na República Tecnológica: contribuições info-inclusivas dos novos paradigmas transculturais canadenses(Unesp-Bauru/UofT-Canadá /CAPES) – Ricardo Nicola
  • Oposição não convencional em Portugal e em Espanha entre 1980 e 1995 – Um primeiro estudo comparativo – António Rosas
  • Comunicação e política nos discursos presidenciais de tomada de posse: 1974-2006 -Paula Espirito Santo
  • A eleição do centro vista da periferia: as legislativas na imprensa regional – José Ricardo Carvalheiro
  • Versão completa em PDF está aqui: http://www.labcom.ubi.pt/ec/02/pdf/EC02.pdf

    O editor de Estudos em Comunicação é o professor João Carlos Correia.

    um prêmio e duas chamadas de texto

    O prêmio:

    Estão abertas as inscrições para a primeira edição do Prêmio IETV de Pesquisa sobre Televisão. O objetivo do prêmio é ajudar a estreitar as relações entre aqueles que fazem e aqueles que pensam a televisão: o mercado e o meio acadêmico. O prêmio contempla os trabalhos finais de cursos de graduação e pós-graduação, produzidos entre 2006 e 2007. Nesta primeira edição, o prêmio contemplará o tema “O desafio da construção de conteúdo original para a televisão digital”.O prêmio se divide em três faixas:

    – Tese de Doutorado: R$4.000,00
    – Dissertação de Mestrado: R$2.000,00
    – Monografia de Conclusão de Curso: R$1.000,00

    As inscrições podem ser feitas até o dia 20 de março de 2008 pelo site do IETV ou na sede do Instituto: Rua Barão do Flamengo, 32, 3º andar, Flamengo – Rio de Janeiro. CEP. 22220-080.
    Para ver o regulamento, acesse o site: www.ietv.org.br

    Chamada de texto nº 1:

    The journal Brazilian Journalism Research is now announcing a call for paper for its next issue, to be printed during Semester I, 2008. The deadline is february 15th, 2008. Brazilian Journalism Research is a semi-annual scientific journal published by the Brazilian Journalism Researchers Association (SBPJor). For further information about SBPJor, please visit our website ( www.sbpjor.org.br). The association is dedicated to theory and research on journalism (both theoretical and empirical work). The journal is totally edited in English.

    Chamada de texto nº 2:

    La Revista de Comunicación de la Facultad de Comunicación de la Universidad de Piura, Perú convoca a los autores que lo deseen a participar en el número 7 de la Revista de Comunicación, que edita la Facultad de Comunicación de la Universidad de Piura (Perú) y que saldrá a finales de octubre de 2008. Esta publicación -de periodicidad anual e indizada en Catálogo de Latindex- pretende difundir material de alta calidad teórica, filosófica, empírica y metodológica sobre temas de comunicación desarrollados tanto en el ámbito académico como el profesional.

    La publicación cuenta con tres secciones:

    Artículos de investigación (Research Papers):   Material académico de investigación que permita un manejo de información más   conceptual, metodologías más complejas, revisiones o réplicas a teorías.

    Artículos de divulgación  (Working Papers):   Material académico divulgativo, orientado hacia la identificación de problemas en la profesión y sus posibles soluciones, así como estudios que introduzcan nuevos campos de trabajo, etc. 

    Reseñas Bibliográficas (Book Reviews). 

    Informações: http://www.fcom-udep.net/rcom_col.html

    outra avalanche no contador

    Aconteceu aqui o que havia ocorrido ao blog do GJOL em 30 de maio de 2007. De repente, percebi que a catraca não parava de girar. Fui rastrear e vi a razão: Ricardo Noblat indicou o Monitorando na sua seção Vale a pena acessar.

    Para se ter uma idéia, apenas ontem, tivemos quase dez vezes a média de visitas que temos diariamente. A maioria delas seguindo o link de Noblat, um dos blogueiros mais populares e influentes do país.

     

    Nossos sistemas marcaram 1175 visitas ontem, um novo recorde.

    Obrigado, Noblat, pela maré.

    Obrigado a você também que passou por aqui.
    Seja estreante ou íntimo. Volte quando quiser.