ética jornalística: 5 links do momento

@ Robert Niles tem mexido com marimbondos. Leia a primeira parte de suas reflexões sobre jornalismo, ética e publicidade em sites jornalísticos.

@ Leia a segunda parte do texto de Niles.

@ The New York Times se preocupa que os avanços tecnológicos e a web 2.0 interfiram na credibilidade de seu jornalismo. Por isso, estabeleceu uma política para o uso de redes sociais, por exemplo…

@ Que futuro para o jornalismo?, pergunta-se Daniel Cornu, ombudsman dos veículos do grupo suíço Edipresse de mídia.

@ Cristina Charão, do Observatório do Direito à Comunicação, entrevista o jornalista Alberto Dines, do Observatório da Imprensa.

caso englaro e a coragem de decidir pela “boa morte”

A família de Eluana Englaro conseguiu, nesta semana, a permissão da Justiça italiana para a eutanásia. Eluana, que tem 37 anos, está em coma, num estado vegetativo, há 17 anos, desde que sofreu um acidente automobilístico. O caso vem provocando tremores de terra no país seja pela polêmica natural da decisão judicial seja pelo alto contingente católico da população.

Eluana foi transferida para um hospital em Udine, onde deve morrer pacificamente, embora já haja movimentos inclusive políticos para impedir o procedimento.

O caso lembra de perto a história de Terry Schiavo (foto), a norte-americana que viveu por 15 anos em condições semelhantes e que morreu em março de 2005 após retirarem o tubo de alimentação que a mantinha. À época, o marido de Terry enfrentou os pais dela na justiça para conseguir a autorização que permitiria a morte.

É claro que esta decisão não é nem um pouco fácil. Para ninguém. Não existe consenso em nenhuma parte do mundo sobre a eutanásia e sobre como lidar com situações como a de Eluana e Terry. As duas mulheres foram – cada uma a sua maneira – desligadas de suas vidas convencionais e mantidas por aparelhos por anos e anos. Seus familiares cuidaram delas, administrando não apenas a manutenção artificial do corpo de um ente querido como também as intensas emoções que isso implica. Amigos e parentes sofreram com a excepcionalidade dessas existências nos últimos anos.

Os sempre nervosos debates acerca da eutanásia são recheados de elementos filosóficos, religiosos, éticos. Teme-se decidir pela morte, mas sofre-se com a manutenção de uma vida tão atípica, tão dependente, tão precária. Decidir pelo não-viver depende de coragem, de convicção, de convencimento. Decidir pela morte dos outros é delicadíssimo, pois implica em tomar as rédeas da vida de quem não as pode conduzir.

Por outro lado, não sabemos se Eluana, no caso, deixará o estado vegetativo e retomará a sua vida normal. Não sabemos também em que condições pode voltar. Ignoramos como seus familiares já estão cansados, exauridos dessa tragédia toda. Talvez sua morte seja mesmo o descanso de todos, o fim de uma agonia que não se dissipa.

Se situação semelhante estivesse se dando no Brasil, penso que os debates e a polêmica seriam semelhantes aos que assistimos na Itália. De alguma maneira, somos muito parecidos – em espírito e humor – com os italianos. Não sei se nossa Justiça assumiria os riscos e bateria o martelo da mesma forma. Nosso ministro da Justiça deu amparo a um homem que responde pelas acusações de quatro homicídios e por terrorismo, mas não sei se optaria pela chamada “boa morte”…

Eu, aqui com meus botões, penso que os Englaro estão no caminho certo. Não vão deixar de amar a filha querida que se apagou num acidente. Não esquecerão dos anos devotados a ela, na saúde e na doença. Mas talvez possam fazer permanecer em suas memórias a melhor imagem da filha, vivendo normalmente, rindo, conversando, cantando, entrando apressada em casa, falando ao telefone…

O fato é que viver é uma tarefa difícil. Permanecer vivo requer vontade, amor à vida, sentido de permanência. A vida sem desejo é uma palavra de quatro letras sem o menor sentido.

darwin, 200: a celebração

No próximo dia 12 de fevereiro, serão celebrados 200 anos do nascimento de Charles Darwin. O marco já está sendo comemorado em diversas partes do mundo. Datas redondas costumam emplacar grandes homenagens, e parte da mídia já está fazendo isso.

A versão brasileira da revista Scientific American trouxe um especial neste mês, com textos de diversas personalidades do mundo científico mundial. Para leigos como eu – que ainda não evoluíram o bastante, hehehe.. -, a edição é pouco didática, mas vale dar uma olhada no capricho das imagens e do tratamento gráfico dado ao tema. No mesmo número, um artigo desce a madeira no Criacionismo e na Teoria do Design Inteligente. Aliás, a revista não fica em cima do muro, escancarando o que pensa: coloca na capa que a evolução, conforme Darwin, é a idéia mais poderosa da ciência!

A GloboNews está exibindo desde o final de janeiro uma série sobre o tema no programa Milenium, e até deixou um hotsite interativo. Mas as coisas não param por aqui. Tenha certeza: vamos ouvir e ver muito mais sobre isso nos próximos dias…

Se o bicentenário de Darwin te interessa, veja o site que o Natural History Museum criou para a celebração.

Veja alguns vídeos curtinhos sobre o Darwin’s Day dos anos passados:

Ah! Parabéns, Charles!

mino carta não deixa pedra sobre pedra

Mino Carta, o lendário publisher de Carta Capital, pendura as chuteiras no blog e promete “se calar” na própria revista. Desiludido, é o que diz em A despedida.

Contundente e lúcido, faz sua leitura pessoal dos últimos 45 anos da história política brasileira, e não deixa ninguém em pé… a não perder de vista.

univali abre mba em mídias digitais

mbalogo

Estão abertas as inscrições para o MBA em Mídias Digitais da Univali. O curso de especialização tem 35 vagas e começa em abril no campus de Itajaí. As inscrições vão até 31 de março, e ex-alunos da Univali tem 15% de desconto sobre as mensalidades.
Com duração de 18 meses, o MBA é voltado para graduados em Comunicação Social, Ciências da Informação, Design Gráfico, Licenciaturas, Bacharelados em Humanas, Ciências Sociais e Artes, além de áreas afins. O público alvo é extensivo ainda a profissionais de instituições públicas ou privadas que tenham relação com produção de conteúdo e processos editoriais para mídias digitais.
O MBA em Mídias Digitais é uma iniciativa multidisciplinar, que reúne professores mestres e doutores de campos distintos do conhecimento: da Comunicação ao Design, passando pela Informática e Educação. Foram convidados ainda professores de outras instituições, como as universidades federais de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
As aulas acontecerão em modernos e bem equipados laboratórios na Univali, quinzenalmente, sempre às sextas-feiras (noite) e sábados (manhã e tarde). O currículo está apoiado em três unidades, cada um com 120 horas. Cada unidade reunirá quatro disciplinas, um seminário e um oficina, totalizando 18 atividades em sala de aula.

Conheça a grade curricular:
Unidade I – Tecnologia e Sociedade
Comunicação e interação mediada por computador (24 horas)
Tecnologia e a informação estratégica (24 horas)
Teorias da Cibercultura (24 horas)
Educação e Comunicação (24 horas)
Seminário: Análise crítica de mídia digital (12 horas)
Workshop: Webwriting (12 horas)

Unidade II – Comunicação Digital
Convergência de mídias (24 horas)
Sociedade em Rede (24 horas)
Ambientes Virtuais de Aprendizagem (24 horas)
Hipermídia e o texto na internet (24 horas)
Seminário: Media Training (12 horas)
Workshop: Webdesign (12 horas)

Unidade III – Produtos Digitais
Produção multimídia (24 horas)
Jogos digitais e plataformas de entretenimento (24 horas)
Ferramentas colaborativas (24 horas)
Metodologia da Pesquisa (24 horas)
Seminário: Direitos autorais na web (12 horas)
Workshop: Produção Multimídia (12 horas)

Saiba quem são os professores:
– Dr. Alex Primo – UFRGS
– Dr. Flávio Anthero Nunes – UNIVALI
– MsC. Valquíria Michela John – UNIVALI
– MsC Carlos Castilho – ASSESC
– MsC Sandro Lauri Galarça – UNIVALI
– MsC Mary Vonni Meurer de Lima – UNIVALI
– MsC Vera Lúcia Sommer – UNIVALI
– Dr. Luís Fernando Máximo – UNIVALI
– MsC. Laura Seligman – UNIVALI
– Esp. Tiago Ficagna – UNIVALI
– Dra. Maria José Baldessar – UFSC
– Dr. Rudimar Scaranto Dazzi – UNIVALI
– Dr. Rogério Christofoletti – UNIVALI

Inscrições:
De 2 de fevereiro a 31 de março. Para isso, junte:
* Formulário para Inscrição totalmente preenchido;
* Diploma de conclusão de graduação (cópia autenticada);
* Histórico escolar de graduação (original ou cópia autenticada);
* “Curriculum Vitae” resumido (atualizado);
* Carteira de Identidade e CPF (cópia);
* Uma foto 3×4 recente

Custos:
Inscrição (R$ 384,00) + 17 parcelas de R$ 384,00. Ex-alunos da Univali pagam R$ 326,00

Mais informações:
Gerência de Pós-Graduação da UNIVALI – Itajaí/SC – Bloco 5 sala 105
Rua Uruguai, 458 – Bairro Centro – Itajaí/SC – CEP 88302-202
Fone: 47-3341-7534 / 47-3341-7652

Contatos:

E-mail: mba.midiasdigitais@gmail.com
Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=54531828
Site: http://www.univali.br/modules/system/stdreq.aspx?P=3230&VID=default&SID=477966633789518&S=1&A=closeall&C=27372

o meme das seis coisas secretas

Vi esse meme na Adriamaral e em outros blogueiros por aí. Mauricio Oliveira, disciplinado, fez até coletânea dos segredos mais bizarros. E pior: me desafiou, me convocou a participar da coisa. Vá lá!

Seis coisas não tão públicas sobre mim:

1. Sou um sobrevivente. Já tive sarampo, cachumba, escarlatina, hepatite, catapora, bronquite e faringite. Fui picado por uma jararaca aos 16 anos. Destruí um carro na BR-101 e escapei sem um arranhão. Passei pelo furacão Catarina e pelas enchentes do ano passado em Itajaí. Eu sei: vaso ruim não quebra.

2. Aos 12 anos, estava decidido: ia ser padre. Desisti meses depois, quando dei meu primeiro beijo.

3. Tornei-me professor universitário porque errei o caminho. Era 1999 e estava rodando em Florianópolis quando entrei na rua errada e acabei parando num posto de gasolina. Lá, encontrei um colega que me avisou de um concurso para professores na Univali. Fui ver e já viu, né!

4. Já “cometi”alguns textos para o teatro. Atualmente, sou um dramaturgo aposentado. Tenho um misto de orgulho e vergonha do que escrevi.

5. Quase casei com o Frank Maia. Foi assim: o Laerte veio dar uma palestra em Florianópolis, e eu tava lá com o Frank. A gente nem tava de mãos dadas. Laerte disse da dificuldade de encontrar roteiristas de quadrinhos. Eu tinha escrito umas linhas pro Frank de brincadeira e ele desenhou e tal. Frank me apontou como o parceiro dele numas tiras. O Laerte disse: “Casa com ele, cara!” Mas eu já era casado, e o Frank entendeu.

6. Tornei-me são paulino aos dez anos, em 1982. Um amigo do meu pai vivia me azucrinando pra torcer pelo time do Morumbi. Um dia, assisti a um jogaço do tricolor e me converti. O que eu era antes disso? Alguém que não sabia nada de futebol…

Repasso o meme pro ExuCaveira, pro Madu, pro D’Andrea, pro Joel, pra Tattiana, pro Gerson e pro Zé Renato.

sarkozy despeja dinheiro sobre a mídia

Outro dia, escrevi aqui que camadas organizadas da sociedade francesa manifestaram publicamente sua preocupação sobre a qualidade da mídia local. Pois bem, não é apenas o povo quem coça as rugas da testa com o assunto. Já desde o final do ano passado, o governo também. Na semana que passou, o recado foi público e polpudo: o presidente Nicolas Sarkozy anunciou um pacote de 600 milhões de euros para o setor nos próximos três anos.

Em tempos bicudos como os nossos – quando Bush abre a torneira de 700 bilhões de dólares para bancos e financeiras, e quando Lula reduz impostos para impulsionar a indústria automobilística -, o presidente francês acena com um plano para salvar a imprensa escrita, como deixou claro no Palácio dos Champs Elisées. A operação atende pelo nome de États Généraux de la Presse, ou Estados Gerais da Imprensa. O desafio é melhorar a rentabilidade dos jornais, aumentar suas tiragens, aliviar os custos das empresas do setor e impulsionar os meios online.

Ainda é cedo para medir a temperatura e dizer qual repercussão o anúncio trouxe ao mercado francês, e por extensão à mídia européia.

O Le Monde foi bastante contido, como sempre. Em editorial, ponderou as medidas, salientando a sabedoria da presidência da República em deixar que editores e jornalistas dêem os devidos encaminhamentos à solução da crise que asfixia o setor. O jornal não comemora abertamente, mas o editorial ressalta que a mídia é também uma indústria, o que a legitimaria a receber auxílios financeiros, pode-se ler nas entrelinhas.

Já Le Figaro trouxe editorial do seu diretor de redação Étienne Mougeotte reconhecendo o “ceticismo francês” que acompanhou o setor à mesa de negociação com o governo. Mas sauda a iniciativa. Entretanto, Mougeotte não se fez de rogado: reforçou que o norte do jornal é o leitor e para quem ele trabalha. A preocupação do experiente jornalista é com a credibilidade do veículo, mas não só ele. Um comunicado da AQIT, Associação pela Qualidade da Informação, convocava esta semana jornalistas e editores a conjugar esforços para a formalização de um Conselho de Imprensa. Segundo a AQIT, um novo código deontológico e uma instância que aglutinasse produtores e usuários do sistema seriam condições essenciais para um resgate da confiança ao setor.

Os movimentos são muitos e em direções não necessariamente opostas. Os franceses estão mesmo preocupados com o assunto e tudo leva a crer que arragaçaram as mangas para enfrentar a(s) crise(s) da mídia. No Brasil, já passamos perto disso. No final da década de 90 e começo desta, a revista Carta Capital martelou em várias edições um tal plano do BNDES para salvar a mídia, notadamente a Rede Globo. A revista bateu forte, e o plano de ajuda acabou não saindo. Não porque a revista fosse tão influente assim. Mas a revista também não estava fazendo aquilo por patriotismo, mas por isonomia…

O fato é que as torneiras mantiveram-se fechadas pro setor. Pouco ou quase nada entrou de dinheiro estrangeiro por aqui, mesmo após mudarem a Constituição em 2002. Os jornalistas revisaram seu código deontológico em 2007. Mas ficamos nisso. Talvez porque a crise nas bancas esteja anestesiada pelo sucesso de jornais a preços populares ou ainda porque as redações acreditam contar com a confiança dos seus leitores.

Será mesmo?

ATUALIZAÇÃO: Alberto Dines tratou do assunto, trazendo muito mais detalhes. Vale a pena ler.

notas de férias, porque elas estão no fim

Eu sei que talvez este post nem interesse à meia dúzia de meus leitores fiéis, mas isso aqui é um blog, né? O que significa dizer que também é um bloco de notas, um amontoado de registros cibernéticos…

Nesses dias de férias, não subi o Everest, não cacei tubarões no Pacífico Sul nem desmascarei agentes secretos da ABIN, inflitrados nos meus lugares de convívio social. Eu disse estar de férias, e essas coisas eu só faço quando estou mesmo a trabalho. Mas pra não dizer que minhas férias foram modorrentas, vi uns filminhos, li uns livrinhos, coloquei as correspondências em dia, joguei uns joguinhos e peguei muita praia. Já escrevi alguma coisinha sobre isso aqui, mas ofereço outro aperitivo:

(*) Neuromancer, o livro de William Gibson, é uma experiência impactante. Há pelo menos 15 anos eu queria lê-lo, desde que li Johnny Mnemonic, conto do mesmo autor e que gerou um filme homônimo com Keanu Reeves no papel-título. Lembro que a extinta revista General trouxe o conto encartado numa edição, num formatinho pocket, que arranquei de um amigo meu. Desde então, quis ler mais William Gibson, e só pude agora, numa edição comemorativa dos 25 anos do lançamento (e que traz um posfácio da amiga Adriana Amaral). Neuromancer é um choque no uso da linguagem, na capacidade imaginativa de se conceber pirações cibertrônicas, na intensidade narrativa e na capacidade de se manter em pé. (Nem Case deve ter vislumbrado ir tão longe…)

(*) Já escrevi aqui outras vezes: sim, sou um retardado. Só essa semana assisti a Onde os fracos não têm vez, que levou quatro Oscar ano passado. É um filme melancólico, vertiginoso, atordoante. Daqueles em que a gente passa por uma cena e ainda se pergunta se aquilo mesmo aconteceu ou se os diretores – no caso, os irmáos Cohen – estão aplicando algum golpe na platéia. Que nada! Não tem golpe. Tem cinema de sobra, de gente grande. Cinema que mostra que a vida é mais complicada do que os faroestes antigos mostravam.

(*) House voltou com a quinta temporada. O primeiro episódio – painless – é legalzinho, mas fraco para ser um abre. Se você não viu ainda, calma. Não há mudanças no hospital. Cudy continua tentando adotar um bebê + Kutner e Taub continuam sustentando a escada dos demais + Thirteen e Foreman não foram além daquele beijo + Wilson e Cameron quase nem deram o ar de sua graça + House salvou o dia.

(*) Já Lost está eletrizante. Os dois primeiros episódios vêm em grande forma, com mistérios, conexões improváveis e sacadas de roteiro inacreditáveis. Pra ser sincero, já nem esperava muito da série. Sabe por quê? Os produtores não têm pena da gente. Fazem 11 ou 12 episódios e depois ficam meses hibernando, e nisso, a nossa curiosidade provoca enfartos, surtos de histeria, etc… A série voltou tão boa que até tornei a ler spoilers

(*) Descobri uma nova poeta: Ana Elisa Ribeiro. Jorge Rocha, o ExuCaveiraCover, seu marido, me mandou Fresta por onde olhar, livro da moça que é muito bom. Confesso: tenho o maior preconceito com poetas e livros de poesia. Antes de me espancarem, eu explico: é que parece que todo o mundo escreve poesia ou sabe fazer isso. Então, a gente vê de tudo por aí, e o pior é o que impera. Tem pretensão, tem espalhafato, tem forçação de rima. Com Ana Elisa Ribeiro, não vi nada disso. Existe maturidade, existe bossa e malícia, e existe uma grande intimidade com as palavras.

(*) Bolt – o super-cão é surpreendente. Pra ser uma animação da Disney, vi pouquíssima mídia sobre ele. Mas o resultado é muito bom, muito divertido e tal. Assisti com uma criança de quatro anos e foi ela quem me arrastou pra fora da sala do cinema quando subiam os letreiros. Wall-E é melhor, mas não faz mal. Bolt tem bons diálogos, e uma excelente dublagem brasileira. Maria Clara Gueiros está ótima na voz da gatinha Mittens.

(*) Rygar – The Legendary Adventures é bonzinho, mas seus gráficos perdem muito para os jogos atuais do PlayStation. A história é bobinha: um gladiador com amnésia tem que salvar uma princesa sequestrada. Para isso, transita entre cinco ou seis mundos diferentes, enfrentando seres mitológicos dos mais diversos. O jogo é fácil, sem grandes evoluções. Tanto é que eu consegui zerar sem roubar (lendo detonados na internet…).

As férias não terminaram, e isso não é um balanço. É mesmo um sintoma de que estou aproveitando melhor os dias e as noites. Semana que vem retorno ao trabalho, não sem uma ponta de remorso. Pronto, falei!

a fertilidade me ronda… ui!

Já percebeu que há dias em que tudo parece convergir? Quer dizer, quando a gente pensa numa pessoa distante e acaba ouvindo falar dela, e – sei lá! – até a encontra num lugar altamente improvável. Ou quando você ouve um comentário sobre um filme de uma, duas, cinco pessoas na mesma semana, e acaba chegando no cinema e só tem aquele bendito filme pra assistir naquele horário. Você parece não ter como fugir.

Essa sincronicidade assusta. Pelo menos a mim.

Semana passada, um casal amigo teve o segundo filho, uma menina desta vez. Na mesma semana, pelo Twitter, vi que um importante pesquisador da cibercultura estava correndo pra maternidade também. Pensei: nossa! As cegonhas estão trabalhando dobrado!

Não só elas…

Nas últimas 24 horas, eu soube de nada menos que um, dois, três casos de gravidez por conhecidas. Uma colega de Belém me avisando que está esperando gêmeos para junho. Horas depois, outra colega da mesma cidade me anunciou que o seu bebê chegaria um mês depois. Pensei: Nossa! Esses paraenses querem povoar o mundo mesmo!

Que nada. Na videolocadora, soube que a atendente teve a boa notícia há um mês e meio, e em setembro deve ganhar o primeiro rebento…

Não é muita coincidência? Não, não é. Veja que em Los Angeles, uma mulher teve oito filhos ontem. Isso mesmo! Uma ninhada praticamente. Serenos, os médicos que fizeram a cesariana disseram que apenas se surpreenderam com o oito passageiro, afinal acompanhavam o pré-natal e tinham contado apenas sete anões…

são paulo faz aniversário, mas o assunto continua o mesmo

Você vai a São Paulo e não consegue deixar de perguntar. Você mora em São Paulo e não consegue não pensar nisso. Você nunca foi a São Paulo, mas já ouviu falar disso. Ora, qual é mesmo o assunto predileto dos paulistanos ou de quem se remete à cidade de São Paulo? O Trânsito, sim, ele mesmo e com letra maiúscula.

Hoje, no aniversário de 455 anos da cidade, o tema continua em pauta.

Se chove, dá trânsito. Se faz sol, o pessoal sai antes pro happy hour e aí formam-se as filas. Se é dia normal, a lentidão é de trocentos quilômetros, se é tempo de férias escolares, o assunto é a facilidade do fluxo. São Paulo não consegue deixar de pensar e viver o seu trânsito. A maior cidade do país tem a maior frota de veículos e sistemas de transporte coletivo que não dão conta dessa demanda toda. São pouco mais de 61 quilômetros de metrô, um terço da malha que serve a Cidade do México, por exemplo, ou um quarto da extensão das linhas em Tóquio.

Se não dá pra ir por baixo, vamos por cima, e aí pára tudo.

Para ajudar, emissoras de rádio locais usam helicópteros para observar os pontos mais críticos e alertar os ouvintes. Além disso, indicam melhores saídas, calhas de escoamento. Mas até aí, normal. O que vem me chamando ultimamente é uma outra iniciativa, recente, que ainda nem completou dois anos e já faz uma diferença! É a Rádio Sulamérica Trânsito, que opera no 92,1 FM, e é especializada no assunto.

A emissora é resultado da parceria do Grupo Bandeirantes de Jornalismo e da Sulamérica Seguros. Então, a emissora espalha repórteres pela cidade que se ocupam de ficar rodando e rodando e dando as informações em tempo real de como estão as principais vias. O público também participa, e manda torpedos para a rádio perguntando melhores rotas ou alertando sobre o aumento da lentidão em alguns entrocamentos. Com celulares em punho, os jornalistas da Rádio Sulamérica Trânsito caçam os lugares que gente normal quer evitar. De forma ágil, o serviço hoje é essencial pra muita gente.

A iniciativa me chamou a atenção pela sua originalidade, eficiência e inovação. A emissora aposta num produto caro ao público – como deslocar melhor pela selva de pedra paulistana; a Sulamérica Seguros marca um gol ao vincular sua marca com algo positivo, a prestação de um serviço muito útil (e não só aquela situação chata de sinistro em que a gente aciona o seguro…); a rádio lida muito bem com o público, incentiva a participação e foca a sua atuação para o diálogo, para a busca coletiva de soluções. E sabe de uma coisa? Quando o trânsito está baixo, fluindo mesmo, os locutores até suspendem o serviço momentaneamente e passam uma musiquinha. Na verdade, das 22 às 6 horas, rola música na rádio…

É ou não é a cara de São Paulo???

50 filmes sobre ética jornalística

Os títulos abaixo – num primeiro plano ou não – acabam tocando em temas delicados, em dilemas da ética jornalística.

Divirta-se!
15 Minutos (2001)
A fogueira das vaidades (1990)
A montanha dos sete abutres (1951)
A morte ao vivo (1980)
A primeira página (1974)
A princesa e o plebeu (1953)
A síndrome da China (1981)
A um passo do poder (1991)
Adoro problemas (1994)
Amor eletrônico (1957)
Assassinato por encomenda (1985)
Ausência de malícia (1981)
Bem-vindo a Sarajevo (1997)
Boa noite e boa sorte (2005)
Cidadão Kane (1941)
Crime verdadeiro (1998
Doces Poderes (1995)
Em defesa da verdade (1985)
Giro City – a verdade proibida (1982)
Herói por acidente (1992)
Íntimo e Pessoal (1995)
Leões e cordeiros (2007)
Mera coincidência (1997)
Noiva em fuga (1999)
Nos bastidores da notícia (1987)
O ano em que vivemos em perigo (1983)
O dossiê pelicano (1993)
O informante (1999)
O jornal (1994)
O poder da notícia (1998
O povo versus Larry Flint (1996)
O preço de uma verdade (2003)
O quarto poder (1997)
O repórter (1986)
O show da vida (1998
Os donos do poder (1986)
Páginas da revolução (1995)
Profissão: repórter (1975)
Quase famosos (2000)
Rede de intrigas (1976)
Reds (1981)
Salvador, o martírio de um povo (1981)
Sob fogo cerrado (1983)
Terra de ninguém (2001)
Terra em transe (1967)
Todos os homens do presidente (1976)
Um grito de liberdade (1987)
Um grito no escuro (1989)
Veronica Guerin: o custo da coragem (2003)
Vlado: 30 anos depois (2005)

50 livros sobre ética jornalística

A bibliografia que menciono abaixo, evidentemente, não é definitiva nem tampouco exaustiva. Como qualquer lista, é questionável e tem profundos aspectos pessoais. Mas de qualquer forma, são minhas indicações para leitura sobre o tema.

Divirta-se!

ABRAMO, C. A regra do jogo. São Paulo: Companhia das Letras, 1988
ABRAMO, P. Um trabalhador da notícia. SP: Ed. Fundação Perseu Abramo, 1997
ALMINO, João. O segredo e a informação. Ética e política no espaço público. SP: Brasiliense, 1986
ANDRÉ, Alberto. Ética e Códigos de Comunicação Social. Porto Alegre: Sagra, 1994
ARBEX JR., José. Showrnalismo – a notícia como espetáculo. São Paulo: Ed. Casa Amarela, 2001
BALZAC, H. de. Os jornalistas. RJ: Ediouro, 1999
BARROS FILHO, Clóvis de. Ética na comunicação. Ed. Moderna
BERTRAND, Claude-Jean. A deontologia das mídias. Bauru: Edusc, 1999
BERTRAND, Claude-Jean. O arsenal da democracia. Bauru: Edusc, 2002
BRAJNOVIC, Luka. Deontologia periodistica. 2ª edición ampliada y reestructurada. Pamplona: Ed. Universidad de Navarra, 1978
BUCCI, Eugênio. Sobre ética e imprensa. São Paulo: Cia das Letras, 2000
CHRISTIANS, Clifford G. et al. Media Ethics – cases and moral reasoning. 5ª ed. Longman, 1998
CHRISTOFOLETTI, Rogério. Ética no jornalismo. SP: Contexto, 2008
CHRISTOFOLETTI, Rogério. Monitores de Mídia – Como o jornalismo catarinense percebe seus deslizes éticos. Univali-UFSC: 2003
CONTI, Mario Sérgio. Notícias do Planalto – A imprensa e Fernando Collor. SP: Cia. das Letras, 1999
CORNU, D. Ética da informação. Bauru (SP): Edusc, 1998
COSTA, Caio Túlio. O relógio de Pascal. SP: Siciliano, 1991
DI FRANCO, C. A Jornalismo, ética e qualidade. Petrópolis: Vozes, 1996
DINES, A. O papel do jornal. Uma releitura. 5ª ed. ampliada e atualizada. SP: Summus, 1986
DORNELES, Carlos. Deus é inocente, a imprensa não. SP: Globo, 2002
DORNELES, Carlos. Bar Bodega. SP: Globo, 2008
DUPAS, Gilberto. Ética e poder na sociedade da informação. 2ª ed. Revista e ampliada. SP: Unesp, 2001
ERBOLATO, M. Deontologia da Comunicação Social. SP: Vozes, 1982
FEDERAÇÃO NACIONAL DOS JORNALISTAS. Formação Superior em Jornalismo. Florianópolis: Ed. UFSC, 2002
FRIEND, Cecilia and SINGER, Jane B. Online journalism ethics. London-New York: M.E.Sharpe, 2007
GOMES, Mayra Rodrigues. Ética e jornalismo – uma cartografia dos valores. São Paulo: Escrituras, 2002
GOODWIN, H. Eugene. Procura-se: ética no jornalismo. Rio de Janeiro: Nórdica, 1993
HERRÁN, M.T. & RESTREPO, J.D. Ética para periodistas. 2ª edición aumentada. Bogotá: TM Editores, 1995.
HULTENG, John L. Os desafios da comunicação: problemas éticos. Florianópolis: Editora da UFSC, 1990
KARAM, F. J. Jornalismo, ética e liberdade. SP: Summus editorial, 1997
KARAM, F. J. Ética Jornalística e Interesse Público. SP: Summus, 2004
KUCINSKI, B. Jornalismo na era virtual. SP: Ed. Fund. Perseu Abramo, 2004
KUCINSKI, B. A síndrome da antena parabólica. SP: Fund. Perseu Abramo, 1998
MALCOLM, Janet. O jornalista e o assassino – uma questão de ética. São Paulo: Cia das Letras, 1990
MARCÍLIO, M.L. & RAMOS, E.L. (orgs.) Ética na virada do milênio. 2ª ed. Rev. Amp. SP: Editora LTR, 1999
MARX, Karl. Liberdade de Imprensa. Porto Alegre: L&PM Editores, 1999
MEYER, P. A ética no jornalismo . Rio de Janeiro: Forense, 1989
NALINI, José Renato. Ética Geral e Profissional. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1997
NERY, Sebastião. Grandes pecados da imprensa. São Paulo: Geração Editorial, 2000
NOBRE, F. Imprensa e liberdade – os princípios constitucionais e a nova legislação. São Paulo: Summus
PAIVA, Raquel (org.) Ética, cidadania e imprensa. Rio de Janeiro: Mauad, 2002
PERUZZO, Cicília M.K. & KUNSCH, Margarida M.K. (orgs.) Transformações da comunicação: ética e técnicas. Vitória: Intercom/UFES/Prefeitura Municipal de Vitória, 1995
RAMONET, Ignácio. A tirania da comunicação. Petrópolis: Vozes, 2001. 2ª edição
SÁ, Adísia. O jornalista brasileiro. 2ª ed. Rev. e ampliada. Fortaleza: Ed. Fund. Demócrito Rocha, 1999
SCHMUHL, Robert. As responsabilidades do jornalismo. Rio de Janeiro: Nórdica, 1987
SERVA, Leão. Jornalismo e desinformação. São Paulo: Senac, 2000
SILVA, Juremir Machado da. A miséria do jornalismo – As (in) certezas da mídia. Petrópolis: Vozes, 2000
TOFFOLI, Luciene. Ética no Jornalismo. Petrópolis: Vozes, 2008
TRALLI, César. Olhar crônico. São Paulo: Globo, 2001
WAINER, Samuel. Minha razão de viver. Rio de Janeiro: Record, 1987

revista interin na rede…

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Está disponível mais uma edição da revista Interin, da Universidade Tuiuti do Paraná.

Esta edição 6, de dezembro, tem os temas Corpo, Moda e Comunicação. Aqui.

o futuro da música: um livro de graça!

Sergio Amadeu da Silveira e Irineu Franco Perpetuo lançam no próximo dia 22 no Campus Party “O futuro da música depois da morte do CD”, livro que organizaram e que dá uma geral na área que tem sofrido abalos sísmicos frequentemente com a chegada das novas tecnologias.

Ficou curioso? Baixe o livro então. É de graça!

http://www.futurodamusica.com.br

o legado de bush a obama…

Frank Maia, soberbo, sintetiza a troca de faixa em Washington...

http://xinelao.blogspot.com/2009/01/obama-de-entrada.html

livro sobre blogs: prontinho pra baixar

Agora, sim!!!

Aqui: http://www.sobreblogs.com.br

obama toma posse e eu com isso?

Tentei não tocar no assunto já que há muita gente altamente capacitada tratando de escrever, mas é que não consegui resistir. Estamos a três horas mais ou menos da posse de Barack Obama, e a euforia generalizada me impele a deixar registrado aqui que lua de mel é bom, mas não é pra sempre.

Eu explico.

É natural que após oito desastrados anos de governo WBush, a maioria dos norte-americanos e o resto do mundo atingido por uma política externa ruim dê graças a deus pelo seu fim. Se um poste fosse eleito para substitui-lo, muita gente estaria exultante hoje mesmo. O fato de ser um jovem senador negro, conciliador, de idéias progressistas é simbólico e expressivo.

Vi muita gente vibrar bastante com a vitória de Obama. Vi gente chorar e se emocionar. Vi gente dizer “finalmente, agora, temos um presidente negro”. Em silêncio e para não estragar a festa de ninguém, eu me perguntava: “temos, quem? Não sou norte-americano…”

Obama assume hoje o maior posto do planeta, cercado de símbolos, de lendas, de esperança quase infinita. A esperança é global, de que haja um mundo melhor e que o seu maior player jogue um jogo mais limpo. Obama assume com ares de semi-deus, como salvador do globo, que possa restituir a dignidade e o respeito que os norte-americanos perderam diante da comunidade internacional nos últimos anos, que possa retirar a todos da crise economica mundial, que traga prosperidade, felicidade, etc.

Mas Obama não é deus. Ele terá que negociar internamente as saídas para o seu país, que podem ser soluções não tão boas para nós, brasileiros, por exemplo. Se ele optar por isso, tenha claro que não é nada pessoal, amigo: são negócios, apenas. Afinal, ele é presidente dos EUA e não do Brasil. Obama terá que redefinir uma política externa que tenha na ponta de lança o diálogo, a interlocução, diametralmente oposto à postura arrogante e isolacionista adotada há quase uma década. Obama terá que compor, que se associar, que ouvir, que recuar. Isto é, o poder não estará no NÃO, mas no SIM, na aceitação, na coordenação de esforços, na composição.

Já vimos isso por aqui. Em 1985, uma esperança esmagadora tomou o país com a eleição de Tancredo Neves. Era o fim de quase 21 anos de ditadura. A lua-de-mel terminou antes de começar. Tancredo morreu e não chegou a assumir. José Sarney, que meses antes era do partido que sustentava a ditadura mas que virou-casaca rapidinho, tornou-se presidente e teve que negociar novas bases para o país.

Em 2003, Lula assumiu a presidência com uma aura muito semelhante à de Barack Obama. Os anos que se seguiram mostraram que ele precisou recuar em alguns pontos e avançar para a coalizão em outros tantos. Teve que compor, que pactuar, que fazer política.

Isto é, o Salvador da Pátria não existe. Nem no Brasil, nem nos EUA. O cenário é difícil, e Obama precisará de sabedoria, de paciência, de sorte, de perícia. Como o piloto que soube pousar suavemente um avião de carreira no rio Hudson semana passada…

PS – Antes que me xinguem, antes que agentes do FBI me tirem de circulação, aviso: não estou torcendo contra, afinal ainda moro neste planeta e a sanidade da maior economia global afeta a todos, incontornavelmente. Apenas quero ver a coisa com distanciamento, com olhar crítico e umas pitadas de ceticismo. Equilíbrio, gente. O mundo real é mais complicadinho…

house e thor: improváveis semelhanças

A quinta temporada de House recomeça amanhã, 19, nos Estados Unidos, com o 12º episódio: “Painless”. O site da Fox chega a fazer contagem regressiva para a retomada de uma das séries de maior sucesso lá e aqui. Sucesso de público e de crítica, dados os diversos prêmios e indicações que vem recebendo desde então.

Os casos estranhos que o médico rabugento soluciona chamam a atenção pelo humor e excentricidade do personagem vivido por Hugh Laurie. House não usa jaleco branco, manca de uma perna, detesta atender pacientes, duela com a administradora do Hospital-Escola em que trabalha, e distribui patadas nos médicos de sua equipe. É sincero de doer, arrogante, egocêntrico, sarcástico, egoísta e brilhante. Coleciona inimigos e admiradores.

Mas o que House tem a ver com Thor, o personagem dos quadrinhos?

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Aparentemente, House e Thor não têm nada a ver. Mas olhando bem, dá pra notar algumas semelhanças:

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  • Quando deixou Asgard, o filho de Odin veio para a Terra sob a pele de um médico;
  • Este médico era Donald Blake, um médico brilhante, mas… manco;
  • Blake e House usam bengalas e são loiros, arruivados;
  • A arrogância era um traço da personalidade de Thor, e seu pai o enviou à Terra para ser mais humilde, daí transformá-lo num ser humano imperfeito…
  • House também não se dá muito bem com seu pai, conforme se vê na série de TV;
  • House se acha um deus; Thor é. O deus do trovão!
  • Apesar dos (muitos) defeitos, House também é um herói, combate as doenças e busca a sanidade de seus pacientes;
  • House e Thor, por seus temperamentos ou destinos, não são casados;
  • De uns tempos pra cá, Thor também deixou de fazer a barba;
  • Thor também vai para as telas. O longa metragem do deus do trovão é uma produção da Marvel e tem estréia prevista para julho de 2010;
  • Keneth Branagh está escalado para dirigir o filme; Branagh é britânico, como Hugh Laurie, que interpreta House;
  • Especula-se sobre quem estaria no filme: de Brad Pitt a Daniel Craig. Nada confirmado. Como este post descompromissado de domingo…

ninguém entende mais nada

O Rock in Rio acontece em Lisboa…

O rally Paris-Dackar acontece na América Latina…

O campeonato carioca não tem apenas times cariocas…

sobre o futuro da apple

Não, eu não sei o futuro da Apple.

Entretanto, hoje, dei a minha contribuição para que Steve Jobs tenha uma boa aposentadoria…

notas e números sobre a pesquisa em jornalismo

A pesquisa em Jornalismo no Brasil caminha a largos passos, e isso se deve ao esforço conjunto de alguns influentes cientistas nacionais, à definição de um foco claro para o dispêndio da energia produzida e a um bom momento da ciência nacional, entre outros fatores.

A última década tem sido pródiga no aumento da produção de artigos e livros sobre a área e na formação de capacitados recursos humanos para a pesquisa, notadamente mestres e doutores. O trabalho da SBPJor, neste sentido, tem sido capital, aliado a uma estratégia de conjugação de esforços com outras entidades, como a Intercom, o FNPJ, a Fenaj, a Compós, etc… Com isso, os pesquisadores do jornalismo vêm ganhando prestígio e respeito pelos seus pares, e vêm conseguindo – em alguma proporção – financiamento para seus projetos.

Alguns dados ajudam a moldar o perfil da área nos últimos anos: o Brasil tende a puxar a pesquisa em Jornalismo na América Latina, apesar da língua. E, no Brasil, o Rio Grande do Sul já chama a atenção pela articulação e coordenação de seus pesquisadores, pela presença em eventos e pela produção qualificada.

A diretora científica da SBPJor, Marcia Benetti Machado, e o coordenador do Grupo de Trabalho de Jornalismo na Alaic, Eduardo Meditsch, distrincharam a produção científica nacional na área numa mesa redonda durante o 6º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, em São Bernardo do Campo, em novembro passado. Sim, já faz dois meses que esses dados foram publicizados, mas não houve mudanças significativas.

  • O Brasil tem 33 programas de pós-graduação em Comunicação;
  • Apenas o Brasil tem doutorado na área! O que significa dizer que os pesquisadores latinos geralmente buscam se doutorar em outros países;
  • Dois terços dos países da América Latina nunca apresentou trabalhos no GT de Jornalismo da Alaic nos últimos dez anos;
  • O GT de Jornalismo é forte na Alaic: ele reuniu 194 dos 203 trabalhos no período;
  • O Brasil é forte no GT: respondeu por 59% dos trabalhos na década assinalada. Argentina ficou em segundo – com 20% -, seguida do Chile;
  • Nelson Traquina e Mauro Wolf são os autores mais citados nos trabalhos do GT da Alaic. Na seqüência, vêm Miguel Alsina, Eliseo Verón, Teun Van Djik. Entre os brasileiros, Nilson Lage é o mais mencionado;
  • 64 autores foram citados ao menos duas vezes de 1998 a 2008 nos trabalhos do GT de Alaic, sem considerar autoc-citação.  Os brasileiros são os mais citados  (em 32% dos casos), seguidos de autores franceses e norte-americanos;
  • Em termos de categorias, Meditsch identificou que o GT de Jornalismo da Alaic agregou 28% de seus trabalhos em “Enquadramentos, Temáticas e Coberturas” e 17% de “Linguagens, Narrativas, Formas e Formatos”, as categorias mais produtivas;
  • Nos trabalhos apresentados nos eventos da SBPJor de 2006 a 2008, os microcampos “Jornalismo e Linguagem” e “Jornalismo Online” somam praticamente 50%. Microcampos identificam mais do que temáticas, mas também áreas de atuação;
  • A diretora científica da SBPJor identificou ao menos nove microcampos entre os trabalhos apresentados no período;
  • A SBPJor surgiu há apenas seis anos, e já promoveu seis encontros nacionais e dois internacionais. Conta com mais de 370 associados, a maioria doutores.

Evidentemente, os dados acima auxiliam na definição de um perfil da produção nacional, mas também projetam a força da investigação científica em jornalismo do Brasil sobre o continente. Nada além do que se poderia esperar, dadas a trajetória histórica da área no país e as atuais condições de emergência do campo. Crescer é bom, mas é preciso manter a saúde, o vigor, o equilíbrio.

(A propósito: o UOL abriu inscrições para o seu programa de bolsas. Entre as áreas de interesse, estão Jornalismo, blogs e redes sociais, que podem muito bem ser desenvolvidas por pesquisadores da área. Estão previstas bolsas para graduandos, mestrandos e doutorandos, além das bolsas aos seus orientadores. Entre 2006 e 2007, conduzi uma pesquisa pelo mesmo programa na modalidade iniciação científica. A experiência foi muito boa porque a equipe do Bolsa UOL é muito competente, profissional e respeitosa com os pesquisadores. A iniciativa de uma empresa de tecnologia como esta precisa ser louvada num país onde a ciência quase nunca tem apoio da iniciativa privada. As inscrições para projetos vão até 15 de fevereiro)

as últimas do pedro dória

Pedro Dória não pára quieto. O primeiro repórter-blogueiro do Brasil e responsável por projetos como o NoMínimo acaba de lançar As últimas, um agregador de blogs, sites e outras traquitanas online em português e voltado para quem quer se informar sobre o Brasil.

Correspondente internacional, ele se ressentia das dificuldades de acompanhar a vida aqui pela rede. Sempre deu muito trabalho e dependeu de disciplina, ele conta. Com isso, decidiu facilitar a vida e criar um agregador do tipo AllTop, como ele mesmo declara a inspiração.

Inicialmente, Dória disponibilizou três páginas: Política Brasileira, Política Internacional e Futebol. Vêm aí Mídia e Humor, e quem sabe algo mais.

Embora As últimas junte blogs verdadeiros com blogs que não são bem lá isso (mas colunas apenas vertidas ao online), a iniciativa é muito, muito bem vinda.

cnpq divulga calendário de bolsas e auxílios

(Com informações da Assessoria de Comunicação do CNPq)

O CNPq/MCT divulga o calendário para 2009 de ações de fomento à pesquisa e de apoio à formação de recursos humanos. O objetivo é manter a comunidade científica e tecnológica informada sobre os principais editais e chamadas públicas para a concessão de bolsas no país e no exterior. São 13 modalidades de bolsas e duas de auxílios com datas de inscrição e períodos de julgamentos distribuídos ao longo do ano

As bolsas de Doutorado Pleno no Exterior (GDE) têm inscrições até 5 de março. Já as bolsas de Pós-doutorado Júnior, Empresarial, Sênior, Pós-doutorado no Exterior, Sanduíche no País e no Exterior, Estágio Sênior e Pesquisador Visitante têm três períodos para inscrição. O primeiro se encerra também em 5 de março, o segundo em 28 de maio e o último em 30 de setembro. O Edital Universal estará aberto a partir de primeiro de junho e receberá inscrições até 31 de Julho de 2009.

As bolsas de Produtividade em Pesquisa (PQ) abrem o período de inscrição em 14 de abril com encerramento em 18 de agosto. Os bolsistas de PQ, com bolsas vigentes até fevereiro de 2010, deverão participar do processo caso queiram sua continuidade.

Os estudantes interessados em obter apoio para a realização de Mestrado (GM) ou Doutorado (GD) devem se dirigir às coordenações dos programas de pós-graduação para as quais o CNPq distribui as quotas de bolsas. Além disso, com recursos do FNDCT, o CNPq tem lançado todo ano um edital para concessão de bolsas de Mestrado e Doutorado em áreas de indução. O Edital 70/2008 está dividido em duas fases, uma delas com início em 31 de março de 2009, que concederá bolsas a partir de agosto do ano corrente. As inscrições vão até 15 de maio.

Já para as bolsas de Desenvolvimento Científico Regional (DCR), as datas de inscrição são estipuladas pelas fundações estaduais de amparo à pesquisa com quem o CNPq mantém convênios.

Os auxílios para a participação em Eventos Científicos no exterior (AVG) e o Auxílio para receber um Pesquisador Visitante (APV) devem ser solicitados com 90 dias de antecedência em relação à data prevista para a viagem ou a chegada do pesquisador.

Ainda em 2009 serão lançados diversos editais como o de Ciências Humanas e Sociais, o Programa Editorial e Olimpíadas de Ciências, além de diversos editais temáticos nas áreas de petróleo e gás, informática, energia, recursos hídricos, saúde, biotecnologia, nanotecnologia, entre outras.

Veja o calendário aqui.

livro disseca o fenômeno dos blogs no brasil

capalivroblogsOs blogs já existem há mais de dez anos e têm se espalhado com rapidez e força que impressionam. Já existem no mercado brasileiro alguns títulos que tratam do assunto. Blog, de Hugh Hewitt, e Blog: Comunicação e Escrita Íntima na Internet, de Denise Schittine, são dois deles que merecem atenção.

Mas na próxima semana chega à web um volume que atualiza a bibliografia e oferece muita informação sobre o tema: Blog.com: Estudos sobre Blogs e Comunicação. Coerente com o seu objeto, o livro organizado por Adriana Amaral, Raquel Recuero e Sandra Montardo não desembarca nas estantes e livrarias, mas segue direto para um site, para um espaço virtual onde poderá ser lido, baixado, compartilhado. Naturalmente, esta escolha não se deve apenas ao reforço da coerência, mas também às dificuldades de viabilização do projeto numa editora convencional, de suporte papel. A Momento Editorial responde pela edição em PDF que tem doze capítulos, mais prefácio e posfácio, distribuídos em 293 páginas.

O livro será lançado oficialmente no próximo dia 22 de janeiro, em meio ao Campus Party, e até o início da semana já estará à disposição no site: http://www.sobreblogs.com.br

A disponibilidade do livro gratuito na web amplia o seu acesso e faz ventilar com mais força as idéias ali contidas. Num mercado editorial como o nosso, carente de títulos inovadores e em língua nativa, isso é pra lá de muito bem vindo.

Para quem não sabe, as organizadoras não apenas estudiosas dos blogs, mas blogueiras contumazes, daí a sua familiaridade com a coisa e a facilidade com a qual conseguiram reunir relatos e textos de diversas partes. O prefácio é assinado por André Lemos, o principal pesquisador em cibercultura no país, e o posfácio é de Henrique Antoun, também um nome de peso na área. O sumário você confere abaixo:

SEÇÃO I – BLOGS: DEFINIÇÕES, TIPOLOGIAS E METODOLOGIAS

Blogs: mapeando um objeto – Adriana Amaral, Raquel Recuero e Sandra Portella Montardo

Ciberespaço e a escrita de si na contemporaneidade: repete o velho, o novo blog? – Rosa Meire Carvalho de Oliveira

Teoria e método na análise de um blog: o caso Mothern – Adriana Braga

A vitória de Pirro dos blogs: ubiqüidade e dispersão conceitual na web – Marcelo Träsel

Práticas de blogging na blogosfera em língua alemã: resultados da pesquisa “Wie ich blogge?!” – Jan Schmidt

SEÇÃO II – USOS E APROPRIAÇÕES DE BLOGS

O movimento Cansei na blogosfera: o debate nos blogs de política – Cláudio Penteado, Marcelo dos Santos e Rafael Araújo

Contribuição dos blogs e avanços tecnológicos na melhoria da educação – Helaine Abreu Rosa e Octávio Islas

Pedagogia dos blogs: posts sobre o uso da ferramenta no ensino de jornalismo – Rogério Christofoletti

Blogosfera X Campo Jornalístico: aproximação e conseqüências – Leonardo Foletto

Blogs como nova categoria de webjornalismo – Juliana Escobar

Os blogs na web 2.0: publicação e organização coletiva de informação – Maria Clara Aquino

Moblogs e microblogs: jornalismo e mobilidade – Fernando Firmino da Silva

Imperdível.

agendas, relógios e a nossa tentativa de reter o tempo

Eu avisei que ia deixar o blog de lado por uns dias.

Desta vez, não foi a falta de tempo não.  Aliás, como a gente reclama disso, né? A falta de tempo é desculpa para não fazer coisas, de fazer pela metade, e ainda de fazer muitas outras. A experiência mostra que se você quer que algo seja executado numa equipe deve encarregar alguém muito ocupado, pois quem tem muitas tarefas se organiza melhor para dar contas delas…

Sou um cara muito ocupado. Aliás, estou cercado de gente que também tem muito a fazer e faz muito. Também uso a falta de tempo para me justificar de algumas faltas e para me vitimizar também, coisa de humanos…

Tentando driblar o tempo, adotei duas práticas cotidianas na vã esperança de fazer as pazes com o tempo:

1. Em dezembro de 2000, fazendo planos para o ano que iria começar, decretei não mais usar relógio de pulso. O raciocínio era cristalino: sem relógio, não fico estressado, não fico apressado e ligo melhor com a rotina. Resultado: passei a bronzear o braço esquerdo por inteiro.

2. Em janeiro de 2005, passei a usar uma agenda de compromissos muito pequena, do tamanho de um maço de cigarros. O raciocínio era cristalino: com uma agendinha daquele tamaninho, poucos compromissos anotados já tomariam o meu dia, estratégia que me impediria de assumir mais coisas do que poderia. Resultado: passei a carregar menos peso na mochila.

É claro que hoje eu rio dessas estratégias inovadoras e inteligentes. Na época, levei bem a sério. Mas está aí outra coisa que eu me programei para fazer neste novo ano: me levar menos a sério. A propósito: hoje, comprei um relógio de pulso lindão.

blogs, jornalismo e as férias

Sim, estou de férias. Por isso, os posts são preguiçosos e esparsos, quase telegráficos e bissextos…

(*) Quem confia nos blogs? Paul Bradshaw duvida da questão.

(*) Por que as pessoas lêem blogs ao invés de sites de notícias? André de Abreu responde.

(*) Blogs são um novo gênero jornalístico? Frédéric Filloux pensa (alto) sobre isso.

(*) Qual o futuro do jornalismo online? No Nieman Report, você encontra muitos artigos que tentam responder à questão.

(*) Nós, de Marcelo Camelo, não é lá essas coisas. Tem faixas bem bonitas, mas o conjunto é inconstante. Dá saudades de Los Hermanos.

(*) Blindness é lindo. Fernando Meirelles acerta a mão e nos incomoda com a parábola que Saramago urdiu em suas páginas.

(*) A troca é angustiante e bem realizado. Clint Eastwood é um ótimo diretor e um sensível compositor de trilhas. Deu um papel marcante para Angelina Jolie, e mostrou – mais uma vez – que o mal existe, está entre nós e nem sempre o enxergamos com a nitidez necessária.

meme dos livros

Adriamaral me mandou esse meme. Peguei, fiz e repasso pro Dauro, pro Mauricio, pro Frank … e já tá bão

1. Livro/autor(a) que marcou sua infância:

  • Todos os da Coleção Vagalume
  • Os doze trabalhos de Hércules – na visão de Monteiro Lobato e com o pessoal do Sítio do Pica-Pau Amarelo
  • O menino do dedo verde – Maurice Druon
  • Histórias das mitologias grega e romana

2. Livro/autor(a) que marcou sua adolescência:

  • V for Vendetta – Alan Moore
  • Watchmen – Alan Moore
  • Batman Ano Um – David Mazzuchelli e Frank Miller
  • Asilo Arkham – Grant Morrison e Dave McKean
  • Cavaleiro das Trevas – Frank Miller
  • Claro Enigma e A Rosa do Povo – Carlos Drummond de Andrade
  • Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis
  • Cem Anos de Solidão – Gabriel Garcia Marquez
  • Assim Falava Zaratustra – Friedrich Nietzsche

3. Autor(a) que mais admira:
Shakespeare, Nietzsche, Borges, Fernando Pessoa, Beckett, Foucault, Clarice Lispector, Nelson Rodrigues, Vinicius de Morais, Cecília Meireles, João Guimarães Rosa, são tantos…

4. Autor(a) contemporâneo:
Contemporâneo é gente viva? Se é, lá vai:

  • Gabriel Garcia Márquez
  • António Lobo Antunes
  • José Saramago
  • Luiz Alfredo García-Roza
  • Bernardo Carvalho
  • Milton Hatoum
  • Carlos Heitor Cony
  • Rubem Fonseca
  • Raduan Nassar

Acho que estou esquecendo alguém…

5. Leu e não gostou

  • Iracena – José de Alencar
  • Feliz ano velho – Marcelo Rubens Paiva
  • Discurso Filosófico da Modernidade – Jurgen Habermas
  • Vida de Gato – Clarah Averbuck
  • Qualquer texto de Marta Medeiros

Tem mais, mas geralmente quando não gosto, abandono a leitura. Ela é prazer, não tormento…

6. Lê e relê:

Eu nunca releio. Há tanta coisa pra ser lida que sinto estar perdendo tempo…

7. Manias:

  • Ficar horas olhando as prateleiras de livrarias como se as estivesse escaneando
  • Sublinhar frases, anotar as que eu gostaria de ter escrito
  • Quando o livro é novinho em folha, cheirá-lo na capa e no miolo
  • Evitar emprestar livro. Na verdade, o empréstimo pode virar seqüestro, e sem a garantia de que o raptado volte…

2009 já é!

Retomo a vida online após a pausa das festas.
Porque é um novo ano e porque desejo que seja um ano realmente novo, ofereço uma música, um vídeo, uma boa vibração:

El Mareo, com os ótimos do Bajofondo e Gustavo Cerati.

2008: uma retrospectiva muito pessoal

Este foi um ano difícil, desses em que as conquistas adquirem um valor maior por conta das adversidades, do suor necessário. Este foi um ano penoso e de aprendizado. Este foi um ano de presentes e de perdas, de sorte e da lucidez de enxergar no azar a certeza de continuar.

Por isso e porque 2008 está no seu final, faço uma curtíssima retrospectiva do que vi e vivi. Aliás, este foi um ano em que no seu término a gente pode dizer que sobreviveu a ele

mmj023470000001Janeiro: começamos bem, inaugurando uma nova casa, a primeira mesmo nossa. Aos poucos, naquelas semanas, o sobradinho verde claro foi tomando jeito e se transformando no melhor lugar do mundo. Os afazares domésticos tiveram um sabor doce…

Fevereiro: retomei o trabalho na universidade com duas disciplinas na graduação, os trabalhos no Monitor de Mídia e a produção de uma porção de projetos para financiamento de pesquisa. O Carnaval foi tão manso que eu nem me lembro dele…

Março: terminei de organizar um livro e passei alguns dias em Curitiba para fazer as entrevistas de uma pesquisa em que fui consultor. Acompanhei as defesas de minhas primeiras mestrandas, motivo de orgulho. O mês foi de muito trabalho e resultados quase imperceptíveis. Era mesmo um tempo de arar a terra e semear…

Abril: fui a Dourados para um reconhecimento de curso de graduação. Noutra semana, fui a São Miguel D’Oeste para a mesma função. Perdi horas nos deslocamentos: a família e a vida pessoal ficaram em terceiro plano. Amarguei com isso…

Maio: mais uma viagem para reconhecimento de curso. Desta vez, São Paulo. Tive uma excelente notícia: aprovaram a publicação de mais um livro meu, e agora numa editora nacional. Comecei a me empolgar com o trabalho, deixando para trás qualquer outro interesse de vida. Não vi o sinal ficando amarelo. Completei seis anos juntos com a minha Ana e vi meu irmão Rodrigo casar de papel passado…

Junho: fiz 36 enquanto meu filhote completou quatro anos. Sediamos no Mestrado em Educação da Univali a 7ª edição da Anpedsul, o maior evento da região na área, um feito inédito para o programa e para a instituição. Concluí duas pesquisas de iniciação científica. Já estava mortinho de cansaço, mas o ano só chegava à metade…

Julho: no chamado mês de recesso escolar, não parei. Preparei aulas para três disciplinas diferentes e um mini-curso, participei de bancas de trabalho de conclusão de curso e de reuniões de planejamento pedagógico. Procurei, mas não encontrei tempo para a vida pessoal, os afetos, etc…

Agosto: iniciei duas disciplinas na graduação e outra no mestrado. Ao todo, mais de cem alunos. Lancei mais um livro, outra coletânea – “Observatórios de Mídia: Olhares da Cidadania” (Ed. Paulus) – co-organizado com Luiz Gonzaga Motta. O semestre mal começava e meu corpo já se queixava: dores na coluna, inflamação no nervo ciático, encurtamento de tendão, e algumas crises de rinite…

Setembro: passei uma semana em Belém para um mini-curso sobre mídia e direitos humanos. Uma semana na capital das mangueiras significou atraso nas atividades corriqueiras e exaustão na tentativa de reter o avanço do tempo. Eu nem via meu filho crescer e minha mulher ficar mais e mais bonita…

Outubro: dezenas de reuniões com orientandas do mestrado e da graduação; fechamento de projeto de especialização em Mídias Digitais; três eventos científicos, dois presenciais; burocracias diversas no mestrado e apenas um lance na vida pessoal: troquei de carro. Aonde eu iria com ele mesmo?…

Novembro: lancei mais um livro nesses dias, “Ética no Jornalismo” (Ed. Contexto), e revi amigos no 6º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, em São Bernardo do Campo. Este também foi o mês em que vi as águas tomarem as ruas, as casas, as cidades. Os dias em que a enxurrada e as chuvas afogaram sonhos, levaram vidas e nos fizeram acreditar no impossível. Aprendi com a amizade, com a solidariedade, com o amor fraternal…

Dezembro: qualifiquei duas orientandas do mestrado, concluí as três disciplinas que lecionava e ainda uma pesquisa financiada pela Fapesc. Contabilizei os ganhos e as perdas e vi que era um tempo bom, apesar de tudo. O mês para terminar o ano foi o mês do recomeço, da reconstrução e das tentativas de reinvenção pessoal. Reiventar-se foi escolher para si um tempo novo, e outras prioridades pois as essências quase nunca são evidentes. Foram também dias de fechamento de ciclos, de projeção de novos dias e de se permitir um (merecido) descanso. Não terei muitas saudades de 2008, mas não poderei esquecê-lo, é verdade.

natal

Apesar dos pesares, e eles não são poucos – basta olhar pela janela-, apesar dos pesares, ainda temos o que celebrar.

Por isso, neste Natal e mesmo no ano que se insinua, celebremos a vida, comemoremos  o fato de estarmos aqui e em muitos lugares.

Paz e saúde!