estudos em jornalismo e mídia: chamadas de textos para 2010

Estão definidos os temas da Estudos em Jornalismo e Mídia para as edições do primeiro e segundo semestre de 2010.

Anote aí!

Volume 7 nº 1 (Janeiro-Junho)
Inovações no Jornalismo

O jornalismo é uma atividade que evoluiu não apenas aliado ao desenvolvimento tecnológico, mas também à base do aperfeiçoamento de processos e sistemas. Neste sentido, as inovações na área abrangem o emprego de equipamentos e suprimentos para um melhor desempenho, mas também a implementação de novos processos e a proposição de outras práticas que otimizem a atuação jornalística. Inovação envolve criatividade, ousadia, imaginação, experimentação e busca de excelência. A inovação no jornalismo é operacional e é processual, e se traduz em apropriações tecnológicas, adoção de políticas de trabalho, indicação de métodos de investigação e apuração, entre outros. O escopo desta edição abrange ainda relatos de pesquisa e reflexões sobre modelos de negócio para o jornalismo, padronização e qualidade, formatos e produtos, estratégias dirigidas a novos públicos, novas mídias, etc.
Prazo para submissão: até 20 de abril

Volume 7 nº 2 (Julho-Dezembro)
Jornalismo e Políticas Públicas

Fruto e consequência de mobilização social, as democracias modernas amadureceram sistemas de participação popular para a gestão do bem público. Um deles é a implementação das chamadas políticas públicas. Estas são formalizações legais e administrativas que possam garantir ganhos e direitos adquiridos para todo o conjunto da sociedade e não apenas para públicos específicos. Como uma atividade eminentemente social, o jornalismo deve ter, em essência, suas atenções voltadas às questões mais universais. As políticas públicas, portanto, devem pautar permanentemente a imprensa. É isso o que acontece? Como os meios de informação e seus profissionais tratam as políticas públicas? Como as organizações que defendem e articulam a população para as políticas públicas se relacionam com a imprensa? Que modelo de jornalismo prevalece nessa relação entre imprensa e instituições de mobilização social?
Estas e tantas outras questões que envolvem o tema e merecem atenção deverão ser objeto de debate nesta edição.
Prazo para submissão: 20 de setembro

A Estudos em Jornalismo e Mídia é a revista científica do Mestrado em Jornalismo da UFSC.

pós de edição em jornalismo na unisc!

Já estão abertas as inscrições para a especialização em Edição em Jornalismo na Unisc, em Santa Cruz do Sul. As aulas começam em 9 de abril.

A coordenação do curso é do Demétrio Soster, e tem entre os docentes nomes como os de Antônio Fausto Neto, Carlos Eduardo Franciscato, Marcelo Träsel, Marcia Franz Amaral, Tattiana Teixeira, Marcos Santuário… Fui convidado para dar um seminário sobre aspectos éticos na edição…

Informações no site (http://www.unisc.br/pg/2010/cursos/edicao_jornalismo.html) ou no Twitter (http://twitter.com/posedicao)

campus party, eu vou!

São Paulo sedia mais uma vez o maior evento informal da internet do país e um dos maiores do mundo, a Campus Party. Planejei participar nos últimos dois anos, mas por uma série de fatores não pude estar no lugar onde todas as mentes se conectam, todos os downloads são possíveis e onde a taxa de upload demonstra que a internet é mesmo mais criativa e compartilhadora do que qualquer outro projeto humano.

Por isso, estou bastante feliz com a perspectiva de estar no meio de milhares de campuseiros. Como estou em processo de mudança, apenas darei um pulinho por lá, mas quero postar alguma coisa seja por aqui ou pelo twitter. Participarei do painel “Cibercultura e pesquisas sobre blogs e conversações” ao lado da Sandra Montardo, de André Lemos, do Henrique Antoun e com moderação do Sérgio Amadeu. O convite partiu do Edney Souza que explica no vídeo abaixo como estará a programação da área de blogs…

Se você quer saber mais, acesse o site do evento (aqui), acompanhe o blog da Campus Party (aqui) ou ainda consulte a agenda (aqui).

3 vídeos sobre jornalismo e tecnologia

Três palestras realizadas no Porto, em Portugal, em evento do Observatório do Ciberjornalismo (ObCiber):

António Granado fala de 10 coisas que as universidades precisam fazer para melhorar o ensino do jornalismo

Javier Díaz Noci fala de Pesquisa em ciberjornalismo: tendências

Pedro Araújo e Sá fala de Os media e o mundo digital – Desafios e oportunidades do processo de transição

nova edição da estudos de comunicação na rede

Já está na rede a edição de dezembro da revista Estudos de Comunicação, do Labcom da Universidade de Beira Interior, Portugal.

O sumário é este:

Framing a Global Crisis: An Analysis of the Coverage of the Latest Israeli-Palestinian Conflict by Al-Jazeera and CNN
Laura Aguiar

Disasters in Tamil Nadu, India: Use of Media to Create Health Epidemic Awareness
Sunitha Kuppuswamy & S. Rajarathnam

Strengths and Weaknesses of Public Relations: Education in Portugal
Gisela Gonçalves

O ensino do jornalismo em Portugal
João Manuel Messias Canavilhas

A competição entre televisão e imprensa no discurso metajornalístico
Ana Horta

The Romanian journalists between constraints and liberties
Silvia Branea

Mercado vs Cultura: La política audiovisual de la Comisión Barroso
Carmina Crusafon

New media and society: A Study on the impact of social networking sites on indian youth
Dr. M. Neelamalar & Ms. P. Chitra

A Pertinência da Categoria Singularidade de Adelmo Genro Filho para os Estudos Teóricos em Jornalismo
Felipe Simão Pontes & Francisco José Karam

Celebridades no Feminino: mulheres célebres em revistas femininas de estilo de vida portuguesas
Ana Jorge

Tecnologias, Mídia e Educação: percursos teóricos entre a sociedade da informação e a sociedade do conhecimento por
Laura Seligman & Rogério Christofoletti

O estudo das redes sociais na comunicação digital: é preciso usar metáforas?
E. Saad Corrêa & A. de Abreu de Sousa & D. Osvald Ramos

Abordagens contemporâneas: identidades e cultura no contexto midiatizado
Ms. Daiana Stasiak

Barack Obama e a representação de identidades híbridas na mídia
Paulo Roberto Figueira Leal & Vinícius Werneck Barbosa Diniz

Conception de nouveaux produits en tourisme : Innovation et communication dans l’incertain
Arlette Bouzon & Joëlle Devillard

Jornalismo e Sociedade: A Visibilidade do Idoso nos Meios de Comunicação. (Estudo de caso: Jornais El País e ABC)
Pedro Celso Campos

A webradio em Portugal
Nair Prata

Jornal Impresso e Pós-Modernidade: O Projeto Ruth Clark e a Espetacularização da Notícia
Luiz Roberto Saviani Rey

Telejornalismo e Poder: A moeda política que regula as relações de troca no Brasil
Flávio AC Porcello

A África que Tintim viu: metáforas da superioridade européia, estereótipos raciais e destruição das culturas nativas em uma desventura belga
Lúcio De Franciscis dos Reis Piedade Filho

Acesse http://www.labcom.pt/ec/06/

saem os vencedores do prêmio caixa-unochapecó de jornalismo ambiental

(Da Coordenação do Prêmio)

Após um período extra de espera, devido à prorrogação do prazo de inscrições, temos o prazer de fazer hoje a divulgação do resultado do III Prêmio Caixa-Unochapecó de Jornalismo ambiental, voltado à produção de reportagens para a web e que discute os riscos, impactos e sustentabilidade ambiental no sul do Brasil. A classificação de sustenta nas notas emitidas, conforme os critérios previstos no regulamento, pelos três jurados: os professores Rogério Christofoletti, de Santa Catarina,  Luiz Ferraretto, do Rio Grande do Sul e Márcio Fernandes Amaro, de São Paulo.

A reportagem vencedora é “Perdas de água: preocupação e novas tecnologias, tudo em pról do desenvolvimento sustentável”, das acadêmicas Caroline Gautério Leal e Graziela Mertens, Balneário Camboriu-SC, pertencentes à Universidade do Vale do Itajaí – Univali. Alcançaram nota 9,4 e recebem a premiação de R$ 4.500,00. A reportagem que ficou em segundo lugar denomina-se “Falta de consciência ambiental e de políticas públicas impossibilita a reciclagem”, de autoria de Ádlia Chaves Tavares e Sheyla Joanne Horst, de Guarapuava-PR, da Universidade Estadual do Centro-Oeste -Unicentro, com nota 9,3, e premiação de R$ 2.000,00. Em terceiro lugar, foi classificada a reportagem “Alimergia: uma ação de sustentabilidade”, produzidas por Clarissa Gabriela Gnhoatto Hermes e Letícia Sangaletti, de Frederico Westphalen-RS, do Centro de Educação Superior/Universidade Federal de Santa Maria -UFSM, tendo obtido nota 8,7 e um valor de R$ 1.000,00.

Os prêmios serão entregues em evento a ser realizado no dia 18 de fevereiro de 2010, após o retorno dos estudantes e professores às aulas, quando acontece também o lançamento do IV Prêmio Unochapecó de Jornalismo Ambiental. Foram ao total, 25 reportagens concorrentes. Entendemos que a edição desse ano consolidou o concurso como uma ação jornalística e cultural de relevância na região Sul. A iniciativa cumpre a finalidade de desafiar os cursos e os acadêmicos de Jornalismo a saberem mais sobre questões fundamentais do meio ambiente e, por outro lado, a se exercitarem no processo de convergência das mídias, numa necessária busca de aprimorar o jornalismo na internet.

jornalistas madrilenhos em baixa

Confiança é um vaso que não se quebra. Porque depois de partido, mesmo que se junte todos os cacos, nada será como antes… Confiança e credibilidade são vitais para a sobrevivência de jornalistas e do jornalismo. Volta e meia, surgem pesquisas que tentam aferir a quantas anda a imagem desses profissionais perante a sociedade. A mais recente dessas consultas é a realizada pela Asociación de Prensa de Madrid, e na Espanha o mar não está para o peixe dos jornalistas. Lá, apenas 39% das pessoas têm uma boa imagem da profissão.

A informação é do 233 grados, mas desconfio que em outras latitudes a coisa não esteja lá muito diferente…

convergência e direito: um dossiê

O Observatório de Direito à Comunicação acaba de lançar na rede o primeiro de uma série de documentos especiais que muito ajudam a compreender o setor de comunicações no Brasil. O primeiro dossiê tem o título A convergência tecnológica e o direito à comunicação, e articula de forma didática e bem estruturada as relações entre os avanços das plataformas, os impactos a que os meios convencionais estão expostos e a organização dos meios de comunicação nacionais em meio a essas modificações.

O dossiê tem 28 páginas, em português, formato PDF, e é assinado por Jonas Valente. O material pode ser baixado aqui.

O documento é interessante pela abordagem – o direito à comunicação não pode se esvaziar diante dos avanços tecnológicos – e oportuno. Afinal, neste mês, acontece em Brasília a primeira Conferência Nacional de Comunicação, ocasião histórica para se discutir diversos aspectos sobre o setor no país.

enade: comissão de comunicação anula questões

Acabei nem comentando aqui a prova do Enade deste ano. Foi polêmica, sim, e arrisco em dizer mal preparada. Houve uma tempestade de críticas, muitas bem acertadas.

Já fui membro da comissão da área de Comunicação para o Enade e sei que o trabalho é muito duro por lá. O trabalho dos especialistas é estabelecer diretrizes que orientem a elaboração de uma boa prova. Não é a própria comissão quem formula as questões, mas empresas especialmente contratadas para o serviço. Aliás, muitíssimo bem pagas, enquanto que os membros da comissão recebem minguadas diárias do Inep, que muitas vezes mal cobrem as despesas com alimentação e hospedagem em Brasília.

Mas o fato é que a prova do Enade deste ano foi muito mal elaborada mesmo. Tanto é que a comissão que assessora o Inep na área da Comunicação decidiu por anular algumas questões, conforme se pode ler no informe do professor Gerson Luiz Martins, um dos membros:

A Comissão Assessora da Área de Comunicação de Enade, em reunião desta quarta-feria, 2 de dezembro, anulou diversas questões da prova da área de Comunicação.
Na parte geral da prova foram anuladas as questões 18 e 19. A questão 19 é a da “marolinha”.

Na parte específica em Jornalismo foram anuladas as questões 27, 30, 33 e 35. Na prova de Publicidade foram anuladas as questões 33 e 37. Na prova de Relações Públicas foram anuladas as questões 34 e 36. Em Radialismo, a questão discursiva 38. E na prova de Cinema, anuladas a questão 34.

A anulação das questões não torna a prova melhor que antes, mas ao menos evita danos maiores, com o uso político da prova, com a ambiguidade e falta de objetividade de alguns trechos da prova. Depois do vazamento da prova do Enem e do desastre do Enade, tanto o Ministério da Educação quanto o Inep saem bastante castigados neste final de governo… será que alcançariam média pra passar?

fórum de professores de jornalismo: chamada de artigos

Leonel Aguiar, diretor científico do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ), manda avisar que as inscrições para o encontro de 2010 serão abertas já no dia 1º de janeiro:

O Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo (FNPJ) convida professores, pesquisadores, jornalistas e estudantes para inscreverem trabalhos no IX Ciclo Nacional de Pesquisa em Ensino de Jornalismo, que ocorrerá em Recife, Pernambuco, entre os dias 21 e 23 de abril de 2010. O período de inscrição começa no dia 1° de janeiro e vai até o dia 1° de março de 2010.

Os trabalhos podem ser apresentados em um dos seguintes Grupos de Pesquisa: atividades de extensão; ensino de ética e de teorias do jornalismo; pesquisa na graduação; produção laboratorial/eletrônicos; produção laboratorial/impressos; projetos pedagógicos e metodologias de ensino. Mais informações sobre as modalidades – comunicação científica, relato e pôster – e formatação dos trabalhos podem ser encontradas no site www.fnpj.org.br.

novembrada, 30 anos

Há exatos 30 anos acontecia em Florianópolis um episódio que seria emblemático na derrocada do regime militar: um embate entre manifestantes e autoridades, na visita do presidente João Figueiredo à cidade, passaria à história como a Novembrada.

O Cotidiano, revista multimídia do curso de Jornalismo da UFSC, coordenada por minha amiga Maria José Baldessar, oferece hoje um igualmente histórico especial sobre o evento. Se você sabe do que estou dizendo, vá lá relembrar. Se nunca ouviu falar da coisa, já pode dar um bom mergulho no assunto.

Acesse: http://www.cotidiano.ufsc.br/images/novembrada/

 

 

 

 

 

 

 

formação de jornalistas na américa latina

Já está disponível um levantamento feito pela Federación Latinoamericana de Facultades de Comunicación Social (Felafacs) com apoio da Unesco que tem como título Mapa de los centros y programas de formación de comunicadores y periodistas en América Latina y el Caribe.

Como se pode ver, é um informe que faz um panorama de cursos e centros de formação profissional no continente. Em formato PDF e em espanhol, o documento teve como consultor brasileiro o professor Gerson Luiz Martins. Vale a pena conhecer a realidade formativa específica na região… Aqui!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

10 links sensacionais sobre jornalismo

  1. The New York Times Inovation Portfolio – tenha paciência para carregar a página porque vale a pena ver
  2. Consultorio de Acesso à Informação Pública e Liberdade de Expressão – ferramenta útil para jornalistas
  3. Código de Deontologia para França – proposta concluída no final de outubro e que está em plena discussão
  4. Ética para fotojornalistas – valores e orientações de conduta muitíssimo interessantes para profissionais
  5. Top 50 de blogs jornalísticos – uma amostra atualizada, mas restrita dessa fatia da blogosfera
  6. Uso de mídias sociais no jornalismo – as regras da ABC Corporation, da Austrália
  7. Hiperjornalismo – recentíssimo banco de dados das emissoras de TV brasileiras
  8. Newsmap – leia manchetes – inclusive do Brasil – da maneira mais visual possível
  9. Dossiê Universidade, Mídia e Jornalismo – nem tudo está aberto para leitura, mas há muita coisa boa neste especial do The Chronicle Review
  10. Estudando jornais numa época de mudanças – Jane B.Singer escreve para o Poynter. Texto lúcido e instigante!

cobertura oficial da sbpjor

Dois canais foram criados na web para a cobertura em tempo real do 7º Encontro Nacional de Pesquisadores de Jornalismo: um blog e um perfil no twitter. Todo o trabalho é feito pelos alunos do Núcleo de Comunicação da Empresa Junior de Jornalismo da ECA-USP.

vencedores recebem prêmio adelmo genro

Mais tarde, na cerimônia de abertura do 7º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, na ECA/USP, acontece a entrega do Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo.

Nesta quarta edição, foram inscritos 36 trabalhos de 26 instituições em dez estados brasileiros, um recorde no evento.

Conheça os vencedores que hoje recebem certificados e placas de homenagem:

Categoria Iniciação Científica
Autora: Gabriela Zago, da Universidade Católica de Pelotas
Trabalho: “Jornalismo em Microblogs: Um Estudo das Apropriações Jornalísticas do Twitter”
Orientadora: Raquel da Cunha Recuero

Categoria Mestrado
Autora: Marta Eymael Garcia Scherer (UFSC)
Trabalho: “Bilac, sem poesia – crônicas de um jornalista da Belle Époque”
Orientador: Carlos Eduardo Capela

Categoria Doutorado
Autora: Carla Andrea Schwingel, da UFBA
Trabalho: “Sistemas de produção de conteúdos no ciberjornalismo – A composição e a arquitetura da informação no desenvolvimento de produtos jornalísticos”
Orientador: Elias Machado Gonçalves

Categoria Sênior
Pesquisador: José Marques de Melo

sbpjor começa hoje

Tem início hoje a 7ª edição do Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, promovido pela SBPJor. Pelo número recorde de trabalhos a serem apresentados, pela localização – o congresso acontece na ECA/USP -, e pelo atual estágio da pesquisa em jornalismo no país – em franca ascensão -, este tende a ser o maior encontro que a entidade já produziu desde a sua criação em 2003.

Embarco agora cedo para São Paulo, e tentarei alimentar este blog com posts ou distribuir informes rápidos pelo twitter (você pode me seguir por aqui). Tudo vai depender da conectividade no local…

Se você não puder participar, acompanhe pelo site do evento (aqui).

Entre os grandes nomes internacionais do evento, estão Pamela Shoemaker (Syracuse University, EUA) e Erik Neveu (Institut d’Etudes Politiques de Rennes, França)… O encontro vai até a sexta, 27, com conferências, mesas coordenadas, apresentações de trabalhos individuais, lançamentos de livros, reuniões de trabalho, entrega de prêmios, eleição e posse da nova diretoria da SBPJor… Ufa!

teoria do jornalismo em revista

Acaba de sair a edição de final de ano da revista Estudos em Jornalismo e Mídia, do Mestrado em Jornalismo da UFSC.
Neste número, um dossiê sobre teorias do jornalismo, e outros tantos temas importantes.

O sumário está a seguir, e o link para a edição é este aqui.

Eixo Temático: Teorias do jornalismo
O fenômeno noticioso: objeto singular, natureza plural
Gislene Silva (UFSC)

A celebração da prática e da teoria do fazer jornalístico – Zero Hora 45 Anos
Daiane Bertasso Ribeiro (UFSM) e Maria Ivete Trevisan Fossá (UFSM)

Jornalismo e guinada subjetiva
Marcio Serelle (PUC-MG)

Entre fronteiras: explorando o efeito da terceira pessoa
Francisco Gilson R. Pôrto Junior (UNITINS)

A institucionalização do mercado noticioso e seus significados para a construção da identidade do jornalista no Brasil
Fernanda Lima Lopes (UFRJ)

Jornalismo, espaço de disputas de hegemonia
João José de Oliveira Negrão (UNISO)

Jornalismo audiovisual de qualidade: um conceito em construção
Beatriz Becker (UFRJ)

Contributos portugueses à teorização do jornalismo: das origens a 1974
Jorge Pedro Sousa (Universidade Fernando Pessoa)

Temas livres
O repórter Euclides da Cunha em Canudos
Antonio Carlos Hohlfeldt (PUC-RS)

Novas exigências de formação
Antônio Fausto Neto (UNISINOS)

O oligopólio privado das comunicações como herança arbitrária do Estado brasileiro
Carlos Augusto Locatelli (UFSC)

Televisão, Telejornalismo e Juventude: o que jovens da periferia pensam sobre o Jornal Nacional?
Aline Silva Correa Maia (UFJF)

Sedimentação, erosão, abalos e erupção de imagens: Reprodução e transformação de representações sociais na narrativa jornalística
Ivan Paganotti (ECA-USP)

Jornalismo digital e colaboração: sinais da desreterriotorialização
Vivian de Carvalho Belochio (UFRGS)

Resenha
Moral irrisória
Ética, jornalismo e nova mídia: uma moral provisória, de Caio Túlio Costa
.
Por Aldo Antonio Schmitz (UFSC)

Comentário
Por que o jornalismo precisa de doutores?
Philip Meyer (University of North Carolina)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

objetividade e ensino de jornalismo: novos livros

A Série Jornalismo a Rigor, editada pela Insular com iniciativa do Programa de Mestrado em Jornalismo da UFSC, lança este mês mais dois importantes títulos no mercado: Jornalismo, conhecimento e objetividade: além do espelho e das construções e A Escola de Jornalismo: a opinião pública.

O primeiro é assinado pela jornalista Liriam Sponholz, e traz uma versão de sua tese de doutorado junto à Universidade de Leipzig, na Alemanha. Retornando ao debate sobre a objetividade – tão caro ao jornalismo -, a autora conclui, entre outros aspectos, que “um jornalismo mais objetivo é possível, mas as suas chances parecem ser poucas.”

Segundo apresentação da obra, a “polarização entre duas visões do jornalismo – de um lado como espelho da realidade, de outro como construção ideológica – tem ajudado pouco na solução do problema fundamental da objetividade que, indiferente a esta tomada de partido, continua a orientar a prática dos jornalistas e de seus públicos na produção e no consumo diário de notícias”.

A Escola de Jornalismo – a opinião pública, segundo lançamento anunciado, é um clássico assinado por Joseph Pulitzer, lendário editor do The World e apontado, na década de 40, pela Associação Norteamericana de Editores de Jornais como “o maior jornalista de todos os tempos”. Seu nome até hoje é reverenciado no mercado e na academia, e Pulitzer se tornou a maior distinção da profissão nos Estados Unidos.
Na obra – em edição bilíngue, com tradução de Jorge e Eduardo Meditsch -, Pulitzer faz uma incisiva defesa do ensino superio específico em jornalismo, o que ajudou a alterar o conceito da indústria jornalística e da sociedade sobre a profissão.

Segundo a apresentação do livro, Pulitzer “via a sua  reputação arranhada pelo envolvimento nas encarniçadas batalhas pela audiência que fizeram a má fama do jornalismo marrom (lá yellow journalism), e decidiu associar o seu nome a iniciativas mais nobres: doou milhões de dólares para a criação da primeira faculdade de jornalismo dos Estados Unidos (que afinal foi a segunda, em Columbia) e a instituição de um prêmio anual ‘para encorajar e distinguir a excelência no jornalismo’. Em 1904, já cego, Pulitzer ditou este texto em resposta aos críticos de seu projeto: ao defender a Escola de Jornalismo, estabelece também os cânones modernos da profissão e produz um clássico da sua teoria normativa”.
Os dois livros têm lançamento previsto para o dia 26, quinta-feira, em meio ao 7º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, em São Paulo.

obercom: nova edição da revista

Gustavo Cardoso e Rita Espanha, editores da revista eletrônica Observatório, do Obercom, avisam que já está na rede a mais nova edição do periódico.

O sumário é o abaixo e o atalho é por aqui:

Observatorio (OBS*)
Vol 3, No 3 (2009)

Information Quality Assessment and Source Selection on the Internet for Competitive Intelligence: Fieldwork Research on 53 executives
Jeremy Depauw

Europeanisation on the Internet? The Role of German Party Websites in the 2004 European Parliamentary Elections
Eva Johanna Schweitzer

Regulation of advertising in audio-visual media services: the impact on consumer protection, investments, innovation and competition
Martijn Poel,    Jop Esmeijer

La gestión de la comunicación corporativa en los clubes profesionales en España
Fernando Olabe

Bases do estudo do comportamento do consumidor em um contexto global
Raquel Marques Carriço Ferreira

Radio and the Web: Communication Strategies of Spanish Radio Networks on the Web (2006-2008)
Elsa Moreno,    Pilar Martínez-Costa,    Avelino Amoedo

Communication Research in Europe (2002-2013). An Analysis of Competitive Projects Approved under the European Union’s Sixth and Seventh Framework Programmes
Marta Civil i Serra,    Núria Claver López

Portugal olhado pelo cinema como centro imaginário de um Império: Campo /Contracampo
Maria do Carmo Piçarra

Locating the Self in Web 2.0: explorations in creativity, identity and digital expression
Bridgette Wessels

A patchwork of online community-based systems: can social software be used to augment online individual social capital?
Peter Mechant

Análisis de las barreras en la compra de servicios turísticos por Internet: implicaciones para la gestión comercial en el sector
María Pilar Martínez,    Alicia Izquierdo-Yusta,    Ana Isabel Jiménez-Zarco

Development of Digital Satellite Pay TV in Spain (2004-2008)
Sagrario Beceiro

‘Nothing, late and analogue’  How organizations utilized their websites to respond to issues covered by Swedish mainstream online news
Michael Bo Karlsson

Case Study of Lesbian’s Health Hotline in Peripheral Chinese City
Jin Cao,    Mao Cao

Point of listening in a radio fiction: the eternal problem
Emma Rodero Antón

conferência estadual de comunicação: inscrições

prev_MAT_111438cartaz_1conecomSC_webTerminam hoje as inscrições para a etapa estadual da Conferência de Comunicação.

O evento acontece neste final de semana: dias 14 e 15 de novembro, sábado e domingo, na Assembleia Legislativa de SC, Florianópolis.

Qualquer pessoa pode participar. É simples, fácil e de graça, veja aqui.
A programação pode ser conferida neste link.

gêneros jornalísticos: livro grátis!

Minha amiga Lia Seixas acaba de lançar Redefinindo os gêneros jornalísticos: proposta de novos critérios de classificação, livro baseado em sua tese de doutorado e que chega agora em dois formatos: impresso e online. Se você não dispensa o papel, acesse aqui. Mas se quiser descarregar no seu computador a versão em bits, clique aqui.

Veja uma sinopse:

Aprender a fazer jornalismo é aprender a produzir gêneros jornalísticos. O conhecimento mais profundo dos elementos que constituem os tipos mais frequentes de composições discursivas da atividade jornalística pode implicar em maior conhecimento sobre a própria prática. Isso significa conhecimento sobre as competências empregadas para a realização da atividade, desde a produção à publicação do produto. Com as novas mídias, surgem novos formatos, se hibridizam, se embaralham os gêneros. A noção de gênero entra, mais uma vez, em cheque. Por isso mesmo passa a ser vista com mais atenção. Alguns gêneros podem acabar, outros podem aparecer. Alguns se transformam, outros se mantêm. Com as novas mídias, as práticas discursivas passam a experimentar e produzir novos formatos, que podem se instituir ou não em novos gêneros.

ética, interesse público e direito à informação

Dois eventos internacionais acontecem neste mês e trazem luz a importantes debates sobre ética jornalística, pesquisa científica na área, interesse público e direito à informação.

São eles:

  • “7º Congreso Internacional de Ética y Derecho de la Información”, que acontece em 13 e 14 de novembro em Valência, Espanha. O tema é “A liberdade das consciências na regulação do direito à informação”. O site do evento é este aqui.
  • “Journalism Research in the Public Interest”, evento da European Communication Research and Education Association, que acontece entre 19 e 21 de novembro em Zurique, Suíça. O link é este.

jornais têm menos credibilidade que internet!

É o que mostra uma pesquisa realizada no país e divulgada hoje pelo Comunique-se.

Leia a matéria completa:

Um estudo realizado pelo Instituto Vox Populi, encomendado pela Máquina da Notícia, aponta que o rádio e a internet são as mídias que despertam mais credibilidade entre os brasileiros. Em uma escala de 1 a 10, o rádio conquistou a maior nota (8,21), quase empatando com a internet (8,20), seguidos pela TV (8,12), jornal (7,99), revista (7,79) e redes sociais (7,74).

A pesquisa mostrou que as mídias apontadas pela credibilidade não são necessariamente as mais acessadas, já que a TV é vista pela maioria dos respondentes (99,3%), seguida por rádio (83,5%), jornal impresso (69,4%), internet – sites de notícias e blogs de jornalistas – (52,8%), revista impressa (51,1%), redes sociais – Twitter, Orkut, Facebook, etc – (42,7%), a versão online dos jornais impressos (37,4%) e a versão online das revistas impressas (22,8%).

O economista e coordenador da pesquisa, Luis Contreras, consultor do Grupo Máquina, destaca o avanço das redes sociais, que se aproximam do índice de credibilidade das demais fontes de informação. “Entre os usuários dessa nova mídia, 40% consideram-na como de credibilidade muito alta. Isso nos mostra claramente que não podemos ignorar o poder das redes sociais na formação de opinião”, enfatiza.

Entre os principais meios de informação, a TV continua na liderança (55,9%), seguida pela internet – sites de notícias/blogs jornalísticos – (20,4%), jornal impresso (10,5), rádio (7,8%), internet – redes sociais – 2,7%, jornal online (1,8%), revista impressa (0,8%) e revista online (0,1%).

O estudo entrevistou 2.500 pessoas maiores de 16 anos, entre 25/08 e 09/09, no Distrito Federal e nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

lançamento de livro

Meu amigo Mario Fernandes, um dos responsáveis pela obra, manda o convite:

Terça, amanhã, 10 de novembro
Às 19 horas
Na Assembléia Legislativa de SC, em Florianópolis

Convite Livro(Clique para ampliar)

uma palestra em piracicaba

Amanhã, dou uma passadinha por Piracicaba – no interior de São Paulo – para uma palestra no SESC da cidade. O evento é também uma iniciativa do curso de Jornalismo da Unimep, e começa às 20 horas. Vou falar sobre ética jornalística, notícias em tempo de novas mídias, redes sociais, e os impactos disso tudo na conduta dos jornalistas. Uma parte desses assuntos está no meu Ética no Jornalismo, que segundo a organização do evento, será lançado lá também…

Faz tempo que não volto a Piracicaba. Faz tempo que não revejo amigos da área. Para um caipira de Rio Claro como eu, será um imenso prazer voltar a falar com “meu sotaque original de fábrica”…

blogosfera policial e direitos humanos para mídia comunitária

Dois estudos bem interesantes caíram na rede nos últimos dias: um trata de blogs de policiais brasileiros ou com abordagem policial, e outro é uma cartilha sobre direitos humanos para comunicadores comunitários.

Os estudos foram produzidos pela UNESCO, Oboré e Centro de Estudos sobre Segurança e Cidadania, da Universidade Cândido Mendes.

Baixe A Blogosfera Policial no Brasil: do tiro ao Twitter aqui!

Baixe Direitos Humanos na Mídia Comunitária aqui!

o jornalismo cava a própria cova

Jorge Rocha Neto alimenta uma tese polêmica: para ele, o jornalismo morreu. É bem verdade que Rocha Neto não seja o único a soprar tal trombeta, mas seu timbre é particularmente interessante. Provocador, não é à toa que na internet assine como Exu Caveira Cover e cuspa labaredas para quase todos os lados…

Seu vaticínio mais parece uma praga. Afinal, esse Exu é jornalista e professor da área, o que pode soar como alguém que também cuspa no próprio prato. Que nada! Essa aparente contradição e as raízes do seu raciocínio são explicados pelo diabo em pessoa na entrevista – feita em dois tempos por email – a seguir.

Você mantémfoto para entrevista1 um blog cujo mote principal é a morte do jornalismo. O jornalismo morreu mesmo? Quando e como foi que isso aconteceu?

É preciso frisar ainda que o blog tem como subtítulo “imprimatur de exucaveiracover”. Se pensarmos esse blog como um terreiro virtual, a entidade que incorpora naquele espaço pode ser chamada de gravekeeper, uma sutil sacanagem com o termo gatekeeper – é, eu estou explicando a piada, pode me apedrejar. Há todo um estado de espírito mórbido ali para tratar do jornalismo, porque acredito que esta é a única forma de lidar com este tema sin perder la envergadura. Não pretendo, seja aqui ou acolá, precisar a data da morte do jornalismo, porque se trata de um rigor mortis sui generis, pois é espasmódico e faz confundir estertores com sobrevida.

A prática jornalística a que me refiro é a dos jornalões, é uma tentativa de emular Brás Cubas, cuja condição de morto lhe permitia analisar livremente a si mesmo e as histórias que viveu e acompanhou. No entanto, falta um élan post mortem a esta prática para chegar a estas vias de fato e há corpos de vantagens em quesitos falcatruescos. Se o Fantasma é o espírito-que-anda, o jornalismo é o cadáver-que-escarnece. Seja da sua própria condição, seja do trato com a opinião pública, seja da realidade que faz contorcer em espasmos de entranhas, seja da audiência, ao tentar solapar-lhe nacos de cidadania em sucessivas mordidas de zumbi. Permita-me ser generalista uma vez na vida: o atestado de óbito é diário nas páginas de jornais e revistas, na telinha da TV e nas ondas sonoras dos rádios. Não é redundância ou exagero, desde sempre me defendo: o jornalismo é o cadáver que cava a própria cova. E, no caso brasileiro, dessas buraqueiras, tal como lírios na lama, surgem iniciativas como o Blog da Petrobrás – há lições e lições a tirar daquilo lá para quem sublima a raivinha besta sentida no momento da sua criação –, o Crônicas de uma catástrofe anunciada e o Cloaca News, só para citar alguns exemplos, porque não estou aqui para fazer elogios.

O fim do jornalismo significa o fim dos jornalistas também?

Eu defendo a ideia de que o jornalismo, conforme apresentado anteriormente, permaneça como está: morto. E enterrado. Assumir a persona de gravekeeper tem lá seu grau de seriedade, pode apostar. O jornalismo é uma prática social, umexu_pagea necessidade inerente à sociedade, e não algo que preste apenas a ser alimentado por dossiês, manipulado por lobistas ou atrelado tão somente a “interesses empresariais”.

Antes que detratores esfreguem as patinhas e venham me chamar de defensor de um jornalismo romântico – como já ouvi diversas vezes, assim como a frase “você é muito radical” –, adianto que sou purista apenas em relação ao uísque que bebo. É claro que entendo a correlação de forças que se aplicam ao jornalismo, convivo com elas mesmo estando fora de redação – por escolha própria e posteriormente por acordo mútuo entre mim e a “barriga da besta”. Enquanto aquilo que é chamado de “pensamento empresarial” dos grandes meios de comunicação servir apenas para atochar gagballs até o palato no jornalismo, encobrindo a safanagem com o epíteto de quarto poder, sem entender que – até mesmo em termos empresariais – é um tiro na cabeça sustentar esse modelo por mais décadas, ficamos todos na lesma lerda. Eu prefiro engrossar as fileiras daqueles que fazem coro com Erik Neveu.

Para o tiozinho, a prática jornalística é um “ofício de fronteira” – sendo que o termo “fronteira” tem aqui muito mais a conotação de pontos de contato do que de barreiras alfandegárias. Neveu considera, e eu prefiro acreditar que compartilho essa crença, que essa forma de lidar com o conceito de fronteira tem que orientar o jornalismo a pensar sua própria natureza como algo ligado à anexação de outras atividades, concatenadas até mesmo – pasme, filisteu! – aos novos meios de comunicação. Fora disso, meu caro, não há vida. E este é o momento em que eu puxo Armand Mattelart pelo braço e deixo que ele diga – uma vez mais – que a comunicação prioritariamente deve corresponder às mudanças percebidas nas relações entre emissor e receptor e no contexto histórico, além de prestar atenção às reconfigurações relacionadas às tecnologias.

O jornalismo a que me refiro como morto é justamente esse que não observa esses pontos e os jornalistas que regurgitam este cadáver nada mais são do que zumbis. Como fã de George Romero que sou, acredito que a solução mais prática é acertar-lhes a cabeça.

Em caso afirmativo, alguém sentirá falta de um ou do outro?

A mesma falta que um corpo morto sente falta dos vermes que se alimentam dele.

No caso de o fim do jornalismo não significar o fim dos jornalistas, o que os jornalistas vão fazer então???

Não sei de outro tempo no qual a figura do jornalista foi mais necessária. Mesmo com toda essa conversa de crise no/do jornalismo que a própria mídia alavanca e faz com que as empresas jornalísticas reajam a esse mal demitindo jornalistas. É o típico ato de cuidar das caspas cortando a cabeça – e você achando que eu é que sou o psicótico nessa história. Mas essa necessidade da qual estou falando é a de um tipo de jornalista que não se locupleta com o “fazer corpo mole” em uma redação. Porque, além de um certo atravancamento no pensamento das empresas de comunicação – dá vontade de rir quando escrevo “empresas de comunicação” – há jornalistas que se contentam em praticar e repetir o mantra “fazer-o-arroz-com-feijão-tá-muito-bão”, que se contentam em fingir de morto para evitar problemas. Tenho raiva desse tipo de profissional e escrevo isso tranquilamente, porque nunca escondi esse sentimento.

Para piorar esse quadro, cabe dizer que parte dos jornalistas que admiro está morta ou fora das redações. Mas respiro aliviado ao ver que ainda salvação – substancialmente fora da “barriga da besta” mas que pode ser transplantada para dentro. De novo: é um jogo político, de enfrentamento e correlação de forças. Como todo e qualquer setor da vida social.

Entendo o seu raciocínio, mas você não teme ser rotulado de “polemista de papel”, de “provocador bem acomodado”, de crítico da academia que se diverte ao atirar pedras no mercado? E de que maneira, sua posição pode não ser vista dessa maneira?

Ah, essa é uma armadilha para rato pequeno e nela eu não tropeço. E é até relativamente fácil de desarmar. Sigam a bolinha, crianças. 1) Só para citar um exemplo fácil, fatos como a família Sarney controlar os meios de comunicação no estado do Maranhão – esta incógnita –, conforme está bem listado no Donos da Mídia, prescindem que eu esteja ou não em uma redação de jornal para compreender a importância política de uma capitania hereditária midiática como essa e criticá-la. E estas capitanias loteiam o Brasil de ponta a ponta, Estado a Estado, cidade a cidade – e dá-lhe síndrome do pequeno poder; você consegue calcular o estrago disso tudo? Isso acontece já a olhos vistos, passível de ser observado por jornalistas nas redações, professores em salas de aula e até mesmo por marcianos rondando o céu de brigadeiro do Brasil.

Fazer tal crítica é algo necessário, independente de onde se esteja, observando a relação promíscua entre – vá lá – poderes constituídos, os arrolhos metidos no jornalismo por conta de conchavos políticos ou a concordância à subserviência para garantir o uísque das crianças. Você pode até não ter espaço para publicizar essa observação/opinião no veículo em que trabalha, mas isso não o tolhe de entender a roda dentada e saber como manifestar seu ponto de vista – de novo, é um jogo político. 2) Acha que minhas considerações são duras por que estou em uma posição confortável, fora de uma redação? Bobagem. Eu nunca escondi minha opinião acerca do jornalismo mesmo quando estava na redação e assim como todo jornalista, passei por maus bocados, como alguns que pontuei aqui. Mas são histórias que prefiro não contar em uma entrevista. Como acadêmico, eu tomo muito mais cuidado com o que digo: em redação eu era muito, mas muito pior.

Mercado e academia podem dialogar na direção de um jornalismo melhor? Como pode se dar esse encontro?

Eu me pergunto a quem interessa esse diálogo. De um lado, há acadêmicos que torcem o nariz à simples menção da palavra “mercado”, de outro, empresários de mídia – e seus “jornalistas representantes”, todos covers de William Bonner e/ou Pedro Bial – que apregoam treinar jornalistas para o mercado. Ambas as proposições estão incorretas, uma vez que estão centradas meramente na ideia de contentar ou não o mercado, essa entidade apocalíptica.

Sim, falta aí uma visão macro, menos dualista, menos passional. É justamente por esse aspecto de “deslumbramento por um treinamento ninja” que não aprecio os cursos de Jornalismo da Abril e afins – e também não é de hoje que eu falo isso –, porque essa é uma visão reducionista às pampas. No meio desse melelê todo, ficam os estudantes de Jornalismo como baratas tontas, muitas vezes acreditando que essa é a única métrica confiável. Claro, não se pode negar a existência das – aham – necessidades mercadológicas, nem mesmo como atitude filosófica, porque o jornalista vai enfrentá-las, isso é estupidamente óbvio. Para um jornalismo melhor, como você classificou, no que tange as duas partes citadas, é preciso que ambos os lados cedam em algumas de suas particularidades: que as empresas de comunicação estimulem e mantenham espaços editoriais para a aplicação de conhecimentos adquiridos na academia – técnicos, teóricos e humanistas – e que as instituições de ensino tenham condições de equipar os estudantes com um cabedal de informações que formem o caráter dessa moçada. Chamo atenção à essa última parte especificamente, dizendo que não se aprende Ética na redação – entendi isso da pior forma possível. Parece discurso de político, não? E é.

Para finalizar, se o jornalismo é o cadáver que cava a própria cova, quando ele finalmente descansar, quem jogará a última pá de cal sobre o finado?

Espero sinceramente que não seja o Caio Túlio Costa.

vem aí um novo código de ética?

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) começou a defender a existência de um código que não se restrinja a normatizar a conduta de profissionais nem fixe limites às empresas, mas que a atividade em si seja minimamente regrada, como se demarcássemos cânones. Mesmo após um longo, exaustivo e legitimador processo de rediscussão do Código de Ética do Jornalista, a Fenaj recebeu críticas pela sua quarta versão do documento, finalizado em 2007. De que adianta apontar regras de conduta que nem sempre podem ser seguidas porque o profissional não é tão livre para optar por elas?, questionou-se. Como é colocado no Código a tal cláusula de consciência se o jornalista não tem margem de ação concreta para deixar de cobrir assuntos que contrariem suas convicções?, perguntou mais alguém. Por fim, uma indagação-síntese: como um código como este pode ser implementado se não foi negociado com os patrões e com os proprietários de meios de comunicação?

Este aí é um trecho do texto que publiquei hoje no Observatório de Ética Jornalística, o objETHOS.
Ficou interessado? Dê uma chegadinha lá para ler tudo, mas pegue este atalho aqui.

presentinhos de sexta

Como o final de semana se aproxima, deixo três presentinhos:

1. A reconstrução do jornalismo americano. Relatório recente – do último dia 20 -, assinado pelos professores Leonard Downie Jr e Michael Schudson, das universidades do Arizona e de Columbia. Em inglês, em PDF e com 100 páginas. Aqui.

2. A emergência das redes sociais e os seus impactos no jornalismo convencional. Estudo recente sobre a realidade do Reino Unido assinado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism. Em inglês, em PDF e com 60 páginas. Aqui.

3. Recentemente, tratei da Ley de Medios argentina, polêmico marco regulatório que pode alterar sensivelmente o mercado audiovisual daquele país. Aliás, a lei está aqui. Em espanhol, em PDF e com 25 páginas.

william bonner e o fosso entre academia e mercado

Tempos atrás, a visita de um profissional a uma universidade seria um episódio restrito apenas a quem o presenciasse. Por mais ruidosa que fosse a passagem, alunos e professores discutiriam nos corredores, e o fato seria armazenado na memória de quem o testemunhasse. Bem, eu disse “tempos atrás”. Hoje é diferente, e as muitas possibilidades tecnológicas de compartilhamento de informação, conhecimento e experiência soterram qualquer tentativa de esquecimento voluntário.

Acontecimento recente ajuda a ilustrar essa nossa obsessão por lembrar: no início do mês, o apresentador e editor-chefe do Jornal Nacional William Bonner palestrou na Universidade de Brasília e causou ranger de dentes com as críticas que fez aos cursos de Jornalismo brasileiros. Segundo relatou a professora Zélia Adghirni, publicado originalmente no Observatório da Imprensa, Bonner disse que as escolas de Jornalismo “não servem para formar jornalistas” e que elas “deveriam se preocupar mais com o ensino de Português e História. Para o resto, a universidade serve apenas como experiência de vida”. Conforme conta a professora, o editor-chefe foi categórico em afirmar que “jornalismo se aprende no mercado”, e que nem mesmo técnicas de redação e ética profissional seriam bem oferecidas nesses momentos de formação.

Bonner, contextualiza a professora Zélia, disse tudo isso, após a já esperada pergunta de estudantes acerca do fim da obrigatoriedade do diploma para a área. O auditório da UnB estava lotada, e fora dele, um telão retransmitia a palestra do jornalista. Ainda segundo o relato da professora, Bonner teria dito que “em seis meses, eu pego um estudante e faço dele um editor na Globo”, transformação que poderia fazer de um taxista em jornalista.

Como eu disse, a passagem de Bonner pela UnB – por ocasião da turnê de lançamento de seu livro “Jornal Nacional – Modo de Fazer” – provocou ranger de dentes, que não ficaram apenas nos longos corredores da Universidade de Brasília, mas se espalharam feito rastilho de pólvora na blogosfera e em listas eletrônicas de professores e alunos.

O fosso

Não, eu não estava na palestra de Bonner. Mas confio no relato da professora Zélia, a quem conheço e respeito. E a julgar pelo teor do que foi dito, a passagem foi desastrosa. Não porque eu não concorde com o jornalista, afinal isso pouco interessa. Mas porque declarações como aquelas só fazem aprofundar e alargar um abismo entre academia e mercado, entre universidade e empresas. Aliás, é histórica a existência desse fosso separando duas instâncias que poderiam muito bem dialogar mais. Há muito tempo, assisto a demonstrações mútuas de ojeriza. Há anos, vejo gente na academia torcendo o nariz para o mercado, e gente do mercado bufando diante de professores da área. Não é, portanto, meramente ilustrativo o que digo sobre um fosso. Ele existe, e perdura e, ciclicamente, se expande.

Por contraste geológico, o desprezo manifesto por Bonner pela formação oferecida nas escolas é só a ponta do iceberg de uma relação de estranhamento que não contribui para o avanço do jornalismo profissional nem para os processos formativos de repórteres, editores e redatores. Isto é, ninguém ganha com isso. O mercado não se beneficia com os debates, as pesquisas, as soluções encontradas na academia, e esta se alija do que acontece no mundo competitivo, cruel, real e complexo a que as empresas estão habituadas. O setor produtivo não dialoga com o mundo da reflexão. A massa pensante tapa os ouvidos para a gente que faz. Claro que estou me apegando aos rótulos que se impuseram esses lados da equação, mas não estou muito longe do que influentes e importantes setores pensam acerca de si e de outrem.

O fato é que temos uma zona de atrito entre academia e mercado que – de forma muito prática – interessa a poucos. Interessa a quem se imagina como o centro do mundo, como quem está indisposto ao diálogo e à construção de caminhos.

Saídas?

Não defendo um pacto artificial entre as partes, nem ao menos a capitulação de suas posições. A academia não precisa pensar como o mercado, mas não pode ignorá-lo. Também não é prudente ou recomendável que as empresas, por sua vez, dêem de ombros para o que se pensa e se produz nas escolas. Se os cursos de Jornalismo estão ruins, é preciso encontrar maneiras de aperfeiçoá-los, se os produtos jornalísticos têm qualidade duvidosa, deve-se perseguir parâmetros melhores, refletindo sobre a prática, sobre rotinas produtivas, fluxos informativos, procedimentos operacionais, adoção de novas tecnologias…

São bem-vindas iniciativas como o da Globo Universidade, de aproximar seus quadros profissionais e empresas às escolas. Bem como é oportuna a criação de cátedras específicas, como a Cátedra RBS da UFSC. Repórteres, redatores, produtores, editores precisam transitar pelas universidades, palestrando ou fazendo cursos. Professores e alunos devem fazer visitas técnicas nas empresas, onde se pode colher dados para estudos de caso. Isto é, as saídas para a redução do fosso entre academia e mercado passam incontornavelmente pelo diálogo e pela disposição. Em outros países, a tensão empresas-universidade é menor, e o encaminhamento dos recém-formados aos postos de trabalho é um processo natural, não-traumático.

O manual e Homer

A academia se gaba de querer pensar criticamente as práticas do mercado. Que continue a fazê-lo, mas que também ofereça exemplos práticos de como aperfeiçoar processos e produtos jornalísticos. Isto é, que as práticas laboratoriais sirvam não apenas para reproduzir comodamente o que vem dando certo por aí, mas também simulem os desafios para a busca da experimentação e inovação, e contribuam para habituar os alunos a um ritmo profissional de produção.

O mercado alardeia que recebe jovens profissionais despreparados e que os “salva” na correria do dia-a-dia. Isso não é totalmente verdadeiro, e nos casos em que é, as empresas podem contribuir para que os cursos sejam melhores. Alguns grupos empresariais oferecem cursos internos de formação que muito se assemelham a períodos de treinamento e adestramento. Na ânsia de preparar seus quadros, as empresas formatam, engessam, restringem. Ultimamente, na mesma direção, tem sido lançados livros que atuam como suporte a esses cursos. “Jornalismo Diário”, de Ana Estela de Sousa, é um exemplo disso. O livro – que tem suas qualidades – segue a mesma receita já empregada pela Folha de S.Paulo em seu Manual de Redação: sabemos fazer jornalismo e só nós sabemos. Por isso, sigam as nossas regras e você estará fazendo jornalismo.

Isso não é dito literalmente, mas a leitura do volume permite entrever o quanto se despreza a academia e as linhas que guiam os cursos acadêmicos. Articulado ao programa interno de formação, do qual a autora é responsável, o livro é outra forma do monólogo que aprofunda a fissura entre academia e mercado.

O livro de William Bonner não é endereçado a estudantes de Jornalismo ou a professores. O timbre didático que ele assume do começo ao fim sinaliza que seu público é maior, na direção da audiência do telejornal mesmo. A preocupação com explicações técnicas é tão grande que o leitor pode se constranger pela rasura de alguns trechos. Como se o leitor fosse Homer Simpson. A comparação é minha, mas não é gratuita. Em 2005, Bonner se viu envolvido num incidente que ajudou a macular sua imagem, pois teria comparado o telespectador médio do JN ao personagem do desenho animado. A aproximação foi “denunciada” pelo professor Laurindo Lalo Leal e causou ressentimentos de parte a parte. Bonner alegou ter sido mal interpretado.

No final de “Jornal Nacional – Modo de Fazer”, o autor vai à forra e desenterra o assunto para um acerto de contas com Lalo Leal. Sob o pretexto de tratar da clareza como um valor a ser perseguido no telejornal, Bonner conta a sua versão do incidente e contrapõe, inclusive, declarações de colegas do professor para contestá-lo. Bonner não segura o rancor, e mesmo que em poucas páginas – e como na UnB – alarga ainda mais o fosso entre academia e mercado.