Uma newsletter sobre lei de acesso à informação

O Fiquem Sabendo, projeto independente com objetivo de revelar informações de interesse social e que o poder público não divulga, acaba de lançar a primeira newsletter nacional especializada em Lei de Acesso à Informação (LAI). A newsletter se chama Don’t LAI to Me, é quinzenal, de graça, e “tem tem como objetivo criar uma rede para fomentar a transparência pública e o controle social”.

Nela, notícias, exemplos de reportagens feitas com base na lei de acesso e dicas preciosas para QUALQUER UM usar seu direito e solicitar informações de caráter público na sua cidade, estado ou mesmo em órgãos federais.

Esta é mais uma iniciativa jornalística, mas que marca uma nova fase do projeto. Se o Fiquem Sabendo foi criado para ser um portal de notícias sobre temas como transparência e direito à informação, agora, ele passa a ser uma agência de dados, conforme explica Maria Vitória Ramos. Aliás, a Fiquem Sabendo é ela, Léo Arcoverde, Luiz Fernando Toledo e Matheus Moreira, jovens repórteres com experiência em farejar histórias por trás de dados opacos e escondidos.

Em tempos que prometem ser sombrios para a sociedade, com ocultação de informações e um perverso ambiente de negação do jornalismo profissional e de propagação de desinformação, vale muito a pena assinar a Don’t LAI to Me. Por aqui, por favor!

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Liberdade de Expressão e Regulação da Mídia

Você acha que regular os meios de comunicação é impor censura?

Taí uma chance para entender melhor porque o Brasil precisa criar mecanismos claros, públicos e democráticos para garantir direitos e fixar regras para um mercado predatório.

Mais informações em https://www.facebook.com/events/1609487945991809/

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um mapa nacional da mídia digital

Mapeamento da Mídia Digital no Brasil imagesgstsAcaba de cair na rede um estudo amplo e aprofundado sobre os meios digitais no país. “Mapeamento da Mídia Digital no Brasil” é uma iniciativa da Open Society, assinado por Pedro Mizukami, Jhessica Reia e Joana Varon. Tem oito capítulos espalhados em 173 páginas que tratam de consumo, relações com a sociedade, jornalismo, tecnologia, negócios e formas de financiamento, leis, regulações e políticas. Em linguagem clara, com textos analíticos e recorrendo a diversas fontes, o estudo merece leitura atenta e muita discussão. Tem mais: está bem atualizado, já que a ele foram adicionadas informações sobre o Marco Civil da Internet, aprovado e sancionado em abril passado.

Acesse aqui. (em PDF, em português e com arquivo de 7,6 Mega)

a internet se discute (cada vez mais por aqui)

De repente, não mais que de repente começam a despencar eventos de altíssimo nível sobre as novas mídias, e as transformações nos mercados por conta dos avanços tecnológicos. O IDG Now!, por exemplo, está promovendo a Digital Age 2.0, trazendo gente de peso como Lawrence Lessig, Seth Godin e outros.

Para acompanhar basta seguir o blog do evento, ou mesmo navegar livremente pela blogosfera. Um punhado de blogueiros-conectados estão cobrindo o encontro.

Outro dia, aconteceu o Media On, que trouxe outros nomes influentes da área, como o português António Granado, por exemplo. (Veja as palestras aqui)

Na semana que vem, tem ainda o Maximidia, que traz o Henry Jenkis, do MIT, entre outros. Este devo acompanhar mais de perto, e talvez sobre algum post por aqui.

Alguém aí pode se perguntar: o Brasil, afinal, entrou na rota dos principais eventos sobre mídia e tecnologia? Na verdade, isso não é de agora. Mas é certo que hoje temos mais claro que ocasiões como esta são interessantes para os promotores – afinal, são muito rentáveis -, para os palestrantes – que expandem seus pensamentos para diversos públicos – e mesmo para o mercado e a academia brasileiros.

links imperdíveis

O relógio tem sido implacável por aqui (e no resto do universo, convenhamos).
Por isso, vou ser curto e grosso e listar os links que têm me deixado mais curioso nesta semana:

Para Paul Bradshaw, o problema dos jornais impressos não é bem a queda do número de leitores, mas o decréscimo na publicidade no meio. Por isso, ele enumera “10 ways that ad sales can save the newspapers”. Pessoalmente, não concordo com tudo, mas nesta fase de futurologia, acompanhar os palpites alheios é – no mínimo – divertido.

Diego Levis publicou na Razón y Palabra um artigo que se pergunta se a formação docente em TICs é o ovo ou a galinha. Vale ler!

Adriamaral avisa do novo site da Association of Internet Researchers (AOIR), e destaca o Guia de Ética em Pesquisa na web.

Alex Primo criou novo blog, mas não abandonou o antigo. A nova investida tem um foco bem claro: oferecer os primeiros passos para quem quer pesquisar Cibercultura. Útil, relevante e, agora, indispensável.

Manuel Pinto, com base em Henry Jenkis, lista oito mitos sobre os videogames.

Mindy McAdams repensa a educação para jornalistas. Para ler e guardar.

Por falar nesse assunto, passe pelo The Journalism Iconoclast e leia o que chama de “grande debate sobre o ensino de jornalismo”.

O aclamado e influente Jeff Jarvis oferece seus materiais pedagógicos sobre Jornalismo Interativo.

corrupção: veja um infográfico feito de lama

Compra de votos. Desvio de verbas. Favorecimento de empresas. Compra de consciências. Compra de mandatos. Roubo de dinheiro público. CPIs fajutas. Negócios escusos. Relações promíscuas entre funcionários públicos e empresas. Conflito de interesses. Relacionamentos espúrios. Condutas condenáveis. Interesses abjetos.

O UOL preparou um esclarecedor (e triste) infográfico sobre os principais escândalos políticos do Brasil desde a redemocratização em meados dos anos 80. Veja aqui.

puladas de cerca e políticos em campanha

Katia Bachko fez uma interessante consulta ao “eticista” do The New York Times, Randy Cohen, sobre o caso do senador John Edwards, aquele que admitiu um caso extra-conjugal recentemente. O texto saiu hoje na CJR, e você pode estar se perguntando: o que isso nos interessa? Afinal, Edwards está fora do páreo pela Casa Branca, e nem brasileiro ele é… O que isso pode modificar o rumo das coisas por aqui?

Esse caso em particular não afeta diretamente a minha e a sua vida, mas é sempre importante ler sobre valores da mídia em situações de dilema ético em plenas campanhas eleitorais. Afinal, estamos no meio de uma – de caráter mais restrito, municipal, é verdade -, mas político é político, e escândalo sexual quase sempre provoca impactos no eleitorado…

a vanguarda científica joga videogame

É um comportamento padrão entre os gestores de redes nas universidades: implantarem filtros, restringirem acesso a conteúdos “impróprios” e “inadequados”, bloquearem blogs, orkuts, youtubes e outras traquitanas.

Já sofri e sofro com isso.

Nada contra a segurança nas redes, mas a coisa tem que ser inteligente, feita por gente competente… senão, fica um instrumentozinho de poder…

Como será que os principais centros de excelência no mundo fazem?  Como será que o Cern cuida da sua rede de dados? Como será que o MIT faz?

Olha, não sei. Eles devem se cuidar, mas com certeza há menos caretice por aí. Só sei que numa das principais empresas de tecnologia do mundo – a Google -, os funcionários têm um dia da semana para se dedicar a projetos pessoais, que em outra – a Microsoft -, há salas de jogos divertidíssimas, e que num dos principais centros da vanguarda científica – o MIT -, o pessoal estuda e joga videogames. Ah! O curso de Teoria e Análise de Games é aberto e você pode baixar os materiais gratuitamente

censura na web e capitulação dos gigantes

Com informações do senador norte-americano Dick Durbin, o ReadWriteWeb informa que estaria em curso o fechamento de um acordo entre Google, Yahoo e a Microsoft para estabelecer uma espécie de código de conduta para operar nas restritíssimas condições de mercados como o chinês. Essa informação ganha maior vulto agora, a poucos dias do início dos Jogos Olímpicos de Pequim (sim, é Pequim e não Beijing).

No acordo de cavalheiros dos gigantes, estariam previstos itens como Princípios para a Liberdade de Expressão e Preservação de Privacidade, a implamentação de regras gerais de atuação, governança e transparência.

Como eu sou um cara muito desconfiado, fico só olhando se não estaria em curso uma capitulação dessas megacorporações apenas para ingressarem no riquíssimo e rentável mercado chinês, abrindo mão de valores essenciais como liberdade de expressão apenas para meter a mão em bilhões de verdinhas…

A se conferir…

um barômetro do acesso à informação

Esbarrei num interessante levantamento da Fundação Konrad-Adenauer sobre como a mídia chilena tem acesso a informações naquele país. O estudo é uma consulta com mais de 400 jornalistas que apontam as suas maiores dificuldades para trabalhar, os piores lugares para conseguir informações e as principais causas dessas barreiras.

O estudo pode ser lido aqui. O relatório – de novembro de 2007, e o quarto de uma série – está em espanhol, formato PDF e tem 42 páginas, fartamente ilustradas com gráficos. Não conheço nada tão abrangente da mesma temática aqui no Brasil, mas está aí uma pesquisa oportuna e necessária para ser feita no país. As conclusões a que chegaram nossos vizinhos são de que “la ‘poca disposición de las autoridades e instituciones’ para entregar información, junto a la ‘autocensura’ de los propios medios, son dos de los aspectos que más dificultan el acceso a la información pública en el país”.

Acho que por aqui não seria lá muito diferente…