vida e morte dos blogs de comunicação

Em setembro de 2007, criei uma lista lusófona de blogs mantidos e alimentados por pesquisadores da comunicação. À época, reuni num mesmo link as iniciativas de colegas sobretudo brasileiros e portugueses que se deslumbravam com as potencialidades de se ter um canal exclusivo, barato e poderoso de comunicação. (Sim, os blogs já foram isso!)

A lista foi crescendo, crescendo, crescendo à base de indicações de blogueiros de todos os cantos. Cheguei a fazer 47 atualizações do post e a lista alcançou o expressivo número de 223 blogs de comunicação, sendo 178 do Brasil e 45 de Portugal e outros lugares.

Passados quase sete anos, fiquei curioso em saber a quantas andavam aqueles blogs. Na verdade, já faz algum tempo que escuto a sentença de que os blogs estão morrendo. Não é totalmente mentirosa a afirmação. Este meu espaço ficou mais de 100 dias sem nenhuma atualização entre 2013 e 2014, afundado numa crise de existência virtual. Outro dia, li um post da jornalista e blogueira de primeira hora Cora Rónai que me fez novamente perguntar: como estariam os blogs daquela lista lusófona?

Fui conferir.

Dos 45 blogs listados de Portugal e cercanias, dez foram simplesmente desativados (22%), 24 não são atualizados há mais de um ano e, portanto, morreram (53%), e apenas onze sobreviveram. Considerei blogs ativos aqueles que tiveram ao menos um post novo nos últimos 90 dias. Na parcial, a taxa de mortalidade foi de 75%. Apenas um em cada quatro blogs se manteve vivo nesses quase sete anos que nos separam da primeira lista.

Entre os brasileiros, as baixas foram maiores ainda. Dos 178 blogs, 48 foram desativados no período (27%) e 100 não são alimentados com novos conteúdos há mais de um ano (56%). Apenas 30 blogs são ativos, o que significa 17% do total. A taxa de mortalidade da parcela brasileira é de 83%.

No consolidado da lista lusófona de blogs de pesquisadores da comunicação, apenas 41 dos 223 sobreviveram, o que equivale a menos de um quinto (18,3%). Impressionante!

Como explicar isso?

É difícil apontar uma única razão. Fatores combinados poderiam justificar: cansaço do modismo, falta de tempo, desmotivação pessoal, emergência de redes sociais com muitos recursos e grande visibilidade como o Facebook… O fato é que os blogs já não são mais o que costumavam ser. E isso aconteceu muito, mas muito rápido…

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no dia dos professores, prefiro…

Foto de T Mughal/EPA

No dia dos professores, ao invés de lembrar grandes mestres que tive, de reverenciar mentes iluminosas que me guiaram, prefiro render homenagem a uma aluna: Malala Yusufzai. Nas últimas semanas, ninguém chamou tanto a atenção para a importância da educação.

300 mil acessos e um novo endereço

Nossos sistemas acabaram de registrar que este blog já recebeu mais de 300 mil visitas desde que foi hospedado aqui no WordPress em 20 de maio de 2007. Isso é motivo de celebração e de agradecimento.

Começo pelo final, então: qualquer que tenha sido o motivo e a maneira que te trouxe aqui, obrigado pela visita. E se foi bem tratado, volte mais vezes. É sempre um prazer acompanhar as estatísticas e ver que os acessos são constantes, o que me dá a entender que o endereço (de alguma forma) se estabeleceu nesse oceano-web.

Para celebrar a marca, fiz uma cirurgia plástica no blog e estou decerrando a placa de meu site pessoal: www.christofoletti.com

Não, o Monitorando não está encerrando suas atividades.

Não, não republicarei lá o que faço aqui. Existem conexões entre uma coisa e outra, mas uma coisa é uma coisa; a outra coisa é outra, naturalmente.

Não, não darei prêmios e vantagens para quem visitar o site.

Então, por que ter mais um endereço? Para facilitar o trabalho dos meus biógrafos?
Não, apenas para eu ter um espaço um pouco mais estável e permanente com minha produção, meus projetos e outros trabalhos. É uma questão de sistematização, como quem arruma as próprias gavetas. No Monitorando, continuarei blogando com mais frequência; no site, estarão conteúdos mais sedimentados, mais cristalizados. Note, por exemplo, que as páginas livros e artigos que eu mantinha aqui foram parar por lá… Aliás, vá lá conhecer… E aqui, aproveite o novo visual…

mais de 300 pesquisadores no twitter

Se você é pesquisador da área da Comunicação ou se interessa por isso, não deixe de conferir nossa lista de perfis no Twitter. Já são mais de 300 contatos.

Temos também uma outra lista, agora com blogs de pesquisadores da comunicação dos países lusófonos.

Acesse e ajude a expandir!

5 anos monitorando

Hoje, este blog faz cinco anos de postagens ininterruptas. Criado no UOL, migrou há exatos três anos para o WordPress, e como estamos sendo muito bem tratados, por aqui devemos ficar por mais um bom tempo.

Em cinco anos, muitas coisas mudam, outras amadurecem. Para falar das mudanças, um post só não daria conta. Mas do lado de cá do teclado, permanecem dois sentimentos:

  • o entusiasmo pelo gesto e pelo estilo de vida blogueiro
  • e a imensa gratidão pela sua leitura

Beijos, queijos e caranguejos!

a crítica aos amadores e as mudanças que o jornalismo vem sofrendo

Tão importante quanto compreender as ideias de alguém é perceber de onde se está falando. O lugar de fala é revelador das condições de produção do discurso a ser analisado, entendido, absorvido. Isso porque não existe discurso sem sujeito que o emita e não há sujeito sem ideologia, sem inconsciente, sem posições.

Por isso, não basta ler “O culto do amador” (Ed. Zahar, 2009) e entender quais as razões que levam o seu autor a atacar de forma tão veemente as novas mídias, as redes sociais e o que se convencionou chamar de Web 2.0. É preciso ainda identificar de onde Andrew Keen desfere seus dardos, e uma leitura minimamente atenta permite isso no trecho que destaco abaixo:

“O mais grave de tudo é que as próprias instituições tradicionais que ajudaram a promover e criar nossas notícias, nossa música, nossa literatura, nossos programas de televisão e nossos filmes estão igualmente sob ataque” (p.13)

Para Keen, blogs, sites de relacionamento, twitter e youtube, entre tantos outros, estão colaborando para soterrar o que se criou de cultura de massa e de mediação nos últimos séculos. Uma turba de desordeiros hipertrofiados pela internet e por um espírito anárquico atentam contra “as nossas redes de TV”, contra “os nossos jornais”, e por aí vai. O discurso não só vai na contramão das falas que tecem uma nova Renascença quanto ilude que emissoras de televisão e jornais sejam realmente “nossos”, que realmente difundam “nossos valores” e que sejam uma reflexo da nossa cultura e idiossincrasia.

Assim, e para encurtar a história, a posição de fala do autor é a que confunde as fronteiras do meu e do seu. De repente, a mídia tradicional se converte na última linha de defesa frente aos ataques de hackers. De repente, a mídia tradicional se torna o último bastião diante dos selvagens e seus mouses ópticos.

Não se deve discordar de tudo o que Andrew Keen escreva, mas alguns argumentos são aterrorizantes, pelo menos para mim. Keen advoga o fato de que estamos recheando a web com lixo diversificado, com opiniões não balizadas, com informações não checadas, com pornografia e bizarrices. Estamos “transformando cultura em cacofonia”, e a democratização “está solapando a verdade, azedando o discurso cívico e depreciando a expertise, a experiência e o talento”. E mais: “está ameaçando o próprio futuro de nossas instituições culturais”. Afinal, “o talento é produzido pelos intermediários” – como o próprio Keen foi no início da web, quando ganhava seu rico dinheirinho por lá.

Os argumentos são conservadores, apocalípticos e, em muitas situações, sofismáticos. O alarme soa a cada virada de página, e o leitor se vê diante de exemplos que só demonstram o quão permissiva, perdulária e corrosiva é esta cultura a que bilhões de pessoas estão mergulhadas nos dias de hoje no mundo. Mas por que ler “O culto do amador” mesmo seu conteúdo sendo não totalmente verdadeiro e sua mensagem tão amedrontadora? Porque é justamente o confronto de argumentos que produz o conhecimento e o discernimento. O fato de discordar de Keen não invalida suas posições. Pode inclusive tornar as convicções do leitor mais fortes e bem sustentadas. Keen deve ser lido sim, até pela coragem que exibe. Afinal, ele dá braçadas vigorosas na contracorrente e desdenha de alguns dos mais influentes nomes da internet no momento: Chris Anderson, Dan Gillmor, Tim Berners-Lee, Tim O’Reilly, Pierre Lévy, Jimmy Wales, Brin & Page, etc…

A questão que mais incomoda não é o tratamento do tema pelo prisma moral. Pelo contrário. É isso o que mais me atraiu na leitura: discutir tecnologia por meio do comportamento e da conduta de pessoas. Sim, tecnologia é também um problema moral, um problema de dilemas éticos, para além de violações de direitos e abertura de processos judiciais. O que mais me incomodou foi a assunção de uma posição tutelar, que desacredita da maturidade, inteligência e sensibilidade das pessoas para discernir caminhos, discutir soluções e estabelecer novos padrões de conduta. Vejam o que Keen escreve lá pelas tantas:

“Minha posição é que somos facilmente seduzidos, corrompidos e desencaminhados. Em outras palavras, precisamos de regras e regulamentos para ajudar a controlar nosso comportamento online, assim como precisamos de leis de trânsito para regular o modo como dirigimos a fim de proteger a todos contra acidentes. (…) O fato é que uma regulação modesta da internet funciona” (p.183)

É aí que mora o perigo: não se acreditar no potencial humano, no debate do coletivo, na nossa capacidade de resolver os próprios problemas. Se não somos capazes, precisamos de tutela, de um poder central e superiormente hierárquico que nos bote de castigo, que nos prive de “nossos privilégios”, que decida por nós. É aí que Keen marca bem o seu território e se distancia do que pensam os que acreditam numa inteligência coletiva, num projeto coletivo de comunicação, numa equação mais colaborativa de vida.

As críticas de Andrew Keen avançam sobre o sistema de compartilhamento de arquivos, sobre a cultura do download, sobre o chamado “jornalismo cidadão”, sobre a enciclopédia virtual editada por não-especialistas, etc… Sim, a educação, a comunicação e o jornalismo vêm sofrendo profundas transformações nesses poucos anos. Os saberes já não são mais o que eram. A informação escorre pelos dedos de todos, e os intermediários precisam redefinir seus papéis. Não só os professores em salas de aula onde em muitos temas os alunos sabem mais que os mestres. Mas no ecossistema informativo, onde os jornalistas não são mais as únicas bases difusoras do noticiário. É preciso se reinventar, chacoalhar o acomodado, permitir-se a instabilidade e a incerteza. Esta é uma era calcada nas incertezas…

Keen não erra ao vestir a fantasia do arauto do apocalipse; apenas se equivoca ao dizer que tem a solução para toda a tribo. Keen não erra ao se assumir um moralista, mas derrapa feio no niilismo que vê nos usuários do sistema meros números de IP. Outras pessoas poderiam ter cometido esse deslize, mas Keen não. Ele presenciou o nascimento da internet no Vale do Silício, se beneficiou com isso, ajudou a difundir uma cultura e sabia muito bem o que estava fazendo. Xingar cada internauta que posta seu vídeo caseiro no YouTube de “amador” não é ofensivo. As fronteiras que separam amadores de profissionais, leigos de especialistas se demarcam a cada momento. Elas não foram simplesmente varridas do planeta: apenas tornaram-se móveis, elásticas e dinâmicas. A terra gira, senhor Keen. Pode-se comprovar isso não olhando pro chão, mas pro céu, onde estão os sonhos e os devires…

ciclo discute comunicação e tecnologia

logo_home1De hoje até dia 13, o Nós da Comunicação promove o ciclo Comunicar Tecnologia, semana temática em que vai focar todas as seções do site para refletir novas tecnologias e procedimentos aplicados à comunicação. Serão promovidos chats com pesquisadores e especialistas, serão publicados artigos e reportagens sobre isso.

Partipo de um chat amanhã, dia 6, às 15 horas.

Se isso te interessou, passe por lá também…

hoje tem seminário de blogs na feevale

Acontece hoje e amanhã na Feevale, em Novo Hamburgo, a terceira edição do Seminário Blogs, Redes Sociais e Comunicação Digital. O evento é um dos encontros mais antenados do Brasil sobre o tema das novas tecnologias da comunicação e informação.

Veja a programação, e se não puder estar lá – eu vou! -, siga pelo twitter.

21/09 – Segunda-feira

17h30 – Abertura Oficial (Auditório do Prédio Azul)

18h às 19h30min – Palestra: Redes Sociais na Web e Jornalismo Colaborativo (Auditório do Prédio Azul)
Ministrantes: Profª. Ms. Ana Brambilla (PUC-RS) e Prof. Dr. Rogério Christofoletti (UFSC)

20h às 22h – Palestra: Promoções e relacionamentos online (Auditório do Prédio Azul)
Ministrantes: André Peccine (Google), Edney Souza (Interney) e Diogo Carvalho (Blog Destemperados)

22/09 – Terça-feira

14h às 17h – Grupos de Trabalho (GT`s) *

– GT Redes Sociais na Web – Sala 304 do Prédio Multicolor

– GT Conteúdo na Comunicação Digital – Sala 305 do Prédio Multicolor

– GT Comunicação Digital Corporativa – Sala 307 do Prédio Multicolor

14h às 17h – Oficinas*

Oficina 1: TV na Internet (Justin.TV, Youtube, entre outros)
Ministrante: Prof. Dr. André Pase (PUC-RS)
Laboratório: 406 do Prédio Multicolor

Oficina 2: Plano de presença online
Ministrante: Arnoldo Barroso Benkenstein (Bolsista IEL/Agência Integrada)
Laboratório: 407 do Prédio Multicolor

Oficina 3: Plataformas de música online
Ministrante: Prof. Dra. Adriana Amaral (UTP)
Laboratório: 408 do Prédio Multicolor

* Atividades simultâneas

17h – Coffe Break no Espaço Colaborafun (entre os Prédios Verde e Amarelo).