o twitter e a demissão do jornalista

Nesta semana, uma notícia causou tremores e ranger de dentes nas redações e nas redes sociais. A Editora Abril demitiu o jornalista Felipe Milanez – até então editor da National Geographic Brasil – por postar tweets críticos à outra revista do mesmo grupo, a Veja.

É claro que o acontecido varreu a internet brasileira como um rastilho de pólvora e provocou reações as mais variadas: houve surpresa, inconformidade, críticas ao próprio jornalista e contestações. Mas a decisão da Abril é irrevogável e os danos irreversíveis, de um lado e de outro. Dentro da Abril, a estupefação de que havia amigo na trincheira; fora do colosso da marginal, queixas de perseguição à livre expressão e tal.

Mas o fato é que o episódio traz velhas e novas lições.

1. As redes sociais inspiram o compartilhamento de conteúdos, de ideias, de sentimentos, de opiniões, mas essa troca provoca consequências, e a mais evidente delas é a contrariedade. Basta criar, por exemplo, uma comunidade no Orkut manifestando a admiração de alguém que logo surgirão comunidades análogas “combatendo” esse pensamento. Basta opinarmos num blog sobre algo que rapidamente leitores deixarão comentários rebatendo nossos argumentos.

2. Nas redes sociais, parece que estamos pensando alto. Mas na web como a conhecemos agora, pensar alto é dividir. E esse compartilhamento se dá no âmbito público e não mais privado. Por isso, toda queixa, ataque ou admoestação pode sim ser rapidamente encontrada, rastreada e, claro, combatida.

3. De nada adianta que eu tenha o meu perfil pessoal numa rede social se nele faço constar também minhas atividades sociais, públicas, funcionais. Isto é, não basta que o jornalista argumente que postou críticas em sua página pessoal se nela, seu perfil afirmava sua condição de editor de tal ou qual publicação. Nas redes sociais, pessoa física e pessoa jurídica se confundem…

4. As redes sociais facilitam muitíssimo a formação de grupos, de elos sociais, mas não isentam as preocupações que temos em outras esferas, principalmente com relação à privacidade. É sim importantíssimo que reflitamos sobre a administração da própria intimidade na internet. O usuário do sistema precisa escolher o que vai mostrar em público; precisa atentar para o que quer manter sigiloso, recluso, discreto. E talvez essa seja a lição mais contundente deste episódio (e de outros também): precisamos cuidar daquilo que somos e daquilo que projetamos nas redes.

Esta é uma questão de cunho moral, não se enganem. É uma questão que envolve valores, que afeta condutas, enfim, que mexe diretamente com a relação que as pessoas estabelecem com as demais. Que o infeliz episódio que custou o emprego de Felipe Milanez nos motive a discutir e refletir mais sobre a rede que estamos tecendo todos juntos.

comunicação digital e ética

Estou hoje na Feevale, em Novo Hamburgo (RS), para um seminário que darei sobre Comunicação Digital e Ética. O evento dura o dia todo e é voltado aos alunos da especialização em Comunicação Digital. Do que vou tratar? Veja a ementa…

Produção de conteúdos e regimes de autoria. Direitos Autorais e internet. Plágio, violações de direito e infrações éticas. Privacidade em tempos de redes sociais. Política de privacidade de sites e códigos de conduta de usuários. Anonimato e identidade na web. Ética, moral e ciberética.

Muitos desses assuntos são objetos de minhas pesquisas. Por isso, se você também os estuda ou se tem ideias pra trocar sobre, me mande um email

justiça espanhola libera geral: compartilhamento não é pirataria

Reproduzo notícia que li no Observatório do Direito à Comunicação:

Um juiz de Barcelona decidiu que o blogueiro Jesus Guerra Calderon é inocente das acusações de violação de propriedade intelectual que lhe fizera a Sociedade Geral dos Autores e Editores da Espanha. O site de Jesus Guerra Calderon, o Elrincondejesus.com, divulga links para downloads de músicas e filmes através de sistemas de partilha de arquivos, como o eMule ou o Bit Torrent, os chamados sistemas peer-to-peer (P2P).

O processo contra Jesus Calderon, dono de um pequeno bar nos subúrbios de Barcelona, foi movido pela Sociedade Geral dos Autores e Editores da Espanha há três anos. Esta entidade é responsável pela gestão e proteção dos direitos de autor e representa mais de 90.000 membros de áreas tão distintas como a indústria cinematográfica, música ou literatura. A SGAE é ainda o rosto de mais de 150 das maiores empresas do mundo na área de conteúdos. Agora, a Justiça espanhola decidiu que o site não viola a Lei de Propriedade Intelectual.

A sentença vai mesmo ao fundo da questão, afirmando que os sites de links como o Elrincondejesus.com limitam-se a oferecer a possibilidade de fazer downloads através do P2P, mas “não supõe nem a distribuição, nem a reprodução, nem a comunicação pública das obras sujeitas a propriedade intelectual, pois é um mero índice que facilita a busca em redes de intercâmbio de arquivos P2P através do sistema de menus, cartazes ou capas com títulos de filmes ou obras musicais.”

A sentença vai ainda mais longe e afirma que “o sistema de links constitui a própria base da internet e uma multidão de páginas e sites de busca ( como o Google) permitem tecnicamente fazer aquilo que precisamente se pretende proibir neste procedimento, que é linkar as redes P2P”

A sentença foi classificada como “histórica” pelo advogado do acusado, Carlos Sánchez Almeida, e rebate assim os argumentos da SGAE, que acusava Jesús Guerra de infringir a Lei de Propriedade Intelectual por explorar obras sem ter os direitos de fazê-lo, reproduzi-las e fazer comunicação pública delas.

Segundo o El País, há hoje 34 processos penais contra sites que distribuem links ou disponibilizam arquivos para download.

A decisão vai também no sentido oposto ao que foi seguido recentemente na França, que aprovou uma lei contra a pirataria que prevê cortes de acesso à internet e multa em até 300 mil euros quem descarregue ficheiros de conteúdo denominado “ilegal”.

blogs, twitters e um coletivo bloguístico

Rápido e rasteiro…

…a nossa lista lusófona de blogueiros da comunicação foi atualizada pela 37ª vez e está com 210 links quentíssimos

…a nossa lista dos pesquisadores da comunicação no Twitter já está na 21ª versão e conta com 260 nomes

… Charles Cadé acaba de inaugurar um coletivo de blogs, endereço que reúne atualizações de oito blogs (por enquanto!) que tratam de comunicação e cibercultura. É o Contexto Digital, que além deste Monitorando, congrega ainda os blogs OJornalista, o de Marcelo Träsel, o Mosca Branca, o Sam Shiraishi, o Tons de Azul, o Webmanário e o do próprio Cadé!

plágio preocupa. como lidar com ele?

Tem crescido o número de plágios por aí. É perceptível. Denúncias e notícias sobre esse tipo de apropriação tem circulado com uma velocidade e num volume maiores que anos atrás. O primeiro catalisador que nos vem à mente é a internet, que possibilita o já consagrado Control C-Control V com uma facilidade antes não encontrada. Mas se a web permite copiar e colar também permite identificar fraudes, cópias e outras violações do tipo.

Não se trata, portanto, de demonizar a internet, nem de confinar pessoas e obras. O advento de uma rede que permita fácil compartilhamento de arquivos de todos os tipos tem ajudado a desenvolvermos novos regimes de autoria. Não só a autoria coletiva e cúmplice (wiki!), mas o remix, o bricolage, a própria discussão acerca do que é obra, do que é autoria e dos limites do seu e do nosso. Isso tem forçado a juristas e a legisladores que revisem os marcos que regulam os direitos autorais. Isso tem causado confusões nas escolas, nas universidades, na mídia e na própria indústria cultural.

A autoria é um conceito relativamente recente, data lá do século XIII, mas só se consolidou mesmo no final de 1700. De lá pra cá, transportamos para o plano das ideias e das imaterialidades o regime de propriedade e paternidade que mantemos no mundo material. Posse, propriedade, detenção de direitos, possibilidade de queixa e disputa de territórios. O fato é que estamos vivendo um instante de instabilidade crescente nesse terreno. De novas demarcações de limites. Com isso, acontece de tudo. Na academia, professor plagia o colega; na escola, aluno copia o trabalho do coleguinha que mal conhece e que encontrou disponível na internet; na mídia, tem o jornalista que se apropria de trechos de textos de seus concorrentes, sem dar o devido crédito, e por aí vai… a lista é longa, cada vez mais diversificada.

Outro dia, Ramón Salaverría se queixava de ter sido plagiado por El Mundo . Nos Estados Unidos, um jornalista do New York Times foi demitido pela mesma prática. Na mesma semana, no Poynter, Kelly McBride escreveu sobre porque o plágio ainda rola tão solto por aí.

Não nos enganemos: há uma zona de atrito, uma disputa permanente quando o assunto é propriedade intelectual, ideias, conceitos. Os norte-americanos são tão preocupados com o assunto que criaram até mesmo um Centro de Integridade Acadêmica. Nas bandas de cá, o assunto ainda é tratado nas hostes de crime intelectual e de uma maneira dispersa, desorganizada e titubeante. Sei que, em muitas situações, é difícil caracterizar o plágio, identificar os infratores e puni-los. Mesmo tendo uma lei de direitos autorais e menção explícita no Código Penal .

De qualquer maneira, ainda é necessário reafirmar que plágio é um crime e que é uma prática antiética. Plágio não é um crime sem querer, mas um ato deliberado de quem acredita que não será pego e punido. Não se surrupia uma música ou um texto de alguém, apagando-se a assinatura de seus autores e registrando como de sua lavra sem querer, sem intenção. O plágio é um crime intencional, doloso, portanto. É uma atitude antiética porque desrespeita o direito de paternidade de alguém, porque atenta contra o direito moral de alguém de reivindicar sua autoria sobre algo. É uma conduta que menospreza as demais pessoas, acreditando que a verdade não virá à tona e que todos serão permanentemente enganados.

É preciso sim delatar os plágios, deplorar essas práticas, identificar os infratores e buscar suas punições. No jornalismo, na escola, na academia, no mundo das artes, em todas as esferas onde a originalidade, a primazia, a inovação e o senso criativo são realmente relevantes e definidores. O plágio precisa ser combatido e execrado. Ao menos até definirmos novas noções de autoria e de proteção de direitos aos que criam, aos que recriam e disseminam conteúdos que julgamos relevantes…

a crítica aos amadores e as mudanças que o jornalismo vem sofrendo

Tão importante quanto compreender as ideias de alguém é perceber de onde se está falando. O lugar de fala é revelador das condições de produção do discurso a ser analisado, entendido, absorvido. Isso porque não existe discurso sem sujeito que o emita e não há sujeito sem ideologia, sem inconsciente, sem posições.

Por isso, não basta ler “O culto do amador” (Ed. Zahar, 2009) e entender quais as razões que levam o seu autor a atacar de forma tão veemente as novas mídias, as redes sociais e o que se convencionou chamar de Web 2.0. É preciso ainda identificar de onde Andrew Keen desfere seus dardos, e uma leitura minimamente atenta permite isso no trecho que destaco abaixo:

“O mais grave de tudo é que as próprias instituições tradicionais que ajudaram a promover e criar nossas notícias, nossa música, nossa literatura, nossos programas de televisão e nossos filmes estão igualmente sob ataque” (p.13)

Para Keen, blogs, sites de relacionamento, twitter e youtube, entre tantos outros, estão colaborando para soterrar o que se criou de cultura de massa e de mediação nos últimos séculos. Uma turba de desordeiros hipertrofiados pela internet e por um espírito anárquico atentam contra “as nossas redes de TV”, contra “os nossos jornais”, e por aí vai. O discurso não só vai na contramão das falas que tecem uma nova Renascença quanto ilude que emissoras de televisão e jornais sejam realmente “nossos”, que realmente difundam “nossos valores” e que sejam uma reflexo da nossa cultura e idiossincrasia.

Assim, e para encurtar a história, a posição de fala do autor é a que confunde as fronteiras do meu e do seu. De repente, a mídia tradicional se converte na última linha de defesa frente aos ataques de hackers. De repente, a mídia tradicional se torna o último bastião diante dos selvagens e seus mouses ópticos.

Não se deve discordar de tudo o que Andrew Keen escreva, mas alguns argumentos são aterrorizantes, pelo menos para mim. Keen advoga o fato de que estamos recheando a web com lixo diversificado, com opiniões não balizadas, com informações não checadas, com pornografia e bizarrices. Estamos “transformando cultura em cacofonia”, e a democratização “está solapando a verdade, azedando o discurso cívico e depreciando a expertise, a experiência e o talento”. E mais: “está ameaçando o próprio futuro de nossas instituições culturais”. Afinal, “o talento é produzido pelos intermediários” – como o próprio Keen foi no início da web, quando ganhava seu rico dinheirinho por lá.

Os argumentos são conservadores, apocalípticos e, em muitas situações, sofismáticos. O alarme soa a cada virada de página, e o leitor se vê diante de exemplos que só demonstram o quão permissiva, perdulária e corrosiva é esta cultura a que bilhões de pessoas estão mergulhadas nos dias de hoje no mundo. Mas por que ler “O culto do amador” mesmo seu conteúdo sendo não totalmente verdadeiro e sua mensagem tão amedrontadora? Porque é justamente o confronto de argumentos que produz o conhecimento e o discernimento. O fato de discordar de Keen não invalida suas posições. Pode inclusive tornar as convicções do leitor mais fortes e bem sustentadas. Keen deve ser lido sim, até pela coragem que exibe. Afinal, ele dá braçadas vigorosas na contracorrente e desdenha de alguns dos mais influentes nomes da internet no momento: Chris Anderson, Dan Gillmor, Tim Berners-Lee, Tim O’Reilly, Pierre Lévy, Jimmy Wales, Brin & Page, etc…

A questão que mais incomoda não é o tratamento do tema pelo prisma moral. Pelo contrário. É isso o que mais me atraiu na leitura: discutir tecnologia por meio do comportamento e da conduta de pessoas. Sim, tecnologia é também um problema moral, um problema de dilemas éticos, para além de violações de direitos e abertura de processos judiciais. O que mais me incomodou foi a assunção de uma posição tutelar, que desacredita da maturidade, inteligência e sensibilidade das pessoas para discernir caminhos, discutir soluções e estabelecer novos padrões de conduta. Vejam o que Keen escreve lá pelas tantas:

“Minha posição é que somos facilmente seduzidos, corrompidos e desencaminhados. Em outras palavras, precisamos de regras e regulamentos para ajudar a controlar nosso comportamento online, assim como precisamos de leis de trânsito para regular o modo como dirigimos a fim de proteger a todos contra acidentes. (…) O fato é que uma regulação modesta da internet funciona” (p.183)

É aí que mora o perigo: não se acreditar no potencial humano, no debate do coletivo, na nossa capacidade de resolver os próprios problemas. Se não somos capazes, precisamos de tutela, de um poder central e superiormente hierárquico que nos bote de castigo, que nos prive de “nossos privilégios”, que decida por nós. É aí que Keen marca bem o seu território e se distancia do que pensam os que acreditam numa inteligência coletiva, num projeto coletivo de comunicação, numa equação mais colaborativa de vida.

As críticas de Andrew Keen avançam sobre o sistema de compartilhamento de arquivos, sobre a cultura do download, sobre o chamado “jornalismo cidadão”, sobre a enciclopédia virtual editada por não-especialistas, etc… Sim, a educação, a comunicação e o jornalismo vêm sofrendo profundas transformações nesses poucos anos. Os saberes já não são mais o que eram. A informação escorre pelos dedos de todos, e os intermediários precisam redefinir seus papéis. Não só os professores em salas de aula onde em muitos temas os alunos sabem mais que os mestres. Mas no ecossistema informativo, onde os jornalistas não são mais as únicas bases difusoras do noticiário. É preciso se reinventar, chacoalhar o acomodado, permitir-se a instabilidade e a incerteza. Esta é uma era calcada nas incertezas…

Keen não erra ao vestir a fantasia do arauto do apocalipse; apenas se equivoca ao dizer que tem a solução para toda a tribo. Keen não erra ao se assumir um moralista, mas derrapa feio no niilismo que vê nos usuários do sistema meros números de IP. Outras pessoas poderiam ter cometido esse deslize, mas Keen não. Ele presenciou o nascimento da internet no Vale do Silício, se beneficiou com isso, ajudou a difundir uma cultura e sabia muito bem o que estava fazendo. Xingar cada internauta que posta seu vídeo caseiro no YouTube de “amador” não é ofensivo. As fronteiras que separam amadores de profissionais, leigos de especialistas se demarcam a cada momento. Elas não foram simplesmente varridas do planeta: apenas tornaram-se móveis, elásticas e dinâmicas. A terra gira, senhor Keen. Pode-se comprovar isso não olhando pro chão, mas pro céu, onde estão os sonhos e os devires…

youtube, cultura participativa e cocriação

“YouTube e a revolução digital”, de Jean Burguess e Joshua Green, é um bom livro para se começar a pensar as apropriações midiáticas pelo cidadão comum a partir do site de vídeos mais conhecido do mundo. Não se trata de um estudo amplo como o de Henry Jenkins (“Cultura da Convergência”), mas pode ser visto como um capítulo sobre a produção criativa e participativo no meio audiovisual nesses nossos tempos. Aliás, Jenkins assina um dos posfácios ao livro e elegantemente coloca alguns pingos nos is, mostrando o que existia antes do YouTube.

Nota positiva do livro: ele é recente, é um estudo centrado nas interfaces sociedade-mídia-cultura, e faz um ótimo apanhado do que já se produziu na academia e na mídia sobre o YouTube. E olha que o site só surgiu em 2005 e já é o que é.

Nota negativa do livro: não sou um especialista em tradução, mas a edição brasileira – assinada pela Aleph – comete uns equívocos que considero imperdoáveis. O mais evidente para mim é grafar “radiofusão” ao invés de “radiodifusão”.  E não é erro de digitação, pois não só as ocorrências são muitas como também aparece um “radiofusor”… Não é pegação de pé não. É que o conceito de “radiodifusão” é central na contraposição de um sistema em que o próprio YouTube se equilibra. Top-down, bottom-up, broadcasting… Quem sabe na próxima edição, isso é corrigido.

Ficou curioso de ler o livro? Leia, pois vale. Não é a bíblia do assunto, mas leva a outras leituras.

Pra ilustrar, veja o primeiro vídeo hospedado no YouTube… “Me at the zoo”

pesquisas sobre cibercultura e blogs: fragmentos da campus party 2010

Sandra Montardo (Feevale) revisa sua apresentação sobre pesquisas mercadológicas.
Em segundo plano, Sérgio Amadeu (Cásper Líbero) se prepara para mediar o debate.

Ao fundo, Henrique Antoun (UFRJ), em participação veemente, fala de democracia, participação popular e internet.

Sérgio Amadeu tuíta apressadamente o que André Lemos (UFBA) diz, ao fundo.

jack bauer foi à campus party

O personagem de Kiefer Shuterland está acostumado a resolver todo tipo de problema do mundo em pouco tempo: salva presidentes, mata terroristas, explode bandidos, arrisca o pescoço e não dorme.

Jack Bauer vive apressado. Afinal, pra salvar o dia ele tem só 24 horas.

Não sou o Jack, mas tinha o mesmo período para sair de Florianópolis, fazer uma participação na Campus Party, fugir das enchentes, desviar das filas intermináveis no trânsito paulistano, sobreviver às turbulências e ao lanchinho da Gol e retornar vivo pra casa. Num sentido figurado, Jack Bauer foi até a São Paulo Nerd Week, como rebatizou o evento o Marcelo Tas.

Notas pessoais das seis horas em que fiquei na maior festa da internet do mundo no Brasil.

1. Sim, a Campus Party não tem esse nome à toa. É uma festa de verdade. Junte num mesmo espaço seis mil pessoas que gostam, que se interessam, que trabalham e se divertem com tecnologia. Dê a eles uma banda de 10 gigas para navegarem, um espaço para colocarem suas barracas, um punhado de atrações e estará tudo belezinha. A festa está completa. Por lá, a gente encontra gente de todos os tipos, pois hoje o mundo é nerd, o mundo é geek, é hightech. Vi velhotes, neohippies, headbangers, patricinhas, indies, índios (de verdade), todos com seus notebooks ou desktops invenenados no mesmo pavilhão, suportando-se, aturando-se, tolerando-se e muito além disso: convivendo em grande harmonia. Parecia o Fórum Social Mundial da tecnologia.

2. A infraestrutura do evento é boa, mas pode melhorar em muito. A acústica é um problema sério por lá. Um acontecimento como aquele, com atrações simultâneas, merece um melhor tratamento de isolamento entre as áreas, não para estancar, impedir o fluxo das pessoas. Mas para dar mais qualidade à experiência, permitir que se ouça melhor, que se aproveite ainda mais as ideias circulando. Estive numa mesa em que mal ouvia os colegas ao lado. A plateia fez perguntas e intervenções muito interessantes, mas que só compreendi pela metade. E não foi minha exclusiva surdez. Soube pelo twitter que aqueles que acompanhavam pela transmissão ao vivo ouviam os debatedores com facilidade, mas e quem estava por lá?

Outra coisinha que a organização poderia rever é a venda de bebidas alcoólicas. Não se acha cerveja na Campus Party. Tudo bem que fiquei bem pouco por lá, mas os canais tradicionais me informaram que não era permitir comercializar esse líquido pois era um evento público e livre, onde circulam menores. (Nesta hora, queria ser o Jack Bauer mesmo e ficar frente a frente com o governador Serra e o prefeito Kassab…)

Afora isso, a organização do Campus Blog foi impecável, com eventos acontecendo no horário, com diversidade de perspectivas e um cuidado de quem gosta do que está fazendo…

3. Confesso que esperava uma presença mais agressiva das empresas de telefonia e tecnologia na Campus Party. Esperava ações mais efetivas, abordagens corpo a corpo, e estratégias mais mercadológicas. Isso é apenas uma observação, não uma queixa. Apenas esperava ter que driblar promotoras de venda lindas-e-incovenientes, ou ainda acumular quilos de folhetos totalmente dispensáveis, mas não. Também não ganhei nenhum brinde, exceto um leque da Mercado Livre, afinal o calor estava demasiado…

Gostei de ir à Campus Party. Não ficaria uma semana acampado por lá. Mas um dia naquele ambiente me permitiu conhecer gente que eu só esbarrava na internet, além de alguns que respeitava e admirava há tempos. Isso é o que conta cada vez mais nesses eventos. Foi curto, foi rápido, mas foi bom. Em 24 horas, bati e voltei ileso.

Se eu fosse Jack Bauer sequer tinha entrado. Tem detetor de metais na porta. Eu sei que o Jack sempre arruma um jeito, mas junto com uma porta arrombada sempre vem um monte de encrencas. Pelo menos pra ele…

campus party: números iniciais

O maior evento de tecnologia do mundo no Brasil começa hoje e vai até o próximo dia 31 de janeiro.

Você duvida que seja o maior? Então, veja alguns números divulgados pela organização:

  • 900 pessoas estão há 356 organizando a festa
  • são mais de 700 horas de formação (oficinas, cursos e palestras) em diversas áreas
  • são mais de 600 palestrantes
  • e mais de 850 jornalistas credenciados para cobrir o evento
  • quem estiver por lá terá à disposição uma rede de 10 gigas para se conectar
  • são mais de 6 mil participantes, sendo mais de mil blogueiros e mais de mil desenvolvedores
  • não são participantes apenas do Brasil. Outros 20 países estarão presentes.

E aí? A CampusParty é o maior evento da área ou não?

pesquisadores da comunicação no twitter (versão 43 – ampliada e atualizada)

A lista que segue não é um manual definitivo, mas apenas um apanhado geral dos pesquisadores brasileiros do campo da Comunicação que têm páginas pessoais no Twitter. Por isso, esta lista está em constante atualização e expansão.

Se você é pesquisador da área e não está aqui, por favor, mande seus dados para que seja incluído. Se conhece alguém que não está relacionado abaixo, faça o mesmo, e me mande um email, sugerindo novas adições.

Já são 368 links!

ABCiber: http://twitter.com/ABCiber

Aberje: http://twitter.com/aberje

Abrapcorp: http://twitter.com/abrapcorp

ABRP: http://twitter.com/abrpsp

Adriana Alves: http://twitter.com/adrianaalves

Adriana Amaral: http://twitter.com/adriaramal

Adriana Baggio: http://twitter.com/adribaggio

Adriana Omena Santos: http://twitter.com/acomena

Adriana Santana: http://twitter.com/adrianasantana

Adriana Santiago: http://twitter.com/DricaSantiago

Afonso Albuquerque: http://twitter.com/afonsoalbuq

Agda Aquino: www.twitter.com/agdaaquino

Alberto Marques: http://twitter.com/alberto_marques

Alcino Moura: http://twitter.com/alcinomoura

Alec Duarte: http://twitter.com/alecduarte

Alessandra Carvalho: http://twitter.com/alesscar

Alex Primo: http://twitter.com/alexprimo

Alexandre Barbosa: http://twitter.com/prof_alexandre

Alexandre Lenzi: http://twitter.com/alexlenzi

Alexandre Nonato: http://twitter.com/AleNon1978

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Alfredo Costa: http://twitter.com/alfredo_costa

Aline de Campos: http://twitter.com/alinedecampos

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pós em jornalismo digital na puc-rs!

A partir de hoje estão abertas as inscrições para a especialização em Jornalismo Digital na PUC do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. A seleção dos candidatos vai até 5 de março e as aulas começam no dia 19 do mesmo mês.

A coordenação do curso é do Marcelo Träsel, e tem entre os docentes nomes como os de Francisco Rüdigger, Marcelo Soares, Eduardo Pellanda, Laurindo Leal Filho… Também fui convidado para dar um seminário sobre Ética no Jornalismo…

Mais informações no site (http://www.pucrs.br/famecos/pos/jornalismodigital) ou pelo Twitter (http://twitter.com/posdigital)

campus party, eu vou!

São Paulo sedia mais uma vez o maior evento informal da internet do país e um dos maiores do mundo, a Campus Party. Planejei participar nos últimos dois anos, mas por uma série de fatores não pude estar no lugar onde todas as mentes se conectam, todos os downloads são possíveis e onde a taxa de upload demonstra que a internet é mesmo mais criativa e compartilhadora do que qualquer outro projeto humano.

Por isso, estou bastante feliz com a perspectiva de estar no meio de milhares de campuseiros. Como estou em processo de mudança, apenas darei um pulinho por lá, mas quero postar alguma coisa seja por aqui ou pelo twitter. Participarei do painel “Cibercultura e pesquisas sobre blogs e conversações” ao lado da Sandra Montardo, de André Lemos, do Henrique Antoun e com moderação do Sérgio Amadeu. O convite partiu do Edney Souza que explica no vídeo abaixo como estará a programação da área de blogs…

Se você quer saber mais, acesse o site do evento (aqui), acompanhe o blog da Campus Party (aqui) ou ainda consulte a agenda (aqui).

ciberliga de pesquisadores paladinos

Ciência não precisa ser chata.
Pesquisa não deve ser uma coisa enfadonha.
Cientistas não são necessariamente aqueles caras que se escondem atrás de óculos de aros grossos e vestem aventais brancos.

Eles podem ser legais, divertidos, inteligentes, irônicos, interessantes, sensíveis… que ver?

No campo da Comunicação, um dos grupos mais criativos e dinâmicos é o dos pesquisadores da cibercultura. Eles são super conectados, ágeis, versáteis. São praticamente uns herois. Formaram até mesmo uma Ciberliga de Pesquisadores Paladinos, e têm seu próprio seriado. Assista aos dois primeiros episódios…

 

blogosfera policial e direitos humanos para mídia comunitária

Dois estudos bem interesantes caíram na rede nos últimos dias: um trata de blogs de policiais brasileiros ou com abordagem policial, e outro é uma cartilha sobre direitos humanos para comunicadores comunitários.

Os estudos foram produzidos pela UNESCO, Oboré e Centro de Estudos sobre Segurança e Cidadania, da Universidade Cândido Mendes.

Baixe A Blogosfera Policial no Brasil: do tiro ao Twitter aqui!

Baixe Direitos Humanos na Mídia Comunitária aqui!

hipertexto começa na quinta

Um evento super interessante sobre linguagens e tecnologias na web começa nesta quinta, dia 29, em Belo Horizonte (MG): é o Hipertexto 2009.

Não é porque o encontro é organizado por uma mineirada que eu conheço, confio e admiro. Mas baixe a programação aqui e veja abaixo os grupos de discussão:

  • HIPERTEXTO, CIBERCULTURA E ENSINO DE LÍNGUAS ESTRANGEIRAS
  • HIPERTEXTO, LITERATURA, HISTÓRIA E MEMÓRIA CULTURAL
  • A PÁGINA COMO ESPAÇO DO DIZÍVEL E DO NÃO-DIZÍVEL
  • PROJETOS E PROCESSOS NA WEB COLABORATIVA
  • ORKUT E YOUTUBE: A SALA DE AULA X O COTIDIANO (OU TUDO MISTURADO)?
  • LETRAMENTOS NA WEB E EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA
  • LINGUAGENS E INTERFACES HIPERMIDIÁTICAS
  • HIPERTEXTO E LITERATURA: POR UM MODELO RETICULAR DE LEITURA
  • ATIVIDADES HIPERTEXTUAIS: O QUE NOS DIZ A PRÁTICA
  • LETRAMENTOS DIGITAIS, APROPRIAÇÃO TECNOLÓGICA E INOVAÇÃO
  • PROPOSTAS PEDAGÓGICAS MEDIADAS POR MÍDIAS DIGITAIS
  • LETRAMENTOS MULTIMODAIS: INTERFACES ENTRE A TEORIA E A PRÁTICA NO COTIDIANO ESCOLAR
  • COMPLEXIDADE/ CAOS COMO LÓGICA DE INVESTIGAÇÃO NA WEB
  • M-LEARNING: APRENDIZAGEM EM DISPOSITIVOS MÓVEIS
  • A HIPERTEXTUALIDADE COMO ELEMENTO CONSTITUTIVO DO DISCURSO MIDIÁTICO
  • A IMAGEM COMO HIPERTEXTO: POÉTICAS HETEROGÊNEAS
  • EDIÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS
  • MODELAGEM CONCEITUAL PARA ORGANIZAÇÃO HIPERTEXTUAL DE DOCUMENTOS TEXTUAIS

Vale ou não vale ficar de olho?

EM TEMPO: Acabei de confirmar. Não haverá transmissão pela web… então, corra pra rodoviária!

compacto do chat no ciclo comunicar tecnologia…

Participei hoje à tarde de um chat no Ciclo Comunicar Tecnologia, que o pessoal do Nós da Comunicação está tão profissionalmente promovendo. Foi uma experiência muito legal. E se você não pôde passar por lá mas ficou curioso, leia um resumo do que rolou… aqui!

alarme: redes sociais são perigosíssimas!

Em 24 horas, deu a louca nas cúpulas de algumas das principais organizações de mídia no país: Globo e Folha de S.Paulo descobriram que as redes sociais, que as mídias sociais são importantes, são perigosas, e por isso, precisam de regras para seus comandados.

No dia 9,a Folha enviou memorando aos seus jornalistas criando regras de conduta para blogs e Twitter. Quem conta é o José Roberto de Toledo, da Abraji. O comunicado interno do jornal foi assinado pela editora-executiva, Eleonora de Lucena. Veja abaixo a íntegra do memorando:

“Os profissionais que mantêm blogs ou são participantes de redes sociais e/ou do twitter devem lembrar que:

a) representam a Folha nessas plataformas, portanto devem sempre seguir os princípios do projeto editorial, evitando assumir campanhas e posicionamentos partidários;

b) não devem colocar na rede os conteúdos de colunas e reportagens exclusivas. Esses são reservados apenas para os leitores da Folha e assinantes do UOL. Eventualmente blogs podem fazer rápida menção para texto publicado no jornal, com remissão para a versão eletrônica da Folha.”

No dia seguinte (10), foi a vez da Globo, conforme relata o Lauro Jardim no Radar On-Line:

Estão proibidos, por exemplo, “a divulgação ou comentários sobre temas direta ou indiretamente relacionados às atividades ligadas à Globo; ao mercado de mídia ou qualquer outra informação e conteúdo obtidos em razão do relacionamento com a Globo”.

A emissora endureceu também noutro ponto: só com autorização da Globo seus contratados poderão ter blog, twitter etc. vinculados a outros veículos de comunicação.

Segundo a Globo, o objetivo é proteger seus “conteúdos da exploração indevida por terceiros, assim como preservar seus princípios e valores”.

Agora, eu pergunto: será que as cúpulas acham mesmo que conseguirão regrar esse uso? Vão impor o medo nos funcionários? Vão aumentar a audiência e visitação nos blogs e contas de artistas com esse engessamento todo? Se eles acham, sabem muito de mídia, sabem muito de internet, e compreendem completamente o momento que estamos vivendo…

manifesto internet: 17 constatações de como o jornalismo funciona

Paulo Querido conta como surgiu a versão portuguesa do Manifesto Internet, elaborado por um conjunto de jornalistas alemães em reação à desastrada Declaração de Hamburgo, feita por um grupo de proprietários de meios de comunicação europeus. O Manifesto Internet reacende a discussão sobre o papel do jornalismo e de jornalistas no turbulento e visceral cenário atual ultra e pós-midiático.

As 17 constatações que alicerçam o Manifesto são:

1. A Internet é diferente.

2. A Internet é um império dos media tamanho de bolso.

3. A Internet é a nossa sociedade é a Internet.

4. A liberdade da Internet é inviolável.

5. A Internet é a vitória da informação.

6. A Internet muda melhora o jornalismo.

7. A Internet requer gestão de ligações.

8. Ligações recompensam, citações enfeitam.

9. A Internet é um novo palco para o discurso político.

10. Hoje, liberdade de imprensa significa liberdade de opinião.

11. Mais é mais – não existe algo como demasiada informação.

12. A Tradição não é um modelo de negócio.

13. Os direitos de autor tornam-se um dever cívico na Internet.

14. A Internet tem muitas moedas.

15. O que está na Net fica na Net.

16. A qualidade permanece a mais importante das qualidades.

17. Tudo para todos.

Para ler na íntegra, veja o Manifesto aqui.

antes do 7 de setembro, 7 links

Enquanto não vem o feriado, compartilho algumas paradas obrigatórias da web na semana…

  • Sérgio Dávila entrevista Chris Anderson, o editor da Wired e autor de Free, livro que discute a economia da gratuidade: aqui.
  • Carlos Castilho, do Código Aberto, escreve sobre auto-regulação, um tema que exige maturidade, consciência e equilíbrio: aqui.
  • Porque as mídias sociais precisam de profissionais éticos. Jason Falls escreve sobre o tema, aqui.
  • C.W. Anderson trata do futuro das notícias em quatro dimensões. Leia aqui.
  • Cibereconomia, uma rede social para difundir a cultura da inovação. Entre aqui.
  • Um dia por dentro do Jornal Nacional, matéria do G1 sobre o lançamento do livro “Jornal Nacional: Modo de Fazer”, de William Bonner. Aqui.
  • Mediactive, o site de Dan Gillmor que pretende criar um guia para democratizar a mídia: aqui.

em defesa do estudo das mídias

O professor David Buckingham, do Instituto de Educação da London University, escreve hoje no The Guardian convidando a  um debate: como se deve ensinar para as mídias atualmente? Ao mesmo tempo em que propõe, o autor de Beyond Technology: Children’s Learning in the Age of Digital Media faz uma defesa da necessidade de se estudar e pesquisar mais as novas formas de entretenimento, diversão e informação. Preconceitos, o senso comum e ignorância devem ser deixados de lado…

Seu artigo num dois mais prestigiados jornais britânicos é publicado num momento em que pais, alunos e escolas discutem a melhor maneira de oferecer conteúdos com os quais os estudantes têm acesso e contato mesmo antes de entrar em sala de aula. O Reino Unido tradicionalmente tem preocupações claras quando o assunto é comunicação e tem há décadas políticas públicas evidentes de como os meios educacionais se inserem neste contexto. Vale a leitura do artigo de Buckingham (peguei a dica no Ponto Media)

uma entrevista com raquel recuero

raquel2Raquel Recuero é um dos principais nomes brasileiros na pesquisa sobre redes sociais. Recentemente, lançou o livro “Redes Sociais na Internet”, que deve se tornar uma referência obrigatória para aqueles que se interessam pelo assunto. O livro pode ser encontrado nas livrarias e num site especialmente criado para o seu download. Na entrevista a seguir, Raquel fala um pouco mais sobre o tema. Confira…

Seu livro chega às bancas agora, justamente num momento em que as redes sociais são mais faladas do que nunca. Até mesmo os mais resistentes têm aderido a elas, como é o caso dos poderes centrais, dos governos. Esta semana, por exemplo, o Ministério do Trabalho e Emprego “entrou” no Twitter, e já está no Orkut desde o ano passado. De que maneira, os governos podem se valer das redes sociais? E como o cidadão pode se beneficiar com isso?
Penso que esses espaços na Internet contêm o potencial de ser extremamente democráticos, pois permitem um contato mais direto entre os governos e instituições e os cidadãos. Claro que isso depende do modo como o espaço é usado, mas de um modo geral, acho que essas redes podem prover espaços de debate e feedback para os cidadãos e espaços de informação e debate direto com a sociedade para os governos.

Você atua num programa de mestrado na área de Letras, um campo essencialmente ligado à Educação. Como as redes sociais podem contribuir para os avanços educacionais, em especial na realidade brasileira?
O espaços sociais que temos na rede auxiliam em um processo de comunicação mais amplo, tanto nos aspectos informativos (acesso à notícias, informações, serviços e etc.) quanto naqueles conversacionais (debates, discussões, etc.). Assim, também são espaço potenciais para a educação e o espírito crítico. Do meu ponto de vista, ainda fazemos um uso muito modesto das tecnologias na educação. Claro, é necessário um cuidado na exposição e na construção desses processos, mas poderíamos usar mais os sistemas que já existem em sala de aula. Se tu olhares para o Orkut, por exemplo, vais ver que ali há exemplos da cultura de toda a sociedade brasileira. Há pessoas em lugares menos favorecidos que estão lá, com seus perfis, suas comunidades, suas percepções culturais. Há uma quantidade expressiva de jovens e adolescentes que usam o sistema.  As pessoas vão construindo uma cultura ali, vão incorporando aqueles signos no seu dia a dia. No entanto, insistimos em ignorar essas práticas, focando sistemas “idealizados” para a educação e a chamada inclusão digital, que muitas vezes não refletem a experiência, os interesses e apropriações das pessoas. Penso que é preciso pensar a educação como espírito crítico e apropriação *a partir* dessas práticas.

No início deste ano, você lançou junto com Adriana Amaral e Sandra Montardo o livro “Blogs.com”, em formato de e-book e rapidamente absorvido pelos leitores brasileiros como uma importante sistematização da produção científica nacional sobre o tema. “Redes Sociais na internet” é seu primeiro livro autoral, embora você seja uma pesquisadora bastante produtiva. Ele não é propriamente a adaptação de sua tese de doutorado, não é mesmo? E por que você resistiu em lançar a tese antes?
É em parte uma adaptação da minha tese, em parte uma aplicação dela. O fato de não ter sido lançado antes foi menos por escolha e mais pelo tempo para adaptar aquilo que eu tinha escrito e as minhas pesquisas posteriores. A tese, em si, é meio “pesada”, tem muitos dados, muitas coisas que não entraram no livro para deixá-lo mais acessível. Claro que todo esse processo exigiu uma adaptação maior e um tempo maior para conseguir terminá-lo. 🙂

Pode-se notar que o Brasil vem criando um núcleo bem consistente de pesquisadores sobre cibercultura. Os esforços podem ser sentidos em diversos pólos regionais, como a Bahia e o Rio Grande do Sul. Que avaliação você faz desse cenário em construção? E como situa a produção científica brasileira nessa área?
Eu acho que é muito importante que a gente entenda como a sociedade brasileira vem apropriando o ciberespaço e vem criando novas práticas de identidade, participação e discussão. Essas práticas vão impactar a nossa sociedade offline cada vez mais fortemente. Por conta disso, acho extremamente saudável que novos grupos comecem a discutir essas questões, a pensá-las e a focar sua produção nessa compreensão. Quanto mais soubermos sobre esses impactos, melhor proveito poderemos tirar deles para a própria sociedade e melhor conseguiremos minimizar seus aspectos negativos. Espero assim que, no futuro, tenhamos mais grupos pesquisando essas questões em mais universidades e regiões do Brasil. 🙂

obamanofacebookPessoalmente, tenho a impressão de que os pesquisadores que estudam tecnologia e interfaces tecnológicas têm desafios sobressalentes no seu trabalho. Não apenas pela complexidade de seus objetos, mas pela fugacidade e volatilidade de temas e preocupações. Parece que esses cientistas estão sempre tentando trocar o pneu de um carro em movimento. Isso é só uma impressão minha? Ou ampliando: que outros desafios se apresentam para quem pesquisa tecnologia?
Hahahahaha Acho que é uma ótima analogia, mas penso que é o desafio de todo o cientista social. A sociedade é mutante, está sempre re-significando os processos culturais. É preciso ter claro que quase sempre temos, como resultado, um “retrato”de um determinado grupo em um determinado momento. Mas uma seqüência de imagens estáticas também pode ajudar a entender melhor a dinâmica, o movimento desses grupos. Por isso acho muito importante a continuidade dos estudos, sua comparação com outros trabalhos e sobretudo, o debate. São grandes desafios, precisamos de mais incentivo e mais pesquisadores para poder dar conta deles, especialmente em um país continental como o Brasil.

Já há uma agenda de lançamentos de “Redes Sociais na Internet”? E mais: após esse livro, quais são seus próximos estudos e projetos?
Estou trabalhando em um projeto com mais duas pesquisadoras, a Adriana Amaral e a Suely Fragoso em um livro focado em métodos de pesquisa para dados do ciberespaço. E estou também trabalhando em um projeto de estudo da conversação mediada pelo computador, tentando entender como a língua é utilizada e mudada no ciberespaço e como isso reflete os aspectos sociais da apropriação. Acho que são esses os atuais. 🙂

narrativa transmídia, experiências com produtos e marcas e outros birinaites

A dica é da Sandra Montardo, que me mandou a matéria que reproduzo abaixo. Deu na versão eletrônica da Meio & Mensagem. Quem leu Henry Jenkins e o seu “Cultura da Convergência”, sabe que boa parte do futuro – talvez uma das mais divertidas – passe por essas vias…

The Alchemists nasce com bases no Brasil e nos EUA

Empresa propõe que marcas se tornem contadoras de histórias e invistam em estratégias transmídia

Alexandre Zaghi Lemos

23/04/2009 – 13:54

Transformar marcas em contadoras de histórias, cujos enredos possam se desdobrar em estratégias transmídia, parece ser uma das saídas para os anunciantes contornarem problemas como a maior dispersão da audiência dos formatos tradicionais da publicidade.

O desenvolvimento de propriedades originais para marcas, e também para distribuidores de conteúdo, é uma atividade que vem atraindo atenção crescente e acaba de ganhar mais um player. A The Alchemists nasce com bases no Rio de Janeiro e em Los Angeles, fundada pelo brasileiro Maurício Mota e o norte-americano Mark Warshaw, além de um sócio investidor.

“Um dos nossos objetivos mais importantes é o de mostrar às marcas que elas têm todos os ativos para se transformarem em estúdios. Podem desenvolver propriedades intelectuais para seus consumidores – que agora, no novo panorama midiático, são público, co-autores e até parceiros. Esta é uma boa época para contar histórias”, detalha Warshaw, que se notabilizou pelo projeto de desdobramento transmídia do seriado Heroes.

“Os ativos dos estúdios são talentos, marketing, distribuição e recursos financeiros e físicos. As marcas também dispõem de todos eles. O que nossa empresa pretende é facilitar o desenvolvimento de propriedades originais e planejar desdobramentos transmídia, aproveitando o que cada mídia tem de melhor”, acrescenta Maurício Mota. Para se dedicar à nova empreitada, ele acaba de deixar a direção de núcleo da New Content. Antes disso, passou pelas equipes da F/Nazca S&S e da Thymus.

A sociedade entre Mota e Warshaw vem sendo idealizada desde 2007, quando se conheceram em evento no Massachusetts Institute of Technology (MIT). Desde então, passaram a expor suas teses sobre transmedia storytelling no blog Os Alquimistas Estão Chegando, em eventos como o MaxiMídia de 2008 e em workshops para empresas como o iG.

Mota e seu parceiro norte-americano também se empenham em esclarecer as diferenças entre branded entertainment e transmedia storytelling. Segundo eles, enquanto a primeira ferramenta cria awareness para produtos integrados a conteúdos de entretenimento, o transmedia storytelling desenvolve narrativas proprietárias para as marcas. “São histórias que só poderiam ser desenvolvidas para aquela marca e que serão disseminadas em várias plataformas, criando audiências paralelas. Além disso, podem ser atemporais”, acrescenta Mota.

“As novas ferramentas que temos para envolver o público-alvo, informar os clientes e entreter as pessoas são muito mais poderosas do que todas já usadas pela história da comunicação”, garante Warshaw.

A The Alchemists já efetivou associações estratégicas com duas empresas brasileiras: a Moonshot Pictures – que tem a Fábrica de Ideias Cinemáticas (Fics), que desenvolve roteiros e produz projetos dramáticos, realities e séries, como a 9MM São Paulo, exibida pela Fox – e a Colmeia, produtora interativa do Grupo Ink.

Entre os projetos iniciais estão uma revista em quadrinhos digital para o mercado norte-americano, a elaboração e produção dos desdobramentos transmídia para a nova versão da série Melrose Place e a criação de uma plataforma de transmedia storytelling que será usada em projeto educacional voltado para 300 mil jovens brasileiros.

Além disso, a The Alchemists passa a atuar como representante para a América Latina do Convergence Culture Consortium (C3), grupo de trabalho do MIT focado em estudar e desenvolver projetos de convergência em mídia, entretenimento, publicidade e educação, ao qual já aderiram duas empresas brasileiras: Petrobras e iG. “Teremos uma atuação muito forte no fomento e na disseminação da cultura de convergência do transmedia storytelling”, frisa Mota.

perder-se! um manifesto da mídia locativa

Fiquei quatro diazinhos em Belo Horizonte, e me perdi diversas vezes. Não era a minha primeira nem segunda vez por lá, mas me desorientei de carro e a pé. Na carona de amigos, e um deles com GPS, consegui zanzar perdido, o que inevitavelmente nos coloca na posição estrangeira de um forasteiro.

Agora, como uma bússola digital, me chega o Manifesto sobre as Mídias Locativas, sensacional texto de André Lemos para a 404notfound.

Para Bernardo, que já busca o seu lugar no mundo.

Mídia – Todo artefato e processo que permite superar constrangimentos infocomunicacionais do espaço e do tempo. Mídias produzem espacialização, ação social sobre um espaço. Mídias produzem lugares.

Locativo – Categoria gramatical que exprime lugar, como “em” ou “ao lado de”, indicando a localização final ou o momento de uma ação.

Mídia Locativa. Tecnologias e serviços baseados em localização (LBT e LBS) cujos sistemas infocomunicacionais são atentos e reagem ao contexto. Ação comunicacional onde informações digitais são processadas por pessoas, objetos e lugares através de dispositivos eletrônicos, sensores e redes sem fio. Dimensão atual da cibercultura constituindo a era do “ciberespaço vazando para o mundo real” (Russel, 1999), a era da “internet das coisas”.

1. Crie situações para perder-se. O medo de perder-se é correlato ao medo de encontrar. Mas perdendo-se, encontra-se. A desorientação é uma forma de apropriação do espaço! Tudo localizar, mapear, indexar é uma morte simbólica: o medo do imponderável, do encontro com o acaso: evitar uma dimensão vital da existência. “Perder-se é um achar-se perigoso”, como diz Clarice Lispector.

2. Erros, falhas, esquecimentos de localizações e de movimentações são as únicas possibilidades de salvação da hiperracionalização atual do espaço. Só uma apropriação tática dos dispositivos, sensores e redes poderá produzir novos sentidos dos lugares. Desconfie de sua posição e de seu status de nômade. Quando sua operadora diz, “você é nômade”, desconfie. Mas saiba que o nomadismo é um traço essencial da aventura humana na terra!

3. Tudo é locativo: aprendemos, amamos, socializamos, jogamos, brigamos, festejamos, trabalhamos…, sempre de forma locativa. Não há nada fora do tempo ou do ESPAÇO. E o espaço social é o LUGAR. Em tudo, o lugar é o que importa.

4. Lugar é composto por fluxos de diversas territorializações. Ele é sempre dinâmico e, ao mesmo tempo, enraizado. Lugar é vínculo social. Lugar é fluxo de emoções, é topos, é memória e cristalização de sentimentos. Lugar não é fixação mas interrelação. Com as mídias locativas, o lugar deve ser visto como fluxo de diversas territorializações (sociocultural, imaginária, simbólica) + bancos de dados informacionais. Espaços visíveis marcados por fluxos invisíveis de informação circulando por redes invisíveis.

5. Hoje é impossível pensar os lugares sem os territórios informacionais. Mas lugares persistem sem nenhuma informatização. Não esqueça destes lugares. Pense nos contextos independentes de qualquer tecnologia.

6. Estamos na era da computação ubíqua e pervasive (Weiser), ou seja da informática em todos os lugares e em todas as coisas. Mas não há tecnologias sensíveis e nenhuma delas está atenta a contextos! Elas estão em tudo e em todos os lugares, mas não sabem o que é um contexto e nem tem capacidades de sentir o local.

7. Depois do upload para a Matrix lá em cima, a internet 1.0, agora é a vez do “download do ciberespaço”, da informação nas coisas aqui em baixo, a internet 2.0. Não se trata mais do virtual lá em cima, mas do que fazer com toda essa informação das coisas e dos lugares aqui de baixo! Como nos relacionamos com as coisas e com os lugares? E agora, com essas coisas e lugares dotados de informação digital e conexão à internet? Convocamos Heidegger e Lefevbre?

8. Recuse os LBS e LBT que te colocam apenas na posição de mais um consumidor massivo. Busque produzir informação localizada que faça sentido aqui e agora. Esse é o único meio de construir lugares sociais com essa tecnologias de localização e mobilidade. Reivindique das mídias locativas as funções pós-massivas. A publicidade, o marketing e as operadoras te querem apenas como receptor passivo, massivo, embora supostamente livre, móvel e sem fronteiras. Eles te querem controlado, ativo mas consumindo, receptor pensando que está emitindo. Agir é mais. Reaja à isso.

9. Saiba que as mídias de localização não são novas. Toda mídia é, ao mesmo tempo, local e global. Preste atenção às mídias locativas analógicas que estão entre nós, pense nas anotações urbanas como os graffitis, stickers, bilhetes ou notas, preste atenção às marcas nas ruas, aos índices a sua volta, ao jornalismo local e agora hiperlocal. Aja como um detetive buscando solucionar os mistérios do espaço urbano! Busque o uso crítico dos dispositivos locativos. Lembre-se que o termo “mídia locativa” foi criado por artistas e ativistas para questionar a massificação dos LBS e LBT.

10. Use, divulgue e estimule o desenvolvimento de protocolos não-proprietários, de softwares colaborativos e de fonte aberta, de sistemas operacionais livres e participativos. A sua liberdade no mundo das mídias locativas é diretamente proporcional ao desenvolvimento da computação móvel aberta. Assim como na era do ciberespaço “lá em cima”, bem como na era da internet pingando nas coisas, lute contra o fechamento dos dispositivos, dos sistemas, dos softwares e dos contratos, como os que vigoram no atual sistema de telefonia móvel mundial. Busque, use e distribua jailbreak para todos os sistemas da mobilidade e da localização!

11. Pense que o único interesse do uso das mídias locativas é produzir sentido nos lugares. Se isso não acontece, desligue ou crie um uso que desconstrua o aparelho. Você não precisa ser preciso, você não precisa estar localizado o tempo todo, você não precisa ser sempre racional, um homo-economicus total para viver o local! Se os dispositivos ajudam, use-o, senão, desvie os usos (hacking) e, se não der mesmo assim, abandone!

12. Ache um equilíbrio entre o clique generalizado no mundo da informação e a contemplação ociosa. Desconecte e reconecte os seus dispositivos, sempre, diariamente, permanentemente. Pare, feche os olhos, abra os ouvidos e desloque-se apenas pelo pensamento, essa desterritorialização absoluta (Deleuze).

13. A questão da localização nem sempre está ligada ao espaço e ao movimento, mas ao tempo. Pense assim na duração, na viscosidade das coisas, na imobilidade, no tempo estendido. Saiba que nunca há “tempo perdido” e é impossível “matar o tempo”.

14. Independente de qualquer smartphone ou GPS, o que importa é que você já sabe onde está: “você está aqui” e “agora”. Inverta a máxima de Walter Benjamin (1927) que afirmava que os “lugares foram reduzidos a pontos coloridos em um mapa”. Faça com que este pontos sejam efetivamente lugares.

15. Lute para que marcas, indicando nos mapas o que está perto de você, não evitem o seu encontro com o inusitado nem com o outro. Não se preocupe se não souber o que há por perto. Tenha consciência que, de qualquer forma, você sempre encontrará o caminho para os lugares que procura. Simples: peça informação, pergunte, procure indícios, encare o espaço como algo a ser desbravado, localmente, em contato com o mundo ao seu redor.

16. Pense nos cruzamentos, nas esquinas, nas diferenças de posicionamento; pense nas conexões, nas distâncias e nas aproximações; pense no audível e no inaudível, no visível e no invisível, no fixo e no mutável. Pense nos lugares como parte da sua existência, permanentemente em construção. Pense que você só é estando locativamente.

17. Dê sentido ao seu lugar no mundo, social, cultural e politicamente. As mídias locativas podem, através de anotações, de mapeamentos, de redes sociais móveis, de mobilizações políticas ou hedonistas e de jogos de rua, ajudar nesse processo. Mas tudo é potência e resta ainda o trabalho difícil, penoso, lento, de atualização.

18. Pense nos bairros, nos cruzamentos, nos caminhos, nos pontos históricos, nas bordas (Lynch). Sempre se pergunte como as mídias locativas podem agir em cada uma dessas dimensões: Como criar comunidade e agir politicamente (bairro)?, como proporcionar encontros (cruzamentos)?, como abrir novas veredas (caminhos)?, como criar novos marcos (pontos)?, como tensionar as fronteiras (bordas) com essas tecnologias?

19. Toda mobilidade pressupõe imobilidade e não existe e não existirá um mundo sem fronteiras. Fronteira é controle e controle pode ser liberdade. A imobilidade é uma condição da mobilidade e vice-versa. Só podemos pensar uma em relação à outra. Devemos mesmo estar imóveis para pensar a mobilidade e em movimento para pensar a inércia. Defina as suas fronteiras, tenha autonomia no controle de suas bordas, pare para se locomover e locomova-se para parar.

20. “Des-locar” não é acabar com o lugar, mas colocá-lo em perspectiva. Desloque-se e aproprie-se do urbano, escreva seu espaço com texto, imagens e sons, reúna pessoas, jogue, ocupe o espaço lá fora. As mídias locativas permitem isso. Mas se não conseguir fazer nada disso, então pense no uso e no porquê dessas tecnologias.

21. Mapas são sempre psicocartografias, nunca são neutros. Instrumentos técnicos, mnemônicos e comunicacionais, os mapas, incluindo aí os “Google Earth”, “Maps”, “Street”, e seus similares, são sempre expressões de visões tendenciosas do mundo. Eles sempre refletem estruturas de poder e servem como instrumentos para estender um domínio geopolítico. Pense na “miopia” dos mapas digitais. Compare os detalhes de Tóquio e de cidades da África nos mapas digitais para ter uma idéia dessa invisibilidade.

22. Saiba que todo mapa é uma mídia e que todo mapeamento é uma ação de comunicação, com mensagem, emissor, canal e receptor. Mapear é escrever e ler o espaço. Mapear é sempre um discurso sobre o espaço e o tempo. Mapas, como as mídias, são sempre formas de visualização, de conhecimento e de produção da realidade do mundo externo. Busque, como Borges no “Del Rigor de la Ciência”, criar mapas que sejam novos territórios na escala 1 x 1.

23. Construa mapas que desconstruam visões de mundo. Produza mapas do que não é mapeado em seu entorno, do que é invisível aos olhos bem abertos. Escape do cartesianismo, do racionalismo e das coordenadas geoespaciais. Tente usar as mídias locativas para descentralizar o poder de construção de mapas e de sentido sobre os lugares. Como diz Meyrowitz: “toda mídia é um GPS mental”;

24. Não abuse das redes sociais móveis: encontrar amigos e conhecidos ao acaso pode ser mais interessante do que o tudo programado. A surpresa pode ser um ingrediente para grandes encontros. Mas pense também nas novas formas de voyeurismo, de controle, de monitoramento e de vigilância de amigos, familiares, empregados e empregadores.

25. Você é um ponto em roaming nos diversos sistemas (GPS, redes de telefonia celular, etiquetas RFID, redes Wi-Fi ou bluetooth…). Saiba que novos tipos de controle, monitoramento e vigilância (sutis, transparentes e locativos) estão cada dia mais presentes em tudo o que você faz, desde ligar o celular, acessar uma rede sem fio em um café, atualizar em mobilidade sua rede social, usar o caixa do banco, circular com uma etiqueta RFID em sua camisa ou pagar um pedágio automaticamente ao passar com o seu carro. Pense que não são apenas as câmeras de vigilância que estão te olhando!

26. Na atual fase da computação ubíqua e da internet das coisas, há os dados fornecidos, os “data”, mas há também aqueles que não são “dados”, mas captados à sua revelia e, as vezes, sem o seu conhecimento, os “capta” (Kapadia, et al.). Pense neles, nos “data” que você fornece e nos “capta” que te são roubados! Lute para proteger (agenciar) os novos territórios informacionais de onde emanam os invisíveis “data” e “capta”. Controle e defenda a sua privacidade e o seu anonimato, fundamento e garantia das democracias modernas. Crie, se for preciso, sistemas de contravigilância: sousveillance (Mann) contra a surveillance. No limite, forneça informações imprecisas ou desligue e torne-se invisível.

27. Não há apenas o panopticom do confinamento disciplinar de Foucault, mas o “controlato”, a modulação, a cifra e o “dividual” de Deleuze. As paredes não vedam mais nada. Os presos atacam da prisão. Para Pascal, o problema do homem é que ele não consegue ficar sozinho no seu quarto. Com as camadas informacionais, o que significa e qual a eficiência informacional de mandar alguém ficar de castigo, sozinho, no seu quarto?

28. Não há uso, distribuição, produção ou consumo neutro de informação e ou de tecnologias. Pense em como as mídias locativas podem te ajudar a criar e destruir seus territórios. Quais os limites dos seus territórios? Pense em maneiras criativas de contar histórias, de fazer política, de jogar e de se divertir. Essas tecnologias podem te ajudar a escrever e demarcar eletronicamente o seu espaço circundante, mas busque novas significações, novas memórias dos lugares, reforçar os vínculos sociais e o imaginário coletivo.

29. Comprometa-se em reverter a lógica dos olhares vigilantes, em produzir sons para ouvidos atentos, em criar imagens do passado atreladas ao presente. As mídias locativas só têm importância se ajudarem a produzir conteúdo que faça sentido para você e para o lugar onde vive. Não use passivamente nenhuma mídia, especialmente essas que agem sobre a sua mobilidade e localização no mundo!

30. Pense no uso da técnica (ela não é neutra), na comunicação como aproximação ao lugar e ao outro (ela não é impossível, mas improvável – Luhmann) e no seu lugar no planeta (ele é parte da sua existência). A pergunta deve ser: as mídias locativas te ajudam a encontrar o teu lugar no mundo?

rápido e rasteiro: 4 links sobre jornalismo e cibercultura

Tentando tirar umas teias de aranha que se acumularam de sábado pra cá neste blog, mando ver com uns links represados em meu RSS:

google nos deixa mais burros?

Joel Minusculi me falou de uma pesquisa que mostraria que a internet nos deixa mais burros. O texto saiu na Época Negócios (aqui) e, em resumo, menciona artigos de Nicholas Carr. Para ele, a internet vem modificando nossos cérebros e afetando nossa memória e resistência de leitura. Isto é, por conta do Google e Cia., não conseguimos ler textos mais longos. Ok, um prato cheio para quem quer satanizar as novas tecnologias.

Os argumentos de Carr são curiosos, interessantes, mas não me convenceram. Eu gostaria de ler a íntegra das pesquisas – cujos textos devem certamente ultrapassar dez ou quinze página – para me certificar…

(Se você, como eu, foge à regra de Carr, leia o texto dele que iniciou essa polêmica. Eu aviso: não é um texto curto)

blogs: para o alto e avante

O assunto em quatro notas:

1. O Technorati acaba de publicar seu relatório The State of Blogosphere.

2. Se você quer treinar o inglês, uma boa prévia está no ReadWriteWeb.

3. Raquel Recuero destaca alguns pontos do documento, em bom português.

4. Tiago Dória salienta que quase metade dos blogueiros já passou do 1º blog.

pesquisa mostra que crianças digitais são “multitarefas”

O canal televisivo pago Cartoon Network realizou uma pesquisa com 7 mil usuários de seu site, entre 7 e 15 anos, e chegou a resultados impressionantes sobre os usos e apropriações desses meninos e meninas da tecnologia e de atividades cotidianas. A conclusão mais ruidosa é de que 73% dos sujeitos da pesquisa têm o hábito de combinar o uso de diversas tecnologias ao mesmo tempo, revelando um comportamento “multitarefa”. Realizada todos os anos, a pesquisa Kids Experts acompanha o comportamento infanto-juvenil. 

A idéia do estudo é entender como os pequenos “nativos digitais” consomem diferentes meios enquanto fontes de informação e ferramentas de entretenimento, desvendando seu lado multitarefa – o hábito que as crianças têm de utilizar mais de uma ferramenta e executar mais de uma atividade ao mesmo tempo: baixar arquivos enquanto falam com os amigos pelo MSN, terminar um trabalho de escola enquanto postam scraps no Orkut, jogar videogame enquanto ouvem música.

Para auxiliar na obtenção dos resultados, também foi utilizado o método qualitativo batizado de “observação com registro”, no qual as mães de meninos e meninas registravam em um diário, durante quatro dias, as atitudes de seus filhos em relação aos mais diversos aparatos.

Outras conclusões da pesquisa:

– Uma em cada cinco crianças já postou algum vídeo no YouTube;

– Crianças entre 6 e 8 anos usam a tecnologia de forma mais passiva, com foco no entretenimento, fazendo atividades que não exijam a divisão da atenção;

– Entre 9 e 11 anos começa a existir maior interação, com busca também por informação – é quando acontece o pico da utilização dos videogames pelos meninos;

– A partir dos 12 anos, a comunicação também passa a ser elemento primordial, com a criança dominando totalmente as ferramentas. Nesta fase, elas conseguem executar até oito combinações diferentes entre tecnologias;

– A TV é o primeiro aparelho com o qual as crianças têm contato e está presente durante toda a infância, mas a música em aparelhos como rádio e MP3 players surge logo depois e ocupa espaço permanente;

– O computador cresce em influência a partir dos 9 anos e se transforma justamente no equipamento mais usado em combinação com outros, registrando presença em 57,5% das combinações entre meios;

– O celular é o equipamento que tarda mais a ser incorporado, já que seu uso regular aparece entre os 9 ou 10 anos. O estudo sinaliza ainda que o celular pode cada vez mais assumir um papel importante como integrador de todas as tecnologias.

– Mais de 70% das meninas pesquisadas usam programas de comunicação instantânea, sendo que 46% das meninas usam o MSN todos os dias e 22% passam de uma a duas horas conversando por meio do software;

– Nas comunidades online (Orkut, Facebook, MySpace), as meninas também dominam: 66% delas são membros, mantendo uma média de 80 contatos;

– Nas redes sociais, as crianças têm em média 23 amigos que não moram na mesma cidade, sendo que 73% diz que em suas listas de amigos têm mais pessoas que conhecem pessoalmente;

– 23% das meninas têm blog, fotolog ou videolog;

– 75% dos meninos têm videogame, sendo que o Playstation é o console favorito;

– Em comum, meninos e meninas entram em contato com o mundo digital cedo: 77% das crianças entre 7 e 9 anos entraram pela primeira vez em um site de comunidade online quando tinham entre 5 e 8 anos de idade;

– Duas em cinco das crianças pesquisadas já trocaram com amigos algum conteúdo de mídia na web (música, vídeo, fotos);

Para ler matéria do Rio Mídia sobre a pesquisa, clique aqui.

Para saber mais como “funciona” a chamada Geração Multitarefa, veja matéria do espanhol La Vanguardia.

EM TEMPO: Por falar em geração multitarefa, Paco Tejero comenta o livro de Jeroen Boschma – La generacion Einstein -, lançado recentemente e que aponta esta “nueva generación de jóvenes más intelligentes, más sociables y más rápidos”. Mas Paco Tejero é bem crítico quanto a isso. Aliás, Alex Gamela faz o mesmo, se perguntando: será que nossos alunos de jornalismo estão preparados para o que vislumbramos em nossos cursos e disciplinas? 

ética na web, um evento

Mais informações em http://eticanarede.blog.terra.com.br

livros de graça… em 50 sites!

O Education Portal disponibilizou endereços de cinquenta sites na internet que permitem baixar livros completos gratuitamente e em diversos idiomas.

As referências estão divididas em “Livros de Ficção e Não-Ficção”, “Livros-Texto e Livros de Educação”, “Áudio-books” e “Livros de referência”.

Veja e baixe!