O livro “A crise do jornalismo tem solução?” na mídia

Na metade de maio, começou a chegar nas melhores livrarias do país e nas plataformas de ebooks do mundo inteiro o meu livro “A crise do jornalismo tem solução?” (Ed. Estação das Letras e Cores).

Se você não sabe do que estou dizendo, eu explico aqui. E se ficou interessado em ter o seu, vá por aqui. Veja o que andam dizendo sobre ele:

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É possível salvar o jornalismo sem o dinheiro do Google?

Se tem um tipo de notícia que faz os donos da mídia brilharem os olhinhos é o anúncio de que alguém vai abrir as torneiras do dinheiro. Ontem, foi mais um dia desses no 3º Google For Brasil, evento da poderosa Big Tech no Memorial da América Latina, em São Paulo.

Não, eu não estava lá, mas posso afirmar sem medo de errar que teve gente que saiu feliz da vida e a explicação é uma só: o Google vai despejar milhões de dólares em projetos de fact-checking, fortalecimento de padrões de qualidade, eventos, incubação de novos meios e até educação midiática, conforme conta o Portal Imprensa. Segundo o Marco Tulio Pires, que coordena o Google News Lab, já foram injetados R$ 36 milhões no mercado brasileiro desde 2018. Não é pouco, mas está longe de ser a salvação da lavoura.

Gente muito competente e organizações muito reconhecidas – como Projor, Abraji e ANJ – são beneficiadas com esses recursos, e os seus projetos são muito importantes para o jornalismo e a sociedade, de um modo geral. Não discuto isso, já que os resultados podem ser conferidos em iniciativas como o Comprova e o Credibilidade, por exemplo.

O buraco é mais embaixo. Será que a indústria jornalística pode ficar refém da vontade e do planejamento financeiro de gigantes da internet que ajudam a corroer o negócio das notícias? Não dá pra buscar saídas da crise sem depender dos milhões das grandes plataformas? O dinheiro não pode vir de outras fontes ou cofres? A benevolência das Big Techs não é uma maneira para conter efeitos colaterais da quebradeira que vêm provocando em tantas outras atividades econômicas?

Talvez a indústria jornalística nacional não veja Google e Facebook – que também investe no setor – como concorrentes, e talvez eles não sejam mesmo. São piores: são predadores. E seu apetite insaciável já abocanha mais da metade do bolo publicitário anual, conforme levantamentos em mercados como os Estados Unidos.

Facebook e Google não apenas aspiram para si parcelas enormes das verbas publicitárias que antes iam para os meios jornalísticos. Também drenam o tempo e a atenção dos usuários no planeta todo, desviando o interesse nas notícias, entre outros efeitos.

É errado, então, receber dinheiro do Google e Facebook para fortalecer o jornalismo? Não é errado. Mas depender deles para tirar a cabeça para fora da água é muito, muito temerário. A indústria jornalística precisa de soluções, das suas próprias soluções. Será necessário meter a mão no bolso e convencer a sociedade, os governos e outros atores econômicos a investir em jornalismo. Proteger o jornalismo é manter empregos e empresas, mas também é reforçar um importante tecido que dá sentidos para as pessoas e as sociedades.

Como a universidade pode ajudar a enfrentar a crise do jornalismo?

Escrevi sobre como a academia pode participar dos esforços de enfrentamento da crise do jornalismo. O texto saiu no Observatório da Imprensa e foi reproduzido também no objETHOS e outros lugares.

Defendo que a crise não é um problema de jornalistas e meios de comunicação apenas, e que outros atores podem (e devem!) se envolver nisso, e as universidades têm vocações imprescindíveis para oferecer contribuições. Menciono três casos recentes e, ao final, listo outras três potencialidades dos cursos para a questão.

Na íntegra, o texto pode ser lido aqui.

Confiança e sustentabilidade: dois nós para o jornalismo

A crise do jornalismo não é apenas financeira, tenho dito isso com alguma frequência. É claro que a míngua de anunciantes e de recursos para manter os negócios deixa gestores e jornalistas de cabelos em pé.

Pesquisa recente do Conselho Executivo das Normas-Padrão (Cenp-Meios) observou que os investimentos em mídia no Brasil cresceram pouco mais de meio por centro (0,57%) em 2018. Na prática, é uma estagnação, o que pode ser comemorado pelos mais otimistas ou ser detestado pelos pessimistas. De qualquer forma, estamos falando de um mercado de R$ 16,5 bilhões, nada desprezível.

Tem engrossado o coro, ultimamente, que uma saída necessária para crise é investir no jornalismo local, fortalecendo meios, barrando o avanço dos desertos de notícia, e apostando em saídas com menor escala e resposta mais rápida. Em Nova Iorque, o prefeito Bill de Blasio determinou que todas as agências da cidade gastassem pelo menos a metade de seus orçamentos anuais em meios comunitários e étnicos. Prevista para entrar em vigor em 2020, a iniciativa foi celebrada como um gesto para garantir que notícias locais continuem sendo produzidas e que a mídia que se encarrega disso se mantenha viva e pagando as contas em dia. Nova Iorque gasta mais de 2,75 milhões de dólares em publicidade na mídia local por ano.

É impossível prever que um ato desse contagie outros municípios e realidades, mas já pensou se o prefeito da sua cidade fizesse isso? Gaste um minutinho da sua vida pensando em que meios poderiam ser beneficiados e como isso afetaria a sua dieta pessoal de informações.

Mas como eu disse, não é só de dinheiro que o jornalismo precisa para vencer sua crise. Um outro nó é a credibilidade.

No Brasil, a Associação Nacional dos Jornais (ANJ) vem comemorando os resultados da pesquisa Dimension-2018 que revelou, entre outras coisas,  que jornais e revistas têm mais credibilidade que as redes sociais. As taxas de confiança seriam de 67% e 72% contra 33% das redes. Meios impressos também têm índices menores de rejeição.

Outro estudo – este internacional – aponta não só descrença nas redes, mas um cenário pior para os chamados influenciadores digitais. Apenas 4% das pessoas afirmam confiar no que eles dizem online.

Penso que é um erro brutal quando o jornalismo tenta seguir os passos das redes sociais e de modismos diversos, como é o caso dos influenciadores. O tempo das redes é mais volátil e seus compromissos muito menores que os do jornalismo.

Investir na formatação de um modelo de negócio rentável, perene e sustentável é vital para a sobrevivência da indústria do setor, mas esse movimento não pode ser feito divorciado de uma verdadeira preocupação em reter e ampliar a confiança dos públicos. Afinal, se você não confia num meio de comunicação ou em um jornalista, por que vai consumir as informações que eles distribuem? Por que vai dar atenção a eles, quando seu tempo é tão escasso e há tantas formas sedutoras de gastá-lo?

A crise do jornalismo é multidimensional, dinâmica e complexa

Pedro Varoni, editor do Observatório da Imprensa, me entrevistou sobre o livro que estou lançando: A crise do jornalismo tem solução? (Ed. Estação das Letras e Cores). O pessoal do Farol Jornalismo repercutiu na newsletter da última sexta (24/05). Na entrevista, tive a oportunidade de falar um pouco mais sobre a crise e o jornalismo local.

Na íntegra aqui.