Se você se afoga em números que mostram que o jornalismo sofre de uma crise terrível e cujo horizonte de sobrevivência está mais longe do que nunca, calma. Você não está sozinho. Eu também me nutro desse necessário veneno. Mas nem tudo são gráficos em vermelho, e há quem formule e pense soluções (sim, eu também).

O Laboratorio de Periodismo da Fundación Luca de Tena, da Espanha, listou esta semana três mudanças básicas que podem ajudar a recuperar a confiança nos meios de comunicação:

  1. Transparência radical: Ok, concordo. Todos concordam, mas quem se dispõe? A questão da transparência esbarra em muitas travas de caráter financeiro (ela gera despesas extras e pode comprometer fontes de ganhos), político (pois estremece focos de poder dentro das instituições) e culturais (jornalistas são tradicionalmente impermeáveis a mostrar e reconhecer erros e falhas). É um tema do momento e não pode ser considerado uma preocupação vã ou passageira…
  2. Ser confiável e ser coerente: Ok, ótimo. Mas há uma questão a ser resolvida: se se espera que um veículo seja plural e diverso, quanto de coerência se pode esperar dele? Superar esse impasse ajuda a definir uma espécie de lugar de fala do veículo, o que tem a ver com a próxima mudança…
  3. Ser “um dos nossos”: Ok, excelente! E esta dimensão tem a ver com prioridades editoriais e a necessidade de refazer pactos com os públicos, tendo diálogos mais abertos, constantes e horizontalizados. Requer disposição de quem dirige os meios e de quem os opera. Alguns jornalistas mais jovens demonstram menos resistência a essas trocas, mas sabem que – no dia a dia – elas implicam em mais trabalho e eventualmente mais desgaste público. É uma questão complexa, mas igualmente inadiável…

 

Da Inglaterra, David Caswell lista para o BBC Labs outras cinco ideias para ajudar a inovar no jornalismo em 2020:

  1. Proporcionar aos públicos produtos jornalísticos com valor único diante do que é oferecido. Só assim, os meios podem conseguir alguma vantagem competitiva no mercado da atenção…
  2. Romper com a dependência das plataformas digitais para construir relações diretas com seus públicos. Acho sensacional e urgente isso. Escapar das garras das Big Techs é um fator de sobrevivência imediata do jornalismo.
  3. Entregar notícias que correspondam às necessidades reais dos públicos. É óbvio, mas ironicamente tem sido cada vez mais difícil e raro…
  4. Restabelecer a confiança com os leitores entediados e que, aparentemente, abriram mão do jornalismo. Sim, é uma espécie de resgate, pois esse público é crescente.
  5. Preservar os valores do jornalismo e manter a perspectiva editorial humana. Também parece óbvio, mas não custa repetir.

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