Em nome da “liberdade”, meios desinformam em Santa Catarina

(Publicado originalmente no S.O.S. Imprensa)

A pandemia da covid-19 tem produzido estatísticas aterradoras, cenários dramáticos e grandes acrobacias discursivas. Governos se esforçam para nublar sua incapacidade de evitar mortes, e autoridades justificam porque não precisam usar máscaras em lugares públicos, como mandam os decretos. Não bastassem mais de 105 mil mortes no país e uma quantidade incontável de sofrimento, estamos também sob forte bombardeio de informações falsas, duvidosas ou simplesmente falaciosas. Em Santa Catarina, por exemplo, há veículos de imprensa que, sob o pretexto de defender liberdades, estão contribuindo com a epidemia de desinformação. É o caso do Grupo ND, que levantou a bandeira da “liberdade de tratamento”.

Em um polêmico editorial em seu jornal impresso, reproduzido também no portal de notícias e na emissora de TV (retransmissora da Rede Record), o Grupo ND vociferou que não era mais possível “aceitar a tutela do Estado” no combate à doença, e que cabia a doentes e médicos decidirem a melhor cura. O desprezo às recomendações de autoridades sanitárias internacionais veio no meio de julho, justamente o momento em que Santa Catarina começou a flexibilizar suas medidas de biossegurança. Foi quando o governador lavou as mãos, repassando a responsabilidade aos prefeitos. O relaxamento fez os números de casos e mortos triplicarem em semanas, ao mesmo tempo em que um prefeito de formação médica propalava o uso de cloroquina, ivermectina e até aplicações retais de ozônio.

Sob o pretexto de defender uma liberdade, a de se tratar, o conglomerado simplesmente renunciou à responsabilidade dos meios que abriga: informar com precisão e atrelado aos fatos. Sem estudos clínicos que comprovem sua eficácia, os tratamentos experimentais acabaram ganhando o mesmo status de importância e espaço no noticiário, o que contribui para a confusão popular. Com sua bandeira libertária, o ND vem alimentando um ecossistema de desinformação que pode matar. Assim, ganha força o discurso anti-científico, o negacionismo e o curandeirismo.

O que é preciso dizer é que a postura do Grupo ND é tão verdadeira quanto o efeito salvador desses medicamentos. Sua argumentação é sofismática porque ninguém acredita que o conglomerado esteja mesmo preocupado com a liberdade de tratamento das pessoas. Se assim estivesse, teria incluído em seu editorial o uso medicinal de canabidiol, por exemplo. No fundo, o que o grupo empresarial defende é a redução de supostas interferências estatais na vida social. Em recente entrevista, o empresário Marcello Petrelli fez saber sua visão de Estado mínimo, e de como não enxerga seu conglomerado de mídia entre as elites que comandam Santa Catarina. Em um discurso ambíguo, reconhece os governos, mas tenta se desvencilhar deles, históricos aliados.

Igualmente contraditória é a postura que desdenha de cientistas e autoridades sanitárias, mas relega a médicos a prerrogativa de decidir a melhor prescrição à covid-19. Isto é, o Grupo ND só reconhece a autoridade que lhe convém, seja um Estado que não melindra seus negócios ou uma política pública de saúde errática e frágil.

Mas uma empresa de comunicação não pode marcar posição sobre esses temas? Claro que pode, é um direito opinar e debater temas importantes. Mas os interesses de grupos privados não podem prevalecer sobre os interesses coletivos e a lei. A saúde e a vida são de interesse de todos, e grupos de comunicação precisam dar especial atenção a assuntos delicados que podem causar mortes. Não é ético nem moralmente defensável que um conglomerado jornalístico desinforme, confunda e desoriente seu público, a pretexto de defender liberdade de escolha. A mídia precisa ter responsabilidade sobre o que divulga, pois isso pode afetar decisivamente a vida individual e em sociedade. Sem essa preocupação, o jornalismo abandona sua finalidade pública: servir a população, provendo a coletividade de informação confiável, verdadeira e de qualidade.

Se a opinião do Grupo ND ficasse restrita a um editorial, poderíamos conter melhor os estragos. Mas não foi um gesto isolado. Faz parte de uma questionável convicção e de um perigoso projeto editorial. Em 14 de agosto, o ND celebrou um remodelado projeto gráfico de seu jornal e as novas estratégias de “sinergia” entre suas redações. Relembrou as bandeiras que defendeu em catorze anos de atuação em Santa Catarina, e mais uma vez soltou o grito de independência de tratamento. No alto da página e ao longo do texto, reproduziu fotos de divulgação do sulfato de hidroxicloroquina…

Democracia está em risco e depende muito do jornalismo

Nesses dias conturbados, de perseguições, censura e ataques a diversas camadas da sociedade, a democracia brasileira corre perigo e o jornalismo profissional pode ajudar muito a protegê-la. Falo sobre isso nesta entrevista que dei à colega Vera Sommer para a revista Vozes & Diálogo, da Univali.

Mais uma live: Ética no jornalismo, pandemia e fake news

Participo hoje de uma live promovida pelo NUJOC Checagem, da Universidade Federal do Piauí, sobre ética no jornalismo, pandemia e fake news. A atividade tem moderação do professor Marcio Granez e acontece a partir das 19 horas. Se quiser acompanhar, vá por aqui: https://is.gd/DialogosdeChecagem

 

Ética jornalística e desinformação: o vídeo do debate

SBPJor promove debate sobre ética e desinformação

Acontece hoje (8) à tarde, a partir das 16 horas, um debate promovido pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) sobre ética jornalística e desinformação. O evento faz parte do ciclo “A pesquisa em Jornalismo em tempos de Covid-19”, e é o segundo debate da série.

Estarei com a Silvia Moretzsohn falando sobre o assunto, com mediação do Rafael Bellan.

Para acompanhar e fazer perguntas, basta “sintonizar” nos perfis oficiais da SBPJor no Youtube e no Facebook.

Guerra entre Bolsonaro e jornalistas deve continuar em 2020

O ano de 2019 foi um ano pra lá de tenso nas redações, não só por causa de demissões e fechamento de títulos, mas também porque cobrir os atos do governo de Jair Bolsonaro foi, digamos, mais insalubre do que imaginávamos.

Houve violência verbal, truculência, ameaças e medidas arbitrárias vindas do principal ocupante do Palácio do Planalto…

Você acha que a guerra entre o presidente e o jornalismo profissional vai amainar em 2020? Eu acho que não, e explico tim-tim por tim-tim neste artigo especial para o objETHOS.

ATUALIZAÇÃO de 13/12/2019: Falei um pouco mais sobre isso com a jornalista Kassia Nobre do Portal Imprensa. Veja aqui a entrevista.

UFSC explica o que é liberdade de imprensa

Jornalismo, democracia e dados abertos, um evento

Daqui a dois dias, na sexta, 27, o Observatório da Ética Jornalística (objETHOS) vai realizar o evento Jornalismo, Democracia e Direito à Informação, uma jornada para debater dados abertos, cidadania informada e limites do jornalismo e do estado democrático de direito no Brasil. Nossos convidados são Sylvia Moretzsohn, Samuel Lima, Breno Costa e Maria Vitória Ramos, e a programação pode ser conferida aqui.

O evento é gratuito, aberto a todos, e teremos transmissão em tempo real pelo TwitterRádio Ponto UFSC e TJ UFSC.
A jornada marca os 10 anos do objETHOS, os 20 anos da Rádio Ponto e os 40 do Departamento de Jornalismo da UFSC.

Ética, mercado de trabalho e crise do jornalismo

Os cursos de Comunicação da Faculdade Ielusc, de Joinville, estão realizando desde ontem, 10 de setembro, a 9ª Semana Integrada de Comunicação. O evento vai até amanhã, 12, e pra fechar, vou falar um pouco de ética jornalística, mercado de trabalho e a crise que se abate sobre o jornalismo. Vou aproveitar também para lançar naquela cidade o livro “A crise do jornalismo tem solução?”

Para saber mais da semana, veja aqui.

Para saber mais do livro, aqui.

Patrões da mídia do sul querem um jornalismo vassalo

Líderes da mídia regional do sul do país foram tomar café com o presidente da República e demonstraram seu ímpeto bajulador. Contei em detalhes no Observatório da Ética Jornalística (objETHOS).

A liberdade é uma condição para o jornalismo ético

Desde a redemocratização, nunca a liberdade de imprensa correu tanto risco como agora no Brasil. Os últimos 34 anos mostraram governos de diversos matizes políticos, mas em nenhum deles o jornalismo foi tão atacado e o exercício da profissão sofreu tantas ameaças. São insultos, anúncios de cortes de verbas publicitárias, perseguições diversas, acusações mentirosas e outras estratégias para espalhar o medo nas redações.

Para ler na íntegra, vá por aqui.

A crise do jornalismo é multidimensional, dinâmica e complexa

Pedro Varoni, editor do Observatório da Imprensa, me entrevistou sobre o livro que estou lançando: A crise do jornalismo tem solução? (Ed. Estação das Letras e Cores). O pessoal do Farol Jornalismo repercutiu na newsletter da última sexta (24/05). Na entrevista, tive a oportunidade de falar um pouco mais sobre a crise e o jornalismo local.

Na íntegra aqui.

A crise do jornalismo tem solução? – onde comprar o livro

Sim, ele já está entre nós!

“A crise do jornalismo tem solução?” chegou da gráfica e começa a ser distribuído mundo afora.

Se você ficou interessado e quer ter o livro, há muitos caminhos:

> comprar direto na Editora Estação das Letras e Cores: versão impressa

> comprar na Amazon: e-book

> comprar na Kobo: e-book

> comprar na Barnes & Noble: e-book

E numa livraria perto de você!

Vem conversar comigo sobre o novo livro

Hoje (20/05), tem um bate-papo pela web sobre o livro A crise do jornalismo tem solução?, que estou lançando pela Estação das Letras e Cores. É às 16 horas – horário de Brasília – e de graça.

Aliás, quem participar, vai ganhar cupom de desconto na compra do livro.

As vagas são limitadas e a inscrição pode ser feita aqui.

A crise do jornalismo tem solução? está disponível em livro físico (aqui) e em versão ebook (aqui e aqui).

Vem!

Jornalistas devem seguir regras para usar dados pessoais de terceiros?

Jacob Granger informa no Journalism.co.uk que repórteres e editores estão sendo chamados para discutir bases de um código de conduta para a profissão que leve em consideração o uso dos dados pessoais de fontes e envolvidos em matérias e reportagens. O documento tentaria reequilibrar privacidade e liberdade de imprensa, mas atualizaria também o terreno agora que estamos vivendo em pleno capitalismo de vigilância ou dataísmo, como gosta de chamar o Yuval Harari.

Sim, jornalistas precisam discutir isso.

A questão é por onde começamos.

Outra questão é até onde podemos ir…

A crise do jornalismo tem solução?

Estou lançando “A crise do jornalismo tem solução?”, livro editado pela Estação das Letras e Cores na coleção Interrogações. Nele, discuto temas como colapso do modelo de negócios, perda de credibilidade, crise ética, problemas de governança no jornalismo e por aí vai…

É um livro curto e voltado ao público geral. Na verdade, acredito que a crise do jornalismo não interessa só aos repórteres e aos donos dos veículos. Essa crise afeta a todos, pois todos são afetados pelas notícias de alguma maneira.

Ficou interessado e quer ter o livro?
Aqui, alguns caminhos:

> comprar direto na Editora Estação das Letras e Cores: versão impressa

> comprar na Amazon: e-book

> comprar na Kobo: e-book

> comprar na Barnes & Noble: e-book

E numa livraria perto de você!

Meu novo livro está no prelo

Vem aí pela Estação das Letras e das Cores
Logo, logo, teremos mais informações sobre pontos de venda para além do site da editora.
E, sim! Vai ter ebook!

Revista sobre qualidade no jornalismo, democracia e ética prorroga prazo

Os editores do número especial sobre qualidade no jornalismo, democracia e ética da revista Estudos em Jornalismo e Mídia informam que o prazo de recebimento de artigos se estendeu um pouquinho. O deadline era 30 de março, mas propostas serão recebidas até dia 7 de abril.

Estudos em Jornalismo e Mídia é o periódico científico do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGJOR). Ele circula desde 2004, é semestral, gratuito, indexado em importantes bases internacionais, e é classificado como uma revista B1 no Qualis/Capes.

O número especial está sendo organizado por Carlos Camponez, da Universidade de Coimbra, e eu.

Para ter acesso à chamada de textos, vá por aqui.

Desinformação e eleições: uma publicação digital

A Artigo 19 acaba de lançar uma plataforma digital que junta reflexões e recomendações sobre desinformação, liberdade de expressão e eleições. A publicação digital traz ainda casos ocorridos na campanha eleitoral de 2018 no Brasil, episódios de ameaças a comunicadores, e entrevistas com especialistas. Entre os oito capítulos, um específico sobre WhatsApp…

Acesse aqui.

Vamos discutir jornalismo e cobertura de desastres?

Na próxima segunda-feira, 4, acontece o Seminário Coberturas Informativas de Desastres, iniciativa do Instituto Universitario para el Desarollo Social Sustenible (INDESS) da Universidad de Cádiz. Estarei com as professoras Marcia Franz Amaral e Esther Puertas, e os professores Carlos Lozano Ascensio e Jose Antonio Aparicio. O evento acontece em Jerez de La Frontera, na Espanha.

Mais detalhes aqui e no vídeo abaixo:

Uma série brasileira sobre jornalismo, ética e poder

Contracapa mostra uma equipe de jornalistas de um jornal impresso enfrentando situações de risco ao investigar um esquema de corrupção no Brasil. A série tem 12 episódios e estreou no dia 21 de janeiro na TV Brasil e TV Educativa Paranaense. Com criação de Rafael Waltrick, direção geral de Guto Pasko e produção de Andréia Kaláboa, Contracapa deve ter uma segunda temporada, informa a GP7 Cinema.

Uma resenha sobre o novo livro de Stephen J. Ward

No ano passado, li o mais recente livro de Stephen J. Ward – Disrupting Journalism Ethics – e minha resenha acaba de ser publicada na revista Estudos em Jornalismo e Mídia, do Posjor/UFSC. O livro reúne algumas das principais ideais desse que é um dos autores mais influentes da ética da comunicação. A resenha está aqui.

A edição da EJM traz também artigos sobre diversidade, produção e recepção, e vale a pena ser consultada. Por aqui, por favor.

Conferência sobre ética na mídia recebe artigos até 28/02

Pesquisadores têm pouco mais de um mês para encaminhar suas propostas de comunicação científica para a 5ª International Conference On Media Ethics, que acontece em Sevilha, em 28 e 29 de março. São 9 eixos temáticos: Autorregulação e deontologia; Cidadania ativa e mídia; Proteção de grupos vulneráveis; Igualdade de gênero e comunicação; Ética na arte e na mídia; Publicidade e Relações Públicas; Media Accountability; Teorias da Comunicação e implicações éticas; Estudos sobre Rádio e TV.

O prazo para recebimento vai até 28 de fevereiro, e são aceitas propostas em português, inglês e espanhol.

A chamada pode ser conferida aqui.

Mais informações em: https://congreso.us.es/mediaethics/

Precisamos de mais redes de afeto

Na semana passada, lançamos em Coimbra a Rede Lusófona pela Qualidade da Informação. “Lançar uma rede” é uma expressão recheada de significados aqui e isso tem a ver com o próprio ato do pescador que desafia a madrugada em busca de sustento. No fundo, esse é um gesto de esperança, de quem deseja colher bons frutos.

Foi um dia especial aquele, e na saída, a tarde se despedia no Pátio das Escolas, no coração de uma das universidades mais antigas do Ocidente. Falei por alguns minutos na cerimônia de criação da RLQI, representando os signatários, e foi mais ou menos assim:

Ao cumprimentar o Magnífico Reitor da Universidade de Coimbra, estendo a saudação às demais autoridades, aos signatários desta rede e ao público presente.

Agradecemos a acolhida da Universidade de Coimbra nesses dias e, em especial, ao professor Carlos Camponez, por seu entusiasmo e profissionalismo, o que resultou na ampla articulação desta Rede Lusófona pela Qualidade da Informação.

Estamos felizes!

Não porque o congresso esteja terminando, mas porque este é um momento muito especial.

Um certo português escreveu certa vez que “Deus quer, o homem sonha e a obra nasce”. Sim, a Rede Lusófona pela Qualidade da Informação surge e ela é fruto de sonhos, mas sabemos bem que teremos que trabalhar muito para que ela se torne realidade. O português que escreveu esse verso era muitas pessoas, e ele disse também que “o mesmo mar que separa, une”.

Somos uma rede unida pelo mar, mas não somos uma rede de territórios, de países, de mapas. Somos uma rede unida por algo mais poderoso ainda: a língua portuguesa. Não se pode prender, acabar ou fazer desaparecer uma língua. Ela habita o nosso interior e ajuda a constituir os sujeitos. “A língua é minha pátria”, escreveu mais uma vez aquele português.

A Rede Lusófona pela Qualidade da Informação surge hoje, dia 14 de novembro de 2018. Amanhã é dia 15, e no meu país, o Brasil, se comemora o Dia da Proclamação da República. Muitos colegas vieram nos últimos dias conversar comigo, preocupados com os rumos do Brasil, depois dos resultados das eleições. Eles perguntavam sobre o país e eu tampouco sei explicar o que se passa por lá. E o que é pior, se num futuro breve, teremos república, teremos Brasil…

Temos cada vez mais claro que as eleições deste ano foram atípicas, e que foram contaminadas por notícias falsas, por um sistema sofisticado de desinformação, típico do que estamos chamando mais recentemente de pós-verdade. Neste contexto, é muito oportuno criar uma Rede Lusófona pela Qualidade da Informação, afinal, os meus colegas não estão preocupados apenas com o Brasil, mas com a democracia como um todo. Estão também preocupados com o jornalismo, isso que ajuda as pessoas informadas a tomar decisões pequenas e grandes.

Sim, uma Rede Lusófona pela Qualidade da Informação tem muito a fazer.

Mas uma rede como essa salva a democracia? Não.

Salva o jornalismo? Também não.

Mas por outro lado, vamos ficar parados e calados? Claro que não.

Este é um tempo difícil, e é cada vez mais necessário criar redes de cooperação, elos de trabalho, vínculos coletivos. Precisamos de redes de afeto, de respeito e de conhecimento.

Uma rede é feita de nós, e precisamos fortalecer esses laços. Precisamos tramar novas redes, de afetos e trabalho, e assim, desafiar o mar revolto.

Estamos felizes sim. Muito obrigado!

Vem aí uma rede lusófona pela qualidade da informação

Nos dias 13 e 14 próximos estarei em Coimbra para o Congresso Internacional Ética e Deontologia do Jornalismo no Espaço Lusófono, um evento que vai apresentar as mais atuais pesquisas científicas na área entre os países que falam português e que vai lançar oficialmente a Rede Lusófona de Qualidade da Informação (RLQI).

A rede vai integrar membros acadêmicos e profissionais dos nove países da comunidade em língua portuguesa para fazer pesquisas internacionais, para fomentar debates e produzir materiais que contribuam para o aumento da qualidade na área.

Para acompanhar, siga por aqui.

10 livros necessários sobre ética jornalística

Em março deste ano, o Brio Hunter me pediu uma lista de obras essenciais sobre ética jornalística. Fiz e eles publicaram. Como nas últimas semanas outras pessoas me perguntaram a mesma coisa, repito por aqui.

>>> Lembrando: toda lista é incompleta e tem forte impacto das idiossincrasias de seu autor. Portanto, se você quiser sugerir outros 10 livros, use a caixa de comentários! 😉

Os elementos do jornalismo – Bill Kovach e Tom Rosenstiel
Em linguagem clara e acessível, os autores listam 9 fatores fundamentais para o exercício dos jornalistas, e cravam uma definição muito certeira para a nossa profissão: jornalismo é uma disciplina da verificação. Em tempos de fake news, nada mais atual.
O jornalista e o assassino – Janet Malcom
Como deve ser a relação entre jornalistas e fontes? Somos honestos com elas? Essas questões delicadas e nem sempre enfrentadas são abordadas pela jornalista e escritora, que se apoia num caso verdadeiro que envolveu um médico acusado de homicídio e seu biógrafo jornalista.
Jornalismo, Ética e Liberdade – Francisco José Castilhos Karam
Livro muito útil para novatos, pois traz temas e casos importantes sobre o jornalismo brasileiro. Livro muito importante para os jornalistas mais experientes, pois nos convida a repensar atitudes, procedimentos profissionais e vícios nas redações.
O papel do jornal e a profissão de jornalista – Alberto Dines
Um clássico do jornalismo brasileiro, muitas vezes não lido com a devida atenção. Alberto Dines é um dos jornalistas mais experientes e lúcidos do país e um grande crítico da mídia. O livro foi escrito na década de 1970 para tratar da crise do papel de imprensa e para abordar também a função do jornalista na sociedade. Décadas depois, foi revisado, atualizado e reescrito, permitindo novas discussões sobre o que fazemos pela sociedade.
Atuação da mídia – Dennis McQuail
Uma das expressões mais repetidas pelos jornalistas é “interesse público”. Sob ele, faz-se jornalismo, mas também se cometem muitos abusos. O autor enfrenta a questão, ampliando a reflexão sobre como os meios de comunicação atuam em sociedades complexas como as nossas. Livro mais denso, mas necessário.
Ética aplicada: Comunicação Social – vários autores
Esta é uma coletânea lançada no ano passado que traz autores de língua portuguesa, repensando aspectos da ética não só jornalística, mas de outras áreas relacionadas. Boa oportunidade para quem quer se atualizar e mergulhar no assunto. Alguns capítulos são mais áridos, outros, menos. Mas extremamente útil, ainda mais porque pensado e escrito na nossa língua.
El zumbido y el moscardón – Javier Darío Restrepo
O autor é um dos mais renomados jornalistas especializados em ética profissional da América Latina. Colombiano, Restrepo se dedica a responder num site perguntas práticas sobre o cotidiano de repórteres e editores. É o que o leitor encontra nos dois volumes da obra. Em espanhol.
Online Journalism Ethics – Jane B Singer & Cecilia Friend
Já faz mais de dez anos que essas duas professoras lançaram o livro, mas ele é uma das primeiras (e melhores) tentativas de atualizar os dilemas éticos jornalísticos. Há questões ali, como a moderação de comentários em sites e redes sociais, a checagem de fatos, e o uso de conteúdos gerados pelo usuário que ainda são muito discutidas na área. Em inglês.
The new ethics of journalism – Kelly McBride & Tom Rosenstiel
Uma obra para quem quer enfrentar mesmo os dilemas mais atuais da profissão, principalmente as questões mais delicadas envolvendo tecnologia. O livro é resultado de um conjunto de mesas redondas, debates e eventos nos Estados Unidos, e os capítulos são assinados por profissionais reconhecidos e acadêmicos especializados. Em inglês.
Journalism after Snowden – Emily Bell e Taylor Owen
Livro fresquinho que reúne textos de jornalistas e acadêmicos sobre o que tem mudado nas sociedades ocidentais (principalmente, nos Estados Unidos e Reino Unido) após as denúncias de Edward Snowden. Vigilância em massa, espionagem de jornalistas, novos relacionamentos com as fontes, liberdade de imprensa e grandes plataformas de tecnologia. Está tudo lá. É um livro necessário para os nossos tempos. Em inglês.
UM BÔNUS:
Acredite, estou mentindo – Ryan Holiday
Este não é um livro de princípios jornalísticos, nem um manual de como agir corretamente. É um contundente relato de um confesso manipulador de mídias. Com uma sinceridade impressionante, Holiday conta como – por anos! – enganou jornalistas, blogueiros, públicos, anunciantes, usando as próprias ferramentas da mídia. Serve de alerta.

Congresso de ética nos países lusófonos amplia prazo

Os organizadores do Colóquio Internacional Ética e Deontologia do Jornalismo no Espaço Lusófono que acontecerá na Universidade de Coimbra (Portugal) decidiram alargar a sua chamada de trabalhos. Agora, quem deseja enviar seu resumo de comunicação científica deve fazê-lo até o dia 30 de setembro.

O evento acontece nos dias 13 e 14 de novembro próximos e faz parte do 5º Congresso Internacional de Comunicação. Mais informações aqui.

Quatro eventos internacionais sobre ética da comunicação

Agende-se porque as dicas abaixo valem muito a pena:

# 5º Congresso Internacional de Comunicação: Ética e Deontologia do Jornalismo no Espaço Lusófono
13 e 14 de novembro de 2018, em Coimbra, Portugal.
Deadline: 10 de setembro
Veja a chamada: aqui

# 5ª International Conference On Media Ethics
28 e 29 de março de 2019, em Sevilha, Espanha.
Deadline: 28 de fevereiro
Veja a chamada: aqui

# International Conference of Center for Journalism Ethics: Gender, Ethics, Journalism
29 de abril de 2019, em Madison, EUA
Mais informações em breve: aqui

# 20ª Annual Convention of the Media Ecology Association: Media Ethics – Human Ecology in a Connected World
27 a 30 de junho de 2019, em Toronto, Canadá.
Deadline: 1 de dezembro
Veja a chamada: aqui

Ética jornalística, uma edição especial

 

cover_issue_249_pt_PTA revista portuguesa Media & Jornalismo, editada pela Universidade Nova de Lisboa, acaba de publicar uma edição com um dossiê sobre ética jornalística, novos e velhos dilemas. O número foi editado por Carla Baptista e Alberto Arons de Carvalho e tem um sumário muito variado:

Reconstructing journalism ethics: disrupt, invent, collaborate – Stephen J. A. Ward
Novas responsabilidades do jornalismo face à liquidificação da profissão: fundamentos normativos, valores, formação – Carlos Camponez
Regulação participada e regulação em parceria como resposta aos desafios da profissão – João Miranda
Direito e proteção à privacidade em códigos deontológicos de jornalismo – Rogério Christofoletti, Giulia Oliveira Gaia
A liberdade de consciência do jornalista precisa de proteção especifica a bem da independência no seu trabalho, do pluralismo e da democracia? – Otília Leitão
O lucro social e financeiro do jornalismo de investigação – Pedro Coelho, Marisa Torres da Silva
Tendências do jornalismo de investigação televisivo a partir do estudo de caso da reportagem da TVI “Segredo dos Deuses” – Carla Baptista
Debates da história: a evolução do conceito de objetividade em Umberto Eco – Marco Gomes
Jornalistas brasileiros no banco dos réus: enquadramentos de sentenças judiciais em ações de dano moral – Caetano Machado, Carlos Locatelli
O ethos do jornal O Globo e a campanha contra as fake news – Vivian Augustin Eichler, Janaína Kalsing, Ana Gruszynski
Fake news nas redes sociais online: propagação e reações à desinformação em busca de cliques – Caroline Delmazo, Jonas C. L. Valente
Journalism at the crossroads of the algorithmic turn – Francisco Rui Cádima
O jornalismo no contexto da Web Semântica – Bruno Viana
Dissimulacro-ressimulação: ensejos da cultura do ódio na era do Brasil pós-verdade – Paulo Quadros
Resenha do livro Radical Media Ethics, de Stephen J. Ward – Dairan Paul

Para baixar os artigos gratuitamente (ou a edição completa), vá por aqui: http://impactum-journals.uc.pt/mj/issue/view/249

Seminário de crítica de mídia em BH

Começa amanhã na PUC-Minas o Seminário de Crítica de Mídia, evento que vai até o dia 26. O seminário é promovido e realizado pelo Centro de Crítica de Mídia e a programação está carregada de bons temas e debates.

Darei uma passadinha por lá porque me encarregaram de palestrar sobre ética e crítica de mídia. Estou bastante ansioso para conversar com os colegas mineiros sobre o tema. Uma pena eu não poder ficar por mais tempo. Se você estiver por lá, não perca. Veja a programação:

Dia 24 de abril:
8h50: Conferência de abertura – Cinema e Sociedade, Diálogos Críticos, com Pablo Villaça
10h40: Conferência 2 – Crítica da Mídia: Cobertura do Futebol, com Cândido Henrique e Marcelo Carvalho
15h20: Conferência 3 – Ética e Crítica da Mídia, com Rogério Chistofoletti
17h10: Conferência 4 – Observatórios e Grupos de Pesquisa: Experiências de Crítica Midiática, com  Ercio Sena (CCM), Paula Simões (GRISLAB) e Daniela Lopes (MID)

Dia 25 de abril:
8h50: Conferência 5 – Luta por Reconhecimento e Crítica da Mídia, com Francisco Bosco
10h40: Conferência 6 – Rituais de Consumo Midiatizado, com Bruno Pompeu
15h20: Conferência 7 – Reflexividade no Cinema, com Alice Riff
17h10: Conferência 8 – Música e Memória: Construções Biográficas no Cinema e na Mídia, com Bruna Santos, Graziela Cruz e Mozahir Salomão Bruck

Dia 26 de abril:
8h50: Conferência 9 – Memória, consumo e práticas lúdicas: Cosplay, Medievalismo e Steampunk, com Mônica Ferrari
10h40: Conferência 10 – Semiótica Aplicada à Publicidade, com Clotilde Perez
15h20: Conferência 11 – Dinâmicas Identitárias nas Redes Sociais, com Beatriz Polivanov
17h10: Conferência 12 – Políticas do Streaming: Algoritmos e Curadoria Musical, com Rodrigo Fonseca

Mais informações:
http://ccm.fca.pucminas.br
https://www.facebook.com/ccmpucminas/
https://www.facebook.com/events/169104453789932/