o blog da petrobras e os interesses desacomodados

Há milhões de anos, quando o maior dinossauro chegava à beira do lago para beber água, causava tremores, derrubava árvores, fazia fugir animais menores e trazia muita confusão para o local. Pelo menos por um curto período, ele mudava o panorama da região. Não era novidade nenhuma matar a sede por ali, mas a chegada do gigante causava desconforto geral.

Passado tanto tempo depois disso, a história se repete, e na blogosfera brasileira.

Desde o dia 2 de junho está na rede o Fatos e Dados, blog oficial da Petrobras. Isso equivale dizer que a maior empresa do país aderiu a alguns dos caminhos da web 2.0, aquela da participação, da colaboração, do compartilhamento de arquivos, de busca de maior transparência. Até aí, parece que não há nada demais, né?

Pois a Petrobras chega à blogosfera mais de uma década depois do surgimento dos blogs, e chega vestindo a indumentária do momento. Seu blog está hospedado no WordPress, gratuito, e não num sistema próprio de publicação. Seu visual aproveita um dos templates disponíveis, e não há nenhum acessório ou traquitana inovadora do ponto de vista tecnológico. Não importa. Um dinossauro é sempre um dinossauro, e embora esteja camuflado com texturas brandas, seu vigor e força são os de um gigante. O que significa dizer que o que importa no Fatos e Dados são o espírito e a motivação. O espírito é a quantidade de informações e notícias que uma empresa como a Petrobras gera a cada dia, e que interessa a milhões de pessoas. A motivação pode ser traduzida por uma “linha editorial” que se pretende ser mais transparente e aberta, divulgando dados e fatos, até mesmo antes da mídia tradicional.

E aí, o dinossauro começa a incomodar a fauna já estabelecida.

Vazamento ou transparência?

O fato é que o blog da Petrobras já criou gritaria entre alguns jornais e entidades ao divulgar não só comunicados oficiais, mas também perguntas e pedidos de informação de jornalistas. Com isso, provoca uma situação nova nas relações entre fontes e jornalistas no país, já que pode prejudicar investigações sigilosas, alertar concorrentes sobre matérias em andamento ou mesmo evidenciar que os veículos de comunicação distorcem ou corrompem algumas informações ao divulgá-las.

Folha de S.Paulo e O Globo se queixaram do que acusam ser um vazamento premeditado de informações, de forma a virar o jogo sobre a mídia. Carlos Castilho lembra que isso já se dá nos Estados Unidos, por exemplo, onde algumas fontes de informação têm seus próprios canais de difusão de dados. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) lançou nota, condenando a postura da Petrobras: “Ao agir dessa forma, a Petrobras inibe os meios de comunicação e os jornalistas que precisam verificar com a empresa informações de eventuais reportagens que serão veiculadas”. A Abraji pede uma revisão de política por parte da Petrobras.

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) também lançou documento oficial, criticando a “canhestra tentativa de intimidação” da estatal.

A Petrobras respondeu às críticas, lançando mão de conceitos e práticas do próprio jornalismo:

A noção de confidencialidade e sigilo, como a própria nota da ANJ registra, é um princípio que norteia a relação dos jornalistas com suas fontes (pessoas ou empresas, consultorias). O objetivo principal é preservar aqueles que passam informações aos jornalistas e que, por qualquer motivo, precisam ou querem se manter no anonimato. Mas não há compromisso semelhante de confidencialidade e sigilo da fonte para o jornalista, pois isso limitaria o próprio caráter público e aberto da informação.

Passos de gigante

Parte da blogosfera nacional convulsiona nos últimos dias com a novidade. Avelar fala do “desespero da mídia”, Túlio Viana ironiza dizendo que O Globo quer ter o monopólio das perguntas e das respostas. Azenha lista dez razões que explicariam porque jornais atacam o blog da Petrobras. Sergio Leo responde a Azenha e dá bons argumentos contra a ação do Fatos e Dados. Comentários abundam nesses e noutros blogs, e o estrago já é uma realidade.

A chegada da Petrobras à blogosfera é um movimento que transcende a opção de uma grande empresa por canais gratuitos e mais ágeis de informação. Trata-se de uma briga ruidosa e de contornos brutais. A Petrobras tem lucro superior a PIB de muitos países, é uma grande anunciante, uma expressiva financiadora de projetos. Seus interesses nem sempre coincidem com os do país ou com os de largos setores da sociedade. Afinal, é uma empresa colossal, de escala mundial e agressiva nos segmentos que opera. Grandes jornais como a Folha e O Globo – a exemplo de outros veículos – não querem ficar nas garras desse dinossauro. Mas o gigante já está à beira do lago, sua presença esbarra nos interesses comerciais da mídia, seu hálito incomoda.

O blog da Petrobras pode constranger, intimidar, acuar pequenos e grandes meios, jornalistas experientes e novatos. O blog da Petrobras não tem que se submeter aos preceitos da ética jornalística, já que seus produtores são assessores de comunicação, cujas condutas devem se orientar pelos interesses da empresa. Sei que essa discussão de uma ética distinta para os assessores causa arrepios em muita gente, e quero tratar disso numa outra ocasião. Mas o fato é que o blog da Petrobras expõe nervos infeccionados da relação mídia-fontes de informação.

Não estou convencido de que o blog da Petrobras seja um mal para o jornalismo. É mais um canal de informação, que pode ser confiável ou não, e que pode contornar a mídia para chegar ao público. Ao prescindir dos meios tradicionais, o blog contraria interesses de quem ainda quer manter uma comunicação de mão única, o monopólio das formas de informação. O blog da Petrobras não é um mal para o jornalismo, mas pode ser para alguns jornalistas. As coisas estão mudando muito rápido nos últimos tempos, e essa é mais um desafio para os jornalistas. O jornalismo mantém o seu compromisso de buscar a informação custe o que custar, colidindo com interesse da petrolífera ou não. Os jornalistas que não quiserem ficar sob a sombra do dinossauro precisarão ser ágeis, versáteis, inteligentes. Nem todos os dias pertecem ao predador…

mais um seminário sobre qualidade no jornalismo

O amigo Josenildo Luiz Guerra, da Universidade Federal de Sergipe, informa:

Renoi e UNESCO promovem seminário sobre Qualidade

A Rede Nacional de Observatórios de Imprensa e a UNESCO realizam nos dias 8 e 9 de junho, em Aracaju, o I Qualicom – Seminário Qualidade em Comunicação. A iniciativa resulta de uma parceria entre a Renoi e a UNESCO para o desenvolvimento da pesquisa “Indicadores de Qualidade Jornalística”. A organização local do evento cabe ao Laboratório de Estudos em Jornalismo da Universidade Federal de Sergipe, grupo de pesquisa vinculado à Renoi.

O seminário vai apresentar propostas e estudos sobre a avaliação de qualidade de produtos jornalísticos e também de audiovisuais. Além disso, vai por em discussão documentos como o Media Development Indicators, da UNESCO, sobre os indicadores de qualidade da comunicação, em especial, do jornalismo.  Segundo o prof. Josenildo Guerra, coordenador do I Qualicom, “o tema ainda é muito pouco estudado e aplicado, com rigor e método, seja na avaliação dos produtos seja na gestão dos processos de produção em jornalismo. Daí a importância do seminário”.

O Qualicom terá como expositores, entre outros convidados, o coordenador de Comunicação e Informação da Representação da UNESCO no Brasil, Guilherme Canela, e dois pesquisadores da Universidad Autónoma de Barcelona, Angel Bravo e Catalina Norminanda Montoya, que pesquisam o tema da qualidade no audiovisual.

O primeiro seminário sobre o tema da qualidade foi realizado no dia 13 de maio, sob a coordenação do professor Rogério Christofoletti, do Monitor Mídia, na Univali, em Itajaí – SC. Outros dois seminários serão realizados em São Paulo, na Universidade do Sagrado Coração, em Bauru, e na Universidade Federal de São Carlos nos dias 18 e 25 de junho, respectivamente, coordenados por Danilo Rothberg (Renoi-UNESCO)

uma falsa questão para a comissão das diretrizes curriculares em jornalismo

pingos_nos_isApós uma oportuna jornada de audiências públicas envolvendo diversos setores interessados da sociedade, a comissão de especialistas que trabalha na reforma das diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo trabalha para finalizar um documento-síntese sobre o tema. O texto deve ser encaminhado ao Ministério da Educação em meados de agosto, para avaliação e tramitação no Conselho Nacional de Educação. Entre a versão da comissão e o texto final das novas diretrizes, muita coisa pode acontecer. Há quem ainda peça mais tempo para discussão e reflexão sobre o tema – é o caso da Fenaj -, mas sabemos todos que mudanças nos cursos de Jornalismo são ansiadas e até mesmo urgentes.

A comissão trabalha nas sugestões feitas, e talvez não seja mais possível agregar novas contribuições. Por isso, apenas sinalizo aqui um temor pessoal nas últimas rodadas de discussão que li em sites e blogs. Receio que ganhe cada vez mais relevo um aspecto que, na minha forma de ler, é uma falsa questão para a comissão de especialistas.

Nas últimas semanas, muito decorrente da terceira audiência pública promovida pela comissão, diversos atores sociais manifestaram suas preocupações com uma formação mais humanística nos cursos de Jornalismo. Mais que isso, frisaram da necessidade de se construir currículos com fortes doses de disciplinas desse naipe, de maneira a garantir formação mais amplas e sólidas aos novos jornalistas.

Penso que essa é uma falsa polêmica, uma falsa questão para o tema.


Desvio de função

Estive em São Paulo na terceira audiência e percebi uma clara tendência de sugestões em torno de conteúdos a serem incluídos nos currículos dos cursos de Jornalismo. Diversos colegas que usaram o microfone se restringiram a defender certas unidades de ensino e disciplinas em detrimento de outras, e muitas dessas sugestões são realmente muito bem vindas. No entanto, não era o caso de fazê-las ali. E por uma questão simples: a comissão que trabalha nas diretrizes NÃO VAI DITAR NOVOS CURRÍCULOS para os cursos. A comissão vai elaborar um texto que sinalize orientações mais gerais de formação. Daí que o documento das atuais diretrizes curriculares sinalize perfis desejáveis para os egressos dos cursos e competências e habilidades a serem perseguidas e desenvolvidas.

A LDB prevê as diretrizes, e essas diretrizes apontam os focos de formação esperados. Cabe aos gestores – coordenadores e coordenadores pedagógicos – estruturarem seus currículos de forma a satisfazer tais diretrizes. Por isso que as sugestões de conteúdo – embora ricas e interessantes – feitas na terceira audiência pouco importam à comissão. Se os especialistas se detiverem a listar conteúdos para rechearem currículos, estaremos retornando à lógica dos currículos mínimos dos anos 1980 e incorrendo num tremendo desvio de função da comissão.

Sei que esse risco é pouco provável. Na terça, 26 de maio, o presidente da comissão, José Marques de Melo, disse no programa televisivo do Observatório da Imprensa que não cabia àquele colegiado ditar novos currículos para os cursos. Mesmo sabendo que a comissão está consciente desse papel, é importante tornar muito claro o alcance de um documento como o das diretrizes curriculares.


Mais humanidades. Mais?

O coro ouvido nas últimas semanas clamou para que os cursos de Jornalismo contemplem uma formação mais humanística. Acho importante e oportuna a sugestão. Entretanto, ela precisa ser colocada em perspectiva para que se possa avaliar a sua real pertinência. Proponho ao leitor que pense em cinco escolas de Jornalismo no Brasil. Peço então que entre em seus sites e que acesse suas matrizes curriculares, seus ementários ou – quem sabe? – seus projetos pedagógicos. Notem a proporção de disciplinas específicas para a formação jornalística e as que poderiam ser classificadas como disciplinas mais amplas, de sustentação e formação humanística.

Posso afirmar que quaisquer que sejam as escolas listadas pelo leitor, em todas elas veremos disciplinas como Sociologia, Antropologia, História, Filosofia, Psicologia, entre outras. Veremos a clara preocupação de oferecer saberes de base para que os futuros jornalistas estejam preparados para analisar cenários e compreender realidades. Veremos também algumas tentativas de conexão entre essas unidades de conhecimento com a prática jornalística. Pois bem. Não é demais dizer que as humanidades fazem parte da formação oferecida nos cursos de Jornalismo, e eu estenderia isso a todo o Brasil. Venho desenvolvendo uma pesquisa sobre ensino de deontologia jornalística entre os cem cursos mais tradicionais do país. Isso tem me obrigado a analisar matrizes curriculares e ementas, e o que venho encontrando – entre outras coisas – é esta presença bem evidente de disciplinas de humanidades.

Com isso, pergunto: se os cursos já oferecem doses elementares de humanidades, precisamos valorizar ainda mais esse tipo de formação? Essa formação ampla é mais importante que a específica, voltada ao exercício profissional? Existe fórmula para equilibrar esses termos da equação?

Ana Arruda Calado, no mesmo programa do Observatório da Imprensa, foi pontual na questão: o problema não está na quantidade desses conhecimentos, mas na integração das formações humanística e específica. Isto é, precisamos trabalhar melhor nossas matrizes curriculares, nossas ementas, nossos planos de ensino, de forma a fazer com que as humanidades não sejam mais adereços nas situações de sala de aula, mas se amalgamem com as práticas da profissionalidade. Neste sentido, estendo o mesmo raciocínio para a falsa dicotomia teoria-prática, que também carece de mais atenção por professores e supervisores pedagógicos.

Cinismo e injustiça

Pareceu-me que o argumento dos defensores de mais humanidades nos cursos de Jornalismo está baseado na generalização de que os novos jornalistas chegam às redações totalmente despreparados. Isso é possível sim. É plausível que os egressos que não tiveram experiências profissionais anteriores ou simulações pedagógicas dos desafios das profissões desaguem nas redações como quem não sabe a que veio. Mas isso não é “privilégio” dos cursos de Jornalismo. Em outras áreas, existem claras oportunidades de ensaio, de exercício, de estágio supervisionado. Jovens formados em Medicina precisam passar por tempo de residência; concluintes dos cursos de Direito estagiam em escritórios do ramo, bem como egressos da Engenharia não saem por aí assinando projetos…

Dos jovens jornalistas espera-se que saiam completos, maduros e competentemente formados para o trabalho. Esquecem-se que a lei que regulamenta a profissão impede o estágio na área, e que muitas escolas de Jornalismo não detêm bons laboratórios para atividades práticas que poderiam servir de ensaios profissionais. Mesmo assim, exige-se que os jovens jornalistas saiam plenamente aptos à lida cotidiana.

Não se trata de passar a mão sobre a cabeça dos egressos. Não. Defendo que os cursos de Jornalismo contribuam de maneira decisiva para a transformação de amadores em profissionais capacitados para a atividade. Defendo também que sejam cursos de qualidade, com alta exigência pela excelência técnica, com grande potencial para formar jornalistas críticos e conscientes, responsáveis e éticos. No entanto, é  – no mínimo – cinismo esperar que os egressos desses cursos saiam plenamente preparados para um mercado em transformação se tanto a formação acadêmica quanto seu entorno são incapazes de assegurar condições plenas de capacitação. Isso sem contar na idéia equivocada de formação restrita aos quatro anos de curso. Profissionais – e jornalistas não estão fora disso – devem estar em constante formação, reciclagem e aprimoramento…

Foco na formação

Mesmo que o argumento seja generalizador, cínico e injusto, ele nos ajuda a ajustar o foco da formação que se deve perseguir nos cursos de Jornalismo. Os jovens jornalistas chegam crus nas redações? As razões são muitas, mas os erros e deslizes que colhemos todos os dias não estão circunscritos apenas nos focas. Gente muito experiente tem derrapado por aí. E não por conta de formações humanísticas deficientes, mas sim por problemas de formação específica em jornalismo.

Jovens repórteres têm saído para suas matérias sem saber como e onde buscar informações. Muitas vezes, não sabem formular perguntas ou conduzir entrevistas. Jovens pauteiros elaboram pautas inconsistentes ou que pouco orientam repórteres. Editores, nem sempre jovens, penam em como articular os conteúdos e materiais que têm à disposição e que devem oferecer ao público.

Isto é, os egressos dos cursos de Jornalismo precisam ter acesso a disciplinas e conteúdos que lhe permitam ler cenários, compreender realidades, analisar circunstâncias. Estudantes de Jornalismo precisam ter aulas de Sociologia, mas não sairão sociólogos formados. Sairão jornalistas que precisam saber buscar informações, apurar, relatar com precisão e correção. Sairão jornalistas que devem inquirir sociólogos, antropólogos ou outras fontes de informação com rigor, atenção e foco.

Por isso, insisto, a defesa de conteúdos mais humanísticos nos cursos de Jornalismo é uma falsa questão. Não é o que a comissão busca. Os cursos já têm disciplinas dessa natureza, e nossos problemas de formação têm sido mais graves na capacidade dos jovens profissionais atuarem bem na especificidade da profissão.

Britto, por que no te calas?

Britto Jr acha que apresentar reality show é fazer jornalismo.

Pelo jeito, ele também se acha um Pedro Bial.

Ah, coitado!

monitor tem reportagem multimídia premiada

O 10º Intercom Sul terminou ontem em Blumenau com o anúncio dos vencedores nas diversas categorias do Expocom, um verdadeiro festival competitivo de produtos de comunicação produzidos por alunos de graduação. Fiquei particularmente feliz e orgulhoso com a vitória da reportagem multimídia “Qual o futuro da praia brava?”, produzida por meus alunos e publicada inicialmente no Monitor de Mídia.

O material é experimental, investigativo, equilibrado jornalisticamente, e muito interessante do ponto de vista da narrativa multimídia. Ficou curioso? Veja a reportagem aqui.

Os autores são Stephani Loppnow, Gabriela Forlin, Marina Fiamoncini e Joel Minusculi. A mesma reportagem já havia ficado em segundo lugar no Prêmio Caixa-Unochapecó de Jornalismo Ambiental!!!

agonia da gazeta mercantil: a foto do cadáver?

Leitor, olhe com atenção a página abaixo. Sim, ela pode ser a capa da última edição da Gazeta Mercantil, jornal que já foi o principal diário dirigido a economia, negócios e finanças no Brasil.

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Conhecido por ser um jornal sisudo na linguagem e no visual, a Gazeta Mercantil resistiu à adoção de cores e à publicação de fotos em suas páginas. Tanto pelo público a que se orienta quanto pelo segmento a que cobre, o jornal muito provavelmente nunca estampou fotos chocantes em suas primeiras páginas. Irônico é ver a página reproduzida abaixo como uma autêntica foto de cadáver, o ponto final de um veículo de comunicação importante, influente, necessário.

Para saber mais da crise na Gazeta Mercantil e como a situação chegou a este ponto, vá por aqui.

diretrizes curriculares: um texto de eugênio bucci

O Observatório de Imprensa publicou há pouco (mais) um excelente texto de Eugênio Bucci, agora tratando dos debates sobre as novas diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo. Bucci participou da terceira audiência pública que a comissão que trabalha nas diretrizes convocou. E na ocasião, em pouco mais de dez minutinhos, lançou sugestões de conteúdos que deveriam preencher os currículos.

No texto do Observatório, Bucci amplia o escopo de sua fala. Vai além dos quatro eixos que havia formulado, e ainda reflete sobre o momento de crise do jornalismo, e o enfado nas universidades. Imperdível!

Leia aqui.

lost, house e a salvação do jornalismo

Na semana passada, meus seriados favoritos encerraram suas temporadas. Naquela ilha misteriosa, os passageiros do vôo 815 da Oceanic Air estão mais perdidos ainda: viagens no tempo, gente que morre e que retorna, guerra de facções, bombas exterminadoras… Quem acompanha a saga de Lost sabe que os produtores anunciaram um fim na sexta temporada, o que significa que por volta de abril ou maio do ano que vem teremos as respostas aos muitos questionamentos que a série provocou.

house_elenco11No Princeton-Plainsboro Hospital, a equipe do doutor Gregory House continua decifrando os mais intrigantes diagnósticos da medicina. Também na quinta temporada, House não abandonou a velha fórmula de seus episódios: associação de sintomas esquisitos, intrigas entre os médicos, pitadas generosas de sarcasmo e ironia, diálogos rasgantes e um dos personagens mais interessantes da TV das últimas décadas.

Tanto House quanto Lost chegaram ao final de suas temporadas com episódios muito bem escritos, com tramas bem urdidas, de maneira a deixar seus públicos ansiosos por ver mais capítulos dessas histórias. Não é novidade nenhuma dizer que os seriados norte-americanos são hoje ilhas bem conservadas de originalidade e qualidade técnica em suas produções. Basta olhar a TV e as sala de cinema e perceber que as inovações de formato, de temáticas, de linguagens têm vindos quase todas das produções para a telinha.

O cinema tem se apoiado em frequentes adaptações literárias, em remakes, e nas sequências de filmes de sucesso. Por conta dos orçamentos altos, da crise mundial, da falta de ousadia e de alguma preguiça, o filé mignon da produção audiovisual mundial tem sim circulado na formato de seriados. House e Lost são apenas bons exemplos disso.

E o jornalismo?

Mas o leitor deve estar se perguntando: o que tem a ver uma coisa com outra? Seriados são ficções e jornalismo é outra conversa. Sim, claro, mas o sucesso de House, Lost, Heroes, 24 Horas, Grey´s Anatomy, Damages, The Sopranos, Sex and City e tantos mais pode nos ajudar a pensar a tão famigerada crise do jornalismo.

É verdade que se fala mais de crise dos jornais. Nos Estados Unidos, a queda vertiginosa de tiragens, a redução do tempo de leitura, os cortes de assinaturas e a migração de anunciantes para outras mídias têm feito com que muita gente perca o sono. Há abutres que chegam a anunciar a data final, que vai decretar a morte dos jornais. Executivos se reúnem com acadêmicos para pensar em saídas. Por aqui, no Brasil, não se pode dizer que o pessimismo seja tanto, mas o setor está mais que ressabiado.

Como os negócios não vão lá muito bem, há quem diga que o problema do paciente precisa ser mesmo resolvido de qualquer forma. Se ele se queixa de dor na cabeça, que se corte a cabeça, oras. Daí, a crise dos jornais vira a crise do jornalismo. Uma crise de negócios se torna uma crise de identidade.

Pra falar a verdade, talvez haja alguma razão nisso, sabe? Talvez o problema de fluxo de caixa nos desacomode e nos leve a pensar em que o jornalismo se tornou hoje e para o que precisamos dele. Por isso, ao menos por agora, tomo como verdadeira uma crise no jornalismo e me ponho a pensar com House, ou com Locke…

Narrativa ou negócio?

lost-season2-300x300Fico pensando aqui com meus botões onde reside o sucesso desses seriados que todos amamos.

O que faz com que acompanhemos essas histórias? O que provoca nossa identificação com aqueles estranhos que só existem dentro daquelas novelinhas? Por que essas personagens nos chamam tanto a atenção? Qual o segredo dos roteiristas, que nos prendem do começo até o fim de uma temporada, e nos fazem esperar ansiosamente pelas próximas?

Arrisco uma resposta: o segredo está na narrativa.

O segredo está em como esses personagens nos são apresentados, em como suas vidas se entrelaçam, em como os cenários se descortinam à nossa frente, em como as circunstâncias vão se compondo num conjunto heterogêneo, dinâmico, conflituoso e complexo que são suas realidades. A descrição bem feita de um caracter extrapola a persona chapada e sem brilho, gerando um personagem vivo, multifacetado, contraditório, como queremos encontrar, como gostamos de nos enxergar.

Outros ingredientes como mistérios, dramas e perdas pessoais, grandes e pequenas tragédias, algum romance e intriga são bem vindos, e entram como temperos na mistura. Queremos fugas, buscamos fantasias, tentamos abstrair de nossas rotinas esmagadoras. Nos seriados, assistimos a tudo isso, de modo cômodo, confortável e – melhor ainda – seguro.

O jornalismo não desperta o mesmo interesse nem tampouco um décimo dessa paixão. Eu sei. Entretenimento sempre nos move mais, nos envolve de maneira mais abrangente e interesante. Mas fico imaginando: e se o jornalismo conseguisse extrair desses seriados alguns elementos que pudessem lhe restituir mais vigor e força? E se o jornalismo se aproximasse  de alguma maneira dos seriados absorvendo características que reforçassem a sua vocação, a sua natureza, o seu espírito?

Vejam que não estou defendendo uma reinvenção do jornalismo pelos moldes da ficção seriada. Não. Eu falo de resgate, de retomada, de reverso. E pelo que chamei de segredo do sucesso dos seriados, a narrativa. Isto é, e se o jornalismo observasse nos seriados a maneira como bem contar suas histórias, os contornos de um bom personagem, a dinâmica de uma envolvente sequência de fatos? Não se trata de capitular à ficção e renunciar à vocação da narrativa realista e do imperativo ético de dizer a verdade. Na verdade, uso outras palavras para perguntar: o jornalismo vive uma crise de negócios ou uma crise narrativa?

Economia afetiva

Essas minhas especulações me fazem pensar, por exemplo, que hoje se fala em oferecer experiências ao público. Na publicidade, no entretenimento, nos negócios, na mídia de maneira mais ampla, se fala em oferecer experiências interessantes, apaixonantes para os consumidores. Não mais se esfrega a marca do produto no rosto do seu possível comprador. Deve-se ir além, vinculando a mercadoria com algum prazer, alguma sensação, alguma memória e sentimento humano.

O jornalismo pode se desviar disso? O jornalismo tem que se desviar disso? O jornalismo pode traçar caminhos outros que não incorram numa derrocada desse tipo?

Ou de forma mais aguda: o jornalismo pode oferecer uma experiência narrativa mais envolvente, mais pulsante, mais interessante e mais concreta para o seu público? Uma reportagem pode ir além de informar o leitor? Posso pensar no meu leitor como um usuário, um parceiro, um acompanhante numa experiência de informação? Sim, tem gente que já trabalha nisso. Tem gente que experimenta com jornalismo de imersão, onde o leitor mergulha no fato, tendo acesso a conteúdos em camadas que lhe permitem se aprofundar no tema, conforme seu interesse, disponibilidade e disposição. Tem gente que experimenta a produção de games para informar ao mesmo que se entretém o público.

Os mais puristas podem reclamar, afinal jornalismo não é isso. Concordo. Jornalismo não é entretenimento. Mas talvez os jornalistas devamos observar mais os produtos diversionais para enxergar neles elementos que gerem empatia, envolvimento, interesse, paixão, emoção. É pensar o jornalismo pelo viés de uma economia afetiva. São ensaios de idéias essas minhas. Se perseguirmos esses vestígios, teremos que discutir onde o jornalismo vem se apoiando hoje, e que tipo de repercussões provocaria adotar essas escolhas. Como fica a credibilidade, por exemplo? E nossos protocolos éticos? E a função do jornalismo em sociedades complexas e ansiosas por informação?

Pode ser um monte de besteiras essas minhas especulações, mas afinal o que fez com que você chegasse até o final deste post, se não o interesse por diversão e jornalismo?

crítico de mídia é o grilo falante da cidadania

Reproduzo o ótimo artigo de meu amigo Luiz Gonzaga Motta, publicado originalmente no Observatório da Imprensa. Como sempre, Motta esbanja elegância, inteligência, poder de síntese e imaginação criativa.

Há poucos dias, o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Franklin Martins, disse em palestra no Rio de Janeiro que a crítica da mídia se espalha na sociedade: é o Grilo Falante da mídia brasileira. Ele fazia referência a uma personagem dos desenhos de Walt Disney, que age como conselheiro crítico de outras personagens. O Grilo Falante desempenha o papel de consciência oculta. O nome provém do eufemismo Jiminy Cricket, derivado de Jesus Christ, em inglês.
A metáfora é sugestiva. Proponho que os observatórios de mídia adotem esta personagem como figura-símbolo. Ela se ajusta bem aos observatórios de imprensa. Os observatórios não pretendem ser anjos da guarda da sociedade. Mas desempenham um inevitável papel na proteção dos cidadãos diante dos abusos dos meios de comunicação. Especialmente a partir de agora, depois que caiu a Lei de Imprensa. O Grilo Falante é um bichinho simpático, grita sempre quando seu protegido está à beira de cair em armadilhas. É um observador precavido, atua para evitar o pior.
O jornalismo é um serviço público, mas em nossa sociedade se organizou como atividade exclusivamente comercial. Em sua lógica, obedece prioritariamente às demandas do mercado, não às da sociedade. Quem argumentar contra, basta recordar a feroz disputa atual por índices de audiência entre os telejornais.

Uma ponte entre obra e leitor
Há uma defasagem permanente entre o que o jornalismo reporta e o que a sociedade quer. Agenda pública e cobertura jornalística nem sempre coincidem. O jornalismo não responde necessariamente à pluralidade dos interesses e demandas sociais.
Daí, a necessidade da crítica. A crítica é uma prática ética, uma atividade hermenêutica que se contrapõe à primeira interpretação dos fatos, a interpretação jornalística. Revela os mal-entendidos, amplia a compreensão, mostra a distância entre textos e contextos.
A crítica parte de juízos prévios, implica sempre uma atitude valorativa. Não há exercício crítico sem valores e não há qualquer problema com isso. As pressuposições de um indivíduo ou grupo, muito mais que preconceitos, constituem a realidade histórica do ser, como nos recorda H. Gadamer. Pressupostos são, portanto, parte constituinte da crítica.
O crítico é o Grilo Falante, o mediador entre os objetos culturais (notícias, reportagens, telenovelas etc.) e o público. Liga a obra ao universo cotidiano do leitor, ouvinte ou telespectador. Projeta-se como uma ponte entre obra e leitor, abrindo-lhe portas a processos da produção jornalística ou midiática freqüentemente desconhecidos e longínquos.

Um olhar ético e universalizante
Qualquer crítico investe na parcialidade. Como afirmam muitos autores, estando próximo da paixão, o crítico fica mais perto da universalidade. A paixão instrui as perguntas que vamos formular aos objetos culturais.
A questão passa então a ser: quais valores justificam tais perguntas? A resposta não é fácil, e necessariamente remete à reflexão sobre o posicionamento histórico do crítico e do objeto cultural a ser criticado.
A partir deste raciocínio, proponho que o crítico adote valores universais, assuma a posição do outro, amplie seus horizontes para além dos pressupostos individuais. Onde encontrar valores universais? Respondo: em um universalismo ético e pluralista. Colocar-se em defesa da ética da responsabilidade social, contra as injustiças, no lugar do outro, a favor dos que não têm voz.
Concretamente, enquanto crítico da mídia, posicionar-se na defesa de um desenvolvimento social e dos direitos humanos. Não precisamos de muita sociologia. Basta rever documentos assinados pelos nossos chefes de Estado, como a Declaração Universal dos Direitos do Homem, as Metas do Milênio, ou os indicadores do IDH. Eles materializam valores universais e pluralistas e podem ser consultados a qualquer momento. A partir deles, os observatórios podem desenvolver um olhar crítico ético e universalizante. Podem desempenhar com orgulho o papel de Grilo Falante junto à cidadania.

um videocast sobre a crise da imprensa

Pedro Doria iniciou uma série de videoposts analisando a crise da imprensa e suas possíveis repercussões em terras brasileiras. Doria aproveita as informações que vem colhendo do período em que passa um ano de estudos na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, para tentar compreender melhor os arautos do apocalipse e o que pode funcionar (ou não) por aqui.

O primeiro episódio do videocast é sobre uma tal regra dos 30%, que liga o aumento da banda larga de internet nos domicílios à queda da tiragem de jornais.

Vale a pena assistir e acompanhar.

um relato da terceira audiência das diretrizes

A comissão de especialistas que trabalha na reforma das diretrizes curriculares dos cursos de Jornalismo concluiu ontem a etapa das audiências públicas que realizou com variados setores da sociedade. A terceira e última audiência aconteceu na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em São Paulo, e reuniu representantes de diversas organizações. “Foi a reunião mais densa e orgânica que tivemos”, avaliou o presidente da comissão, José Marques de Melo, após quase quatro horas de debates. “As duas audiências anteriores também foram bastante participativas, mas hoje a diversidade das falas enriqueceu bastante o processo”.

Marques de Melo se referia às quase trinta organizações presentes, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) a Unesco e Instituto Ethos, passando pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação (Enecos)  e Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI).

As manifestações das organizações, e as sugestões da platéia foram recolhidas pela comissão, que já iniciou a sistematização das informações para a redação de um documento que se pretende resultar no das novas diretrizes. Se antes o prazo de conclusão dos trabalhos era 3 de junho, agora estendeu-se até 12 de agosto, informou a representante do Ministério da Educação Cleonice Matos Henn.

Formação humanística
Não apenas entre as entidades participantes, mas também entre convidados, um tema foi repetido quase à exaustão durante a audiência: a necessidade de reforçar a formação humanística nos cursos de Jornalismo. Foi o caso dos jornalistas Caio Tulio Costa e Eugenio Bucci, que abriram a sessão de manifestações. Para eles – cada um a seu modo -, as escolas precisam retomar conteúdos que contribuam para uma formação mais clássica dos jornalistas, de modo a não apenas se capacitarem a executar tarefas práticas e cotidianas da profissão. “A formação do profissional multimídia não pode acontecer afastada de uma formação humanística”, afirmou Caio Tulio.

Eugenio Bucci criticou a organização atual das disciplinas nos currículos – jornalismo impresso, televisivo, etc… -, argumentando que essa disposição já não mais dá conta das demandas formativas. O professor de Ética da USP citou eixos que poderiam sustentar uma formação ideal na sua visão: Linguagem, Democracia, Formação Humanística e Formação em Teorias da Comunicação. Os conteúdos relevantes para formar novos jornalistas perpassariam esses eixos de forma mais fluida e sistêmica.

Curso complementar ou não?

Outro tema palpitante na audiência foi a própria natureza e modalidade dos cursos de Jornalismo a serem oferecidos no Brasil. Caio Tulio Costa, por exemplo, defendeu a proposta de profissionais formados em outros cursos fazerem especialização nas escolas de Jornalismo, habilitando-se a atuar nas redações. A proposta foi referendada por outras falas, entre as quais a da CNBB. Mas teve resistência bem marcada nas posições de Celso Schroeder, coordenador do FNDC, e de Valci Zuculoto, do Departamento de Educação e Aperfeiçoamento Profissional da Fenaj, que argumentaram pela garantia de formação específica em Jornalismo, e não a sua complementar.

Bem menos ligados à academia, alguns setores demonstraram forte preocupação quanto a oferta de cursos no país. Eduardo Ribeiro, da Mega Comunicação, comparou números de escolas e de egressos à tendência cada vez mais aguda de fechamento de postos de trabalho, e a consequente não absorção de grandes contingentes de recém-formados. Sérgio Gomes, da Oboré Comunicação, queixou-se da impossibilidade real de conciliar os conteúdos e competências desejáveis aos novos jornalistas com as condições encontradas nas escolas e na vida contemporânea.

Dispersão e resultados

A audiência de ontem foi comemorada pelo presidente da comissão, José Marques de Melo, como um momento de diversidade e encontro de pensamentos distintos no debate sobre as diretrizes curriculares. A pluralidade das organizações presentes e a possibilidade de manifestações livres enriquece, mas também fragmenta a discussão.

Nas quase quatro horas de audiência, falou-se de tudo: dos conteúdos desejáveis nos currículos à necessidade de maior fiscalização do MEC sobre os cursos; da urgência da democratização da comunicação ao papel central da ética na formação dos jornalistas. Houve até quem se perdesse, como o representante da ONG Amigos da Água que, em tom alarmante, falou da extinção da humanidade por causa da escassez do recurso; ou ainda como um angustiado repórter fotográfico, que se queixou de como o sindicato dos jornalistas vem permitindo a entrada de profissionais totalmente despreparados no mercado de trabalho.

Audiência públicas são relevantes, mas também são um perigo, pois podem descambar para um festival de catarses ideológicas, de reclamações descabidas e inoportunas, e de outros desvarios. Não foi o caso de ontem, talvez até pelo adiantado da hora e do cansaço evidente de todos.

Audiências como esta têm muito mais significado político do que prático e operacional. Nessas ocasiões, as organizações têm a liberdade de se manifestar e marcar posições, ancorando seus discursos em plataformas mais evidentes. Do ponto de vista prático, a comissão de especialistas teve a oportunidade de recolher contribuições, referendou o processo de debate público e concluiu uma importante etapa em seus trabalhos: ouvir os setores interessados e receber informações e sugestões.

A partir de agora, a comissão deve trabalhar em cima de uma massa considerável de dados, precisando inclusive tomar algumas decisões que venham a orientar o documento que será encaminhado ao MEC. Esse documento ainda não é o que sintetiza as diretrizes curriculares, já que é preciso que o Conselho Nacional de Educação analise e edite essas normativas. Como disse José Marques de Melo no final da audiência de ontem, não se deve alimentar ilusões de que o caminho esteja no final e ele seja tranquilo. De nada adianta termos diretrizes curriculares bem construídas se a sociedade não fazê-las acontecer. Marques de Melo sabe do que está falando e há muito chão pela frente…

sem conexão e em trânsito…

Fui à audiência pública sobre as diretrizes curriculares em Jornalismo que aconteceu em São Paulo. Diferente do que eu esperava, não consegui conexão no auditório da OAB e isso me impediu de twittar direto do evento. Escrevi um relato bem pessoal do que vi por lá e publico amanhã cedinho… é que acordei hoje às 3 da madrugada e não parei até agora… paciência…

10 links incontornáveis sobre jornalismo

No Poynter Online, Roy Clark escreve sobre o quinto poder e o futuro do jornalismo

Carlos Castilho reflete sobre o uso de fontes anônimas no jornalismo e nas novas mídias

Elizabeth Zwerling aponta novos rumos para as escolas de jornalismo com o suposto ocaso dos jornais

Steven Johnson e Paul Starr debatem sobre o futuro do jornalismo

O episódio envolvendo a Veja por ter usado material do Wall Street Journal nos leva a perguntar o que define plágio no jornalismo?

Um relatório americano dá dicas de como “salvar o jornalismo”

No Washington Post, Bruce Brown e Bruce Sanford tratam de leis que poderiam salvar o jornalismo

O estudante Josh Halliday arrisca o futuro do ensino de jornalismo

Roselyne Ringoot e Jean-Michel Utard falam de um jornalismo em invenção

Um jornal britânico pede desculpas ao público pelo seu mau comportamento

por que a “cultura da convergência”, de jenkins, interessa a jornalistas?

livro_jenkinsNo final do ano, a Brazilian Journalism Research publicou uma resenha curta que fiz sobre “Cultura da convergência”, que fora lançado por Henry Jenkins no Brasil há poucos meses. Porque cada vez penso mais e mais nas consequências dessa coisa chamada convergência, republico abaixo (agora em português) o texto. Quem sabe a gente não amplia o debate?
(Se quiser ler o arquivo original, clique aqui)
Uma entrevista bacana com ele, no programa Milênio, pode ser vista aqui.

Três idéias já seriam suficientes para que a leitura de “Cultura da Convergência”, de Henry Jenkins, interessasse a jornalistas e pesquisadores da área: a convergência midiática como um processo cultural; o fortalecimento de uma economia afetiva que orienta consumidores de bens simbólicos e criadores midiáticos; a expansão de formas narrativas transmidiáticas.

Isoladas ou associadas, essas idéias não só ajudam na compreensão da indústria da comunicação e de seus mercados derivados, como também auxiliam a recuperar parte de sua história recente. Isso porque Jenkins se preocupa em documentar com rigor e com detalhes as principais transformações no cenário de criação e consumo midiático.

O professor do Programa de Mídias Comparadas do Massachusetts Institute of Technology acompanha de perto as modificações nos seriados televisivos, no cinema, na publicidade, nos games, na internet, na política e na cidadania. Observa como, há mais de uma década, o público tem deixado uma posição predominantemente passiva e acomodada para ocupar um novo lugar no processo da comunicação. O usuário deseja participar mais dessa experiência, sabe compartilhar seus conhecimentos sobre aqueles temas com outros consumidores afins e chega, inclusive, a criar coletivamente peças sobressalentes que podem se encaixar à estrutura de produtos disponíveis.

Um exemplo ilustra esse novo público descrito pelo autor: a indústria da mídia lança um novo filme sobre o Homem-Aranha, e em seguida novos produtos associados, como um videogame, uma nova série de revistas em quadrinhos, um website, um punhado de desenhos animados para a televisão. Milhões de pessoas terão acesso a esses conteúdos, passando não só a consumi-los, mas a tomá-los como experiências. Milhares dessas pessoas vão se associar em redes na internet para discutir o filme, para dar dicas de como evoluir no game e também para trocar informações sobre o super-herói. Os mais fanáticos vão além: criarão blogs sobre o tema, escreverão narrativas paralelas alterando o final do filme ou indicando novas ramificações no enredo. Isto é, o público dá continuidade ao que a indústria ofereceu. E esses consumidores só fazem isso porque admiram muito o Homem-Aranha, pois o consideram familiar, modelo para algumas condutas e detentor de outras virtudes atraentes.

Na época da convergência midiática, o que Henry Jenkins chama a atenção é que essa convergência não se restringe ao desenvolvimento de aparatos tecnológicos e nem à confluência de meios para uma única “caixa preta”. O autor salienta que a convergência representa uma “transformação cultural, à medida que consumidores são incentivados a procurar novas informações e fazer conexões em meio a conteúdos midiáticos dispersos”. Isto é, a convergência não acontece por meio dos aparelhos, mas “dentro dos cérebros de consumidores individuais e em suas interações sociais com outros”.

Ao colocar o tema da convergência numa outra perspectiva, o autor não nos deixa esquecer que o público mudou muito nos últimos vinte anos. Criadores da indústria midiática – e jornalistas também! – não podem ignorar esse fato, e precisam se reposicionar na cena contemporânea.

Em tempos como os nossos, os hábitos de consumo cultural são também afetados pelo fenômeno das franquias de produtos midiáticos. O estúdio que lança o novo filme já projeta sua seqüência, e com isso coloca no mercado outros produtos vinculados ao filme, como CDs de trilha sonora, versões do roteiro no formato de livros, adaptações do enredo para os quadrinhos, videogames de console e para computadores, e outros produtos licenciados, como camisetas, figuras de ação dos personagens, bonés, etc. Os consumidores mais fanáticos vão atravessar os diversos suportes de mídia para ter acesso àqueles conteúdos e produtos. Podem não conseguir alcançar todos os elos dessa cadeia, mas vão por si só reescrevendo uma nova narrativa que trata não apenas do filme original, mas contempla também a sua experiência de consumo dos conteúdos a que teve acesso.

Assim, a história do Homem-Aranha transcende o momento da sua ocorrência na sala de exibição. Ela continua na expansão de episódios menores na trama de início, na adição de outros elementos ou personagens, ou numa nova narração da aventura. Esses esforços não são por reforço ou redundância. O público percebe que pode encontrar novidades para além do produto-matriz e busca pistas em outras peças, reestabelecendo uma nova narrativa, agora transmidiática.
Jenkins adverte que essa disposição do público de encontrar seus personagens favoritos em outros momentos, de viver e reviver essas experiências, atende mais a apelos emotivos que racionais. É uma economia afetiva que rege as forças nesse campo, afirma o autor.

Henry Jenkins se define como um “utópico crítico”, e com isso não se perde deslumbrado com o avanço da tecnologia e com a multiplicação das possibilidades. Ele se entusiasma com o que chama de “comunidade de fãs”, e tenta entrever que tipo de modificações pode advir nos cenários culturais contemporâneos. Segundo ele, na cultura da convergência, novas e velhas mídias colidem, mídias corporativas e alternativas acabam se cruzando e os poderes de consumidores e produtores interagem de formas imprevisíveis. Os resultados desembocam até mesmo na forma de fazer e acompanhar a política, e Jenkins esboça um diálogo que suspende um pouco a tensão entre consumidor e cidadão.

É evidente que jornalismo e entretenimento são produtos semelhantes na sua natureza de conteúdos simbólicos. São substratos midiáticos, são resultados da produção cultural, mas as diferenças se acentuam a partir daí, tanto na forma (embalagem) quanto na essência (o conteúdo embalado). Jornalismo e entretenimento não são consumidos segundo as mesmas regras, mas não se pode ignorar que – em algumas situações – a distância entre ambos fique bem pequena, e que as fronteiras entre um e outro se tornem porosas.

O livro de Jenkins trata de consumo e de marketing, de operações conjugadas para venda de conteúdo e de grandes planos midiáticos. Em tese, o jornalismo deveria estar alheio a isso, oferecendo conteúdos que orientassem melhor as pessoas, que lhes dessem mais condições de compreender a realidade, a despeito de razões comerciais. Mas cada vez mais, percebe-se que o jornalismo converte-se numa mercadoria, num produto de mídia como qualquer filme ou videogame. O jornalismo é uma experiência? Isto é, ao se informar, um cidadão tem uma certa experiência de conexão com o mundo e com seus fatos? Se a resposta for positiva, pode-se perguntar ainda: Esta experiência pode ser oferecida numa narrativa transmidiática e conforme a lógica de uma economia afetiva, segundo descreveu Jenkins?

Talvez seja cedo para responder a essa indagação, mas alguns elementos já nos permitem refletir sobre o papel do jornalismo em meio à convergência. As redações estão se movimentando para dialogar mais com seus públicos, permitindo que participem mais e que se associem em algumas etapas da produção jornalística. A proliferação dos canais informativos impele jornalistas a produzirem conteúdos diferenciados e em várias camadas de aprofundamento de forma a satisfazerem públicos heterogêneos. Com isso, os agentes da informação tentam encontrar formas para fidelizar seus públicos, preocupação até então restrita aos publicitários e aos criadores da indústria midiática. Já se ouve falar de jornalismo de imersão, de associação de games a noticiários e do cada vez mais influente jornalismo participativo. São novos tempos.

Se a convergência dos meios é mesmo um processo mais cultural que tecnológico, as transformações resultantes inevitavelmente vão contagiar os jornalistas. Por isso, observar os movimentos do público pensando no que fazer nas redações é mesmo muito oportuno. “Cultura da Convergência” não é um livro sobre jornalismo, mas não pode ser ignorado por jornalistas e pesquisadores atentos às modificações que o campo da notícia está sofrendo.

seminário discutiu qualidade no jornalismo

(Do relise do Monitor de Mídia)

seminario2O primeiro Seminário Renoi-UNESCO de Qualidade da Informação Jornalística, que aconteceu em 13 de maio na Univali (SC), apresentou para estudantes, profissionais e pesquisadores o que na maioria das vezes passa despercebido ao olhar de quem consome notícia. Ao contrário de boatos que circulam em todos os tipos de meios, os periódicos não estão com os dias contados: jornais populares de qualidade vêm conquistando cada vez mais espaço no mercado. A revista Veja, mais lida no país, não mostra o Brasil tal como é. Nem sempre o que aparece na mídia é o que o público quer ver. O assunto em pauta é: qualidade. Como analisar estes temas?

O evento foi promovido pelo Monitor de Mídia e aconteceu no auditório 1 de medicina da Universidade do Vale do Itajaí. O seminário, que é resultado de uma parceria entre a Rede Nacional de Observatórios de Imprensa (Renoi) e a UNESCO no Brasil, contou com quatro palestras de professores pesquisadores. Foram apresentados estudos referentes à qualidade jornalística em esfera regional, estadual e nacional.

A professora Laura Seligman foi a primeira a mostrar os resultados da pesquisa Jornais populares de qualidade: ética e sensacionalismo em um novo fenômeno no mercado de jornalismo impresso. O trabalho realizado em parceria com a acadêmica Karis Cozer analisou 24 semanários de Santa Catarina e verificou que os jornais do interior catarinense adotaram como padrão as características dos jornais populares de qualidade.

Em seguida, a pesquisa Veja só o Brasil: a construção social da realidade em duas mil capas da revista Veja foi apresentada pela professora Valquíria Michela John. O estudo desenvolvido em conjunto com a acadêmica Taiana Eberle apontou perfis dos conteúdos e imagens vinculados nas capas da revista. Segundo a análise, o brasileiro retratado pela Veja é em sua maioria branco, homem e adulto. Outro dado importante revelado pela pesquisa é a invisibilidade dos negros nas capas.

A qualidade percebida na imprensa catarinense foi o objeto de estudo do professor Sandro Galarça, juntamente com a jornalista Patrícia Wippel. Durante três anos, eles analisaram os maiores impressos em circulação na época em Santa Catarina: A Notícia, Jornal de Santa Catarina e Diário Catarinense. A palestra divulgou os resultados da última etapa da pesquisa. Segundo Galarça, nem sempre o que o jornalista escolhe divulgar é o que as pessoas querem ler. Ainda assim, ele conclui que o público se sente satisfeito com o que é publicado.

O professor Rogério Christofoletti encerrou o seminário com os resultados preliminares da pesquisa em andamento que desenvolve com a Renoi e a Unesco. O estudo, que visa criar um mecanismo de avaliação da mídia impressa, é realizado por mais três consultores brasileiros: Josenildo Luiz Guerra (UFS), Luiz Egypto (Observatório da Imprensa) e Danilo Rothberg (UFSCar – USC).

O evento teve cobertura em tempo real pelo Twitter do MONITOR DE MÍDIA e as informações estão disponíveis para acesso juntamente com imagens das palestras no http://twitter.com/monitordemidia.

Outras duas edições do Seminário Renoi – Unesco acontecem nos próximos meses, um em Aracaju e outro no interior de São Paulo, onde atuam os consultores da pesquisa.

seminário de qualidade no jornalismo terá cobertura em tempo real

O Seminário Renoi Unesco de Qualidade da Informação Jornalística, que acontece na noite de hoje na Univali, em Itajaí (SC), terá cobertura em tempo real pelo Twitter e pelo blog do curso de Jornalismo.

Alunos pesquisadores do projeto Monitor de Mídia vão se encarregar da transmissão, que pode ser acompanha no twitter pela tag #qualidade ou ainda com fotos e textos mais extensos no Blog do Jornalismo.

Durante o seminário, serão debatidos resultados parciais da pesquisa sobre os indicadores de desenvolvimento da comunicação, resultantes da parceria RENOI-UNESCO, bem como outros estudos sobre qualidade desenvolvidos por pesquisadores do MONITOR. O evento é aberto a profissionais, pesquisadores e estudantes da área.

 Serviço:
Seminário Renoi-UNESCO de Qualidade da Informação Jornalística
Com os professores Laura Seligman, Rogério Christofoletti, Sandro Galarça e Valquíria John
Dia 13 de maio de 2009
Das 19 à 22h30
Auditório 1 da Medicina, blocos 24 e 25
Univali – Itajaí (SC)
Entrada Franca

comissão das diretrizes pode ouvir notáveis

Miriam de Abreu, do Comunique-se, informa que a comissão designada pelo MEC para reformar as diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo pode se estender além das audiências públicas que se encerram na próxima semana…

A Comissão do Ministério da Educação formada para discutir as diretrizes curriculares dos cursos de Jornalismo avalia a possibilidade de ouvir nomes notáveis da área, como autores e jornalistas. O objetivo é colher o máximo de posições e perspectivas para que se possa apresentar ao MEC uma proposta consistente. O grupo deve conversar individualmente com essas pessoas, cujos nomes ainda não estão definidos.

As audiências públicas realizadas pela Comissão estão chegando ao fim. Os especialistas que fazem parte do grupo se reúnem na próxima segunda-feira (18/05) em São Paulo com segmentos da sociedade civil, movimentos sociais e organizações não-governamentais para ouvir suas sugestões.

Na agenda do MEC, consta que no dia 03/06 a Comissão vai avaliar todas as propostas oriundas dessas audiências e também das contribuições que chegaram por e-mail. Não se sabe ainda se o cronograma vai mudar, já que o grupo não decidiu se vai ou não ouvir individualmente nomes reconhecidos da área.

Em conversa com o Comunique-se em abril, o presidente da Comissão, José Marques de Mello, fez questão de enfatizar que o objetivo do grupo é garantir “a liberdade curricular nas universidades e estabelecer diretrizes que não sejam uma camisa de força. Vamos respeitar as diversidades regionais, não queremos um tipo de jornalismo chapado. Defendemos uma formação básica genérica e unificada, mas cada curso deve procurar uma vocação”.

Outra proposta que vai ser avaliada pela Comissão é a da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) sobre a realização de um novo encontro depois de 18/05 para a apresentação da conclusão do resultado final do trabalho dos especialistas que integram o grupo.

A próxima audiência será realizada das 9h às 12h, na OAB-SP.

americanos estão mesmo preocupados com a crise na imprensa

Chega o convite:

Two universities and the Committee of Concerned Journalists are bringing together journalists, researchers, scholars, entrepreneurs, technologists, regulators and the public in Washington, D.C., on May 27 for a “critical convening” on the future and sustainability of journalism and America’s newspapers.

ONE DAY: Wednesday, May 27, 2009

The George Washington University
Washington, D.C.

DETAILS/REGISTRATION: http://www.journalismtrust.org

seminário de qualidade no jornalismo na univali

O MONITOR DE MÍDIA, projeto do curso de Comunicação Social – Jornalismo da Univali, realiza no dia 13 de maio o Seminário Renoi-UNESCO de Qualidade da Informação Jornalística. O evento deve discutir parâmetros de avaliação da imprensa brasileira, e é uma parceria entre a UNESCO e a Rede Nacional de Observatórios de Imprensa (Renoi), da qual o Monitor é membro. Este é o primeiro de três eventos nacionais sobre o tema da qualidade no jornalismo. Acontecem outros nas regiões sudeste e nordeste.
Durante o seminário, serão debatidos resultados parciais da pesquisa sobre os indicadores de desenvolvimento da comunicação, resultantes da parceria RENOI-UNESCO, bem como outros estudos sobre qualidade desenvolvidos por pesquisadores do MONITOR.
O evento é aberto a profissionais, pesquisadores e estudantes da área.

Serviço:
Seminário Renoi-UNESCO de Qualidade da Informação Jornalística
Com os professores Laura Seligman, Rogério Christofoletti, Sandro Galarça e Valquíria John
Dia 13 de maio de 2009
Das 19 à 22h30
Auditório 1 da Medicina, blocos 24 e 25
Univali – Itajaí
Entrada Franca

palestra adriana amaral, a cobertura

Se você não pôde aparecer na palestra que Adriana Amaral deu na Univali ontem à noite, a saída é acompanhar como foi a cobertura pelo Twitter e pelo Blog do curso de Jornalismo. A cobertura ficou a cargo de Joel Minusculi e Laura Seligman, ambos do Monitor de Mídia.

um raio x nos portais noticiosos de itajaí

A edição nº 148 do Monitor de Mídia chega à rede com um criterioso pente fino sobre os portais noticiosos de Itajaí. Quando se fala de jornalismo online, um dos lugares comuns é lembrar que na internet é possível e necessário fazer jornalismo local, não descuidar do noticiário mais próximo do leitor. Pois foi isso – e mais – que a equipe do Monitor foi observar em três portais da cidade. As conclusões são delicadas e preocupantes.

Além do diagnóstico de mídia, a edição 148 traz uma reportagem multimídia sobre trabalho infantil em Santa Catarina. As repórteres Camila Guerra, Taiana Steffen e Káris Cozer foram conferir como os governos tratam da erradicação da exploração da mão de obra infantil. Mais uma vez, as conclusões são preocupantes.

Confira no Monitor!

é proibido tuitar neste tribunal!

Deu no Jornalistas da Web, do Mario Cavalcanti:

Um juiz de tribunal impediu o uso do Twitter por um repórter do jornal online NewWest.net em uma corte na cidade de Missoula, em Montana, nos Estados Unidos, informou o site americano CyberJournalist.

O fundador do NewWest.net, Jonathan Weber, conta em artigo que vinha cobrindo o processo lance a lance pelo Twitter do veículo desde a manhã de 29 de abril. No dia seguinte, 30 de abril, durante o processo, o juiz pediu para ter uma conversa com os advogados sobre informações que estavam vazando e determinou que era proibido o uso do Twitter no local.

Na última mensagem postada de dentro do tribunal, Jonathan escreveu que ficou desapontado com a decisão do juiz, mas entendeu que é uma regra, e, por isso, não ia mais twittar.

liberdade, liberdade… de imprensa

3mai

827.

No Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, uma animação em homenagem àqueles que tombaram no exercício de informar, de denunciar abusos, de fiscalizar os poderes, de se atrever a reportar os fatos.

827 são os repórteres mortos no mundo desde o dia 20 de dezembro de 1993, quando foi instituída uma data para marcar a luta pelo direito de informar e pelo direito de ser informado.

folha quer nova lei de imprensa

Até algumas semanas, os grandes meios de comunicação defendiam a revogação completa da Lei de Imprensa. Vociferavam contra o arbítrio da “lei da ditadura”, cuspiam no dispositivo. Num passe de mágica, os proprietários de jornais e revistas mudaram de posição e passaram a defender uma outra lei. Isto é, a ANJ e a ANER alinharam-se, por exemplo, ao pensamento e aos esforços da Fenaj.

Quer ver?

Então, leia o editorial de hoje da Folha de S.Paulo ou ainda leia artigo que a presidente da ANJ, Judith Brito, publicou em O Globo, em 31 de março. O curioso é que os donos dos jornais insistem para uma lei que coloque regras claras para o direito de resposta, mas se queixam quando juízes concedem esse direito. Duvida? Então, veja nota oficial assinada pelo vice-presidente da entidade, Julio Cesar Mesquita, “repudiando o abuso do direito de resposta”.

Não entendeu? Achou contraditório? Não seja inflexível, obtuso. As cúpulas dos meios de comunicação lutam por liberdade de imprensa, digo, liberdade de empresa. Aliás, hoje é o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa.

ocaso dos jornais e busca de soluções

Um dos assuntos mais recorrentes (e chatos) da internet nos últimos anos tem sido a tão propalada crise dos jornais, com acentuadas quedas em suas tiragens, com a redução de verbas publicitárias para anúncio e com a redução do número de leitores e de tempo de leitura. Já existem muitos dados por aí que mostram parte desse evento em curso. Existem também muitos profetas vaticinando apocalipses e renascenças. Tem até urubus de plantão, como o Newspaper Dead Watch.

Para tornar mais completa a chatice e a insistência no tema, The Wall Street Journal preparou um infográfico bastante esclarecedor da situação da imprensa norte-americana. Valeria a pena termos algo por aqui, mas quem se habilita?

Enquanto alguns contam os dias para a imprensa, há quem busque saídas. Em Stanford, acontece de 18 a 20 deste mês a 6ª edição da Conferência sobre Inovação no Jornalismo. É um evento bem agitado, pelo que se vê no programa e nas propostas de discussão. Até porque se formos olhar com um pouco mais de atenção para a história do jornalismo, veremos que ele sempre foi regido pelos signos da crise e da mudança. Reinventar-se faz parte do seu DNA…

cai a lei de imprensa, mas fica uma pergunta

bra_fdspPor sete votos a quatro, o plenário do Supremo Tribunal Federal derrubou a Lei de Imprensa, revogando-a por completo. Com o entendimento dos ministros, a Lei nº 5250/67 é considerada inconstitucional, e por isso deixa de valer.

Como escrevi ontem, minhas apostas pendiam mais para a revogação de trechos da lei e não de sua íntegra. Mas havia a possibilidade, já sinalizada ao menos pelo relator Ayres Britto.

De qualquer forma, como ficam as coisas agora?

1. Quem se sentir prejudicado por jornalistas ou qualquer órgão de imprensa, pode mover processos por injúria, calúnia e difamação, conforme artigos dos códigos Civil e Penal. Isso já se acontecia antes do julgamento, até porque muitos advogados preferiam embasar suas peças jurídicas em dispositivos contemplados pela Constituição e não questionados, como era o caso da 5250/67.

2. Direitos de resposta serão arbitrados caso a caso, o que fragiliza um pouco a figura desse direito, talvez o que ainda houvesse de bastante positivo na 5250/67.

3. Fenaj e ANJ podem fechar o cerco em torno de parlamentares para que substitutivos da Lei de Imprensa tramitem com mais celeridade no Congresso. Eu explico: as entidades concordam que é necessário estabelecer ainda algumas regras sobre o exercício do jornalismo, como o próprio Direito de Resposta.

A revogação da lei é um avanço? Num amplo sentido, sim. Afinal, era uma lei contraditória, arcaica e regida pelo signo da punição, do arbítrio. Por outro lado, estabelecia limites para possíveis abusos, e melhor ainda: reconhecia a possibilidade de um direito de resposta por aqueles que se sentissem lesados publicamente. É um avanço também ver a Suprema Corte do país discutindo com vagar, densidade, pertinência, inteligência e sensibilidade assuntos tão importantes quanto a liberdade de expressão. Em termos de direito com D maiúsculo, a novela da Lei de Imprensa congregou um debate histórico.

Fica uma pergunta: Com o fim da Lei de Imprensa, corremos o risco de ficar sem uma regulamentação do Direito de Resposta?

lei de imprensa no banco dos réus: possíveis desfechos

A novela do julgamento da Lei de Imprensa no Supremo Tribunal Federal continua no início da tarde de hoje. Conforme a pauta do STF, é o primeiro processo a ser analisado pelo plenário. A discussão começou no início do mês – na sessão do dia 1º -, quando o ministro Ayres Britto leu um extenso relatório sobre a questão. Consumiu quase três horas! Antes, porém, o ex-ministro das Comunicações Miro Teixeira, deputado pelo PDT e quem pediu a cabeça da lei, e outros usaram a tribuna para bater no cachorro morto.

Pelo adiantado da hora, a sessão foi encerrada, mas o caso não.

Vejo três possíveis desfechos para a questão:

1. O Supremo ignorar o pedido e manter a Lei nº 5250/67 em vigor. Pra ser bem sincero, chances quase nulas para isso, pelo que se viu do relatório de Ayres Britto e do voto do ministro Eros Grau. O primeiro a votar hoje deve ser o ministro Carlos Direito. Sim, faltam ainda nove votos, mas a lei colide sim com a Constituição em muitos pontos, o que a coloca lá no alto do cadafalso…

2. O Supremo vetar toda a lei, revogando-a como quem enxota algo repugnante. Politicamente, existem razões que sustentem essa tendência, mas conforme disse o procurador geral da República, o plenário não estava julgando a lei toda, mas 22 artigos dela. Por isso, por uma questão técnica ou processual, as chances disso acontecer caem.

3. O Supremo vetar 22 dispositivos da lei, desfigurando-a por completo. Chances fortes, embora cabeça de juiz seja um terreno insondável. As chances são grandes e a 5250 vai acabar caindo de maduro, morrendo à míngua. Com uma lei velha, inoperante, inconsistente, deve haver um movimento para uma nova lei, uma substituta. Alguém no plenário pode “sugerir” que o Legislativo se ocupe disso, já que o trecho da 5250/67 que trata do Direito de Resposta é importante e não previsto em outros lugares. O próprio ministro Gilmar Mendes fechou a sessão do dia 1º dizendo que a liberdade de imprensa é importantíssima, mas a vida social não se baseia apenas nela. Há que se cuidar da reputação, da honra, do direito de responder a abusos.

Por isso, pelo que antecipo, a novela da Lei de Imprensa não termina aqui. (Alberto Dines explica melhor isso, veja aqui). Precisamos de uma nova Lei de Imprensa? Penso que não totalmente. Para penalizar jornalistas de má fé, já há artigos nos códigos Penal e Civil. Mas para resguardar a possibilidade de defesa, pelo Direito de Resposta, acho que é importante termos regras claras, e tribunais que funcionem rapidamente, operando em ritos sumaríssimos em situações de ofensa à honra, à reputação, à credibilidade.

(Mas alguém aí pode perguntar: a exigência de diploma para jornalista não iria ser julgada pelo mesmo STF na sequência? Ia, amigo, ia. No site do STF, não há nenhuma pauta para maio ainda…)

um novo observatório e o futuro do jornalismo

Curto e grosso:

Um observatório dos negócios da imprensa escrita – em francês

A revista Journalism completa 10 anos e faz um sensacional dossiê sobre o futuro do jornalismo – em inglês

gripe suína, mídia e cobertura de situações de risco

gripe_aviariaO alarme já soou nos meios de comunicação!
Em jornais e revistas, na TV e nas estações de rádio, na internet e nas ruas, não se fala de outra coisa senão a gripe suína. Desinformação, sensacionalismo, pressa e outros elementos podem transformar o medo em pânico generalizado. Por isso, vale a pena conferir o estudo “Jornalismo Preventivo e cobertura de situações de risco”, produzido pela Rede Andi América Latina e Unicef em novembro de 2007.

Originária dos debates sobre a gripe aviária – que também assustou muita gente! -, a publicação de 56 páginas é um guia para jornalistas de como cobrir situações de risco. Explica o assunto, sugere enquadramentos do tema e até mesmo fontes de informação.

mais uma parceria para debater indicadores de comunicação no brasil

(Da UNESCO Brasília)

A UNESCO acaba de fechar uma parceria com três organizações brasileiras para aprofundar no país o debate sobre indicadores de comunicação. A iniciativa tem como base o documento do Programa Internacional para o Desenvolvimento da Comunicação (IPDC)/UNESCO que trata de indicadores de desenvolvimento da mídia.

O objetivo, no Brasil, é estender esta discussão também para o campo de indicadores do direito humano à comunicação a partir de uma pesquisa sobre o tema desenvolvida nos últimos anos pelo Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social. Além do Intervozes, são parceiros do novo projeto o Laboratório de Políticas de Comunicação da Universidade de Brasília (LAPCOM) e o Núcleo de Estudos Transdisciplinares de Comunicação e Consciência da Escola de Comunicações da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NETCCON).

A ideia é promover o conhecimento e o debate público sobre este tema, buscando identificar os desafios de implementação, mapear possíveis instituições parceiras e construir legitimidade para a proposta a partir do diálogo com as diversas organizações e instituições ligadas à comunicação, incluindo o Poder Público, empresas e a sociedade civil organizada. A iniciativa é fundamental diante da ausência de referências objetivas para mensurar o grau de desenvolvimento da mídia e de efetivação do direito humano à comunicação no Brasil.

Será dada ênfase especial a universidades e estudantes de jornalismo, com a realização de debates sobre o tema em três capitais do país. Também está prevista a realização de um seminário internacional destinado a validar uma proposta de indicadores com a participação de especialistas e membros do IPDC.

A indicação do IPDC é que em cada país devem ser construídos indicadores que, ao mesmo tempo, respondam ao quadro de referência proposto pela instituição e dialoguem com a realidade local. Neste momento, o programa busca promover, em âmbito mundial, o desenvolvimento e a aplicação piloto desses indicadores. A intenção das quatro instituições parceiras é viabilizar, no futuro, a aplicação destes indicadores no Brasil.