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números mostram mudanças estruturais na mídia nacional
Luis Nassif compara dados do Ibope e do IVC e conclui que modificações estão em curso na indústria de comunicação no Brasil. Alguns trechos:
“a Globo tinha um share de audiência de 50,7% em 2001. Chegou a bater em 56,7% em 2004 – coincidindo com a queda de audiência do SBT. Hoje está em 40,6% – coincidindo com a subida da TV Record – que saiu de 9,2% em 2001 para 16,2%.”
“Nas três últimas semanas, o Jornal Nacional deu 26% de audiência em São Paulo. Seis anos atrás, era de 42%.”
“De 2001 a 2009, os [jornais impressos] tradicionais perderam 300 mil exemplares diários”
Será que a crise está à porta?
Leia o artigo de Nassif na íntegra no Observatório da Imprensa.
crise ainda não chegou às bancas brasileiras
Na semana que está terminando, a editora do New York Times anunciou um prejuízo de mais de 57 milhões de dólares em 2008. Em 2007, no entanto, havia fechado o exercício com lucro de 208 milhões. Isto é, a crise já chegou por lá. E olha que pegou em cheio um dos grandes: a New York Times Company reúne quase vinte jornais e 50 sites nos Estados Unidos.
Por aqui, a “marolinha” ainda não chegou.
Segundo o Instituto Verificador de Circulação (IVC), a circulação média diária dos jornais brasileiros cresceu 5% no ano passado, alcançando 4,35 milhões de exemplares. Tudo bem que a evolução de 5% fica aquém dos crescimentos registrados em 2006 (6,5%) e 2007 (11,8%). Mas mesmo assim, tá muito bom, afinal é o dobro do crescimento mundial no setor.
Entre os títulos brasileiros, o Super Notícia, de Minas, foi o campeão de crescimento de circulação: 27,02% no período. O jornal popular custa 25 centavos de real. Tudo indica que o setor vem respirando graças aos resultados dos jornais populares e dos regionais. Mas até quando, senhores?
sarkozy despeja dinheiro sobre a mídia
Outro dia, escrevi aqui que camadas organizadas da sociedade francesa manifestaram publicamente sua preocupação sobre a qualidade da mídia local. Pois bem, não é apenas o povo quem coça as rugas da testa com o assunto. Já desde o final do ano passado, o governo também. Na semana que passou, o recado foi público e polpudo: o presidente Nicolas Sarkozy anunciou um pacote de 600 milhões de euros para o setor nos próximos três anos.
Em tempos bicudos como os nossos – quando Bush abre a torneira de 700 bilhões de dólares para bancos e financeiras, e quando Lula reduz impostos para impulsionar a indústria automobilística -, o presidente francês acena com um plano para salvar a imprensa escrita, como deixou claro no Palácio dos Champs Elisées. A operação atende pelo nome de États Généraux de la Presse, ou Estados Gerais da Imprensa. O desafio é melhorar a rentabilidade dos jornais, aumentar suas tiragens, aliviar os custos das empresas do setor e impulsionar os meios online.
Ainda é cedo para medir a temperatura e dizer qual repercussão o anúncio trouxe ao mercado francês, e por extensão à mídia européia.
O Le Monde foi bastante contido, como sempre. Em editorial, ponderou as medidas, salientando a sabedoria da presidência da República em deixar que editores e jornalistas dêem os devidos encaminhamentos à solução da crise que asfixia o setor. O jornal não comemora abertamente, mas o editorial ressalta que a mídia é também uma indústria, o que a legitimaria a receber auxílios financeiros, pode-se ler nas entrelinhas.
Já Le Figaro trouxe editorial do seu diretor de redação Étienne Mougeotte reconhecendo o “ceticismo francês” que acompanhou o setor à mesa de negociação com o governo. Mas sauda a iniciativa. Entretanto, Mougeotte não se fez de rogado: reforçou que o norte do jornal é o leitor e para quem ele trabalha. A preocupação do experiente jornalista é com a credibilidade do veículo, mas não só ele. Um comunicado da AQIT, Associação pela Qualidade da Informação, convocava esta semana jornalistas e editores a conjugar esforços para a formalização de um Conselho de Imprensa. Segundo a AQIT, um novo código deontológico e uma instância que aglutinasse produtores e usuários do sistema seriam condições essenciais para um resgate da confiança ao setor.
Os movimentos são muitos e em direções não necessariamente opostas. Os franceses estão mesmo preocupados com o assunto e tudo leva a crer que arragaçaram as mangas para enfrentar a(s) crise(s) da mídia. No Brasil, já passamos perto disso. No final da década de 90 e começo desta, a revista Carta Capital martelou em várias edições um tal plano do BNDES para salvar a mídia, notadamente a Rede Globo. A revista bateu forte, e o plano de ajuda acabou não saindo. Não porque a revista fosse tão influente assim. Mas a revista também não estava fazendo aquilo por patriotismo, mas por isonomia…
O fato é que as torneiras mantiveram-se fechadas pro setor. Pouco ou quase nada entrou de dinheiro estrangeiro por aqui, mesmo após mudarem a Constituição em 2002. Os jornalistas revisaram seu código deontológico em 2007. Mas ficamos nisso. Talvez porque a crise nas bancas esteja anestesiada pelo sucesso de jornais a preços populares ou ainda porque as redações acreditam contar com a confiança dos seus leitores.
Será mesmo?
ATUALIZAÇÃO: Alberto Dines tratou do assunto, trazendo muito mais detalhes. Vale a pena ler.
game não é coisa de criança!
Mais da metade dos adultos norte-americanos jogam algum tipo de game, seja em seus computadores, em consoles, em celulares, etc. Para ser mais exato, eles são 53% da população naquela faixa etária. Esse dado e outros mais foram divulgados ontem pelo Pew Internet & American Life Project numa pesquisa sobre consumo adulto de games.
Alguns dados que destaco:
- Entre os mais velhos – com 65 anos ou mais -, perto de um terço se dedica aos games todos os dias. Os velhinhos jogam mais até que os adultos mais jovens…
- Os adultos norte-americanos compõem uma população diversificada se o assunto é consumo de games.
- Eles jogam mais em computadores do que em consoles. Mas entre os mais jovens, os consoles são mais populares.
- Quatro em cada cinco adultos jogam com outros adultos.
- Como esperado, a maioria dos jogadores é do sexo masculino.
- Jogos online ainda ocupam uma fatia modesta na vida desses gamers.
A pesquisa foi realizada entre 24 de outubro a 2 de dezembro de 2007, com uma amostra de 2054 adultos maiores de 18 anos, incluindo aí 500 usuários de telefones celulares. Margens de erro vão de 2 a 3 pontos percentuais.
Um resumo da pesquisa pode ser lido aqui.
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Neste ano, a indústria de games norte-americana deve chegar a um faturamento de US$ 22 bilhões, conforme uma consultoria de mercado. Só em outubro, a venda de equipamentos, consoles, programas e acessórios passou de US$ 1,35 bilhão. Leia mais em matéria da Folha de S.Paulo. Conforme outra reportagem, do IDG Now, apesar da crise, o mercado cresceu 18% no período. “Uma das explicações para o bom resultado é que, em tempos de crise, as diversões dentro de casa são mais valorizadas, justamente por serem relativamente mais baratas”, explica a matéria.
pesquisa: jornalistas “mais estudados” ganham mais
Deu no Portal Imprensa
(A matéria no site da Fenaj – mais completa – pode ser lida aqui)
A FENAJ concluiu, em outubro de 2008, a etapa nacional de um estudo qualitativo sobre as condições de trabalho dos jornalistas da América Latina e Caribe. Os números expostos pela pesquisa revelam que a maioria dos profissionais atua na área urbana e que há um equilíbrio de gênero nas vagas ocupadas pelo setor e que a escolaridade interfere diretamente nos ganhos salariais. O levantamento também mostra que a violação dos direitos trabalhistas está entre as maiores preocupações dos profissionais. A realização do estudo é de competência da Federação Internacional dos Jornalistas, em parceria com a ONG norte-americana Centro de Solidariedade.
No Brasil, o levantamento foi coordenado pelo Departamento de Mobilização, Negociação Salarial e Direito Autoral da FENAJ. Segundo o diretor do órgão, José Carlos Torves, a amostragem escolhida levou em conta profissionais presentes ao 33º Congresso Nacional de Jornalistas, segundo informa a Federação.
Na divisão entre gêneros, a pesquisa aponta igualdade entre homens e mulheres no quadro de profissionais da categoria, 50,8% e 49,2%, respectivamente. Outro dado fornecido pelo estudo revela que nas redações a faixa etária dos jornalistas fica, em média, entre os 41 e 55 anos.
A pesquisa mostra também que o aumento da remuneração dos profissionais está diretamente relacionado ao nível escolar apresentado. Nos que possuem mestrado e doutorado, os quais somam mais de 12%, os salários giram entre mil a cinco mil dólares.
Com relação às questões trabalhistas, a falta de vínculos empregatícios, o não comprometimento entre empresa e funcionário nas datas e salários fixados e a morosidade no cumprimento de obrigações sociais são pontos mais abordados pelos profissionais do setor.
mídia sorri à toa: $$$$$$$$
Deu no Mídia e Consumo, e reproduzo em parte:
Dados do projeto Inter-Meios demonstram que o mercado publicitário cresceu 14,7% nos primeiros sete meses do ano em comparação com o mesmo período de 2007.
Até julho de 2008 os veículos de comunicação faturaram R$ 11,3 bilhões com publicidade. O principal destaque da lista continua sendo a internet, que teve crescimento de 44,4%, alcançando R$ 383,2 milhões.O primeiro lugar do ranking permanece com a TV aberta, que faturou R$ 6,6 bilhões, 58,5% do total. Rádio, Revista, Mídia Exterior e TV por Assinatura também aumentaram suas médias. Guia e Listas (-13,2%) foi o único meio que teve performance negativa.
a internet se discute (cada vez mais por aqui)
De repente, não mais que de repente começam a despencar eventos de altíssimo nível sobre as novas mídias, e as transformações nos mercados por conta dos avanços tecnológicos. O IDG Now!, por exemplo, está promovendo a Digital Age 2.0, trazendo gente de peso como Lawrence Lessig, Seth Godin e outros.
Para acompanhar basta seguir o blog do evento, ou mesmo navegar livremente pela blogosfera. Um punhado de blogueiros-conectados estão cobrindo o encontro.
Outro dia, aconteceu o Media On, que trouxe outros nomes influentes da área, como o português António Granado, por exemplo. (Veja as palestras aqui)
Na semana que vem, tem ainda o Maximidia, que traz o Henry Jenkis, do MIT, entre outros. Este devo acompanhar mais de perto, e talvez sobre algum post por aqui.
Alguém aí pode se perguntar: o Brasil, afinal, entrou na rota dos principais eventos sobre mídia e tecnologia? Na verdade, isso não é de agora. Mas é certo que hoje temos mais claro que ocasiões como esta são interessantes para os promotores – afinal, são muito rentáveis -, para os palestrantes – que expandem seus pensamentos para diversos públicos – e mesmo para o mercado e a academia brasileiros.
mas o que é mesmo o jornalismo?
A professora Ann Cooper, da Escola de Jornalismo de Columbia, escreve um interessante artigo na edição mais recente da Columbia Journalism Review (setembro-outubro de 2008). Para ela, pouco importa discutir o que é o jornalista na atualidade, mas sim o que é jornalismo.
Ela discute a emergência de novas formas de comunicação, a chegada de novos atores no processo da informação – como os blogueiros – e novas concepções sobre as competências que jornalistas devem ter. A partir do influente Jay Rosen – que propôs que se pensasse um modelo híbrido de produzir notícias online -, Ann Cooper chama a atenção para o fato de que a sugestão de Rosen muda o foco da questão. Não mais interessa saber quem é que faz a coisa, mas como é a coisa em si, o que a define e tal.
A autora sinaliza os próximos passos. Se vamos pensar um modelo híbrido de jornalismo, precisamos articular esforços entre os tradicionais e os recém-chegados:
Old media will have to let go of some attitudes and assumptions that are no longer relevant, and new media will need to recognize standards that can infuse credibility and trust into this new journalism. Working together will require everyone in the bigger tent to drop their animosities and check their egos. It’s not about us, after all. It’s about keeping watch on those in power, about ensuring an informed citizenry, about maintaining a democratic culture that is strengthened by vibrant reporting on vital institutions.
Claro. Esta luz no final do túnel não é inteiramente nova, mas é sempre bom repensar a questão e revisar os passos dados anteriormente.
a solução para a crise de wall street
# New York: Histeria na mídia internacional com a crise em Wall Street.
# Belém: Fui conferir no Mercado Ver o Peso como a crise de confiabilidade no sistema financeiro norte-americano está afetando os negócios por lá. Vendedores de peixe, de frutas e de outras comodities me garantiram que o movimento continua normal, apesar da quebradeira lá fora.
Mesmo com a crise da Bolívia e o efeito dominó que derrubou as bolsas mais importantes do mundo, o vendedor Miguel está otimista. Para ele, a tendência é melhorar no mês seguinte, quando Belém virá o maior cenário religioso do país com o CÍrio de Nazaré. A crise em Wall Street não provoca temor no empresário. “Pode piorar um pouquinho em casa, aumentando o preço do arroz e do feijão. Mas não afeta as vendas aqui!”, garantiu.
Mais do que otimista, Miguel parece altamente confiante. Na Banca da Flora, onde vende essências de patchouili e de andiroba – entre outras mais -, ele apresenta um produto que pode ser a solução para o caos no exterior: seu viagra natural, à base de ervas e raízes da Amazônia.
Miguel dá a receita para a crise.
armínio fraga de olho na rbs
RBS negocia venda de parte de suas ações a fundo do ex-presidente do Banco Central
O grupo RBS, que possui TVs, rádios e jornais no sul do Brasil, está negociando a venda de 15% de seu capital ao fundo de investimentos Gávea, segundo O Estado de S.Paulo. O fundo pertence a Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central. O negócio deve ser concluído até 30 de setembro.
É a primeira incursão de Fraga no negócio da comunicação. Nos últimos meses, seu fundo comprou participação em diversas empresas, da aviação ao entretenimento.
Segundo o jornal O Globo, o negócio pode ter sido intermediário por Pedro Parente, vice-presidente executivo da RBS, que foi colega de Armínio Fraga na equipe econômica do governo Fernando Henrique Cardoso.
A RBS existe há 50 anos. Possui atualmente 21 emissoras de TV, 26 de rádio, oito jornais, dois portais de internet, uma editora, uma gravadora e uma empresa de logística, entre outras, segundo o jornal. Até poucos dias atrás, o presidente do grupo, Nelson Sirotsky, presidia a Associação Nacional de Jornais.
Em junho, a Standard & Poor’s considerou consistente a situação financeira da empresa e melhorou sua classificação de risco para investimentos.
(Notícia dada no blog do Knight Center for Journalism in the Americas)
o destino do jornal: um livro, um comentário e muitas questões
Acabo de ler “O destino do jornal”, livro de Lourival Sant’Anna, editado pela Record. A leitura é rápida, o texto é claro e atraente, e o assunto – o leitor deste blog já sabe – me interessa muito. Mas para além dessas rápidas impressões, muitas outras coisas ficam dessa leitura.
A primeira delas é que o livro vem em boa hora, afinal é rara no Brasil a bibliografia que discute jornalismo pelo prisma de negócio, pela vertente mais mercadológica. Parece reinar entre nós um pudor ao tratar de notícias e informações como produtos. Como eu disse, há pouquíssimas obras que se debruçam sobre o nosso jornalismo sem melindres para analisá-lo pela ótica de um mercado, de uma indústria. Vém-me à cabeça o livro da Cremilda Medina – “Notícia: um produto à venda” -, mas que foi editado há pelo menos duas décadas. Outros títulos poderiam ser aqui citados, mas a ligação que faço entre “O destino do jornal” é com outro livro: “O papel do jornal”, de Alberto Dines.
Essa correspondência se faz para mim por algumas razões um tanto óbvias: os dois livros partem de ambientes de crise para discutir jornalismo, sua natureza e seu futuro. Os dois livros concentram-se nas empresas nacionais do ramo. Os dois livros já nasceram como clássicos porque, mesmo tratando de questões conjunturais, não deixam de considerar os aspectos estruturais que afetam o negócio do jornalismo. Se o gatilho de Dines havia sido a alta do papel de imprensa nos anos 70, o de Sant’Anna é a alardeada queda nas tiragens dos jornais, detectada no mundo todo, mas com algum respiro visível por aqui na última década.
É verdade que talvez o livro de Dines tenha mais perenidade que o de Sant’Anna, mas os dois volumes não apenas nos convidam a pensar em soluções para esse negócio de vender informações, como também nos incitam a discutir o próprio destino de um meio que sempre foi capital para as sociedades democráticas.
Aspectos como rentabilidade, equilíbrio contábil, busca de receitas e inovação tecnológica são tratados por Sant’Anna na mesma proporção de que se defrontam com “bens intangíveis”, como prestígio, credibilidade e fidelidade do leitor.
O livro de Dines nasceu de suas reflexões à época, enquanto que o de Sant’Anna é a versão livresca de sua dissertação de mestrado. Dines não foca sua análise num meio em especial, mas Sant’Anna se pergunta como três dos maiores jornais brasileiros – a Folha de S.Paulo, O Globo e O Estado de S.Paulo – vêm enfrentando um cenário de concorrência maior (com a web, as revistas e a TV a cabo), de mudanças nos hábitos de consumo dos leitores (queda no tempo de leitura e diminuição de tiragens pelo mundo afora) e de necessidade de adaptação e inovação tecnológica.
Outro dia, mencionei o livro de Philip Meyer – “Os jornais podem desaparecer?” -, ressaltando a necessidade de termos uma reflexão brasileira sobre essa transição de mídia tão ruidosa. Bem, o livro de Sant’Anna vem neste sentido, sem esgotar a questão, evidentemente. Poderá abrir espaço para novos lançamentos e discussões. O acento de Sant’Anna – entre o acadêmico e o profissional – também é muito bem vindo, já que essa oposição é improdutiva, preconceituosa e limitante.
Ontem mesmo, meu chapa PHSousa comentou a entrevista de Rosenthal Calmon Alves ao Estadão. PH escreve:
Eu acho que devem abandonar o hard news, que fica para TV e internet. Os jornais de papel devem se voltar para reportagens menos factuais. O que você acha?
Bem, não penso muito diferente, apesar de ter uma certeza: o problema é complexo. Isto é, diversas variáveis incidem na sobrevivência de alguns meios e na própria convivência das diferentes mídias. Não se pode deixar de lado, por exemplo, o conjunto de movimentos na audiência e nos hábitos de consumo. O Pew Research Center for the People and Press publicou esses dias um estudo muitíssimo interessante sobre as mudanças que a audiência vem exibindo a partir do desenvolvimento de novas mídias. O relatório da pesquisa, em suas 129 páginas, aponta para diversas “chaves” para o entendimento do cenário da mídia, a norte-americana, mas que pode se projetar por aqui também.
O estudo mostra que as notícias online ainda está em compasso de crescimento, mas mostra ainda que os consumidores de informação cruzam as mídias, buscam integrá-las em sua dieta informacional, entre outros aspectos.
Gestores e jornalistas precisam estar atentos a isso.
Ao mesmo tempo, ReadWriteWeb aponta para o NewsCred, sistema que promete distribuir as notícias com mais credibilidade, agregando conteúdos de diversos meios. É semelhante ao Digg e ao NewsTrust. Mas quem está por trás do NewsCred se apressa em mostrar as diferenças:
We love Digg and other social ranking sites, but NewsCred is completely different. We are using technology and the ratings from our user community to select the most credible articles. NewsCred selects quality, while Digg presents popularity. This is a fundamental difference in our approach, and we feel this difference is what will change the way we access news content forever.
We’re taking content from traditional, mainstream new sources, combining them with established blogs, and selecting only the highest quality articles that are relevant to you. We’re throwing in some real innovation to make the selection and filtering process the easiest you’ll see on the web, and fun too.
Esta é uma solução? Não sabemos ainda. O fato é que a corrida já está acelerada. Tem muita gente preocupada com o futuro dos jornais, com o presente da internet. O 7º Congresso Brasileiro de Jornais, que aconteceu esta semana, não se esquivou dessas questões. O discurso em uníssono é o de que qualidade e credibilidade andam juntas, mas deve -se atentar sempre para as questões de equilíbrio financeiro. Mesmo assim, os proprietários de jornais têm sorrido de orelha a orelha. A carta de abertura do evento, dirigida aos empresários do setor, não poderia ser mais otimista:
Depois do excelente desempenho do ano passado, quando tiveram aumento de circulação de 11,80% e subiram sua participação no bolo publicitário para 16,28%, os jornais brasileiros continuam a exibir números muito positivos. O mais recente levantamento do Projeto Inter-Meios, principal referência do mercado brasileiro, mostrou que no primeiro trimestre de 2008 os investimentos publicitários nos jornais cresceram 23,72%, comparando-se com igual período do ano passado. Com isso, em março a fatia dos jornais no bolo publicitário chegou a 19,40%.
Então, o livro de Lourival Sant’Anna está vendo fantasmas onde eles não existem?
Claro que não. O livro traz alertas, coloca o dedo nas feridas e deixa nervos expostos. O mercado brasileiro não está isolado numa bolha de prosperidade, blindado contra crises. Há questões estruturais que já afetam a indústria dos jornais por aqui. Sant’Anna não é o arauto do apocalipse, mas está de olho.
7º congresso brasileiro de jornais
Começa hoje e segue até amanhã a 7ª edição do Congresso Brasileiro de Jornais, evento promovido pela ANJ. Não se pode pensar o mercado sem ver e saber o que querem e o que farão os proprietários de jornais…
Veja a programação aqui: http://www.anj.org.br/cbj/programa
jornalistas: satisfaction!
O Comunique-se traz informações sobre uma pesquisa feita com 509 jornalistas brasileiros sobre seu nível de satisfação na profissão. O estudo foi feito pela FSB Comunicações e constatou, entre outras coisas, que jornalistas de meios impressos e online são os mais “felizes”, com índices superiores a 50% de satisfação.
Veja a matéria aqui.
E aí, ficou contente?
censura na web e capitulação dos gigantes
Com informações do senador norte-americano Dick Durbin, o ReadWriteWeb informa que estaria em curso o fechamento de um acordo entre Google, Yahoo e a Microsoft para estabelecer uma espécie de código de conduta para operar nas restritíssimas condições de mercados como o chinês. Essa informação ganha maior vulto agora, a poucos dias do início dos Jogos Olímpicos de Pequim (sim, é Pequim e não Beijing).
No acordo de cavalheiros dos gigantes, estariam previstos itens como Princípios para a Liberdade de Expressão e Preservação de Privacidade, a implamentação de regras gerais de atuação, governança e transparência.
Como eu sou um cara muito desconfiado, fico só olhando se não estaria em curso uma capitulação dessas megacorporações apenas para ingressarem no riquíssimo e rentável mercado chinês, abrindo mão de valores essenciais como liberdade de expressão apenas para meter a mão em bilhões de verdinhas…
circulação de jornais cresce 8,1%
Deu no boletim do Jornalismo nas Américas:
O Instituto Verificador de Circulação anunciou que os jornais brasileiros tiveram aumento de 8,1% em seus exemplares impressos no primeiro semestre de 2008, segundo o Comunique-se. As publicações que mais cresceram foram os jornais populares, baratos ou gratuitos.
Ao todo, os jornais filiados ao instituto tiraram em média 330 mil exemplares a mais do que no mesmo período do ano passado. São 4.392.281 exemplares impressos diariamente. Ricardo Costa, diretor do IVC, disse no comunicado que os números mostram quatro anos de crescimento contínuo.
sindicato fecha acordo coletivo para jornalistas
Do boletim do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina:
O piso dos jornalistas em Santa Catarina passará de R$ 1.050 para R$ 1.127, retroativo a 1º de maio, representando reajuste de 5,9% (INPC) e mais 1% de ganho real. O acordo, com vigência por dois anos (INPC acrescido de 1%), foi fechado hoje na terceira rodada de negociação com o patronal e, segundo o presidente Rubens Lunge, representa uma vitória da categoria, “que registra perdas de 12,5% no período 1996-2004, conforme dados do Dieese”. A próxima etapa prevê a realização de assembléias gerais em Florianópolis, Lages, Tubarão, Criciúma, Blumenau, Joinville, Itajaí, Jaraguá do Sul e Chapecó, para apreciação da proposta por parte dos jornalistas.
No acordo fechado hoje, ficou definido o seguinte:
Para quem recebe o piso, pagamento do INPC e mais 1%;
Para salários até R$ 5.172,00 será acrescido o INPC;
Para salários acima de R$ 5.172,00 haverá aumento de R$ 182,00.
Em 2009, pagamento do INPC e mais 1%.
Os negociadores também confirmaram a criação de uma Comissão Paritária para discutir “a saúde e as condições de trabalho do jornalista”, devendo ser implantada em 60 dias. A comissão começa a trabalhar após a formalização do acordo coletivo e será formada por três representantes do Sindicato dos Jornalistas e outros três do Sindicato das Empresas. As reuniões são mensais e nesses encontros uma das entidades poderá levar um convidado para debater questões relacionadas à saúde do trabalhador.
A reunião de ontem também aprovou o “acordo compensatório de horas trabalhadas”, que somente será possível quando for de interesse dos profissionais. Nesse caso, cabe ao Sindicato encaminhar a discussão e a deliberação junto aos jornalistas, que pode ser por editoria ou local de trabalho. Todas as decisões tomadas hoje dependem, agora, da aprovação da categoria nas nove assembléias a serem realizadas no Estado.
jornais vão melhor aqui que lá fora
Eu sei. Pode não ser lá grande novidade, mas vale replicar aqui. Para registro.
Deu na Folha de S.Paulo em 2 de junho.
“A venda de jornais no Brasil avançou 11,8% no ano passado, superando a média mundial, que foi de 2,57%, de acordo com a WAN (Associação Mundial de Jornais, na sigla em inglês). O mesmo cenário já tinha ocorrido em 2006, quando a circulação no Brasil cresceu 6,5%, e a mundial, 2,3%.
Os números brasileiros são idênticos aos que já foram apresentados pela ANJ (Associação Nacional de Jornais), que mostraram que a circulação diária de jornais pagos ultrapassou 8 milhões de exemplares no ano passado.
O crescimento das vendas no Brasil foi o maior na América Latina e um dos mais expressivos no mundo, superado apenas por algumas antigas repúblicas soviéticas, como o Cazaquistão, países da África (Quênia, Gâmbia e Líbia), Malásia e Kuait. Nos últimos cinco anos, a circulação de jornais no país cresceu 24,93%. Na América do Sul, por exemplo, a Argentina teve alta de 22,7% no período, e o Equador, de 15,2%.
Segundo o levantamento da WAN em 232 países e territórios, mais de 532 milhões de exemplares foram vendidos em média todos os dias no mundo em 2007 -17 milhões a mais do que no ano anterior. Ainda de acordo com a associação, o número de pessoas que lêem um jornal diário subiu para 1,7 bilhão, 300 milhões a mais. As vendas cresceram ou ficaram estáveis em aproximadamente 80% dos países pesquisados (elas caíram nos EUA, na União Européia e no Japão).
A China é o país em que mais se vendem jornais: 107 milhões de cópias diárias. Mas, em média, os japoneses são os maiores consumidores: 624 exemplares vendidos para cada 1.000 adultos. O Japão é o terceiro maior mercado, com 68 milhões de exemplares comercializados, atrás também da Índia. Os Estados Unidos e a Alemanha são o quarto e o quinto maiores mercados, respectivamente.
Os turcos passam 74 minutos lendo jornais diariamente, 20 minutos mais que os belgas, que estão em segundo lugar.
O faturamento mundial com publicidade dos jornais pagos aumentou 0,86% em 2007 em relação ao ano anterior -havia crescido quase 4% na comparação entre 2006 e 2005. Nos últimos cinco anos, essa receita avançou 12,84%.
Na América Latina, a receita dos jornais com publicidade se expandiu em 10,77% entre 2006 e o ano passado, só perdendo para o avanço no Oriente Médio e na África, de 13,17%.
Apesar do avanço, os jornais tiveram uma pequena perda na fatia do mercado mundial de publicidade: de 28,7% para 27,5%. Ainda assim, eles continuam como o segundo meio de comunicação que mais fatura com propaganda (atrás da TV, com 38%) e com uma receita superior à de internet, rádio, cinema e mídia ao ar livre somadas, de acordo com a WAN.”
ainda sobre o futuro dos jornais
O caderno Mais! da Folha de ontem veio com o tema que mais preocupa os publishers pelo mundo afora: o futuro dos jornais. Com um texto de abertura da editora executiva Eleonora Lucena, a Folha trouxe um longo artigo do jornalista Eric Alterman, que saiu originalmente na New Yorker em 31 de março passado. Trouxe isso, consumiu 5,5 páginas e deu. Ponto. Nem mais um pio sobre o assunto, ninguém mais escreveu ou discutiu o palpitante momento na edição.
Para um jornal como a Folha, é pouco.
Para a crise que se anuncia sobre o setor, é pouco.
Para o momento da imprensa brasileira, que comemorou no início do mês 200 anos, foi pouco.
Foi insuficiente, mas não só.
Conforme escreveu Adriana Alves Rodrigues no GJOL, o leitor atento percebeu uma certa confusão nos discursos ali estampados. A editora da Folha adota um tom otimista, despejando estatísticas que mostram um desempenho positivo do setor em no Brasil e nas economias emergentes (leia o texto dela aqui: para assinantes). Eleonora Lucena tem razão: por aqui, a coisa ainda não pegou pra valer, e uma certa reinvenção da imprensa se deu com o desembarque nas bancas da chamada penny press, formada por jornais mais baratos, mais quentes e voltados para um público ainda inexplorado.
Já o artigo de Eric Alterman beira o tom sombrio (veja aqui. Para assinantes). Ele escancara a situação norte-americana, a queda das tiragens, a migração de parte do bolo publicitário, uma disputa cada vez mais acirrada entre jornalistas e blogueiros. É uma aula de jornalismo. Uma aula de mercado. Mas jornalismo e mercado norte-americanos.
Neste sentido, a Folha falhou mesmo. Faltou complementar o tema com textos de gente daqui que pudessem oferecer tanta análise e interpretação quanto Alterman. O texto de Eleonora é claro, interessante, mas pouco analítico, mais informativo. Por aqui, já temos uma história de mídia na web e gente como Carlos Castilho, Marcelo Tas, Beth Saad, Pedro Doria, entre outros, poderiam oferecer análises tão densas e amplas quanto à gringa.
Alguns dados fazem pensar:
- 2,6% é quanto crescem os jornais no mundo atualmente
- 11,8% é quanto eles crescem no Brasil
- Os jornais abocanharam em março 19,4% do bolo publicitário no país
- 42% a menos valem as empresas de jornais nos EUA, e a queda tem sido impiedosa
- Os leitores têm sido cada vez mais raros entre os mais jovens
- O mercado norte-americano tem extinguido postos e mais postos de trabalho nas redações
- Pesquisas lá mostram a queda vertiginosa da confiança na mídia
- Aqui, também cresce a desconfiança, mas a mídia não é a única instituição a perder terreno
A crise dos jornais, a invenção de novas plataformas de consumo e distribuição de informações e a convergência midiática têm levado a indústria do setor a um comportamento esquizofrênico: tenta ser audaciosa em alguns casos, buscando soluções, mas atirando sem mira; ao mesmo tempo em que fica imóvel, fingindo-se de morta e aguardando uma solução dos céus…
O Mais! de ontem, na Folha, mostra o quanto a mídia ainda peca na análise de seu próprio mètier. Não consegue um distanciamento seguro que lhe permita uma avaliação mais ampla e serena do caso. Não mobiliza mais recursos para o debate que se faz necessário. Não contagia – para além dos diretamente interessados: empresários, jornalistas e pesquisadores da área – mais ninguém com o assunto. Um tema que deveria interessar a todos da esfera pública.
(Se você não é assinante da Folha e não consegue ler os textos da edição de ontem, não desanime. O artigo de Alterman, no original, está aqui… aberto para leitura.)
(Enquanto isso, nos Estados Unidos, durante a FreePress – a conferência internacional que discute reforma na mídia e transformações na democracia -, o jornalista Bill Moyers deixou a platéia eletrizada com sua fala e as perspectivas sobre o futuro das grandes corporações midiáticas. Leia aqui ou assista aqui)
vem aí uma batalha entre microblogs???
Dias atrás, li no meu Twitter muitas reclamações sobre a instabilidade do sistema. Trocando em miúdos: quem queria blogar (só 140 toques por post no Twitter) estava irritado com as constantes quedas do site. Li ontem que alguns estavam comentando sobre um tal Jaiku, que é um sistema semelhante e que foi comprado pela Google tempos atrás.
Hoje, no UnderGoogle, o nandokanarski sinaliza que estaria em curso uma debandada de usuários do Twitter para o Jaiku, teoricamente mais estável. Será que estamos à beira de uma disputa entre microblogs???
Acho que é cedo…
jornais comemoram lucros e sindicato quer piso maior
Nota no Expresso Digital, o boletim eletrônico do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, alfineta o empresariado do ramo:
Profetas que previram o fim do meio jornal: aproveitem para ler o caderno de empregos. A frase acima faz parte da campanha promovida pela Associação Nacional dos Jornais (ANJ) e foi veiculada na edição de hoje do Diário Catarinense, pg 10. Em linhas gerais, os textos destacam a alegria do patronal com o aumento na venda de exemplares, ampliação da publicidade no setor e, conseqüentemente, os lucros produzidos pela mídia impressa, que crescem anualmente.
O presidente da ANJ, Nelson Sirotsky, também presidente do grupo RBS, é o principal negociador com o Sindicato dos Jornalistas.
A peça publicitária da Associação destaca ainda: “Quem poderia prever que o jornal iniciaria o ano crescendo? Qualquer pessoa bem informada, já que ele fechou o ano passado com números extremamente positivos”.
“No primeiro trimestre de 2008 a tendência se acentuou e o investimento publicitário aumentou 23,72%, segundo a Intermeios. Em março, o percentual de participação dos jornais no bolo publicitário ficou em 19,4%, contra 18,3% no mesmo mês do ano anterior. Mas ainda sobrou um espaço para quem disse que o jornal iria acabar: a errata”.
Os dados da campanha publicitária mostram que o patronal tem amplas condições de pagar o piso mínimo de R$ 1.500,00 para os trabalhadores jornalistas.
A nota do SJSC bate forte porque a categoria está em plena negociação salarial. O período é delicado, sentar à mesa com os interlocutores é sempre complicado, uma cantilena de reclamações dos patrões: sempre a situação está difícil, quase nunca há condições de se pagar melhor os trabalhadores, etc…
Agrava a situação o fato de que a categoria é pouquíssimo unida e quase nada articulada. Quase sem respaldo, os dirigentes sindicais tentam desobstruir os diálogos, mostrando a necessidade de aumento e a incorporação de novos direitos e garantias. Não é fácil. Participei de ao menos duas negociações do tipo quando fui vice-presidente do SJSC, e ao final das reuniões o cansaço mental e emocional de todos era visível. Havia também outros sentimentos: uma raiva diante do teatro dos patrões e uma indignação incontornável. Apesar de tudo, é preciso resistir, de forma intransigente. É necessário sentar e negociar, brigar por direitos, pois eles nunca são concedidos, são conquistados.
credibilidade, confiança, reputação: 4 links
1. Na Slate, Chris Wilson demole a suposta democracia da web 2.0. Para isso, usa como exemplos a Wikipedia e o Digg.
2. No CyberJournalist, uma survey sobre a credibilidade online.
3. Marcos Palacios comenta o livro de Adrian Monck que questiona a credibilidade da mídia através da história.
4. O próprio Monck apresenta o sumário de seu “Can you trust the media?”
liberdade de imprensa e direito à informação: dois links
No Observatório da Imprensa desta semana, Venício Artur Lima escreve sobre a III Conferência Legislativa sobre Liberdade de Imprensa, que reuniu a cúpula do empresariado de mídia no país. O texto “Liberdade de imprensa ou direito à comunicação” é ótimo, e dialoga com grande abertura com o editorial “Liberdade de Imprensa, mercado e direito à informação”, da edição 138 do Monitor de Mídia.
Ah, se todos lessem…
vão encolher mesmo a notícia
Deu no informativo eletrônico do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina: o Grupo RBS vai tornar o jornal A Notícia – que anexou em 2006 – em mais um tablóide.
“Conforme o Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina havia adiantado no dia 17 de março, o jornal A Notícia terá novo projeto gráfico no próximo mês. A informação foi confirmada pelo editor-chefe do AN, Nilson Vargas, na quinta-feira (20), quando detalhou as mudanças para a redação. O formato será tablóide (27,5 por 37,5), com o primeiro caderno (de 36 páginas, no mínimo, mais três cadernos temáticos) sendo grampeado. Haverá duas rodagens: estadual, às 22h30; e outra, às 23h30, para Joinville. O conteúdo sofrerá mudanças gráficas e editoriais: textos mais focados na cidade e região; mais cores, fotos e infográficos nas páginas. Algumas equipes já estão definidas e os jornalistas serão remanejados de acordo com as formações dos grupos nas editorias. Informou-se ainda que haverá contratações de profissionais. A jornada de trabalho tenderá a ser menor, ficando a cargo dos editores apresentarem sugestões para atingir tal objetivo. A data de circulação da primeira edição é nove de abril. O an.com deve mudar de nome e também entra em operação com nova cara já na madrugada do mesmo dia.
Com esse novo projeto, a empresa pretende aumentar a carteira de assinantes, de anunciantes institucionais e da venda avulsa. Também está previsto um maior faturamento para o ano de 2008. Indicadores mostram que o AN, apenas no primeiro trimestre, obterá excelente receita de publicidade, incrementada com a publicação de balanços patrimoniais das empresas. Até o dia 15, a empresa já havia atingido 85% da meta do mês“
Vou provocar: A partir de 9 de abril, os três maiores jornais catarinenses serão do mesmo dono, terão o mesmo tamanho, redações trabalhando em paralelo e abocanhando a maioria do bolo publicitário. Dá pra entender o otimismo.
Pena que o leitor não ganha nada com isso!
pseudotraduções da martin claret: dinamite pura!
O blog do Gaveta do Autor traz uma carta-denúncia de um tradutor que coloca mais gasolina na fogueira. Para quem não se lembra, a editora Martin Claret está sob denúncias de que plagiava traduções de livros, que não pagava pelos direitos de algumas outras e demais ilegalidades.
Vale a pena acompanhar…
jornalismo: 20 mudanças em 10 anos
Paul Bradshaw listou na Press Gazette dez grandes modificações no panorama jornalístico que aconteceram na última década. Há de se concordar com todas elas, mas há mais. Bradshaw se restringe aos câmbios de cultura provocados pelo avanço tecnológico. Mas a realidade é maior.
As mudanças enumeradas pelo jornalista britânico são:
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From a lecture to a conversation
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The rise of the amateur
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Everyone’s a paperboy/girl now
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Measurability
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Hyperlocal, international
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Multimedia
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Really Simple Syndication
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Maps
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Databases
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Just a click away
Ok, ok. Eu gostaria de adicionar mais dez:
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A mídia está se tornando cada vez mais concentrada no mundo todo
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Cresce o número de processos contra jornalistas, seja porque esta é uma nova modalidade de hostilização dos poderosos, seja porque as vítimas da mídia recorrem mais aos tribunais
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Meios alternativos proliferam-se; alguns vingam, outros não. Ainda há instabilidade no mercado
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Cada vez se paga menos por conteúdos oferecidos online
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As mulheres invadiram as redações (bem como as escolas de comunicação, onde já são a maioria disparada dos alunos)
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A categoria jornalística – ao menos no Brasil – está mais desmobilizada do que nos anos 70, 80 e 90
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Explodiu o número de escolas de comunicação no país
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Jornalistas em cargos de chefia ou coordenação tem se rendido aos critérios do campo da administração para conduzir seu trabalho (repetem como ventrílocos termos como reengenharia, inteligência emocional, tomada de decisão, endomarketing, market share…)
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Os departamentos jurídicos são cada vez mais influentes e decisivos nas empresas jornalísticas, cabendo a eles – em muitos locais – a última palavra sobre publicar ou não a matéria
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O politicamente correto não tornou o jornalismo um produto melhor que antes
E aí? Quem tem mais dez novidades?
fenaj lança nota contra igreja universal
A Federação Nacional dos Jornalistas lançou agora há pouco uma nota de repúdio à Igreja Universal do Reino de Deus e à Rede Record no episódio que já é uma das mais agudas perseguições à profissão no Brasil neste ano.
Para saber mais sobre a guerra entre a Universal e a mídia (leia-se jornal Extra, A Tarde e Folha de S.Paulo), acesse aqui (matéria de Elvira Lobato sobre a IURD), aqui (matéria sobre processos dos fiéis contra a mídia) e aqui (IURD desmente ações orquestradas).
Na segunda à noite, o jornalista Juca Kfouri fez um amplo desagravo à Elvira na mesa redonda que acontece semanalmente no canal ESPN Brasil. Juca apoiou a série de reportagens de Elvira e foi seguido em suas manifestações por outros jornalistas do mesmo programa, como João Palomino, Marcio Guedes e Fernando Calazans.
Durante a semana, surgiram outras manifestações de apoio às matérias investigativas dos jornais processados.
No portal Arca Universal, chamam a atenção duas notícias. Numa, de ontem, a matéria repercute a reportagem exibida no domingo sobre o “preconceito religioso” a que está sendo vítima a igreja. Na segunda matéria do portal, convocam o presidente da república, Lula, para abafar que esteja em curso uma série de atentados contra a liberdade de imprensa.
Reproduzo a nota da Fenaj abaixo:
“Nota Oficial Jornalistas repudiam intimidação da Universal A Federação Nacional dos Jornalistas, o Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro, o Sindicato dos Jornalistas da Bahia e demais Sindicatos do país filiados à FENAJ repudiam, com veemência, a atitude da direção da Igreja Universal do Reino de Deus, que desencadeia campanha de intimidação contra jornalistas no exercício da profissão.Também apelam aos Tribunais e ao Superior Tribunal de Justiça no sentido de alertá-los para ações que se multiplicam a fim de inibir o trabalho de jornalistas em todo o país. O acesso e a divulgação da informação garantem o sistema democrático, são direitos do cidadão, e o cerceamento de ambos constitui violação dos direitos humanos. A TV Record, controlada pela Universal, chegou ao extremo, inadmissível, de estampar no domingo, em cadeia nacional, a foto da jornalista Elvira Lobato, autora de uma matéria sobre a evolução patrimonial da Igreja, publicada na Folha de S.Paulo. Por esse motivo, Elvira responde a dezenas de ações propostas por fiéis e bispos em vários estados brasileiros. Trata-se de uma clara incitação à intolerância e do uso de um meio de comunicação social de modo frontalmente contrário aos princípios democráticos, ao debate civilizado e construtivo entre posições divergentes. O fato de expor a imagem da profissional em rede nacional de televisão, apontando-a como vilã no relacionamento com os fiéis, transfere para a Igreja a responsabilidade pela garantia da integridade moral e física da jornalista. A Federação Nacional dos Jornalistas, o Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro, o Sindicato dos Jornalistas da Bahia e demais Sindicatos exigem que os responsáveis pela Igreja Universal intervenham para impedir qualquer tipo de manifestação de intolerância contra a jornalista. O episódio nos remete à perseguição religiosa, absurda e violenta, praticada por extremistas contra o escritor Salman Rushdie, autor de Versos Satânicos, e as charges de Maomé publicadas no jornal dinamarquês Jyllands-Posten. O jornalista Bruno Thys do jornal carioca Extra também é processado pela Universal em cinco cidades do Estado do Rio de Janeiro. O repórter Valmar Hupsel Filho, na capital baiana, já responde a pelo menos 36 ações ajuizadas em vários estados do Brasil, nenhuma delas em Salvador, sede do jornal A Tarde, onde trabalha. Há evidência de que essas ações, com termos idênticos, estão sendo elaboradas de forma centralizada, distribuídas e depois impetradas em locais distantes, para dificultar e prejudicar a defesa, além de aumentar o custo com as viagens dos jornalistas ou seus representantes. Encaminhados à Justiça com o nítido objetivo de intimidar jornalistas, em particular, e a imprensa, em geral, esses processos intranqüilizam e desestabilizam emocionalmente a vida dos profissionais e de seus familiares. Ao mesmo tempo, atentam claramente contra os princípios básicos da liberdade de expressão e manifestação do pensamento. Em um ambiente democrático e laico, é preciso compreender e aceitar posições antagônicas e, mais ainda, absorver as críticas contundentes, sem estimular reações de revanche ou mesmo de pura perseguição. Este episódio repete, com suas consideráveis diferenças, outras situações em que os meios de comunicação exorbitaram os fins para os quais foram criados. A Federação Nacional dos Jornalistas, o Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro, o Sindicato dos Jornalistas da Bahia e demais Sindicatos sustentam que a imprensa não pode se confundir com partidos políticos, crenças religiosas ou visões particulares de mundo. Brasília, 20 de fevereiro de 2008. Diretoria da Federação Nacional dos JornalistasDiretoria do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro
Diretoria Sindicato dos Jornalistas da Bahia”
madu dá a real
Madu articula duas informações dispersas na rede e tece um raciocínio claro, colocando os pingos nos is sobre a relação das novas e velhas mídias com o público, o desembarque dos blogueiros na praia das coberturas e o que temos adiante.
Madu junta estudo feito por uma universidade norte-americana (e comentado no Poynter) e a notícia-piada de que blogueiros estariam hostilizando jornalistas na Campus Party. De quebra, Madu lembra os incautos que acha que leram A Longa Cauda.
tiragem cresce, mas fecham jornais
Fecharam o ANCapital, e a desculpa sempre é a mesma: corte de gastos, custos elevados. Parece que o setor está em crise.
Mas não está mesmo. Veja o que noticia o Política Livre:
“O Instituto Verificador de Circulação (IVC) registrou aumento de 11,8% na circulação dos jornais filiados à entidade no ano passado, em comparação com a média registrada em 2006.
Foi o quarto ano consecutivo em que o meio jornal apresentou alta. Em 2007, o aumento da renda média e do consumo no Brasil foi importante para os bons resultados do setor.
Também contribuiu para o bom desempenho, diz comunicado do IVC, “a competitividade no mercado, que gerou reformulações gráficas e de conteúdo, segmentação com novos cadernos e lançamentos de promoções”.
A consolidação de jornais com preços mais acessíveis à população também foi fator determinante para o aumento de circulação. Circulam diariamente no Brasil 4.144.130 exemplares, em média.
O IVC audita cerca de 50% da circulação de jornais no Brasil, incluindo publicações de circulação paga e títulos de distribuição gratuita.”
o fim do ancapital (2)
Dois blogs de experientes e influentes jornalistas do estado comentam (e criticam, e lamentam) o fim do ANCapital:







