Jornalistas devem seguir regras para usar dados pessoais de terceiros?

Jacob Granger informa no Journalism.co.uk que repórteres e editores estão sendo chamados para discutir bases de um código de conduta para a profissão que leve em consideração o uso dos dados pessoais de fontes e envolvidos em matérias e reportagens. O documento tentaria reequilibrar privacidade e liberdade de imprensa, mas atualizaria também o terreno agora que estamos vivendo em pleno capitalismo de vigilância ou dataísmo, como gosta de chamar o Yuval Harari.

Sim, jornalistas precisam discutir isso.

A questão é por onde começamos.

Outra questão é até onde podemos ir…

Um blog a menos sobre a mídia britânica?

Roy Greenslade é um importante observador da imprensa britânica. Tem mais de 50 anos de jornalismo e há mais de uma década mantém um blog influente e certeiro. Como meus conhecimentos sobre a paisagem midiática inglesa são limitados, devo bastante à Greenslade sobre o que sei de lá. Acompanho seus textos há alguns anos e essa leitura foi determinante durante o escândalo dos grampos telefônicos do The News of The World, um verdadeiro terremoto sobre os jornais locais.

Acontece que Roy está fechando seu blog, o que é uma pena!

Ontem, 6, ele confirmou que vai escrever até o final do mês, que vai continuar a fazer análises – agora semanais – para jornais e que vai aumentar sua dedicação ao ensino universitário. Como eu disse, é uma pena, e eu estava habituado a lê-lo no The Guardian…

Num mini-balanço, Greenslade diz que quando começou a blogar sobre mídia, considerava-se um revolucionário. Hoje, depois das redes sociais, das muitas turbulências que chacoalham a indústria e das irreversíveis transformações culturais no consumo e produção de conteúdos, ele se considera um contra-revolucionário.

Ele acha que o futuro da mídia é digital, mas admite que talvez seja o caso de considerarmos que perderemos o que antes chamávamos de “grande mídia”. A pergunta que ele deixa ao final do post é das mais importantes para a sobrevivência dessa coisa: “Podemos realizar essa tarefa sem a escala e o alcance de uma mídia que, para o bem ou para o mal, é o locus da nossa conversa nacional?”

EBC leva mais um golpe

Um projeto verdadeiro de comunicação pública fica muito mais distante a partir de hoje, com a publicação da Medida Provisória 744, que afeta diretamente a governança da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
A MP é assinada por Rodrigo Maia, presidente em exercício, e provoca três efeitos práticos que bombardeiam a comunicação pública. Primeiro: dá amplos poderes para o presidente da República exonerar o presidente da EBC. Temer tentou isso, mas a Justiça mandou voltar atrás. Segundo: tira qualquer participação da sociedade na cúpula da empresa, pois a MP extingue com o Conselho Curador. Terceiro: Temer coloca seus tentáculos na cumbuca, ao colocar cargos estratégicos nas mãos de Mendonça Filho e Marcelo Calero, aparelhando a diretoria.
Para quem pensa numa governança de mídia mais plural, equilibrada, diversa e participativa. Para quem pensa numa comunicação pública e não estatal… Taí!

Não dá pra entender a estratégia da Band

Durante meses a fio a Band martelou o público com a divulgação do seu aplicativo. Com ele, seria possível acompanhar a programação da emissora em qualquer lugar, conectado com a internet por celular, tablet ou dispositivos móveis semelhantes. A jogada era simples: todas as emissoras de TV aberta (e fechada) percebem que a audiência está migrando paulatinamente (ou aceleradamente) para a web e aí, todos tentam reter os grãos de areia nas mãos.

No início desta semana, uma “matéria” do Jornal da Band comemorava que cinco milhões de pessoas têm acompanhado o telejornal que passou a ser transmitido em tempo real no Facebook. Uai! Mas e o aplicativo? Por que a Band está recheando a empada do Facebook se ela já oferecia pastel?

Dá a impressão de que a emissora está atirando para todos os lados, mas isso não é necessariamente acertado. Se você tem um aplicativo que serve de atalho para a sua audiência e também permite que você colha dados que ajudem a monitorar esse consumo, por que joga isso pro alto e adere a um monstro tentacular como Facebook, que controla toda a operação?

Apenas “porque todo o mundo está no Facebook”? É pouco, muito pouco. É suicida.

 

Liberdade de Expressão e Regulação da Mídia

Você acha que regular os meios de comunicação é impor censura?

Taí uma chance para entender melhor porque o Brasil precisa criar mecanismos claros, públicos e democráticos para garantir direitos e fixar regras para um mercado predatório.

Mais informações em https://www.facebook.com/events/1609487945991809/

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Um estudo sobre consumo e públicos da mídia

Screenshot 2015-06-14 05.35.13Se tivéssemos no Brasil um Conselho de Comunicação Social de verdade, talvez pudéssemos sonhar com a elaboração de um estudo como o que a portuguesa Entidade Reguladora da Comunicação (ERC) lançou recentemente.

A pesquisa analisa o consumo de notícias em plataformas digitais e as relações com seus públicos em Portugal e mais dez países, entre eles o próprio Brasil.

Baixe aqui.

O documento está em português, em PDF, tem 116 páginas e seu arquivo tem 5,5 Megabytes.