Marcado: música

Chegou o outono

Chet Baker e Paul Desmond anunciam a nova estação: Autumn Leaves

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Miles Davis faz 90 e continua milhas à frente

queremos milesParece piada, mas foi verdade.

Miles Davis estava num jantar na Casa Branca e uma socialite igualmente branca se aproximou dele e tentou se enturmar: “Quem é o senhor e o que está fazendo aqui?”. Miles falou com sua voz de lagarto: “Vim a convite do presidente porque mudei o panorama da música umas três ou quatro vezes”.

As palavras podem não ter sido exatamente as mesmas, mas Miles não exagerou.

No dia em que ele completaria 90 anos – hoje, 26/05/2016! -, basta olhar ao redor, apurar bem os ouvidos e perceber como não apenas foi instrumentista excelente, band leader temperamental, mas acima de tudo um inquieto renovador da música.

Para celebrar o dia do aniversário, alguns presentes:

Billie fez 100 e nem parece

Eu poderia começar assim: “Se estivesse viva, Billie Holiday teria feito cem anos ontem…” – Mas não!

Billie está viva, sabemos todos. Então, recomeçarei dizendo que, para uma estrela, um século de existência não é nada, é a espessura de uma folha de papel sobre o Empire State Building… Estrelas giram no espaço por bilhões de anos, e Billie só está engatinhando…

Pois é, nega-véia, o tempo passou e você continua a mesma: sofrida, doída, sensual, rascante, romântica, oblíqua-e-dissimulada, única. Dissonante, inspiradora, emocionante. Tenho pena de quem nunca te ouviu. Tenho mais de quem te escutou, mas não te ouviu. Para aqueles que não cansam de te ver cantar, repetimos a cada verso: volta, vai! Como diz a inscrição famosa de cemitério, “nós que aqui estamos, por vós esperamos!”

death jazz!

Começa assim: um japonês gorducho, vestido de preto, com chapéu de aba larga e com pinta de gigolô grita por um megafone. Na verdade, anuncia o título da música que está por vir. Um segundo japonês – este careca! -, vestido com uma camisa coloridíssima, dança como uma minhoca ao mesmo tempo em que toca o seu saxofone. Ele puxa a fila, pois um terceiro japonês com óculos berrantes, cabelos encaracolados (!) e um trompete colado nos lábios, berra notas altíssimas. A luz inunda o palco e já são seis japoneses, uma brigada formada ainda por baterista, tecladista e baixista.

O conjunto da obra é bem esquisito: eles dançam freneticamente, se espalham por todos os cantos e o som atravessa as paredes. Uma sonzeira pra falar a verdade. Parece pop, parece R&B, parece qualquer coisa dançante e irresistível, mas é jazz. Death Jazz!, corrige o chefe da banda, aquele que mais parece um gigolô, e que só se ocupa de desfilar, supervisionar a performance alheia, puxar palmas da plateia e dar palavras de ordem pelo megafone.

Esquisito é pouco. Imagine uma banda japonesa de jazz que põe todo o mundo pra dançar! Até o nome é estranho: Soil & “Pimp” Sessions. Chega de palavras. Arraste os móveis na sala e ouça (em volume alto, por favor).

fernando, dulce e o infante

Fernando Pessoa, transbordante de uma nostalgia nunca vivida – porque não havia pisado o século 16 -, escreveu esse atroz poema. Dulce Pontes, transbordante de emoção, musicou os versos. A apresentação a seguir se deu em Istambul, que já foi Bizâncio e que já foi Constantinopla.
Senta e ouve. Pode chorar, se quiser.

quando baquetas viram batuta

Não são muitos os grupos de jazz que têm como bandleader um baterista. Talvez o caso mais memorável seja o de Art Blakey e seus Jazz Messengers. Mas temos um caso muito especial ultimamente. É o Jonathan Blake Quintet, que esteve recentemente no Brasil para o BMW Jazz Festival. Blake, com o porte de um urso, move suas baquetas com suavidade, autoridade e leveza. Parece um maestro e sua batuta. Parece acariciar as peles estendidas dos tambores, caixas, bumbos e chimbaus.

e o amor, hein?

Outro dia, em Congonhas, na banca de revistas, passo por um rapaz com uma mochila nas costas. Percebo o zíper aberto, e reconheço o sujeito: “Criolo, sua bolsa está aberta!”. Ele se volta sorridente: “Obrigado, meu querido!”.

Eu o chamei de “Criolo”, e ele de “meu querido”. Contei o episódio à minha esposa, e ela se escandalizou com a minha forma de tratamento. Expliquei quem ele era, e tudo terminou bem. “Ele te conhecia?”, ela perguntou. Eu sorri balançando a cabeça. “Ele só foi gentil”. Alguém já falou que gentileza é um outro nome para o amor. Um tipo dele. Aliás, é o próprio Criolo quem já fez um belo apelo para mais amor… Vale!

stardust: coltrane

Depois de uma semana com asteróide raspando a Terra e de meteorito varrendo a Rússia, só mesmo fechando com poeira de estrela…

Depois de um entardecer suspirante como este, do último dia do horário de verão, depois na chuva e do arco-íris e do sol insistente… poeira de estrela…

Coltrane conta como.

marsalis, o branford

Essa família Marsalis é talentosíssima, e um dos filhos – Wynton – é certamente o mais famoso. Mas tem Branford, que assina uma das peças mais tocantes deste filme de Spike Lee de 1990. O filme é Mo’ better blues, e a música é Again Never. Feche os olhos e abra os ouvidos…

concierto de aranjuez: chet baker, ron carter, jim hall…

Era uma vez um violonista espanhol chamado Joaquín Rodrigo. Era uma vez os jardins do Palacio Real de Aranjuez, tão inspiradores que provocaram o tal Rodrigo a escrever um concerto para eles… Era uma vez, então, uns músicos brilhantes… um na guitarra, outro no contrabaixo, outro no trompete e outros mais, todos juntos e… bem, chega de história… assista você mesmo!

Concierto de Aranjuez

um dos duetos mais emocionantes

Na madrugada deste domingo, fui sacudido por uma torrente emocionante quando vi um número que reuniu Maria Gadú e Beto Guedes, no programa Altas Horas. Gadú, com seu timbre vigoroso e encorpado, é acompanhada por um Beto Guedes, envelhecido mas ainda muito suave e generoso. O compositor mineiro de voz afeminada é um dos poetas mais importantes dos anos 70 e 80 no Brasil. “Amor de índio” – assinada com Ronaldo Bastos – é uma das suas melhores canções e deveria ser ensinada nas escolas, como o Hino Nacional.

há 15 anos morria chico science

Hoje faz exatamente quinze verões desde que cheguei à república estudantil de uns amigos festeiros e encontrei todos pregados-atônitos na frente da TV. Ao abrir a porta, ouvimos uma senha estranha: “Vocês não vão acreditar em quem acaba de morrer!”. Gelamos no momento, congelamos no seguinte.

Em pleno dia de Iemanjá e de Nossa Senhora dos Navegantes, Chico Science sucumbia num acidente automobilístico entre o Recife e Olinda…

A morte sempre atordoa, mas aquele era o nosso heroi do momento! Animava nossas festas, contagiava o espírito de quem batalhava no começo da vida, em busca de um novo emprego, no início da carreira, na plenitude dos muitos sonhos. Inteligente, gregário, sorridente, brilhante, talentoso, formulador de novas teorias e nossos ritmos, dançante, contagiante, Chico Science atuava como um sensacional arauto de novas sonoridades, de novas posturas para as bandas e jovens artistas brasileiros, trazendo não apenas um som diferente, mas chamando a atenção para uma cena artística escanteada por décadas.

Irônico, eu sempre digo isso, irônico é lembrar que um sujeito tão rítmico fosse morrer numa batida…

Passados quinze anos, o mundo mudou demais. A Nação Zumbi continua, o Mundo Livre S/A esteve na semana passada aqui em Floripa para lançamento de novo trabalho, outras bandas surgiram, mas o mangue beat persiste. Quem é mangue boy sabe do que estou dizendo.

A convite do UOL, Fred Zero Quatro até reescreveu o Manifesto.
O original você encontra aqui.
O renovado, reproduzo a seguir.

Chico Science lives and rules!

Rios, pontes e alfaias
Welcome to hellcife. Ex-venérea brasileira, que tempos atrás exportava em abundância uma madeira muitíssimo utilizada em toda a Europa na fabricação de arcos de violino. Na França chamavam de Pernambouc. Por aqui, Pau Brasil. Nos anos 90 do século passado, nosso parceiro Chico Science celebrizou outra espécie, a chamada Rizoflora, árvore predominante nos nossos manguezais. Depois disso, passamos a exportar alfaias, tambores característicos do maracatu, para todo o planeta – um produto com alta carga simbólica. Pode-se dizer que hoje, poucos são os estudantes de percussão que não tenham ou almejem ter em seu set uma alfaia fabricada em Pernambuco.

A vida é um game?
Vinte anos atrás, a zona do antigo porto do Recife, que era frequentada prioritariamente por prostitutas, cafetões, marinheiros e contrabandistas, foi de certa forma resgatada por uma nova espécie da fauna pernambucana, os Chamagnatus granulatus sapiens, ou caranguejos com cérebro. Nos cabarés da vizinhança do marco zero, os chamados Cool Crabs passaram a produzir e a discotecar em festinhas underground. O bairro passou então a atrair a cobiça de empresários da noite, galeristas e, por fim, do poder público. Hoje um dos mais bem sucedidos setores de exportação do Recife, além da música e do carnaval, são os produtos gerados pelas centenas de micro e pequenas empresas de games e softwares instaladas ali perto, no Porto Digital.

Carnaval sem fim
As festinhas underground não acabaram. Mas os mangueboys são cada vez mais raros. Outras tribos predominam: indies, neofolks, e um híbrido celebrizado pela banda Eddie, a galera original olinda style. Quanto à massa, curte brega e pagode, mas também adora o carnaval multicultural. E a produção musical, herdeira ou não do manguebeat, tem se mostrado cada vez mais fecunda: só em 2011 foram lançados quase 200 discos, alguns com ótima repercussão nacional. O Nação Zumbi, quem viver verá, vai arrebatar mais uma vez o Brasil com o lançamento de seu segundo DVD ao vivo, em 2012.

Da lama aos neurotransmissores
Mas o universo mudou. Se antes os mangueboys se inspiravam na antipsiquiatria e na teoria do caos, hoje alguns deles se interessam pelo conceito de capitalismo linguístico; descobertas recentes no campo da neuroplasticidade; experimentos obscuros da Googleplex; estudos avançados sobre sinapses e redes neurais; a falácia do conceito de “cérebro out-board” e a relação entre o uso contínuo de multitarefas com distúrbios do hipocampo cerebral. Não por acaso, alguns de seus novos gurus são o escritor Nicholas Carr e os neurocientistas Jordan Grafman e Michael Merzenich, que após anos de experimentos vêm alertando que quando realizamos multitarefas online, estamos “treinando nosso cérebro para prestar atenção ao lixo”.

Parabólica revisitada
Quando os mangueboys imaginaram, duas décadas atrás, uma parabólica enfiada na lama, eles não o fizeram seguindo nenhum roteiro pré-estabelecido. E a reflexão que fazemos hoje se assemelha ao que preconiza N. Carr em “A geração artificial”: ainda alimentamos a esperança de que não chegaremos tão gentilmente ao futuro, como diz o escritor, “seguindo os scripts que os engenheiros da computação e os programadores de softwares estão escrevendo para nós”. Voltemos a ganhar a estrada, portanto. Canalizemos nosso desejo de interatividade para as ruas com empatia e tesão, pois, como diz um refrão do novo disco do Mundo Livre S/A, a vida é pra compartilhar…e gozar.

20 anos sem miles

Há exatamente duas décadas, a irmã de um amigo meu saía para trabalhar. Era de manhã, e ela cumprimentou com um corriqueiro bon jour o porteiro de seu prédio em Paris. Ele respondeu a ela de forma muito educada. “Não é um bom dia, senhora! Miles Davis morreu!”

A história é real e faz parte da minha mitologia particular sobre o jazz.

Fiquem com Miles, que está fazendo um longo concerto em outra dimensão…

um domingo com terence

Terence Blanchard é um dos trompetistas mais aclamados do jazz atual. Já gravou discos reconhecidamente importantes, fez parcerias com artistas renomados, assinou trabalhos em homenagem a velhos ícones da música; já ganhou prêmios como o Grammy, lançou trabalhos em que relê clássicos do cinema, entre outras tantas aventuras.

É de uma dinastia que o liga a Louis Armstrong, Dizzy Gillespie, Miles Davis, Nicholas Payton e Wynton Marsallis…

Por isso e muito mais, um domingo frio, fechado e carrancudo como o de hoje em Florianópolis é melhor na companhia dele.

Divirta-se!

uma música, um piano, uma animação

É possível que já tenha ouvido esse tema.
Está na novela das sete na Globo. Originalmente, ele vem do filme “O fabuloso destino de Amélie Poulain”, e o tema musical é assinado por Yan Thiersen: Comptine d’un autre été l’après midi (algo como Rima de uma outra tarde de verão).
O filme é lindo, a música também, e a animação… bem, confira.

a biografia de um disco

Esse tal de jazz tem umas coisas super curiosas. A exemplo de outros gêneros, você pode encontrar livros que contam a história de um artista ou de um grupo de artistas, mas vai além. Tem também biografia de gravadora, de casa de show e até mesmo de disco. Terminei de ler esta semana A Love Supreme, simplesmente a biografia do disco mais famoso de John Coltrane.

Se você sabe do que estou falando, deve imaginar o que deve ser: um livro para aficcionados, para tarados em Coltrane, um incansável renovador do uso do sax.

Se você está boiando, a coisa é simples: o livro conta como o saxofonista foi reunindo um quarteto célebre para duas noites memoráveis de gravação no mítico selo Impulse. “A Love Supreme” é um disco de 1965, um dos últimos do instrumentista que viria a morrer de câncer no fígado dois anos depois. É um álbum que influencia músicos até hoje e que surgiu num contexto importante da ascensão da cultura negra na sopa cultural norte-americana. Misterioso, espiritual, pungente e extremista, o álbum ainda fascina, mesmo quem – como eu – não sabe nada de música ou teoria musical.

O livro de Ashley Kahn tenta dar conta da atmosfera que cerca os músicos à época de “A Love Supreme”. Por muitos momentos, o livro se torna enfadonho por conta dos muitos detalhes técnicos, mas vale o registro e a busca de um clima daquele momento. Ainda mais para colocar os devidos pingos nos is, afinal Coltrane ainda é um dos jazzistas mais mitificados do mundo. Até igreja tem em homenagem a ele!

Vale a leitura. Mas antes de começar a ler, coloque o disco na agulha…

(Uma amostra grátis: o primeiro “movimento” de A Love Supreme: Acknowledgement)

lobão ainda interessa; e surpreende

Não tenho nenhum disco do Lobão em casa. Guardo com verdadeiro carinho algumas canções dele na memória, mas ele não é um artista que eu possa chamar de preferido. É mais um personagem pra mim. Como para muita gente.

Apesar dessa não-familiaridade, acabo de devorar as quase 600 páginas de sua autobiografia – Lobão: 50 anos a mil -, que ele lançou com o jornalista Claudio Tognolli. Aliás, taí uma dupla que combina muito, pela fama, pelo humor rasgado, pela inteligência aguda… Mas eu dizia que devorei a biografia do Lobão mesmo não ligando muito pra ele, e você pode se perguntar por que. Bem, foi uma surpresa. Minha mulher me deu o livro no Natal, confessando “ser uma aposta”. Entendi que ela estava oferecendo um prato para que eu provasse e, quem sabe, aprovasse. Entendi também que ela havia comprado o livro com segundas e terceiras intenções, pois se identifica muito mais com o biografado do que eu. Calei. Folheei e comecei a ler o 50 anos a mil ao mesmo tempo em que lia outro livro, mas o fato é que Lobão é um cara bastante espaçoso e foi ocupando todo o meu tempo de leitura nesses dias tórridos de verão em Florianópolis.

Por isso, você deve imaginar que o personagem vale a leitura, que as histórias são boas, enfim, que haja assunto para um catatau que pesa mais de um quilo e que traz esse semblante risonho e convidativo aí ao lado.

Olha, Lobão não é só espaçoso, mas também portador de todos os adjetivos que você já ouviu por aí. É uma metralhadora giratória; tem opinião para tudo; fala demais; é agressivo à toa; briga com todo o mundo; se entupiu de drogas boa parte da vida; é oportunista e meio marqueteiro; foi também meio bandidão, delinquente, desajustado… quer dizer, o cara é encrenca na certa.

Tá, isso tudo. Mas mais.

Na honesta e verborrágica autobiografia, Lobão se mostra ostensivamente afetuoso, deliberadamente franco e atavicamente determinado a colocar uma vida a limpo. Não que ele esteja no final dela. Quem ler, lerá que não.

Contrariando a expectativa de muita gente, Lobão se revela muito autoexigente, um estudioso aplicado e esforçado naquilo que lhe interesse – sobretudo música e literatura. Ele se debruça sobre um instrumento e persegue algo ali que está sempre além de si. Mergulha, se concentra e se joga. É inquieto, contraditório e hiperativo; um lobo correndo em círculos, sem matilha, e com a nítida sensação de estar sendo espreitado por predadores.

Como qualquer biografia que se preza, esta é também um acerto de contas. Com inimigos, com a família, com a imagem que lhe imputam e consigo mesmo. Lobão parece estar cagando para o que o público pensa dele hoje, agora. Está mais preocupado em se fazer entender. Talvez porque também esteja mais devotado a se entender também. Nas últimas 200 páginas, deixa escapar um persistente ressentimento: não estão me compreendendo ainda, não entenderam a música que eu persigo e quero fazer. É natural, é esperado, ainda mais de um lobo solitário como este. Caçado por muita gente por aí.

Mas o livro é bom? É bem escrito?

Sim, é bom. Vale a leitura. Vale a viagem. Lobão é bem-humorado, inteligente, repetitivo em algumas expressões, insistente em se fazer mostrar. É um aparecido! Tem alma de artista, espírito esvoaçante, personalidade forte e sentido espetacularizante, midiático. 50 anos a mil não é lá bem escrito, pois se apoia em um bom punhado de clichês e vícios de linguagem, e porque sua estrutura como narrativa é quadradona, o que surpreende de alguém tão criativo como ele. Mas pouco importa! Já que a força das histórias, a verborragia do biografado dão o tom do samba. O leitor se depara com Lobão falando tudo aquilo, é possível reconhecê-lo em sua oralidade perturbadora, que junta Nietzsche a meia-dúzia de palavrões que aprendemos nos estádios de futebol.

A estrutura do livro também é um pouco errante. Lobão é literal, linear e bastante minucioso de seus primeiros vinte anos. Isso faz com que o leitor encontre o Lobão como o conhecemos só lá pela página 150, quando ele vai tocar com Ritchie e Lulu Santos no Vímana! Por isso, se não tiver o devido saco, pule e vá direto ao ponto. A partir do momento em que desponta para o estrelato, encontramos no final de cada capítulo um clipping do Lobão na Mídia, o que ajuda a entender um pouco o tiroteio a que foi (e vem sendo) submetido. No final, não dá pra entender muito a reprodução de seis entrevistas com alguns personagens que cruzaram a vida do compositor (precisava?) e a publicação de acórdãos do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (era mesmo necessário?). Cortando aqui, cortando ali, o catatau poderia ser mais enxuto, mais delgado… mas não seria Lobão! O estriônico, o hiperbólico, o deboçhado, o tonitruante, o apoplético.

Apesar de todas as trombadas que deu na vida, ele está aí, se reinventando na TV. Enterrou diversos amigos, emplacou hits nacionais, fracassou miseravelmente em outros projetos, casou, descasou, teve filha, teve cabelão, cortou a juba, deixou a barba crescer e passou a usar óculos. Hoje, é um senhor de 53 anos. Um senhor é o caralho! Um lobo é um lobo, mesmo quando seus pelos estão esbranquiçados e os caninos meio falhos.

Som e fúria!

videozinho pra animar…

Ops! Este blog quase está criando teia de aranha! Três dias sem posts na blogosfera equivalem a décadas. Porque a vida não espera, deixo um videozinho de uma banda que não conhecia, mas que Carolina Dantas apresentou: The XX. Inclusive, o tema – Teardrops – foi tomado de empréstimo para as vinhetas do Ponto de Vista do objETHOS.