Marx merecia uma série na Netflix

Pense num personagem.

Um homem que conspirou contra governos, que clandestinamente espalhava os germes da revolução e que polemizava como ninguém nos jornais da sua época. Um homem que frequentava tabernas, sindicatos e bibliotecas. Um homem que fugiu, se exilou, foi expulso e perseguido em pelo menos quatro países. Um sujeito que conviveu com Bakunin, Stuart Mill e Proudhon, e que morava na mesma cidade que Darwin. Um sujeito que escreveu um manifesto com seu parceiro que se tornou o maior chamamento político do Ocidente. Um cara que descreveu as engrenagens da sociedade, que explicou os intestinos do capitalismo, que formulou e teorizou ideias que modificaram a compreensão do mundo sobre trabalho, exploração, valor, dinheiro e riqueza. Um cara que teve (pelo menos) seis filhos, que mantinha uma profética barba, que sofria de furúnculos pelo corpo, que brigava com os amigos mais próximos e se derretia de amores com as filhas e os netos. Um sujeito que teve uma vida de merda na miséria e que também teve uma vida extraordinária.

Qualquer personagem que tivesse a metade desse enredo já teria atraído a atenção dos principais estúdios de cinema do mundo. Apesar de tudo isso, não há quase nenhum filme sobre Karl Marx. Isso porque, quase 150 anos depois de sua morte, o velho conspirador continua perigoso, e as suas ideias seguem sendo inflamáveis. Nos dias de hoje e se não fosse ele, a Netflix estaria salivando para fazer uma série de streaming com diversas temporadas. Mas este não é qualquer personagem, e o capitalismo – embora tenha uma grande capacidade de fagocitar tudo – ainda não ousa contar a história de Karl Marx.

As decisões da Meta são incompatíveis com a democracia

A Meta anunciou que não terá mais moderação de conteúdo nos Estados Unidos, e que vai deixar para a “comunidade” decidir o que pode e o que não pode em suas redes sociais.

Depois disso, os barões do Vale do Silício vestiram seus ternos impecáveis para beijar o anel de Donald Trump em sua posse em Washington.

Veremos muito mais danças e contradanças entre o poder financeiro e tecnológico e o poder político nos próximos tempos.

Dei uma entrevista para o jornal da Apufsc para comentar esses temas todos e como eles não combinam com a democracia como construímos nos últimos séculos.

A reportagem pode ser lida na íntegra aqui.

Um panorama global do populismo de extrema-direita

Acaba de ser publicado The Palgrave Handbook on Right-Wing Populism and Otherness in Global Perspective, livro organizado por mim e Rui Alexandre Novais (Univ. Católica Portuguesa) para a coleção Global Political Sociology da Palgrave-Macmillan.

Com 489 páginas, o livro traz 23 capítulos abordando o fenômeno do populismo de extrema-direita nos Estados Unidos, Alemanha, México, Hungria, Polônia, Bielorrússia, Turquia, Itália, Espanha, Portugal e Brasil.

Na coletânea, ressaltamos que – apesar da geografia – existe uma característica fundamental para a recente ascensão de políticos populistas de direita e extrema direita em todo o mundo: eles se apoiam em conflitos excludentes e divisões morais, reforçando uma alteridade nociva, do tipo nós contra eles. Organizamos os capítulos em duas partes: alteridade ascendente e descendente.

Na primeira, os populistas de extrema-direita se colocam contra um estamento mais alto, tendo como alvo as elites estabelecidas e seus aliados. No outro extremo, a alteridade descendente funciona quando os populistas rebaixam setores da sociedade, transformando-os em outsiders ou bodes expiatórios.

Reunimos 36 autores que pesquisam o tema, o que deu ao livro uma abordagem abrangente e multidisciplinar das expressões desse fenômeno que interessa, seduz e assusta a todos nós.

Para saber saber mais, baixar capítulos de amostra e comprar o livro, clique aqui.

Intelectuais do mundo, uni-vos!

Um grupo altamente qualificado de ativistas mundiais acaba de criar a Internacional Progressista, um movimento para conectar e construir alternativas contra o autoritarismo e a exploração no planeta.

Sim! Você já viu esse filme antes, mas a verdade é que o velho filme nunca deixou de passar: continuamos a destruir o planeta, a nos matar e a produzir os piores resultados sociais e coletivos.

O que há de diferente desta coalizão comparada às anteriores? A urgência.

Precisamos nos juntar para sonhar, imaginar e realizar saídas. Já.

Noam Chomsky, Naomi Klein, Celso Amorim, Gael García Bernal, Fernando Haddad e Yanis Varoufakis são alguns dos nomes mais peso-pesados do conselho da entidade, que se declara democrática, decolonial, justa, igualitária, solidária, libertadora, ecológica, sustentável, pacífica, próspera, plural e pós-capitalista.

A Internacional Progressista, a meu ver, é também um movimento que desafia os intelectuais a saírem de seus gabinetes, assim como a provocação recente de um influenciador digital brasileiro. Quem se cala diante do atual estado das coisas contribui para a manutenção do caos que governa atualmente as coisas…

Relatório acusa Facebook de violar privacidade e pede punição

O Facebook deliberadamente violou a lei de privacidade e concorrência e deve urgentemente estar sujeito a regulamentação estatutária, de acordo com um relatório parlamentar devastador que denuncia a empresa e seus executivos como “gangsters digitais”.

O relatório é resultado de 18 meses de investigação e se debruça sobre desinformação e notícias falsas. O documento acusa o monstro tecnológico de obstruir investigação sobre o tema e de falhar em atacar as tentativas da Rússia de manipular eleições.

Em reportagem, o jornal The Guardian reproduz síntese do documento e falas contundentes do presidente do comitê, Damian Collins: “A democracia está em risco com o alvo malicioso e implacável dos cidadãos com desinformação e anúncios obscuros personalizados de fontes não identificáveis, entregues através das principais plataformas de mídia social que usamos todos os dias”.

Os parlamentares britânicos estão muito, muito irritados com o Facebook e querem impor limites à empresa. Não é só porque ele viole a privacidade dos cidadãos, mas também porque atente quanto à livre concorrência, seja demasiado poderoso e ofusque a democracia. Não é qualquer coisa. Ao que tudo indica, a coisa não vai parar no tal relatório…

A reportagem pode ser conferida aqui

5 links fresquinhos sobre ética e privacidade

  • Marcio Moretto Ribeiro fala sobre o WhatsApp, sua criptografia de ponta a ponta e sua capacidade para espalhar desinformação. Para o autor, que é um dos coordenadores do Monitor do Debate Político no Meio Digital, a privacidade não combina com broadcast. Que dizer: temos um problema de foco aqui.
  • The Guardian informa que o Tribunal de Justiça Europeu decidiu preliminarmente que o direito de esquecimento não vale para todo o mundo, mas apenas se aplica aos países que fazem parte da comunidade européia. Parece óbvio, né? Mas a disputa é mais complexa se levarmos em consideração que a internet não respeita fronteiras e que o direito ao esquecimento é entendido por alguns como um desdobramento dos direitos civis, extensivo portanto a todos os seres humanos…
  • Já que é assim, que tal intensificar seus cuidados digitais? Afinal, segurança digital é o oposto de paranóia, como dizem os caras do Autodefesa. No site deles, dicas, manuais, técnicas, tudo em português e descomplicado. Favorite, navegue à vontade, e volte sempre que puder.
  • Mesmo se protegendo, os Cinco Olhos estão de butuca! O Privacy News Online conta em detalhes e em 4 partes como a NSA espiona todo o mundo.
  • Esta é para pesquisadores: a Rede Latino-Americana de Estudos sobre Vigilância, Tecnologia e Sociedade (Lavits) já está recebendo propostas de comunicações para seu 6º simpósio, que acontece em junho em Salvador. Mais detalhes aqui.

Para odiar Facebook, Google, Uber…

A leitura de Big Tech: A ascensão dos dados e a morte da política, de Evgeny Morozov, deixa um recado claro: tudo bem odiar as grandes empresas do Vale do Silício e seus tentáculos espalhados em nossa vida contemporânea.

Se você desconfia da felicidade plena que nos vendem as grandes plataformas, se você não acredita no paraíso digital que nos soterram com seus anúncios, este é um ótimo livro para começar o ano. A coletânea de nove artigos publicados nos últimos anos na imprensa europeia pelo pensador bielorrusso é uma grande oportunidade também para os leitores de língua portuguesa que ainda não conheciam suas ideias críticas.

Morozov é uma das vozes mais ácidas e lúcidas do momento, e seus disparos não são movimentos instintivos de um tecnófobo ou ludista. Com argumentos sólidos, exemplos atuais e linguagem clara, ele se opõe ao que chama de solucionismo tecnológico, denuncia a falácia da economia do compartilhamento, e mostra que as Big Tech são menos o hall colorido dos escritórios do Google e mais uma face cosmética do apetite infinito do capitalismo global. O autor também chama a atenção para a corrosão incessante de nossa privacidade e vida íntima, para as contradições que cercam a ascensão dos dados como “novo petróleo” e para os efeitos na organização política e social dos humanos…

Ouçam o Morozov. Leiam o que ele escreve. Pensem no que ele diz.

O que há em comum entre dados pessoais e barrigas de aluguel?

Casais espanhóis inférteis atravessavam a fronteira e contratavam mulheres para gerar seus filhos. Cruzavam vários países em direção à Ucrânia, onde negociavam com agências especializadas e, depois, regularizavam a entrada dos bebês. Alternativa à adoção, o esquema da barriga de aluguel não é barato. Custa até 60 mil euros, e um quarto disso fica com a futura gestante, que também tem outras despesas pagas pelo casal contratante.
Após o parto, o procedimento era a coleta de material genético do pai para comprovação da paternidade. Os resultados positivos do laboratório davam o sinal verde ao consulado que emitia o passaporte espanhol para o bebê. O esquema clandestino, porém, está ameaçado porque o consulado espanhol em Kiev está fechando as portas e porque há um novo impedimento jurídico: o Regulamento Geral de Proteção de Dados. A lei entrou em vigor em maio passado e protege, por exemplo, dados sensíveis como o DNA. Assim, fica dificultada a coleta de material do bebê…
Este é apenas um episódio que ilustra como somos feitos de dados, e como dados são cada vez mais importantes para nossa autodeterminação e para a defesa dos nossos direitos.
O Brasil aprovou há pouco uma Lei de Proteção de Dados, e ela deve passar a funcionar em 2020. Até lá, governos, empresas e cidadãos precisam se ajustar a um novo contexto. Até lá, precisamos também de um órgão fiscalizador que tenha autoridade e legitimidade para efetivamente proteger nossos dados…

3 notícias péssimas para o usuário da internet

Nos Estados Unidos, o órgão que regula o setor de comunicações quer acabar com a neutralidade de rede, o que pode significar que a internet vai ficar cada vez mais comercial, e que ela vai priorizar os interesses de quem paga mais. Alerta vermelho!

Ainda por lá, a Amazon vai fornecer uma nuvem “secreta” para agências de espionagem. A um preço módico de 600 milhões de dólares, ou quase 2 bilhões de reais. Com isso, quem espiona terá serviços adicionais de armazenagem dos dados que ele rouba do usuário. Danou-se!

No Brasil, as empresas de telefonia e de provimento de serviços querem ficar com a maior parte das cadeiras do Comitê Gestor de Internet. Se isso acontecer, a sociedade vai ficar ainda mais nas mãos pegajosas dessa odiosa indústria. Alerta!

Uma guerra por dados na Europa

Editores de alguns dos principais meios de comunicação, como Le Figaro, Financial Times, El País e Frankfurter Allgemeine, não estão nada felizes com um acordo de privacidade de dados que está para ser implementado na União Europeia. Segundo se queixam, os termos dão muito poder aos gigantes da web, como Google, Apple, Microsoft e Mozilla, pois eles poderiam atuar como cancelas dos dados dos usuários. No centro da disputa, as regras de funcionamento e os consentimentos dos usuários sobre a coleta de seus dados durante a navegação. Embora os dentes estejam rangendo do outro lado do Atlântico, é importante ficarmos atentos…

Fake news, jornalismo e democracia

As notícias falsas não são resultado do mau jornalismo. Elas sustentam os negócios da economia digital.
O argumento é de Aidan White, da Ethical Journalism Network. A ideia é bem interessante. Vejam:
“Este modelo encoraja um novo espírito empreendedor no mundo da informação, mas não um que favoreça a comunicação responsável e o jornalismo ético”. (…) “O desenvolvimento de modelos de negócios impulsionados por algoritmos que colocam cliques antes do conteúdo já drenaram o sangue da publicidade da indústria tradicional de mídia global e enfraqueceram a capacidade de jornalismo ético; esses negócios abriram a porta para uma nova cultura de comunicação em que a verdade e a honestidade são obscurecidas pela falsa notícia, intolerância e mentiras maliciosas. E também legitimaram a noção de política de fantasia que pode incentivar a ignorância, a incerteza e o medo na mente dos eleitores”.
A fala de White fortalece o raciocínio de que as fake news não ameaçam só o jornalismo, mas a própria democracia.

Trump não liga para a privacidade do seu povo

Pensa que o desmonte é só no Brasil? Que nada! Os EUA também têm lá seus problemas…

Donald Trump sancionou regras aprovadas pelo Congresso que permitem que provedores de serviço de internet comercializem dados pessoais dos usuários sem nem avisá-los. Isso mesmo! Liberou geral! A medida faz parte de um pacote de maldades que sepulta os movimentos de seu antecessor, Obama, e que coloca na mira o fim da neutralidade de rede.

O golpe de Trump aconteceu na mesma semana em que uma pesquisa mostrava crescente rejeição dos norte-americanos à perda de suas privacidades. De acordo com o estudo da Reuters, 75% dos ouvidos não abriria mão da confidencialidade de seus emails e mensagens nem para ajudar o governo a caçar terroristas…

Europa vai atualizar regras de privacidade eletrônica

(reproduzido da EPIC)

A Comissão Europeia apresentou hoje (10/1) a sua proposta de atualização da legislação da União Europeia relativa às salvaguardas em matéria de privacidade e segurança para as comunicações electrônicas. A renovação do regulamento de privacidade eletrônica estenderia novas e importantes proteções aos usuários de todos os serviços de comunicações on-line, incluindo e-mail, mensagens instantâneas e mídias sociais. A proposta protege tanto o conteúdo das comunicações como os metadados, limitando o rastreamento dos usuários da Internet. Nos Estados Unidos, a Federal Comission Communication adotou recentemente modestas regras de privacidade que se aplicam apenas aos serviços de banda larga oferecidos pelas empresas de telecomunicações, apesar dos conselhos repetidos da EPIC à FCC para abordar “toda a gama de problemas de privacidade de comunicações enfrentados pelos consumidores norte-americanos”. A atualização da diretiva relativa à privacidade eletrônica da Comissão Europeia segue o recentemente adotado Regulamento Geral para a Proteção de Dados e deve ser adotada pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho Europeu.

Snowden: Certo e errado é diferente de legal e ilegal

Edward Snowden lembra que em diversos momentos de progresso da história dos Estados Unidos, as leis foram quebradas. Não por mera ilegalidade, mas porque era o certo a se fazer. Certo e errado não é a mais coisa que legal e ilegal…

Se fôssemos traduzir para a realidade brasileira, seria mais ou menos assim: Funcionamento regular das instituições não garante legitimidade política.

Um blog a menos sobre a mídia britânica?

Roy Greenslade é um importante observador da imprensa britânica. Tem mais de 50 anos de jornalismo e há mais de uma década mantém um blog influente e certeiro. Como meus conhecimentos sobre a paisagem midiática inglesa são limitados, devo bastante à Greenslade sobre o que sei de lá. Acompanho seus textos há alguns anos e essa leitura foi determinante durante o escândalo dos grampos telefônicos do The News of The World, um verdadeiro terremoto sobre os jornais locais.

Acontece que Roy está fechando seu blog, o que é uma pena!

Ontem, 6, ele confirmou que vai escrever até o final do mês, que vai continuar a fazer análises – agora semanais – para jornais e que vai aumentar sua dedicação ao ensino universitário. Como eu disse, é uma pena, e eu estava habituado a lê-lo no The Guardian…

Num mini-balanço, Greenslade diz que quando começou a blogar sobre mídia, considerava-se um revolucionário. Hoje, depois das redes sociais, das muitas turbulências que chacoalham a indústria e das irreversíveis transformações culturais no consumo e produção de conteúdos, ele se considera um contra-revolucionário.

Ele acha que o futuro da mídia é digital, mas admite que talvez seja o caso de considerarmos que perderemos o que antes chamávamos de “grande mídia”. A pergunta que ele deixa ao final do post é das mais importantes para a sobrevivência dessa coisa: “Podemos realizar essa tarefa sem a escala e o alcance de uma mídia que, para o bem ou para o mal, é o locus da nossa conversa nacional?”

Jornalismo, hackers, cypherpunks e Wikileaks: um debate

Já está disponível a íntegra do debate “A reconfiguração do jornalismo investigativo e a Influência do Hacktivismo, do Movimento Cypherpunks, e do Wikileaks”, que aconteceu no finalzinho de agosto em Recife. O evento foi uma promoção do Núcleo de Pesquisas em Tecnologia, Lei e Sociedade do Centro de Informática da UFPE. Foi muito bom discutir e refletir com a professora Carolina Dantas de Figueiredo (UFPE) e com o professor e jornalista Luiz Carlos Pinto (Unicap e Coletivo Marco Zero Conteúdo). Tivemos a mediação do professor Ruy de Queiroz (CIn/UFPE).

Faz 70 anos. Para não esquecer.

Numa manhã como a nossa, Hiroshima acordou como nenhuma outra.

Há 70 anos, uma bomba matava mais de 130 mil pessoas. Dois dias depois, repetiriam a dose em Nagazaki, matando outras dezenas de milhares. E agosto de 1945 mudou a história da humanidade…

Alguém mais esperto já disse que 6 de agosto de 1945 foi o dia mais importante da história humana. A justificativa é simples. Se antes tínhamos certeza de que morreríamos individualmente, depois desse dia, passamos a considerar a morte total e coletiva…

Não dá pra esquecer. Não podemos esquecer. Era um tempo de guerra, é verdade, e o Japão também cometeu atrocidades. Mas nada justifica.

Não podemos esquecer as milhares de vítimas.

Não podemos esquecer o horror dos anos seguintes.

Não podemos esquecer do pânico instaurado no mundo desde então.

Não podemos esquecer que as bombas atômicas não caíram sobre as cidades. Elas foram atiradas.

Não podemos esquecer quem apertou o botão. Não foi a Rússia, não foi a China, nem Cuba, Irã ou Iraque.

Não podemos esquecer que os Estados Unidos usaram a bomba atômica contra milhares de civis, mais de uma vez numa única semana, de forma irreversível, covarde e injustificável.

comunicação em tempos de guerra

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Mais informações: https://www.facebook.com/events/832373793469797/

o tentacular google, por assange

Daqui a cinco dias, Julian Assange completa dois anos confinado em seu asilo na Embaixada do Equador em Londres.

Apesar dessa condição, o líder do WikiLeaks não deixa de influenciar pessoas, denunciar abusos e refletir sobre a realidade atual. Ontem, O Estado de S.Paulo publicou mais uma entrevista com Assange – concedida a Guilherme Russo -, e que vale a leitura. Em pauta, o massacre em Gaza, uma guerra fria na Ucrânia, a posição do Brasil na geopolítica internacional e o imenso poder de corporações tecnológicas como o Google. Um trecho:

O Google se tornou essencialmente um monopólio de coleta e integração de informações, que sabe muito sobre a maioria das pessoas que têm qualquer tipo de influência no mundo. E em razão de sua ligação com Washington e sua localização, na jurisdição dos Estados Unidos, isso estendeu dramaticamente o alcance do governo americano no mundo todo.

não acho normal…

… que de um lado da guerra morram mais de mil e do outro, menos de cem;

… que uma rede de túneis clandestinos seja construída por inimigos sem ninguém perceber;

… que o conselho de segurança da ONU não mova um dedo diante de massacre de civis;

… que ninguém ou quase ninguém ligue para o Ebola que se alastra na África ocidental;

… que médicos e agentes de saúde morram contraindo vírus que estariam combatendo;

… que mais ninguém se importe com a guerra civil na Síria, as instabilidades no Egito e no Iêmen;

… que aviões de carreira sejam derrubados por mísseis…

… que os russos armem milicianos na Ucrânia para bagunçar o coreto por lá…

… que a NSA continue a espionar milhões de pessoas dentro e fora dos Estados Unidos;

… que as tropas norte-americanas continuem no Afeganistão;

… que por isso e muito menos Obama tenha ganho um prêmio Nobel da Paz…

Tudo isso é o mundo; nada nele é normal.

o cerco a assange

Faz tempo que você não ouve mais nada sobre o WikiLeaks?

Não tem mais novidades de Julian Assange?

O WikiLeaks informa que seu principal homem está há 1246 dias enfrentando algum tipo de detenção, 686 deles recluso na Embaixada do Equador em Londres. O site denuncia ainda que um júri secreto trabalha há 1539 dias para interromper os trabalhos do WikiLeaks, e que Chelsea Manning está preso há 1436 dias.

Não sabe do que estou falando? Veja aqui e aqui. E se o interesse aumentar, assista a O Quinto Poder (trailer abaixo):

o mundo, daqui a 50 anos

A vida estará melhor em 2064?

Até lá, a ciência terá resolvido nossos maiores problemas?

O futuro será como realmente sonhamos?

Essas perguntas devem martelar as cabeças de todos. Mas o PewResearch Center e a Smithsonian Magazine acabam de publicar um estudo que traz alguns dos resultados do que pensam os norte-americanos sobre o futuro e a ciência nos próximos 50 anos.

Ficou curioso? Não fique mais. Acesse aqui. (em inglês, em PDF, 18 páginas, arquivo com 301 Kb)

7 dias com a mídia

Screenshot 2014-03-02 10.16.54Em Portugal, o Grupo de Trabalho Informal sobre Literacia para os Media (GILM) anuncia a iniciativa 7 Dias com os Media. O GILM reúne representantes do governo português, da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), Universidade do Minho, Unesco, RTP, entre outros parceiros, e sua função é contribuir para a difusão de ações de educação para a mídia.

7 Dias com os Media está programado para a semana de 3 a 9 de maio, e você pode conferir aqui o site do evento. Aliás, visite também o Portal da Literácia Mediática.

nsa para desavisados

Já que estamos sendo monitorados pela NSA, não custa nada saber um pouco mais sobre ela:

1. Claro que você já ouviu falar de CIA e FBI. A NSA pode ser uma novidade para muitos de nós, mas pasme: os EUA têm dezesseis (isso mesmo!), dezesseis agências de inteligência governamentais.

2. A NSA não é nova. Ela surgiu em 1952, o que significa dizer que a agência existe há mais de 60 anos…

3. O objetivo inicial da NSA era investigar fora dos EUA, filtrando informações de outros países que colocassem em risco a segurança norte-americana. As revelações de Edward Snowden mostraram que a agência também atuava internamente, bisbilhotando cidadãos estadunidenses.

4. Aliás, estima-se que 80% das comunicações que passem pelos EUA sejam filtradas pela NSA por meio de seus modernos recursos.

5. A NSA não trabalha sozinha. Ela conta com a colaboração – em diferentes graus de envolvimento e dedicação – de empresas de tecnologia e telecomunicações. Quem? Ora, Facebook, Google, Microsoft, Apple, Vodafone, Verizon, entre outras…

6. O Prism é apenas um dos softwares usados pela NSA para espionar pessoas, governos e empresas, Na verdade, ela dispõe de diversos sistemas para colher, filtrar, agregar e compreender dados.

7. A agência também tem altos investimentos e esforços para a quebra de criptografia, para o uso de alçapões em softwares, para a exploração de falhas deliberadas em máquinas e sistemas para extração de dados, e para a coleta de dados diretamente em cabos submarinos…

8. Na maioria das vezes, não importa muito o conteúdo das mensagens interceptadas, mas sim os dados de geolocalização. Com isso, a NSA consegue “ver” onde você está, por onde passa, com quem estabelece relações, etc…

9. Os dados não são tratados manualmente; há sistemas que comportam grandes quantidades de informação, que são sistematizados e convertidos em unidades compreensíveis.

10. Se você pensa que a NSA fica num sótão, num porão escondido, secreta, esqueça! Ela fica em imensos prédios, cercados por gigantescos estacionamentos. Confira aqui.

obama mente!

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, mentiu descaradamente ontem para congressistas de seu país, para líderes mundiais e para o resto do planeta. Quis tranquilizar a humanidade, colocando panos quentes sobre as espionagens que os EUA estão operando em escala global, sabe-se lá desde quando.

Disse que Angela Merkel, que foi bisbilhotada por agências norte-americanas, não precisa mais se preocupar. Ignorou Dilma Rousseff, que passou um pito público no homem em plena Assembleia Geral da ONU, queixando-se de violação de direitos individuais e de atropelo da soberania das nações.

Obama mentiu porque as ações de monitoramento de emails, redes sociais e celulares não vão diminuir. Não vão parar. Não vão aguardar permissões judiciais. Não vão se restringir. Não vão. Por que iriam, afinal? Por que os Estados Unidos se arrependeram? Por que se convenceram de que Edward Snowden estava mesmo certo? Por que fizeram uma  autocrítica e passaram a ver o mundo pela ótica de Julian Assange e Chelsea Manning?

Nada disso. Aliás, ao listar os quatro nomes em negrito juntos neste post, emiti um alerta em algum lugar. Não será exagero imaginar que uma tropa de agentes já interceptou todos os meus emails nos últimos dois meses, já rastreou minhas compras online, meus hábitos de consumo, minha árvore genealógica inteira, sabe meu salário, localização de parentes e demais dados que NÃO AUTORIZEI a acessarem.

Sim, amigos. A coisa está assim mesmo. Quanto mais busco entender o assunto, mais me convenço de que a matéria “privacidade” é um animal extinto. E que monitoramento, espionagem, bisbilhotagem, roubo de dados pessoais, desrespeito à privacidade são feitos em altíssima escala, sem qualquer permissão e sem nenhuma justificativa. O que permite que o Estado verifique meus emails com listas de palavras? O que permite que um governo de outro país faça isso? Para evitar terrorismo? MENTIRA. Para “manter nossos cidadãos seguros”? MENTIRA. Para “avançarmos em nossa política externa”? MENTIRA. Para assegurar a liberdade e a vida? Preciso repetir?

Obama mentiu. Sete meses após as primeiras denúncias de que NSA e outras agências fazem o serviço sujo de xeretar governos, empresas, países e sociedades inteiras, o presidente dos Estados Unidos vem a público e se apoia numa pilha de inverdades. Mal sentou na cadeira do salão oval e a academia sueca deu a ele o Prêmio Nobel da Paz! Bajulação pós-colonial… Prêmio Nobel da Paz… irônico é pensar que Obama é justamente o homem que está sepultando a paz de bilhões de usuários da internet e de celulares…

é hoje e é imperdível

O Programa de Pós-Graduação em Jornalismo inicia suas atividades letivas na próxima segunda-feira, 12 de agosto, com a conferência internacional “Cobertura jornalística da corrupção política: o caso português”. A conferencista é a professora Isabel Ferin Cunha, uma das mais respeitadas pesquisadoras do jornalismo na Universidade de Coimbra.

A atividade acontece a partir das 14 horas no Auditório Elke Hering, da Biblioteca Universitária, e é dirigida a alunos de graduação e pós-graduação, pesquisadores, profissionais e demais interessados.

Isabel Ferin Cunha é licenciada em História pela Faculdade de Letras de Lisboa, mestre e doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo, e pós-doutora pelo CNRS, na França. Como docente, atuou na USP de 1983 a 1991 e na Universidade Católica de Lisboa de 1992 a 2002. Atualmente, é professora Associada com Agregação da Universidade de Coimbra. Foi vice-presidente do Centro de Investigação Media e Jornalismo (2004-2006) e tem coordenado alguns projetos aprovados pela Fundação Ciência e Tecnologia/Portugal. Coordenou de 2003 a 2007 uma equipe que desenvolveu com o apoio do Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas (ACIME) o projeto Media, Imigração e Minorias Étnicas. Coordena desde 2006 a seção portuguesa do projeto internacional Observatório de Ficção Ibero-Americano. Integra o projeto Inclusão e Participação Digital desenvolvido pela Universidade Nova de Lisboa, Universidade do Porto e Universidade de Austin no Texas /EUA (2009-2011). As suas áreas de interesse são: Análise da Mídia (Imprensa e Televisão), públicos, audiências e recepção, ficção televisiva (Telenovelas e Séries) e Comunicação Política.

(reproduzido do site do POSJOR)

jornalistas ajudam a sociedade?

Para 27% dos norte-americanos, os jornalistas ajudam pouco ou quase nada, conforme pesquisa do Pew Research Center. De acordo com o estudo, 28% dos consultados opinaram que jornalistas ajudam muito a coletividade e outros 42% auxiliam alguma coisa.

Essa percepção caiu 10% se comparada à que foi medida em 2009 pelo mesmo instituto.

Para se ter uma ideia, os grupos sociais que mais ajudam a sociedade são os militares, os professores e os médicos. Na outra ponta da lista estão os advogados, empresários e jornalistas…

(com dados do The Guardian)

a internet do mundo e a máquina de moer carne dos eua

Responda rápido: o que há de comum entre Aaron Swartz, Bradley Manning, Julian Assange e Edward Snowden?

Muitas coisas ligam esses nomes, a começar pelo fato de que usam a internet para revelar informações e fatos que muitos tentam ocultar. Mas não só isso. Nenhum deles tem mais de 45 anos, e todos pertencem a gerações diretamente afetadas pelas novas tecnologias de informação e comunicação. Todos desafiaram agências de inteligência e o governo norte-americano trazendo à luz iniciativas mesquinhas, neuróticas e moralmente questionáveis.

Bradley Manning é o ex-oficial acusado de ter vazado centenas de milhares de dados sigilosos dos Estados Unidos e que municiaram o WikiLeaks no maior escândalo da história da diplomacia mundial. Foi caçado, preso e está sendo julgado por diversos “crimes”, entre os quais “traição”. Ele tem 25 anos e exibiu uma face simplesmente abjeta do Império. Pode pegar prisão perpétua.

Por falar em WikiLeaks, seu líder, o australiano Julian Assange, também encarou o Monstro. Foi perseguido por norte-americanos, suecos e ingleses e ficou detido em prisão domiciliar. Para além dos vazamentos que constrangeram diplomatas e poderosos, mostrou como helicópteros Apache metralharam civis e jornalistas em suas ações “táticas”. Refugiou-se na Embaixada do Equador em Londres. Precisa viver clandestino para sobreviver. Nada nem ninguém podem garantir isso.

Aaron Swartz era um prodígio da web e tinha colaborado diretamente com algumas das soluções mais inteligentes e solidárias para compartilhamento de informação e conhecimento. Foi perseguido pela justiça norte-americana por ter “roubado” milhões de artigos científicos em bases de dados por assinatura. Detalhe: a maioria das pesquisas relatadas naqueles artigos havia sido financiada por recursos públicos, mas mesmo assim as tentaculares empresas do ramo cobram pelo acesso a esses textos, e os seus autores nada ganham com isso… Aaron foi perseguido, preso, acusado por diversos “crimes” e ameaçado a pegar 35 anos de prisão mais multa milionária. Tinha 26 anos e não suportou a pressão, e se suicidou em janeiro deste ano.

Edward Snowden é a bola da vez. O ex-assistente técnico da CIA denunciou os sistemas de vigilância interna dos Estados Unidos a telefones e emails. Jogou um facho de luz sobre o rosto do Big Brother. Republicanos e democratas se alternam nas condenações ao ato antipatriótico do rapaz, que precisou sumir. Nada nem ninguém pode garantir sua integridade física diante da caçada que se anuncia.

As campanhas difamatórias aos quatro sujeitos acima aconteceram nos últimos cinco anos. As perseguições não foram perpretadas por George W.Bush ou Ronald Reagan, mas por Barack Obama, o democrata, sedutor, liberal e popular presidente da era das redes sociais. A instauração do terror virtual, a truculência e o abuso de poder vêm de um governo supostamente mais conciliador que o isolacionista anterior. Vem de um presidente jovem, com uma biografia admirável, que já ganhou o Nobel da Paz e que sinalizava uma transformação real no panorama das relações globais.

Não, isso não é um filme de ficção. A neutralidade da rede está em perigo, a internet como arena global corre riscos reais, e os usuários do sistema estão sendo monitorados, quando não criminalizados, oprimidos e eliminados. A inocência é uma palavra amarelada no dicionário, mas a política é um instrumento movido a ideias, palavras e ações. A política se faz nas ruas e diante dos teclados. Como a ética, a lei e a guerra, a política é uma invenção humana para buscar o equilíbrio. Arregace as mangas, então!

indústrias culturais, um evento

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Mais em http://2doencuentroiberoamericanoargentina.blogspot.com.br/