retrato da mídia na iberoamerica

O antenadíssimo Ramón Salaverria, do blog e-periodistas, informa que a Fundação Telefónica acaba de lançar mais uma edição do anuário Tendencias 7 – Medios de Comunicación, que trata do cenário ibero-americano na mídia.

O arquivo pode ser baixado aqui, mas vou avisando que é pesadinho: 10,2 Mb. São 421 páginas em PDF, fartamente ilustrada com gráficos coloridos e demais imagens. Entre os colaboradores do documento estão nomes de peso como Luis Ramiro Beltrán, Octavio Islas, Jesús Martín-Barbero, German Rey. No comitê científico, também: Antonio Fidalgo e Guillhermo Mastrini. Três brasileiros apenas nos créditos: José Marques de Melo, Matías Molina e Maria Immacolatta Lopes.

Se você quer saber sobre blogs, mas tem preguiça ou pressa, Salaverria destaca alguns pontos, que reproduzo:

“En la parte 3, la investigadora Bella Palomo publica un capítulo sobre “Blogs en el espacio iberoamericano” (pp. 215-225), donde expone los resultados de una encuesta realizada entre periodistas-bloggers iberoamericanos, a la que contribuí con mis respuestas. Los resultados principales son:

  • El 75% de los periodistas-bloggers tiene menos de 40 años.
  • Tres de cada diez blogs son elaboradas por mujeres periodistas.
  • La mitad de los periodistas iberoamericanos con blog tiene varias ocupaciones profesionales.
  • Los periodistas menos atraídos por el periodismo 3.0 son los dedicados al sector audiovisual y a la comunicación institucional.
  • Tres de cada cuatro encuestados consideran que con el blog practican periodismo de opinión.
  • El 61,9%cree que el mayor logro de su blog ha sido hablar con la audiencia.
  • El 52,4% ha logrado una libertad editorial que no tiene en el medio para el que trabaja.
  • Sólo un 3% ha logrado por esta vía otra fuente de ingresos.
  • El 63% recibe comentarios ofensivos.
  • El 40% ha recibido ofertas de trabajo a través de su blog.
  • Al 63% no le preocupa la cuestión del copyright.
  • El 35% sabe que en alguna ocasión han plagiado contenidos de su blog.
  • El 60% ha incorporado alguna vez elementos multimedia en su blog.”

Evidentemente, o documento não pode ser resumido a isso.
Há muito mais. Principalmente, nas partes finais, das tendências…
Merece longa degustação… enjoy it.

estímulo à pesquisa

O Brasil responde hoje por 1,7% da produção mundial em ciência e tecnologia. É pouco, eu sei. Mas já foi pior. Outro dia, passamos Suíça e Suécia nessa corrida.

Este índice se refere à quantidade de artigos publicados em periódicos internacionais indexados em importantes bases de dados. Estados Unidos e Japão estão à frente. Por várias razões: têm políticas científicas perenes e consistentes; os investimentos vêm das empresas também; e as áreas de Ciência e Tecnologias (C&T) e Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) são consideradas prioritárias, estratégicas.

Nos países da vanguarda científica, pesquisadores são muito bem tratados: contam com tempo para se dedicar, com infra-estrutura para trabalhar e até mesmo com incentivos financeiros.

Por aqui, a coisa vai caminhando nessa direção, mas a passos bem mais lentos. O governo Lula anunciou enxurrada de recursos (R$ 41 bilhões até 2010), concedeu aumento para bolsas e tem universidades que até dão prêmios para quem publica em revistas respeitadas lá fora. É o caso da Unesp, que lançou um programa que dará R$ 15 mil às equipes de pesquisadores que publicarem artigos na Science e na Nature, as mais proeminentes publicações do gênero. Na Unicamp, os 20 melhores professores do ano recebem prêmios de R$ 25 mil. Na Federal de Viçosa, o pacote de incentivos prevê pagamento por serviços de tradução e medalha anual conferida ao pesquisador de maior destaque da instituição. Em dez anos, a UFV aumentou sua produção científica em 640%!!

No Paraná, o governo aumentou em 25,7% o orçamento da pasta de Ciência e Tecnologia, o que significa contar com R$ 694 milhões por ano.

Aqui em Santa Catarina, o prefeito da capital lava as mãos e a pesquisa com cobaias é proibida. Na esfera do governo estadual, dia 15, sai a nova lei de inovação, que vai criar um conselho estadual para a área. Apesar disso, as torneiras parecem entupidas: recursos ainda não foram repassados para pesquisadores contemplados em editais e prêmios…

Mais detalhes no Jornal da Ciência.

colóquio internacional de cibermedios: cobertura!

Fernando Firmino, do blog Jornalismo Móvel, está acompanhando, cobrindo e disponibilizando vídeos do 1º Colóquio Internacional Brasil-Espanha de Cibermedios, que acontece na Faculdade de Comunicação da UFBA, em Salvador.

Participam nomes como Javier Dias Nocí, Marcos Palacios, Elias Machado, entre outros.

Acompanhe por aqui.

vai chover dinheiro

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 De acordo com as manchetes e os releases, vai chover dinheiro para pesquisadores, cientistas e laboratórios de todo o país nos próximos três anos.

O governo prometeu aumento de 20% para as bolsas de mestrado e doutorado para março de 2008.

O governo lançou plano que incentiva investimentos na área.

Plano de Ciência e Tecnologia terá R$ 41 bi até 2010.

Será que agora a gente tira o pé da lama?

wikipedia e a justiça francesa

Stéphane Foucart analisa na edição de hoje do Le Monde a batalha que a Wikipedia trava na justiça contra processos por invasão de privacidade e difamação. O artigo – com o sugestivo título “Wikipedia, nem condenável, nem responsável” – pode ser lido aqui.

A propósito da enciclopédia colaborativa online, há também um estudo do Pew Internet & American Life Project que mostra que 36% dos norte-americanos adultos consultam a Wikipedia, e que ela é mais popular entre estudantes e os mais bem educados. Veja o arquivo em PDF… 

Ainda ouviremos muito dela…

o futuro dos jornais, sem papel

Ainda batendo na tecla da transição de mídias e na crise dos meios impressosHal Crowter faz um abrangente painel – com algumas comparações bem-vindas, outras forçadas – sobre as mudanças pelas quais passam as empresas e os produtos jornalísticos. Vale conferir, clique aqui. (em inglês).

tecnologia: americanos, argentinos e gaúchos

Minha amiga Laura, que é gaúcha, mandou a seguinte notícia.  Ela jura de pé junto que saiu no jornal. Eu acredito.

“Durante escavações nos EUA arqueólogos descobriram, a 100 m de profundidade, vestígios de fios de cobre que datavam de do ano 1000. Os americanos concluíram que seus antepassados já dispunham de uma rede telefônica naquela época.

Os argentinos, para não ficarem para trás, escavaram também seu sub-solo, encontrando restos de fibras ópticas a 200 m de profundidade. Após minuciosas análises, concluíram que elas tinham 2.000 anos de idade. Os argentinos concluíram, triunfantes, que seus antepassados já dispunham de uma rede digital a base de fibra óptica quando Jesus nasceu!

Uma semana depois, no Rio Grande do Sul, foi publicado o seguinte anúncio:
‘Após escavações arqueológicas no sub-solo de Bagé, Santa Maria, Pelotas, Cotiporã, Fagundes Varela, Vila Flores, Vila Maria, Itapuca e diversas outras cidades, até uma profundidade de 500 metros, os cientistas gaúchos não encontraram absolutamente nada. Eles concluem que os antigos gaúchos já dispunham há 5.000 anos de uma rede de comunicações
sem-fio.”

um mapa (mental) da (ciber) cultura

Alex Primo produziu um utilíssimo material em seu blog: um mapa mental dos principais temas e conceitos da cibercultura. O autor avisa que é uma versão Beta. E como quer fazer a coisa crescer, já abriu um wiki para esticar a coisa…

O mapa você vê aqui.

Para se cadastrar e manda ver no wiki, clique aqui.

o orkut da ciência nacional

A plataforma Lattes, do CNPq, alcançou a marca de um milhão de currículos eletrônicos reunidos.

Para quem nao conhece, o Lattes é quase que o orkut dos pesquisadores brasileiros. Todos precisam ter, deixar seus dados, mostrar sua produção e podem até deixar suas fotinhos. (Falta só agregar amigos e comunidades…)

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fundamentos da nova ordem

A revista Meio Digital oferece nesta edição um facílimo infográfico dando conta dos 10 Fundamentos da Nova Ordem Mundial Digital. A experiência de navegar pelo novo mundo é por aqui. Mas se você é preguiçoso, impaciente ou apressado, saiba que os 10 fundamentos são:

  • Negócios: o seu agora é meu. O império da desintermediação
  • Filosofia: virtual é real. A vida sem espelho
  • Investimento: maximização em tempo real
  • Sociedade: o poder da inteligência coletiva
  • Economia: menos é mais. A supremacia do pouco
  • Religião: a nova ordem da fraternidade. O paradigma da colaboração
  • Tecnologia: multi-conectividade. O absoluto digital
  • Ética: a era das grandes verdades
  • Tempo-Espaço: a ditadura da relevância
  • Internet: a web é beta. Nada estará pronta

second life + outlook

Luiz Antonio de Andrade, do Labcult, é quem dá a dica: um novo software de correio eletrônico mescla Second Life e  com Outlook Express. Isto é, é caixa de email e game. Trata-se do 3DMailBox, onde a sua caixa de mensagens é representada por uma psicina, num ambiente tropical e sensual. Os emails novos que vão chegando são representados por garotas de biquínis que pulam de trampolins. Os spams são gordões pálidos que tentam se bronzear. O sistema anti-spam tem vorazes tubarões que abocanham os gordões.

É diferente, é divertido. Veja.

ética antes e depois da rede

Em Infotendências, Pere Masip cita Jane Singer, da Universidade de Iowa, que reafirma os mesmos preceitos da ética jornalística antes da web para a conduta em rede. Isto é, nada muda. Os valores se mantêm. Muda apenas o suporte, mas não a relação humana.

Este assunto me interessa por completo, já que é muito fácil cair na tentação de se querer inventar a roda a cada atualização do Windows, por exemplo, ou a cada traquitana da moda na web.

Para discutir mais sobre o tema, dou outros dois links:

http://www.mediachannel.org/wordpress/2007/04/20/new-media-culture-challenges-limits-of-journalism-ethics

http://www.ojr.org/ojr/wiki/ethics

sobre games e educação

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Na noite passada, ZEREI “God of War”. Para os não-iniciados, isso significa que cheguei ao final do jogo do PlayStation 2. Ok, e daí?

E daí que quem conclui a jornada imposta pelos games mais modernos e arrojados passa por uma experiência diferente e única. Isso porque jogar um desses games não é tão somente manipular um controle, brincar. É entrar no jogo, apropriar-se daquela narrativa e projetar-se na condição do personagem que funciona como a sua interface com o jogo. E como vencer as tantas fases leva tempo, a experiência de chegar ao final é um misto de sentimentos: glória por ter concluído e vencido; surpresa por saber dos detalhes finais, quase sempre inesperados; felicidade por fechar um ciclo; vazio por saber que a saga terminou – ao menos ali naquela edição – e que você não tornará ao jogo (pelo menos se não for obcecado e quiser passar por tudo de novo em outros níveis de dificuldade).

“God of War” é um jogo fascinante. Conta a história épica de um obstinado guerreiro espartano que não suporta mais viver com a dor da perda de sua mulher e filha. Kratos, então, se rende aos caprichos dos deuses para tentar não enlouquecer, já que permanecera um exílio de dez anos de pesadelos. Com isso, o jogo torna-se uma grande maratona por monumentos da antigüidade grega, por monstros e entidades mitológicas, por deuses e suas confusas personalidades, por cenários de tirar o fôlego. São templos, câmaras, cavernas, jardins, as profundezas do inferno, os píncaros da glória, desfiladeiros, montanhas, ruínas submersas, cidades saqueadas. O jogador – na pele de Kratos – enfrenta minotauros, centauros, medusas, sirenes, gorgons, sátiros, zumbis, ciclopes, arqueiros flamejantes, hidras, harpias e até mesmo o deus da guerra, Áries. É traído, surpreendido, envolvido em tramas que desafiam a credulidade.

Em termos de jogabilidade, “God of War” combina ação, aventura, muita porrada, desafios que testam habilidades como destreza, rapidez e agilidade e inteligência nos vários quebra-cabeças que os deuses lhe impõem como prova. É um jogo que lhe toma pela medula.

Os gráficos são excelentes, a trilha sonora contagiante, os rugidos dos monstros horripilantes e a história flerta com sucesso o universo maravilhoso e fantástico da mitologia grega. O próprio Kratos não se lembra direito de seu passado e, com a evolução do jogo, vai sendo lembrado pelos deuses, como Édipo, como os heróis helenos. Aliás, Kratos é um Hércules. Não apenas porque tenha que executar trabalhos para o Olimpo, mas também por seu temperamento, por sua tragédia pessoal, pelo que lhe reserva o destino.

Mas o que isso tudo tem a ver com educação?

Tudo, oras. Imagine se as nossas escolas usassem esse jogo – e outros, claro! – para ensinar História da Antigüidade, História da Arte Antiga, Mitologia… Imagine trabalhar com alunos conteúdos para desenvolver competências e habilidades como raciocínio rápido, orientação espacial, dedução… Mas e a violência? Ora, isso também pode ser trabalhado com os estudantes, na canalização de energia para o jogo, na distinção do certo e do errado, no incentivo para discussões sobre dilemas éticos, no reforço de valores como o bem para combater o mal…

Há tempos venho pensando no desenvolvimento de um jogo – no estilo RPG – que auxilie no ensino de jornalismo. Parece já haver uma iniciativa neste sentido. Mas gostaria de trabalhar com uma equipe na experiência de criar e desenvolver um game que servisse de apoio pedagógico para ética jornalística, por exemplo.

Alguém aí se habilita? 

titãs

Dois dos nomes mais conhecidos e alardeados quando se trata de jornalismo e tecnologias se encontraram na Universidade Complutense de Madrid: Juan Varela e Dan Gillmor. O primeiro conta em seu blog – e ainda disponibiliza seus slides – como foi sua palestra sobre Novos Meios e Novos Jornalistas.

jornalismo, inovação e futuro

Quem inventou a liberdade de imprensa?

Quem teve a idéia do ombudsman?

Quais são os países mais avançados em direitos e civilidade?

Tudo isso aconteceu na Escandinávia, região que reúne Suécia, Finlândia, Dinamarca e Noruega. E vem justamente da Finlândia, da Universidade de Tampere, um relatório de pesquisa sobre Jornalismo, Inovação e Futuro, que merece ao menos uma olhada. Tudo bem que aqui estamos abaixo do Equador, cortados pelos trópicos, assistindo gente honesta ser morta por bala perdida e político roubando nas nossas barbas. Mas não custa nada ver como pensam e projetam os caras que estão sempre tão avançados…

(Em PDF e em inglês: 92 páginas)

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TICs na AL

Educação e Tecnologia na América Latina. Leia aqui um relato de como foi a Virtual Educa 2007, um evento sobre Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) que aconteceu de 19 a 22 de junho em São José dos Campos.

seminário no pmae

Eu, Solange Mostafa, Luis Fernando Maximo e André Raabe estamos concluindo os encontros do seminário temático que oferecemos aos alunos do Programa de Mestrado em Educação aqui na Univali este semestre. O título do seminário é pomposo: O atual e o virtual na educação.

Na última quarta, Valquíria John e Laura Seligman apresentaram parte substancial (e substanciosa) da segunda metade de O que é a filosofia?, de Deleuze e Guattari. Em seguida, Raabe entrou de sola explicando com equações, gráficos e outras traquitanas os conceitos que os dois autores emprestaram das ciências duras:

funções. secantes. abscissas. ordenadas. planos. derivadas. diferenciais. limite…

Uau!

Matemática na veia para entender o que é essa tal filosofia…

utopias tecnológicas

Tive uma noite de cão e uma manhã insuportável.

Tudo por conta da tecnologia. Fizemos um filmezinho no Windows Movie Maker e queríamos colocar num DVD, mas aí, tropeçamo em todo tipo de extensão de arquivos. Depois de baixar uns três conversores, nada deu certo. Nem a porcaria do Nero queimava CD. Pedi ajuda a uns três, e nada.

Pensei em desistir. Sou cabeça dura. Encontrei uma saída no início da noite.

A primeira utopia tecnológica:
E se inventassem uma extensão universal para arquivos de texto, de imagem, de áudio? Já pensou?

A segunda utopia tecnológica:
O mundo wireless. Isto é, nada precisaria mais de fios. Já pensou?

E aí? Quem tem mais utopias tecnológicas???