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Na noite passada, ZEREI “God of War”. Para os não-iniciados, isso significa que cheguei ao final do jogo do PlayStation 2. Ok, e daí?

E daí que quem conclui a jornada imposta pelos games mais modernos e arrojados passa por uma experiência diferente e única. Isso porque jogar um desses games não é tão somente manipular um controle, brincar. É entrar no jogo, apropriar-se daquela narrativa e projetar-se na condição do personagem que funciona como a sua interface com o jogo. E como vencer as tantas fases leva tempo, a experiência de chegar ao final é um misto de sentimentos: glória por ter concluído e vencido; surpresa por saber dos detalhes finais, quase sempre inesperados; felicidade por fechar um ciclo; vazio por saber que a saga terminou – ao menos ali naquela edição – e que você não tornará ao jogo (pelo menos se não for obcecado e quiser passar por tudo de novo em outros níveis de dificuldade).

“God of War” é um jogo fascinante. Conta a história épica de um obstinado guerreiro espartano que não suporta mais viver com a dor da perda de sua mulher e filha. Kratos, então, se rende aos caprichos dos deuses para tentar não enlouquecer, já que permanecera um exílio de dez anos de pesadelos. Com isso, o jogo torna-se uma grande maratona por monumentos da antigüidade grega, por monstros e entidades mitológicas, por deuses e suas confusas personalidades, por cenários de tirar o fôlego. São templos, câmaras, cavernas, jardins, as profundezas do inferno, os píncaros da glória, desfiladeiros, montanhas, ruínas submersas, cidades saqueadas. O jogador – na pele de Kratos – enfrenta minotauros, centauros, medusas, sirenes, gorgons, sátiros, zumbis, ciclopes, arqueiros flamejantes, hidras, harpias e até mesmo o deus da guerra, Áries. É traído, surpreendido, envolvido em tramas que desafiam a credulidade.

Em termos de jogabilidade, “God of War” combina ação, aventura, muita porrada, desafios que testam habilidades como destreza, rapidez e agilidade e inteligência nos vários quebra-cabeças que os deuses lhe impõem como prova. É um jogo que lhe toma pela medula.

Os gráficos são excelentes, a trilha sonora contagiante, os rugidos dos monstros horripilantes e a história flerta com sucesso o universo maravilhoso e fantástico da mitologia grega. O próprio Kratos não se lembra direito de seu passado e, com a evolução do jogo, vai sendo lembrado pelos deuses, como Édipo, como os heróis helenos. Aliás, Kratos é um Hércules. Não apenas porque tenha que executar trabalhos para o Olimpo, mas também por seu temperamento, por sua tragédia pessoal, pelo que lhe reserva o destino.

Mas o que isso tudo tem a ver com educação?

Tudo, oras. Imagine se as nossas escolas usassem esse jogo – e outros, claro! – para ensinar História da Antigüidade, História da Arte Antiga, Mitologia… Imagine trabalhar com alunos conteúdos para desenvolver competências e habilidades como raciocínio rápido, orientação espacial, dedução… Mas e a violência? Ora, isso também pode ser trabalhado com os estudantes, na canalização de energia para o jogo, na distinção do certo e do errado, no incentivo para discussões sobre dilemas éticos, no reforço de valores como o bem para combater o mal…

Há tempos venho pensando no desenvolvimento de um jogo – no estilo RPG – que auxilie no ensino de jornalismo. Parece já haver uma iniciativa neste sentido. Mas gostaria de trabalhar com uma equipe na experiência de criar e desenvolver um game que servisse de apoio pedagógico para ética jornalística, por exemplo.

Alguém aí se habilita? 

4 comentários em “sobre games e educação

  1. A idéia parece ótima! Também sou fã de RPG’s. Um game na esfera jornalística seria algo muito interessante. E talvez inédito, não? Bom, gosto desses projetos. Precisando de uma mão é só gritar!
    Abraço.

  2. Não conferi isso aqui, na época. Cheguei a essa postagem agora, através das mais recentes. O que daria de pensar era um gaso watergate, imagina? Uma trama de corrupção empresarial, governamental, em que o personagem tenha de tomar decisões, lidar com gente honesta e corrupta sem saber quem é quem, onde qualquer deslize pode ser mortal. Algo como um Dossiê Pelicano ficaria massa, proteger a Julia Roberts, esses lances. Hehe. Só porque me pintou isso agora. Tou sem jogar nada no momento. No laptop, nem rola.
    Adoro RPG com mais ação, to a fim de alguma coisa com fases e alguma porrada também. Abraço

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