Promessa é dívida. Vou cumprir a minha com este post, fazendo um balanço (muito pessoal) do Fórum Internacional Mídia, Poder e Democracia, que aconteceu na capital baiana de 12 a 14 de novembro.
Organização
O evento foi bem organizado, salvos os ligeiros atrasos na programação, praticamente regulamentares no Brasil. Aliás, o programa do fórum teve uma particularidade: havia apenas mesas redondas pela manhã e à noite. As tardes eram livres. Um participante que não quis se identificar matou a charada: “Baiano faz assim para ter tempo para uma descansadinha depois do almoço”. Brincadeiras à parte, soube da organização que estavam previstas oficinas para o período vespertino, mas os próprios realizadores desistiram do intento, prevendo pouca participação.
Qualidade das discussões
Os três dias de debates foram bem recheados. Tanto na quantidade, quanto na densidade. Em algumas mesas, entretanto, a análise deu lugar à militância, dando ao evento um tom bastante político. Não poderia ser diferente dados os temas abordados pelo encontro. Mas em certas mesas, as apresentações alcançaram uma tonalidade completamente ideológica, partidária e até mesmo governista. Temas como a relação tempestuosa de Hugo Chávez e a mídia, e a estrutura do sistema comunicacional brasileiro praticamente foram tratados num único timbre, quase sem dissonâncias. Uma pena para o debate. Mesmo não concordando com tudo, mantive algumas angústias no bolso. Não pretendia ser linchado.
Concluindo…
Penso que o evento também poderia ser mais propositivo, objetivando o estabelecimento de alguma agenda mais concreta de estudos, reflexões, ou mesmo ações na sociedade. Entendo que não é fácil fazer convergir esforços para isso, mas a oportunidade era muito boa para isso. Ao menos foi sinalizada a intenção de realização em 2008 de um fórum que reúna observatórios de meios de todo o mundo, quem sabe em Belém, funcionando como um “esquenta” do Fórum Social Mundial que acontece na capital paraense em 2009.
De qualquer forma, é preciso dizer que o Fórum Internacional Mídia, Poder e Democracia foi uma excelente oportunidade para que diversos atores discutissem comunicação e política num patamar elevado e interessante para toda a sociedade. Ficam reafirmadas cada vez mais a necessidade e a urgência de dispositivos, instrumentos e sistemas – como os observatórios de meios – para que a sociedade lute e exija uma comunicação mais transparente, mais democrática, mais legítima e plural.
clap, clap, clap!