Dois comentários de RogerKW me fertilizaram a cabeça esta noite.
O primeiro se refere aos próprios comentários em sites de notícias, por exemplo.
RogerKW critica o fato de os administradores de um site de uma rádio AM de Brusque deixarem os comentários abertos nas notícias de polícia, o que estaria se transformando num festival de intolerância, truculência, reacionarismo.
“Eles deixaram os comentários abertos, senão ninguém participa. Reacionária a coisa por parte da própria população, mas tudo bem, até tem justificativas. Aqui, por exemplo, tem uma dessas matérias de polícia:
http://www.radiocidadeam.com.br/noticia.php?cod_noticia=1621
Bom, é só de curiosidade mesmo. Pior que essas coisas “povão” dão audiência pra caramba. Matéria de política mal tem acesso. De polícia, extrapola os comentários. O que é sensacionalista são as fotos dos caras presos e tal.”
Entendo a preocupação de RogerKW. Mas daria para ser diferente? Os administradores deveriam fechar o acesso? Não permitir a participação das pessoas na seção de polícia e sim nas demais? Como motivar a interatividade e o interesse em outras áreas?
Algumas respostas e perguntas pessoais e transitórias.
1. Sites e blogs não podem mais conviver sem o espaço para a participação popular. Seria um retrocesso. Permitir o comentário e fechar a leitura não é solução. Diversos sites optam por algumas formas de controle, seja moderando as mensagens, seja estabelecendo regras para os comentários – rechaçando ofensas, racismo e discriminação, seja ainda não permitindo o anonimato.
2. Sobre o anonimato, também concordo. Sou contra. Aliás, a própria Constituição veta essa prática. Na web, a coisa fica mais complicada porque o cidadão pode burlar o anonimato, inventando uma máscara, com dados fictícios. Não que isso fosse impossível antes. Claro que alguém poderia inventar endereço e nome e mandar cartas à mídia, detonando tudo e todos. Mas taí uma coisa que precisamos resolver: como lidar com a identidade e a identificação do público.
3. Uma pergunta capciosa: ao aumentarmos o rigor na identificação não iremos – de alguma forma – constranger ou reduzir a participação pública?
4. Como combater o conservadorismo, o ódio e a agressividade de alguns internautas? Nossa! Se eu tivesse a solução pra isso…
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Um segundo comentário de RogerKW se refere aos posts que coloco aqui sobre blogueiros, professores e profissionais que martelam na tecla de ensinar a usar ferramentas e recursos.
“tu não acha que tem muita gente discutindo ferramenta em vez de discutir a profissão? Não sei (tenho essa impressão reforçada por lê-la), mas me parece que a preocupação é em educar os jornalistas a usar blogs, leitor de feeds, etc – o que é extremamente primário. Enfrentamos uma burocratização da profissão, queda de publicidade, enxugamento de redações e a web é uma coisa mutante”.
Eu penso que as coisas são diferentes, podem se complementar e não são excludentes.
Há espaço e leitores para os tecnófilos e para os mais reflexivos. Não se sobrepõem em importância. Mas temos que considerar que as realidades de Paul Bradshaw e Mindy McAdams são bem distintas das nossas. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, a discussão sobre a profissão passa por outros caminhos. Falo tanto do ponto de vista classista quanto teórico.
De qualquer forma, não tenho dúvidas de que temos que acompanhar o que pensam e escrevem esses caras (e outros). E mais importante ainda: precisamos NÓS escrever, pensar, produzir e publicar conteúdos na blogosfera nacional que sirva aos usuários desta mesma blogosfera.