como é que se diz “adeus”?

Sim, de uma forma ou de outra, este é um post de despedida

Ontem, foi minha última noite de aulas na Univali, instituição onde leciono há dez anos. Não foi uma daquelas aulas especiais que você prepara há muito tempo, nem uma prova inesquecível. Foi uma noite comum. Atendi alunos, tirei dúvidas, conversamos sobre projetos de final de curso, sobre pesquisas a serem realizadas, temas para reportagens, enfim, foi uma noite comum. Como se nada estivesse para acontecer.

Na verdade, nada estava mesmo. Apenas para mim, afinal sou eu quem estou me despedindo.

A noite voou, falei com muita gente, e voltei para casa com um sentimento de que algo não havia se fechado. Pelo menos inconscientemente, eu esperava um fechamento nas aulas de minha parte, uma despedida formal, nem sei mais. Mas hoje cedo, tudo me pareceu tão perfeito e bem amarrado! Ter a última noite como uma noite qualquer é ter a clareza de que a vida continua, de que as coisas mais importantes estão nos detalhes de todos os dias, em toda hora, e que não se pode perder a chance de aproveitar tudo isso. Ter a última noite sem uma despedida formal é muito melhor, pois me permite fazer de visitas extemporâneas, acontecimentos corriqueiros e informais.

Mas por que tantas sentimentalidades neste post?

Ora, completei dez anos de Univali no começo deste mês. Dei aulas para mais de mil alunos neste tempo todo. Lecionei em onze disciplinas diferentes. Orientei quarenta alunos na graduação e pós-graduação. Trabalhei muito neste tempo todo, muito mesmo. Enfim, aprendi e vivi demais nesses anos todos. Foi aqui que aprendi a ser o que sou no mundo da pesquisa, do ensino, na esfera da academia. Tive aulas com alunos, com funcionários, com colegas professores, que puderam me ensinar as coisas do Jornalismo, as coisas da vida, a matéria dos sonhos, os conteúdos secretos dos seres humanos… Aprendi e cresci! E sou muito grato por tudo isso. Dez anos são uma vida, e não se joga tudo isso assim pela janela…

Mas não há tristeza, mas satisfação. Não há dor, mas desapego. Não há incômodo, mas o sentimento-sem-preço de missão completa, de ciclo concluído.

Gosto das metáforas que fazem da vida uma jornada. Isso nos faz ver que a viagem interessa muito mais do que os destinos. Levando isso em consideração, me vejo dentro de um trem em movimento. Estou deixando um vagão para ingressar em outro, mas a direção é a mesma, a composição está ali. Diferente de outras despedidas, esta não é como uma morte. Não, é uma continuidade. Sigo para um outro vagão da longa composição, mas me alegra ver que o vagão que estou deixando continua forte, em movimento, no mesmo sentido. Não há porque dizer “adeus”. Digo então: “boa viagem para todos nós!”

34 comentários em “como é que se diz “adeus”?

  1. Tive sentimentos parecidos depois de abraçar muitas pessoas que conheci na faculdade na cerimônia de formatura. Me consolo ao lembrar que muitos desses conhecidos se tornaram amigos, como no seu caso, em que criei vínculos de amizade e o contato não se dissolve com o fim das etapas. Gosto de uma frase que acho que li em um biscoito da sorte, sei lá (só sei que me marcou), que ilustra um pouco essas mudanças: a segurança e o conforto da rotina ficam pequenas ao lado das possibilidades do mundo.

  2. Ah me sinto triste, talvez pq te vi ontem na sala de aula e não me preocupei em dizer nada, nem entrar de forma clandestina. E o pior de tudo, é ver que dentre esses tanto mil alunos, não foi sua aluna em momento algum. Não fiz nenhum disciplina que você lecionou, apenas fiquei com os comentários que de suas aulas são boas. Na Univali te acompenhei pelo trabalho do Monitor de Mídia e em alguns eventos em que ouvi suas contribuições. Por isso, fico triste. Mas fico feliz por ter te conhecido de outra forma, sem a pressão de professor aluno, mas sim como algo mais informal o professor marido de uma grande amiga. A vida continua sim, e confesso que saber que primeiro vai você, e depois a Ana e o Vini é meio complicado, isso me deixa com algumas lágrimas tímidas que teimam em querer se manifestar. No entanto, fico imensamente feliz por poder dizer um até breve e não um adeus, porque sei que isso é o melhor e que vocês vão estar sempre por aqui, seja como for. E claro né, desejo sucesso na nova jornada e não boa sorte, porque conheço e acredito na sua capacidade.
    Abraço

  3. Comadre. Você fez história na Univali. Criou um laboratório de pesquisa que é referência nacional. Se tornou um pesquisador de referência. Um autor prestigiado. Nós do curso de jornalismo sentiremos muita falta sua, tanto na contribuição acadêmica quanto no exemplo de profissional ético e, para mim o mais importante, no amigo que sempre foi.
    Já estou com saudades. Abração.

  4. Texto lindo sobre essa sensação nostálgica, que sempre aparece quando precisamos nos despedir de algo ou alguém.
    Boa sorte na nova empreitada.
    =*

  5. Tento escrever algo legal para te dizer o quanto a sua partida nos fará falta, mas não sei nem por onde começar. Sei que perdemos muito agora. Não mais teremos seu tom ponderado e suas análises certeiras em sala de aula. Não teremos mais suas orientações nesta fase tão complicada e decisiva em nossas vidas que é a preparação do projeto do TCC, um dos últimos passos na transição entre a academia e o mercado. Não será mais de você que vou ouvir que preciso definir o recorte da minha monografia, que estou querendo fazer mais do que eu posso nesta modalidade. Não só perdemos um ótimo professor, mas perdemos também pesquisa, perdemos oportunidade de pensar e desenvolver a profissão com um dos melhores do país. Entretanto, assim espero, não perdemos o amigo. Mas doi pensar que perdemos uma peça essencial neste jogo chamado Universidade e isso não há palavras que console.

    No mais… Desejo toda a sorte nesta sua viagem. Que lá você encontre alunos que te considerem tanto quanto a gente aqui. E claro, aguardamos visitas uma vez ou outra.

  6. Professor, felicidade na sua nova casa aí na Ufsc. Concerteza todos os alunos que tiveram aula com o vc tem um certo tipo de orgulho de saber que vc está conquistando novos horizontes.

    Um abraço, tudo de bom!

  7. É, Rogério, lá se foi o sãopaulino mais bambi que conheci (risos). Vou sentir sua falta nos corredores, principalmente quando você passava apressado e fazia aquele gesto de “vou furar seus olhos” haha.

    Mas, com toda certeza, a Univali perdeu, pelo menos pra mim, o melhor professor que já tive. Nunca admiti isso, mas é vero.

    Boa sorte na nova jornada.

    obs: Ah! e lembresse sempre de mim quando o São Paulo perder, pode ter certeza que eu estava secando o seu time.

  8. A tua ida para a UFSC vai deixar um buraco enorme na Univali, no mestrado, no curso de Jornalismo, no Monitor e, principalmente, em cada um de nós que convivíamos contigo todos os dias. Porém, como tu mesmo disse, “a viagem interessa muito mais do que os destinos”. Todas as coisas que eu te desejei no teu aniversário parecem ter acontecido, a parte triste é que continuarão acontecendo “longe” da gente. O que me deixa feliz é ter compartilhado três anos e meio da minha vida na universidade contigo; e eu te agradeço por tudo que me ensinasse. Sinta-se à vontade para mandar e-mails dando bronca, pegando no pé, xingando, fazendo piada com a nossa cara ou elogiando algum feito legal. Tuas mensagens diárias vão fazer falta! O que eu penso de ti já devo ter te falado umas oito vezes, já deves saber de cor. Tirando o fato de ser são paulino, és uma das pessoas que mais admiro (e, como o Victor, estarei secando o São Paulo em todos os jogos). Enfim, já enrolei bastante, mas quero dizer mesmo que a UFSC vai receber um grande cara (ainda que baixinho hehehe) e que eu fico muito feliz pelo teu sucesso. Provavelmente vamos perder um pouco o contato, mas espero nunca perder a amizade. Até mais! 😉

  9. Lá se vai meu orientador .. ai,ai, mas enfim sucesso Dr. Rogério Christofolletti que sua sabedoria seja espalhada por bons ventos. Para nós fica a saudade, mas a certeza de um reencontro sucesso sempre.

    Keli

  10. è isso aí, caro rogério… como já escrevu uma vez o velho caetano, “o tempo não para e no entanto ele nunca envelhece”, cabe a nós percorrê-lo da melhor forma para tornar a viagem o mais agradável possível. com certeza vc está fazendo bem a sua parte, haja vista as vitórias de suas conquistas, os amigos que fez e as lições que aprendeu!
    “Tamo Junto, irmão!”
    Força Sempre!

  11. Senti um misto de tristeza e felicidade ao ler seu texto. Fiquei triste em saber que muitos futuros alunos da Univali não terão a oportunidade de ouvir suas belas explanações. Mas, ao mesmo tempo, senti alegria em saber que estás indo para algo melhor, que te trará ainda mais ensinamentos e proporcionará a outros alunos a mesma felicidade que tive ao escutar suas aulas. Elas são tão boas que quando percebemos já são 22h e temos que ir embora. É tão diferente de outras tantas que presenciamos. Um ciclo se fecha sim, professor. No entanto, muitos outros se abrirão. Você é muito competente e sua missão na Univali foi cumprida com mt êxito. Podes ter certeza! Nós aprendemos muito contigo. Muito mesmo. Não vou te desejar sorte nesta nova jornada porque não precisas. És competente o suficiente para fazer a tua própria trilha de sucesso. Até logo, GRANDE professor!

  12. É só ler os comentários aqui deixados, pra perceber a pessoa maravilhosa que és, mesmo sem te conhecer. Ontem ouvi um aluno de outro curso comentar que já tinha ouvi falar muito de ti, assim como eu, que não tive a oportunidade de presenciar tuas aulas, também. Mas a vida é assim, feita de novos caminhos e oportunidades. Desejo muito sucesso nessa sua nova etapa. 😉

  13. Despedidas muitas vezes dão a impressão de que se está perdendo algo, ou deixando pra trás algo importante. Por isso concordo contigo, é melhor quando flui naturalmente, quando não parece despedida, apenas um dia comum. Mas sempre há espaço para os clichês he he he, principalmente quando são de coração. Sendo assim, Rogério, foi um imenso prazer conhecê-lo e espero que a gente volte a se cruzar por aí. Saiba que muitas palavras tuas me influenciaram não apenas profissionalmente, mas vou guardar pra vida muito do que aprendi com contigo!
    Sucesso na tua nova empreitada!
    Forte abraço!

  14. Rogério
    Com certeza tua saída é uma grande perda para nós da Univali. És o mais completo professor do curso do jornalismo, referência na produção científica e intelectual.
    Tenho o privilégio de poder dizer que somos amigos e que nos encontraremos muitas vezes nos ambientes acadêmicos ou não para uma boa conversa. Sinto pelos alunos que não assistiram às tuas aulas e àqueles que não conviveram contigo. Sempre serás, mesmo a distância, uma referência para os outros professores e para os alunos deste curso.
    Sempre teremos em dizer aos quatro ventos: “sabe o Christofoletti? Foi professor da Univali!!!”
    Grande abraço, irmão…

  15. Olá professor! Quando ingressei na faculdade deixei de fazer a disciplina de Legislação e Ética, depois ouvia os colegas comentarem: ‘que pena perdeu uma aula e tanto, o professor é ótimo…’ Fiquei curiosa e somente nesse semestre tive a oportunidade de ser sua aluna, mas reafirmo o que os colegas dizem: ‘Lá se vai um excelente educador’.

    Sucesso!

  16. Queridos, muito obrigado pelas demonstrações de carinho!
    Obrigado, Rochelle, Caroline, Larissa e Joel!
    Não fique triste, Natália!
    Obrigado, Arteche. Tenho aprendido cada vez mais que te leio. E viva as viagens!
    Obrigadaço, Isaías, pela amizade de sempre!
    Desculpe a pressa, Julio e Keli!
    Obrigado também, Livia, Diórgenes, Marília, Vanessa, Mirna e Alfredo!
    Felipe, é isso aí! Solte as amarras, rapaz! Abraço!
    Victor, valeu pela confissão. Mas só vou acreditar se você gritar isso no corredor do Bloco 12…heheheheh
    Obrigadinho, Gabi… que quase me fez molhar o teclado…
    “Tamo junto, irmão Sal!”
    Tchau e oi, Bruna!
    Beijão, Júlia, e obrigado pelas palavras…
    Pô, Elton, valeu! Senti a maior responsa agora…
    Sandro, meu velho, não exagere. Continuamos, né não?
    Valeu, Chico e Robson!
    Raquel, também estou contente. Ainda mais por uma certa amiga em estado interessante… Felicidades pra nós!
    Beijim, Branca de Neve!
    É isso aí, Alesscar! Novos vagões e novas viagens! Felicidades aí!
    Obrigadinho, Marina!

    Felicidades, saúde e sucesso a todos vocês!

  17. Rogério,

    Com certeza você está entre os melhores professores que tive o privilégio de ter durante o curso de jornalismo. Primeiramente, fiquei triste ao saber que novos acadêmicos de jornalismo da UNIVALI não terão a oportunidade que tive de ser seu discípulo. Depois, quando li nos comentários, vi que o novo ‘vagão’ abre novos horizontes e desafios para um apaixonado pela academia, pela pesquisa, por ensinar, descobrir, aprender e se aperfeiçoar na arte de ser mestre.
    Sim, grande foi a minha satisfação, ao voltar a estudar e cursar a faculdade dos meus sonhos, quando encontrei – já no primeiro período – um professor sempre disposto a matar a sede de um aluno ávido por recuperar o tempo perdido. Ainda guardo com carinho uma lista de filmes com temas jornalísticos, que fui assistindo aos poucos, mas que ainda hoje, após dois anos da conclusão do curso, corro para encontrar os filmes que faltam…
    Talvez eu vá dizer obviedades, ou cair na vala comum, mas não me importarei de te dizer que lembro-me dos desafios da primeira prova (que eu esperava uma coisa, já que a disciplina tratava de leis…), quando você nos ‘forçou’ a pensar, a interpretar, a ver além das aparentes verdades… Lembro-me dos debates, das sábias anotações nas devoluções dos trabalhos, da disciplina do projeto, importantíssima na preparação do TCC – tudo está na memória de um tempo fantástico que vivi na companhia de amigos como você e de tantos outros colegas e professores especiais!
    Sucesso nessa nova empreitada, professor.
    Abraços

  18. Eu estou em horário de expediente aqui na Câmara mas não podia deixar passar em branco a oportunidade. O que eu penso? Simples: O MELHOR ESTÁ SEMPRE POR VIR, LOGO ALI NA FRENTE, NA BUSCA. É assim que gira o mundo. Eu aprendi algumas coisas com vc, espero que eu também tenha conseguido te passar uma boa mensagem.

    Te sigo pelo blog aonde vc for, só não vai pro inferno…ha,ha

    Gislaine Schineider

    1. Pô, obrigado, Gislaine.
      Claro que a gente sempre aprende com alunos. Sempre!
      Não, fica tranquila: não vou tão longe assim…
      Não se perca também.

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