o meme das idiossincrasias

Porque este post foi inspirado no post do Dauro, que se inspirou no do Brüggemann, vamos dizer que seja um meme

Para mim, a palavra “idiossincrasia” não é pernóstica, é reveladora e musical. Feia é a palavra “seborréia”, mais ainda que “diarréia”. Gosto de ler jornais sentado no chão. E gosto de ser o primeiro. Tenho egoísmo incontrolável de folhear cada caderno, sem emprestar nenhum pra ninguém enquanto gasto minha vida ali, sabendo da vida dos outros. Termino de ler e olho sempre para os dedos – que costumam ficar sujos de tinta – e os levo até o nariz para conferir o odor das impressoras.

Gosto de ternos, mas não tenho muitos. Poderia trabalhar vestido nisso, sem problemas. Me endireita a coluna. Mas não confio em nenhum homem que usa ternos de cores claras. Bege é praticamente um atestado de frouxidão de caráter. Azul marinho é o rei dos ternos, e ponto final.

Tenho preguiça de comprar roupas. E despisto minha esposa para fazê-lo. Detesto comprar roupas com ela. Me lembra a minha mãe. Prefiro gastar com livros, CDs e quadrinhos. Não gasto com DVDs. Eles são como camisinhas pra mim: uso uma vez só.

Sou meio obcecado por liberdade. Me irrita muitíssimo quando percebo cerceamento, controle. Me tira do sério. Assim como desrespeito aos direitos do consumidor. Fico fulo da vida com isso. Ainda quero ter um programa de TV pra detonar empresas que lesam o consumidor, tipo justiceiro, mas nada parecido com Wagner Montes ou Celso Russomano. Para preservar a ideia, não vou dar mais detalhes, mas atuaria como um paladino dando nomes aos bois, recitando artigos do Código de Defesa do Consumidor, constrangendo fdps diversos.

Adoro doces. Sou praticamente uma nuvem de gafanhotos em caixas de bombons, em pacotes de bolacha recheada, e outros prazeres sorridentes. Quero reduzir o consumo de doces para enxugar parte de minha pança que já quase tem um CEP próprio. Não gosto de hortaliças e faço discursos épicos contra o seu consumo. “Só como aquilo que pode se defender. As alfaces nem podem fugir de seus algozes!”. Gosto de frutas, mas minha fruta predileta é o torresmo. Detesto goiaba, nem posso com o cheiro, mas adoro goiabada. Poderia crescer em árvores, ao lado do pé de queijo minas. Facilitaria…

Me perco com facilidade em livrarias e padarias. Mas não só. Me perco bastante no trânsito, fico tenso e passo do ponto. Passava. Tenho um GPS agora, e não devo me perder mais. As viagens é que vão perder a graça, afinal era um rito certo a gente errar o caminho… Nada me tira da cabeça que a dona da voz do GPS é uma mulher de 35 anos, loira, mãe de dois filhos e cujo charme não se restringe às cordas vocais.

Sou realizado na minha profissão, mas sinceramente mudaria completamente de ramo. Entraria para a indústria pornô. Não me falta coragem. Falta é talento.

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  1. Pingback: Idiossincrasia, eu quero uma pra viver «

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