ah, o passado…

Se o passado é uma colcha de retalhos e lembranças, se o futuro é uma pilha de projeções e se o presente não dura mais que um segundo, a rigor, não nos sobra tempo nenhum. Essa é uma verdade que a gente tenta sepultar a cada vez que olha para o mostrador do relógio ou para o calendário. Mas ainda soterrado por essa lógica linear, me sinto nos últimos dias meio que atropelado por trens do passado… Personagens esquecidos aparecem, episódios guardados vêm à tona e um desfile infinito se dá na minha cabeça… perco as horas, vou e volto…

O curioso é que essas memórias todas me chegam pela internet, que já foi um sonho do futuro. Hoje, com mais de 15 anos, ela é presente, passado e futuro…

Por email, meu irmão mais novo me manda uma fotografia que eu julgava perdida. Nela, estou espremido entre vinte e poucos colegas que se preparam para formatura da 8ª série! Estamos em 1986, no pátio de um colégio que não existe mais, olhando para um futuro que nem mais me lembro. Sou mais magro, tenho mais cabelos e metade dos sonhos que tenho hoje. Temos espinhas no rosto, estamos de uniforme e nenhum de nós imagina o que lhe vai acontecer quando chegar à maioridade…

A foto pertence ao convite da formatura e com ele, uma lista de nomes e sobrenomes. Banquete para correr atrás dessas pessoas nas redes sociais. No Facebook, recebo solicitações de amizades de 25, 30 anos atrás. Envio outras. Faço contatos temerosos: “oi, não sei se lembra de mim, mas fizemos o ensino médio juntos…”

Em duas ou três mensagens trocadas, persiste a vontade de atualizar e atualizar o noticiário. “O que você fez nos últimos 25 anos?” “O que te aconteceu desde que a gente perdeu o contato?”

Acabo sabendo que namoradinhos da época da 8ª série se casaram! que atléticos rapazes mantiveram-se no esporte! que galãs daquela época perderam os cabelos e ganharam quilos! que alguns casaram e descasaram! que outros mantêm-se nas trincheiras da solteirice! que uns nem moram mais no Brasil! que outros resolveram povoar o mundo, assumiram os negócios dos pais, enfim, histórias, destinos, episódios de cada um…

Me dá uma saudade das precárias amizades, das montanhas de insegurança que se tem aos 15 anos, de amores não correspondidos, de mágoas de final de semana… me dá uma nostalgia desse nada que se foi… e que só ficou dormente na memória, como que em repouso, esperando apenas ser despertado por um oi qualquer…

 

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