Cheio de coisas pra fazer: soterrado de afazeres; mergulhado em compromissos; subsumido em tarefas; enterrado em demandas. “Cheio de coisas pra fazer” significa vazio de tempo pra si mesmo. Estado de alerta constante, angústia permanente e a frequente sensação de que seu dia é sempre mais curto em duração que o das pessoas normais.
Autor: Rogerio Christofoletti
ciberliga de pesquisadores paladinos
Ciência não precisa ser chata.
Pesquisa não deve ser uma coisa enfadonha.
Cientistas não são necessariamente aqueles caras que se escondem atrás de óculos de aros grossos e vestem aventais brancos.
Eles podem ser legais, divertidos, inteligentes, irônicos, interessantes, sensíveis… que ver?
No campo da Comunicação, um dos grupos mais criativos e dinâmicos é o dos pesquisadores da cibercultura. Eles são super conectados, ágeis, versáteis. São praticamente uns herois. Formaram até mesmo uma Ciberliga de Pesquisadores Paladinos, e têm seu próprio seriado. Assista aos dois primeiros episódios…
obercom: nova edição da revista
Gustavo Cardoso e Rita Espanha, editores da revista eletrônica Observatório, do Obercom, avisam que já está na rede a mais nova edição do periódico.
O sumário é o abaixo e o atalho é por aqui:
Observatorio (OBS*)
Vol 3, No 3 (2009)
Information Quality Assessment and Source Selection on the Internet for Competitive Intelligence: Fieldwork Research on 53 executives
Jeremy Depauw
Europeanisation on the Internet? The Role of German Party Websites in the 2004 European Parliamentary Elections
Eva Johanna Schweitzer
Regulation of advertising in audio-visual media services: the impact on consumer protection, investments, innovation and competition
Martijn Poel, Jop Esmeijer
La gestión de la comunicación corporativa en los clubes profesionales en España
Fernando Olabe
Bases do estudo do comportamento do consumidor em um contexto global
Raquel Marques Carriço Ferreira
Radio and the Web: Communication Strategies of Spanish Radio Networks on the Web (2006-2008)
Elsa Moreno, Pilar Martínez-Costa, Avelino Amoedo
Communication Research in Europe (2002-2013). An Analysis of Competitive Projects Approved under the European Union’s Sixth and Seventh Framework Programmes
Marta Civil i Serra, Núria Claver López
Portugal olhado pelo cinema como centro imaginário de um Império: Campo /Contracampo
Maria do Carmo Piçarra
Locating the Self in Web 2.0: explorations in creativity, identity and digital expression
Bridgette Wessels
A patchwork of online community-based systems: can social software be used to augment online individual social capital?
Peter Mechant
Análisis de las barreras en la compra de servicios turísticos por Internet: implicaciones para la gestión comercial en el sector
María Pilar Martínez, Alicia Izquierdo-Yusta, Ana Isabel Jiménez-Zarco
Development of Digital Satellite Pay TV in Spain (2004-2008)
Sagrario Beceiro
‘Nothing, late and analogue’ How organizations utilized their websites to respond to issues covered by Swedish mainstream online news
Michael Bo Karlsson
Case Study of Lesbian’s Health Hotline in Peripheral Chinese City
Jin Cao, Mao Cao
Point of listening in a radio fiction: the eternal problem
Emma Rodero Antón
aniversariantes
Para brindar os nativos deste dia, lembro dois ilustres aniversariantes. Primeiro, Diana Krall que parece modelo, americana, cantora pop; mas é loura-com-voz-de-negra, pianista, jazzista e canadense. Depois, José Saramago, que aos 87 não para de martelar o seu teclado e a inspirar quem segue as suas linhas.
Diana Krall canta a clássica The Look of Love, em um envolvente arranjo com orquestra.
José Saramago se emociona ao final da versão cinematográfica de Ensaio sobre a Cegueira.
contando com o ovo lá…
é hoje mas é amanhã também
Sim, hoje é sexta-feira, 13.
Mas Jason aparecerá amanhã, quando o Tricolor for enfrentar o Vitória, cujo nome anda meio incongruente…

conferência estadual de comunicação: inscrições
Terminam hoje as inscrições para a etapa estadual da Conferência de Comunicação.
O evento acontece neste final de semana: dias 14 e 15 de novembro, sábado e domingo, na Assembleia Legislativa de SC, Florianópolis.
Qualquer pessoa pode participar. É simples, fácil e de graça, veja aqui.
A programação pode ser conferida neste link.
gêneros jornalísticos: livro grátis!
Minha amiga Lia Seixas acaba de lançar Redefinindo os gêneros jornalísticos: proposta de novos critérios de classificação, livro baseado em sua tese de doutorado e que chega agora em dois formatos: impresso e online. Se você não dispensa o papel, acesse aqui. Mas se quiser descarregar no seu computador a versão em bits, clique aqui.
Veja uma sinopse:
Aprender a fazer jornalismo é aprender a produzir gêneros jornalísticos. O conhecimento mais profundo dos elementos que constituem os tipos mais frequentes de composições discursivas da atividade jornalística pode implicar em maior conhecimento sobre a própria prática. Isso significa conhecimento sobre as competências empregadas para a realização da atividade, desde a produção à publicação do produto. Com as novas mídias, surgem novos formatos, se hibridizam, se embaralham os gêneros. A noção de gênero entra, mais uma vez, em cheque. Por isso mesmo passa a ser vista com mais atenção. Alguns gêneros podem acabar, outros podem aparecer. Alguns se transformam, outros se mantêm. Com as novas mídias, as práticas discursivas passam a experimentar e produzir novos formatos, que podem se instituir ou não em novos gêneros.
ética, interesse público e direito à informação
Dois eventos internacionais acontecem neste mês e trazem luz a importantes debates sobre ética jornalística, pesquisa científica na área, interesse público e direito à informação.
São eles:
- “7º Congreso Internacional de Ética y Derecho de la Información”, que acontece em 13 e 14 de novembro em Valência, Espanha. O tema é “A liberdade das consciências na regulação do direito à informação”. O site do evento é este aqui.
- “Journalism Research in the Public Interest”, evento da European Communication Research and Education Association, que acontece entre 19 e 21 de novembro em Zurique, Suíça. O link é este.
jornais têm menos credibilidade que internet!
É o que mostra uma pesquisa realizada no país e divulgada hoje pelo Comunique-se.
Leia a matéria completa:
Um estudo realizado pelo Instituto Vox Populi, encomendado pela Máquina da Notícia, aponta que o rádio e a internet são as mídias que despertam mais credibilidade entre os brasileiros. Em uma escala de 1 a 10, o rádio conquistou a maior nota (8,21), quase empatando com a internet (8,20), seguidos pela TV (8,12), jornal (7,99), revista (7,79) e redes sociais (7,74).
A pesquisa mostrou que as mídias apontadas pela credibilidade não são necessariamente as mais acessadas, já que a TV é vista pela maioria dos respondentes (99,3%), seguida por rádio (83,5%), jornal impresso (69,4%), internet – sites de notícias e blogs de jornalistas – (52,8%), revista impressa (51,1%), redes sociais – Twitter, Orkut, Facebook, etc – (42,7%), a versão online dos jornais impressos (37,4%) e a versão online das revistas impressas (22,8%).
O economista e coordenador da pesquisa, Luis Contreras, consultor do Grupo Máquina, destaca o avanço das redes sociais, que se aproximam do índice de credibilidade das demais fontes de informação. “Entre os usuários dessa nova mídia, 40% consideram-na como de credibilidade muito alta. Isso nos mostra claramente que não podemos ignorar o poder das redes sociais na formação de opinião”, enfatiza.
Entre os principais meios de informação, a TV continua na liderança (55,9%), seguida pela internet – sites de notícias/blogs jornalísticos – (20,4%), jornal impresso (10,5), rádio (7,8%), internet – redes sociais – 2,7%, jornal online (1,8%), revista impressa (0,8%) e revista online (0,1%).
O estudo entrevistou 2.500 pessoas maiores de 16 anos, entre 25/08 e 09/09, no Distrito Federal e nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.
lançamento de livro
o muro caiu e aí…
Hoje, faz vinte anos que o Muro de Berlim ruiu, iniciando ao menos que simbolicamente uma nova era e fechando o século XX.
Não vou fazer nenhuma análise histórica porque não sou historiador. Prefiro lembrar o trailer de “Adeus Lênin”. Nesta produção, um filho faz de tudo para que a mãe comunista que voltou do coma não descubra que a Alemanha está se reunificando. Ele teme que ela enfarte novamente e não resista. Então, faz milagres para tornar um apartamento de 79 metros quadrados o último refúgio da Alemanha Oriental.
Sensível, engraçado, inteligente, o filme é uma boa maneira de se ver a que nos apegamos para ter o pé na realidade…
27 horas de um turbilhão emocional
Passei pouco mais de um dia em Piracicaba-Rio Claro este final de semana. Mas foi tudo muito intenso…
Como adiantei, fui ao SESC para uma palestra a convite da Unimep. Lá, me reencontrei com colegas como Paulo Roberto Botão e Belarmino Guimarães, e fui muito bem recebido por turmas de alunos muito interessados e interessantes do curso de Jornalismo. O SESC em Piracicaba tem uma estrutura maravilhosa, que o site da instituição não faz jus. Lá, é tudo lindo, moderno, tudo funcionando muito bem, e lotado de gente da comunidade. Nota-se o belo trabalho da equipe (e aqui, agradeço em particular ao Chico Galvão).
Não bastasse a boa experiência que foi dialogar com os presentes, tive outra ótima surpresa: na plateia, estavam três tias e um tio meu, que não via há muito tempo. Alguns há mais de dez anos. Os parentes – todos na casa dos 60, 70 anos – foram “me prestigiar” porque leram uma reportagem no Jornal Cidade sobre a palestra. Fiquei muito tocado com a surpresa, pois o que a gente quer mesmo é ter o reconhecimento dos mais próximos, não é? Jamais esperaria vê-los ali…
Não bastasse, na mesma noite, revi uma querida amiga dos tempos de universidade, Alessandra Morgado, e que hoje é uma das editoras do Jornal de Piracicaba. Pra terminar, dei uma esticadinha e dormi na casa de minha mãe, o que me permitiu matar saudades do colo e de meu irmão mais novo. Cheguei a almoçar com eles, e corri de volta à base, de onde já escrevo.
Foram pouco mais de 27 horas fora de casa. Inicialmente, para um compromisso profissional, mas que se revelou numa ótima experiência acadêmica e num surpreendente e emocionante retorno ao passado. Eu vi vinte, trinta anos em poucas horas…
uma palestra em piracicaba
Amanhã, dou uma passadinha por Piracicaba – no interior de São Paulo – para uma palestra no SESC da cidade. O evento é também uma iniciativa do curso de Jornalismo da Unimep, e começa às 20 horas. Vou falar sobre ética jornalística, notícias em tempo de novas mídias, redes sociais, e os impactos disso tudo na conduta dos jornalistas. Uma parte desses assuntos está no meu Ética no Jornalismo, que segundo a organização do evento, será lançado lá também…
Faz tempo que não volto a Piracicaba. Faz tempo que não revejo amigos da área. Para um caipira de Rio Claro como eu, será um imenso prazer voltar a falar com “meu sotaque original de fábrica”…
blogosfera policial e direitos humanos para mídia comunitária
Dois estudos bem interesantes caíram na rede nos últimos dias: um trata de blogs de policiais brasileiros ou com abordagem policial, e outro é uma cartilha sobre direitos humanos para comunicadores comunitários.
Os estudos foram produzidos pela UNESCO, Oboré e Centro de Estudos sobre Segurança e Cidadania, da Universidade Cândido Mendes.
Baixe A Blogosfera Policial no Brasil: do tiro ao Twitter aqui!
o jornalismo cava a própria cova
Jorge Rocha Neto alimenta uma tese polêmica: para ele, o jornalismo morreu. É bem verdade que Rocha Neto não seja o único a soprar tal trombeta, mas seu timbre é particularmente interessante. Provocador, não é à toa que na internet assine como Exu Caveira Cover e cuspa labaredas para quase todos os lados…
Seu vaticínio mais parece uma praga. Afinal, esse Exu é jornalista e professor da área, o que pode soar como alguém que também cuspa no próprio prato. Que nada! Essa aparente contradição e as raízes do seu raciocínio são explicados pelo diabo em pessoa na entrevista – feita em dois tempos por email – a seguir.
Você mantém
um blog cujo mote principal é a morte do jornalismo. O jornalismo morreu mesmo? Quando e como foi que isso aconteceu?
É preciso frisar ainda que o blog tem como subtítulo “imprimatur de exucaveiracover”. Se pensarmos esse blog como um terreiro virtual, a entidade que incorpora naquele espaço pode ser chamada de gravekeeper, uma sutil sacanagem com o termo gatekeeper – é, eu estou explicando a piada, pode me apedrejar. Há todo um estado de espírito mórbido ali para tratar do jornalismo, porque acredito que esta é a única forma de lidar com este tema sin perder la envergadura. Não pretendo, seja aqui ou acolá, precisar a data da morte do jornalismo, porque se trata de um rigor mortis sui generis, pois é espasmódico e faz confundir estertores com sobrevida.
A prática jornalística a que me refiro é a dos jornalões, é uma tentativa de emular Brás Cubas, cuja condição de morto lhe permitia analisar livremente a si mesmo e as histórias que viveu e acompanhou. No entanto, falta um élan post mortem a esta prática para chegar a estas vias de fato e há corpos de vantagens em quesitos falcatruescos. Se o Fantasma é o espírito-que-anda, o jornalismo é o cadáver-que-escarnece. Seja da sua própria condição, seja do trato com a opinião pública, seja da realidade que faz contorcer em espasmos de entranhas, seja da audiência, ao tentar solapar-lhe nacos de cidadania em sucessivas mordidas de zumbi. Permita-me ser generalista uma vez na vida: o atestado de óbito é diário nas páginas de jornais e revistas, na telinha da TV e nas ondas sonoras dos rádios. Não é redundância ou exagero, desde sempre me defendo: o jornalismo é o cadáver que cava a própria cova. E, no caso brasileiro, dessas buraqueiras, tal como lírios na lama, surgem iniciativas como o Blog da Petrobrás – há lições e lições a tirar daquilo lá para quem sublima a raivinha besta sentida no momento da sua criação –, o Crônicas de uma catástrofe anunciada e o Cloaca News, só para citar alguns exemplos, porque não estou aqui para fazer elogios.
O fim do jornalismo significa o fim dos jornalistas também?
Eu defendo a ideia de que o jornalismo, conforme apresentado anteriormente, permaneça como está: morto. E enterrado. Assumir a persona de gravekeeper tem lá seu grau de seriedade, pode apostar. O jornalismo é uma prática social, um
a necessidade inerente à sociedade, e não algo que preste apenas a ser alimentado por dossiês, manipulado por lobistas ou atrelado tão somente a “interesses empresariais”.
Antes que detratores esfreguem as patinhas e venham me chamar de defensor de um jornalismo romântico – como já ouvi diversas vezes, assim como a frase “você é muito radical” –, adianto que sou purista apenas em relação ao uísque que bebo. É claro que entendo a correlação de forças que se aplicam ao jornalismo, convivo com elas mesmo estando fora de redação – por escolha própria e posteriormente por acordo mútuo entre mim e a “barriga da besta”. Enquanto aquilo que é chamado de “pensamento empresarial” dos grandes meios de comunicação servir apenas para atochar gagballs até o palato no jornalismo, encobrindo a safanagem com o epíteto de quarto poder, sem entender que – até mesmo em termos empresariais – é um tiro na cabeça sustentar esse modelo por mais décadas, ficamos todos na lesma lerda. Eu prefiro engrossar as fileiras daqueles que fazem coro com Erik Neveu.
Para o tiozinho, a prática jornalística é um “ofício de fronteira” – sendo que o termo “fronteira” tem aqui muito mais a conotação de pontos de contato do que de barreiras alfandegárias. Neveu considera, e eu prefiro acreditar que compartilho essa crença, que essa forma de lidar com o conceito de fronteira tem que orientar o jornalismo a pensar sua própria natureza como algo ligado à anexação de outras atividades, concatenadas até mesmo – pasme, filisteu! – aos novos meios de comunicação. Fora disso, meu caro, não há vida. E este é o momento em que eu puxo Armand Mattelart pelo braço e deixo que ele diga – uma vez mais – que a comunicação prioritariamente deve corresponder às mudanças percebidas nas relações entre emissor e receptor e no contexto histórico, além de prestar atenção às reconfigurações relacionadas às tecnologias.
O jornalismo a que me refiro como morto é justamente esse que não observa esses pontos e os jornalistas que regurgitam este cadáver nada mais são do que zumbis. Como fã de George Romero que sou, acredito que a solução mais prática é acertar-lhes a cabeça.
Em caso afirmativo, alguém sentirá falta de um ou do outro?
A mesma falta que um corpo morto sente falta dos vermes que se alimentam dele.
No caso de o fim do jornalismo não significar o fim dos jornalistas, o que os jornalistas vão fazer então???
Não sei de outro tempo no qual a figura do jornalista foi mais necessária. Mesmo com toda essa conversa de crise no/do jornalismo que a própria mídia alavanca e faz com que as empresas jornalísticas reajam a esse mal demitindo jornalistas. É o típico ato de cuidar das caspas cortando a cabeça – e você achando que eu é que sou o psicótico nessa história. Mas essa necessidade da qual estou falando é a de um tipo de jornalista que não se locupleta com o “fazer corpo mole” em uma redação. Porque, além de um certo atravancamento no pensamento das empresas de comunicação – dá vontade de rir quando escrevo “empresas de comunicação” – há jornalistas que se contentam em praticar e repetir o mantra “fazer-o-arroz-com-feijão-tá-muito-bão”, que se contentam em fingir de morto para evitar problemas. Tenho raiva desse tipo de profissional e escrevo isso tranquilamente, porque nunca escondi esse sentimento.
Para piorar esse quadro, cabe dizer que parte dos jornalistas que admiro está morta ou fora das redações. Mas respiro aliviado ao ver que ainda salvação – substancialmente fora da “barriga da besta” mas que pode ser transplantada para dentro. De novo: é um jogo político, de enfrentamento e correlação de forças. Como todo e qualquer setor da vida social.
Entendo o seu raciocínio, mas você não teme ser rotulado de “polemista de papel”, de “provocador bem acomodado”, de crítico da academia que se diverte ao atirar pedras no mercado? E de que maneira, sua posição pode não ser vista dessa maneira?
Ah, essa é uma armadilha para rato pequeno e nela eu não tropeço. E é até relativamente fácil de desarmar. Sigam a bolinha, crianças. 1) Só para citar um exemplo fácil, fatos como a família Sarney controlar os meios de comunicação no estado do Maranhão – esta incógnita –, conforme está bem listado no Donos da Mídia, prescindem que eu esteja ou não em uma redação de jornal para compreender a importância política de uma capitania hereditária midiática como essa e criticá-la. E estas capitanias loteiam o Brasil de ponta a ponta, Estado a Estado, cidade a cidade – e dá-lhe síndrome do pequeno poder; você consegue calcular o estrago disso tudo? Isso acontece já a olhos vistos, passível de ser observado por jornalistas nas redações, professores em salas de aula e até mesmo por marcianos rondando o céu de brigadeiro do Brasil.
Fazer tal crítica é algo necessário, independente de onde se esteja, observando a relação promíscua entre – vá lá – poderes constituídos, os arrolhos metidos no jornalismo por conta de conchavos políticos ou a concordância à subserviência para garantir o uísque das crianças. Você pode até não ter espaço para publicizar essa observação/opinião no veículo em que trabalha, mas isso não o tolhe de entender a roda dentada e saber como manifestar seu ponto de vista – de novo, é um jogo político. 2) Acha que minhas considerações são duras por que estou em uma posição confortável, fora de uma redação? Bobagem. Eu nunca escondi minha opinião acerca do jornalismo mesmo quando estava na redação e assim como todo jornalista, passei por maus bocados, como alguns que pontuei aqui. Mas são histórias que prefiro não contar em uma entrevista. Como acadêmico, eu tomo muito mais cuidado com o que digo: em redação eu era muito, mas muito pior.
Mercado e academia podem dialogar na direção de um jornalismo melhor? Como pode se dar esse encontro?
Eu me pergunto a quem interessa esse diálogo. De um lado, há acadêmicos que torcem o nariz à simples menção da palavra “mercado”, de outro, empresários de mídia – e seus “jornalistas representantes”, todos covers de William Bonner e/ou Pedro Bial – que apregoam treinar jornalistas para o mercado. Ambas as proposições estão incorretas, uma vez que estão centradas meramente na ideia de contentar ou não o mercado, essa entidade apocalíptica.
Sim, falta aí uma visão macro, menos dualista, menos passional. É justamente por esse aspecto de “deslumbramento por um treinamento ninja” que não aprecio os cursos de Jornalismo da Abril e afins – e também não é de hoje que eu falo isso –, porque essa é uma visão reducionista às pampas. No meio desse melelê todo, ficam os estudantes de Jornalismo como baratas tontas, muitas vezes acreditando que essa é a única métrica confiável. Claro, não se pode negar a existência das – aham – necessidades mercadológicas, nem mesmo como atitude filosófica, porque o jornalista vai enfrentá-las, isso é estupidamente óbvio. Para um jornalismo melhor, como você classificou, no que tange as duas partes citadas, é preciso que ambos os lados cedam em algumas de suas particularidades: que as empresas de comunicação estimulem e mantenham espaços editoriais para a aplicação de conhecimentos adquiridos na academia – técnicos, teóricos e humanistas – e que as instituições de ensino tenham condições de equipar os estudantes com um cabedal de informações que formem o caráter dessa moçada. Chamo atenção à essa última parte especificamente, dizendo que não se aprende Ética na redação – entendi isso da pior forma possível. Parece discurso de político, não? E é.
Para finalizar, se o jornalismo é o cadáver que cava a própria cova, quando ele finalmente descansar, quem jogará a última pá de cal sobre o finado?
Espero sinceramente que não seja o Caio Túlio Costa.
hipertexto começa na quinta
Um evento super interessante sobre linguagens e tecnologias na web começa nesta quinta, dia 29, em Belo Horizonte (MG): é o Hipertexto 2009.
Não é porque o encontro é organizado por uma mineirada que eu conheço, confio e admiro. Mas baixe a programação aqui e veja abaixo os grupos de discussão:
- HIPERTEXTO, CIBERCULTURA E ENSINO DE LÍNGUAS ESTRANGEIRAS
- HIPERTEXTO, LITERATURA, HISTÓRIA E MEMÓRIA CULTURAL
- A PÁGINA COMO ESPAÇO DO DIZÍVEL E DO NÃO-DIZÍVEL
- PROJETOS E PROCESSOS NA WEB COLABORATIVA
- ORKUT E YOUTUBE: A SALA DE AULA X O COTIDIANO (OU TUDO MISTURADO)?
- LETRAMENTOS NA WEB E EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA
- LINGUAGENS E INTERFACES HIPERMIDIÁTICAS
- HIPERTEXTO E LITERATURA: POR UM MODELO RETICULAR DE LEITURA
- ATIVIDADES HIPERTEXTUAIS: O QUE NOS DIZ A PRÁTICA
- LETRAMENTOS DIGITAIS, APROPRIAÇÃO TECNOLÓGICA E INOVAÇÃO
- PROPOSTAS PEDAGÓGICAS MEDIADAS POR MÍDIAS DIGITAIS
- LETRAMENTOS MULTIMODAIS: INTERFACES ENTRE A TEORIA E A PRÁTICA NO COTIDIANO ESCOLAR
- COMPLEXIDADE/ CAOS COMO LÓGICA DE INVESTIGAÇÃO NA WEB
- M-LEARNING: APRENDIZAGEM EM DISPOSITIVOS MÓVEIS
- A HIPERTEXTUALIDADE COMO ELEMENTO CONSTITUTIVO DO DISCURSO MIDIÁTICO
- A IMAGEM COMO HIPERTEXTO: POÉTICAS HETEROGÊNEAS
- EDIÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS
- MODELAGEM CONCEITUAL PARA ORGANIZAÇÃO HIPERTEXTUAL DE DOCUMENTOS TEXTUAIS
Vale ou não vale ficar de olho?
EM TEMPO: Acabei de confirmar. Não haverá transmissão pela web… então, corra pra rodoviária!
vem aí um novo código de ética?
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) começou a defender a existência de um código que não se restrinja a normatizar a conduta de profissionais nem fixe limites às empresas, mas que a atividade em si seja minimamente regrada, como se demarcássemos cânones. Mesmo após um longo, exaustivo e legitimador processo de rediscussão do Código de Ética do Jornalista, a Fenaj recebeu críticas pela sua quarta versão do documento, finalizado em 2007. De que adianta apontar regras de conduta que nem sempre podem ser seguidas porque o profissional não é tão livre para optar por elas?, questionou-se. Como é colocado no Código a tal cláusula de consciência se o jornalista não tem margem de ação concreta para deixar de cobrir assuntos que contrariem suas convicções?, perguntou mais alguém. Por fim, uma indagação-síntese: como um código como este pode ser implementado se não foi negociado com os patrões e com os proprietários de meios de comunicação?
Este aí é um trecho do texto que publiquei hoje no Observatório de Ética Jornalística, o objETHOS.
Ficou interessado? Dê uma chegadinha lá para ler tudo, mas pegue este atalho aqui.
palestra com pesquisadores portugueses na ufsm
O Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM) da UFSM promove no próximo dia 06 de novembro, sexta-feira, o II Ciclo de Debates “Mídia e Sociedade”. As palestras iniciam às 14h, no Auditório do Departamento de Química, no campus. O evento, que tem o apoio do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da PUCRS, terá nesta edição palestras com os pesquisadores Moisés Martins e Jean-Martin Rabot, ambos do Centro de Estudos em Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho, em Portugal.
Martins irá abordar o tema “Espaço Público e Media: da crise do Estado à crise da cultura”, enquanto Rabot irá discorrer sobre “As figurações da monstruosidade nos media”. As inscrições devem ser feitas antecipadamente na Secretaria do Mestrado, no Prédio 21 do campus. O evento é destinado a estudantes de Graduação e Pós-Graduação, professores e profissionais das áreas da Comunicação, Ciências Sociais, Filosofia, História, Letras, Psicologia e demais interessados.
EVENTO: II Ciclo de Debates “Mídia e Sociedade”, do Mestrado em Comunicação Midiática da UFSM
DATA: 06/11/2009 – sexta-feira
LOCAL: Auditório do Departamento de Química – UFSM (campus)
HORÁRIO: 14h
INSCRIÇÕES: Na Secretaria do Mestrado – Prédio 21, a R$ 5,00 (com direito a certificado de participação) ou pelo email eventos.ppgcomufsm@gmail.com, com nome, RG, curso, instituição e nome do evento. A inscrição feita por email poderá ser paga na hora da palestra.PALESTRANTES:
Moisés Martins
Professor catedrático da Universidade do Minho e Diretor do Centro de Estudos em Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho (CECS).
Tema: Espaço Público e Media: da crise do Estado à crise da culturaJean-Martin Rabot
Professor de Sociologia e Investigador no CECS (Centro de Estudos em Comunicação e Sociedade) do Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho, Braga – Portugal.
Tema: As figurações da monstruosidade nos media
tricolor vence o santos e…
… volta à disputa pelo campeonato.
Depois de 4 a 3 lá na Vila Belmiro, ele está de volta.

presentinhos de sexta
Como o final de semana se aproxima, deixo três presentinhos:
1. A reconstrução do jornalismo americano. Relatório recente – do último dia 20 -, assinado pelos professores Leonard Downie Jr e Michael Schudson, das universidades do Arizona e de Columbia. Em inglês, em PDF e com 100 páginas. Aqui.
2. A emergência das redes sociais e os seus impactos no jornalismo convencional. Estudo recente sobre a realidade do Reino Unido assinado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism. Em inglês, em PDF e com 60 páginas. Aqui.
3. Recentemente, tratei da Ley de Medios argentina, polêmico marco regulatório que pode alterar sensivelmente o mercado audiovisual daquele país. Aliás, a lei está aqui. Em espanhol, em PDF e com 25 páginas.
william bonner e o fosso entre academia e mercado
Tempos atrás, a visita de um profissional a uma universidade seria um episódio restrito apenas a quem o presenciasse. Por mais ruidosa que fosse a passagem, alunos e professores discutiriam nos corredores, e o fato seria armazenado na memória de quem o testemunhasse. Bem, eu disse “tempos atrás”. Hoje é diferente, e as muitas possibilidades tecnológicas de compartilhamento de informação, conhecimento e experiência soterram qualquer tentativa de esquecimento voluntário.
Acontecimento recente ajuda a ilustrar essa nossa obsessão por lembrar: no início do mês, o apresentador e editor-chefe do Jornal Nacional William Bonner palestrou na Universidade de Brasília e causou ranger de dentes com as críticas que fez aos cursos de Jornalismo brasileiros. Segundo relatou a professora Zélia Adghirni, publicado originalmente no Observatório da Imprensa, Bonner disse que as escolas de Jornalismo “não servem para formar jornalistas” e que elas “deveriam se preocupar mais com o ensino de Português e História. Para o resto, a universidade serve apenas como experiência de vida”. Conforme conta a professora, o editor-chefe foi categórico em afirmar que “jornalismo se aprende no mercado”, e que nem mesmo técnicas de redação e ética profissional seriam bem oferecidas nesses momentos de formação.
Bonner, contextualiza a professora Zélia, disse tudo isso, após a já esperada pergunta de estudantes acerca do fim da obrigatoriedade do diploma para a área. O auditório da UnB estava lotada, e fora dele, um telão retransmitia a palestra do jornalista. Ainda segundo o relato da professora, Bonner teria dito que “em seis meses, eu pego um estudante e faço dele um editor na Globo”, transformação que poderia fazer de um taxista em jornalista.
Como eu disse, a passagem de Bonner pela UnB – por ocasião da turnê de lançamento de seu livro “Jornal Nacional – Modo de Fazer” – provocou ranger de dentes, que não ficaram apenas nos longos corredores da Universidade de Brasília, mas se espalharam feito rastilho de pólvora na blogosfera e em listas eletrônicas de professores e alunos.
O fosso
Não, eu não estava na palestra de Bonner. Mas confio no relato da professora Zélia, a quem conheço e respeito. E a julgar pelo teor do que foi dito, a passagem foi desastrosa. Não porque eu não concorde com o jornalista, afinal isso pouco interessa. Mas porque declarações como aquelas só fazem aprofundar e alargar um abismo entre academia e mercado, entre universidade e empresas. Aliás, é histórica a existência desse fosso separando duas instâncias que poderiam muito bem dialogar mais. Há muito tempo, assisto a demonstrações mútuas de ojeriza. Há anos, vejo gente na academia torcendo o nariz para o mercado, e gente do mercado bufando diante de professores da área. Não é, portanto, meramente ilustrativo o que digo sobre um fosso. Ele existe, e perdura e, ciclicamente, se expande.
Por contraste geológico, o desprezo manifesto por Bonner pela formação oferecida nas escolas é só a ponta do iceberg de uma relação de estranhamento que não contribui para o avanço do jornalismo profissional nem para os processos formativos de repórteres, editores e redatores. Isto é, ninguém ganha com isso. O mercado não se beneficia com os debates, as pesquisas, as soluções encontradas na academia, e esta se alija do que acontece no mundo competitivo, cruel, real e complexo a que as empresas estão habituadas. O setor produtivo não dialoga com o mundo da reflexão. A massa pensante tapa os ouvidos para a gente que faz. Claro que estou me apegando aos rótulos que se impuseram esses lados da equação, mas não estou muito longe do que influentes e importantes setores pensam acerca de si e de outrem.
O fato é que temos uma zona de atrito entre academia e mercado que – de forma muito prática – interessa a poucos. Interessa a quem se imagina como o centro do mundo, como quem está indisposto ao diálogo e à construção de caminhos.
Saídas?
Não defendo um pacto artificial entre as partes, nem ao menos a capitulação de suas posições. A academia não precisa pensar como o mercado, mas não pode ignorá-lo. Também não é prudente ou recomendável que as empresas, por sua vez, dêem de ombros para o que se pensa e se produz nas escolas. Se os cursos de Jornalismo estão ruins, é preciso encontrar maneiras de aperfeiçoá-los, se os produtos jornalísticos têm qualidade duvidosa, deve-se perseguir parâmetros melhores, refletindo sobre a prática, sobre rotinas produtivas, fluxos informativos, procedimentos operacionais, adoção de novas tecnologias…
São bem-vindas iniciativas como o da Globo Universidade, de aproximar seus quadros profissionais e empresas às escolas. Bem como é oportuna a criação de cátedras específicas, como a Cátedra RBS da UFSC. Repórteres, redatores, produtores, editores precisam transitar pelas universidades, palestrando ou fazendo cursos. Professores e alunos devem fazer visitas técnicas nas empresas, onde se pode colher dados para estudos de caso. Isto é, as saídas para a redução do fosso entre academia e mercado passam incontornavelmente pelo diálogo e pela disposição. Em outros países, a tensão empresas-universidade é menor, e o encaminhamento dos recém-formados aos postos de trabalho é um processo natural, não-traumático.
O manual e Homer
A academia se gaba de querer pensar criticamente as práticas do mercado. Que continue a fazê-lo, mas que também ofereça exemplos práticos de como aperfeiçoar processos e produtos jornalísticos. Isto é, que as práticas laboratoriais sirvam não apenas para reproduzir comodamente o que vem dando certo por aí, mas também simulem os desafios para a busca da experimentação e inovação, e contribuam para habituar os alunos a um ritmo profissional de produção.
O mercado alardeia que recebe jovens profissionais despreparados e que os “salva” na correria do dia-a-dia. Isso não é totalmente verdadeiro, e nos casos em que é, as empresas podem contribuir para que os cursos sejam melhores. Alguns grupos empresariais oferecem cursos internos de formação que muito se assemelham a períodos de treinamento e adestramento. Na ânsia de preparar seus quadros, as empresas formatam, engessam, restringem. Ultimamente, na mesma direção, tem sido lançados livros que atuam como suporte a esses cursos. “Jornalismo Diário”, de Ana Estela de Sousa, é um exemplo disso. O livro – que tem suas qualidades – segue a mesma receita já empregada pela Folha de S.Paulo em seu Manual de Redação: sabemos fazer jornalismo e só nós sabemos. Por isso, sigam as nossas regras e você estará fazendo jornalismo.
Isso não é dito literalmente, mas a leitura do volume permite entrever o quanto se despreza a academia e as linhas que guiam os cursos acadêmicos. Articulado ao programa interno de formação, do qual a autora é responsável, o livro é outra forma do monólogo que aprofunda a fissura entre academia e mercado.
O livro de William Bonner não é endereçado a estudantes de Jornalismo ou a professores. O timbre didático que ele assume do começo ao fim sinaliza que seu público é maior, na direção da audiência do telejornal mesmo. A preocupação com explicações técnicas é tão grande que o leitor pode se constranger pela rasura de alguns trechos. Como se o leitor fosse Homer Simpson. A comparação é minha, mas não é gratuita. Em 2005, Bonner se viu envolvido num incidente que ajudou a macular sua imagem, pois teria comparado o telespectador médio do JN ao personagem do desenho animado. A aproximação foi “denunciada” pelo professor Laurindo Lalo Leal e causou ressentimentos de parte a parte. Bonner alegou ter sido mal interpretado.
No final de “Jornal Nacional – Modo de Fazer”, o autor vai à forra e desenterra o assunto para um acerto de contas com Lalo Leal. Sob o pretexto de tratar da clareza como um valor a ser perseguido no telejornal, Bonner conta a sua versão do incidente e contrapõe, inclusive, declarações de colegas do professor para contestá-lo. Bonner não segura o rancor, e mesmo que em poucas páginas – e como na UnB – alarga ainda mais o fosso entre academia e mercado.
saem os vencedores do pagf 2009
A Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) anunciou hoje os vencedores do Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo. Nesta quarta edição, foram inscritos 36 trabalhos de 26 instituições em dez estados brasileiros, um recorde no evento.
Na Categoria Iniciação Científica, competiram catorze artigos e a vencedora foi Gabriela Zago, da Universidade Católica de Pelotas. Intitulado “Jornalismo em Microblogs: Um Estudo das Apropriações Jornalísticas do Twitter”, o trabalho foi orientado pela professora Raquel da Cunha Recuero. A comissão de avaliação na Categoria Iniciação Científica foi presidida por Márcia Franz Amaral (UFSM) e composta ainda por Iluska Coutinho (UFJF) e Walter Teixeira Jr. (Faculdade Cásper Líbero).
Dezesseis dissertações concorreram na Categoria Mestrado no PAGF 2009. “Bilac, sem poesia – crônicas de um jornalista da Belle Époque”, de Marta Eymael Garcia Scherer (UFSC), foi o trabalho vencedor. A dissertação foi orientada pelo professor Carlos Eduardo Capela, e avaliada por Kênia Maia (UFRN), Márcia Benetti (UFRGS) e Victor Gentilli (UFES), que presidiu os trabalhos da comissão.
Seis teses foram inscritas na Categoria Doutorado. Os professores Marcos Palacios (UFBA), José Salvador Faro ( Universidade Metodista e PUC-SP) e a presidenta Christa Berger (Unisinos) apontaram como vencedor o trabalho “Sistemas de produção de conteúdos no ciberjornalismo – A composição e a arquitetura da informação no desenvolvimento de produtos jornalísticos”, de Carla Andrea Schwingel, da UFBA. A tese foi orientada pelo professor Elias Machado Gonçalves.
A Diretoria e o Conselho Científicos da SBPJor indicaram ainda o PAGF2009 Categoria Sênior para o professor José Marques de Melo (Umesp) por sua relevante, diversificada e influente trajetória na pesquisa em jornalismo. Marques de Melo foi o primeiro doutor em Jornalismo no país. É autor de mais de trezentos artigos científicos, livros e capítulos de livros na área. Foi professor visitante e pesquisador em universidades nos Estados Unidos, México, Espanha, Argentina, Chile, Bolívia, Uruguai e Venezuela. Marques de Melo já formou mais de uma centena de pesquisadores acadêmicos nas áreas da Comunicação e Jornalismo. É presidente de honra da Intercom, Sócio nº 1 da SBPJor e atualmente dirige a Socicom, a Federação Brasileira das Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação. O PAGF Categoria Sênior marca os cinquenta anos de carreira jornalística de Marques de Melo.
Os vencedores do PAGF 2009 receberão seus prêmios no dia 25 de novembro durante o 7º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, que acontece em São Paulo, na Escola de Comunicações e Artes (ECA/USP).
premiados do pagf serão anunciados hoje
Os vencedores da edição 2009 do Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo serão anunciados hoje pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor). Coordenei os trabalhos neste PAGF, o que muito me honrou. Contei com o apoio da diretora científica da entidade, Marcia Benetti, e com um timaço de avaliadores nas três categorias: Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado. Agradeço sinceramente a todos os envolvidos neste processo que reconhece a pesquisa séria, comprometida, rigorosa e relevante no campo do jornalismo.
Se você está curioso para saber dos vencedores, aguarde mais um pouquinho. No próximo post, as novidades!!!
por que a lei argentina de meios assusta?
O Senado argentino aprovou recentemente uma nova lei para os meios audiovisuais, estabelecendo restrições à propriedade e impondo novas regras no mercado midiático local. As medidas são polêmicas, e contrapuseram não apenas oposicionistas e aliados da presidente Cristina Kirchner, mas também setores organizados da sociedade que tentam democratizar os meios na Argentina e grandes conglomerados de mídia.
Antes de ser aprovada pelos senadores, a nova lei foi intensamente discutida. Aprovada, pode trazer modificações sensíveis no panorama e ainda contagiar países vizinhos, como Brasil, e aprovarem dispositivos semelhantes que ataquem oligopólios. Por aqui, a gritaria não foi pouca. Para o Estadão, a medida é um atentado do governo para cercear a mídia, principalmente o poderoso grupo Clarín, que está em rota de colisão com os Kirchner há meses.
Mas há setores que vêem a nova lei argentina com muito bons olhos. Maria Victoria Richter é jornalista e militou durante anos no Observatorio de Medios da União dos Trabalhadores da Imprensa de Buenos Aires (UTPBA). Atualmente, Victoria é assessora da senadora Maria Rosa Díaz, que nem é partidária do governo, mas votou a favor da “Ley de Medios”. A jornalista argentina acompanhou de perto a tramitação do projeto.
Veja trechos da entrevista.
1. Por que o processo de aprovado da “Ley de Medios” não foi um processo tranquilo?
Por que existem empresas que concentram o mercado audiovisual e não estavam dispostas a dividir o espectro radioelétrico com outras lógicas de comunicação.
2. A quem interessa existir uma lei como essa?
Interessa à comunicação sem fins lucrativos, aos trabalhadores dos meios, jornalistas, atores, músicos, cineastas e produtores argentinos que estão contemplados na lei. Deveria interessar à audiência, já que lhe é garantido o acesso a outras formas de comunicação, sem interesse comercial exclusivamente e incentivando os meios públicos.
3. E por que tanto temor ou indisposição com a lei?
O medo é de um setor da oposição que conta com apoio dos principais jornais, pertencentes aos mesmos grupos afetados, o que cria um clima de tensão compreensível quando são atingidos interesses econômicos tão fortes.
4. Quais são os aspectos positivos da lei?
É uma boa lei, amparada na legislação internacional em matéria de comunicação, e que recebeu o apoio de centenas de organizações sociais, de amplos setores da cultura, agremiações e universidades, além da relatoria de Liberdade de Expressão da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da Unesco.
5. Que tipo de transformações a nova lei pode trazer para o cenário de comunicações argentino?
Se for aplicada, a lei pode transformar radicalmente o mapa dos meios locais. Além de gerar múltiplas fontes de trabalho e garantir um acesso mais democrático às concessões de radiodifusão. Para além do sucesso de sua aplicação, que implicará novas lutas por parte dos movimentos sociais, esta lei já gerou uma nova possibilidade de discussão sobre o papel social dos meios de comunicação. Pela primeira vez na Argentina, discute-se que o espectro radioelétrico pertence a todos e que o setor privado não é proprietário do espaço comum, ainda que possa usá-lo.
6. Você assessora uma senadora que votou a favor da lei. Como é a sua posição frente o governo Kirchner?
Minha senadora, María Rosa Díaz, representa uma província argentina – a Terra do Fogo – que tem uma relação complicada com o governo. Mas isso não impediu que reconhecesse uma boa iniciativa que estabelece uma nova norma que beneficia setores que não têm voz nos meios massivos de comunicação. Trata-se de uma lei que vai transcender governos e que resulta num avanço da democratização do espectro.
7. Os Kirchner querem mesmo fazer calar os meios de comunicação?
Os Kirchner têm uma forma questionável de gerir a coisa pública, sem muita transparência e com várias denúncias de exercer o poder pressionando aqueles que não se alinham às suas políticas. Eles têm um discurso com muitas ideias progressistas, mas sua prática nem sempre o acompanha. No caso da lei de serviços de comunicação audiovisual, muitos que não comungam de suas particulares visões decidiram acompanhá-los porque reivindicamos historicamente (desde a redemocratização) uma lei que garantisse o acesso de todos os setores no processo da comunicação.
sábado: running
Eliane Elias é uma das artistas brasileiras com carreira mais sólida no jetset do jazz norte-americano.
Como é sábado, como chove lentamente, e como não posso parar, ofereço esta belíssima e contagiante “running”, cuja letra não me sai da cabeça…
Follow the silence
Far from the sadness
Leave all the madness behind
I`ll keep on moving
I`ll keep on running
Passing through hallways
Of who I`ve become
I`ll keep on driving
Into the darkness
Not scared of loving
Turn my lights on
Cause where I`m from
We carry on
And keep on living
And keep on running
Running towards
What I`ve been running from
Ouça!
os professores e os mestres
Sim, hoje é o dia dos professores. Data em que é difícil desviar de reportagens e abordagens que fujam do lugar-comum. E são dois basicamente: as homenagens e “o pouco a comemorar…” neste dia. Isso cansa, sabe?
Sou de família de professores. Minha é professora, tenho irmão e sogra que lecionam. Duas cunhadas também dão aulas. Tenho outro irmão que trabalha com educação, e tios e tias ligados ao ramo. Então, meu cotidiano sempre foi permeado por essa fauna estranha, curiosa, interessante e envolvente que sãos professores. Mas a gente não aprende só na escola. Aliás, é na sala de aula que a gente descobre que há professores e mestres. Os primeiros são importantes, cotidianos, ordinários, necessários. Já os mestres são mais raros, mais influentes, menos necessários, mas mais decisivos em nossas vidas. Continuo encontrando mestres por aí, por onde quer que eu ande. Mas alguns eu trago comigo: dona Ângela – a professora do “parquinho” -, dona Regina – a mestra dedicada -, Manoel – uma influência e um exemplo -, Fulanetti – a mística de um bom orador -, Pedro – uma admiração e uma amizade -, dona Marlene – que ensina a viver até hoje…
Mais importante que homenagear é reconhecer.
não é descaso não…
Se você é um dos poucos leitores fiéis deste blog deve ter notado que ele ficou às moscas por alguns diazinhos… Não é descaso não, viu? É absoluta consumição…
Sim, aproveitei o feriado prolongado e fugi com a família. Foram dias ótimos para recarregar as baterias, aprumar a cabeça e voltar a viver com intensidade cada dia. Quando retornei na terça, ontem, fiquei sem contato internético em casa o que quase me deixou louco com o provedor do serviço. Com uma montanha de coisas por fazer e sem comunicação com o mundo exterior, só podia estressar mesmo…
Pois hoje retomei a vida louca, e na medida do possível estou respondendo emails, lendo feeds, e até mesmo fazendo vazar um ou outro tweet. Normalizarei em breve. Inclusive este blog. Tenha dó e paciência…
jornalismo e política: evento em portugal
Minha amiga Mônica Delicato manda a dica, que divido aqui: acontece em 11 de dezembro na Universidade Fernando Pessoa, no Porto, Portugal, o evento “Jornalismo e Política: a cobertura jornalística das eleições de 2009”.
Pelo programa – que você lê abaixo -, será um dia intenso para reavaliar as complexas e sempre tensas relações entre políticos e redações.
Mais informações aqui.
09:30h Abertura
Jorge Pedro Sousa (Universidade Fernando Pessoa e CIMJ)
Salvato Trigo (Reitor da Universidade Fernando Pessoa)
Nelson Traquina (Universidade Nova de Lisboa e CIMJ)
10:00h Comunicação política e jornalismo
Moderador :
Nelson Traquina (Universidade Nova de Lisboa e CIMJ)
Conferencistas :
João Carlos Correia (Universidade da Beira Interior)
Fermín Galindo (Universidade de Santiago de Compostela)
Brian Loader (Universidade de York)
Comentadora :
Sónia Lamy (ESEP e CIMJ)
11:30h Intervalo
11:45h A cobertura jornalística das eleições 2009
Moderador :
Ricardo Jorge Pinto (Universidade Fernando Pessoa e jornal Expresso)
Conferencistas :
Pedro Diniz de Sousa (Universidade Nova de Lisboa e CIMJ)
Ana Cabrera (CIMJ)
Isabel Férin (Universidade de Coimbra e CIMJ)
Maria José Brites (CIMJ/FCT e Universidade Lusófona do Porto)
Comentadora :
Estrela Serrano (ERC e CIMJ)
13:30h Intervalo
15:30h Novos media, cidadania política e campanhas eleitorais
Moderadora :
Catarina Passos (Universidade Fernando Pessoa)
Conferencistas :
António Granado (Universidade Nova de Lisboa e jornal Público)
Francisco Rui Cádima (Universidade Nova de Lisboa)
Vasco Ribeiro (Universidade do Porto)
João Miguel Teixeira Lopes (Universidade do Porto)
Comentador :
Joaquim Fidalgo (Universidade do Minho)


