Anunciei aqui que a professora Maria José Baldessar – minha amiga Zeca – lançaria junto com demais autores o livro por ela organizado. O lançamento se deu no Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação da Intercom, em Curitiba, no começo do mês. “Comunicação Multimídia: objeto de reflexão no cenário do século XXI” é um e-book que reúne onze textos abordando do Marketing ao Jornalismo, da Cibercultura à Convergência de Meios, entre tantos assuntos.
Veja o sumário a seguir, e se for do interesse, baixe o livro gratuitamente aqui:
A Comunicação e o Marketing na Cibercultura
Tecnologias da informação e da comunicação como suporte à publicidade na era digital
Construção da legitimação institucional na internet: as marcas identitárias como (de)marcações de estratégias comunicacionais explicativas
A midiatização nos sindicatos: reflexões sobre visibilidade, tipos de interação e participação na Internet
O amor e o capital emocional no processo de construção e consumo de uma marca na internet: A lovemark Mary Jane
O Capital Cultural e o Poder dos Aplicativos Sociais: o Plurk Como Estudo de Caso
Jornalista x cidadão-repórter: a contribuição do público no fazer jornalístico
O documentário na Internet: um estudo de caso, Nação Palmares
A Interação e a Convergência dos Meios na Comunicação: exemplos de mensuração e vigilância de mercado
Indústria Cultural, Indústria Fonográfica, Tecnologia e Cibercultura
Imbricações Tecnológicas: O ‘entre-lugar’ do corpo em movimento
Sabe quando você reclama que tudo parece desabar sobre sua cabeça de repente?
Sabe quando seu maior inimigo é o relógio?
Já pensou em se clonar para estar em vários lugares ao mesmo tempo?
Não, não adianta se queixar. Ainda não conseguiram inventar uma forma de ocupar diversos espaços simultaneamente, nem ao menos aprimoraram as técnicas de clonagem a ponto de nos permitir desfrutar de uma festa e aplicar uma prova na mesma hora…
Por isso e enxotando de uma vez o Sistema Automático de Reclamação, aviso: apertem os cintos porque a semana que vem é uma correria só!
Tentando jogar nas onze, parto na segunda, 21, para Novo Hamburgo (RS) para o Seminário de Blogs, de onde retorno no dia seguinte. Na quarta, quinta e sexta (23, 24 e 25), vou a Florianópolis (SC) para aproveitar um pouquinho da Semana do Jornalismo. No sábado (26), rumo para Teresópolis (RJ) para o Enjac, de onde volto no dia seguinte.
Neste ritmo, muito possivelmente, na segunda, 28, minha mulher me bota pra fora de casa…
Já estão abertas as inscrições para a VII edição do Encontro Paranaense de Pesquisa em Jornalismo, que acontece entre 5 e 7 de novembro de 2009. O evento será em Maringá/PR, no CESUMAR (Centro Universitário de Maringá), paralelo ao II Simpósio de Comunicação em Ambiente Digital (COMANDI). A promoção é da coordenação do CESUMAR e do Departamento de Comunicação da UEPG. Informações sobre os dois eventos podem ser acessadas no site www.uepg.br/eventos/eprjor ou pelo e-mail agenciadejornalismo@uepg.br.
Interessados em apresentar trabalhos devem fazer a inscrição até dia 5 de outubro/09. O Encontro Paranaense de Pesquisa em Jornalismo e o II Simpósio de Comunicação em Ambiente Digital contam com apoio da Fundação Araucária, FNPJ, Coletivo de Leitores, ONG FG em Defesa da Cultura, Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná, Agência de Jornalismo da UEPG, dentre outras entidades científicas, culturais e acadêmicas do Campo do Jornalismo.
Mark Deuze anuncia a criação de mais um blog, agora com seus alunos da Indiana University, que analisa os movimentos da mídia e das “creative industries”. Trata-se do Media Organizations @ IU. A ser seguido…
Alfred Hermida comenta notas positivas sobre a Future of Journalism Conference, que se deu na Cardiff University. A conhecer…
Fiquei fascinado ao assitir “Tempos de Paz”, filme que chegou aos cinemas esta semana e que é, na sua despretensão, uma das mais interessantes realizações brasileiras desde o “Cheiro do ralo” (2007), por exemplo.
É claro que os dois filmes não têm nenhum parentesco, nada que os aproxime do ponto de vista temático ou estético. Enquanto o “Cheiro…” é um exercício de estilo, transgressivo e moldado a ser um cult para certos públicos, “Tempos de Paz” é muito mais um exercício de linguagem, de realização de um cinema mais maduro e consistente nas suas bases.
E essa diferença se dá fundamentalmente porque “Tempos de Paz” é uma versão cinematográfica de uma peça de teatro. Aliás, um texto sensacional, maravilhoso, apontado por boa parte da crítica como o melhor texto do começo do século XXI no país. Do finalzinho de 2001, o texto assinado por Bosco Brasil tem um título mais longo, próprio mesmo do meio: “Novas diretrizes em tempos de paz”. A história não é rocambolesca e não há uma abundância de personagens, pelo contrário. É a justeza, a singeleza e a profundidade de abordagem que tornam o enredo incontornável, insuperável.
Na trama, estamos em abril de 1945. A Segunda Guerra Mundial está no fim, e as forças européias aguardam o armistício. No Brasil, Vargas está no poder, e o Rio de Janeiro ainda é a capital federal. Lá, desembarcam diariamente hordas de refugiados do nazismo e dos horrores da guerra. Um deles é o polonês Clausewitz, que anseia começar uma nova vida no Brasil, onde se fala uma “língua macia, falada apenas por bebês e idosos, por gente que não tem dentes”.
Clausewitz aprendeu o português, mas na imigração, essa condição e outras contradições despertam a suspeita de um burocrata amargurado, embrutecido e descartado pelo sistema. É dele, Segismundo, que Clausewitz depende para receber o visto de permanência no Brasil, e os dois vão travar uma terceira guerra de palavras, aproximando dois mundos e duas vidas separadas pela língua, pela cultura, pelo destino.
Como se vê, não é um filme de ação, mas de reflexão, de emoção. Daí a importância da realização de Daniel Filho, talvez o homem mais importante do cinema nacional hoje, por trás de sucessos de bilheteria como “Se eu fosse você” (1 e 2), “A partilha”, entre outros. Daniel Filho atua, dirige, produz e, de forma naturalmente gregária, reúne em torno de si os melhores profissionais nos desenhos mais comercializáveis do produto cinematográfico. “Tempos de Paz” não deve se tornar um caminhão de dinheiro como “Se eu fosse você 2”, mas é justamente o sucesso arrasador deste que permite e dignifica a execução de um projeto como o de “Tempos…” Com isso, Daniel Filho marca mais uma vez o seu nome na história do cinema nacional, agora com coragem e maturidade.
Mas a importância de “Tempos de Paz” está também na transposição, na tradução, no trabalho de versão de linguagens. O texto é, como já disse, originalmente uma peça teatral, tem o tempo dos palcos, a ação dramática como base, os diálogos fortes e bem cortados como alicerce, o espírito das coxias. Para não perder em substância ou forma, o diretor convidou o próprio Bosco Brasil para escrever o roteiro, o que se revelou na melhor opção. Ajustes foram feitos do ponto de vista formal, permitindo que o público respire de vez em quando, olhando a bela baía carioca, cenas externas aos porões do cais 22, e por aí vai. Foi adicionado mais um elemento, próprio do cinema: um acerto de contas com o passado. Dois personagens que não existem na peça surgem no roteiro cinematográfico e ajudam a conduzir a trama num embrião de thriller. O próprio Daniel Filho interpreta o elemento-chave deste acerto de contas, um médico sem nome que resistiu ao governo de Vargas.
Nos papéis principais estão Dan Stulbach, na pele do imigrante polonês, e Tony Ramos, como Segismundo. Aliás, os realizadores não tiveram pudor em manter elementos bem sucedidos no teatro. Stulbach já vivera o personagem nos palcos, ao lado de Jairo Mattos. E tanto Tony Ramos quanto Stulbach estão so-ber-bos em seus papéis, num duelo de interpretação, que arranca risos nervosos, lágrimas furtivas e uma ânsia pelo desfecho daquele tormento criado entre eles. O público precisa perceber que estamos diante de um momento histórico da interpretação no cinema nacional, e isso não é exagero. Muito ainda vai se falar do duelo entre Ramos e Stulbach, como o encontro de dois atores de gerações diferentes mas que não encenam, mas contracenam, o que não é fácil quando se trata de cinema, uma arte tão cheia de cortes de câmera para enquadramento e de interrupções do fluxo interpretativo dos atores.
Por fim, a música adequada de Egberto Gismonti e uma belíssima homenagem dos realizadores aos refugiados da Segunda Guerra que chegaram ao Brasil e contribuíram para a nossa cultura e desenvolvimento… Por falar em homenagem, Bosco Brasil mantém a trama de seu texto original que resulta numa extraordinária homenagem e reconhecimento ao teatro, para além de sua utilidade num mundo repleto de desgraças… “Tempos de Paz” não nasce como um clássico do cinema nacional. Não parece ter essa pretensão. É uma realização singela, bem acabada, digna e honesta. Mas por isso tudo uma importantíssima obra para a cinematografia de qualquer país.
Em 24 horas, deu a louca nas cúpulas de algumas das principais organizações de mídia no país: Globo e Folha de S.Paulo descobriram que as redes sociais, que as mídias sociais são importantes, são perigosas, e por isso, precisam de regras para seus comandados.
No dia 9,a Folha enviou memorando aos seus jornalistas criando regras de conduta para blogs e Twitter. Quem conta é o José Roberto de Toledo, da Abraji. O comunicado interno do jornal foi assinado pela editora-executiva, Eleonora de Lucena. Veja abaixo a íntegra do memorando:
“Os profissionais que mantêm blogs ou são participantes de redes sociais e/ou do twitter devem lembrar que:
a) representam a Folha nessas plataformas, portanto devem sempre seguir os princípios do projeto editorial, evitando assumir campanhas e posicionamentos partidários;
b) não devem colocar na rede os conteúdos de colunas e reportagens exclusivas. Esses são reservados apenas para os leitores da Folha e assinantes do UOL. Eventualmente blogs podem fazer rápida menção para texto publicado no jornal, com remissão para a versão eletrônica da Folha.”
No dia seguinte (10), foi a vez da Globo, conforme relata o Lauro Jardim no Radar On-Line:
Estão proibidos, por exemplo, “a divulgação ou comentários sobre temas direta ou indiretamente relacionados às atividades ligadas à Globo; ao mercado de mídia ou qualquer outra informação e conteúdo obtidos em razão do relacionamento com a Globo”.
A emissora endureceu também noutro ponto: só com autorização da Globo seus contratados poderão ter blog, twitter etc. vinculados a outros veículos de comunicação.
Segundo a Globo, o objetivo é proteger seus “conteúdos da exploração indevida por terceiros, assim como preservar seus princípios e valores”.
Agora, eu pergunto: será que as cúpulas acham mesmo que conseguirão regrar esse uso? Vão impor o medo nos funcionários? Vão aumentar a audiência e visitação nos blogs e contas de artistas com esse engessamento todo? Se eles acham, sabem muito de mídia, sabem muito de internet, e compreendem completamente o momento que estamos vivendo…
Se você é autor de livros na área do jornalismo, este recado é para você e foi mandado pela diretoria da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor):
Os autores que desejarem divulgar seus livros no 7º Encontro da SBPJor (www.sbpjor.org.br/evento/) devem entrar em contato com a profa. Gisele Sayeg Nunes Ferreira(7sbpjorlivros@gmail.com). O encontro acontece de 25 a 27 de novembro na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP) e os lançamentos serão no dia 25 de novembro, a partir das 20:30 horas. Poderão indicar obras para participar da sessão todos os autores inscritos no 7o Encontro da SBPJor e que tenham produzido livros e periódicos científicos sobre jornalismo, bem como publicações na área de comunicação cuja temática seja ao menos parcialmente sobre jornalismo. As publicações devem ter data de 2009. Também serão aceitas obras de 2008, desde que não tenham sido lançadas no 6o Encontro SBPJor. Os interessados devem enviar à profa. Gisele, até o dia 25 de outubro, um texto com 1) nome do(a/s) autor(a/es) 2) editora 3) resumo de aproximadamente cinco linhas sobre a obra e 4) imagem da capa em JPG (não muito pesada), para divulgação junto ao material recebido pelos congressistas. A possibilidade de lançamento está condicionada à inscrição do autor no 7o Encontro da SBPJor.
Termina hoje o prazo de recebido de artigos para a revista Estudos em Jornalismo e Mídia, do Mestrado em Jornalismo da UFSC. A chamada de textos se refere à última edição deste ano, que tem como eixo temático as Teorias do Jornalismo, com previsão de circulação em novembro próximo.
Paulo Querido conta como surgiu a versão portuguesa do Manifesto Internet, elaborado por um conjunto de jornalistas alemães em reação à desastrada Declaração de Hamburgo, feita por um grupo de proprietários de meios de comunicação europeus. O Manifesto Internet reacende a discussão sobre o papel do jornalismo e de jornalistas no turbulento e visceral cenário atual ultra e pós-midiático.
As 17 constatações que alicerçam o Manifesto são:
1. A Internet é diferente.
2. A Internet é um império dos media tamanho de bolso.
3. A Internet é a nossa sociedade é a Internet.
4. A liberdade da Internet é inviolável.
5. A Internet é a vitória da informação.
6. A Internet muda melhora o jornalismo.
7. A Internet requer gestão de ligações.
8. Ligações recompensam, citações enfeitam.
9. A Internet é um novo palco para o discurso político.
10. Hoje, liberdade de imprensa significa liberdade de opinião.
11. Mais é mais – não existe algo como demasiada informação.
12. A Tradição não é um modelo de negócio.
13. Os direitos de autor tornam-se um dever cívico na Internet.
14. A Internet tem muitas moedas.
15. O que está na Net fica na Net.
16. A qualidade permanece a mais importante das qualidades.
A Câmara Federal aprovou ontem a proposta de emenda constitucional que cria mais 7 mil vagas de vereador em todo o Brasil. Segundo o G1, 370 deputados votaram a favor e só 32 contra. A PEC foi aprovada em primeiro turno e ainda precisa passar por mais uma votação no plenário. Só depois deve ser promulgada.
Sete mil novos vereadores!!!!
É claro que o Brasil não precisa de mais 7 mil vereadores, e é claro que a maioria dos eleitores seria contra isso, caso fosse ouvido de verdade por seus representantes. Mesmo assim, e talvez tardiamente, fico pensando: a sociedade não precisa de mais sete mil vereadores, porque eles não necessariamente trarão melhores condições de vida, porque não necessariamente responderão mais rápido aos anseios da população. Mas já pensou se, do dia pra noite, criassem…
… mais 7 mil vagas para dentistas no Brasil?
… mais 7 mil vagas para ginecologistas e obstetras para atuar nas periferias e nos sertões?
… mais 7 mil vagas de médicos de família, que visitassem as casas de idosos e enfermos?
… mais 7 mil postos de trabalho para juízes, que desafogariam os tribunais?
… mais 7 mil vagas para engenheiros tocarem e acompanharem obras paradas no país?
… mais 7 mil vagas para paramédicos do Samu?
… mais 7 mil cargos de agitadores culturais e artistas que atuem em bairros e pequenas cidades?
… mais 7 mil vagas para assistentes sociais que atuam junto a comunidades carentes?
… mais 7 mil vagas para professores de educação básica?
No final da tarde, o site da Fenaj informou que a audiência foi adiada, com a perspectiva de que aconteça na próxima semana. A agenda da Comissão de Constituição e Justiça disponível no site do Senado confirmava o adiamento.
A Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal realiza amanhã, 10, uma audiência pública sobre a Proposta de Emenda Constitucional que pretende restituir a exigência de diploma de jornalista para o exercício na profissão. As principais entidades classistas, representativas e acadêmicas do campo do jornalismo foram convidados. A SBPJor será representada pela professora Zélia Adghirni. Este é um momento estratégico para os que defendem o retorno da formação específica como uma medida de qualidade para o jornalismo brasileiro.
Se você não conhece nem nunca ouviu falar da PEC 33/2009, confira a seguir:
“Proposta de Emenda à Constituição nº , de 2009
Acrescenta o art. 220-A à Constituição federal, para dispor sobre a exigência do diploma de curso superior de Comunicação Social, habilitação jornalismo, para o exercício da profissão de jornalista.
As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, nos termos do § 3º do art. 60 da Constituição federal, promulgam a seguinte emenda ao texto constitucional:
Art. 1º A Constituição federal, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 220-A:
Art. 220-A O exercício da profissão de jornalista é privativo do portador de diploma de curso superior de Comunicação Social, com habilitação em jornalismo, expedido por curso reconhecido pelo Ministério da Educação, nos termos da lei.
Parágrafo único. A exigência do diploma a que se refere o caput é facultativa:
I – ao colaborador, assim entendido aquele que, sem relação de emprego, produz trabalho de natureza técnica, científica ou cultural, relacionado com a sua especialização, para ser divulgado com o nome e qualificação do autor;
II – aos jornalistas provisionados que já tenham obtido registro profissional regular perante o Ministério do Trabalho e Emprego.
Art. 2º Esta emenda constitucional entra em vigor na data de sua publicação.”
– A autoria da PEC é do senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) e tem como relator o senador Inácio Arruda (PCdoB- CE) –
A noite passada foi mesmo de pânico, de medo intenso. Ventania, chuva rasgante e raios em toda a parte. Confesso que ainda não tinha visto nada igual. Sabe aquela tempestade em que você imagina São Pedro atirando os raios como lanças? Sabe o temporal coalhado de raios e trovões que estremecem os móveis e as paredes? Pois é, descobri que pior que os estrondos é o raio em total silêncio, precedido e seguido por outros tantos. A noite vira dia, e você fica esperando o rugir, mas ele não vem. A expectativa te mata de tensão…
A Central de Meteorologia da RBS acaba de confirmar que um tornado passou pelo oeste catarinense, sobre a cidade de Guaraciaba, o que matou quatro pessoas e feriu dezenas de outras. Lembro do Catarina, que lambeu meu apartamento em Itapema; lembro das enchentes de novembro passado, que tomaram as ruas e invadiram minha casa; agora, vem esse temporal insano, que deixa a todos alarmados por aqui… Parece marcação… Meu amigo Frank Maia é quem diz…
De repente, ele atacou. Nem pude ver, notar ou me defender. Rapidamente, afastou meu ânimo, esvaiu minhas forças e me debilitou por completo. De quebra, levou meu bom humor.
Eu estava louco para trabalhar durante o feriado. Planejei ignorar a família, o apelo ao descanso, e me dedicar por completo a pilhas de textos para corrigir, a artigos para escrever, a tarefas inglórias e burocráticas… mas não poderei fazê-lo.
Estou fechando o expediente… Não posso mais…
Maldito ácaro!
1. O Monitor de Mídia está com a edição 152 na rede. Destaques para reportagens sobre a Semana Estado de Jornalismo e sobre o perfil do novo profissional da área. Aqui.
2. Nem parece, mas ela já é quarentona: a internet. O Cotidiano, revista multimídia da UFSC, celebra quatro décadas da rede mundial de computadores. Aqui.
3. Maria José Baldessar e mais 17 autores lançam amanhã no Congresso da Intercom que acontece em Curitiba o livro “Comunicação Multimídia: objeto de reflexão no cenário do século 21”. Logo, logo, falarei mais disso por aqui.
4. De 21 a 25 de setembro próximos acontece a 8ª Semana do Jornalismo da UFSC. O evento é todo organizado e concebido por alunos, e sempre traz as melhores cabeças da área no país. Este ano tem Marcelo Rubens Paiva, Sergio Villas Boas, Kléster Cavalcanti… Aqui.
Como se já não bastasse o AI-5 Digital, o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) continua brindando a Nação com sua expertise em internet e novas tecnologias, com seu bom senso legislador e com sua pertinácia grandiosa: ele é o relator da reforma eleitoral que quer deixar a internet de fora das campanhas. Como se fosse possível recolher grão por grão de areia do deserto…
Com seu brilho e inteligência, o senador considera que internet é como rádio e TV, e devem ser restringidas no uso. Blogs, redes sociais, sites de compartilhamento de vídeos e outras invencionices podem ser letais à democracia. Vai entender assim de comunicação e tecnologia lá no Senado…
Joel Minusculi colocou online, de graça e na íntegra, a sua monografia de conclusão no curso de Jornalismo da Univali: “Reconfigurações da imprensa no webjornalismo participativo: uma análise do Leitor-Repórter do diario.com.br”. Tive o privilégio de (des) orientá-lo no trabalho. Não por isso recomendo, mas pela qualidade e oportunidade da pesquisa.
Na sequência do que escrevi aqui, sobre o que professores devem saber sobre redes sociais, acabo de ver que tem universidade que já se preocupa em tornar o uso das mídias sociais em conteúdos de disciplinas. É o caso da Universidade DePaul, em Chicago. É exagero ter uma cadeira específica sobre o microblog mais conhecido do mundo? Não sei, mas a oportunidade poderia ser bem utilizada por muita gente. Já tem quem considere condição de sobrevivência na área ter uma conta no Facebook ou mesmo no Twitter. Aí, sim, é exagero!
PS: A colega Priscila Gonsales lembra: “No EducaRede, já usamos o twitter com alunos e professores na comunidade virtual Minha Terra. Vale conhecer: www.educarede.org.br/minhaterra2009“. Valeu, Priscila, pela dica.
Atendendo a pedidos, estendemos o prazo de recebimento de artigos para a próxima edição da revista ESTUDOS EM JORNALISMO E MÍDIA, do Mestrado em Jornalismo da UFSC.
O eixo temático é “Teorias do Jornalismo”, mas também são aceitos artigos, relatos de pesquisa e demais colaborações sobre outros assuntos. Resenhas assinadas por mestrandos e doutorandos também são publicadas.
ESTUDOS EM JORNALISMO E MÍDIA é uma publicação científica eletrônica e semestral.
Você se preocupa com o ensino que tem? Fica em cima pra ver se a instituição tem infraestrutura, se tem bons professores, se a organização curricular é atual e articulada?
Pois só hoje saíram dois rankings que podem dar uma dimensão de como está a sua universidade.
1. Neste aqui, estão listadas as 6 mil melhores universidades do mundo. Veja matéria no UOL aqui. O site da pesquisa está aqui.
2. O Ministério da Educação divulgou o seu ranking de melhores instituições com base no IGC, o Índice Geral de Cursos. Veja aqui.
Se você comparar as listas, verá coincidências e distorções. Mas já é uma referência…
Na Folha de S.Paulo de hoje (para assinantes), o ator Hugh Laurie, que interpreta o doutor Gregory House no seriado mais visto no Brasil, fala da estréia da sexta temporada em setembro. Mas não apenas: fala de samba, já que participou do filme Girl from Rio, onde requebra e faz a farra, caindo literalmente no samba.
O professor David Buckingham, do Instituto de Educação da London University, escreve hoje no The Guardian convidando a um debate: como se deve ensinar para as mídias atualmente? Ao mesmo tempo em que propõe, o autor de Beyond Technology: Children’s Learning in the Age of Digital Media faz uma defesa da necessidade de se estudar e pesquisar mais as novas formas de entretenimento, diversão e informação. Preconceitos, o senso comum e ignorância devem ser deixados de lado…
Seu artigo num dois mais prestigiados jornais britânicos é publicado num momento em que pais, alunos e escolas discutem a melhor maneira de oferecer conteúdos com os quais os estudantes têm acesso e contato mesmo antes de entrar em sala de aula. O Reino Unido tradicionalmente tem preocupações claras quando o assunto é comunicação e tem há décadas políticas públicas evidentes de como os meios educacionais se inserem neste contexto. Vale a leitura do artigo de Buckingham (peguei a dica no Ponto Media)
Acontece hoje, a partir das 9h30, no auditório B do CCE da UFSC a defesa de dissertação de Leonardo Feltrin Folleto. O trabalho tem o título “O blog jornalístico: definição e características na blogosfera brasileira”, e foi orientado por Elias Machado Gonçalves. Estarei na banca de avaliação junto com o orientador e Claudia Quadros, da Universidade Tuiuti do Paraná.
Ficou interessado e não tem como ir? Assista à transmissão ao vivo por este link.
Se você se interessa por história do jornalismo não pode perder esta:
Estão abertas para alunos de mestrado, graduação e outros interessados as inscrições para a disciplina “Temas Avançados em Fundamentos do Jornalismo” que será ministrada pelo professor visitante Jorge Pedro Sousa, da Universidade Fernando Pessoa e do Centro de Investigação Media e Jornalismo de Portugal. O curso é gratuito, e para fazer a inscrição os interessados devem mandar mensagem de email para posjor@cce.ufsc.br, informando nome completo, cpf e telefone de contato. As vagas são limitadas. As aulas acontecerão das 8h20min às 12 horas a partir da próxima segunda-feira.
A primeira coisa que ouvi de “Intrigas de Estado” era que o filme dirigido por Kevin MacDonald colocava frente a frente para um combate jornalistas e blogueiros, personagens talhados a se odiar e se autodestruir. Confesso que demorei um pouco para assistir receando encontrar um enredo maniqueísta e raso. Mas jornalista não deve acreditar nos primeiros comentários que ouve, precisa é checar, conferir, provar a coisa.
Pois fiquem sabendo que “Intrigas de estado” (State of Play, no original) não opõe jornalistas e blogueiros e, por isso, não alimenta guerrinhas que se insinuam em ciclos cada vez mais curtos. Há exatos dois anos, aqui mesmo no Brasil, uma campanha do Grupo Estado causou polêmica na internet, comparando blogueiros a chimpanzés e a gente muito esquisita. À época, não quis embarcar numa briga intestina que para mim não tinha o menor sentido. Vi que não se tratava de algo apaixonado, mas apenas business.
No caso de “Intrigas de Estado”, a coisa também é bem diferente. O enredo coloca o jornalista Cal McAffey (interpretado por Russell Crowe) ao lado da blogueira Della Frye (Rachel McAdams) na cobertura de um caso que parece, no início, um simples assassinato de um anônimo mas se converte num caso de conspiração nacional, com implicações bilionárias e pessoais. Outra morte – agora de uma assistente do congressista Stephen Collins (Ben Affleck) – coloca mais gasolina na fogueira, pois entram em cena elementos como infidelidade conjugal, corrupção política, lobbies em Washington, as ascendentes empresas de segurança privada que alistam mercenários… enfim, juntaram sexo, poder, dinheiro e guerra! Para temperar, os produtores agregaram interesse público, conflitos de interesse e ética jornalística num cenário de transição midiática.
Veja o trailer
A trama coloca em primeiro plano uma dupla que parece no início muito contrastada, mas que ao longo do filme vai se mostrando afinada e convergente: de um lado, o jornalista tarimbado, conhecedor de lugares e pessoas, criterioso e desorganizado, comprometido com a profissão mas conflitado pois é amigo de longa data do deputado em apuros. De outro, a jovem blogueira, imediatista, impulsiva e levemente arrivista, mas que na verdade é apenas uma jovem repórter. Não, a dupla não vira um casal. Há pouco espaço e tempo para romances aqui. A relação que se mostra é muito mais de mestre e aprendiz, e é aí que a coisa está: o filme não opõe blogueiros e jornalistas, nem o velho contra o novo jornalismo.
Na minha leitura, o filme discute o que é essencial no jornalismo, o que faz do jornalismo algo relevante e útil na sociedade. Neste sentido, as críticas que o diretor deixa escapar pela boca do jornalismo experiente têm alvo certo: o jornalismo de sensação, a velocidade como fetiche, a correção e a precisão como acessórios, e a fofoca como modo de existência da informação. Cal McAffey dirige as suas ações para o que está por trás das versões que vão se colocando. Como quem tenta trazer à tona a verdade, o segredo oculto pelos interesses corruptores. O jornalista tenta convencer a jovem blogueira e a veterana publisher que há algo por trás daquilo tudo, algo que é essencial, que é o espírito da matéria.
Russell Crowe encarna esta perspectiva, a do homem-essencial. Seu jornalista anda com cabelos desgrenhados, está visivelmente fora de forma, come de forma desregrada, se veste de qualquer maneira. Seu carro é um velho Saab de 1990, azul calcinha. Seu apartamento até que é arrumado, mas a sua mesa no jornal é a sucursal do inferno… Cal McAffey é despojado, informal, focado no que é essencial. É avesso ao deslumbramento, ao imediato, à primeira impressão. É instintivo, racional e pouco convencional nos seus procedimentos. Afinal, a situação é delicada, e a distância que precisaria manter de suas fontes não é a ideal…
Você já viu isso…
“Intrigas de Estado” lembra mesmo “Todos os homens do presidente”, dirigido por Alan Pakula. Mas é deliberado, conforme reconhecem os próprios realizadores. A redação do jornal Washington Globe é um decalque de qualquer grande redação, e ainda mais a do Washington Post recriada para o clássico de 1976. O clima de suspense e de intriga segue os mesmos passos, e até mesmo a sequência da checagem de informações pelos jornalistas se remete ao trabalho de Bob Woodward e Carl Bernstein, interpretados por Robert Redford e Dustin Hoffman. (Veja o trailer)
Não só isso. “Intrigas de Estado” traz a ótima Helen Mirren no papel da publisher Cameron Lynne, fácil de ser comparada às editoras mandonas e inesquecíveis vividas por Glenn Close em “O jornal” e por Meryl Streep em “O diabo veste Prada”. Grandes atrizes em papéis fortes e decisivos.
O que não havíamos visto é a belíssima sequência final que mostra o processo industrial de impressão do jornal. Da composição, passando pelo fotolito das páginas e pela gravação da chapa de metal, vamos ao encaixe nas rotativas e o acoplamento das imensas bobinas de papel. Depois, as esteiras, a velocidade, as manchetes, a cadernização, os encartes, a dobra, o refile e o empilhamento dos exemplares. Por fim, os fardos de jornais são embarcados nos caminhões e seguem para a entrega nas bancas. Sim, é isso mesmo: contei o final do filme. Mas isso nem é o essencial, o essencial está em outro ponto, momentos antes do que contei.
Para Débora Miranda, do G1, o filme presta uma homenagem ao “velho jornalismo”. Talvez, talvez. Mas vejo mais como uma reafirmação do que é essencial no jornalismo, daquilo que mais importa nessa coisa ininterrupta de correr atrás dos fatos e contá-los da melhor maneira possível. O filme não tem gorduras, é enxuto e sem grandes efeitos especiais. Os cenários são cotidianos, os figurinos realistas e convencionais. A trilha sonora passa despercebida e até mesmo se apela para sequências onde sequer há fundo musical, num completo silêncio, magreza total. O filme se apóia na história, nas boas interpretações, nas idéias sérias que nos são atiradas no colo. Não há firulas nem penduricalhos, só despojamento e não-deslumbramento. Justamente, valores que o jornalismo – seja ele novo ou velho – deveria sempre cultivar…
Redes sociais precisam ser ensinadas e internalizadas nos cursos de Jornalismo, seja qual for a sua geografia. Existem diversos pesquisadores brasileiros e internacionais que se dedicam a discutir o que deve ser ensinado, de que maneira e qual a melhor forma de fazê-lo. Se você acompanha este blog, sabe que sempre cito Raquel Recuero, Gabriela Zago, Carlos Castilho, Beth Saad e a turma do Intermezzo, Adriana Amaral, Alex Primo, Marcelo Träsel, Jorge Rocha e muitos mais que nem vou me atrever a mencionar ou linkar.
Desta vez, pinço o que pensa Suzanne Yada, estrategista no uso de redes sociais, jornalista e que agora, retorna aos bancos escolares para terminar seu bacharelado na área. Suzanne participou recentemente de um painel durante a convenção da Association for Education in Journalism and Mass Communication (AEJMC), algo como a nossa Intercom.
Para Suzanne, não basta ensinar redes sociais, veja uma síntese do que ela disse aos professores da área:
Professors need to not only teach social media, but practice it. It is now their job to understand this.
The students are also resistant. Just because they’re young and on Facebook doesn’t mean they know social media.
There’s a lesson plan in comparing ethics policies, legal quandaries and best practices of news organizations using social media. Less emphasis on teaching the tools, more on teaching principles.
Students who know social media should become TAs or peer teachers, or help organize a bootcamp/BarCamp at school to teach both students and the professors about social media.
But, professors, please still keep hammering fundamentals. Don’t get lost in the latest buzzword. Everything taught about social media should point straight back to the basics.
Uma pergunta incômoda que me faço é: nossas escolas mantêm essas preocupações?
Mas tenho outras: os professores estamos capacitados para esse tipo de ensino? Existem condições objetivas para que nossos cursos ofereçam esses conteúdos programáticos? Avançamos na pesquisa a ponto de já ter uma dimensão do impacto que as redes sociais trazem para o ensino e a formação dos novos jornalistas? E pra ser mais cruel ainda: os alunos podem prescindir dos professores para esse assunto?
A oportunidade é estagiar na Alemanha, com bolsas em euros.
Se é uma boa? Talvez, melhor atravessar o Atlântico e conferir…
Veja a matéria completa do Universia:
A IJP (Internationale Journalisten-Programme) recebe inscrições até 25 de setembro para o programa de intercâmbio entre jovens jornalistas da Alemanha e da América Latina. O programa tem apoio do Ministério Federal de Imprensa da Alemanha e de empresas privadas e os selecionados vão trabalhar por dois meses como redator-visitante em veículos de comunicação da Alemanha.
O programa tem como objetivo oferecer aos jornalistas das duas regiões a oportunidade de vivenciar a realidade de outro país. Durante os dois meses de trabalho no veículo de comunicação alemão, os jornalistas latino-americanos poderão se familiarizar com a realidade política e econômica do país, além de conhecer a cultura germânica.
Podem participar jornalistas entre 23 e 35 anos, que tenham conhecimentos regulares da língua alemã, ou, para alguns casos, fluência na língua inglesa. Os selecionados devem trabalhar como redatores, estagiários ou colaboradores fixos em um veículo de comunicação brasileiro.
O estágio será realizado entre os meses de março e abril de 2010. Uma aula introdutória será realizada em 27 de fevereiro, na Alemanha, com a presença de todos os bolsistas selecionados. Em seguida, os jornalistas iniciarão os estágios em um órgão de imprensa alemão.
Os interessados devem apresentar seus pedidos na embaixada ou no consulado da Alemanha. É preciso entregar currículo, foto 3×4, cópia de três artigos ou reportagens e uma carta de recomendação do redator-chefe de seu veículo de comunicação, que deve servir como permissão para que o interessado possa participar do programa por dois meses. Além disso, também é preciso entregar um texto com a descrição da capacidade profissional do jornalista. O resultado da seleção será divulgado até o dia 1º de dezembro.
Os escolhidos receberão bolsa de 3.300 euros, destinados a custear gastos como viagem, alojamento e alimentação. É esperado que o bolsista se responsabilize com algumas despesas e o trabalho não será remunerado. Caso seja necessário, será prestado auxílio ao bolsista para encontrar alojamento na Alemanha.