sem conexão e em trânsito…

Fui à audiência pública sobre as diretrizes curriculares em Jornalismo que aconteceu em São Paulo. Diferente do que eu esperava, não consegui conexão no auditório da OAB e isso me impediu de twittar direto do evento. Escrevi um relato bem pessoal do que vi por lá e publico amanhã cedinho… é que acordei hoje às 3 da madrugada e não parei até agora… paciência…

10 links incontornáveis sobre jornalismo

No Poynter Online, Roy Clark escreve sobre o quinto poder e o futuro do jornalismo

Carlos Castilho reflete sobre o uso de fontes anônimas no jornalismo e nas novas mídias

Elizabeth Zwerling aponta novos rumos para as escolas de jornalismo com o suposto ocaso dos jornais

Steven Johnson e Paul Starr debatem sobre o futuro do jornalismo

O episódio envolvendo a Veja por ter usado material do Wall Street Journal nos leva a perguntar o que define plágio no jornalismo?

Um relatório americano dá dicas de como “salvar o jornalismo”

No Washington Post, Bruce Brown e Bruce Sanford tratam de leis que poderiam salvar o jornalismo

O estudante Josh Halliday arrisca o futuro do ensino de jornalismo

Roselyne Ringoot e Jean-Michel Utard falam de um jornalismo em invenção

Um jornal britânico pede desculpas ao público pelo seu mau comportamento

por que a “cultura da convergência”, de jenkins, interessa a jornalistas?

livro_jenkinsNo final do ano, a Brazilian Journalism Research publicou uma resenha curta que fiz sobre “Cultura da convergência”, que fora lançado por Henry Jenkins no Brasil há poucos meses. Porque cada vez penso mais e mais nas consequências dessa coisa chamada convergência, republico abaixo (agora em português) o texto. Quem sabe a gente não amplia o debate?
(Se quiser ler o arquivo original, clique aqui)
Uma entrevista bacana com ele, no programa Milênio, pode ser vista aqui.

Três idéias já seriam suficientes para que a leitura de “Cultura da Convergência”, de Henry Jenkins, interessasse a jornalistas e pesquisadores da área: a convergência midiática como um processo cultural; o fortalecimento de uma economia afetiva que orienta consumidores de bens simbólicos e criadores midiáticos; a expansão de formas narrativas transmidiáticas.

Isoladas ou associadas, essas idéias não só ajudam na compreensão da indústria da comunicação e de seus mercados derivados, como também auxiliam a recuperar parte de sua história recente. Isso porque Jenkins se preocupa em documentar com rigor e com detalhes as principais transformações no cenário de criação e consumo midiático.

O professor do Programa de Mídias Comparadas do Massachusetts Institute of Technology acompanha de perto as modificações nos seriados televisivos, no cinema, na publicidade, nos games, na internet, na política e na cidadania. Observa como, há mais de uma década, o público tem deixado uma posição predominantemente passiva e acomodada para ocupar um novo lugar no processo da comunicação. O usuário deseja participar mais dessa experiência, sabe compartilhar seus conhecimentos sobre aqueles temas com outros consumidores afins e chega, inclusive, a criar coletivamente peças sobressalentes que podem se encaixar à estrutura de produtos disponíveis.

Um exemplo ilustra esse novo público descrito pelo autor: a indústria da mídia lança um novo filme sobre o Homem-Aranha, e em seguida novos produtos associados, como um videogame, uma nova série de revistas em quadrinhos, um website, um punhado de desenhos animados para a televisão. Milhões de pessoas terão acesso a esses conteúdos, passando não só a consumi-los, mas a tomá-los como experiências. Milhares dessas pessoas vão se associar em redes na internet para discutir o filme, para dar dicas de como evoluir no game e também para trocar informações sobre o super-herói. Os mais fanáticos vão além: criarão blogs sobre o tema, escreverão narrativas paralelas alterando o final do filme ou indicando novas ramificações no enredo. Isto é, o público dá continuidade ao que a indústria ofereceu. E esses consumidores só fazem isso porque admiram muito o Homem-Aranha, pois o consideram familiar, modelo para algumas condutas e detentor de outras virtudes atraentes.

Na época da convergência midiática, o que Henry Jenkins chama a atenção é que essa convergência não se restringe ao desenvolvimento de aparatos tecnológicos e nem à confluência de meios para uma única “caixa preta”. O autor salienta que a convergência representa uma “transformação cultural, à medida que consumidores são incentivados a procurar novas informações e fazer conexões em meio a conteúdos midiáticos dispersos”. Isto é, a convergência não acontece por meio dos aparelhos, mas “dentro dos cérebros de consumidores individuais e em suas interações sociais com outros”.

Ao colocar o tema da convergência numa outra perspectiva, o autor não nos deixa esquecer que o público mudou muito nos últimos vinte anos. Criadores da indústria midiática – e jornalistas também! – não podem ignorar esse fato, e precisam se reposicionar na cena contemporânea.

Em tempos como os nossos, os hábitos de consumo cultural são também afetados pelo fenômeno das franquias de produtos midiáticos. O estúdio que lança o novo filme já projeta sua seqüência, e com isso coloca no mercado outros produtos vinculados ao filme, como CDs de trilha sonora, versões do roteiro no formato de livros, adaptações do enredo para os quadrinhos, videogames de console e para computadores, e outros produtos licenciados, como camisetas, figuras de ação dos personagens, bonés, etc. Os consumidores mais fanáticos vão atravessar os diversos suportes de mídia para ter acesso àqueles conteúdos e produtos. Podem não conseguir alcançar todos os elos dessa cadeia, mas vão por si só reescrevendo uma nova narrativa que trata não apenas do filme original, mas contempla também a sua experiência de consumo dos conteúdos a que teve acesso.

Assim, a história do Homem-Aranha transcende o momento da sua ocorrência na sala de exibição. Ela continua na expansão de episódios menores na trama de início, na adição de outros elementos ou personagens, ou numa nova narração da aventura. Esses esforços não são por reforço ou redundância. O público percebe que pode encontrar novidades para além do produto-matriz e busca pistas em outras peças, reestabelecendo uma nova narrativa, agora transmidiática.
Jenkins adverte que essa disposição do público de encontrar seus personagens favoritos em outros momentos, de viver e reviver essas experiências, atende mais a apelos emotivos que racionais. É uma economia afetiva que rege as forças nesse campo, afirma o autor.

Henry Jenkins se define como um “utópico crítico”, e com isso não se perde deslumbrado com o avanço da tecnologia e com a multiplicação das possibilidades. Ele se entusiasma com o que chama de “comunidade de fãs”, e tenta entrever que tipo de modificações pode advir nos cenários culturais contemporâneos. Segundo ele, na cultura da convergência, novas e velhas mídias colidem, mídias corporativas e alternativas acabam se cruzando e os poderes de consumidores e produtores interagem de formas imprevisíveis. Os resultados desembocam até mesmo na forma de fazer e acompanhar a política, e Jenkins esboça um diálogo que suspende um pouco a tensão entre consumidor e cidadão.

É evidente que jornalismo e entretenimento são produtos semelhantes na sua natureza de conteúdos simbólicos. São substratos midiáticos, são resultados da produção cultural, mas as diferenças se acentuam a partir daí, tanto na forma (embalagem) quanto na essência (o conteúdo embalado). Jornalismo e entretenimento não são consumidos segundo as mesmas regras, mas não se pode ignorar que – em algumas situações – a distância entre ambos fique bem pequena, e que as fronteiras entre um e outro se tornem porosas.

O livro de Jenkins trata de consumo e de marketing, de operações conjugadas para venda de conteúdo e de grandes planos midiáticos. Em tese, o jornalismo deveria estar alheio a isso, oferecendo conteúdos que orientassem melhor as pessoas, que lhes dessem mais condições de compreender a realidade, a despeito de razões comerciais. Mas cada vez mais, percebe-se que o jornalismo converte-se numa mercadoria, num produto de mídia como qualquer filme ou videogame. O jornalismo é uma experiência? Isto é, ao se informar, um cidadão tem uma certa experiência de conexão com o mundo e com seus fatos? Se a resposta for positiva, pode-se perguntar ainda: Esta experiência pode ser oferecida numa narrativa transmidiática e conforme a lógica de uma economia afetiva, segundo descreveu Jenkins?

Talvez seja cedo para responder a essa indagação, mas alguns elementos já nos permitem refletir sobre o papel do jornalismo em meio à convergência. As redações estão se movimentando para dialogar mais com seus públicos, permitindo que participem mais e que se associem em algumas etapas da produção jornalística. A proliferação dos canais informativos impele jornalistas a produzirem conteúdos diferenciados e em várias camadas de aprofundamento de forma a satisfazerem públicos heterogêneos. Com isso, os agentes da informação tentam encontrar formas para fidelizar seus públicos, preocupação até então restrita aos publicitários e aos criadores da indústria midiática. Já se ouve falar de jornalismo de imersão, de associação de games a noticiários e do cada vez mais influente jornalismo participativo. São novos tempos.

Se a convergência dos meios é mesmo um processo mais cultural que tecnológico, as transformações resultantes inevitavelmente vão contagiar os jornalistas. Por isso, observar os movimentos do público pensando no que fazer nas redações é mesmo muito oportuno. “Cultura da Convergência” não é um livro sobre jornalismo, mas não pode ser ignorado por jornalistas e pesquisadores atentos às modificações que o campo da notícia está sofrendo.

diretrizes curriculares: a proposta da renoi

A Renoi finalizou as discussões e redação de um documento que encaminhou ao professor José Marques de Melo, presidente da comissão que reforma as diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo.
O documento pode ser lido aqui.

renoi vai à audiência das diretrizes

A Rede Nacional de Observatórios de Imprensa (Renoi) participa na próxima segunda-feira, 18, da terceira audiência pública que discute reformas nas diretrizes curriculares dos cursos de Jornalismo. O evento acontece durante a manhã, na sede da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo.
A exemplo de outras organizações, a Rede Nacional de Observatórios de Imprensa foi convidada pelo Ministério da Educação e pela comissão de especialistas que lidera a discussão nacional em torno de um novo documento que oriente os cursos de graduação na área. A Renoi discute internamente um texto que apresentará com contribuições ao debate.
De acordo com informações do próprio MEC, a comissão deve concluir seus trabalhos e apresentar uma proposta de texto ao Conselho Nacional de Educação no início de junho.

Vou representar a Renoi no evento e farei um relato muito em breve. Quem sabe se as condições ajudarem, posto algo pelo Twitter também…

seminário discutiu qualidade no jornalismo

(Do relise do Monitor de Mídia)

seminario2O primeiro Seminário Renoi-UNESCO de Qualidade da Informação Jornalística, que aconteceu em 13 de maio na Univali (SC), apresentou para estudantes, profissionais e pesquisadores o que na maioria das vezes passa despercebido ao olhar de quem consome notícia. Ao contrário de boatos que circulam em todos os tipos de meios, os periódicos não estão com os dias contados: jornais populares de qualidade vêm conquistando cada vez mais espaço no mercado. A revista Veja, mais lida no país, não mostra o Brasil tal como é. Nem sempre o que aparece na mídia é o que o público quer ver. O assunto em pauta é: qualidade. Como analisar estes temas?

O evento foi promovido pelo Monitor de Mídia e aconteceu no auditório 1 de medicina da Universidade do Vale do Itajaí. O seminário, que é resultado de uma parceria entre a Rede Nacional de Observatórios de Imprensa (Renoi) e a UNESCO no Brasil, contou com quatro palestras de professores pesquisadores. Foram apresentados estudos referentes à qualidade jornalística em esfera regional, estadual e nacional.

A professora Laura Seligman foi a primeira a mostrar os resultados da pesquisa Jornais populares de qualidade: ética e sensacionalismo em um novo fenômeno no mercado de jornalismo impresso. O trabalho realizado em parceria com a acadêmica Karis Cozer analisou 24 semanários de Santa Catarina e verificou que os jornais do interior catarinense adotaram como padrão as características dos jornais populares de qualidade.

Em seguida, a pesquisa Veja só o Brasil: a construção social da realidade em duas mil capas da revista Veja foi apresentada pela professora Valquíria Michela John. O estudo desenvolvido em conjunto com a acadêmica Taiana Eberle apontou perfis dos conteúdos e imagens vinculados nas capas da revista. Segundo a análise, o brasileiro retratado pela Veja é em sua maioria branco, homem e adulto. Outro dado importante revelado pela pesquisa é a invisibilidade dos negros nas capas.

A qualidade percebida na imprensa catarinense foi o objeto de estudo do professor Sandro Galarça, juntamente com a jornalista Patrícia Wippel. Durante três anos, eles analisaram os maiores impressos em circulação na época em Santa Catarina: A Notícia, Jornal de Santa Catarina e Diário Catarinense. A palestra divulgou os resultados da última etapa da pesquisa. Segundo Galarça, nem sempre o que o jornalista escolhe divulgar é o que as pessoas querem ler. Ainda assim, ele conclui que o público se sente satisfeito com o que é publicado.

O professor Rogério Christofoletti encerrou o seminário com os resultados preliminares da pesquisa em andamento que desenvolve com a Renoi e a Unesco. O estudo, que visa criar um mecanismo de avaliação da mídia impressa, é realizado por mais três consultores brasileiros: Josenildo Luiz Guerra (UFS), Luiz Egypto (Observatório da Imprensa) e Danilo Rothberg (UFSCar – USC).

O evento teve cobertura em tempo real pelo Twitter do MONITOR DE MÍDIA e as informações estão disponíveis para acesso juntamente com imagens das palestras no http://twitter.com/monitordemidia.

Outras duas edições do Seminário Renoi – Unesco acontecem nos próximos meses, um em Aracaju e outro no interior de São Paulo, onde atuam os consultores da pesquisa.

twitter, o diploma e um erro meu

Os últimos quinze minutos foram alucinantes por aqui.

Decidi escrever um texto sobre a possível decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a exigência do diploma para o jornalismo. Foi um exercício de redação. Considerei a hipótese de o STF ter julgado pela não necessidade de portar o documento para se obter o registro profissional. No texto, eu analisava a situação.

Por um erro qualquer, esbarrei a tecla para publicar o texto. Mas nem percebi isso.

Saí da sala, fui resolver outros assuntos e quando voltei, havia diversas replicações ao meu post no twitter. Muita gente dando links para este blog que teria dado em primeira mão a notícia.

Não, não. O diploma não caiu!

Foi um erro meu, e peço desculpas pela atrapalhação. Sou um homem de idade, sabem como é…

O que fiz?

1. Deletei o post. Já deu a confusão que eu não queria.

2. Entrei no twitter e rapidamente – em menos de 140 caracteres – tentei apagar o incêndio que eu mesmo havia criado.

3. Os mesmos twitters que me replicaram antes juntaram-se para apagar os focos pela twittosfera.

4. Estou escrevendo este post para reiterar: não houve a decisão do STF. O assunto sequer figura na pauta do Supremo para esta semana. Repito: o diploma não caiu!

seminário de qualidade no jornalismo terá cobertura em tempo real

O Seminário Renoi Unesco de Qualidade da Informação Jornalística, que acontece na noite de hoje na Univali, em Itajaí (SC), terá cobertura em tempo real pelo Twitter e pelo blog do curso de Jornalismo.

Alunos pesquisadores do projeto Monitor de Mídia vão se encarregar da transmissão, que pode ser acompanha no twitter pela tag #qualidade ou ainda com fotos e textos mais extensos no Blog do Jornalismo.

Durante o seminário, serão debatidos resultados parciais da pesquisa sobre os indicadores de desenvolvimento da comunicação, resultantes da parceria RENOI-UNESCO, bem como outros estudos sobre qualidade desenvolvidos por pesquisadores do MONITOR. O evento é aberto a profissionais, pesquisadores e estudantes da área.

 Serviço:
Seminário Renoi-UNESCO de Qualidade da Informação Jornalística
Com os professores Laura Seligman, Rogério Christofoletti, Sandro Galarça e Valquíria John
Dia 13 de maio de 2009
Das 19 à 22h30
Auditório 1 da Medicina, blocos 24 e 25
Univali – Itajaí (SC)
Entrada Franca

comissão das diretrizes pode ouvir notáveis

Miriam de Abreu, do Comunique-se, informa que a comissão designada pelo MEC para reformar as diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo pode se estender além das audiências públicas que se encerram na próxima semana…

A Comissão do Ministério da Educação formada para discutir as diretrizes curriculares dos cursos de Jornalismo avalia a possibilidade de ouvir nomes notáveis da área, como autores e jornalistas. O objetivo é colher o máximo de posições e perspectivas para que se possa apresentar ao MEC uma proposta consistente. O grupo deve conversar individualmente com essas pessoas, cujos nomes ainda não estão definidos.

As audiências públicas realizadas pela Comissão estão chegando ao fim. Os especialistas que fazem parte do grupo se reúnem na próxima segunda-feira (18/05) em São Paulo com segmentos da sociedade civil, movimentos sociais e organizações não-governamentais para ouvir suas sugestões.

Na agenda do MEC, consta que no dia 03/06 a Comissão vai avaliar todas as propostas oriundas dessas audiências e também das contribuições que chegaram por e-mail. Não se sabe ainda se o cronograma vai mudar, já que o grupo não decidiu se vai ou não ouvir individualmente nomes reconhecidos da área.

Em conversa com o Comunique-se em abril, o presidente da Comissão, José Marques de Mello, fez questão de enfatizar que o objetivo do grupo é garantir “a liberdade curricular nas universidades e estabelecer diretrizes que não sejam uma camisa de força. Vamos respeitar as diversidades regionais, não queremos um tipo de jornalismo chapado. Defendemos uma formação básica genérica e unificada, mas cada curso deve procurar uma vocação”.

Outra proposta que vai ser avaliada pela Comissão é a da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) sobre a realização de um novo encontro depois de 18/05 para a apresentação da conclusão do resultado final do trabalho dos especialistas que integram o grupo.

A próxima audiência será realizada das 9h às 12h, na OAB-SP.

americanos estão mesmo preocupados com a crise na imprensa

Chega o convite:

Two universities and the Committee of Concerned Journalists are bringing together journalists, researchers, scholars, entrepreneurs, technologists, regulators and the public in Washington, D.C., on May 27 for a “critical convening” on the future and sustainability of journalism and America’s newspapers.

ONE DAY: Wednesday, May 27, 2009

The George Washington University
Washington, D.C.

DETAILS/REGISTRATION: http://www.journalismtrust.org

seminário de qualidade no jornalismo na univali

O MONITOR DE MÍDIA, projeto do curso de Comunicação Social – Jornalismo da Univali, realiza no dia 13 de maio o Seminário Renoi-UNESCO de Qualidade da Informação Jornalística. O evento deve discutir parâmetros de avaliação da imprensa brasileira, e é uma parceria entre a UNESCO e a Rede Nacional de Observatórios de Imprensa (Renoi), da qual o Monitor é membro. Este é o primeiro de três eventos nacionais sobre o tema da qualidade no jornalismo. Acontecem outros nas regiões sudeste e nordeste.
Durante o seminário, serão debatidos resultados parciais da pesquisa sobre os indicadores de desenvolvimento da comunicação, resultantes da parceria RENOI-UNESCO, bem como outros estudos sobre qualidade desenvolvidos por pesquisadores do MONITOR.
O evento é aberto a profissionais, pesquisadores e estudantes da área.

Serviço:
Seminário Renoi-UNESCO de Qualidade da Informação Jornalística
Com os professores Laura Seligman, Rogério Christofoletti, Sandro Galarça e Valquíria John
Dia 13 de maio de 2009
Das 19 à 22h30
Auditório 1 da Medicina, blocos 24 e 25
Univali – Itajaí
Entrada Franca

época, house, meu cérebro e o futuro da ciência

0,,165121,00A capa da revista Época desta semana me chamou a atenção no caixa do supermercado. O personagem retratado me lembrou alguém bem próximo, um parente talvez, ou eu mesmo. O fato é que trouxe comigo a edição cuja matéria de capa trata de avanços científicos nas neurociências, uso cada vez mais frequente de drogas para a expansão da inteligência e assuntos ligados à compreensão do cérebro, esse mistério.

O capista poderia, aliás, ter escolhido outra figura para ilustrar o assunto, o tal do cérebro quem sabe ou ainda um gênio qualquer. Escolheu um jumento, daí a minha identificação com a capa e o apelo comercial do qual fui vítima. Bem, o material de Época é muito bom. Não chega a deixar o leitor mais inteligente, mas certamente mais bem informado sobre o tema. São entrevistas especiais, reportagens e uma boa dose de infográficos. Me chamou a atenção a matéria de abre que conta como tem sido cada vez mais comuns os casos de pessoas que recorrem a remédios para aumentar a concentração, vencer o cansaço mental, fixar a memória e outras coisas. Não sabia que a coisa estava assim não, e até fiquei tentado a recorrer a esses anabolizantes cerebrais. Fui tentado a imaginar isso por conta de House, o médico do seriado que desvenda os mais intrincados mistérios em diagnósticos inusitados.

House é uma figura tão fascinante quanto odiosa. Para ele, o barato não é curar pacientes, vencer a morte, contornar as doenças. Para House, o que vale é desvendar enigmas, resolver problemas, e tudo entre a vida  e a morte se resume a jogos mentais, gincanas cerebrais que se ocupam de identificar nos sintomas dos pacientes as peças e suas conexões para a montagem de um puzzle.

Quem está acompanhando a quinta temporada de House sabe que nos últimos episódios – 14 e 15 -, o médico vem sofrendo de alucinações que desafiam a sua própria noção de mente. Quer dizer, House está “vendo” Amber, a namorada morta de seu amigo Wilson. As sugestões de Amber fazem com que House cometa erros de diagnóstico terríveis, e ele passa a duvidar de sua própria lucidez. Vocês sabem: House é um viciado. Sim, vive à base de Vicodin, um potente analgésico, a que ele reputa não apenas o controle da dor em sua perna mas também a uma imaginação mais criativa, uma concentração mental maior e outros super-poderes cerebrais.

Não sei até onde os roteiristas de House vão nos levar com essa história toda. Sei que é divertido ver House conversando com sua alucinação, como quem dialoga com seu inconsciente ou sistema límbico. Vez em quando, faço isso também. Pergunto para mim mesmo, como quem espera ouvir uma resposta. Não sou House, claro. Não alucinei ainda, mas inverter problemas, lançar perguntas para um espelho funciona às vezes.

Não sou a melhor pessoa para se perguntar qual o futuro da ciência com relação à inteligência. Mas outro dia ouvi uma piada que dá pistas sobre isso. Estudos mostram que hoje são gastos mais recursos com implantes mamários e próteses penianas do que com pesquisas para a cura do Mal de Alzheimer. Isso quer dizer que daqui a trinta anos, muito possivelmente, teremos idosos com corpos esculturais mas sem a menor idéia do que fazer com eles.

palestra adriana amaral, a cobertura

Se você não pôde aparecer na palestra que Adriana Amaral deu na Univali ontem à noite, a saída é acompanhar como foi a cobertura pelo Twitter e pelo Blog do curso de Jornalismo. A cobertura ficou a cargo de Joel Minusculi e Laura Seligman, ambos do Monitor de Mídia.

um raio x nos portais noticiosos de itajaí

A edição nº 148 do Monitor de Mídia chega à rede com um criterioso pente fino sobre os portais noticiosos de Itajaí. Quando se fala de jornalismo online, um dos lugares comuns é lembrar que na internet é possível e necessário fazer jornalismo local, não descuidar do noticiário mais próximo do leitor. Pois foi isso – e mais – que a equipe do Monitor foi observar em três portais da cidade. As conclusões são delicadas e preocupantes.

Além do diagnóstico de mídia, a edição 148 traz uma reportagem multimídia sobre trabalho infantil em Santa Catarina. As repórteres Camila Guerra, Taiana Steffen e Káris Cozer foram conferir como os governos tratam da erradicação da exploração da mão de obra infantil. Mais uma vez, as conclusões são preocupantes.

Confira no Monitor!

palestra: consumo, juventude e redes sociais

lustreA professora Adriana Amaral, da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), faz palestra na quinta, 7, na minha turma de Redes Sociais sobre o tema “Consumo, juventude e redes sociais”.

É no auditório 2 dos blocos de Medicina (24 e 25) no campus da Univali em Itajaí. O evento começa às 19 horas. Se ficou interessado e pensa em passar por lá, não deixe de ler este texto, especialmente recomendado pela palestrante.

é proibido tuitar neste tribunal!

Deu no Jornalistas da Web, do Mario Cavalcanti:

Um juiz de tribunal impediu o uso do Twitter por um repórter do jornal online NewWest.net em uma corte na cidade de Missoula, em Montana, nos Estados Unidos, informou o site americano CyberJournalist.

O fundador do NewWest.net, Jonathan Weber, conta em artigo que vinha cobrindo o processo lance a lance pelo Twitter do veículo desde a manhã de 29 de abril. No dia seguinte, 30 de abril, durante o processo, o juiz pediu para ter uma conversa com os advogados sobre informações que estavam vazando e determinou que era proibido o uso do Twitter no local.

Na última mensagem postada de dentro do tribunal, Jonathan escreveu que ficou desapontado com a decisão do juiz, mas entendeu que é uma regra, e, por isso, não ia mais twittar.

um seminário sobre liberdade de imprensa

Reproduzo convite da divisão de Comunicação e Informação da UNESCO no Brasil:

Como parte das comemorações do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, o Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio de Janeiro), a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), a Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO/UFRJ) e o Intercom Sudeste, realizam o Seminário “O que ameaça a liberdade de imprensa? E quem a imprensa ameaça?”. O evento – com entrada franca – acontece no dia 06 de maio de 2009, a partir das 9h00, no Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ e contará com a presença do Ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação da Presidência da República.

Programa:
9h00
Abertura do evento
Diretora da ECO/UFRJ, Ivana Bentes
Diretor do UNIC Rio, Giancarlo Summa
Coordenador de Comunicação e Informação da UNESCO, Guilherme Canela Godói

9h30 às 10h30
“Da censura à liminar: a liberdade de imprensa atacada”
– Clovis de Barros Filho – Graduado em Direito pela USP e em Jornalismo pela Faculdade de Comunicação Social Casper Líbero, fez mestrado em Science Politique na Universite de Paris III (Sorbonne-Nouvelle) e doutorado em Ciências da Comunicação na USP. Obteve a Livre-Docência pela Escola de Comunicações e Artes da USP e atualmente é RTC da Universidade de São Paulo e conferencista pelo Espaço Ética.

– Elvira Lobato – Formada em jornalismo pela UFRJ, trabalha na Folha de S. Paulo desde 1984 e é repórter especial do jornal desde 1992. Acompanha o setor de radiodifusão desde 1994 e é autora do livro Instinto de Repórter. Venceu o grande prêmio anual da Folha em 1999 e 2004, e o Prêmio Esso de Jornalismo em 2008.

10h30
Intervalo

10h45 às 11h45
“Direito de resposta: os desafios da informação no Brasil”
– André de Carvalho Ramos – Procurador Regional da República, Professor de Direito Internacional e Direitos Humanos da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP),  Doutor e Livre-Docente em Direito Internacional, ex-Procurador Regional dos Direitos do Cidadão do Estado de São Paulo (2000-2002) e autor de vários livros de direitos humanos, entre eles Responsabilidade Internacional por Violação de Direitos Humanos (2004), Teoria Geral dos Direitos Humanos na Ordem Internacional (2005), Direitos Humanos na Integração Econômica (2008).
– Gustavo Gindre – Jornalista graduado na UFF, com pós-graduação em Teoria e Práxis do Meio Ambiente (ISER) e mestre em Comunicação e Cultura na UFRJ.  Fellow da The Ashoka Society, autor do livro Comunicação nas Sociedades de Crise e co-autor do livro Comunicação digital e a construção dos commons. Membro do Coletivo Intervozes e conselheiro eleito para o Comitê Gestor da Internet (CGI.br).

11h45 às 12h15
Perguntas e respostas

12h15
Conclusões finais e encerramento
– Franklin Martins – Ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, foi vice-presidente da União Metropolitana dos Estudantes, Presidente do Diretório Central dos Estudantes da UFRJ,  ex-preso político, e fez parte do Movimento Revolucionário 8 de Outubro. Viveu no exílio e mais de cinco anos em clandestinidade no Brasil, Anistiado, trabalhou em diversos jornais, como Hora do Povo, O Globo e Estado de S. Paulo.  Foi correspondente do Jornal do Brasil em Londres e repórter especial, colunista político, editor de política e diretor da sucursal de Brasília de O Globo. Trabalhou também como comentarista político da TV Globo, da Globonews, CBN e Bandeirantes, e foi colunista no portal IG.

– Moderador: Siro Darlan de Oliveira – Desembargador da 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e Juiz da Infância e da Juventude do Rio, de 1991 a 2004. Possui pós-graduação em Direito da Comunicação Social da Universidade de Coimbra (Portugal). É ex-presidente do Conselho Estadual de Defesa da Criança e do Adolescente do Rio de Janeiro.

Serviço:

Seminário “O que ameaça a liberdade de imprensa?  E quem a imprensa ameaça?”
Dia: 06 de maio de 2009 (quarta-feira)
Horário:  9h00 às 13h00
Local:  Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ (Auditório Pedro Calmon) Campus Praia Vermelha – Av. Pasteur, 250. Praia Vermelha – Rio de Janeiro
Entrada Franca

liberdade, liberdade… de imprensa

3mai

827.

No Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, uma animação em homenagem àqueles que tombaram no exercício de informar, de denunciar abusos, de fiscalizar os poderes, de se atrever a reportar os fatos.

827 são os repórteres mortos no mundo desde o dia 20 de dezembro de 1993, quando foi instituída uma data para marcar a luta pelo direito de informar e pelo direito de ser informado.

folha quer nova lei de imprensa

Até algumas semanas, os grandes meios de comunicação defendiam a revogação completa da Lei de Imprensa. Vociferavam contra o arbítrio da “lei da ditadura”, cuspiam no dispositivo. Num passe de mágica, os proprietários de jornais e revistas mudaram de posição e passaram a defender uma outra lei. Isto é, a ANJ e a ANER alinharam-se, por exemplo, ao pensamento e aos esforços da Fenaj.

Quer ver?

Então, leia o editorial de hoje da Folha de S.Paulo ou ainda leia artigo que a presidente da ANJ, Judith Brito, publicou em O Globo, em 31 de março. O curioso é que os donos dos jornais insistem para uma lei que coloque regras claras para o direito de resposta, mas se queixam quando juízes concedem esse direito. Duvida? Então, veja nota oficial assinada pelo vice-presidente da entidade, Julio Cesar Mesquita, “repudiando o abuso do direito de resposta”.

Não entendeu? Achou contraditório? Não seja inflexível, obtuso. As cúpulas dos meios de comunicação lutam por liberdade de imprensa, digo, liberdade de empresa. Aliás, hoje é o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa.

ocaso dos jornais e busca de soluções

Um dos assuntos mais recorrentes (e chatos) da internet nos últimos anos tem sido a tão propalada crise dos jornais, com acentuadas quedas em suas tiragens, com a redução de verbas publicitárias para anúncio e com a redução do número de leitores e de tempo de leitura. Já existem muitos dados por aí que mostram parte desse evento em curso. Existem também muitos profetas vaticinando apocalipses e renascenças. Tem até urubus de plantão, como o Newspaper Dead Watch.

Para tornar mais completa a chatice e a insistência no tema, The Wall Street Journal preparou um infográfico bastante esclarecedor da situação da imprensa norte-americana. Valeria a pena termos algo por aqui, mas quem se habilita?

Enquanto alguns contam os dias para a imprensa, há quem busque saídas. Em Stanford, acontece de 18 a 20 deste mês a 6ª edição da Conferência sobre Inovação no Jornalismo. É um evento bem agitado, pelo que se vê no programa e nas propostas de discussão. Até porque se formos olhar com um pouco mais de atenção para a história do jornalismo, veremos que ele sempre foi regido pelos signos da crise e da mudança. Reinventar-se faz parte do seu DNA…

cai a lei de imprensa, mas fica uma pergunta

bra_fdspPor sete votos a quatro, o plenário do Supremo Tribunal Federal derrubou a Lei de Imprensa, revogando-a por completo. Com o entendimento dos ministros, a Lei nº 5250/67 é considerada inconstitucional, e por isso deixa de valer.

Como escrevi ontem, minhas apostas pendiam mais para a revogação de trechos da lei e não de sua íntegra. Mas havia a possibilidade, já sinalizada ao menos pelo relator Ayres Britto.

De qualquer forma, como ficam as coisas agora?

1. Quem se sentir prejudicado por jornalistas ou qualquer órgão de imprensa, pode mover processos por injúria, calúnia e difamação, conforme artigos dos códigos Civil e Penal. Isso já se acontecia antes do julgamento, até porque muitos advogados preferiam embasar suas peças jurídicas em dispositivos contemplados pela Constituição e não questionados, como era o caso da 5250/67.

2. Direitos de resposta serão arbitrados caso a caso, o que fragiliza um pouco a figura desse direito, talvez o que ainda houvesse de bastante positivo na 5250/67.

3. Fenaj e ANJ podem fechar o cerco em torno de parlamentares para que substitutivos da Lei de Imprensa tramitem com mais celeridade no Congresso. Eu explico: as entidades concordam que é necessário estabelecer ainda algumas regras sobre o exercício do jornalismo, como o próprio Direito de Resposta.

A revogação da lei é um avanço? Num amplo sentido, sim. Afinal, era uma lei contraditória, arcaica e regida pelo signo da punição, do arbítrio. Por outro lado, estabelecia limites para possíveis abusos, e melhor ainda: reconhecia a possibilidade de um direito de resposta por aqueles que se sentissem lesados publicamente. É um avanço também ver a Suprema Corte do país discutindo com vagar, densidade, pertinência, inteligência e sensibilidade assuntos tão importantes quanto a liberdade de expressão. Em termos de direito com D maiúsculo, a novela da Lei de Imprensa congregou um debate histórico.

Fica uma pergunta: Com o fim da Lei de Imprensa, corremos o risco de ficar sem uma regulamentação do Direito de Resposta?

lei de imprensa no banco dos réus: possíveis desfechos

A novela do julgamento da Lei de Imprensa no Supremo Tribunal Federal continua no início da tarde de hoje. Conforme a pauta do STF, é o primeiro processo a ser analisado pelo plenário. A discussão começou no início do mês – na sessão do dia 1º -, quando o ministro Ayres Britto leu um extenso relatório sobre a questão. Consumiu quase três horas! Antes, porém, o ex-ministro das Comunicações Miro Teixeira, deputado pelo PDT e quem pediu a cabeça da lei, e outros usaram a tribuna para bater no cachorro morto.

Pelo adiantado da hora, a sessão foi encerrada, mas o caso não.

Vejo três possíveis desfechos para a questão:

1. O Supremo ignorar o pedido e manter a Lei nº 5250/67 em vigor. Pra ser bem sincero, chances quase nulas para isso, pelo que se viu do relatório de Ayres Britto e do voto do ministro Eros Grau. O primeiro a votar hoje deve ser o ministro Carlos Direito. Sim, faltam ainda nove votos, mas a lei colide sim com a Constituição em muitos pontos, o que a coloca lá no alto do cadafalso…

2. O Supremo vetar toda a lei, revogando-a como quem enxota algo repugnante. Politicamente, existem razões que sustentem essa tendência, mas conforme disse o procurador geral da República, o plenário não estava julgando a lei toda, mas 22 artigos dela. Por isso, por uma questão técnica ou processual, as chances disso acontecer caem.

3. O Supremo vetar 22 dispositivos da lei, desfigurando-a por completo. Chances fortes, embora cabeça de juiz seja um terreno insondável. As chances são grandes e a 5250 vai acabar caindo de maduro, morrendo à míngua. Com uma lei velha, inoperante, inconsistente, deve haver um movimento para uma nova lei, uma substituta. Alguém no plenário pode “sugerir” que o Legislativo se ocupe disso, já que o trecho da 5250/67 que trata do Direito de Resposta é importante e não previsto em outros lugares. O próprio ministro Gilmar Mendes fechou a sessão do dia 1º dizendo que a liberdade de imprensa é importantíssima, mas a vida social não se baseia apenas nela. Há que se cuidar da reputação, da honra, do direito de responder a abusos.

Por isso, pelo que antecipo, a novela da Lei de Imprensa não termina aqui. (Alberto Dines explica melhor isso, veja aqui). Precisamos de uma nova Lei de Imprensa? Penso que não totalmente. Para penalizar jornalistas de má fé, já há artigos nos códigos Penal e Civil. Mas para resguardar a possibilidade de defesa, pelo Direito de Resposta, acho que é importante termos regras claras, e tribunais que funcionem rapidamente, operando em ritos sumaríssimos em situações de ofensa à honra, à reputação, à credibilidade.

(Mas alguém aí pode perguntar: a exigência de diploma para jornalista não iria ser julgada pelo mesmo STF na sequência? Ia, amigo, ia. No site do STF, não há nenhuma pauta para maio ainda…)

um novo observatório e o futuro do jornalismo

Curto e grosso:

Um observatório dos negócios da imprensa escrita – em francês

A revista Journalism completa 10 anos e faz um sensacional dossiê sobre o futuro do jornalismo – em inglês

gripe suína, mídia e cobertura de situações de risco

gripe_aviariaO alarme já soou nos meios de comunicação!
Em jornais e revistas, na TV e nas estações de rádio, na internet e nas ruas, não se fala de outra coisa senão a gripe suína. Desinformação, sensacionalismo, pressa e outros elementos podem transformar o medo em pânico generalizado. Por isso, vale a pena conferir o estudo “Jornalismo Preventivo e cobertura de situações de risco”, produzido pela Rede Andi América Latina e Unicef em novembro de 2007.

Originária dos debates sobre a gripe aviária – que também assustou muita gente! -, a publicação de 56 páginas é um guia para jornalistas de como cobrir situações de risco. Explica o assunto, sugere enquadramentos do tema e até mesmo fontes de informação.

twitter cai nas graças dos jornalistas

Para os jornalistas brasileiros, o Twitter é uma ferramenta essencial para o cotidiano das redações. A informação vem de uma enquete que o site Jornalistas da Web fez. Dos 113 votos da consulta, 47% disseram que o microblog é fundamental.

pmae abre 11 vagas para mestrandos

O Programa de Mestrado Acadêmico em Educação abre, a partir de 11 de maio, inscrições para seu processo seletivo. São onze vagas em diversas linhas de pesquisa.

Para saber mais, veja o edital.
Preencha a ficha de inscrição.
Saiba como formular sua intenção de pesquisa.

Boa sorte!

narrativa transmídia, experiências com produtos e marcas e outros birinaites

A dica é da Sandra Montardo, que me mandou a matéria que reproduzo abaixo. Deu na versão eletrônica da Meio & Mensagem. Quem leu Henry Jenkins e o seu “Cultura da Convergência”, sabe que boa parte do futuro – talvez uma das mais divertidas – passe por essas vias…

The Alchemists nasce com bases no Brasil e nos EUA

Empresa propõe que marcas se tornem contadoras de histórias e invistam em estratégias transmídia

Alexandre Zaghi Lemos

23/04/2009 – 13:54

Transformar marcas em contadoras de histórias, cujos enredos possam se desdobrar em estratégias transmídia, parece ser uma das saídas para os anunciantes contornarem problemas como a maior dispersão da audiência dos formatos tradicionais da publicidade.

O desenvolvimento de propriedades originais para marcas, e também para distribuidores de conteúdo, é uma atividade que vem atraindo atenção crescente e acaba de ganhar mais um player. A The Alchemists nasce com bases no Rio de Janeiro e em Los Angeles, fundada pelo brasileiro Maurício Mota e o norte-americano Mark Warshaw, além de um sócio investidor.

“Um dos nossos objetivos mais importantes é o de mostrar às marcas que elas têm todos os ativos para se transformarem em estúdios. Podem desenvolver propriedades intelectuais para seus consumidores – que agora, no novo panorama midiático, são público, co-autores e até parceiros. Esta é uma boa época para contar histórias”, detalha Warshaw, que se notabilizou pelo projeto de desdobramento transmídia do seriado Heroes.

“Os ativos dos estúdios são talentos, marketing, distribuição e recursos financeiros e físicos. As marcas também dispõem de todos eles. O que nossa empresa pretende é facilitar o desenvolvimento de propriedades originais e planejar desdobramentos transmídia, aproveitando o que cada mídia tem de melhor”, acrescenta Maurício Mota. Para se dedicar à nova empreitada, ele acaba de deixar a direção de núcleo da New Content. Antes disso, passou pelas equipes da F/Nazca S&S e da Thymus.

A sociedade entre Mota e Warshaw vem sendo idealizada desde 2007, quando se conheceram em evento no Massachusetts Institute of Technology (MIT). Desde então, passaram a expor suas teses sobre transmedia storytelling no blog Os Alquimistas Estão Chegando, em eventos como o MaxiMídia de 2008 e em workshops para empresas como o iG.

Mota e seu parceiro norte-americano também se empenham em esclarecer as diferenças entre branded entertainment e transmedia storytelling. Segundo eles, enquanto a primeira ferramenta cria awareness para produtos integrados a conteúdos de entretenimento, o transmedia storytelling desenvolve narrativas proprietárias para as marcas. “São histórias que só poderiam ser desenvolvidas para aquela marca e que serão disseminadas em várias plataformas, criando audiências paralelas. Além disso, podem ser atemporais”, acrescenta Mota.

“As novas ferramentas que temos para envolver o público-alvo, informar os clientes e entreter as pessoas são muito mais poderosas do que todas já usadas pela história da comunicação”, garante Warshaw.

A The Alchemists já efetivou associações estratégicas com duas empresas brasileiras: a Moonshot Pictures – que tem a Fábrica de Ideias Cinemáticas (Fics), que desenvolve roteiros e produz projetos dramáticos, realities e séries, como a 9MM São Paulo, exibida pela Fox – e a Colmeia, produtora interativa do Grupo Ink.

Entre os projetos iniciais estão uma revista em quadrinhos digital para o mercado norte-americano, a elaboração e produção dos desdobramentos transmídia para a nova versão da série Melrose Place e a criação de uma plataforma de transmedia storytelling que será usada em projeto educacional voltado para 300 mil jovens brasileiros.

Além disso, a The Alchemists passa a atuar como representante para a América Latina do Convergence Culture Consortium (C3), grupo de trabalho do MIT focado em estudar e desenvolver projetos de convergência em mídia, entretenimento, publicidade e educação, ao qual já aderiram duas empresas brasileiras: Petrobras e iG. “Teremos uma atuação muito forte no fomento e na disseminação da cultura de convergência do transmedia storytelling”, frisa Mota.

fnpj intensifica coleta de sugestões para novas diretrizes curriculares do jornalismo

Não poderia ser diferente, mas a iniciativa merece destaque. O fato é que o Fórum Nacional de Professores de Jornalismo está tomando a frente nos debates sobre as novas diretrizes curriculares para os cursos da área. Não poderia ser diferente porque se trata de uma entidade que congrega professores, gente ligada diretamente ao ensino do jornalismo. Mas, como disse, merece destaque pelo empenho dos envolvidos.

A seguir, reproduzo comunicado assinado pelo diretor editorial e de comunicação do FNPJ, Paulo Roberto Botão.

Em reunião de diretoria mantida em Belo Horizonte na última semana, após o término do XII Encontro Nacional de Professores de Jornalismo, a diretoria do FNPJ decidiu manter a coleta de sugestões ao documento “Proposta do FNPJ para a reformulação das diretrizes curriculares em Jornalismo”.

Aprovado na assembléia de encerramento do Encontro Nacional, o documento servirá para balizar as discussões sobre as diretrizes curriculares, que devem prosseguir pelo menos até o dia 18 de maio, quando está programada para acontecer, em São Paulo, a terceira audiência pública proposta pela Comissão do MEC que estuda o assunto. A assembléia do FNPJ também aprovou indicação para solicitar novas audiências à comissão de especialistas nomeada pelo governo, a fim de que a mesma submeta a sua proposta à comunidade.

O Fórum também continuará acompanhando o assunto e aprofundando as discussões no âmbito de uma comissão de entidades do campo do jornalismo, que tem também representação da Fenaj e SBPjor.

A proposta do FNPJ pode ser lida no blog consulta instituído para receber contribuições e comentários, no seguinte endereço: www.diretrizesjornalismofnpj.blogspot.com.

Os professores e demais interessados que quiserem apresentar propostas podem fazê-lo diretamento no blog, ou através de e-mails criados para direção do FNPJ: diretrizesjornalismo@fnpj.org.br e dirfnpj@gmail.com.

O prazo definido para o recebimento de críticas e sugestões vai até o dia 18 de maio.

Após esta data e considerando já os debates da última audiência pública, uma comissão interna do Fórum vai implementar eventuais alterações ao texto inicial e finalizar um novo documento, a ser encaminhado à Comissão do MEC.

mais uma parceria para debater indicadores de comunicação no brasil

(Da UNESCO Brasília)

A UNESCO acaba de fechar uma parceria com três organizações brasileiras para aprofundar no país o debate sobre indicadores de comunicação. A iniciativa tem como base o documento do Programa Internacional para o Desenvolvimento da Comunicação (IPDC)/UNESCO que trata de indicadores de desenvolvimento da mídia.

O objetivo, no Brasil, é estender esta discussão também para o campo de indicadores do direito humano à comunicação a partir de uma pesquisa sobre o tema desenvolvida nos últimos anos pelo Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social. Além do Intervozes, são parceiros do novo projeto o Laboratório de Políticas de Comunicação da Universidade de Brasília (LAPCOM) e o Núcleo de Estudos Transdisciplinares de Comunicação e Consciência da Escola de Comunicações da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NETCCON).

A ideia é promover o conhecimento e o debate público sobre este tema, buscando identificar os desafios de implementação, mapear possíveis instituições parceiras e construir legitimidade para a proposta a partir do diálogo com as diversas organizações e instituições ligadas à comunicação, incluindo o Poder Público, empresas e a sociedade civil organizada. A iniciativa é fundamental diante da ausência de referências objetivas para mensurar o grau de desenvolvimento da mídia e de efetivação do direito humano à comunicação no Brasil.

Será dada ênfase especial a universidades e estudantes de jornalismo, com a realização de debates sobre o tema em três capitais do país. Também está prevista a realização de um seminário internacional destinado a validar uma proposta de indicadores com a participação de especialistas e membros do IPDC.

A indicação do IPDC é que em cada país devem ser construídos indicadores que, ao mesmo tempo, respondam ao quadro de referência proposto pela instituição e dialoguem com a realidade local. Neste momento, o programa busca promover, em âmbito mundial, o desenvolvimento e a aplicação piloto desses indicadores. A intenção das quatro instituições parceiras é viabilizar, no futuro, a aplicação destes indicadores no Brasil.

lei de imprensa volta a ser julgada dia 30

Sim, é mesmo uma novela o julgamento da Lei de Imprensa. O primeiro capítulo decisivo se deu no dia 1º de abril, mas a análise do mérito não foi concluída. Dois dos onze ministros do Supremo Tribunal Federal votaram apenas. No final da sessão, o presidente do STF, Gilmar Mendes, previu a retomada do julgamento no dia 15. Depois, a própria assessoria da Corte informou que o processo estava previsto para dia 22, e depois, para a semana seguinte. A informação mais recente é de que o julgamento recomeça no dia 30 de abril, logo no início da tarde. É o que está na pauta do STF. Pode mudar? Pode. Sempre pode…