diretrizes dos cursos de jornalismo: a segunda audiência

Aconteceu hoje de manhã, em Recife, a segunda audiência pública convocada pela comissão de especialistas que trabalham para reformar as Diretrizes Curriculares dos Cursos de Jornalismo. No final de semana, o professor Alfredo Vizeu – membro da comissão – informou que o evento teria transmissão para todo o Brasil, de forma a ampliar o alcance das discussões. O blog do Grupo de Pesquisa Jornalismo e Contemporaneidade anunciou que sediaria a transmissão, mas acho que “tivemos problemas, Houston”. Não houve transmissão por canais de áudio ou vídeo, e os operadores do blog atualizavam as notícias colando uma em cima da outra, impedindo a geração de um histórico das matérias. Cheguei a postar comentários por lá, mas não cheguei a ter nenhuma resposta se era assim mesmo ou se eu havia me confundido. No Twitter, outros colegas se queixavam também da sistemática que acabou sendo frustrante.

No final, mais uma vez, a audiência pública – que desta vez deveria ouvir profissionais e empresas – ficou restrita a quem estava por lá. Uma pena.

(ATUALIZAÇÃO de 25/04/2009: Alfredo Vizeu entrou em contato para saber mais detalhes das falhas detectadas. A professora Adriana Santana, que coordenou o trabalho de alunos da UFPE na cobertura, reconheceu que houve problemas, e atribuiu os bugs ao sistema de postagem do WordPress, onde está hospedado o blog. Os alunos chegaram a postar fotos e vídeos que sequer chegaram à rede, conta a professora que já estuda outras sistemáticas de cobertura, como o próprio Twitter)

Até o meio da tarde de hoje – são 15 horas! -, nos sites da Fenaj, do Sindicato de Jornalistas de Pernambuco e em outros meios nada traziam sobre a discussão desta manhã, ficando apenas no anúncio do evento em Recife. Quem trouxe matéria é o Comunique-se. Veja abaixo a matéria assinada por Miriam Abreu:

Comissão do MEC quer garantir liberdade curricular dos cursos de Jornalismo

O Presidente da Comissão formada pelo Ministério da Educação para aplicar novas diretrizes curriculares aos cursos de Jornalismo, José Marques de Mello, deixou claro que o objetivo do grupo é garantir “a liberdade curricular nas universidades e estabelecer diretrizes que não sejam uma camisa de força. Vamos respeitar as diversidades regionais, não queremos um tipo de jornalismo chapado. Defendemos uma formação básica genérica e unificada, mas cada curso deve procurar uma vocação”, explicou ele ao Comunique-se, ao término da audiência realizada na manhã desta sexta-feira, no Recife.

Ele avaliou como produtivo o encontro com representantes das associações, entidades de classe e jornalistas profissionais. “Todos nos trouxeram propostas concretas do perfil do novo jornalista, das competências deste profissional”.

O presidente da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), Sérgio Murillo de Andrade, apresentou um resumo das sugestões da entidade para o estimulo à qualidade do ensino do jornalismo (leia na íntegra aqui). “Somos contrários à dupla formação, à complementação da formação, favoráveis ao curso específico dentro do campo da comunicação. Pedimos também uma audiência depois da que será realizada em São Paulo, em 18/05, para a apresentação da conclusão do resultado final do trabalho desse grupo de especialistas”, contou Murillo.

Ele lamentou a ausência de representantes das entidades patronais, como a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e TV (Abert). “Espero que essa ausência não signifique que essas entidades sejam contra a formação superior, já que são contra a obrigatoriedade do diploma. Acho um desrespeito ao trabalho que esse grupo voluntário está desenvolvendo no sentido de qualificar o ensino no País”.

“Na verdade essa ausência não significa boicote. As entidades patronais têm mandado sugestões, não estão ausentes. Nem sempre as datas das audiências são viáveis para todos”, respondeu Mello.

As audiências têm sido um avanço, na avaliação do presidente da Comissão. Ele está ciente de que há posições contrárias e deixou claro que o grupo vai estabelecer diretrizes “consensuais, que atendam à sociedade”.

Sobre as contribuições recebidas por e-mail até 30/03, ele conta que o grupo já leu as sugestões. “Há muita coisa pontual, repetitiva. Uma equipe do MEC está fazendo uma grade com essas contribuições”.

palestra: conteúdo gerado por consumidor e reputação de marcas

campusparty2009-parte2038A professora Sandra Montardo, da Feevale, faz palestra hoje na minha turma de Redes Sociais sobre o tema “Conteúdo Gerado por Consumidor e Gerenciamento de Reputação de Marcas”.

É no auditório 2 dos blocos de Medicina (24 e 25) no campus da Univali em Itajaí. O evento começa às 19 horas.

chove, alaga e ninguém dá nada!

Fortes e constantes chuvas estão assustando os habitantes do Vale do Itajaí desde o final da tarde de quarta. Em Itajaí, chove sem parar há mais de seis horas. Na Univali, por volta das 21 horas, as coordenações dos cursos liberaram os alunos antes da hora por recomendação dos Bombeiros e da Defesa Civil.

Saí da Univali por volta das 21h45 e a água já acumulava em diversos pontos. Em muitas ruas do centro, havia pontos de alagamento e filas no trânsito. Um princípio de caos entre as pessoas assustadas, nervosismo e apreensão. Afinal, há meses, já se fala nos meios de comunicação que as tubulações da cidade estão todas comprometidas, o que pode facilitar alagamentos. Se a água não consegue escoar, ela acumula. (Para saber mais disso, veja a reportagem multimídia que o Monitor de Mídia publicou recentemente).

Até agora, apesar da correria e dos ocorridos, o ItajaíNews e o ItajaíOnline não deram uma linha sobre a coisa. Isso é que é jornalismo!!! Parabéns!

perder-se! um manifesto da mídia locativa

Fiquei quatro diazinhos em Belo Horizonte, e me perdi diversas vezes. Não era a minha primeira nem segunda vez por lá, mas me desorientei de carro e a pé. Na carona de amigos, e um deles com GPS, consegui zanzar perdido, o que inevitavelmente nos coloca na posição estrangeira de um forasteiro.

Agora, como uma bússola digital, me chega o Manifesto sobre as Mídias Locativas, sensacional texto de André Lemos para a 404notfound.

Para Bernardo, que já busca o seu lugar no mundo.

Mídia – Todo artefato e processo que permite superar constrangimentos infocomunicacionais do espaço e do tempo. Mídias produzem espacialização, ação social sobre um espaço. Mídias produzem lugares.

Locativo – Categoria gramatical que exprime lugar, como “em” ou “ao lado de”, indicando a localização final ou o momento de uma ação.

Mídia Locativa. Tecnologias e serviços baseados em localização (LBT e LBS) cujos sistemas infocomunicacionais são atentos e reagem ao contexto. Ação comunicacional onde informações digitais são processadas por pessoas, objetos e lugares através de dispositivos eletrônicos, sensores e redes sem fio. Dimensão atual da cibercultura constituindo a era do “ciberespaço vazando para o mundo real” (Russel, 1999), a era da “internet das coisas”.

1. Crie situações para perder-se. O medo de perder-se é correlato ao medo de encontrar. Mas perdendo-se, encontra-se. A desorientação é uma forma de apropriação do espaço! Tudo localizar, mapear, indexar é uma morte simbólica: o medo do imponderável, do encontro com o acaso: evitar uma dimensão vital da existência. “Perder-se é um achar-se perigoso”, como diz Clarice Lispector.

2. Erros, falhas, esquecimentos de localizações e de movimentações são as únicas possibilidades de salvação da hiperracionalização atual do espaço. Só uma apropriação tática dos dispositivos, sensores e redes poderá produzir novos sentidos dos lugares. Desconfie de sua posição e de seu status de nômade. Quando sua operadora diz, “você é nômade”, desconfie. Mas saiba que o nomadismo é um traço essencial da aventura humana na terra!

3. Tudo é locativo: aprendemos, amamos, socializamos, jogamos, brigamos, festejamos, trabalhamos…, sempre de forma locativa. Não há nada fora do tempo ou do ESPAÇO. E o espaço social é o LUGAR. Em tudo, o lugar é o que importa.

4. Lugar é composto por fluxos de diversas territorializações. Ele é sempre dinâmico e, ao mesmo tempo, enraizado. Lugar é vínculo social. Lugar é fluxo de emoções, é topos, é memória e cristalização de sentimentos. Lugar não é fixação mas interrelação. Com as mídias locativas, o lugar deve ser visto como fluxo de diversas territorializações (sociocultural, imaginária, simbólica) + bancos de dados informacionais. Espaços visíveis marcados por fluxos invisíveis de informação circulando por redes invisíveis.

5. Hoje é impossível pensar os lugares sem os territórios informacionais. Mas lugares persistem sem nenhuma informatização. Não esqueça destes lugares. Pense nos contextos independentes de qualquer tecnologia.

6. Estamos na era da computação ubíqua e pervasive (Weiser), ou seja da informática em todos os lugares e em todas as coisas. Mas não há tecnologias sensíveis e nenhuma delas está atenta a contextos! Elas estão em tudo e em todos os lugares, mas não sabem o que é um contexto e nem tem capacidades de sentir o local.

7. Depois do upload para a Matrix lá em cima, a internet 1.0, agora é a vez do “download do ciberespaço”, da informação nas coisas aqui em baixo, a internet 2.0. Não se trata mais do virtual lá em cima, mas do que fazer com toda essa informação das coisas e dos lugares aqui de baixo! Como nos relacionamos com as coisas e com os lugares? E agora, com essas coisas e lugares dotados de informação digital e conexão à internet? Convocamos Heidegger e Lefevbre?

8. Recuse os LBS e LBT que te colocam apenas na posição de mais um consumidor massivo. Busque produzir informação localizada que faça sentido aqui e agora. Esse é o único meio de construir lugares sociais com essa tecnologias de localização e mobilidade. Reivindique das mídias locativas as funções pós-massivas. A publicidade, o marketing e as operadoras te querem apenas como receptor passivo, massivo, embora supostamente livre, móvel e sem fronteiras. Eles te querem controlado, ativo mas consumindo, receptor pensando que está emitindo. Agir é mais. Reaja à isso.

9. Saiba que as mídias de localização não são novas. Toda mídia é, ao mesmo tempo, local e global. Preste atenção às mídias locativas analógicas que estão entre nós, pense nas anotações urbanas como os graffitis, stickers, bilhetes ou notas, preste atenção às marcas nas ruas, aos índices a sua volta, ao jornalismo local e agora hiperlocal. Aja como um detetive buscando solucionar os mistérios do espaço urbano! Busque o uso crítico dos dispositivos locativos. Lembre-se que o termo “mídia locativa” foi criado por artistas e ativistas para questionar a massificação dos LBS e LBT.

10. Use, divulgue e estimule o desenvolvimento de protocolos não-proprietários, de softwares colaborativos e de fonte aberta, de sistemas operacionais livres e participativos. A sua liberdade no mundo das mídias locativas é diretamente proporcional ao desenvolvimento da computação móvel aberta. Assim como na era do ciberespaço “lá em cima”, bem como na era da internet pingando nas coisas, lute contra o fechamento dos dispositivos, dos sistemas, dos softwares e dos contratos, como os que vigoram no atual sistema de telefonia móvel mundial. Busque, use e distribua jailbreak para todos os sistemas da mobilidade e da localização!

11. Pense que o único interesse do uso das mídias locativas é produzir sentido nos lugares. Se isso não acontece, desligue ou crie um uso que desconstrua o aparelho. Você não precisa ser preciso, você não precisa estar localizado o tempo todo, você não precisa ser sempre racional, um homo-economicus total para viver o local! Se os dispositivos ajudam, use-o, senão, desvie os usos (hacking) e, se não der mesmo assim, abandone!

12. Ache um equilíbrio entre o clique generalizado no mundo da informação e a contemplação ociosa. Desconecte e reconecte os seus dispositivos, sempre, diariamente, permanentemente. Pare, feche os olhos, abra os ouvidos e desloque-se apenas pelo pensamento, essa desterritorialização absoluta (Deleuze).

13. A questão da localização nem sempre está ligada ao espaço e ao movimento, mas ao tempo. Pense assim na duração, na viscosidade das coisas, na imobilidade, no tempo estendido. Saiba que nunca há “tempo perdido” e é impossível “matar o tempo”.

14. Independente de qualquer smartphone ou GPS, o que importa é que você já sabe onde está: “você está aqui” e “agora”. Inverta a máxima de Walter Benjamin (1927) que afirmava que os “lugares foram reduzidos a pontos coloridos em um mapa”. Faça com que este pontos sejam efetivamente lugares.

15. Lute para que marcas, indicando nos mapas o que está perto de você, não evitem o seu encontro com o inusitado nem com o outro. Não se preocupe se não souber o que há por perto. Tenha consciência que, de qualquer forma, você sempre encontrará o caminho para os lugares que procura. Simples: peça informação, pergunte, procure indícios, encare o espaço como algo a ser desbravado, localmente, em contato com o mundo ao seu redor.

16. Pense nos cruzamentos, nas esquinas, nas diferenças de posicionamento; pense nas conexões, nas distâncias e nas aproximações; pense no audível e no inaudível, no visível e no invisível, no fixo e no mutável. Pense nos lugares como parte da sua existência, permanentemente em construção. Pense que você só é estando locativamente.

17. Dê sentido ao seu lugar no mundo, social, cultural e politicamente. As mídias locativas podem, através de anotações, de mapeamentos, de redes sociais móveis, de mobilizações políticas ou hedonistas e de jogos de rua, ajudar nesse processo. Mas tudo é potência e resta ainda o trabalho difícil, penoso, lento, de atualização.

18. Pense nos bairros, nos cruzamentos, nos caminhos, nos pontos históricos, nas bordas (Lynch). Sempre se pergunte como as mídias locativas podem agir em cada uma dessas dimensões: Como criar comunidade e agir politicamente (bairro)?, como proporcionar encontros (cruzamentos)?, como abrir novas veredas (caminhos)?, como criar novos marcos (pontos)?, como tensionar as fronteiras (bordas) com essas tecnologias?

19. Toda mobilidade pressupõe imobilidade e não existe e não existirá um mundo sem fronteiras. Fronteira é controle e controle pode ser liberdade. A imobilidade é uma condição da mobilidade e vice-versa. Só podemos pensar uma em relação à outra. Devemos mesmo estar imóveis para pensar a mobilidade e em movimento para pensar a inércia. Defina as suas fronteiras, tenha autonomia no controle de suas bordas, pare para se locomover e locomova-se para parar.

20. “Des-locar” não é acabar com o lugar, mas colocá-lo em perspectiva. Desloque-se e aproprie-se do urbano, escreva seu espaço com texto, imagens e sons, reúna pessoas, jogue, ocupe o espaço lá fora. As mídias locativas permitem isso. Mas se não conseguir fazer nada disso, então pense no uso e no porquê dessas tecnologias.

21. Mapas são sempre psicocartografias, nunca são neutros. Instrumentos técnicos, mnemônicos e comunicacionais, os mapas, incluindo aí os “Google Earth”, “Maps”, “Street”, e seus similares, são sempre expressões de visões tendenciosas do mundo. Eles sempre refletem estruturas de poder e servem como instrumentos para estender um domínio geopolítico. Pense na “miopia” dos mapas digitais. Compare os detalhes de Tóquio e de cidades da África nos mapas digitais para ter uma idéia dessa invisibilidade.

22. Saiba que todo mapa é uma mídia e que todo mapeamento é uma ação de comunicação, com mensagem, emissor, canal e receptor. Mapear é escrever e ler o espaço. Mapear é sempre um discurso sobre o espaço e o tempo. Mapas, como as mídias, são sempre formas de visualização, de conhecimento e de produção da realidade do mundo externo. Busque, como Borges no “Del Rigor de la Ciência”, criar mapas que sejam novos territórios na escala 1 x 1.

23. Construa mapas que desconstruam visões de mundo. Produza mapas do que não é mapeado em seu entorno, do que é invisível aos olhos bem abertos. Escape do cartesianismo, do racionalismo e das coordenadas geoespaciais. Tente usar as mídias locativas para descentralizar o poder de construção de mapas e de sentido sobre os lugares. Como diz Meyrowitz: “toda mídia é um GPS mental”;

24. Não abuse das redes sociais móveis: encontrar amigos e conhecidos ao acaso pode ser mais interessante do que o tudo programado. A surpresa pode ser um ingrediente para grandes encontros. Mas pense também nas novas formas de voyeurismo, de controle, de monitoramento e de vigilância de amigos, familiares, empregados e empregadores.

25. Você é um ponto em roaming nos diversos sistemas (GPS, redes de telefonia celular, etiquetas RFID, redes Wi-Fi ou bluetooth…). Saiba que novos tipos de controle, monitoramento e vigilância (sutis, transparentes e locativos) estão cada dia mais presentes em tudo o que você faz, desde ligar o celular, acessar uma rede sem fio em um café, atualizar em mobilidade sua rede social, usar o caixa do banco, circular com uma etiqueta RFID em sua camisa ou pagar um pedágio automaticamente ao passar com o seu carro. Pense que não são apenas as câmeras de vigilância que estão te olhando!

26. Na atual fase da computação ubíqua e da internet das coisas, há os dados fornecidos, os “data”, mas há também aqueles que não são “dados”, mas captados à sua revelia e, as vezes, sem o seu conhecimento, os “capta” (Kapadia, et al.). Pense neles, nos “data” que você fornece e nos “capta” que te são roubados! Lute para proteger (agenciar) os novos territórios informacionais de onde emanam os invisíveis “data” e “capta”. Controle e defenda a sua privacidade e o seu anonimato, fundamento e garantia das democracias modernas. Crie, se for preciso, sistemas de contravigilância: sousveillance (Mann) contra a surveillance. No limite, forneça informações imprecisas ou desligue e torne-se invisível.

27. Não há apenas o panopticom do confinamento disciplinar de Foucault, mas o “controlato”, a modulação, a cifra e o “dividual” de Deleuze. As paredes não vedam mais nada. Os presos atacam da prisão. Para Pascal, o problema do homem é que ele não consegue ficar sozinho no seu quarto. Com as camadas informacionais, o que significa e qual a eficiência informacional de mandar alguém ficar de castigo, sozinho, no seu quarto?

28. Não há uso, distribuição, produção ou consumo neutro de informação e ou de tecnologias. Pense em como as mídias locativas podem te ajudar a criar e destruir seus territórios. Quais os limites dos seus territórios? Pense em maneiras criativas de contar histórias, de fazer política, de jogar e de se divertir. Essas tecnologias podem te ajudar a escrever e demarcar eletronicamente o seu espaço circundante, mas busque novas significações, novas memórias dos lugares, reforçar os vínculos sociais e o imaginário coletivo.

29. Comprometa-se em reverter a lógica dos olhares vigilantes, em produzir sons para ouvidos atentos, em criar imagens do passado atreladas ao presente. As mídias locativas só têm importância se ajudarem a produzir conteúdo que faça sentido para você e para o lugar onde vive. Não use passivamente nenhuma mídia, especialmente essas que agem sobre a sua mobilidade e localização no mundo!

30. Pense no uso da técnica (ela não é neutra), na comunicação como aproximação ao lugar e ao outro (ela não é impossível, mas improvável – Luhmann) e no seu lugar no planeta (ele é parte da sua existência). A pergunta deve ser: as mídias locativas te ajudam a encontrar o teu lugar no mundo?

encontro de professores, só pra fechar

Terminou ontem em Belo Horizonte o 12º Encontro Nacional de Professores de Jornalismo. Para um rapidíssimo balanço pessoal, lanço seis itens:

* Ainda persistem queixas e reclamações sobre o sistema eletrônico de submissão de trabalhos para o evento. O SOAC não é prático, amigável e dá bugs. Eu mesmo tive seriíssimos problemas para postar meu texto. A diretoria sabe do problema e estuda soluções para a questão. O SOAC não apenas ajuda a gerenciar o processo de sumissão e avaliação dos trabalhos, mas também é uma ferramenta de administração do evento.

* O encontro foi bem organizado e com uma programação intensa. Embora estivesse rolando em BH o projeto Comida Di Buteko – uma espécie de festival de quitutes em 41 bares -, não houve tempo para quase nada de passeio ou diversão. A organização do próximo poderia pegar mais leve e dedicar parte do período para alguma programação cultural.

* Conversei com diversos colegas que atestaram grande qualidade de boa parte dos trabalhos apresentados. O nível de discussão, de pesquisa e extensão sobre o ensino de jornalismo está se elevando…

* A presença dos convidados estrangeiros – de Portugal, Argentina, Colômbia e da Espanha – foi muito boa tanto em termos de contatos quanto no intercâmbio de idéias.

* A cobertura pelo twitter não foi apenas pra inglês ver. A professor Joana Ziller tomou as rédeas da coisa e fez um trabalho atento, ágil e muito importante para quem não estava por lá e queria estar informado.

* A assembléia do Fórum referendou a proposta de realizar em anos pares o Encontro Nacional e em ímpares os regionais. Este redimensionamento deve fortalecer os eventos e organizar melhor a agenda dos participantes.

pitadas do segundo dia de encontro de jornalismo

Eu que achava que o 12º Encontro Nacional de Professores de Jornalismo seria encharcado de discussões sobre o diploma e sobreas novas diretrizes curriculares, acabei não errando. Mas também não acertei em cheio. A crise mundial e a crise identidade do jornalismo – por conta de mudanças estruturais e conjunturais – também são signos fortes nesses dias em Belo Horizonte.

Ontem, por exemplo, no primeiro painel do dia, as falas foram convergentes neste sentido. Baixou climão no auditório. Na sequência, o outro painel refrescou o ambiente, na medida em que os membros da mesa – Josenildo Guerra, Carlos Eduardo Franciscato e Marcos Palácios – trataram de pesquisa aplicada e perspectivas outras para o jornalismo.

Uma questão mineira

No redemoinho da crise, o jornalista Álvaro Teixeira da Costa, diretor dos jornais Estado de Minas e Correio Braziliense e da Associação Nacional de Jornais (ANJ), disse no primeiro painel do dia: “Quedê a ética do jornalismo, sô?”

A indagação em bom mineirês é uma reação à luta intestina entre as emissoras de TV locais: alguns telejornais enfrentam como concorrência programas que apelam para tudo para ter audiência. “Tem um aqui que o apresentador se vestiu de Batman e estava sorteando salários mínimos pros telespectadores”, contou Teixeira da Costa.

GPs

Antes mesmo de Rubinho Barrichello correr no Grande Prêmio da China, houve GPs aqui em BH: os Grupos de Pesquisa, a ocasião em que os pesquisadores apresentam suas pesquisas, seus relatos, suas experiências. Estavam inscritos 76 trabalhos nos seis GPs do Encontro. Nem todos foram apresentados, e a presença de alunos de jornalista das três instituições organizadoras – UNA, UniBH e Faculdades Pitágoras – foi marcante e bem ativa.

A 12ª edição do ENPJ continua hoje com o 2º Colóquio Ibero-Americano de Ensino de Jornalismo. Os convidados são João Canavilhas (Universidade da Beira Interior, Portugal), Miguel Wiñazki (Máster em Jornalismo do jornal Clarín com as universidades de San Andrés, Colúmbia e Bologna, Argentina), Carlos Gerardo Agudelo Castro (Universidade de Antioquia, Medellín–Colômbia) e Sérgio Luiz Gadini (UEPG, Brasil). Gerson Martins faz a mediação.


A transmissão ao vivo pelo Twitter continua em http://twitter.com/12enpj

5 links pra pensar o ensino e o jornalismo

Como estamos em pleno Encontro Nacional de Professores de Jornalismo, remexo as gavetas aqui e encontro cinco links que podem ser inspiradores a todos que se preocupam com a qualidade do ensino de Jornalismo, ou da educação em geral…

Em tempos de crise, colunista questiona papel da universidade na formação de jornalistas

Será que as escolas de Jornalismo pegaram o caminho errado?

É a hora de fechar as escolas de Jornalismo?

Literacias e letramentos para o século 21

A importância da presença física na educação

começa o encontro de professores em bh

Começou ontem a 12ª edição do Encontro Nacional de Professores de Jornalismo, em Belo Horizonte. A conferência de abertura ficou por conta do professor Alfredo Vizeu (UFPE), um dos membros da Comissão de especialistas que trabalha sobre novas Diretrizes Curriculares para os Cursos de Jornalismo.

Vizeu fez uma revisão histórica das “idas e vindas” dos atores envolvidos na busca por qualidade no ensino de Jornalismo no país. Sua função, reforçou, era mostrar que existe uma tradição, uma trajetória percorrida desde a década de 1940, com discussões sobre currículos, conteúdos e orientações pedagógicas. Os trabalhos da comissão continuam, informou Vizeu. Na próxima semana, por exemplo, Recife sedia a segunda audiência pública (de um total de três), que deve colher informações, sugestões e encaminhamentos de setores interessados na questão, assumidamente a academia e o mercado.

Selo de qualidade

Na esteira do aperfeiçoamento do ensino de Jornalismo, o Fórum Nacional de Professores trabalha numa proposta de Selo de Qualidade para os Cursos, adiantou ontem o presidente da entidade Edson Spenthof. A idéia ainda está em fase de discussão interna, mas deve apontar para uma ação positiva, de sinalização para a sociedade das experiências acadêmicas na área que devem ser destacadas pela sua qualidade na inovação de processos didáticos e de organização pedagógica.

Segundo dados do INEP, atualmente, existem quase 900 cursos de Comunicação no país, sendo 375 só de Jornalismo, enumerou Alfredo Vizeu.

Quadro da morte e a piada da noite

Entre os presentes à abertura, o presidente da Fenaj Sergio Murillo de Andrade voltou a falar da expectativa na categoria sobre a decisão do STF sobre a polêmica do diploma. Segundo ele, um veredicto deve sair nas próximas semanas, ainda neste semestre, sem um agendamento ainda. A projeção é que maio possa trazer os votos dos ministros do Supremo e encerrar esta etapa da discussão. A Fenaj não está apenas atenta a este episódio, mas vem acompanhando também os chamados reflexos da crise mundial nas redações.

A entidade vem fazendo um “quadro da morte”, estudo que contabiliza os desligamentos nas empresas jornalísticas desde o final do ano passado. Segundo Sergio Murillo, de lá pra cá, 206 jornalistas foram pra rua em todo o Brasil, sob a alegação de que a “marolinha” chegou aos departamentos de Recursos Humanos.

O número assusta, e não tem graça nenhuma. Mas para que este post não termine tão apocalíptico, repito a piada que meu amigo Josenildo Guerra contou ontem à noite. Segundo Josenildo, os intelectuais gremistas estavam em pé de guerra com o conceito de “intersubjetividade”. Disseram que até podem aceitar a noção se for criada também uma “gremio-subjetividade”.

PS – Josenildo dá os créditos da piada. Devem ser atribuídos ao também amigo Luiz Martins da Silva.

encontro de professores de jornalismo, lá vou eu!

Começa hoje em Belo Horizonte a 12ª edição do Encontro Nacional de Professores de Jornalismo, promovido pelo FNPJ. O evento acontece em três instituições de ensino da capital mineira: Faculdades Pitágoras, UNA e Uni-BH. São 76 trabalhos divididos em seis grupos de pesquisa. Já estou em Minas para participar do encontro, onde apresento o trabalho “Formação ético-profissional: presença e evolução nos currículos de um curso de Jornalismo” no GP Ensino de Ética e de Teorias de Jornalismo.

Na medida do possível, vou postar algumas informações por aqui, ou mesmo pelo twitter. Mas o leitor não se engane: na ordem do dia, devem estar nas rodas de discussões dois assuntos. A proximidade do julgamento pelo STF da polêmica do diploma e o trabalho da comissão que trabalha nas Novas Diretrizes Curriculares para os cursos de Jornalismo.

(Aliás, o próprio evento conta com blog e com twitter para manter sua cobertura. Acompanhem!)

crítica de mídia, o estado da arte

Reproduzo um super convite:

Como tem sido feita a crítica da mídia no Brasil?

Doze anos após o lançamento do primeiro site de media watching, o Observatório da Imprensa, a análise crítica sobre a cobertura jornalística se consolidou no Brasil. Desse pontapé inicial, multiplicaram projetos de crítica da mídia em diferentes regiões do país. Eles se propõem a realizar diagnósticos do que é produziro nas redações e abrir espaço para discussões entre diferentes setores da sociedade – a comunidade acadêmica, o mercado de trabalho, as entidades corporativas e os consumidores de produtos informativos.

Tendo esse cenário como pano de fundo, o Observatório Mídia&Política, coordenado pelo Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política da UnB, quer discutir o estado da arte da crítica da mídia no Brasil. Este é o tema de edição que será lançada em maio de 2009. Convidamos pesquisadores, jornalistas, analistas e observadores da mídia a discutir o assunto, relatar sobre suas experiências, enfim, fazer uma crítica da crítica da mídia no país.

As normas de redação e outras informações estão no site Mídia&Política ou http://www.midiaepolitica.unb.br/normas.htm. Os artigos devem ter em torno de 1.000 palavras. Os textos podem ser enviados para os editores Thaïs de Mendonça Jorge (thaisdemendonca@uol.com.br) e Fábio Pereira (fabiop@gmail.com)

Prazo: 8 de maio de 2009.

mídias sociais x publicidade

Martin Benoit comenta estudo recente que aponta que as mídias sociais teriam mais credibilidade que a publicidade. De forma catastrófica, ele se pergunta: Vamos assistir à morte da publicidade tradicional da mesma maneira que estamos presenciam a morte dos jornais?

Benoit é professor de prática profissional jornalística em Montreal, Canadá, e o estudo a que ele se refere foi produzido pelo Groupe CNW e a Léger Marketing. A pesquisa feita naquele país teve com base respostas de consumidores e profissionais de relações públicas sobre seus hábitos em termos de mídias sociais.

Entre os resultados, está a confirmação da expansão das mídias sociais, já que 49% dos consumidores respondentes são usuários correntes e 62% dos profissionais empregam uma mídia dessas ao menos uma vez por dia. A pesquisa ainda aponta que 55% dos profissionais consideram as mídias sociais mais credíveis que a publicidade.

Será?

lei de imprensa volta a ser julgada dia 29; diploma pode ficar pra maio

A novela continua. O alerta vem do colega Tales Tomaz. Veja comunicado de imprensa do STF:

O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) deve retomar no dia 29 de abril o julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 130, ajuizada pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), que questiona a Lei de Imprensa (Lei 5.250/67). O julgamento foi suspenso na sessão plenária do dia 1º deste mês, quando o relator do caso, ministro Carlos Ayres Britto, votou pela procedência integral da ação. Para ele, a Lei de Imprensa não pode permanecer no ordenamento jurídico brasileiro, por ser incompatível com a Constituição Federal de 1988.

Naquela sessão, o entendimento do ministro-relator foi seguido pelo ministro Eros Grau, que adiantou seu voto.

Com isso e como outros nove ministros ainda não deram seu voto sobre a questão, a decisão pode se estender por toda a sessão do dia 29 e ainda respingar para o dia seguinte. O julgamento do STF sobre a polêmica do diploma, previsto como ponto de pauta seguinte, pode mesmo ficar para maio…

a greve de fome de evo morales

Democracias consolidadas, com instituições sociais funcionando plenamente, com alternância de poder e muita liberdade funcionam assim:

a) O presidente tenta aprovar uma lei no congresso nacional

b) A oposição tranca a pauta, vocifera e impede a votação

c) O presidente reúne suas bases, rearticula as forças, e… faz beicinho

d) A oposição dá de ombros

e) O presidente começa uma greve de fome para forçar a aprovação da lei.

Detalhe: a lei é para permitir eleições gerais este ano, e para que o presidente se reeleja. Legítimo? Inteligente? Maduro? Apelativo?

Na Bolívia, Evo Morales tomou essa importante decisão. Você acha que ele vai morrer de fome? Claro que não. Acha que vai conseguir o que quer? Não sabemos. Mas, convenhamos, é ridículo.

Política não se faz assim, com chantagem emocional, com populismo barato, à base de chá de coca, água e balas.

A última vez que um político sério apelou para o mesmo artifício foi quando Antony Garotinho também fez greve de fome em 2006 em protesto à “perseguição” que sofria da mídia, de opositores e do sistema financeiro. Na época, torci muito por Garotinho. Eu insistia: Não desista! Não coma nada! Não desista! Vá até o fim!!!!

acesso à informação: um livro gratuito!

acesso_a_informacao_finalOutro dia, mencionei aqui a realização de um seminário internacional sobre direito de acesso a informações públicas. Na mesma direção, chega a informação de que a Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI) e a Artigo 19 lançaram o livro “Acesso à informação e controle social das políticas públicas”.

O volume é resultado das discussões ocorridas sobre um seminário ocorrido em Brasília, em 2007, e reúne especialistas de diversas áreas que enfrentam o tema espinhoso da liberdade de acesso a informações, e os papéis do Executivo, dos controladores e da imprensa.

Disponível para download gratuito, o livro tem 136 páginas e não chega a ter 1 Mb de tamanho de arquivo. A organização do volume é de Guilherme Canela e Solano Nascimento. Obra essencial para quem quer discutir democracia, meios de comunicação, política e mídia. Imprescindível para quem quer compreender parcela importante das relações de força no Brasil recente.

Para uma amostra, leia a introdução, publicada pelo Observatório da Imprensa.

intercom sul: contagem regressiva

Vão até 15 de abril as inscrições para quem quiser apresentar trabalhos no Intercom Sul deste ano.

Mais informações:

http://www.intercom.org.br/congresso/regionais/2009/sul/intercomsul_chamada.shtml

O Intercom Sul acontece de 28 a 30 de maio na FURB, em Blumenau.

2º fórum de liberdade de imprensa

A Revista Imprensa promove em 4 de maio, em São Paulo, a segunda edição do seu Fórum sobre Liberdade de Imprensa e Democracia. O evento tem o apoio da Rede Globo, ABI, OAB e Fiesp, onde acontece.
As inscrições são gratuitas, mas limitadas.
Veja no site do evento.

7 links que acabo de encontrar na gaveta

Você arruma um tempinho e começa a organizar as coisas na mesa, no computador, na cabeça. Descobre coisas muito boas que arquivou e esqueceu. Por isso, listo a seguir sete links que não são totalmente atuais, mas têm sua importância e utilidade. Siga!

dia do jornalista: um pensamento corriqueiro

Sim, 7 de abril é o dia do jornalista. Datas são apenas marcas no calendário, mas que nos provocam a pensar, a refletir sobre uma situação, uma idéia, uma coisa. Penso sobre o jornalismo todos os dias, e hoje não pensei mais por conta da data comemorativa.

Mas a Miriam de Abreu, do Comunique-se, me escreveu pedindo umas palavras sobre a data e o momento atual do jornalismo brasileiro. Muito rapidamente, escrevi o que segue:

Acho que estamos vivendo um momento bastante importante para o jornalismo no Brasil, seja pelo que acumulamos historicamente e ganhamos com a evolução da profissão, seja ainda pelas decisões que 2009 deve trazer para a profissão. Os debates em torno das diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo são cruciais para modernizarmos as bases pelas quais as escolas de comunicação se orientam para criar e manter cursos. Mas são vitais também para repensarmos e refundarmos a identidade do jornalista e a função do jornalismo nos tempos contemporâneos.
As decisões que virão do STF este ano – sobre a constitucionalidade ou não da Lei de Imprensa , e sobre a exigência ou não de diploma universitário para a obtenção do registro profissional -, essas decisões vão tornar claros os limites legais para o exercício do jornalismo, mexendo com o mercado e provocando consequências na qualidade dos produtos oferecidos à sociedade.
Mas não é só isso. O Ministério do Trabalho deve concluir em breve um estudo para uma nova regulamentação da profissão. Um grupo de trabalho foi formado e o resultado disso deve ser uma lei que auxilie não só os profissionais e as empresas, mas a população que anseia por informação responsável, de qualidade e com ética.
Vejo com grande otimismo esse momento, independente de quais sejam os rumos que tomaremos. O mais importante é refletir sobre a nossa profissão, discuti-la e reforçar suas bases que desembocam inevitavelmente na função social que o jornalismo deve encarnar. É um momento histórico, e isso não é exagero. Sairemos de 2009 com novas bases para o jornalismo brasileiro. Em poucas ocasiões tivemos tantas definições concentradas num período tão curto.

Claro que esse pensamento corriqueiro não resume o que eu penso e o que espero do jornalismo. É só uma declaração para uma matéria (leia aqui), e por isso limitada nas palavras, na abordagem e na profundidade. Quem passa por este blog sabe que tudo isso é muito mais complexo e demanda discussões intermináveis e palpitantes. De qualquer forma, faço o registro acima como quem anota uma idéia que teve durante a caminhada, como quem cuida para não perder um fio da meada.

O jornalismo, bem, o jornalismo continua e a vida também. Sigo confiante na profissão, na carreira, na função social que ele pode exercer. Sigo acreditando que o jornalismo pode ser um instrumento para que a sociedade se melhore e que a vida alcance dimensões mais positivas para todos.

qualidade da informação jornalística em livro

qualidadeSaiu o segundo título da série Jornalismo a Rigor, que o Mestrado em Jornalismo da UFSC está editando com a Insular. Trata-se de “A Qualidade da Informação Jornalística: do conceito à prática”, de Carina Andrade Benedeti.

Veja o que diz o relise do livro:

Os fundamentos da qualidade na informação jornalística têm sido uma questão menosprezada na área científica da Comunicação. Mas o esforço crítico da Academia perde a sua eficácia quando já não consegue distinguir entre o bom e o mau jornalismo, e condena a Mídia como um todo, gerando preconceito contra ela em vez de contribuir para transformá-la. Nas faculdades de Jornalismo, este erro contumaz coloca os estudantes diante do dilema de acreditar na profissão a que se sentem vocacionados ou numa teoria que nega a sua razão de ser. O texto da professora Carina Andrade Benedeti vem romper com esta lógica insensata, propondo uma Teoria Normativa do Jornalismo que ajude a compreendê-lo e a praticá-lo melhor. Fruto de uma dissertação de mestrado defendida na Universidade de Brasília e laureada com o Prêmio Adelmo Genro Filho da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), torna-se uma referência indispensável para os cursos de graduação e pós-graduação da área, assim como para os jornalistas profissionais interessados em refletir sobre a qualidade de seu fazer.

Interessou? Então, vá por aqui.

diretrizes curriculares: mais um relato

Há duas semanas, observei a carência de relatos sobre a primeira audiência pública que discutiu aspectos importantes para as novas diretrizes curriculares dos cursos de Jornalismo. O evento aconteceu em 20 de março no Rio. Recebi de membro da Comissão que lidera as discussões um email com um texto do professor, José Marques de Melo, sobre o assunto. Marques de Melo preside a Comissão, e o texto que reproduzo abaixo é uma versão da aula inaugural do curso de Jornalismo recém-criado na Universidade Federal de São João Del Rey (MG).

Por que reproduzo o texto? Ora, porque ele reforça a discussão sobre a reforma das diretrizes, e porque é assinado por alguém mais do que credenciado para este debate.

Ao texto, portanto!

Repensar o ensino de jornalismo para fortalecer a democracia[1]

Durante seis décadas o Brasil acumulou experiência na formação universitária de jornalistas, construindo uma matriz pedagógica que lhe confere singularidade no panorama mundial.

Mesclando o padrão europeu (estudo teórico) com o modelo americano (aprendizagem pragmática), logramos uma via crítico-experimental de ensino-pesquisa.

Entretanto, o jornalismo adquiriu maior complexidade, principalmente em função da convergência midiática e das transformações da sociedade.

Capitalizando meio século de imersão em atividades jornalísticas, tenho consciência de que o nosso ensino do jornalismo precisa ser reinventando para fortalecer a democracia. Por isso, aceitei a convocação do ministro Fernando Haddad para presidir a comissão encarregada de rever as diretrizes curriculares do curso de Jornalismo.

Formada pela Secretaria de Ensino Superior do Ministério da Educação, a comissão tomou posse em Brasília, no dia 19 de fevereiro, decidindo preliminarmente debater a questão com os segmentos representativos da sociedade.

Metas e compromissos

Constituída por jornalistas com experiência no mercado e na academia [Fazem parte da comissão Alfredo Vizeu (UFPE), Eduardo Meditsch (UFSC), Lucia Araújo (Canal Futura), Luiz Gonzaga Motta (UnB), Manuel Carlos Chaparro (USP), Sergio Matos (UFRB), e Sonia Virginia Moreira (UERJ)],  a Comissão de Especialistas foi criada para rever e atualizar exclusivamente as diretrizes curriculares do Curso de Jornalismo, dentro da área da Comunicação Social, focalizando dois aspectos: o perfil do jornalista demandado pela sociedade e suas competências ou habilidades profissionais.

Além de promover audiências públicas no Rio de Janeiro (academia),  Recife (mercado e profissão) e São Paulo (sociedade civil), a comissão vem mantendo canais abertos para dialogar com todos os segmentos da área, através das suas entidades representativas. Pela internet,  vem recebendo propostas e sugestões de todo o país. Cada audiência contempla, portanto, um segmento do universo jornalístico.

Realizada no Rio de Janeiro, no dia 20 de março, a primeira contou com a participação da Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo – SBPJOR, do Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo – FNPJ, da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação – COMPÓS, Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação –  INTERCOM, Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação –  ENECOS, de alguns diretores de faculdades e coordenadores de cursos, além de professores, pesquisadores e estudantes.

Os empresários e os trabalhadores da área serão ouvidos, na cidade do Recife, no próximo dia 24 de abril. Os proprietários de empresas jornalísticas estarão representados pela Associação Nacional de Jornais – ANJ, Associação Nacional de Revistas – ANER, Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão – ABERT, Associação Brasileira das Assessorias de Comunicação – ABRACOM, etc. Por usa vez, a representação dos jornalistas se fará pela Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ e associações setoriais, como a Associação Brasileira de Jornalismo Científico – ABJC.

A sociedade civil se manifestará em São Paulo, no dia 18 de maio, através de entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil – OAB, Associação Brasileira de Imprensa – ABI, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, Associação Brasileira das Organizações Não-Governamentais – ABONG,  movimentos de mulheres, afro-descentes,  e congêneres.

A comissão está aberta a contribuições de todas as entidades interessadas na melhoria da qualidade do ensino de jornalismo.  Pretendendo cumprir o cronograma previamente estabelecido, a equipe apela a todos os segmentos interessados para que enviem suas propostas e recomendações até maio, quando se encerram as audiências públicas.

Na primeira semana de junho, em Brasília, o grupo se reúne com representantes de órgãos vinculados ao Ministério da Educação para avaliar a natureza e a exeqüibilidade das recomendações  a serem propostas, antes de entregar seu relatório final ao ministro Fernando Haddad.

Balanço

A audiência do Rio de Janeiro foi muito produtiva. Há consenso sobre a questão da qualidade, e por isso mesmo surgiram propostas no sentido de que as diretrizes curriculares não se esgotem em si mesmas, mas incluam a avaliação de desempenho dos cursos e a fiscalização da suas condições de funcionamento. Por outro lado, ficou clara a necessidade de fortalecer a comunicação como grande área do conhecimento, à qual pertencem o jornalismo e outras áreas profissionais como publicidade e relações públicas.

Também aflorou a problemática da formação dos professores de jornalismo, demandando articulação com os programas de pós-graduação. Da mesma forma, foram anotadas propostas para assegurar oportunidades de estágio  aos formandos,  nas empresas do ramo, bem como o incentivo à iniciação científica para fomentar a pesquisa desde a graduação. Destacou-se, finalmente, a responsabilidade de repensar o jornalista como profissional que tem papel decisivo na consolidação e aperfeiçoamento da sociedade democrática.

Ao ser entrevistado pelos repórteres que cobriram a audiência pública do Rio de Janeiro, tive oportunidade de reiterar algumas questões, a seguir resumidas.

As minhas idéias sobre a formação dos jornalistas estão contidas  nos livros que publiquei, sobretudo os mais recentes: Jornalismo Brasileiro (Sulina, 2003), Teoria dó Jornalismo (Paulus, 2006), Vestígios da Travessia: da imprensa à internet (Paulus, 2009), Jornalismo, forma e conteúdo (Difusão, 2009) e Jornalismo, conhecimento e reinvenção (Saraiva, 2009).

Seus parâmetros pedagógicos foram testados no Curso de Jornalismo que fundei em 1967 na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo – ECA-USP, mas também aplicados no Curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo, onde trabalho atualmente. Trata-se de modelos que, durante vários anos, servem de referência para tantos outros cursos em todo o país. Além de atualizada formação teórica e experimentação pratica, no campo do jornalismo, o futuro profissional deve ter uma sólida formação humanística (geral ou especializada).

Contudo, o maior desafio que deve enfrentar o jornalista diplomado é de natureza ética. Ser fiel à destinação do jornalismo como serviço público, sem perder de perspectiva as inovações tecnológicas que atualizam constantemente seus gêneros e formatos, garantindo plena interação com as demandas da sociedade.

Perspectivas

Amparados em princípios que preservem a vocação educativa e missão civilizatória do jornalismo, além de balizados pela cidadania e comprometidos com a preservação da democracia, os novos profissionais não podem ignorar as forças que atuam nos bastidores da profissão, tanto as econômicas quanto as políticas.
Nesse sentido, torna-se fundamental exercer vigilância para assegurar a qualidade, a diversidade e a liberdade nos processos de formação acadêmica.

Quero, a título de conclusão, anotar alguns princípios que podem ajudar nessa tarefa.

Tenho consciência de que formar profissionais responsáveis e competentes constitui dever inquestionável dos cursos de jornalismo.

Creio também que esses cursos devem praticar a diversidade, preservando as diferenças regionais e dialogando com as organizações onde os formandos irão exercer a profissão.
Defendo finalmente um modelo de universidade mais aberto e menos engessado, capaz de assegurar liberdade aos estudantes.  Somos legatários de uma tradição cartorial, mantendo programas de ensino que enclausuram os jovens ingressantes em grades curriculares compulsórias.

O direito de mobilidade, dentro do campus, não pode ser manietado, principalmente numa conjuntura em que as fronteiras do conhecimento estão em processo de mutação.

São estes, na minha maneira de ver, os requisitos básicos para formar profissionais competentes, criativos e empreendedores.

Desejo firmemente que eles possam servir como eixos norteadores deste Curso de Jornalismo que a Universidade Federal de São João del Rei em boa hora decidiu criar, sob a responsabilidade de um corpo docente idealista.

Não tenho dúvida de que esse resultado será atingido plenamente, tendo em vista a sabedoria do reitor Helvécio Luiz Reis ao confiar a  liderança do Curso de Jornalismo ao Prof. Dr. Guilherme Rezende, cuja trajetória acadêmica acompanho há mais de 30 anos. Trata-se de intelectual admirado por todos, não só pela tranqüilidade, seriedade, disciplina e motivação, mas, sobretudo,   por seu cativante humanismo, temperado pela generosidade peculiar ao modo de ser mineiro.

monitor de mídia, nova edição na rede!

Acaba de chegar à web a edição 147 do MONITOR DE MÍDIA!

Veja as novidades:

DIAGNÓSTICO: O cardápio dos telejornais do meio-dia em Santa Catarina. O que mostram os jornais locais de maior audiência no Vale do Itajaí ao meio-dia? A equipe do MONITOR acompanhou as edições durante uma semana.

REPORTAGEM: Resquícios da grande enchente ainda prejudicam a população. O MONITOR investigou os principais problemas das redes de esgoto de Itajaí e Balneário Camboriú depois da grande enchente de novembro.

PERFIL: A magia do Photoshop nos cliques de Altair Hoppe. A acadêmica Sílvia Mendes conversa com o jornalista Altair Hoppe, referência nacional em tratamento digital de imagens.

EDITORIAL: Liberdade é uma idéia que está na moda. O mês de abril dá sinais de que o tema será bastante debatido.

mais chuva de concursos para professores de jornalismo

Agendem-se e preparem-se!

UFPE: 4 vagas para professor assistente + 4 vagas para adjunto
Inscrições até 14 de abril
Mais informações: http://www.proacad.ufpe.br

UFSM: 1 vaga para adjunto com especialidade em Produção Audiovisual
Inscrições até 10 de abril
Mais informações: http://www.ufsm.br

UnB: 10 vagas para professores adjuntos e assistentes
Inscrições até 19 de abril (alguns) e 23 de abril (outros)
Mais informações:

http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_299_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_305_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_312_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_313_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_314_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_315_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_318_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_320_09.pdf
http://srh.unb.br/extra/concursos_selecoes/2009/ed_321_09.pdf

UFAL: 1 vaga para adjunto
Inscrições até 27 de abril
Mais informações: http://www.copeve.ufal.br/concursos/concurso.php?id=27

Veja ainda esses

orkut e twitter no trabalho ajudam na produtividade

Comprovado! Cientificamente provado! Demonstrado!

Isso, use qualquer dos termos acima, mas use com estardalhaço e na frente do patrão. Depois, mostre pra ele que você não é um preguiçoso, alienado, indisciplinado e improdutivo. Como? Veja a matéria da Folha:

Redes sociais como o Twitter e o Facebook podem ajudar no desempenho dos funcionários em empresas. É o que afirma um estudo australiano que mostra que navegar na internet para diversão enquanto se está no escritório aumenta a produtividade.

Segundo a agência de notícias Reuters, a pesquisa da Universidade de Melbourne mostrou que pessoas que usam a internet por razões pessoais no trabalho são cerca de 9% mais produtivas que aquelas que não usam.

(Matéria na íntegra aqui)

Ele não se convenceu? Use agora a do IDGNow:

O uso de redes sociais e serviços online, como Twitter, Facebook e Orkut, no trabalho podem fazer de você um funcionário mais produtivo, afirma estudo divulgado pela Universidade de Melbourne nesta quinta-feira (02/04).

Segundo o estudo, 70% dos funcionários usam a internet no escritório para fins pessoais. Este grupo se mostrou 9% mais produtivo e criativo em comparação àqueles que não usavam a internet para fins de diversão.

(O texto todinho aqui)

Quem sabe agora você navega com mais tranquilidade e com a benção do big boss…

decisão sobre o diploma fica pro dia 22

Embora a presidência do Supremo Tribunal Federal tenha adiantado que a retomada sobre o julgamento sobre a Lei de Imprensa seja em 15 de abril, informações da Agência Brasil e do Consultor Jurídico dão que isso só irá acontecer no dia 22 de abril.

A razão é que a pauta do STF do dia 15 já foi publicada e não poderia ser modificada. Daí o adiamento por mais uma semana. Neste sentido, o provável é que a decisão sobre a exigência do diploma, que também estava programada para a sessão de ontem, aconteça no dia 22.

Esta informação, no entanto, não consta ainda da pauta eletrônica no site do STF.

No final da sessão de ontem, o ministro Celso de Mello chamou a atenção dos colegas para a necessidade de cumprimento das pautas agendadas e publicizadas pelo “sítio” do Supremo.

Paciência, meus caros… paciência!

mídia-educação está nos currículos ingleses

(Dica da colega Solange Puntel Mostafa)

Os estudantes ingleses do ensino básico terão agora que estudar, por determinação legal,  em votação no Parliament técnicas colaborativas digitais como o Twitter, os blogs e outros instrumentos wiki como parte do conteúdo a ser ministrado obrigatoriamente em suas escolas preliminares.

O novo currículo marcara’ a maior mudança colocada no ensino básico do Reino Unido em décadas. Os professores terão mais liberdade de decisão e  poderão escolher em conjunto com seus alunos os aspectos específicos do conhecimento histórico e científico, dentro de cada período. 

O novo programa que foi analisado  pelo The Guardian indica uma orientação detalhada de cada um dos núcleos chamados  “áreas de aprendizagem” que devem substituir as 13 áreas anteriormente existentes.

Algumas áreas do programa de estudo básico determina,  para aprendizado em todas as escolas, que alguns pontos são primordiais:

• Os alunos não sairão da escola preliminar se não tiverem completo conhecimento do funcionamento operacional do instrumental de Blogging, os Podcasts, a Wikipedia e o Twitter com a intenção de usa-los  como fonte da informação, elemento social colaborativo e como modo de uma comunicação pessoal e profissional.

• Os alunos devem saber colocar  eventos históricos dentro de uma cronologia. Cada um aprenderá dois períodos chaves da história britânica, mas será a escola que decidira’ quais períodos

• Será imprescindível  conhecer profundamente as condições e políticas sociais  vigentes e sua relação com a família e  e amigos. 

As outras áreas do núcleo são: inglês compreensivo, comunicação e línguas,  matemática, compreensão científica e tecnológica, compreensão social e ambiental do ser humano, saúde e bem estar social e individual e artes.

(FONTE: The Guardian, UK, Quarta feira 25 Março 2009)

diploma: fica pra outra hora

Reproduzo a Fenaj, o comunicado recentíssimo: (De acordo com o presidente do STF, Gilmar Mendes, a discussão fica para 15 de abril, quando da próxima sessão. A própria discussão sobre a Lei de Imprensa não foi concluída na sessão de hoje)

O recurso contra o diploma foi retirado da pauta de votações do STF. Está em debate no plenário a Adin contra a Lei de Imprensa. O Ato Público Nacional prossegue. A Executiva da FENAJ e a Coordenação da Campanha em Defesa do Diploma vão se reunir para traçar novas estratégias de continuidade do movimento.Às 16h45 desta quarta-feira (1º/04) a coordenação do movimento foi informada que, a pedido do presidente do Supremo Tribunal Federal e relator do RE 511961, ministro Gilmar Mendes, o advogado que representa a FENAJ e o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo na ação foi oficialmente comunicado da retirada do tema da pauta. Não foi divulgada nova data para julgamento do recurso contra o diploma.Dirigentes da campanha continuam no plenário do STF acompanhando a votação da Adin contra a Lei de Imprensa. “Após o Ato Nacional a Executiva da FENAJ e a Coordenação da Campanha vão definir novas ações, mas desde já a orientação é para que a movimentação nos estados e os preparativos para o Dia do Jornalista, 7 de abril, prossigam”, disse o diretor da FENAJ Luiz Spada.

 

acompanhando a sessão do stf

Para quem não tem acesso da TV Justiça ou da Rádio Justiça, sugiro que acesse o Twitter. Por lá, siga #diploma.

lei de imprensa no banco dos réus

O julgamento do diploma ofusca a avaliação que o mesmo STF fará da Lei de Imprensa (5250/67). Como essa lei vem sendo bombardeada há tempos e praticamente perdeu as duas pernas recentemente com a supressão de 22 dispositivos nela constante, mais parece cachorro morto.

Mas para quem se interessar, é o primeiro ponto da pauta do Supremo hoje à tarde. O relator é o ministro Ayres Brito.

Pelo que imagino, a decisão deve ser pela inconstitucionalidade da 5250, o que irá sepultar a Lei de Imprensa que temos vigorando desde o tempo da ditadura. Como as cortes já se apoiam nos códigos Civil e Penal para arbitrar crimes de opinião, a lei de 1967 é mesmo um zumbi. O que me preocupa, no entanto, é que – caso a Lei de Imprensa deixe de valer – teremos que criar um novo dispositivo que preveja o Direito de Resposta, uma boa herança da 5250…

polêmica do diploma: aguardando o julgamento

Enquanto a sessão do plenário do STF não começa – isso vai se dar lá pelas 14 horas -, e se você está querendo saber mais sobre a polêmica sobre a exigência do diploma de jornalista, por que não passa pelos links abaixo?

Todos foram publicados no Observatório da Imprensa de ontem…

Uma decisão histórica sobre o diplomaElias Machado

Diploma, uma exigência legalRoberto Ramalho

Jornalista, só com diploma Sérgio Murillo de Andrade

Diploma é resquício da ditadura Laerte Braga

acesso a informações públicas: o seminário

Hoje e amanhã, acontece em Brasília o Seminário Internacional sobre Direito de Acesso a Informações Públicas.

O evento promete ser um marco nessa discussão que – ainda e infelizmente – é bem restrita na democracia brasileira.

Veja a programação:

Quarta-feira (01.abril.2009)
Local: auditório da TV Câmara (Câmara dos Deputados, Brasília, DF)

19h – 21h “Democracia, Cidadania e Direito de Acesso a Informações Públicas”
Gilmar Mendes – Presidente do Supremo Tribunal Federal
José Sarney – Presidente do Senado Federal
Michel Temer – Presidente da Câmara dos Deputados
Dilma Rousseff – Ministra-Chefe da Casa Civil da Presidência da República
Vincent Defourny – Representante da UNESCO no Brasil

Mestre de Cerimônias: Fernando Paulino – Projeto SOS Imprensa – UnB

Quinta-feira (02.abril.2009)
Local: auditório do Interlegis (Senado, Brasília, DF)

9h00 – 10h45 “Panorama do Direito de Acesso a Informações no Mundo”
María Marván Laborde – Comissionada do Instituto Federal de Acesso à Informação Pública do México
Thomas Blanton – Diretor da ONG National Security Archive dos EUA
Rosental Calmon Alves – Diretor do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, em Austin, Texas, EUA
Toby Mendel – Diretor do Programa Jurídico da Artigo 19, sediado no Canadá
Juan Pablo Olmedo – Presidente do Conselho para a Transparência do Chile

Moderador: Fernando Rodrigues – Associação Nacional de Jornais

11h – 12h30 – “Panorama do Direito de Acesso a Informações Públicas no Brasil”
Cezar Britto – Presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil
Claudio Weber Abramo – Diretor-Executivo da Transparência Brasil
Jorge Hage – Ministro-chefe da Controladoria-Geral da União
Ivana Moreira – Diretora da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo

Moderador: Marcelo Beraba – Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo

12h30 – Lançamento do livro “Acesso à informação e controle social das políticas públicas”, coordenado por Guilherme Canela e Solano Nascimento – ANDI e Artigo 19

Apresentação: Paula Martins – Artigo 19

14h30 – “Obstáculos para o acesso a informações no Brasil, sugestões de ações e debate do projeto de lei de acesso”

Debate entre congressistas, integrantes do Poder Executivo e organizações do Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas
Senador Aloizio Mercadante (PT-SP) – Líder do PT no Senado
Senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) – Líder do PSDB no Senado
Deputado Mendes Ribeiro (PMDB-RS)
Deputado Fernando Gabeira (PV-RJ)

Moderador: Subchefe Beto Ferreira Martins Vasconcelos – Subchefia para Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República

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O evento é uma realização do Fórum de Direito a Informações Públicas, que foi criado em 2003 e reúne 22 organizações da sociedade civil. Entre os objetivos do Fórum está o de “promover e incentivar o debate sobre o direito de acesso a informações públicas no Brasil”.

Participam do Fórum: Abong (Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais); Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo); Abrat (Associação Brasileira de Advogados Trabalhistas); Ajufe (Associação dos Juízes Federais); Alal (Associação Latino-Americana de Advogados Trabalhistas); Amarribo (Amigos Associados de Ribeirão Bonito); Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho); Andi (Agência de Notícias dos Direitos da Infância); ANJ (Associação Nacional de Jornais); ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República); APJ (Associação Paulista de Jornais); Artigo 19; Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas); Fórum Nacional de Dirigentes de Arquivos Municipais; GTNM-RJ (Grupo Tortura Nunca Mais – RJ); Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas); Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos); MPD (Movimento do Ministério Público Democrático); OAB (Ordem dos Advogados do Brasil); Projeto SOS Imprensa – Faculdade de Comunicação da UnB; Renoi (Rede Nacional de Observatórios de Imprensa); Transparência Brasil.