mídia-educação está nos currículos ingleses

(Dica da colega Solange Puntel Mostafa)

Os estudantes ingleses do ensino básico terão agora que estudar, por determinação legal,  em votação no Parliament técnicas colaborativas digitais como o Twitter, os blogs e outros instrumentos wiki como parte do conteúdo a ser ministrado obrigatoriamente em suas escolas preliminares.

O novo currículo marcara’ a maior mudança colocada no ensino básico do Reino Unido em décadas. Os professores terão mais liberdade de decisão e  poderão escolher em conjunto com seus alunos os aspectos específicos do conhecimento histórico e científico, dentro de cada período. 

O novo programa que foi analisado  pelo The Guardian indica uma orientação detalhada de cada um dos núcleos chamados  “áreas de aprendizagem” que devem substituir as 13 áreas anteriormente existentes.

Algumas áreas do programa de estudo básico determina,  para aprendizado em todas as escolas, que alguns pontos são primordiais:

• Os alunos não sairão da escola preliminar se não tiverem completo conhecimento do funcionamento operacional do instrumental de Blogging, os Podcasts, a Wikipedia e o Twitter com a intenção de usa-los  como fonte da informação, elemento social colaborativo e como modo de uma comunicação pessoal e profissional.

• Os alunos devem saber colocar  eventos históricos dentro de uma cronologia. Cada um aprenderá dois períodos chaves da história britânica, mas será a escola que decidira’ quais períodos

• Será imprescindível  conhecer profundamente as condições e políticas sociais  vigentes e sua relação com a família e  e amigos. 

As outras áreas do núcleo são: inglês compreensivo, comunicação e línguas,  matemática, compreensão científica e tecnológica, compreensão social e ambiental do ser humano, saúde e bem estar social e individual e artes.

(FONTE: The Guardian, UK, Quarta feira 25 Março 2009)

diploma: fica pra outra hora

Reproduzo a Fenaj, o comunicado recentíssimo: (De acordo com o presidente do STF, Gilmar Mendes, a discussão fica para 15 de abril, quando da próxima sessão. A própria discussão sobre a Lei de Imprensa não foi concluída na sessão de hoje)

O recurso contra o diploma foi retirado da pauta de votações do STF. Está em debate no plenário a Adin contra a Lei de Imprensa. O Ato Público Nacional prossegue. A Executiva da FENAJ e a Coordenação da Campanha em Defesa do Diploma vão se reunir para traçar novas estratégias de continuidade do movimento.Às 16h45 desta quarta-feira (1º/04) a coordenação do movimento foi informada que, a pedido do presidente do Supremo Tribunal Federal e relator do RE 511961, ministro Gilmar Mendes, o advogado que representa a FENAJ e o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo na ação foi oficialmente comunicado da retirada do tema da pauta. Não foi divulgada nova data para julgamento do recurso contra o diploma.Dirigentes da campanha continuam no plenário do STF acompanhando a votação da Adin contra a Lei de Imprensa. “Após o Ato Nacional a Executiva da FENAJ e a Coordenação da Campanha vão definir novas ações, mas desde já a orientação é para que a movimentação nos estados e os preparativos para o Dia do Jornalista, 7 de abril, prossigam”, disse o diretor da FENAJ Luiz Spada.

 

acompanhando a sessão do stf

Para quem não tem acesso da TV Justiça ou da Rádio Justiça, sugiro que acesse o Twitter. Por lá, siga #diploma.

lei de imprensa no banco dos réus

O julgamento do diploma ofusca a avaliação que o mesmo STF fará da Lei de Imprensa (5250/67). Como essa lei vem sendo bombardeada há tempos e praticamente perdeu as duas pernas recentemente com a supressão de 22 dispositivos nela constante, mais parece cachorro morto.

Mas para quem se interessar, é o primeiro ponto da pauta do Supremo hoje à tarde. O relator é o ministro Ayres Brito.

Pelo que imagino, a decisão deve ser pela inconstitucionalidade da 5250, o que irá sepultar a Lei de Imprensa que temos vigorando desde o tempo da ditadura. Como as cortes já se apoiam nos códigos Civil e Penal para arbitrar crimes de opinião, a lei de 1967 é mesmo um zumbi. O que me preocupa, no entanto, é que – caso a Lei de Imprensa deixe de valer – teremos que criar um novo dispositivo que preveja o Direito de Resposta, uma boa herança da 5250…

polêmica do diploma: aguardando o julgamento

Enquanto a sessão do plenário do STF não começa – isso vai se dar lá pelas 14 horas -, e se você está querendo saber mais sobre a polêmica sobre a exigência do diploma de jornalista, por que não passa pelos links abaixo?

Todos foram publicados no Observatório da Imprensa de ontem…

Uma decisão histórica sobre o diplomaElias Machado

Diploma, uma exigência legalRoberto Ramalho

Jornalista, só com diploma Sérgio Murillo de Andrade

Diploma é resquício da ditadura Laerte Braga

acesso a informações públicas: o seminário

Hoje e amanhã, acontece em Brasília o Seminário Internacional sobre Direito de Acesso a Informações Públicas.

O evento promete ser um marco nessa discussão que – ainda e infelizmente – é bem restrita na democracia brasileira.

Veja a programação:

Quarta-feira (01.abril.2009)
Local: auditório da TV Câmara (Câmara dos Deputados, Brasília, DF)

19h – 21h “Democracia, Cidadania e Direito de Acesso a Informações Públicas”
Gilmar Mendes – Presidente do Supremo Tribunal Federal
José Sarney – Presidente do Senado Federal
Michel Temer – Presidente da Câmara dos Deputados
Dilma Rousseff – Ministra-Chefe da Casa Civil da Presidência da República
Vincent Defourny – Representante da UNESCO no Brasil

Mestre de Cerimônias: Fernando Paulino – Projeto SOS Imprensa – UnB

Quinta-feira (02.abril.2009)
Local: auditório do Interlegis (Senado, Brasília, DF)

9h00 – 10h45 “Panorama do Direito de Acesso a Informações no Mundo”
María Marván Laborde – Comissionada do Instituto Federal de Acesso à Informação Pública do México
Thomas Blanton – Diretor da ONG National Security Archive dos EUA
Rosental Calmon Alves – Diretor do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, em Austin, Texas, EUA
Toby Mendel – Diretor do Programa Jurídico da Artigo 19, sediado no Canadá
Juan Pablo Olmedo – Presidente do Conselho para a Transparência do Chile

Moderador: Fernando Rodrigues – Associação Nacional de Jornais

11h – 12h30 – “Panorama do Direito de Acesso a Informações Públicas no Brasil”
Cezar Britto – Presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil
Claudio Weber Abramo – Diretor-Executivo da Transparência Brasil
Jorge Hage – Ministro-chefe da Controladoria-Geral da União
Ivana Moreira – Diretora da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo

Moderador: Marcelo Beraba – Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo

12h30 – Lançamento do livro “Acesso à informação e controle social das políticas públicas”, coordenado por Guilherme Canela e Solano Nascimento – ANDI e Artigo 19

Apresentação: Paula Martins – Artigo 19

14h30 – “Obstáculos para o acesso a informações no Brasil, sugestões de ações e debate do projeto de lei de acesso”

Debate entre congressistas, integrantes do Poder Executivo e organizações do Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas
Senador Aloizio Mercadante (PT-SP) – Líder do PT no Senado
Senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) – Líder do PSDB no Senado
Deputado Mendes Ribeiro (PMDB-RS)
Deputado Fernando Gabeira (PV-RJ)

Moderador: Subchefe Beto Ferreira Martins Vasconcelos – Subchefia para Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República

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O evento é uma realização do Fórum de Direito a Informações Públicas, que foi criado em 2003 e reúne 22 organizações da sociedade civil. Entre os objetivos do Fórum está o de “promover e incentivar o debate sobre o direito de acesso a informações públicas no Brasil”.

Participam do Fórum: Abong (Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais); Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo); Abrat (Associação Brasileira de Advogados Trabalhistas); Ajufe (Associação dos Juízes Federais); Alal (Associação Latino-Americana de Advogados Trabalhistas); Amarribo (Amigos Associados de Ribeirão Bonito); Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho); Andi (Agência de Notícias dos Direitos da Infância); ANJ (Associação Nacional de Jornais); ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República); APJ (Associação Paulista de Jornais); Artigo 19; Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas); Fórum Nacional de Dirigentes de Arquivos Municipais; GTNM-RJ (Grupo Tortura Nunca Mais – RJ); Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas); Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos); MPD (Movimento do Ministério Público Democrático); OAB (Ordem dos Advogados do Brasil); Projeto SOS Imprensa – Faculdade de Comunicação da UnB; Renoi (Rede Nacional de Observatórios de Imprensa); Transparência Brasil.

diploma de jornalismo: dois possíveis desfechos

O Supremo Tribunal Federal deve decidir amanhã uma pendência que se arrasta há quase oito anos: a contestação jurídica da exigência de diploma universitário para o exercício do jornalismo. Na última década, não houve assunto mais palpitante entre as redações e as escolas de Comunicação. As entidades classistas, como a Fenaj e os sindicatos, promoveram eventos, manifestações e lançaram livros sobre o tema, contribuindo muito para a discussão sobre a natureza da profissão e seu papel na atualidade. Publicações especializadas – como o Observatório da Imprensa – dispersaram uma torrente de idéias e argumentos contra e a favor do canudo, discutindo aspectos como o corporativismo e as mudanças pelas quais o jornalismo passa nas últimas décadas. Na academia, professores, alunos e pesquisadores deram suas contribuições, martelando a necessidade do diploma ou simplesmente descartando-o, como quem joga a criança junto com a água da banheira.

Previsível

O fato é que amanhã – 1º de abril, evento com a piada pronta – a suprema corte brasileira deve colocar um ponto final nessa história. Acompanho o processo desde outubro de 2001, quando do despacho da juíza Carla Rister. Participei de diversos eventos, escrevi textos e me posicionei sempre a favor da exigência do diploma. Reitero tudo isso. Mas o fato é que depois de amanhã, teremos um cenário distinto dos últimos oito anos: um cenário de definição sobre a regulamentação profissional.

O que antevejo são dois desfechos possíveis e fáceis de prever: 1) O SFT manter a exigência do diploma; 2) O STF descartar a exigência. Em ambos os casos, a regulamentação da profissão – como a conhecemos – estará em vias de extinção.

Comecemos pelo final.

Se os juízes do STF decidirem que não é mais necessário portar diploma universitário para exercer a profissão, os dispositivos de regulamentação profissional – o decreto -lei 972/69 e a lei 83284/79 – caem por terra, levam um golpe fatal. O marco de regulação perde o sentido com essa decisão da corte.

Mas mesmo que os juízes do STF decidam pela manutenção do diploma, a regulamentação dos jornalistas deve sofrer mudanças importantes nos próximos meses. O desgaste do chamado “entulho autoritário” fez com que o Ministério do Trabalho compusesse um grupo que fizesse estudos para uma nova redação para a regulamentação. Governo, patrões e jornalistas – por meio de seus representantes – compõem essa comissão, que deve gerar um ante-projeto de lei que vá substituir a atual regulamentação. Por isso, qualquer que seja a decisão do STF, a regulamentação como a conhecemos está com os dias contados.

Day after

As pessoas se perguntam sobre como será se a decisão sepultar a necessidade do diploma. Penso que é preciso ter clareza da situação e ausência de paixões. Se o STF decidir pelo descarte do diploma, o mundo não acaba. O jornalismo não acaba. As escolas de Comunicação não perdem a sua razão. E os estudantes que nelas estão matriculados não ficam totalmente desamparados.

Se a solução abstrair o diploma, será um processo natural se buscar uma saída para uma nova regulamentação. A via é o Ministério do Trabalho. Profissão regulamentada é profissão respeitada e assegurada de direitos. Penso que os jornalistas não vão abrir mão disso.

Se a suprema corte brasileira decidir pelo fim da necessidade do diploma, as escolas terão que buscar novos caminhos para se manterem, para oferecerem seus serviços e suas contribuições para a formação de novos profissionais. A discussão atual sobre as diretrizes curriculares dos cursos de jornalismo vai ser encharcada com as consequências da decisão do STF.

As coisas estão ligadas, e finalmente no Brasil – mesmo que de forma enviesada -, discute-se jornalismo e política, direito e exercício profissional, comunicação e poder.

O julgamento do diploma é o segundo ponto da pauta de amanhã. A sessão tem início às 14 horas e muitas redações e salas de aula vão estar sintonizadas na TV Justiça. A expectativa é grande e o clima, às vezes, beira o de final de campeonato. Vamos ver quem sai ganhando…

abuso infantil no cinema, uma dissertação

Outro dia, comentei que minha orientanda Juliane Guedes defendia sua dissertação sobre identidades de professores em blogs. A coisa repercutiu muito bem na blogosfera, o que me deixou bastante contente com o fato de ver mais gente pensando e pesquisando esse tema. Pois não é que outra orientanda também anda fazendo cartaz por aí?

Noemi Loser defendeu dia 16 sua dissertação sobre abuso infantil no cinema nacional contemporâneo e já está dando entrevista. Saiu uma no Cotidiano, excelente projeto multimídia do Jornalismo da UFSC.

Claro que eu tô orgulhoso, né? Poderia ser diferente?

contagem regressiva: mba em mídias digitais

Faltam apenas dois dias para o final do prazo de inscrições para o MBA em Mídias Digitais, oferecido pela Univali, em Itajaí (SC).

As aulas começam em abril, e serão nas sextas-feiras à noite e sábados pelas manhãs e tardes.

Alunos e ex-alunos da Univali têm descontos especiais.

Mais informações: http://www.univali.br/pos

nem o twitter escapa

Twittosfera? Pessoas te seguindo? Site baleiando?

Não conhece o Twitter? Vai lá conferir. (O meu é este aqui).

Mas se conhece, vai se divertir com esse videozinho. (Dica da aluna Isabela Lenz)

brazilian journalism research, 2008(2): na web!

Está disponível o número 2, volume 4 da Brazilian Journalism Research, periódico internacional editado pela SBPJor. A edição é do segundo semestre de 2008, e em breve, estará com artigos também em português.

O sumário é o seguinte:

Editorial
QUALITY IN THE TEACHING OF JOURNALISM
Claudia Quadros e Tattiana Teixeira

Dossier
TRENDS IN JOURNALISTS’ TRAINING: In the Spanish and Portuguese language environments in the 21st century
Xosé Lopes Garcia

RESEARCH ON PARTICIPATORY JOURNALISM IN BRAZIL: A survey of the state of the art
André Holanda, Claudia Quadros, Jan Alyne Barbosa Silva e Marcos Palacios

CHALLENGES AND NEW WAYS OF TEACHING JOURNALISM IN TIMES OF MEDIA CONVERGENCE
Lorena Tárcia e Simão Pedro P. Marinho

GRASSROOTS ONLINE JOURNALISM: Public intervention in Kuro5hin and Wikinews
Marcelo Träsel

Articles
IMAGES IN THE HEAT OF THE MOMENT OR THE REBORN PHOENIX OF THE DOCUMENTAL IMAGE
Kati Caetano

THE END OF OBJECTIVITY AND NEUTRALITY IN CIVIC AND ENVIRONMENTAL JOURNALISM
Beatriz Dornelles

ECONOMIC JOURNALISM AND THE CONCEPTION OF MARKET: A content analysis of the economy sections of Folha de S.Paulo and O Estado de S.Paulo
Maria Lucia Jacobini

THE RULE OF TRANSPARENCY: as an element of democratization in the journalism production process
Marta Regina Maia

THE BODY OF THE POWER: A semiotic study of Lula’s figure in the 1989 presidential campaign as portrayed in the Brazilian weekly newsmagazines Veja and Istoé
Dalva Ramaldes e José Luiz Aidar Prado

THE DELICATE RELATIONSHIP IN JOURNALISM: Where content and production meet in the content management system. A comparative study of US and Brazil Newsroom Operations
Amy Schmitz Weiss e Carla Schwingel

Book reviews
CONECTADO: O que a Internet fez com você e o que você pode fazer com ela
Maria José Baldessar

Cultura da Convergência
Rogério Christofoletti

***

E por falar em SBPJor, em breve, estarão disponíveis mais informações sobre a edição 2009 do Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo. A Diretoria Científica da SBPJor e a Coordenação do prêmio estão revisando o regulamento e logo, logo, estarão abertas as inscrições. O objetivo é ampliar o alcance do PAGF, que já é uma referência importante na área.

diretrizes curriculares do jornalismo: temperatura aumenta

O clima parece estar realmente mudando no terreno em que acontecem as discussões sobre a reforma das diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo. A temperatura vem aumentando gradativamente, e isso não é obra do aquecimento global. É fruto da participação maior de pesquisadores do campo principalmente nas listas eletrônicas das entidades da área.

Na semana passada, por exemplo, o presidente do Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo, Edson Spenthof, distribuiu um farto documento na lista da entidade, sinalizando as posições do Fórum sobre a reforma. O documento fermentou nas caixas de correio de muita gente, e ontem, um vigoroso email do professor José Salvador Faro espalhou brasas em muitas direções. Em suma, Faro – num tom elegantemente lúcido – questionou o fato de a  nova proposta de diretrizes estar apoiada no texto das vigentes. Se as atuais estão ruins a ponto de serem reformadas, por que tê-las como ponto de partida? E na sequência desse raciocínio, criticou com veemência a proliferação desenfreada de cursos pelo país, fato que foi defendido e elogiado pelo representante do MEC na primeira audiência pública que se deu no dia 20, no Rio.

Faro mexeu ainda num nervo exposto que incomoda a muitos quando se discute os cursos de jornalismo: sua vinculação (ou subserviência) aos de Comunicação Social. O professor da Metodista e PUC enfatizou que o jornalismo é um processo comunicacional, e como tal também precisa ser estudado na dimensão das teorias da comunicação, de maneira a preservar a dialética de sua natureza e surgimento.

Bem, o email de Faro – como já disse – espalhou a questão nas listas do FNPJ e da Associação Brasileira dos Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor). Diversos colegas se seguiram levantando questões ligadas ao debate, e tudo indica que teremos uma participação mais efetiva de nossos teóricos e professores. Tomara!

polêmica do diploma: mais um texto

Às vésperas do julgamento do STF sobre a obrigatoriedade do diploma para exercer o jornalismo, é muito natural que abundem por aí textos de lado a lado tratando da polêmica. Aliás, é muito bom isso. Os argumentos ganham relevância, as paixões se acirram, o entendimento pode ser buscado.

Hoje, recomendo o que o Cesar Valente escreveu sobre o assunto. Vai lá ver.

convergência midiática e mudanças na profissão de jornalista

Curto e grosso para dois links:

Converge Magazine é uma revista eletrônica brasileira que trata de transição de mídia, convergência e tecnologia. Na verdade, é um clipping de notícias, e pode ser adquirido por assinaturas.

Manuel Pinto disponibiliza em e-book gratuito as atas do seminário que realizou na Universidade do Minho e que tratou das mudanças na formação de jornalistas com as novas tecnologias. Baixe o livro aqui e leia, por exemplo, a conferência de Jane B.Singer.

uma semana pra desenrolar

Existem períodos na vida em que tudo parece travado, difícil. É quando nada parece render como a gente gostaria, quando as realizações nem são sentidas… Vixe! Dá uma raiva… Por outro lado, tem dias que tudo dá certo, que as árvores saem do caminho, que os cenários se descortinam a nossa frente. A semana que está no fim foi um desses raros períodos de desenrolação…

1. Consegui finalmente concluir a migração dos artigos de todas as edições da revista Contrapontos para o novo servidor e novo sistema eletrônico. A publicação tem nove anos de existência e 25 números. Cada edição tem me média 12 artigos. Para cada artigo, tinha que submetê-lo ao sistema (uns nove cliques) e depois publicá-lo (mais uns seis). Então, já viu o tamanho do Karma. Terminei, mas faltam pequenos ajustes. Em breve, anuncio o novo endereço…

2. Após uma saga titânica, consegui encontrar um adaptador Mini-DVI-VGA para o MacBook. Encontrei numa autorizada da Apple em Blumenau e fiz tudo pela internet e sedex. Paguei uma fortuna, mas precisava resolver isso. Ontem mesmo usei a máquina na aula e funcionou… Desde janeiro eu buscava o trocinho…

3. Saíram os trabalhos aprovados para o 12º Encontro Nacional de Professores de Jornalismo, e o meu – após, idas e vindas e um sistema complicadinho de submissão – está entre os que serão apresentados no evento.

4. Finalmente, recebi pelo correio um livro que havia encomendado em janeiro. Sob a desculpa de que era importado, a LivrariaCultura demorou um tempão pra encontrar e me mandar “Etica Periodistica”, de Luka Brajnovic.

Agora, só falta mesmo concluir a declaração de Imposto de Renda e transmiti-la pra Receita. Aí, “seus problemas acabaram”!

realidade regional em comunicação: o livro

Clóvis Reis me avisa que o livro “Realidade Regional em Comunicação” acaba de sair. O volume, organizado por ele, reúne capítulos que tratam das origens e perspectivas da comunicação em Santa Catarina. O lançamento é da Edifurb, tem 156 páginas e custa R$ 28,00.

stf vai julgar obrigatoriedade do diploma em 1º de abril

A polêmica do diploma de jornalismo pode terminar em 1º de abril. E não é pegadinha.

A informação é da Fenaj:

O Recurso Extraordinário RE 511961, que questiona a constitucionalidade da exigência do diploma em Jornalismo como requisito para o exercício da profissão, entrará na pauta do Supremo Tribunal Federal (STF) em 1º de abril. Sua apreciação deve se dar no mesmo período do julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a Lei de Imprensa.

De acordo com a própria Fenaj, seus diretores iriam se reunir hoje – terça – para definir ações para as duas pendências. E prossegue a nota…

Segundo fontes, a decisão de incluir o RE 511961 e a Adin contra a Lei de Imprensa na pauta de julgamentos do STF em abril já estava tomada no final da tarde de segunda-feira (23) e sua formalização seria questão de horas. Com reunião já agendada anteriormente para as 14 horas desta terça-feira, a Executiva da FENAJ e a Coordenação da Campanha em Defesa do Diploma e da Regulamentação buscarão operacionalizar movimentos de sensibilização da Corte. “Agora temos ainda mais motivos de construir a Semana e o Dia Nacional do Jornalista, 7 de abril, com um grau maior de mobilização da categoria e da sociedade”, diz o presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade.

A iminência do julgamento das duas ações naturalmente obrigará dirigentes sindicais e apoiadores das causas que advogam a constitucionalidade da exigência do diploma e a aprovação de uma nova e democrática Lei de Imprensa a alterarem suas agendas. “Sabemos que o julgamento destas questões começará no dia 1º de abril, mas não se pode prever quando será o seu desfecho” destaca Murillo. Ele considera que os dirigentes de entidades sindicais e do campo do jornalismo, bem como de outras organizações da sociedade deverão se preparar para estarem presentes em Brasília no momento decisivo.

Já era cogitada entre os apoiadores do movimento a organização de caravanas dos estados a Brasília na data do julgamento do RE 511961. Agora, mais do que o caráter comemorativo, a Semana Nacional dos Jornalistas se converterá efetivamente numa Semana Nacional de Luta.

Novas mobilização nos estados deverão ganhar maior dinâmica a partir dos próximos dias, inclusive na perspectiva de conquistar novos apoios políticos. De lado porque a exigência do diploma como requisito para o exercício do Jornalismo é um dos pilares da profissão. De outro porque a regulamentação das relações entre jornalistas, empresas de comunicação e a sociedade é considerada fundamental para consagrar e assegurar a liberdade de imprensa.

Vamos ver se não haverá novos adiamentos nos julgamentos…

diretrizes curriculares: um relato da primeira audiência

Sylvia Moretzsohn, professora da UFF, fez um arguto relato sobre a primeira audiência que discutiu as reformas nas diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo, que aconteceu na sexta, 20 de março.

Saiu no Observatório da Imprensa, mas transcrevo aqui também:

Duas surpresas na audiência do MEC

Duas grandes surpresas – uma no início, outra no final – marcaram a primeira audiência pública para a reformulação das diretrizes curriculares de Jornalismo, na sexta-feira (20/3), no Palácio Capanema, sede da representação do MEC no Rio de Janeiro. A primeira foi notada por todos e dizia respeito ao tema central da reunião. A segunda, aparentemente, passou despercebida da maioria, mas é talvez mais relevante, pois revela uma concepção constrangedoramente simplória do sentido da expansão dos cursos superiores no Brasil.

Ao apresentar os objetivos da audiência, o representante do Ministério da Educação, Paulo Roberto Wollinger, diretor de Regulação e Supervisão da Educação Superior do MEC, provocou um burburinho na platéia ao afirmar que o pomo da discórdia da comunidade acadêmica do setor não estava em pauta: “Em momento algum pensamos em separar o Jornalismo da Comunicação Social”. Disse isso a título de esclarecimento, mas só poderia causar confusão, uma vez que a iniciativa de revisão das diretrizes provocou o recrudescimento desse debate e levou integrantes da própria comissão de especialistas a se manifestar a favor da autonomia para Jornalismo. No entanto, talvez a frase tivesse outro sentido, porque logo em seguida Wollinger diria algo ainda mais surpreendente: “Não existe curso de Comunicação Social; o que existe é essa grande área da Comunicação, da qual o jornalismo é uma das especialidades”.

Era uma afirmação contra toda evidência, a começar pelo nome do curso que vem gravado ano após ano nos diplomas de quem se forma na habilitação em Jornalismo. Porém, se interpretada de outra forma, a declaração inicial faria sentido: afinal, como o que existe de fato são jornalistas, publicitários, relações públicas – e não esse “comunicador” genérico –, seria ocioso discutir se o “curso de Jornalismo” deve ser autônomo, porque esta já seria sua condição inevitável. Assim, não se destacaria da “grande área” da Comunicação – porque, afinal, é Comunicação –, mas obedeceria a diretrizes curriculares próprias, sem qualquer relação com as das outras especialidades do setor. Na prática, portanto, seria já um curso autônomo.

O que, naturalmente, não resolve nada, porque o problema original persiste: quais serão as bases para uma adequada formação de jornalistas? E aqui retornamos à velha questão que divide duas correntes substancialmente distintas, cristalizadas na oposição entre “academicistas” e “tecnicistas”, “comunicólogos” e “jornalistas”, numa simplificação que jamais ajudou qualquer debate. E que não chegou a ser enfrentada na primeira audiência pública para discutir as diretrizes curriculares.

Polêmica antiga

Os cursos de Comunicação Social são contestados desde que foram criados. Seria excessivo tentar resumir aqui essa história, mesmo porque muita coisa mudou nas duas últimas décadas: basta dizer que até meados dos anos 1980 praticamente não havia jornalistas ou professores com essa experiência profissional dando aula de jornalismo, as escolas não eram dotadas de um mínimo de estrutura laboratorial e a pesquisa específica praticamente inexistia. Tudo isso contribuía para que os cursos se fechassem em torno de teorizações distanciadas da realidade que o futuro jornalista deveria enfrentar e fossem, portanto, desdenhados pelos profissionais formados “na prática” e pelos próprios estudantes.

Hoje ainda estamos longe do ideal – e mais ainda de um consenso sobre o que deva ser esse ideal –, mas a situação é radicalmente distinta. Apesar disso, frequentemente repetem-se os argumentos daqueles velhos tempos. Foi o que ocorreu há 10 anos, quando se iniciou o processo de avaliação das condições de oferta da habilitação em Jornalismo dos cursos de Comunicação Social. A avaliação exclusiva desta habilitação era uma tentativa de forçar a criação de um curso específico, desligado da “geléia geral” da Comunicação.

Este Observatório refletiu e estimulou a intensa polêmica durante meses seguidos. Então, como agora, prevalecia o pragmatismo entre os partidários do curso autônomo. Na época, um dos argumentos mais exuberantes nesse sentido valorizava a formação de profissionais comparados à excelência de um i-Mac: era “só ligar na tomada e começar a trabalhar”. Hoje, talvez em decorrência da preocupação com a inserção mais imediata do estudante num mercado de trabalho ao mesmo tempo tão diversificado e precário, defende-se um perfil de prestador de serviços. Num caso e noutro, o que prevalece é a concepção de universidade operacional.

O consenso sobre o óbvio

Na reunião com a comissão de especialistas, passou-se ao largo dessa questão. Nós, da Universidade Federal Fluminense, apresentamos um documento sintético, de quatro páginas, defendendo o jornalismo como “um `campo de saber´ do abrangente campo de conhecimento da Comunicação”, que exige a articulação entre uma sólida base humanística e uma oferta ampliada de opções para a formação profissional específica, de modo que o aluno possa “direcionar seus estudos para as áreas de atuação com as quais melhor se identifica, ampliando as alternativas de conhecimento e de prática profissional”. Mas a ênfase é na formação ética do jornalista e na conscientização sobre as dificuldades e as responsabilidades envolvidas no desempenho de seu papel de mediador.

Uma decorrência lógica dessa concepção é o entendimento de que a universidade não está aí para formar prestadores de serviço, mas sujeitos dotados de autonomia intelectual, capazes de exercer competentemente a profissão que escolheram. Mas essa questão central não foi discutida e as discordâncias praticamente não apareceram, a ponto de uma professora enaltecer o consenso em torno da melhoria da qualidade dos cursos.

Além de óbvio, tratava-se de um consenso prévio. Evidentemente, ninguém pode ser contra a qualidade: o problema é saber o que cada um entende por isso. Porém um ponto essencial foi levantado pelo presidente do Fórum Nacional de Professores do Jornalismo, Edson Spenthof: a necessidade de se responder à pergunta sobre “o que é jornalismo” para uma definição mais clara das novas diretrizes. Imagine-se o grau de controvérsia que esse debate há de gerar, especialmente nesses tempos de enaltecimento da figura do “jornalista-cidadão”.

Spenthof também fez uma observação conceitual relevante sobre as recorrentes demandas pela formação “multimídia”, normalmente associada à simultaneidade: não era disso que se tratava, mas sim do desenvolvimento de habilidades diversificadas. Desempenhar várias funções ao mesmo tempo representaria a tentativa, previamente frustrada, de assoviar e chupar cana, uma impossibilidade física que – acrescento eu – resulta na precariedade sistematicamente verificada no noticiário cotidiano.

A universidade redentora

As divergências certamente aparecerão nas propostas a serem enviadas diretamente à comissão até o fim do mês. Ali, no Salão Portinari do Palácio Capanema, ícone da arquitetura modernista brasileira no Centro do Rio, preservou-se o ambiente ameno. Mas, já perto do encerramento da audiência, um comentário mais geral do representante da Executiva Nacional dos Estudantes em Comunicação, Felipe Melo, sobre as diferenças entre cursos privados e públicos e sobre a política de expansão do ensino superior, provocou a segunda grande surpresa do dia. Ao responder à crítica, o representante do MEC defendeu enfaticamente a criação de mais cursos, “se possível um em cada esquina”, para sanar o déficit no contingente de brasileiros com formação universitária.

Se ficasse por aí, poderíamos apenas condenar o estímulo à proliferação de franquias no melhor estilo McDonald´s e o empenho na fabricação de números, que nos faz recordar o saudoso ministro Paulo Renato Souza. Mas Paulo Wollinger completou, com a fé dos justos: “Cada curso que se abre é um ponto de drogas que se fecha”.

Pena que pouca gente notou, ou não percebeu esse detalhe – justamente o detalhe, que é onde mora o diabo. Pois, salvo melhor juízo, essa justificativa para a abertura de novos cursos superiores é inédita. Mais que isso: é simplesmente inacreditável.


diretrizes curriculares de jornalismo: a primeira audiência e uma sugestão para as demais

A comissão de especialistas para a reforma das Diretrizes Curriculares para os cursos de Jornalismo avança no seu trabalho. Na última semana, na sexta, realizou junto com o Ministério da Educação a primeira das três audiências públicas que se comprometeu fazer para discutir o tema e colher sugestões para o novo documento.

Na própria sexta, tentei buscar informações na web sobre como teria sido o encontro. Mas ao final da busca, encontrei apenas dois registros: um do próprio MEC e outro do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro. O primeiro é uma nota oficial que pouco ou nada informa além do acontecimento da audiência (leia aqui), e o segundo é mais preciso, mas limitado no seu alcance (veja aqui).

O que fiz há pouco na lista eletrônica do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ) e faço neste blog é uma sugestão para a segunda e terceira audiências que acontecem nos próximos meses: usarmos alguns recursos tecnológicos para ampliar o acesso a essas discussões. Por exemplo, poderíamos contar com cobertura em vídeo streaming da audiência? Seria possível que essas reuniões tivessem relatos mais específicos e pontuais em blogs? As audiências poderiam ter um canal no Twitter para difusão das informações?

Isto é, o que estou propondo em voz alta é que os colegas que acompanham as audiências in loco disponibilizem materiais para os que não puderam estar presente. Somos professores de Jornalismo e podemos oferecer mais do que os links das notas oficiais do MEC; podemos oferecer notícias; podemos oferecer vídeos; ou mesmo discutir mais esse assunto na web. Quase nem tenho visto na blogosfera brasileira essa discussão. O que está nos acontecendo?

Numa das listas eletrônicas de professores que circulam por aí, li da necessidade de se formar jornalistas multimídia. Ótimo! Acho pertinente, oportuno e relevante. Mas como podemos formar jornalistas multimídia se os professores ainda nos restringimos a poucos canais informativos? O episódio da primeira audiência sobre as Diretrizes mostra isso.

Não se trata de uma crítica minha ao processo e aos colegas que lá estiveram. Apenas considero que esse é um momento muito importante para a formação dos jornalistas no Brasil, e não apenas uma hora para se mudar documentos, mas alterarmos atitudes e mentalidades nos cursos. Os professores também precisam mudar, e não apenas os cursos e os alunos. Estamos dispostos a isso? Que o episódio de reforma das Diretrizes Curriculares dos cursos de Jornalismo sirva também para que arejemos nossas posturas como professores, para que agilizemos nossos trâmites e que isso permita a circulação mais fácil dessas informações.

inscrições no mba em mídias digitais terminam dia 31

Faltam poucos dias para o final do prazo de inscrições para o MBA em Mídias Digitais, oferecido pela Univali, em Itajaí (SC). As aulas começam em abril, e serão nas sextas-feiras à noite e sábados pelas manhãs e tardes. Alunos e ex-alunos da Univali têm descontos especiais.

Mais informações aqui.

diretrizes curriculares do jornalismo: audiências começam amanhã

Nesta sexta, 20, no Rio de Janeiro, acontece a primeira das três audiências públicas para discussão sobre as diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo. Os eventos são promovidos pela comissão de especialistas designada pelo Ministério da Educação para reformar o documento que orienta a criação e a direção dos cursos de graduação.

Não sei se teremos cobertura ao vivo pela web ou se alguém vai tuitar do Rio, mas se algum leitor aí souber e der a dica, vai ser bem bom…

duas dentro e duas fora

A semana ainda não terminou, mas eu já poderia fazer um pequeno balanço do período dizendo que estou no empate. Tive duas boas notícias nesses dias e estou com duas pendências que não me abandonam. As más notícias primeiro, claro:

1. Já fiz a declaração do Imposto de Renda 2009. Mas ainda não consegui transmitir a bendita. Baixei os aplicativos de preenchimento e de transmissão, mas o segundo não funciona. Como é pra Mac, ele pede para que inscreva um comando de liberação ou permissão. Como estou sem tempo nem pra respirar, a declaração está mofando aqui na máquina. Se eu não pensar em nada inteligente até domingo, vou refazer tudo numa outra máquina que funcione com Windows etc…

2. Não encontro em lugar nenhum um adaptador MiniDVI-VGA. É que preciso conectar o Macbook num projetor multimídia, e o notebook não tem saída VGA. Entrei no site da Apple e varri as lojas brasileiras credenciadas para achar o acessório e nada dele. Já até mandei emailzinho educado pro fabricante pedindo instruções. Na cidade, fui a umas novecentas eletrônicas para encontrar o trocinho e nada. Se não pensar nada inteligente até domingo, vou ter que fazer uma gambiarra qualquer…

Para terminar esse post-insônia, as boas notícias:

1. Minha orientanda Noemi Löser defendeu sua dissertação “Crianças na Tela: cenas de abuso infantil no cinema nacional contemporâneo”. A banca foi na segunda, 16, e era composta pelas professoras Gilka Girardello (UFSC) e Valéria Silva Ferreira (Univali). Noemi analisou dez filmes brasileiros de 2001 a 2007, destacando cenas de violência, agressão e maus tratos que constituem abusos à infância. A dissertação foi muito elogiada, e Noemi estava muito segura na apresentação de seu trabalho. Fiquei orgulhoso, naturalmente.

2. Saíram os contemplados com a Bolsa UOL Pesquisa 2009, e minha amiga Maria José Baldessar foi uma das agraciadas. O UOL vai patrocinar nove projetos voltados à internet por um ano, e a pesquisa da Zeca tem um título interessantíssimo: “O leitor e sua relação com três características do jornalismo online: a interatividade, hipertextualidade e a multimidialidade”. Fiquei feliz pela amiga, pois os caras do Bolsa UOL Pesquisa são muito atenciosos, rigorosos e sérios.

Como disse, a semana ainda não terminou. Mas se esse fosse o fim, eu estaria feliz. A essa altura do campeonato, empatar já é um ótimo resultado… Vamos ver o que vem a seguir…

números mostram mudanças estruturais na mídia nacional

Luis Nassif compara dados do Ibope e do IVC e conclui que modificações estão em curso na indústria de comunicação no Brasil. Alguns trechos:

“a Globo tinha um share de audiência de 50,7% em 2001. Chegou a bater em 56,7% em 2004 – coincidindo com a queda de audiência do SBT. Hoje está em 40,6% – coincidindo com a subida da TV Record – que saiu de 9,2% em 2001 para 16,2%.”

“Nas três últimas semanas, o Jornal Nacional deu 26% de audiência em São Paulo. Seis anos atrás, era de 42%.”

“De 2001 a 2009, os [jornais impressos] tradicionais perderam 300 mil exemplares diários”

 Será que a crise está à porta?

Leia o artigo de Nassif na íntegra no Observatório da Imprensa.

coleção de livros quer sistematizar teoria brasileira do jornalismo

O Mestrado em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina e a Editora Insular acabam de lançar “Jornalismo, fatos e interesses”, de Wilson Gomes, livro que inaugura a série Jornalismo a Rigor.

A série tem propósitos ousados. “Objetiva publicar reflexões acadêmicas de alto nível que contribuam para elevar o senso crítico e a qualidade da prática do Jornalismo como atividade intelectual” e “procura assim ajudar na superação do complexo de inferioridade de uma área que se deixou colonizar intelectualmente”, afirma o diretor da série, Eduardo Medistch. Os livros da série tendem a se fixar em aspectos conceituais, rompendo a dicotomia teoria-prática na medida em que se põem a enxergar a prática jornalística de uma outra maneira, com o intuito de transformá-la.

“Jornalismo, fatos e interesses” abre o caminho, e os editores pretendem lançar três ou quatro volumes a cada ano, atualizando a bibliografia brasileira sobre o jornalismo e apontando novos patamares para a discussão teórica. Autores internacionais também podem ser publicados, não se descarta. Os livros são voltados prioritariamente ao público acadêmico – alunos e professores da graduação e pós-graduação -, mas os títulos são extensivos também aos profissionais das redações que se dispõem a pensar a atividade.

O próximo volume será sobre padrões de qualidade no jornalismo, assinado por Carina Benedetti e com previsão de lançamento em maio no 12º Encontro Nacional de Professores de Jornalismo, que acontece em Belo Horizonte (MG). Outros títulos já estão no forno, informa o diretor da série Eduardo Meditsch.

diretrizes curriculares do jornalismo: as entidades ouvem os associados

Já disse aqui que estão agendadas as audiências públicas promovidas pela comissão que reformará as Diretrizes Curriculares para os cursos de Jornalismo. Serão três encontros:

  • 20 de março, no Rio de Janeiro: quando será ouvida a comunidade acadêmica
  • 24 de abril, em São Paulo: quando entidades classistas e profissionais, e a categoria participará dos debates
  • 18 de maio, em Recife: quando movimentos organizados da sociedade em geral estarão debatendo

As sugestões estão sendo recolhidas por email (consulta.jornalismo@mec.gov.br). Mas entidades como o Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ) e a Associação Brasileira dos Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) estão fazendo um corpo-a-corpo com seus associados, pedindo sugestões para compor intervenções mais práticas e pontuais.

Essas consultas estão sendo feitas nas listas eletrônicas e serão sistematizadas por comissões internas das entidades. O trabalho é de formiguinha, e altamente necessário não apenas para dar legitimidade ao processo, mas qualificar e adiantar o debate. Mas o que está em debate, alguém aí pode se perguntar…

1. A comissão de reforma das Diretrizes quer saber qual o perfil desejável de jornalista diante das transformações política, culturais, sociais e tecnológicas contemporâneas.

2. A comissão também quer saber quais as competências a serem construídas na formação superior desses profissionais em termos de conhecimento, habilidades, atitudes e valores.

3. A comissão quer saber a opinião sobre a possibilidade de criação de cursos de graduação e mestrado e doutorado em jornalismo, e não meras habilitações ou linhas de pesquisa de cursos de comunicação.

4. Está em debate também a dupla diplomação. Isto é, “deve o exercício profissional do jornalismo ser permitido a profissionais de outras áreas após uma formação complementar em jornalismo? Em caso afirmativo, como deveria ser essa complementação?”

5. A comissão se preocupa com a formação dos profissionais multimídia. Como ela deve ser feita e com qual perfil?

Pelos questionamentos acima, e pelos que serão deles derivados, dá pra ver o tamanho da reforma que se pode fazer no documento das Diretrizes e no próprio desenho dos cursos de Jornalismo no país. Como já comentei, esta é uma chance histórica.

guia prático da ciência moderna: essencial

(Para ser lido em dias difíceis e com o mau humor em alerta máximo)

TAXONOMIA:
1. Se mexer, pertence à Biologia.
2. Se feder, pertence à Química.
3. Se não funcionar, pertence à Física.
4. Se ninguém entender, é Matemática.
5. Se não fizer sentido, é Economia ou Psicologia.
6. Se mexer, feder, não funcionar, ninguém entender e não fizer
sentido, é INFORMÁTICA.

LEI DA PROCURA INDIRETA:
1. O modo mais rápido de se encontrar uma coisa é procurar outra.
2. Você sempre encontra aquilo que não está procurando.

LEI DA TELEFONIA:
1. Quando te ligam: se você tem caneta, não tem papel. Se tiver papel, não tem caneta. Se tiver ambos, ninguém liga.
2. Quando você liga para números errados de telefone, eles nunca estão ocupados.
Parágrafo único: Todo corpo mergulhado numa banheira ou debaixo do chuveiro faz tocar o telefone.

LEI DAS UNIDADES DE MEDIDA:
Se estiver escrito ‘Tamanho Único’, é porque não serve em ninguém, muito menos em você…

LEI DA GRAVIDADE:
Se você consegue manter a cabeça enquanto à sua volta todos estão perdendo, provavelmente você não está entendendo a gravidade da situação.

LEI DOS CURSOS, PROVAS E AFINS:
80% da prova final será baseada na única aula a que você não compareceu, baseada no único livro que você não leu.

LEI DA QUEDA LIVRE:
1. Qualquer esforço para se agarrar um objeto em queda, provoca mais destruição do que se o deixássemos cair naturalmente.
2. A probabilidade de o pão cair com o lado da manteiga virado para baixo é proporcional ao valor do carpete.

LEI DAS FILAS E DOS ENGARRAFAMENTOS:
A fila do lado sempre anda mais rápido.
Parágrafo único: Não adianta mudar de fila. A outra é sempre mais rápida.

LEI DA RELATIVIDADE DOCUMENTADA:
Nada é tão fácil quanto parece, nem tão difícil quanto a explicação do manual.

LEI DO ESPARADRAPO:
Existem dois tipos de esparadrapo: o que não gruda e o que não sai.

LEI DA VIDA:
1. Uma pessoa saudável é aquela que não foi suficientemente examinada.
2. Tudo que é bom na vida é ilegal, imoral, engorda ou engravida.

LEI DA ATRAÇÃO DE PARTÍCULAS:
Toda partícula que voa sempre encontra um olho aberto.

persona cia de teatro, 8 anos

A Persona Cia de Teatro, de meus amigos Jefferson Bittencourt, Glaucia Grígolo, Malcom Bauer, Melissa Pretto e Igor Lima, está completando oito anos de (ótimos) espetáculos. Para marcar a data, foi postado no YouTube um clipezinho com cenas das montagens que fazem parte do portifólio do grupo: “F.” + “E.V.A.” + “Castelo de Cartas” + “Nem mesmo a chuva tem mãos tão pequenas” + “A galinha degolada”.

Parabéns ao grupo!

photoshop: kit de sobrevivência com um especialista

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(clique para ampliar, ceguinho!)

monitor de mídia, edição 146

Confira na edição 146 do MONITOR DE MÍDIA

REPORTAGEM
É ilegal, imoral, mas acontece – Pirataria e Descaminho
Nossa equipe percorreu os chamados “camelódromos” de Balneário Camboriú e descobriu que a pirataria é apenas um dos crimes contra o sistema.

DIAGNÓSTICO
O Rótulo dos Jornais
O Monitor de Mídia analisou as capas dos seis jornais da região e constatou que eles seguem os padrões jornalísticos.

EDITORIAL
Um diálogo que interessa a comunidade
O Diálogo que Interessa: setores organizados da sociedade se preparam para a primeira conferência de comunicação.

MUNDO
Soy loco por ti, Obama
Karis Cozer analisou como jornais norte-americanos retrataram Barak Obama em sua primeira semana de governo.

BIBLIOTECA
Glossário de Termos Técnicos Científicos
Alunos de jornalismo elaboraram e o Monitor publica glossário de termos científicos para sanar dúvidas do dia-a-dia.

chuva de concursos para professores de jornalismo

Por forças astrológicas ou meteorológicas, está acontecendo uma saraivada de concursos para professores de jornalismo, principalmente em instituições federais, mas não as únicas. Alguns desses processos de seleção já estão em andamento, como os da UFSC, da USP, e da UFRJ, entre outras. Mas outras estão com editais abertos. Veja algumas:

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Universidade Estadual de Ponta Grossa

Universidade Federal do Paraná

Universidade Federal de Pernambuco

Pra quem vai se aventurar, boa sorte!