Autor: Rogerio Christofoletti
fórum de professores de jornalismo: prazo está esgotando

Daqui a poucas horas termina o prazo de envio de trabalhos para a 12ª edição do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo, que acontece em abril em Belo Horizonte. As informações podem ser obtidas aqui e se você quiser seguir o evento de perto, antes mesmo dele começar, a organização criou um perfil do encontro no Twitter.
(Com licença que ainda não terminei de escrever meu paper e o tempo está acabando…)
apertem os cintos: o ano já começou mesmo!
A Quarta-Feira de Cinzas funciona para os brasileiros como o 1º de janeiro de cada ano, quando renovamos nossas esperanças, fazemos planejamentos, prometemos mudanças radicais e iniciamos nova etapa de nossas vidas. Por isso é que dizemos que, por aqui, o ano começa após o Carnaval, rei dos clichês do qual ninguém abaixo do Equador está livre.
Por tudo isso e por muito mais, aviso à minha meia dúzia de fiéis leitores que o bicho vai pegar por aqui nos próximos meses. E embora a agenda esteja lotada, sempre aparecem encaixes e demandas inevitáveis. Desta forma, a melhor maneira é afivelar os cintos e segurar firme…
Em 2009, estarei particularmente envolvido com duas grandes pesquisas. A primeira se ocupa do ensino de ética jornalística nos cursos superiores da área no Brasil. Meu foco é observar quais são as metodologias, as pedagogias e as tecnologias utilizadas pelos professores dos 100 cursos mais antigos do país, o que significa um intervalo que vai de 1931 a 2000. A pesquisa foi aprovada no edital Universal e por isso tem financiamento do CNPq por dois anos.
A segunda pesquisa é resultado de uma parceria entre a Renoi e a UNESCO, e tem por objetivo levantar parâmetros para avaliação da qualidade de empresas jornalísticas brasileiras. O projeto tem prazo mais curto e envolve uma montanha de leituras e outros procedimentos de pesquisa, o que vai me ensinar muito a trabalhar em rede este ano.
Para além das pesquisas, vou orientar quatro alunos de graduação e uma no mestrado. São três monografias no Jornalismo, uma na Publicidade e uma dissertação no Mestrado em Educação. Os projetos são todos muito empolgantes: o papel dos microblogs no jornalismo brasileiro contemporâneo, a emergência do jornalismo participativo no jornalismo online catarinense, o papel do Last.FM no consumo de música em comunidades de usuários, representações sociais da identidade de publicitários, e a tensão permanente entre tecnofobia e tecnofilia no cotidiano de professores que lidam com informática na Educação.
Por falar em dissertações, acabei de liberar duas orientandas para a defesa de seus trabalhos. Uma fez análise de blogs de professores para observar vestígios de suas identidades profissionais; outra identificou formas de abuso infantil em dez filmes do cinema nacional no século XXI.
Na sala de aula, vou lecionar duas disciplinas na graduação no primeiro semestre: Técnicas de Projetos em Jornalismo e Temas Contemporâneos: Redes Sociais. No segundo semestre, pego mais uma – ainda não definida – no mestrado em Educação.
Afora isso, tenho outros compromissos profissionais:
- implantar o MBA em Mídias Digitais – com inscrições abertas!
- coordenar a quarta edição do Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo
- coordenar o GT de Comunicação, Espaço e Cidadania do Intercom Sul
- manter este blog
- ajudar a tocar o Monitor de Mídia
Isso sem contar a vida pessoal. Se a patroa não me der as contas este ano, não vai pedir nunca!!
a cara da gente, depois do carnaval
objetividade, transparência e credibilidade no jornalismo
Eu sei que o título deste post é sério demais para uma terça de Carnaval. Mas é que esbarrei em dois textos que não podem esperar a Quarta de Cinzas. Pedro Doria faz uma madura reflexão a partir dos comentários que recebeu em seu blog. O jornalista afirmou que nunca antes a imprensa brasileira havia sido tão profissional e objetiva quanto nos tempos atuais. Recebeu uma saraivada, o que o motivou a pensar (em voz alta) sobre objetividade e credibilidade no jornalismo.
Como um tema puxa o outro, Doria descambou na já cristalizada falta de transparência da indústria da mídia. Vale a pena ler com calma o post de Doria. Mesmo que você não concorde com ele, mesmo que não seja jornalista, ou nem se preocupe com essas questões. Comunicação e Jornalismo são assuntos que afetam a todos, de alguma forma e indistintamente.
Outro post muito interessante é o de Nick Diakopoulos sobre noções de transparência. O texto dele articula preopcupações interessantes comumente vistas no blog News Games, dedicado a pesquisas que ligam o jornalismo ao desenvolvimento de videogames. Diakopoulos parte do clássico “Elementos do Jornalismo”, de Bill Kovach e Tom Rosenstiel (e já publicado no Brasil), para tecer algumas considerações sobre esse nó que angustia redações, institutos de pesquisa e – por que não dizer? – escritórios de contabilidade. Vale a pena ler, mesmo que você não pense em desenvolver um game ou tente mudar a cultura de sua empresa.
6 links estrangeiros sobre jornalismo
Laicom: Laboratório de Análise Instrumental da Comunicação, da Universidade Autônoma de Barcelona. Em espanhol.
Digitalistas: microblog coletivo sobre jornalismo e comunicação. Surgiu agorinha, no início de fevereiro, e é em espanhol.
Stuff Journalists Like: blog de Christopher Ortiz, em inglês, e direto do Colorado.
Congresso Internacional de Comunicação: direto da Universidade de Navarra, em espanhol.
Jornalices: blog português sobre ensino de jornalismo.
Índice da Nova Mídia: indicador para monitorar o conteúdo de blogs. Em inglês e desenvolvido pelo Project for Excellence in Journalism.
ziriguidum: o que minha tuitosfera vai fazer no carnaval
Fiz um experimento nada científico para saber se quem me cerca no Twitter anda trabalhando demais. Na verdade, tenho percebido muito empiricamente que o Twitter é uma grande plataforma de queixas na web. E as pessoas reclamam majoritariamente de acúmulo de trabalho.
Pois aproveitando a proximidade do feriado de Carnaval, escolhi aleatoriamente quarenta amigos a que sigo no Twitter para fazer a seguinte pergunta: O que você vai fazer no carnaval?
Os resultados:
Dos 40 consultados, 22 responderam nas sete horas seguintes à consulta…
10 pessoas (ou 25%) responderam na primeira hora
27,2% disseram que vão trabalhar
13,6% responderam que vão viajar
41% afirmaram que aproveitarão os quatro dias de folia de Momo para descansar ou se divertir
18,2% disseram que vão trabalhar um pouco e descansar outro pouco
Como disse anteriormente, não há nada de científico nessa sondagem. Apenas quis medir um pouco a temperatura de como estamos separando nosso tempo entre trabalho e descanso.
Os resultados são alentadores, se formos considerar que as promessas vão se concretizar nos próximos dias. De qualquer forma, ainda acho que estamos trabalhando demais… Se somarmos a primeira e a última alternativa, teremos mais de um terço dos respondentes afirmando que vão se dedicar a algum trabalho nesses dias de pretensa folga.
PS – Ah! E se quiserem saber, eu quero mais é descansar, rir, me divertir nesses quatro dias. Muito ziriguidum, pelecoteco e balacobaco, já dizia o guru Sangentelli.
usp oferece curso de comunicação pública e de governo
A Escola de Comunicações e Artes da USP vai oferecer um curso sobre comunicação pública e de governo no próximo mês. Veja o comunicado oficial:
O professor Bernardo Kucinski vai ministrar a partir de março, na USP, um curso pioneiro sobre a comunicação pública e de governo, no qual pretende compartilhar suas experiências como assessor do presidente da república, assim como seus estudos in loco sobre comunicação da Casa Branca e de Downing Street.
O curso terá doze aulas, uma por semana, ás quintas-feiras, das 14h00 às 17h00, começando em 05 de março e terminando em 21 de maio. Abordará também os conceito de comunicação pública, sociedade da informação, e governo eletrônico; o lugar estratégico da comunicação na política e as estratégias de comunicação de políticas públicas e de propostas políticas controversas.
Entre os estudos de casos propostos estão a estratégia de comunicação da Embrapa, o episódio da expulsão do correspondente do New York Times Larry Rohter, o projeto editorial do Suplemento Agrícola do O Estado de S. Paulo, a batalha midiática em torno do projeto de captação das águas do São Francisco e a experiência das Cartas Criticas, que o professor Bernardo e sua pequena equipe produziam todas as manhãs para o presidente.
O curso foi concebido para ter como público alvo estrategistas de comunicação de governos e suas instituições e empresas , incluindo os estaduais e municipais, assim como de movimentos sociais, centrais sindicais, grandes sindicatos, Ongs e partidos políticos. Uma das intenções do professor é fazer do curso um espaço de intercâmbio das experiências desses participantes.
O curso será ministrado no Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA/USP, à Av. Prof Lucio Martins Rodrigues 443, prédio 2, sala 1, Cidade Universitária, São Paulo ( CEP 05508-000). As vagas foram limitadas a 40 e serão preenchidas por ordem de pedido de matrícula. As matriculas abrem no dia 09 de fevereiro, indo até o dia
03 de março, no endereço acima.Mais informações com Paulo Cesar ou Tânia, pcbontempi@usp.br.
Ou no endereço http://www.eca.usp.br/cultexte/cursexte/cje.asp
comissão das diretrizes curriculares de jornalismo já tem calendário
A comissão de especialistas que irá reformar o documento das diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo já tem um esboço da sua sistemática de trabalho. Segundo informações da Folha-Educação e do próprio Ministério da Educação, a comissão vai receber propostas e sugestões até 30 de março. Ainda não foi definido para onde essas indicações vão seguir, mas isso deve se dar em breve e na forma de uma página eletrônica no portal do MEC.
O presidente da comissão, José Marques de Melo, anunciou ainda que serão realizadas três audiências públicas: dia 20 de março no Rio de Janeiro, dia 24 de abril em Recife e 18 de maio, em São Paulo. “Cada audiência será focada em um público específico. Para a primeira, serão convidados professores e intelectuais da área; na segunda, representantes das associações, entidades de classe e jornalistas profissionais que estejam no mercado de trabalho; e para a terceira, segmentos da sociedade civil, movimentos sociais e organizações não-governamentais”, explicou Marques de Melo à assessoria do MEC.
lei de imprensa em queda; publicidade online em alta
O Supremo Tribunal Federal (STF) prorrogou por mais um mês sua decisão de suspender 20 dos 77 artigos da Lei de Imprensa (Lei 5.250/67). A decisão saiu na tarde de ontem. Moribunda, a Lei de Imprensa é um zumbi nas redações… (leia mais no Consultor Jurídico).
Do lado de lá do balcão, as coisas estão muito bem, obrigado. De acordo com o Instituto Inter-Meios, a publicidade online brasileira registrou faturamento de R$ 759,3 milhões em 2008, alta de 44,1% em relação ao ano anterior (saiba mais no IDGNow). A crise, a marolinha ou o fim do mundo ainda não chegaram aos departamentos comerciais… Melhor assim…
liberdade de expressão, acesso à informação e empoderamento
A UNESCO acaba de disponibilizar um documento que interessa a todos aqueles que pesquisam políticas de comunicação, democracia e direitos. Trata-se de Freedom of Expression, Access to Information and Empowerment of People. O volume está em formato PDF, em inglês, e tem 106 páginas.
O sumário diz a que veio:
- Press Freedom Contributes to Empowerment
- Press Freedom and the Empowerment of People
- Community Broadcasting: Good Practice in Policy, Law and Regulation
- Working Conditions of Journalists in Africa
- Freedom of Expression, the Right to Communication: Old Challenges, New Questions
- Towards a Third Generation of Activism for the Right to Freedom of Information
- Supporting Democracy Requires Combating New Media Censorship
- Access to Information
- Right to Information and Sustainable Development
- Challenges for Advocacy and Implementation of Right to Information Laws
- Freedom of Information Visibility on the Development Agenda
- A Perspective on India’s Recent Experiences
Para ter acesso, clique aqui.
intercom sul com inscrições abertas
Estão abertas as inscrições para o Intercom Sul 2009, que acontece de 28 a 30 de maio na Furb, em Blumenau (SC).
Mais informações: http://www.furb.br/intercomsul2009
novas diretrizes para os cursos de jornalismo: o que podemos esperar
O Ministério da Educação divulgou esta semana a formação de uma comissão de especialistas que irá reformar o documento que hoje define as diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo. A comissão terá a trabalhosa missão de revisar uma norma que é um verdadeiro monstro de Frankenstein, isso porque o documento de que estou falando é tão amplo que abrange todos os cursos de Comunicação, indo do Jornalismo à Publicidade e Propaganda, da Editoração ao Cinema, da Fotografia ao Radialismo. Isso mesmo! Um único documento do MEC sinaliza para gestores, professores e comunidade como devem se guiar os cursos de graduação nas chamadas habilitações da Comunicação.
Neste sentido, a notícia da criação da dita comissão é uma boa notícia. Outra boa nova é a própria composição desse coletivo, que será presidido pelo professor José Marques de Melo, o mais proeminente nome da área na academia brasileira. Os demais componentes da comissão são os professores Alfredo Vizeu (UFPE), indicado pelo Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ), Eduardo Meditsch (UFSC), indicado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Luiz Motta (UnB), indicado pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), Manuel Carlos Chaparro (USP), Sonia Virginia Moreira (UERJ), da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), Sérgio Mattos (UFBA) e Lúcia Maria Araújo, do Canal Futura.
Pelo que pude acompanhar em dois ou três fóruns eletrônicos da área, a comissão foi bem recebida por seus pares, seja pelo histórico que acumula ou ainda pelo amplo arco de entidades que indicaram a sua composição. O trabalho começa já e a comissão tem 180 dias para concluir suas tarefas. Mas o que se pode esperar disso?
Uma chance histórica
Antes de tudo, o momento é muito importante para a área da Comunicação em geral e para o Jornalismo em particular. Relevante porque a comissão de notáveis pode reparar equívocos como a esquizofrenia do documento das diretrizes atuais. Ao propor um documento voltado para o Jornalismo, certamente a comissão vai desencadear movimentos semelhantes nos demais campos assemelhados que compõem o amplo espectro da Comunicação. Assim, se publicitários estiverem bem articulados e suficientemente organizados, eles também poderão trabalhar por Diretrizes Curriculares mais afinadas com os objetivos e especificidades de sua profissão. Mas não só isso.
A elaboração de um documento próprio para o Jornalismo tende a reforçar a luta de diversos segmentos da academia que batalham por uma maior valorização e autonomia do campo entre as áreas de conhecimento. Essa luta vem se dando ultimamente na defesa de uma especificidade do Jornalismo na Tabela de Areas de Conhecimento do CNPq, na proposição de cursos de graduação e pós em Jornalismo – veja o caso da UFSC – e na tentativa de fixação de uma prova exclusiva para o Jornalismo no Enade… (Estive na comissão que prescreveu as diretrizes para essas provas, mas fomos vencidos pela burocracia do INEP e pela indisposição de dedicar mais de recursos nesse produto, objetivando uma avaliação mais condizente e mais coerente…)
A elaboração de um documento voltado para o Jornalismo vem a calhar também num momento delicado para a profissão. Como todos sabem, o Supremo Tribunal Federal está para julgar o mérito da liminar que desobriga o porte de diplomas de ensino superior para a obtenção de registros profissionais de jornalistas. A edição de um documento que padronize, organize e sinalize bons caminhos para os cursos de graduação auxilia na compreensão geral da nação de que estudar faz bem, e que sempre é muito melhor contar com profissionais bem capacitados do que “talentosos de plantão” ou “práticos”.
É importante lembrar ainda que outra comissão – na verdade, um grupo de trabalho – joga outro papel importante nos próximos meses. Desde o final de 2008, o Ministério do Trabalho constituiu um coletivo que tem por missão elaborar uma nova regulamentação profissional para os jornalistas. Conjugados os documentos – uma nova lei da profissão, a decisão do STF e novas diretrizes curriculares -, teremos um novo panorama para o jornalismo no Brasil. Podem apostar…
Melhor ou pior?
É difícil prever o resultado do julgamento do Supremo sobre a liminar de 2001, e não é muito fácil imaginar que tipo de regulamentação teremos nos próximos anos. Mas os resultados do trabalho da comissão de especialistas é possível de adiantar. Os erros do passado – como o currículo mínimo e a esquizofrenia atual – não serão repetidos. A variedade e amplitude das entidades que sustentam os membros das comissão também garantem que não haja um isolamento da academia frente o mercado.
Ouso em dizer que podemos esperar dias melhores. Mas não posso deixar de me preocupar com o longo prazo destinado aos trabalhos. Sei que o trabalho não é pouco, mas seis meses é muito para a discussão, elaboração e redação do documento. Pior: se for demorar seis meses, o MEC vai se encarregar de demorar mais seis até editar a medida, e aí adentraremos 2010. Por isso, acho que a celeridade é fundamental nos encaminhamentos das próximas semanas. Se a comissão for ágil e não comprometer a qualidade, teremos mais condições de colher um documento melhor e mais determinante para o jornalismo. A tarefa não é nada simples, mas seus executores têm totais condições de cumpri-las, digo sem qualquer bajulação.
Se conseguirmos chegar à metade de 2009 com a decisão do STF – qualquer que seja ela -, com uma nova regulamentação profissional e com novas diretrizes curriculares, poderemos iniciar uma nova fase para o jornalismo brasileiro. A partir de 2010, estaremos começando uma nova década e não apenas no calendário…
meu mantra
“Dizer não é dizer sim. Saber o que é bom pra mim! Basta sinceridade. Basta disposição”
(Kid Abelha)
o ano começou!
Tive uma semana agitadíssima a que passou. Muita correria e trabalho de sobra. Mas mesmo assim sobrevivi bem, afinal era a primeira depois das férias.
Mas a coisa não está fácil não. No intervalo de 24 horas, soube por duas amigas que a coisa está pegando por lá. Uma simplesmente desistiu de enviar artigos para um evento por puro e completo esgotamento mental. A outra, com prazos esgotando, sofre agora de tendinite.
Que mundo é este em que a gente não trabalha pra viver, mas VIVE PRA TRABALHAR???
links para uma sexta-feira 13

Antes que Jason, Freddy Krugger, zumbis e outros monstros venham te visitar, indico 13 links para exorcizar a sexta-feira assombrada…
1. Sônia Bertochi indica um videozinho de pouco mais de um minuto que explica porque redes sociais são importantes. Aqui.
2. Folha Informática traz matéria sobre estudo espanhol que atesta que videogames ajudam crianças a se desenvolver. Aqui.
3. Apesar da popularidade, o Twitter ainda não deslanchou nos resultados comerciais. Veja no Jornalismo nas Américas.
4. O Pew Internet and American Life Project divulgou pesquisa sobre o uso do Twitter. Leia mais aqui.
5. O Pew Research Center criou o Índice da Nova Mídia. Saiba o que é aqui.
6. Em Navarra, prossegue hoje o Congresso Internacional de Inovação na Comunicação, que a gente pode acompanhar pelo twitter: http://twitter.com/fcomnavarra
7. Já está na rede a chamada para trabalhos para a Sexta Conferência sobre Inovação no Jornalismo. Aqui.
8. As datas para os seminários regionais e para o congresso nacional da Intercom estão disponíveis na página de entrada do site da entidade.
9. Mark Deuze apresenta um slideshow com algumas idéias de seu mais novo livro: Media Life.
10. Pedro Doria expande seu projeto, o agregador brasileiro As Últimas. Tem Política (brasileira e internacional), Futebol, Ciência, Cinema, Culinária, Humor, Personalidades e até Mídia. Veja.
11. Como no faroeste. A Microsoft oferece recompensa para quem dedurar o criador de uma praga da tecnologia. Aqui.
12. A Columbia Journalism Review menciona mais um evento científico no jornalismo, um painel que aconteceu ontem na Woodrow Wilson International Center for Scholars. Aqui.
13. Ok, não dá pra fugir de Jason… ele não morre mesmo… então, veja o site do Friday the 13th.
redes socias: bônus da formação
Cometeram a irresponsabilidade de me escalarem para dar uma oficina sobre redes sociais hoje. O “evento” acontece no meio da semana de formação continuada para os professores da Univali, e é voltado para os docentes dos cursos de graduação, principalmente os cursos de ciências sociais aplicadas, comunicação…
Bem, para não lesar os colegas com as não-novidades que vou falar à tarde (com direito a uma outra turma, à noite), deixo abaixo um bônus, prêmio para os que ficaram até o final da minha ladainha. Explico. No último slide da apresentação, aviso que deixei material bom neste blog…
Divirtam-se! E Deus lhes paguem…
Bônus 1: Veja um belo mapa de redes e mídias sociais. Aqui, em PDF, e em espanhol.
Bônus 2: Conheça um diretório brasileiro que reúne tudo o que já se produziu cientificamente por aqui sobre redes sociais..
Bônus 3: Baixe o livro Blogs.com: estudos sobre blogs e comunicação, organizado por Adriana Amaral, Raquel Recuero e Sandra Montardo. Em PDF e de graça.
ATUALIZAÇÃO: Ah! A apresentação em PowerPoint da formação está aqui.
anped prorroga prazos para trabalhos
Atenção, pesquisadores em Educação!
Atendendo a pedidos, a Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Educação (Anped) esticou o prazo para recebimento de artigos para sua 32ª reunião anual, que acontece em outubro próximo em Caxambu (MG).
renoi e unesco fecham parceria para criar indicadores de qualidade para o jornalismo
A Rede Nacional de Observatórios de Imprensa (Renoi) e a representação da UNESCO no Brasil, por meio do setor de Comunicação e Informação, estabeleceram um acordo de cooperação científica para o desenvolvimento de indicadores da qualidade jornalística. A parceria prevê a execução de uma pesquisa que apontará as bases conceituais de parâmetros para aferir concretamente o que significa informação jornalística de qualidade para os meios brasileiros.
Pesquisadores da Renoi executarão o projeto conjugando debates acadêmicos, aspectos mercadológicos e profissionais e compromissos sociais que os meios de comunicação devem manter com as comunidades a que servem. Neste sentido, o projeto “Indicadores de Qualidade da Informação Jornalística” objetiva propor instrumentos de medição de excelência e contribuir para o desenvolvimento do setor no país. A parceria UNESCO-Renoi se juntará, no Brasil, às discussões do Programa Internacional para o Desenvolvimento da Comunicação (IPDC) que originaram, no ano passado, o documento Media Development Indicators.
A publicação do IPDC sistematizou categorias para compreender de forma equilibrada a tríade mídia, democracia e desenvolvimento, entre elas a que trata de um sistema regulatório que conduza à liberdade de expressão, ao pluralismo e à diversidade da mídia. O projeto “Indicadores de Qualidade da Informação Jornalística” buscará na literatura específica do jornalismo e da gestão de qualidade critérios que reforcem essas ações, sempre envolvendo os profissionais das redações e de empresários do setor na elaboração de conceitos e iniciativas que atestem a excelência na mídia.
A parceria UNESCO-Renoi se estenderá até o final de 2009, quando a etapa conceitual do projeto dos indicadores deve ser concluída. Na sequência, pesquisadores da Renoi agregarão os resultados num sistema informatizado que possa servir de ferramenta para a avaliação da qualidade dos meios de comunicação brasileiros.
ela descansou…
Eluana Englaro morreu há cerca de três horas. Seu caso foi a polêmica das últimas semanas na Itália por conta da decisão da Justiça que autorizou a suspensão do tratamento que a mantinha viva (? – em coma) há 17 anos.
O primeiro ministro Silvio Berlusconi, que tentou impedir a ação por vias políticas, lamentou o ocorrido, dizendo que se sentia amargurado por não ter conseguido salvar a vida de Eluana. Como se ele pudesse…
faz mais de 50 anos e ainda soa forte
O maior disco de jazz de todos os tempos para muitos foi gravado há um pouco mais de meio século. Kind of Blue trazia Miles Davis, John Coltrane e uma malta de músicos lendários. A atmosfera permanece, basta ver no registro reunido, misturado e postado no youtube:
Se é mesmo o maior e o melhor disco de todos no jazz pouco importa. Certo é que Kind of Blue é sensível, emocionante, pungente, fundamental, universal, eterno.
Como dizia o pai de um amigo meu: “Deite no chão, feche os olhos e abra os ouvidos!”
ética jornalística: 5 links do momento
@ Robert Niles tem mexido com marimbondos. Leia a primeira parte de suas reflexões sobre jornalismo, ética e publicidade em sites jornalísticos.
@ Leia a segunda parte do texto de Niles.
@ The New York Times se preocupa que os avanços tecnológicos e a web 2.0 interfiram na credibilidade de seu jornalismo. Por isso, estabeleceu uma política para o uso de redes sociais, por exemplo…
@ Que futuro para o jornalismo?, pergunta-se Daniel Cornu, ombudsman dos veículos do grupo suíço Edipresse de mídia.
@ Cristina Charão, do Observatório do Direito à Comunicação, entrevista o jornalista Alberto Dines, do Observatório da Imprensa.
caso englaro e a coragem de decidir pela “boa morte”
A família de Eluana Englaro conseguiu, nesta semana, a permissão da Justiça italiana para a eutanásia. Eluana, que tem 37 anos, está em coma, num estado vegetativo, há 17 anos, desde que sofreu um acidente automobilístico. O caso vem provocando tremores de terra no país seja pela polêmica natural da decisão judicial seja pelo alto contingente católico da população.
Eluana foi transferida para um hospital em Udine, onde deve morrer pacificamente, embora já haja movimentos inclusive políticos para impedir o procedimento.
O caso lembra de perto a história de Terry Schiavo (foto), a norte-americana que viveu por 15 anos em condições semelhantes e que morreu em março de 2005 após retirarem o tubo de alimentação que a mantinha. À época, o marido de Terry enfrentou os pais dela na justiça para conseguir a autorização que permitiria a morte.
É claro que esta decisão não é nem um pouco fácil. Para ninguém. Não existe consenso em nenhuma parte do mundo sobre a eutanásia e sobre como lidar com situações como a de Eluana e Terry. As duas mulheres foram – cada uma a sua maneira – desligadas de suas vidas convencionais e mantidas por aparelhos por anos e anos. Seus familiares cuidaram delas, administrando não apenas a manutenção artificial do corpo de um ente querido como também as intensas emoções que isso implica. Amigos e parentes sofreram com a excepcionalidade dessas existências nos últimos anos.
Os sempre nervosos debates acerca da eutanásia são recheados de elementos filosóficos, religiosos, éticos. Teme-se decidir pela morte, mas sofre-se com a manutenção de uma vida tão atípica, tão dependente, tão precária. Decidir pelo não-viver depende de coragem, de convicção, de convencimento. Decidir pela morte dos outros é delicadíssimo, pois implica em tomar as rédeas da vida de quem não as pode conduzir.
Por outro lado, não sabemos se Eluana, no caso, deixará o estado vegetativo e retomará a sua vida normal. Não sabemos também em que condições pode voltar. Ignoramos como seus familiares já estão cansados, exauridos dessa tragédia toda. Talvez sua morte seja mesmo o descanso de todos, o fim de uma agonia que não se dissipa.
Se situação semelhante estivesse se dando no Brasil, penso que os debates e a polêmica seriam semelhantes aos que assistimos na Itália. De alguma maneira, somos muito parecidos – em espírito e humor – com os italianos. Não sei se nossa Justiça assumiria os riscos e bateria o martelo da mesma forma. Nosso ministro da Justiça deu amparo a um homem que responde pelas acusações de quatro homicídios e por terrorismo, mas não sei se optaria pela chamada “boa morte”…
Eu, aqui com meus botões, penso que os Englaro estão no caminho certo. Não vão deixar de amar a filha querida que se apagou num acidente. Não esquecerão dos anos devotados a ela, na saúde e na doença. Mas talvez possam fazer permanecer em suas memórias a melhor imagem da filha, vivendo normalmente, rindo, conversando, cantando, entrando apressada em casa, falando ao telefone…
O fato é que viver é uma tarefa difícil. Permanecer vivo requer vontade, amor à vida, sentido de permanência. A vida sem desejo é uma palavra de quatro letras sem o menor sentido.
darwin, 200: a celebração

No próximo dia 12 de fevereiro, serão celebrados 200 anos do nascimento de Charles Darwin. O marco já está sendo comemorado em diversas partes do mundo. Datas redondas costumam emplacar grandes homenagens, e parte da mídia já está fazendo isso.
A versão brasileira da revista Scientific American trouxe um especial neste mês, com textos de diversas personalidades do mundo científico mundial. Para leigos como eu – que ainda não evoluíram o bastante, hehehe.. -, a edição é pouco didática, mas vale dar uma olhada no capricho das imagens e do tratamento gráfico dado ao tema. No mesmo número, um artigo desce a madeira no Criacionismo e na Teoria do Design Inteligente. Aliás, a revista não fica em cima do muro, escancarando o que pensa: coloca na capa que a evolução, conforme Darwin, é a idéia mais poderosa da ciência!
A GloboNews está exibindo desde o final de janeiro uma série sobre o tema no programa Milenium, e até deixou um hotsite interativo. Mas as coisas não param por aqui. Tenha certeza: vamos ouvir e ver muito mais sobre isso nos próximos dias…
Se o bicentenário de Darwin te interessa, veja o site que o Natural History Museum criou para a celebração.
Veja alguns vídeos curtinhos sobre o Darwin’s Day dos anos passados:
Ah! Parabéns, Charles!
mino carta não deixa pedra sobre pedra
Mino Carta, o lendário publisher de Carta Capital, pendura as chuteiras no blog e promete “se calar” na própria revista. Desiludido, é o que diz em A despedida.
Contundente e lúcido, faz sua leitura pessoal dos últimos 45 anos da história política brasileira, e não deixa ninguém em pé… a não perder de vista.
univali abre mba em mídias digitais

Estão abertas as inscrições para o MBA em Mídias Digitais da Univali. O curso de especialização tem 35 vagas e começa em abril no campus de Itajaí. As inscrições vão até 31 de março, e ex-alunos da Univali tem 15% de desconto sobre as mensalidades.
Com duração de 18 meses, o MBA é voltado para graduados em Comunicação Social, Ciências da Informação, Design Gráfico, Licenciaturas, Bacharelados em Humanas, Ciências Sociais e Artes, além de áreas afins. O público alvo é extensivo ainda a profissionais de instituições públicas ou privadas que tenham relação com produção de conteúdo e processos editoriais para mídias digitais.
O MBA em Mídias Digitais é uma iniciativa multidisciplinar, que reúne professores mestres e doutores de campos distintos do conhecimento: da Comunicação ao Design, passando pela Informática e Educação. Foram convidados ainda professores de outras instituições, como as universidades federais de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
As aulas acontecerão em modernos e bem equipados laboratórios na Univali, quinzenalmente, sempre às sextas-feiras (noite) e sábados (manhã e tarde). O currículo está apoiado em três unidades, cada um com 120 horas. Cada unidade reunirá quatro disciplinas, um seminário e um oficina, totalizando 18 atividades em sala de aula.
Conheça a grade curricular:
Unidade I – Tecnologia e Sociedade
Comunicação e interação mediada por computador (24 horas)
Tecnologia e a informação estratégica (24 horas)
Teorias da Cibercultura (24 horas)
Educação e Comunicação (24 horas)
Seminário: Análise crítica de mídia digital (12 horas)
Workshop: Webwriting (12 horas)
Unidade II – Comunicação Digital
Convergência de mídias (24 horas)
Sociedade em Rede (24 horas)
Ambientes Virtuais de Aprendizagem (24 horas)
Hipermídia e o texto na internet (24 horas)
Seminário: Media Training (12 horas)
Workshop: Webdesign (12 horas)
Unidade III – Produtos Digitais
Produção multimídia (24 horas)
Jogos digitais e plataformas de entretenimento (24 horas)
Ferramentas colaborativas (24 horas)
Metodologia da Pesquisa (24 horas)
Seminário: Direitos autorais na web (12 horas)
Workshop: Produção Multimídia (12 horas)
Saiba quem são os professores:
– Dr. Alex Primo – UFRGS
– Dr. Flávio Anthero Nunes – UNIVALI
– MsC. Valquíria Michela John – UNIVALI
– MsC Carlos Castilho – ASSESC
– MsC Sandro Lauri Galarça – UNIVALI
– MsC Mary Vonni Meurer de Lima – UNIVALI
– MsC Vera Lúcia Sommer – UNIVALI
– Dr. Luís Fernando Máximo – UNIVALI
– MsC. Laura Seligman – UNIVALI
– Esp. Tiago Ficagna – UNIVALI
– Dra. Maria José Baldessar – UFSC
– Dr. Rudimar Scaranto Dazzi – UNIVALI
– Dr. Rogério Christofoletti – UNIVALI
Inscrições:
De 2 de fevereiro a 31 de março. Para isso, junte:
* Formulário para Inscrição totalmente preenchido;
* Diploma de conclusão de graduação (cópia autenticada);
* Histórico escolar de graduação (original ou cópia autenticada);
* “Curriculum Vitae” resumido (atualizado);
* Carteira de Identidade e CPF (cópia);
* Uma foto 3×4 recente
Custos:
Inscrição (R$ 384,00) + 17 parcelas de R$ 384,00. Ex-alunos da Univali pagam R$ 326,00
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o meme das seis coisas secretas

Vi esse meme na Adriamaral e em outros blogueiros por aí. Mauricio Oliveira, disciplinado, fez até coletânea dos segredos mais bizarros. E pior: me desafiou, me convocou a participar da coisa. Vá lá!
Seis coisas não tão públicas sobre mim:
1. Sou um sobrevivente. Já tive sarampo, cachumba, escarlatina, hepatite, catapora, bronquite e faringite. Fui picado por uma jararaca aos 16 anos. Destruí um carro na BR-101 e escapei sem um arranhão. Passei pelo furacão Catarina e pelas enchentes do ano passado em Itajaí. Eu sei: vaso ruim não quebra.
2. Aos 12 anos, estava decidido: ia ser padre. Desisti meses depois, quando dei meu primeiro beijo.
3. Tornei-me professor universitário porque errei o caminho. Era 1999 e estava rodando em Florianópolis quando entrei na rua errada e acabei parando num posto de gasolina. Lá, encontrei um colega que me avisou de um concurso para professores na Univali. Fui ver e já viu, né!
4. Já “cometi”alguns textos para o teatro. Atualmente, sou um dramaturgo aposentado. Tenho um misto de orgulho e vergonha do que escrevi.
5. Quase casei com o Frank Maia. Foi assim: o Laerte veio dar uma palestra em Florianópolis, e eu tava lá com o Frank. A gente nem tava de mãos dadas. Laerte disse da dificuldade de encontrar roteiristas de quadrinhos. Eu tinha escrito umas linhas pro Frank de brincadeira e ele desenhou e tal. Frank me apontou como o parceiro dele numas tiras. O Laerte disse: “Casa com ele, cara!” Mas eu já era casado, e o Frank entendeu.
6. Tornei-me são paulino aos dez anos, em 1982. Um amigo do meu pai vivia me azucrinando pra torcer pelo time do Morumbi. Um dia, assisti a um jogaço do tricolor e me converti. O que eu era antes disso? Alguém que não sabia nada de futebol…
Repasso o meme pro ExuCaveira, pro Madu, pro D’Andrea, pro Joel, pra Tattiana, pro Gerson e pro Zé Renato.
crise ainda não chegou às bancas brasileiras
Na semana que está terminando, a editora do New York Times anunciou um prejuízo de mais de 57 milhões de dólares em 2008. Em 2007, no entanto, havia fechado o exercício com lucro de 208 milhões. Isto é, a crise já chegou por lá. E olha que pegou em cheio um dos grandes: a New York Times Company reúne quase vinte jornais e 50 sites nos Estados Unidos.
Por aqui, a “marolinha” ainda não chegou.
Segundo o Instituto Verificador de Circulação (IVC), a circulação média diária dos jornais brasileiros cresceu 5% no ano passado, alcançando 4,35 milhões de exemplares. Tudo bem que a evolução de 5% fica aquém dos crescimentos registrados em 2006 (6,5%) e 2007 (11,8%). Mas mesmo assim, tá muito bom, afinal é o dobro do crescimento mundial no setor.
Entre os títulos brasileiros, o Super Notícia, de Minas, foi o campeão de crescimento de circulação: 27,02% no período. O jornal popular custa 25 centavos de real. Tudo indica que o setor vem respirando graças aos resultados dos jornais populares e dos regionais. Mas até quando, senhores?
sarkozy despeja dinheiro sobre a mídia
Outro dia, escrevi aqui que camadas organizadas da sociedade francesa manifestaram publicamente sua preocupação sobre a qualidade da mídia local. Pois bem, não é apenas o povo quem coça as rugas da testa com o assunto. Já desde o final do ano passado, o governo também. Na semana que passou, o recado foi público e polpudo: o presidente Nicolas Sarkozy anunciou um pacote de 600 milhões de euros para o setor nos próximos três anos.
Em tempos bicudos como os nossos – quando Bush abre a torneira de 700 bilhões de dólares para bancos e financeiras, e quando Lula reduz impostos para impulsionar a indústria automobilística -, o presidente francês acena com um plano para salvar a imprensa escrita, como deixou claro no Palácio dos Champs Elisées. A operação atende pelo nome de États Généraux de la Presse, ou Estados Gerais da Imprensa. O desafio é melhorar a rentabilidade dos jornais, aumentar suas tiragens, aliviar os custos das empresas do setor e impulsionar os meios online.
Ainda é cedo para medir a temperatura e dizer qual repercussão o anúncio trouxe ao mercado francês, e por extensão à mídia européia.
O Le Monde foi bastante contido, como sempre. Em editorial, ponderou as medidas, salientando a sabedoria da presidência da República em deixar que editores e jornalistas dêem os devidos encaminhamentos à solução da crise que asfixia o setor. O jornal não comemora abertamente, mas o editorial ressalta que a mídia é também uma indústria, o que a legitimaria a receber auxílios financeiros, pode-se ler nas entrelinhas.
Já Le Figaro trouxe editorial do seu diretor de redação Étienne Mougeotte reconhecendo o “ceticismo francês” que acompanhou o setor à mesa de negociação com o governo. Mas sauda a iniciativa. Entretanto, Mougeotte não se fez de rogado: reforçou que o norte do jornal é o leitor e para quem ele trabalha. A preocupação do experiente jornalista é com a credibilidade do veículo, mas não só ele. Um comunicado da AQIT, Associação pela Qualidade da Informação, convocava esta semana jornalistas e editores a conjugar esforços para a formalização de um Conselho de Imprensa. Segundo a AQIT, um novo código deontológico e uma instância que aglutinasse produtores e usuários do sistema seriam condições essenciais para um resgate da confiança ao setor.
Os movimentos são muitos e em direções não necessariamente opostas. Os franceses estão mesmo preocupados com o assunto e tudo leva a crer que arragaçaram as mangas para enfrentar a(s) crise(s) da mídia. No Brasil, já passamos perto disso. No final da década de 90 e começo desta, a revista Carta Capital martelou em várias edições um tal plano do BNDES para salvar a mídia, notadamente a Rede Globo. A revista bateu forte, e o plano de ajuda acabou não saindo. Não porque a revista fosse tão influente assim. Mas a revista também não estava fazendo aquilo por patriotismo, mas por isonomia…
O fato é que as torneiras mantiveram-se fechadas pro setor. Pouco ou quase nada entrou de dinheiro estrangeiro por aqui, mesmo após mudarem a Constituição em 2002. Os jornalistas revisaram seu código deontológico em 2007. Mas ficamos nisso. Talvez porque a crise nas bancas esteja anestesiada pelo sucesso de jornais a preços populares ou ainda porque as redações acreditam contar com a confiança dos seus leitores.
Será mesmo?
ATUALIZAÇÃO: Alberto Dines tratou do assunto, trazendo muito mais detalhes. Vale a pena ler.
notas de férias, porque elas estão no fim
Eu sei que talvez este post nem interesse à meia dúzia de meus leitores fiéis, mas isso aqui é um blog, né? O que significa dizer que também é um bloco de notas, um amontoado de registros cibernéticos…
Nesses dias de férias, não subi o Everest, não cacei tubarões no Pacífico Sul nem desmascarei agentes secretos da ABIN, inflitrados nos meus lugares de convívio social. Eu disse estar de férias, e essas coisas eu só faço quando estou mesmo a trabalho. Mas pra não dizer que minhas férias foram modorrentas, vi uns filminhos, li uns livrinhos, coloquei as correspondências em dia, joguei uns joguinhos e peguei muita praia. Já escrevi alguma coisinha sobre isso aqui, mas ofereço outro aperitivo:
(*) Neuromancer, o livro de William Gibson, é uma experiência impactante. Há pelo menos 15 anos eu queria lê-lo, desde que li Johnny Mnemonic, conto do mesmo autor e que gerou um filme homônimo com Keanu Reeves no papel-título. Lembro que a extinta revista General trouxe o conto encartado numa edição, num formatinho pocket, que arranquei de um amigo meu. Desde então, quis ler mais William Gibson, e só pude agora, numa edição comemorativa dos 25 anos do lançamento (e que traz um posfácio da amiga Adriana Amaral). Neuromancer é um choque no uso da linguagem, na capacidade imaginativa de se conceber pirações cibertrônicas, na intensidade narrativa e na capacidade de se manter em pé. (Nem Case deve ter vislumbrado ir tão longe…)
(*) Já escrevi aqui outras vezes: sim, sou um retardado. Só essa semana assisti a Onde os fracos não têm vez, que levou quatro Oscar ano passado. É um filme melancólico, vertiginoso, atordoante. Daqueles em que a gente passa por uma cena e ainda se pergunta se aquilo mesmo aconteceu ou se os diretores – no caso, os irmáos Cohen – estão aplicando algum golpe na platéia. Que nada! Não tem golpe. Tem cinema de sobra, de gente grande. Cinema que mostra que a vida é mais complicada do que os faroestes antigos mostravam.
(*) House voltou com a quinta temporada. O primeiro episódio – painless – é legalzinho, mas fraco para ser um abre. Se você não viu ainda, calma. Não há mudanças no hospital. Cudy continua tentando adotar um bebê + Kutner e Taub continuam sustentando a escada dos demais + Thirteen e Foreman não foram além daquele beijo + Wilson e Cameron quase nem deram o ar de sua graça + House salvou o dia.
(*) Já Lost está eletrizante. Os dois primeiros episódios vêm em grande forma, com mistérios, conexões improváveis e sacadas de roteiro inacreditáveis. Pra ser sincero, já nem esperava muito da série. Sabe por quê? Os produtores não têm pena da gente. Fazem 11 ou 12 episódios e depois ficam meses hibernando, e nisso, a nossa curiosidade provoca enfartos, surtos de histeria, etc… A série voltou tão boa que até tornei a ler spoilers…
(*) Descobri uma nova poeta: Ana Elisa Ribeiro. Jorge Rocha, o ExuCaveiraCover, seu marido, me mandou Fresta por onde olhar, livro da moça que é muito bom. Confesso: tenho o maior preconceito com poetas e livros de poesia. Antes de me espancarem, eu explico: é que parece que todo o mundo escreve poesia ou sabe fazer isso. Então, a gente vê de tudo por aí, e o pior é o que impera. Tem pretensão, tem espalhafato, tem forçação de rima. Com Ana Elisa Ribeiro, não vi nada disso. Existe maturidade, existe bossa e malícia, e existe uma grande intimidade com as palavras.
(*) Bolt – o super-cão é surpreendente. Pra ser uma animação da Disney, vi pouquíssima mídia sobre ele. Mas o resultado é muito bom, muito divertido e tal. Assisti com uma criança de quatro anos e foi ela quem me arrastou pra fora da sala do cinema quando subiam os letreiros. Wall-E é melhor, mas não faz mal. Bolt tem bons diálogos, e uma excelente dublagem brasileira. Maria Clara Gueiros está ótima na voz da gatinha Mittens.
(*) Rygar – The Legendary Adventures é bonzinho, mas seus gráficos perdem muito para os jogos atuais do PlayStation. A história é bobinha: um gladiador com amnésia tem que salvar uma princesa sequestrada. Para isso, transita entre cinco ou seis mundos diferentes, enfrentando seres mitológicos dos mais diversos. O jogo é fácil, sem grandes evoluções. Tanto é que eu consegui zerar sem roubar (lendo detonados na internet…).
As férias não terminaram, e isso não é um balanço. É mesmo um sintoma de que estou aproveitando melhor os dias e as noites. Semana que vem retorno ao trabalho, não sem uma ponta de remorso. Pronto, falei!
