a fertilidade me ronda… ui!

Já percebeu que há dias em que tudo parece convergir? Quer dizer, quando a gente pensa numa pessoa distante e acaba ouvindo falar dela, e – sei lá! – até a encontra num lugar altamente improvável. Ou quando você ouve um comentário sobre um filme de uma, duas, cinco pessoas na mesma semana, e acaba chegando no cinema e só tem aquele bendito filme pra assistir naquele horário. Você parece não ter como fugir.

Essa sincronicidade assusta. Pelo menos a mim.

Semana passada, um casal amigo teve o segundo filho, uma menina desta vez. Na mesma semana, pelo Twitter, vi que um importante pesquisador da cibercultura estava correndo pra maternidade também. Pensei: nossa! As cegonhas estão trabalhando dobrado!

Não só elas…

Nas últimas 24 horas, eu soube de nada menos que um, dois, três casos de gravidez por conhecidas. Uma colega de Belém me avisando que está esperando gêmeos para junho. Horas depois, outra colega da mesma cidade me anunciou que o seu bebê chegaria um mês depois. Pensei: Nossa! Esses paraenses querem povoar o mundo mesmo!

Que nada. Na videolocadora, soube que a atendente teve a boa notícia há um mês e meio, e em setembro deve ganhar o primeiro rebento…

Não é muita coincidência? Não, não é. Veja que em Los Angeles, uma mulher teve oito filhos ontem. Isso mesmo! Uma ninhada praticamente. Serenos, os médicos que fizeram a cesariana disseram que apenas se surpreenderam com o oito passageiro, afinal acompanhavam o pré-natal e tinham contado apenas sete anões…

são paulo faz aniversário, mas o assunto continua o mesmo

Você vai a São Paulo e não consegue deixar de perguntar. Você mora em São Paulo e não consegue não pensar nisso. Você nunca foi a São Paulo, mas já ouviu falar disso. Ora, qual é mesmo o assunto predileto dos paulistanos ou de quem se remete à cidade de São Paulo? O Trânsito, sim, ele mesmo e com letra maiúscula.

Hoje, no aniversário de 455 anos da cidade, o tema continua em pauta.

Se chove, dá trânsito. Se faz sol, o pessoal sai antes pro happy hour e aí formam-se as filas. Se é dia normal, a lentidão é de trocentos quilômetros, se é tempo de férias escolares, o assunto é a facilidade do fluxo. São Paulo não consegue deixar de pensar e viver o seu trânsito. A maior cidade do país tem a maior frota de veículos e sistemas de transporte coletivo que não dão conta dessa demanda toda. São pouco mais de 61 quilômetros de metrô, um terço da malha que serve a Cidade do México, por exemplo, ou um quarto da extensão das linhas em Tóquio.

Se não dá pra ir por baixo, vamos por cima, e aí pára tudo.

Para ajudar, emissoras de rádio locais usam helicópteros para observar os pontos mais críticos e alertar os ouvintes. Além disso, indicam melhores saídas, calhas de escoamento. Mas até aí, normal. O que vem me chamando ultimamente é uma outra iniciativa, recente, que ainda nem completou dois anos e já faz uma diferença! É a Rádio Sulamérica Trânsito, que opera no 92,1 FM, e é especializada no assunto.

A emissora é resultado da parceria do Grupo Bandeirantes de Jornalismo e da Sulamérica Seguros. Então, a emissora espalha repórteres pela cidade que se ocupam de ficar rodando e rodando e dando as informações em tempo real de como estão as principais vias. O público também participa, e manda torpedos para a rádio perguntando melhores rotas ou alertando sobre o aumento da lentidão em alguns entrocamentos. Com celulares em punho, os jornalistas da Rádio Sulamérica Trânsito caçam os lugares que gente normal quer evitar. De forma ágil, o serviço hoje é essencial pra muita gente.

A iniciativa me chamou a atenção pela sua originalidade, eficiência e inovação. A emissora aposta num produto caro ao público – como deslocar melhor pela selva de pedra paulistana; a Sulamérica Seguros marca um gol ao vincular sua marca com algo positivo, a prestação de um serviço muito útil (e não só aquela situação chata de sinistro em que a gente aciona o seguro…); a rádio lida muito bem com o público, incentiva a participação e foca a sua atuação para o diálogo, para a busca coletiva de soluções. E sabe de uma coisa? Quando o trânsito está baixo, fluindo mesmo, os locutores até suspendem o serviço momentaneamente e passam uma musiquinha. Na verdade, das 22 às 6 horas, rola música na rádio…

É ou não é a cara de São Paulo???

50 filmes sobre ética jornalística

Os títulos abaixo – num primeiro plano ou não – acabam tocando em temas delicados, em dilemas da ética jornalística.

Divirta-se!
15 Minutos (2001)
A fogueira das vaidades (1990)
A montanha dos sete abutres (1951)
A morte ao vivo (1980)
A primeira página (1974)
A princesa e o plebeu (1953)
A síndrome da China (1981)
A um passo do poder (1991)
Adoro problemas (1994)
Amor eletrônico (1957)
Assassinato por encomenda (1985)
Ausência de malícia (1981)
Bem-vindo a Sarajevo (1997)
Boa noite e boa sorte (2005)
Cidadão Kane (1941)
Crime verdadeiro (1998
Doces Poderes (1995)
Em defesa da verdade (1985)
Giro City – a verdade proibida (1982)
Herói por acidente (1992)
Íntimo e Pessoal (1995)
Leões e cordeiros (2007)
Mera coincidência (1997)
Noiva em fuga (1999)
Nos bastidores da notícia (1987)
O ano em que vivemos em perigo (1983)
O dossiê pelicano (1993)
O informante (1999)
O jornal (1994)
O poder da notícia (1998
O povo versus Larry Flint (1996)
O preço de uma verdade (2003)
O quarto poder (1997)
O repórter (1986)
O show da vida (1998
Os donos do poder (1986)
Páginas da revolução (1995)
Profissão: repórter (1975)
Quase famosos (2000)
Rede de intrigas (1976)
Reds (1981)
Salvador, o martírio de um povo (1981)
Sob fogo cerrado (1983)
Terra de ninguém (2001)
Terra em transe (1967)
Todos os homens do presidente (1976)
Um grito de liberdade (1987)
Um grito no escuro (1989)
Veronica Guerin: o custo da coragem (2003)
Vlado: 30 anos depois (2005)

50 livros sobre ética jornalística

A bibliografia que menciono abaixo, evidentemente, não é definitiva nem tampouco exaustiva. Como qualquer lista, é questionável e tem profundos aspectos pessoais. Mas de qualquer forma, são minhas indicações para leitura sobre o tema.

Divirta-se!

ABRAMO, C. A regra do jogo. São Paulo: Companhia das Letras, 1988
ABRAMO, P. Um trabalhador da notícia. SP: Ed. Fundação Perseu Abramo, 1997
ALMINO, João. O segredo e a informação. Ética e política no espaço público. SP: Brasiliense, 1986
ANDRÉ, Alberto. Ética e Códigos de Comunicação Social. Porto Alegre: Sagra, 1994
ARBEX JR., José. Showrnalismo – a notícia como espetáculo. São Paulo: Ed. Casa Amarela, 2001
BALZAC, H. de. Os jornalistas. RJ: Ediouro, 1999
BARROS FILHO, Clóvis de. Ética na comunicação. Ed. Moderna
BERTRAND, Claude-Jean. A deontologia das mídias. Bauru: Edusc, 1999
BERTRAND, Claude-Jean. O arsenal da democracia. Bauru: Edusc, 2002
BRAJNOVIC, Luka. Deontologia periodistica. 2ª edición ampliada y reestructurada. Pamplona: Ed. Universidad de Navarra, 1978
BUCCI, Eugênio. Sobre ética e imprensa. São Paulo: Cia das Letras, 2000
CHRISTIANS, Clifford G. et al. Media Ethics – cases and moral reasoning. 5ª ed. Longman, 1998
CHRISTOFOLETTI, Rogério. Ética no jornalismo. SP: Contexto, 2008
CHRISTOFOLETTI, Rogério. Monitores de Mídia – Como o jornalismo catarinense percebe seus deslizes éticos. Univali-UFSC: 2003
CONTI, Mario Sérgio. Notícias do Planalto – A imprensa e Fernando Collor. SP: Cia. das Letras, 1999
CORNU, D. Ética da informação. Bauru (SP): Edusc, 1998
COSTA, Caio Túlio. O relógio de Pascal. SP: Siciliano, 1991
DI FRANCO, C. A Jornalismo, ética e qualidade. Petrópolis: Vozes, 1996
DINES, A. O papel do jornal. Uma releitura. 5ª ed. ampliada e atualizada. SP: Summus, 1986
DORNELES, Carlos. Deus é inocente, a imprensa não. SP: Globo, 2002
DORNELES, Carlos. Bar Bodega. SP: Globo, 2008
DUPAS, Gilberto. Ética e poder na sociedade da informação. 2ª ed. Revista e ampliada. SP: Unesp, 2001
ERBOLATO, M. Deontologia da Comunicação Social. SP: Vozes, 1982
FEDERAÇÃO NACIONAL DOS JORNALISTAS. Formação Superior em Jornalismo. Florianópolis: Ed. UFSC, 2002
FRIEND, Cecilia and SINGER, Jane B. Online journalism ethics. London-New York: M.E.Sharpe, 2007
GOMES, Mayra Rodrigues. Ética e jornalismo – uma cartografia dos valores. São Paulo: Escrituras, 2002
GOODWIN, H. Eugene. Procura-se: ética no jornalismo. Rio de Janeiro: Nórdica, 1993
HERRÁN, M.T. & RESTREPO, J.D. Ética para periodistas. 2ª edición aumentada. Bogotá: TM Editores, 1995.
HULTENG, John L. Os desafios da comunicação: problemas éticos. Florianópolis: Editora da UFSC, 1990
KARAM, F. J. Jornalismo, ética e liberdade. SP: Summus editorial, 1997
KARAM, F. J. Ética Jornalística e Interesse Público. SP: Summus, 2004
KUCINSKI, B. Jornalismo na era virtual. SP: Ed. Fund. Perseu Abramo, 2004
KUCINSKI, B. A síndrome da antena parabólica. SP: Fund. Perseu Abramo, 1998
MALCOLM, Janet. O jornalista e o assassino – uma questão de ética. São Paulo: Cia das Letras, 1990
MARCÍLIO, M.L. & RAMOS, E.L. (orgs.) Ética na virada do milênio. 2ª ed. Rev. Amp. SP: Editora LTR, 1999
MARX, Karl. Liberdade de Imprensa. Porto Alegre: L&PM Editores, 1999
MEYER, P. A ética no jornalismo . Rio de Janeiro: Forense, 1989
NALINI, José Renato. Ética Geral e Profissional. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1997
NERY, Sebastião. Grandes pecados da imprensa. São Paulo: Geração Editorial, 2000
NOBRE, F. Imprensa e liberdade – os princípios constitucionais e a nova legislação. São Paulo: Summus
PAIVA, Raquel (org.) Ética, cidadania e imprensa. Rio de Janeiro: Mauad, 2002
PERUZZO, Cicília M.K. & KUNSCH, Margarida M.K. (orgs.) Transformações da comunicação: ética e técnicas. Vitória: Intercom/UFES/Prefeitura Municipal de Vitória, 1995
RAMONET, Ignácio. A tirania da comunicação. Petrópolis: Vozes, 2001. 2ª edição
SÁ, Adísia. O jornalista brasileiro. 2ª ed. Rev. e ampliada. Fortaleza: Ed. Fund. Demócrito Rocha, 1999
SCHMUHL, Robert. As responsabilidades do jornalismo. Rio de Janeiro: Nórdica, 1987
SERVA, Leão. Jornalismo e desinformação. São Paulo: Senac, 2000
SILVA, Juremir Machado da. A miséria do jornalismo – As (in) certezas da mídia. Petrópolis: Vozes, 2000
TOFFOLI, Luciene. Ética no Jornalismo. Petrópolis: Vozes, 2008
TRALLI, César. Olhar crônico. São Paulo: Globo, 2001
WAINER, Samuel. Minha razão de viver. Rio de Janeiro: Record, 1987

revista interin na rede…

Ver imagem em tamanho grande

Está disponível mais uma edição da revista Interin, da Universidade Tuiuti do Paraná.

Esta edição 6, de dezembro, tem os temas Corpo, Moda e Comunicação. Aqui.

franceses preocupados com a qualidade do jornalismo

Foi anunciada ontem – dia 20 de janeiro – uma declaração contendo 14 proposições voltadas a garantir a qualidade de informação para qualquer cidadão francês. O documento foi gerado em Paris, por meio de um conjunto de jornalistas e usuários do sistema da mídia – Assises Internationales du Journalisme.

O documento não ignora a crise econômica que afeta o setor, mas reforça a necessidade de fazer valer o direito do público a ter noticiário de qualidade. Os 14 pontos elencados são considerados prioritários neste esforço. São eles:

  • Inserir na Constituição o direito do público a uma informação honesta e de qualidade;
  • Promover a mediação;
  • Incluir na convenção coletiva nacional dos profissionais do jornalismo um código deontológico unificado;
  • Criar uma instância nacional confiável para atuar como observatório das mídias;
  • Dotar as redações jornalísticas de um estatuto jurídico que possa ampará-las e protegê-las;
  • Reforçar a figura do jornalista profissional;
  • Flexibilizar os direitos autorais dos jornalistas;
  • Incentivar a pesquisa para a evolução do jornalismo;
  • Garantir uma formação inicial mínima para a prática jornalística;
  • Buscar a formação em escolas reconhecidas;
  • Atentar para o cada vez mais numeroso e variado contingente de estudantes de jornalismo;
  • Assegurar que as escolas dêem acesso a estudantes com diversidade social e cultural;
  • Combater a precarização da profissão;
  • Lutar contra a informação de baixo custo, que geralmente resulta em má qualidade jornalística.

Listei acima de maneira muito rápida, mas se quiser conhecer a declaração na íntegra, acesse aqui.

Todos sabemos que documentos como este não modificam o panorama real da situação, já que a problemática da qualidade, do direito do público e da presença da mídia na vida social é muito complexa. Entretanto, essas manifestações servem ao menos como um recado: o de que parte da sociedade se interessa pelo tema da mídia, e se preocupa com o que fazem dela.

o futuro da música: um livro de graça!

Sergio Amadeu da Silveira e Irineu Franco Perpetuo lançam no próximo dia 22 no Campus Party “O futuro da música depois da morte do CD”, livro que organizaram e que dá uma geral na área que tem sofrido abalos sísmicos frequentemente com a chegada das novas tecnologias.

Ficou curioso? Baixe o livro então. É de graça!

http://www.futurodamusica.com.br

o legado de bush a obama…

Frank Maia, soberbo, sintetiza a troca de faixa em Washington...

http://xinelao.blogspot.com/2009/01/obama-de-entrada.html

livro sobre blogs: prontinho pra baixar

Agora, sim!!!

Aqui: http://www.sobreblogs.com.br

obama toma posse e eu com isso?

Tentei não tocar no assunto já que há muita gente altamente capacitada tratando de escrever, mas é que não consegui resistir. Estamos a três horas mais ou menos da posse de Barack Obama, e a euforia generalizada me impele a deixar registrado aqui que lua de mel é bom, mas não é pra sempre.

Eu explico.

É natural que após oito desastrados anos de governo WBush, a maioria dos norte-americanos e o resto do mundo atingido por uma política externa ruim dê graças a deus pelo seu fim. Se um poste fosse eleito para substitui-lo, muita gente estaria exultante hoje mesmo. O fato de ser um jovem senador negro, conciliador, de idéias progressistas é simbólico e expressivo.

Vi muita gente vibrar bastante com a vitória de Obama. Vi gente chorar e se emocionar. Vi gente dizer “finalmente, agora, temos um presidente negro”. Em silêncio e para não estragar a festa de ninguém, eu me perguntava: “temos, quem? Não sou norte-americano…”

Obama assume hoje o maior posto do planeta, cercado de símbolos, de lendas, de esperança quase infinita. A esperança é global, de que haja um mundo melhor e que o seu maior player jogue um jogo mais limpo. Obama assume com ares de semi-deus, como salvador do globo, que possa restituir a dignidade e o respeito que os norte-americanos perderam diante da comunidade internacional nos últimos anos, que possa retirar a todos da crise economica mundial, que traga prosperidade, felicidade, etc.

Mas Obama não é deus. Ele terá que negociar internamente as saídas para o seu país, que podem ser soluções não tão boas para nós, brasileiros, por exemplo. Se ele optar por isso, tenha claro que não é nada pessoal, amigo: são negócios, apenas. Afinal, ele é presidente dos EUA e não do Brasil. Obama terá que redefinir uma política externa que tenha na ponta de lança o diálogo, a interlocução, diametralmente oposto à postura arrogante e isolacionista adotada há quase uma década. Obama terá que compor, que se associar, que ouvir, que recuar. Isto é, o poder não estará no NÃO, mas no SIM, na aceitação, na coordenação de esforços, na composição.

Já vimos isso por aqui. Em 1985, uma esperança esmagadora tomou o país com a eleição de Tancredo Neves. Era o fim de quase 21 anos de ditadura. A lua-de-mel terminou antes de começar. Tancredo morreu e não chegou a assumir. José Sarney, que meses antes era do partido que sustentava a ditadura mas que virou-casaca rapidinho, tornou-se presidente e teve que negociar novas bases para o país.

Em 2003, Lula assumiu a presidência com uma aura muito semelhante à de Barack Obama. Os anos que se seguiram mostraram que ele precisou recuar em alguns pontos e avançar para a coalizão em outros tantos. Teve que compor, que pactuar, que fazer política.

Isto é, o Salvador da Pátria não existe. Nem no Brasil, nem nos EUA. O cenário é difícil, e Obama precisará de sabedoria, de paciência, de sorte, de perícia. Como o piloto que soube pousar suavemente um avião de carreira no rio Hudson semana passada…

PS – Antes que me xinguem, antes que agentes do FBI me tirem de circulação, aviso: não estou torcendo contra, afinal ainda moro neste planeta e a sanidade da maior economia global afeta a todos, incontornavelmente. Apenas quero ver a coisa com distanciamento, com olhar crítico e umas pitadas de ceticismo. Equilíbrio, gente. O mundo real é mais complicadinho…

house e thor: improváveis semelhanças

A quinta temporada de House recomeça amanhã, 19, nos Estados Unidos, com o 12º episódio: “Painless”. O site da Fox chega a fazer contagem regressiva para a retomada de uma das séries de maior sucesso lá e aqui. Sucesso de público e de crítica, dados os diversos prêmios e indicações que vem recebendo desde então.

Os casos estranhos que o médico rabugento soluciona chamam a atenção pelo humor e excentricidade do personagem vivido por Hugh Laurie. House não usa jaleco branco, manca de uma perna, detesta atender pacientes, duela com a administradora do Hospital-Escola em que trabalha, e distribui patadas nos médicos de sua equipe. É sincero de doer, arrogante, egocêntrico, sarcástico, egoísta e brilhante. Coleciona inimigos e admiradores.

Mas o que House tem a ver com Thor, o personagem dos quadrinhos?

159_2815-house

Aparentemente, House e Thor não têm nada a ver. Mas olhando bem, dá pra notar algumas semelhanças:

bio-thor

  • Quando deixou Asgard, o filho de Odin veio para a Terra sob a pele de um médico;
  • Este médico era Donald Blake, um médico brilhante, mas… manco;
  • Blake e House usam bengalas e são loiros, arruivados;
  • A arrogância era um traço da personalidade de Thor, e seu pai o enviou à Terra para ser mais humilde, daí transformá-lo num ser humano imperfeito…
  • House também não se dá muito bem com seu pai, conforme se vê na série de TV;
  • House se acha um deus; Thor é. O deus do trovão!
  • Apesar dos (muitos) defeitos, House também é um herói, combate as doenças e busca a sanidade de seus pacientes;
  • House e Thor, por seus temperamentos ou destinos, não são casados;
  • De uns tempos pra cá, Thor também deixou de fazer a barba;
  • Thor também vai para as telas. O longa metragem do deus do trovão é uma produção da Marvel e tem estréia prevista para julho de 2010;
  • Keneth Branagh está escalado para dirigir o filme; Branagh é britânico, como Hugh Laurie, que interpreta House;
  • Especula-se sobre quem estaria no filme: de Brad Pitt a Daniel Craig. Nada confirmado. Como este post descompromissado de domingo…

ninguém entende mais nada

O Rock in Rio acontece em Lisboa…

O rally Paris-Dackar acontece na América Latina…

O campeonato carioca não tem apenas times cariocas…

sobre o futuro da apple

Não, eu não sei o futuro da Apple.

Entretanto, hoje, dei a minha contribuição para que Steve Jobs tenha uma boa aposentadoria…

notas e números sobre a pesquisa em jornalismo

A pesquisa em Jornalismo no Brasil caminha a largos passos, e isso se deve ao esforço conjunto de alguns influentes cientistas nacionais, à definição de um foco claro para o dispêndio da energia produzida e a um bom momento da ciência nacional, entre outros fatores.

A última década tem sido pródiga no aumento da produção de artigos e livros sobre a área e na formação de capacitados recursos humanos para a pesquisa, notadamente mestres e doutores. O trabalho da SBPJor, neste sentido, tem sido capital, aliado a uma estratégia de conjugação de esforços com outras entidades, como a Intercom, o FNPJ, a Fenaj, a Compós, etc… Com isso, os pesquisadores do jornalismo vêm ganhando prestígio e respeito pelos seus pares, e vêm conseguindo – em alguma proporção – financiamento para seus projetos.

Alguns dados ajudam a moldar o perfil da área nos últimos anos: o Brasil tende a puxar a pesquisa em Jornalismo na América Latina, apesar da língua. E, no Brasil, o Rio Grande do Sul já chama a atenção pela articulação e coordenação de seus pesquisadores, pela presença em eventos e pela produção qualificada.

A diretora científica da SBPJor, Marcia Benetti Machado, e o coordenador do Grupo de Trabalho de Jornalismo na Alaic, Eduardo Meditsch, distrincharam a produção científica nacional na área numa mesa redonda durante o 6º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, em São Bernardo do Campo, em novembro passado. Sim, já faz dois meses que esses dados foram publicizados, mas não houve mudanças significativas.

  • O Brasil tem 33 programas de pós-graduação em Comunicação;
  • Apenas o Brasil tem doutorado na área! O que significa dizer que os pesquisadores latinos geralmente buscam se doutorar em outros países;
  • Dois terços dos países da América Latina nunca apresentou trabalhos no GT de Jornalismo da Alaic nos últimos dez anos;
  • O GT de Jornalismo é forte na Alaic: ele reuniu 194 dos 203 trabalhos no período;
  • O Brasil é forte no GT: respondeu por 59% dos trabalhos na década assinalada. Argentina ficou em segundo – com 20% -, seguida do Chile;
  • Nelson Traquina e Mauro Wolf são os autores mais citados nos trabalhos do GT da Alaic. Na seqüência, vêm Miguel Alsina, Eliseo Verón, Teun Van Djik. Entre os brasileiros, Nilson Lage é o mais mencionado;
  • 64 autores foram citados ao menos duas vezes de 1998 a 2008 nos trabalhos do GT de Alaic, sem considerar autoc-citação.  Os brasileiros são os mais citados  (em 32% dos casos), seguidos de autores franceses e norte-americanos;
  • Em termos de categorias, Meditsch identificou que o GT de Jornalismo da Alaic agregou 28% de seus trabalhos em “Enquadramentos, Temáticas e Coberturas” e 17% de “Linguagens, Narrativas, Formas e Formatos”, as categorias mais produtivas;
  • Nos trabalhos apresentados nos eventos da SBPJor de 2006 a 2008, os microcampos “Jornalismo e Linguagem” e “Jornalismo Online” somam praticamente 50%. Microcampos identificam mais do que temáticas, mas também áreas de atuação;
  • A diretora científica da SBPJor identificou ao menos nove microcampos entre os trabalhos apresentados no período;
  • A SBPJor surgiu há apenas seis anos, e já promoveu seis encontros nacionais e dois internacionais. Conta com mais de 370 associados, a maioria doutores.

Evidentemente, os dados acima auxiliam na definição de um perfil da produção nacional, mas também projetam a força da investigação científica em jornalismo do Brasil sobre o continente. Nada além do que se poderia esperar, dadas a trajetória histórica da área no país e as atuais condições de emergência do campo. Crescer é bom, mas é preciso manter a saúde, o vigor, o equilíbrio.

(A propósito: o UOL abriu inscrições para o seu programa de bolsas. Entre as áreas de interesse, estão Jornalismo, blogs e redes sociais, que podem muito bem ser desenvolvidas por pesquisadores da área. Estão previstas bolsas para graduandos, mestrandos e doutorandos, além das bolsas aos seus orientadores. Entre 2006 e 2007, conduzi uma pesquisa pelo mesmo programa na modalidade iniciação científica. A experiência foi muito boa porque a equipe do Bolsa UOL é muito competente, profissional e respeitosa com os pesquisadores. A iniciativa de uma empresa de tecnologia como esta precisa ser louvada num país onde a ciência quase nunca tem apoio da iniciativa privada. As inscrições para projetos vão até 15 de fevereiro)

as últimas do pedro dória

Pedro Dória não pára quieto. O primeiro repórter-blogueiro do Brasil e responsável por projetos como o NoMínimo acaba de lançar As últimas, um agregador de blogs, sites e outras traquitanas online em português e voltado para quem quer se informar sobre o Brasil.

Correspondente internacional, ele se ressentia das dificuldades de acompanhar a vida aqui pela rede. Sempre deu muito trabalho e dependeu de disciplina, ele conta. Com isso, decidiu facilitar a vida e criar um agregador do tipo AllTop, como ele mesmo declara a inspiração.

Inicialmente, Dória disponibilizou três páginas: Política Brasileira, Política Internacional e Futebol. Vêm aí Mídia e Humor, e quem sabe algo mais.

Embora As últimas junte blogs verdadeiros com blogs que não são bem lá isso (mas colunas apenas vertidas ao online), a iniciativa é muito, muito bem vinda.

cnpq divulga calendário de bolsas e auxílios

(Com informações da Assessoria de Comunicação do CNPq)

O CNPq/MCT divulga o calendário para 2009 de ações de fomento à pesquisa e de apoio à formação de recursos humanos. O objetivo é manter a comunidade científica e tecnológica informada sobre os principais editais e chamadas públicas para a concessão de bolsas no país e no exterior. São 13 modalidades de bolsas e duas de auxílios com datas de inscrição e períodos de julgamentos distribuídos ao longo do ano

As bolsas de Doutorado Pleno no Exterior (GDE) têm inscrições até 5 de março. Já as bolsas de Pós-doutorado Júnior, Empresarial, Sênior, Pós-doutorado no Exterior, Sanduíche no País e no Exterior, Estágio Sênior e Pesquisador Visitante têm três períodos para inscrição. O primeiro se encerra também em 5 de março, o segundo em 28 de maio e o último em 30 de setembro. O Edital Universal estará aberto a partir de primeiro de junho e receberá inscrições até 31 de Julho de 2009.

As bolsas de Produtividade em Pesquisa (PQ) abrem o período de inscrição em 14 de abril com encerramento em 18 de agosto. Os bolsistas de PQ, com bolsas vigentes até fevereiro de 2010, deverão participar do processo caso queiram sua continuidade.

Os estudantes interessados em obter apoio para a realização de Mestrado (GM) ou Doutorado (GD) devem se dirigir às coordenações dos programas de pós-graduação para as quais o CNPq distribui as quotas de bolsas. Além disso, com recursos do FNDCT, o CNPq tem lançado todo ano um edital para concessão de bolsas de Mestrado e Doutorado em áreas de indução. O Edital 70/2008 está dividido em duas fases, uma delas com início em 31 de março de 2009, que concederá bolsas a partir de agosto do ano corrente. As inscrições vão até 15 de maio.

Já para as bolsas de Desenvolvimento Científico Regional (DCR), as datas de inscrição são estipuladas pelas fundações estaduais de amparo à pesquisa com quem o CNPq mantém convênios.

Os auxílios para a participação em Eventos Científicos no exterior (AVG) e o Auxílio para receber um Pesquisador Visitante (APV) devem ser solicitados com 90 dias de antecedência em relação à data prevista para a viagem ou a chegada do pesquisador.

Ainda em 2009 serão lançados diversos editais como o de Ciências Humanas e Sociais, o Programa Editorial e Olimpíadas de Ciências, além de diversos editais temáticos nas áreas de petróleo e gás, informática, energia, recursos hídricos, saúde, biotecnologia, nanotecnologia, entre outras.

Veja o calendário aqui.

livro disseca o fenômeno dos blogs no brasil

capalivroblogsOs blogs já existem há mais de dez anos e têm se espalhado com rapidez e força que impressionam. Já existem no mercado brasileiro alguns títulos que tratam do assunto. Blog, de Hugh Hewitt, e Blog: Comunicação e Escrita Íntima na Internet, de Denise Schittine, são dois deles que merecem atenção.

Mas na próxima semana chega à web um volume que atualiza a bibliografia e oferece muita informação sobre o tema: Blog.com: Estudos sobre Blogs e Comunicação. Coerente com o seu objeto, o livro organizado por Adriana Amaral, Raquel Recuero e Sandra Montardo não desembarca nas estantes e livrarias, mas segue direto para um site, para um espaço virtual onde poderá ser lido, baixado, compartilhado. Naturalmente, esta escolha não se deve apenas ao reforço da coerência, mas também às dificuldades de viabilização do projeto numa editora convencional, de suporte papel. A Momento Editorial responde pela edição em PDF que tem doze capítulos, mais prefácio e posfácio, distribuídos em 293 páginas.

O livro será lançado oficialmente no próximo dia 22 de janeiro, em meio ao Campus Party, e até o início da semana já estará à disposição no site: http://www.sobreblogs.com.br

A disponibilidade do livro gratuito na web amplia o seu acesso e faz ventilar com mais força as idéias ali contidas. Num mercado editorial como o nosso, carente de títulos inovadores e em língua nativa, isso é pra lá de muito bem vindo.

Para quem não sabe, as organizadoras não apenas estudiosas dos blogs, mas blogueiras contumazes, daí a sua familiaridade com a coisa e a facilidade com a qual conseguiram reunir relatos e textos de diversas partes. O prefácio é assinado por André Lemos, o principal pesquisador em cibercultura no país, e o posfácio é de Henrique Antoun, também um nome de peso na área. O sumário você confere abaixo:

SEÇÃO I – BLOGS: DEFINIÇÕES, TIPOLOGIAS E METODOLOGIAS

Blogs: mapeando um objeto – Adriana Amaral, Raquel Recuero e Sandra Portella Montardo

Ciberespaço e a escrita de si na contemporaneidade: repete o velho, o novo blog? – Rosa Meire Carvalho de Oliveira

Teoria e método na análise de um blog: o caso Mothern – Adriana Braga

A vitória de Pirro dos blogs: ubiqüidade e dispersão conceitual na web – Marcelo Träsel

Práticas de blogging na blogosfera em língua alemã: resultados da pesquisa “Wie ich blogge?!” – Jan Schmidt

SEÇÃO II – USOS E APROPRIAÇÕES DE BLOGS

O movimento Cansei na blogosfera: o debate nos blogs de política – Cláudio Penteado, Marcelo dos Santos e Rafael Araújo

Contribuição dos blogs e avanços tecnológicos na melhoria da educação – Helaine Abreu Rosa e Octávio Islas

Pedagogia dos blogs: posts sobre o uso da ferramenta no ensino de jornalismo – Rogério Christofoletti

Blogosfera X Campo Jornalístico: aproximação e conseqüências – Leonardo Foletto

Blogs como nova categoria de webjornalismo – Juliana Escobar

Os blogs na web 2.0: publicação e organização coletiva de informação – Maria Clara Aquino

Moblogs e microblogs: jornalismo e mobilidade – Fernando Firmino da Silva

Imperdível.

agendas, relógios e a nossa tentativa de reter o tempo

Eu avisei que ia deixar o blog de lado por uns dias.

Desta vez, não foi a falta de tempo não.  Aliás, como a gente reclama disso, né? A falta de tempo é desculpa para não fazer coisas, de fazer pela metade, e ainda de fazer muitas outras. A experiência mostra que se você quer que algo seja executado numa equipe deve encarregar alguém muito ocupado, pois quem tem muitas tarefas se organiza melhor para dar contas delas…

Sou um cara muito ocupado. Aliás, estou cercado de gente que também tem muito a fazer e faz muito. Também uso a falta de tempo para me justificar de algumas faltas e para me vitimizar também, coisa de humanos…

Tentando driblar o tempo, adotei duas práticas cotidianas na vã esperança de fazer as pazes com o tempo:

1. Em dezembro de 2000, fazendo planos para o ano que iria começar, decretei não mais usar relógio de pulso. O raciocínio era cristalino: sem relógio, não fico estressado, não fico apressado e ligo melhor com a rotina. Resultado: passei a bronzear o braço esquerdo por inteiro.

2. Em janeiro de 2005, passei a usar uma agenda de compromissos muito pequena, do tamanho de um maço de cigarros. O raciocínio era cristalino: com uma agendinha daquele tamaninho, poucos compromissos anotados já tomariam o meu dia, estratégia que me impediria de assumir mais coisas do que poderia. Resultado: passei a carregar menos peso na mochila.

É claro que hoje eu rio dessas estratégias inovadoras e inteligentes. Na época, levei bem a sério. Mas está aí outra coisa que eu me programei para fazer neste novo ano: me levar menos a sério. A propósito: hoje, comprei um relógio de pulso lindão.

blogs, jornalismo e as férias

Sim, estou de férias. Por isso, os posts são preguiçosos e esparsos, quase telegráficos e bissextos…

(*) Quem confia nos blogs? Paul Bradshaw duvida da questão.

(*) Por que as pessoas lêem blogs ao invés de sites de notícias? André de Abreu responde.

(*) Blogs são um novo gênero jornalístico? Frédéric Filloux pensa (alto) sobre isso.

(*) Qual o futuro do jornalismo online? No Nieman Report, você encontra muitos artigos que tentam responder à questão.

(*) Nós, de Marcelo Camelo, não é lá essas coisas. Tem faixas bem bonitas, mas o conjunto é inconstante. Dá saudades de Los Hermanos.

(*) Blindness é lindo. Fernando Meirelles acerta a mão e nos incomoda com a parábola que Saramago urdiu em suas páginas.

(*) A troca é angustiante e bem realizado. Clint Eastwood é um ótimo diretor e um sensível compositor de trilhas. Deu um papel marcante para Angelina Jolie, e mostrou – mais uma vez – que o mal existe, está entre nós e nem sempre o enxergamos com a nitidez necessária.

obama é a maior notícia do século

Deu no Comunique-se, e eu reproduzo.

Pesquisa realizada pela Global Language Monitor revela que o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, é o maior destaque da imprensa neste século. Os resultados divulgados nesta segunda-feira apontam que a cobertura da candidatura de Obama rendeu duas vezes mais textos que qualquer outro evento desde a virada do século.

“Obama não tem precedentes. Ele cativou o mundo”, disse o presidente da entidade responsável pelo estudo, Paul Payack.

Obama foi tema de cerca de 250 milhões de notícias, batendo assuntos como a guerra do Iraque, a morte do Papa João Paulo II, o ataque ao World Trade Center e o furacão Katrina.

“A magnitude nos surpreendeu. Ele teve 750.000 citações antes de ser escolhido como candidato do partido”, disse Payack.

meme dos livros

Adriamaral me mandou esse meme. Peguei, fiz e repasso pro Dauro, pro Mauricio, pro Frank … e já tá bão

1. Livro/autor(a) que marcou sua infância:

  • Todos os da Coleção Vagalume
  • Os doze trabalhos de Hércules – na visão de Monteiro Lobato e com o pessoal do Sítio do Pica-Pau Amarelo
  • O menino do dedo verde – Maurice Druon
  • Histórias das mitologias grega e romana

2. Livro/autor(a) que marcou sua adolescência:

  • V for Vendetta – Alan Moore
  • Watchmen – Alan Moore
  • Batman Ano Um – David Mazzuchelli e Frank Miller
  • Asilo Arkham – Grant Morrison e Dave McKean
  • Cavaleiro das Trevas – Frank Miller
  • Claro Enigma e A Rosa do Povo – Carlos Drummond de Andrade
  • Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis
  • Cem Anos de Solidão – Gabriel Garcia Marquez
  • Assim Falava Zaratustra – Friedrich Nietzsche

3. Autor(a) que mais admira:
Shakespeare, Nietzsche, Borges, Fernando Pessoa, Beckett, Foucault, Clarice Lispector, Nelson Rodrigues, Vinicius de Morais, Cecília Meireles, João Guimarães Rosa, são tantos…

4. Autor(a) contemporâneo:
Contemporâneo é gente viva? Se é, lá vai:

  • Gabriel Garcia Márquez
  • António Lobo Antunes
  • José Saramago
  • Luiz Alfredo García-Roza
  • Bernardo Carvalho
  • Milton Hatoum
  • Carlos Heitor Cony
  • Rubem Fonseca
  • Raduan Nassar

Acho que estou esquecendo alguém…

5. Leu e não gostou

  • Iracena – José de Alencar
  • Feliz ano velho – Marcelo Rubens Paiva
  • Discurso Filosófico da Modernidade – Jurgen Habermas
  • Vida de Gato – Clarah Averbuck
  • Qualquer texto de Marta Medeiros

Tem mais, mas geralmente quando não gosto, abandono a leitura. Ela é prazer, não tormento…

6. Lê e relê:

Eu nunca releio. Há tanta coisa pra ser lida que sinto estar perdendo tempo…

7. Manias:

  • Ficar horas olhando as prateleiras de livrarias como se as estivesse escaneando
  • Sublinhar frases, anotar as que eu gostaria de ter escrito
  • Quando o livro é novinho em folha, cheirá-lo na capa e no miolo
  • Evitar emprestar livro. Na verdade, o empréstimo pode virar seqüestro, e sem a garantia de que o raptado volte…

2009 já é!

Retomo a vida online após a pausa das festas.
Porque é um novo ano e porque desejo que seja um ano realmente novo, ofereço uma música, um vídeo, uma boa vibração:

El Mareo, com os ótimos do Bajofondo e Gustavo Cerati.

2008: uma retrospectiva muito pessoal

Este foi um ano difícil, desses em que as conquistas adquirem um valor maior por conta das adversidades, do suor necessário. Este foi um ano penoso e de aprendizado. Este foi um ano de presentes e de perdas, de sorte e da lucidez de enxergar no azar a certeza de continuar.

Por isso e porque 2008 está no seu final, faço uma curtíssima retrospectiva do que vi e vivi. Aliás, este foi um ano em que no seu término a gente pode dizer que sobreviveu a ele

mmj023470000001Janeiro: começamos bem, inaugurando uma nova casa, a primeira mesmo nossa. Aos poucos, naquelas semanas, o sobradinho verde claro foi tomando jeito e se transformando no melhor lugar do mundo. Os afazares domésticos tiveram um sabor doce…

Fevereiro: retomei o trabalho na universidade com duas disciplinas na graduação, os trabalhos no Monitor de Mídia e a produção de uma porção de projetos para financiamento de pesquisa. O Carnaval foi tão manso que eu nem me lembro dele…

Março: terminei de organizar um livro e passei alguns dias em Curitiba para fazer as entrevistas de uma pesquisa em que fui consultor. Acompanhei as defesas de minhas primeiras mestrandas, motivo de orgulho. O mês foi de muito trabalho e resultados quase imperceptíveis. Era mesmo um tempo de arar a terra e semear…

Abril: fui a Dourados para um reconhecimento de curso de graduação. Noutra semana, fui a São Miguel D’Oeste para a mesma função. Perdi horas nos deslocamentos: a família e a vida pessoal ficaram em terceiro plano. Amarguei com isso…

Maio: mais uma viagem para reconhecimento de curso. Desta vez, São Paulo. Tive uma excelente notícia: aprovaram a publicação de mais um livro meu, e agora numa editora nacional. Comecei a me empolgar com o trabalho, deixando para trás qualquer outro interesse de vida. Não vi o sinal ficando amarelo. Completei seis anos juntos com a minha Ana e vi meu irmão Rodrigo casar de papel passado…

Junho: fiz 36 enquanto meu filhote completou quatro anos. Sediamos no Mestrado em Educação da Univali a 7ª edição da Anpedsul, o maior evento da região na área, um feito inédito para o programa e para a instituição. Concluí duas pesquisas de iniciação científica. Já estava mortinho de cansaço, mas o ano só chegava à metade…

Julho: no chamado mês de recesso escolar, não parei. Preparei aulas para três disciplinas diferentes e um mini-curso, participei de bancas de trabalho de conclusão de curso e de reuniões de planejamento pedagógico. Procurei, mas não encontrei tempo para a vida pessoal, os afetos, etc…

Agosto: iniciei duas disciplinas na graduação e outra no mestrado. Ao todo, mais de cem alunos. Lancei mais um livro, outra coletânea – “Observatórios de Mídia: Olhares da Cidadania” (Ed. Paulus) – co-organizado com Luiz Gonzaga Motta. O semestre mal começava e meu corpo já se queixava: dores na coluna, inflamação no nervo ciático, encurtamento de tendão, e algumas crises de rinite…

Setembro: passei uma semana em Belém para um mini-curso sobre mídia e direitos humanos. Uma semana na capital das mangueiras significou atraso nas atividades corriqueiras e exaustão na tentativa de reter o avanço do tempo. Eu nem via meu filho crescer e minha mulher ficar mais e mais bonita…

Outubro: dezenas de reuniões com orientandas do mestrado e da graduação; fechamento de projeto de especialização em Mídias Digitais; três eventos científicos, dois presenciais; burocracias diversas no mestrado e apenas um lance na vida pessoal: troquei de carro. Aonde eu iria com ele mesmo?…

Novembro: lancei mais um livro nesses dias, “Ética no Jornalismo” (Ed. Contexto), e revi amigos no 6º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, em São Bernardo do Campo. Este também foi o mês em que vi as águas tomarem as ruas, as casas, as cidades. Os dias em que a enxurrada e as chuvas afogaram sonhos, levaram vidas e nos fizeram acreditar no impossível. Aprendi com a amizade, com a solidariedade, com o amor fraternal…

Dezembro: qualifiquei duas orientandas do mestrado, concluí as três disciplinas que lecionava e ainda uma pesquisa financiada pela Fapesc. Contabilizei os ganhos e as perdas e vi que era um tempo bom, apesar de tudo. O mês para terminar o ano foi o mês do recomeço, da reconstrução e das tentativas de reinvenção pessoal. Reiventar-se foi escolher para si um tempo novo, e outras prioridades pois as essências quase nunca são evidentes. Foram também dias de fechamento de ciclos, de projeção de novos dias e de se permitir um (merecido) descanso. Não terei muitas saudades de 2008, mas não poderei esquecê-lo, é verdade.

natal

Apesar dos pesares, e eles não são poucos – basta olhar pela janela-, apesar dos pesares, ainda temos o que celebrar.

Por isso, neste Natal e mesmo no ano que se insinua, celebremos a vida, comemoremos  o fato de estarmos aqui e em muitos lugares.

Paz e saúde!

um mês depois, ficam algumas perguntas

As enchentes que arrasaram dezenas de cidades no Vale do Itajaí completaram um mês. Os números impressionam, as imagens chocam, as histórias pessoais comovem. Mais de um milhão e meio de pessoas foram afetadas, quase 80 mil deixaram suas casas, outras 133 deixaram de existir… Prejuízos na casa de bilhão de reais, mais de mil e quinhentos animais mortos recolhidos, milhares de casas arrasadas, e diversas geografias totalmente transformadas.

Passados trinta dias da tragédia, algumas questões ainda martelam:

  • Poderíamos ter evitado?
  • Falharam os governos, errou quem se dispôs a morar em áreas de risco ou tanto faz diante de tanta água?
  • A partir do que vivemos, levaremos mais a sério afinal isso que chamamos de Defesa Civil?
  • Aliás, que papel deve assumir os órgãos municipais de Defesa Civil dentro do arranjo das comunidades locais?
  • Como podemos nos organizar de forma a construir um plano B para enfrentar melhor situações como esta?
  • É possível que sejamos mais articulados e possamos agir de forma mais coordenada em momentos tão atordoantes e imprevisíveis?
  • O que fica de essencial após as águas baixarem?
  • Vamos nos preparar mesmo para enfrentar novas hecatombes como essa?
  • Quando vai nos abandonar o medo toda vez que começa a chover mais forte?

o filho eterno

Acabo de ler o romance brasileiro mais premiado do ano, “O filho eterno”, de Cristovão Tezza. Para se ter uma idéia, o livro levou o Jabuti, o Portugal Telecom, o APCA e mais outros prêmios neste ano. Para além dessas credenciais, o livro crava – se alguém tinha alguma dúvida, ela foi dissipada -, crava o nome do seu autor entre os mais importantes na literatura contemporânea.

Em seu lançamento anterior, “O fotógrafo”, Tezza já havia amealhado prêmios importantes, mas com “O filho eterno”, o catarinense radicado em Curitiba lavou a égua. Despontou já um pouco depois da metade do ano como o lançamento de 2008, causando impacto entre críticos e leitores.

Muitos motivos devem ter levado a isso. A qualidade da escrita de Tezza, a pungente história que conta naquelas páginas, a zona porosa que sedimenta entre literatura e realidade… Os críticos, os entendidos podem explicar melhor, eu nem ousaria. Mas eu queria só dividir algumas impressões e sensações que tive ao ler esse belíssimo livro.

o-filho-eternoUma resenhinha de duas linhas diria que “O filho eterno” conta como um escritor reage e reconstrói sua própria vida ao saber que seu tão esperado primeiro filho nasce com Síndrome de Down. Sem pieguice, sem superficialidade e contra qualquer hipocrisia, Tezza constrói um romance-espelho que incomoda pela sinceridade do mal-estar causado, pela vergonha honestamente exposta. Narrado em terceira pessoa, a história esmiuça os sentimentos do jovem escritor que se vê diante de uma espécie de trapaça do destino, um acidente genético que lhe impõe um filho diferente de suas projeções.

Deixa explicar um detalhe: o próprio Tezza tem um filho com trissomia no cromossomo 21, isto é, a anomalia genética dos antigamente chamados “mongolóides”. Esse detalhe do autor contagia inevitavelmente nossa leitura, provocando a pantanosa zona que mescla testemunho e literatura, memória e invenção, relato e construção. E é entre a nossa dúvida e a página seguinte que se avança conhecendo os sentimentos do pai diante do filho cujo mundo tem um diâmetro de dez metros, não mais que isso. O filho preso no próprio mundo, a corrida de cavalos a que o pai se induz para estimular o desenvolvimento do menino, a confusão de sentimentos que demole e reergue o pai todos os dias. “O filho eterno”, na minha leitura, me conta muito mais do pai do que do filho.

Um filho dependente de quase tudo, sem autonomia, ignorante das abstrações mais básicas como as noções de presente, passado e futuro. Um pai espremido entre o desejo de normalidade, a sobrevivência difícil de quem escolhe as letras para fazer os seus passos e a tentativa de compreender a vida e de como ela nos faz ser o que somos.

Por quase duzentas páginas, eu me perguntei se aquele pai amava seu filho. Ficava revirando as linhas na tentativa de algum sentimento que não fosse a compaixão, o remorso, a irritação… mas talvez o ato de escrever seja – mais do que o de ler – uma maneira de entender o que se passa em nossa cabeça, em nosso coração. E talvez, então, Tezza ou o escritor do livro – não importa! – se disponham a escrever para tentar exorcizar as sombras de algum ressentimento e vislumbrar os contornos mais nítidos do que ficou diante daquela experiência. Se foi assim, a viagem é melhor que a chegada ao destino, como sempre.

A afetividade como compreensão do mundo e das coisas, a literatura como a revelação das essências que ajudam a nos constituir, a literatura como resultado do borramento entre a ficção e a realidade… se assim é, assim me ficou. A autoria é uma paternidade. A escritura é uma forma de romper o ciclo de vida e morte. A literatura é uma maneira de eternizar as coisas e as gentes. Ao escrever sobre o filho daquele escritor, Tezza imortaliza aquela filiação, mas eterniza também o pai que é um substrato de sua relação com o menino. O pai aprende a ser pai com o filho. O menino é o pai do homem. Nessa deliberada confusão entre paternidade e literatura, entre o dever de ser pai e o ofício de ser escritor, Cristovão Tezza oferece uma nova dimensão dos retratos paternos que temos na literatura. Kafka pintou o velho Hermann como um déspota maldito em “Cartas ao Pai”; Paul Auster assumiu escrever para não esquecer em “A invenção da solidão”; Carlos Heitor Cony romantiza, idealiza e mitifica um pai a ser idolatrado em “Quase memória”… Cristovão Tezza exibe a fragilidade, a incerteza, a solidão e o aprendizado que é ser pai.

uso da web pelos jornais americanos

O Bivings Group soltou hoje um relatório de 29 páginas sobre o uso da internet pelos jornais norte-americanos.

Não, ainda não li. Mas se você quiser se servir, fique à vontade.

Sabe como é, nesses dias de dezembro, por conta das comprinhas de Natal, das visitas e da proximidade das férias, a gente desacelera mesmo…

sapatada: jornalista não pode!

Eu sei que a cena ajuda a fechar com chave de ouro oito anos de um governo desastrado e desastroso. Eu sei que foi por pouco que Bush não leva uma (com um pouco mais de mira, duas) sapatadas. Sei também que o ato protagonizado pelo jornalista Muntazer al Zaidi foi comemorado por meio mundo porque ilustra com grandiloqüência a desaprovação à administração Bush.

Mas não foi certo.

Não quero polemizar à toa, mas não foi certo.

Jornalista nenhum poderia ter feito aquilo. Por questões óbvias profissionais. Al Zaidi não estava lá para atentar contra Bush, para contradizê-lo, para protestar contra a ofensiva ao seu país. Credenciou-se para a ocasião de participar de uma entrevista coletiva e deveria, isso sim, ter brigado para questionar o presidente norte-americano, para colocá-lo na parede com perguntas indigestas e até mesmo constrangedoras. Al Zaidi não estava lá como um cidadão iraquiano ou de qualquer nacionalidade. Estava numa espécie de pessoa jurídica, na condição de jornalista, de representante de um determinado veículo de comunicação, e como tal, deveria atuar dentro das quatro linhas desse jogo.

Sei que a quase-sapatada gerou um estado de euforia em muita gente. Claro que ele em si já é uma piada, e ocasionou até jogos online, onde as pessoas se desestressam acertando o presidente. Al Zaidi traz à tona uma vontade nem tão secreta de milhões, quem sabe, bilhões de pessoas de punir um governante tão despreparado, inábil e irresponsável. Mas o papel dos jornalistas está em fiscalizar os poderes, denunciar abusos, investigar, perfilar personagens, contar histórias. Ao perder a paciência ou o controle, Al Zaidi deixou seu posto de jornalista, pulou o balcão e juntou-se aos cidadãos anônimos que não têm as obrigações e deveres que o jornalismo nos impõe. Não é um lugar ruim, mas o ethos é outro.

Al Zaidi deixou de contar a história para tornar-se personagem dela. Do ponto de vista da catarse coletiva de ferrar Bush, valeu. Do ponto de vista da ética profissional dos jornalistas, não vale. Com isso, foi preso, espancado e deve responder por processo que deve lhe render prisão. As entidades que lutam pelo direito de expressão fazem protestos contra as agressões por ele sofridas, o que é natural e esperado.

Fico pensando se ele tivesse acertado o alvo. De uma certa forma, acertou: deu ao mundo a última cena de um governo ruim para os Estados Unidos, para o mundo e para a nossa história.

sete links imperdíveis sobre jornalismo, blogs, redes sociais

  • Alex Primo posta um conjunto de textos em que compartilha sua longa pesquisa sobre os gêneros na blogosfera brasileira. Já estão disponíveis os três primeiros, com metodologia clara, farta apresentação de dados e apresentações esteticamente perfeitas. Como sempre. Por aqui, por favor.
  • Em dois vídeos muito pessoais, Fernando Firmino explica aspectos de base para se pensar o jornalismo móvel. Detalhe: ele é o mais proeminente pesquisador brasileiro sobre essa temática e acaba de ser premiado pela Intercom por sua tese doutoral em andamento. Veja aqui.
  • O Observatório da Imprensa traz entrevista com James Görgen, coordenador do projeto Os Donos da Mídia, e ele escancara o verbo. Leitura inflamável.
  • Se você, como eu, não pôde estar no Porto esses dias para participar do 1º Congresso Internacional de Ciberjornalismo, não se preocupe. Tem bastante material no Twitter e em blogs espalhados por aí. Destaco a visão particular de Alex Gamela.
  • O Observatório da Imprensa vem com outra entrevista que é nitroglicerina pura: com o procurador da República Celso Três, que assina a ação civil pública que questiona a compra do jornal A Notícia pelo Grupo RBS. Confira aqui.
  • Blogs podem ajudar no desempenho escolar, aponta pesquisa reportada pelo Jornal da Unicamp.
  • Ótimo material compilado pela Fundación Nuevo Periodismo Iberoamericano sobre discussões acerca da ética no jornalismo online. Os debates se deram no Seminário O Futuro do Jornalismo na Internet, promovido pela entidade fundada por Gabriel García Márquez. Imperdível.

julgamento do diploma fica pra 2009

A informação é da Fenaj:

O Supremo Tribunal Federal (STF) não incluiu na pauta das suas últimas sessões de julgamento, antes do recesso, o recurso extraordinário contra a exigência da formação específica para o exercício da profissão de jornalista. As sessões acontecem nestas quarta e quinta-feiras, dias 17 e 18, e na sexta, 19, está prevista a realização de uma sessão extraordinária, que vai encerrar o ano judiciário. Mas como há possibilidade da pauta ser alterada, a FENAJ mantém plantão em Brasília acompanhando as decisões da presidência do Supremo.
Leia a notícia aqui.