diploma de jornalismo: agora vai?

Sim, sim, senhoras e senhores. Conforme havíamos previsto, a novela não chegou ao seu último capítulo ontem. A sessão foi curta para tão palpitantes assuntos. O Supremo Tribunal Federal deve avaliar a obrigatoriedade do diploma de Jornalismo na próxima sessão, marcada para o dia 17 de junho, conforme informa a Fenaj.

No site do STF, o processo é o quinto da pauta naquela tarde. Apesar disso, não arrisco prognóstico. Tantos adiamentos são comuns em processos polêmicos e com pautas carregadas, como as que vimos ultimamente. Se a questão for analisada, acho que pode não ter sua conclusão ainda na sessão do dia 17, estendendo-se para a do dia seguinte. Vamos esperar pra ver.

diploma de jornalismo: previsão de adiamento

O julgamento da obrigatoriedade do diploma de Jornalismo está previsto para a sessão de hoje no Supremo Tribunal Federal. Mas conforme já adiantei aqui, ele pode não acontecer. Houve mesmo a inclusão da discussão sobre o caso Goldman e a decisão sobre o diploma é o terceiro ponto de pauta. Quem abre a sessão desta quarta é o ministro Joaquim Barbosa, relator de outro processo polêmico, o do Mensalão.

Então, com dois assuntos cabeludos no início da tarde e com a iminência do feriado de Corpus Christi, acho que o ministros do Supremo devem mais uma vez adiar a decisão sobre a polêmica do diploma…

[Espero estar errado quanto a isso. A sessão poderá ser acompanhada pela TV Justiça (canal 53-UHF, em Brasí­lia; SKY, canal 117) e pela Rádio Justiça (104.7 FM, em Brasília). Começa às 14 horas.]

o blog da petrobras e os interesses desacomodados

Há milhões de anos, quando o maior dinossauro chegava à beira do lago para beber água, causava tremores, derrubava árvores, fazia fugir animais menores e trazia muita confusão para o local. Pelo menos por um curto período, ele mudava o panorama da região. Não era novidade nenhuma matar a sede por ali, mas a chegada do gigante causava desconforto geral.

Passado tanto tempo depois disso, a história se repete, e na blogosfera brasileira.

Desde o dia 2 de junho está na rede o Fatos e Dados, blog oficial da Petrobras. Isso equivale dizer que a maior empresa do país aderiu a alguns dos caminhos da web 2.0, aquela da participação, da colaboração, do compartilhamento de arquivos, de busca de maior transparência. Até aí, parece que não há nada demais, né?

Pois a Petrobras chega à blogosfera mais de uma década depois do surgimento dos blogs, e chega vestindo a indumentária do momento. Seu blog está hospedado no WordPress, gratuito, e não num sistema próprio de publicação. Seu visual aproveita um dos templates disponíveis, e não há nenhum acessório ou traquitana inovadora do ponto de vista tecnológico. Não importa. Um dinossauro é sempre um dinossauro, e embora esteja camuflado com texturas brandas, seu vigor e força são os de um gigante. O que significa dizer que o que importa no Fatos e Dados são o espírito e a motivação. O espírito é a quantidade de informações e notícias que uma empresa como a Petrobras gera a cada dia, e que interessa a milhões de pessoas. A motivação pode ser traduzida por uma “linha editorial” que se pretende ser mais transparente e aberta, divulgando dados e fatos, até mesmo antes da mídia tradicional.

E aí, o dinossauro começa a incomodar a fauna já estabelecida.

Vazamento ou transparência?

O fato é que o blog da Petrobras já criou gritaria entre alguns jornais e entidades ao divulgar não só comunicados oficiais, mas também perguntas e pedidos de informação de jornalistas. Com isso, provoca uma situação nova nas relações entre fontes e jornalistas no país, já que pode prejudicar investigações sigilosas, alertar concorrentes sobre matérias em andamento ou mesmo evidenciar que os veículos de comunicação distorcem ou corrompem algumas informações ao divulgá-las.

Folha de S.Paulo e O Globo se queixaram do que acusam ser um vazamento premeditado de informações, de forma a virar o jogo sobre a mídia. Carlos Castilho lembra que isso já se dá nos Estados Unidos, por exemplo, onde algumas fontes de informação têm seus próprios canais de difusão de dados. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) lançou nota, condenando a postura da Petrobras: “Ao agir dessa forma, a Petrobras inibe os meios de comunicação e os jornalistas que precisam verificar com a empresa informações de eventuais reportagens que serão veiculadas”. A Abraji pede uma revisão de política por parte da Petrobras.

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) também lançou documento oficial, criticando a “canhestra tentativa de intimidação” da estatal.

A Petrobras respondeu às críticas, lançando mão de conceitos e práticas do próprio jornalismo:

A noção de confidencialidade e sigilo, como a própria nota da ANJ registra, é um princípio que norteia a relação dos jornalistas com suas fontes (pessoas ou empresas, consultorias). O objetivo principal é preservar aqueles que passam informações aos jornalistas e que, por qualquer motivo, precisam ou querem se manter no anonimato. Mas não há compromisso semelhante de confidencialidade e sigilo da fonte para o jornalista, pois isso limitaria o próprio caráter público e aberto da informação.

Passos de gigante

Parte da blogosfera nacional convulsiona nos últimos dias com a novidade. Avelar fala do “desespero da mídia”, Túlio Viana ironiza dizendo que O Globo quer ter o monopólio das perguntas e das respostas. Azenha lista dez razões que explicariam porque jornais atacam o blog da Petrobras. Sergio Leo responde a Azenha e dá bons argumentos contra a ação do Fatos e Dados. Comentários abundam nesses e noutros blogs, e o estrago já é uma realidade.

A chegada da Petrobras à blogosfera é um movimento que transcende a opção de uma grande empresa por canais gratuitos e mais ágeis de informação. Trata-se de uma briga ruidosa e de contornos brutais. A Petrobras tem lucro superior a PIB de muitos países, é uma grande anunciante, uma expressiva financiadora de projetos. Seus interesses nem sempre coincidem com os do país ou com os de largos setores da sociedade. Afinal, é uma empresa colossal, de escala mundial e agressiva nos segmentos que opera. Grandes jornais como a Folha e O Globo – a exemplo de outros veículos – não querem ficar nas garras desse dinossauro. Mas o gigante já está à beira do lago, sua presença esbarra nos interesses comerciais da mídia, seu hálito incomoda.

O blog da Petrobras pode constranger, intimidar, acuar pequenos e grandes meios, jornalistas experientes e novatos. O blog da Petrobras não tem que se submeter aos preceitos da ética jornalística, já que seus produtores são assessores de comunicação, cujas condutas devem se orientar pelos interesses da empresa. Sei que essa discussão de uma ética distinta para os assessores causa arrepios em muita gente, e quero tratar disso numa outra ocasião. Mas o fato é que o blog da Petrobras expõe nervos infeccionados da relação mídia-fontes de informação.

Não estou convencido de que o blog da Petrobras seja um mal para o jornalismo. É mais um canal de informação, que pode ser confiável ou não, e que pode contornar a mídia para chegar ao público. Ao prescindir dos meios tradicionais, o blog contraria interesses de quem ainda quer manter uma comunicação de mão única, o monopólio das formas de informação. O blog da Petrobras não é um mal para o jornalismo, mas pode ser para alguns jornalistas. As coisas estão mudando muito rápido nos últimos tempos, e essa é mais um desafio para os jornalistas. O jornalismo mantém o seu compromisso de buscar a informação custe o que custar, colidindo com interesse da petrolífera ou não. Os jornalistas que não quiserem ficar sob a sombra do dinossauro precisarão ser ágeis, versáteis, inteligentes. Nem todos os dias pertecem ao predador…

tolerância zero com telemarketing

Poucas coisas me irritam tanto quanto receber ligações de telemarketing. Elas acontecem sempre quando você menos tem tempo a perder. Porque é isso mesmo: telemarketing é SEMPRE perda de tempo. Não conheço ninguém que tenha feito um bom negócio a partir de uma ligação dessas, ou que tenha se dado bem com isso.

Por essas e outras, nesses anos todos, reuni um bom número de desculpas, xingamentos e patadas a serem desferidas contra quem mais incomoda. Algumas – I must confess… – eu protagonizei; outras, ainda não. Mas quem sabe o leitor pode usar essas dicas de como (des)tratar os teleatendentes.

Sirva-se de fel…

***

– Senhor Rogério, bom dia. Sou da Claro, e tenho uma ótima oportunidade para o senhor e…

– Peralá, mocinha! Quem te deu meu nome e meu número?

– Senhor Rogério, está na lista.

– Não está não, senhora. Onde a senhora conseguiu meu número e nome? Sabia que é ilegal comercializar dados das pessoas?

– Mas, senhor Rogério, eu tenho uma ótima oportunidade da Claro para o senhor, e…

– Não. A melhor oportunidade é mesmo não me ligar mais, ok? Obrigado.

***

– Bom dia, senhor Rogério. Eu sou da Ranglewraehgsf & Co. – inaudível -, e para sua comodidade, esta ligação está sendo gravada, e…

– Peralá, mocinha! De onde você fala?

– De São Paulo, senhor Rogério!

– Eu perguntei o nome da sua empresa.

– Ah, senhor Rogério. Aqui é da Ranglewraehgsf & Co.- novamente, inaudível -, e para sua comodidade, esta ligação está sendo gravada, e…

– Peraí, moça! Quem te disse que eu quero que grave essa ligação? Nem sei com quem estou falando…

– Senhor Rogério, eu sou a jhfskffdhdf – ininteligível – da Ranglewraehgsf & Co., e …

Tum! Desliguei.

***

– Boa noite, senhor Rogério. Sou da BRTurbo e tenho uma oportunidade imperdível para o senhor.

– Sei, mas como sabe o meu nome?

– Senhor Rogério, o senhor já foi nosso cliente e por isso temos o seu nome. E porque foi nosso cliente, temos uma oportunidade imperdível para o senhor.

– É verdade. Já fui cliente. Pode puxar aí no seu cadastro qual foi o motivo pelo qual deixei de ser seu cliente?

– Claro, senhor Rogério. Aguarde um minuto, pois sua ligação é muito importante para nós.

– Mas não fui eu que liguei, moça…

(Três minutos depois)

– Senhor Rogério…

– Oi…

– Senhor Rogério, temos em nossos registros que o senhor deixou de ser nosso cliente às 14h35 do dia 28 de março de 2003, e segundo consta o senhor estava insatisfeito com o tratamento dispensado pela empresa, e…

– Pois é, continuo com a mesma opinião.

Tum! Desliguei.

***

– Boa tarde, senhor Ronaldo! Sou Cleivison, da Brasil Telecom, e hoje é seu dia de sorte, senhor Ronaldo…

Tum! Desliguei.

***

– Boa tarde, senhor Rogério. Meu nome é Ana Maria, da Telefônica. Tenho uma importante oportunidade para o senhor, senhor Rogério.

– Sei…

– Hoje, pelos nossos registros, o senhor tem um celular pela TIM e o seu telefone fixo é pela Brasil Telecom, certo, senhor Ricardo?

– Como sabe disso, Ana Claudia?

– Meu nome não é Ana Claudia, senhor Ricardo. É Ana Maria.

– E o meu não é Ricardo, moça! Como sabe desses meus dados?

– Nossos registros, senhor. Temos tudo registrado aqui.

– Ah, ótimo! Então, registre mais uma coisinha: não me liga mais, tá?

Tum! Desliguei.

***

– Olá, bom dia! Por favor, eu gostaria de falar com o senhor Rogério Cosoletti…

– Quem?

– Senhor Rogério Cosoletti!

(Quase engasguei com a gargalhada, mas prendi a respiração)

– É ele.

– Senhor Rogério, sou da TSW-7, representante de vendas, e o senhor teria um minutinho para conhecer a minha proposta?

– Na verdade, estou de saída e…

– Pois, então, senhor Rogério, o senhor tem a possibilidade de pagar muito menos pelo seu telefone fixo. Hoje em dia, existem diversas oportunidades e tecnologias no mercado que podem baratear suas ligações nacionais e internacionais, e ainda o senhor pode economizar para viagens e presentes para sua família, correndo inclusive o risco de ganhar prêmios, e…

– Sei, moça, mas eu…

– … e concorrer ainda a prêmios pela loteria federal, tornando-se um milionário em pouquíssimo tempo. O senhor está interessado em ouvir a nossa proposta?

– Na verdade, nã…

– Pois, senhor Rogério Cosoletti, o senhor tem parentes em outras cidades?

– Si-sim.

– Telefona a eles com frequência?

– Na-não.

– Mas como, senhor Cosoletti. Família é muito importante. O senhor – certamente – não liga para seus parentes por questão de custo, mas seus problemas estão próximos de terminar com a TSW-7. Basta apenas aderir ao nosso plano HighFidelity e…

– Mas, moça, eu…

– Senhor, o senhor não acha importante se comunicar? Falar com seus parentes como bem quiser?

– Olha, eu…

– Pois senhor Cosoletti, vamos aderir ao plano HighFidelity e com isso, as suas ligações sairão quase de graça. Quanto o senhor paga por mês na conta telefônica?

– Olha, eu não vou dizer isso. Nem te conheço.

– Mas o senhor paga mais de cem reais ou menos?

– Moça, eu…

– Qual a faixa salarial do senhor?

– Moça, eu não vou di…

– O senhor tem casa própria ou alugada?

– Moça, eu…

– O senhor é assalariado ou autônomo?

– Moça…

– Senhor Cosoletti, eu…

– MOÇAAAAA!!! Qual a cor da sua calcinha?

– Ma-mas, senhor. O que é isso? Que coisa mais indiscreta!

– Indiscreto é ligar aqui pra casa, me encher o saco com nenhuma proposta, me perguntar quanto eu ganho e ainda errar o meu nome.

Tum! Desliguei.

***

– Boa noite. Meu nome é Luís Claudio e sou da Vesper. O senhor Rogério, por favor.

– Um minuto, por favor. Não desligue, pois a sua ligação é muito importante para o senhor Rogério.

Deixo o telefone na mesa, vou tomar banho, fazer a barba, assistir a um filme…

monitor de mídia publica edição 149

Já está na rede o 149º número do MONITOR DE MÍDIA. Veja o sumário:

REPORTAGEM
Um trabalho especial
Nossa equipe apurou como funciona o processo de inserção de deficientes no mercado de trabalho em Itajaí e Balneário Camboriú.

REPORTAGEM
Um show às avessas
Yana Lima e Gabriela Forlin cobriram os bastidores do show de Roberto Carlos em Florianópolis.

DIAGNÓSTICO
O que há de popular nos semanários que carregam esse título
O Monitor de Mídia investigou se os novos semanários de Itajaí e Camboriú são mesmo populares.

ENTREVISTA
Adriana Amaral explica como os pais devem acompanhar a educação dos seus filhos na web

EDITORIAL
Trabalho, muito trabalho e reconhecimento
O Monitor de Mídia está prestes a completar oito anos. Fique por dentro de quais foram as nossas últimas realizações.

vôo 447: as certezas de jobim

Frank Maia arrebenta!!

jobim

julgamento do diploma é remarcado, mas pode não acontecer

Foi incluída na pauta do Supremo Tribunal Federal a discussão sobre a obrigatoriedade do diploma de jornalismo. De acordo com o STF, o julgamento da polêmica está marcado para a sessão de 10 de junho, mas existem fortes chances de ele não acontecer na data marcada. Dois fatores podem provocar isso.

Primeiro. A pauta da tarde de 10 de junho começa com a discussão da Ação Penal 470, que tem como réus José Dirceu, Delúbio Soares, José Genoíno, Luiz Gushiken, entre outros. Sim, é o processo do Mensalão. O relator é o ministro Joaquim Barbosa.

Uma segunda razão que pode postergar ainda mais a decisão sobre o diploma do jornalismo – e temida pela Fenaj – é a discussão sobre o caso Goldman, o do menino cuja guarda está sendo reivindicada pelo pai norte-americano. Segundo a assessoria do STF, o

o ministro Marco Aurélio concedeu liminar para impedir que o garoto brasileiro S.R. G. fosse entregue nessa quarta-feira ao consulado dos Estados Unidos aos cuidados de seu pai biológico David Goldman. A decisão de Marco Aurélio se deu na análise de liminar na ADPF 172 ajuizada pelo Partido Progressista (PP). Agora, ela precisa ser referendada pelos demais ministros, no Plenário.

Pela urgência do caso Goldman, sua análise deve ser prioritária e alterar a pauta do dia 10. O julgamento do diploma – segundo ponto da pauta – deve mais uma vez ser adiado…

mais um seminário sobre qualidade no jornalismo

O amigo Josenildo Luiz Guerra, da Universidade Federal de Sergipe, informa:

Renoi e UNESCO promovem seminário sobre Qualidade

A Rede Nacional de Observatórios de Imprensa e a UNESCO realizam nos dias 8 e 9 de junho, em Aracaju, o I Qualicom – Seminário Qualidade em Comunicação. A iniciativa resulta de uma parceria entre a Renoi e a UNESCO para o desenvolvimento da pesquisa “Indicadores de Qualidade Jornalística”. A organização local do evento cabe ao Laboratório de Estudos em Jornalismo da Universidade Federal de Sergipe, grupo de pesquisa vinculado à Renoi.

O seminário vai apresentar propostas e estudos sobre a avaliação de qualidade de produtos jornalísticos e também de audiovisuais. Além disso, vai por em discussão documentos como o Media Development Indicators, da UNESCO, sobre os indicadores de qualidade da comunicação, em especial, do jornalismo.  Segundo o prof. Josenildo Guerra, coordenador do I Qualicom, “o tema ainda é muito pouco estudado e aplicado, com rigor e método, seja na avaliação dos produtos seja na gestão dos processos de produção em jornalismo. Daí a importância do seminário”.

O Qualicom terá como expositores, entre outros convidados, o coordenador de Comunicação e Informação da Representação da UNESCO no Brasil, Guilherme Canela, e dois pesquisadores da Universidad Autónoma de Barcelona, Angel Bravo e Catalina Norminanda Montoya, que pesquisam o tema da qualidade no audiovisual.

O primeiro seminário sobre o tema da qualidade foi realizado no dia 13 de maio, sob a coordenação do professor Rogério Christofoletti, do Monitor Mídia, na Univali, em Itajaí – SC. Outros dois seminários serão realizados em São Paulo, na Universidade do Sagrado Coração, em Bauru, e na Universidade Federal de São Carlos nos dias 18 e 25 de junho, respectivamente, coordenados por Danilo Rothberg (Renoi-UNESCO)

compós 2009: self service

Se você – como eu – não foi a Belo Horizonte para a 18ª Compós e quer ter acesso aos trabalhos apresentados, seus problemas acabaram!

É que estão disponíveis TODOS OS TEXTOS de 2009 gratuitamente. Aliás, os textos desde 2000.

Sirva-se!

vem aí o scgames

sc_games

De 5 a 7 de junho, no Centrosul, em Florianópolis, acontece o 1º Simpósio Santa Catarina Games, o SCGames.

Mais informações, aqui.

sobre livros e sobre amigos

livro_raquelGosto de livros. Adorar torrar dinheiro com livros. Eles são caixinhas máginas, passaportes para tempos e lugares. Nos ensinam, nos divertem, nos ajudam a entender a vida e a nós mesmos. Tenho – como já disse Caetano – um “amor táctil” pelos livros. É bom de pegar, de ouvir as páginas farfalhando quando se folheia. Alguns têm um cheiro de coisa nova, capas lindíssimas, volumes preciosos.

Mais do que comprar livros, adoro ganhar.

Nas últimas semanas, de repente, ganhei quatro. E todos de amigos, o que só torna a ocasião mais especial ainda.

Pedro de Souza me deu um exemplar do recentíssimo “O trajeto da voz na ordem do discurso”, que publicou pela RG Editora. O livro reúne textos resultantes da passagem de Pedro pelos arquivos de Michel Foucault, na França, ano passado. A pesquisa se debruça sobre a voz do pensador francês em registros de áudio de entrevistas, aulas e conferências, e o interesse de Pedro é identificar elementos que apontem para a elaboração de um pensamento no ato da proferição, no momento da irrupção da voz. Se o tema do discurso é um tanto diáfano, a articulação entre discurso, pensamento e voz constrói pontes da espessura de bolhas de sabão…

franz_adelmoMarcia Franz Amaral – por meio de uma aluna – me presentou com “A contribuição de Adelmo Genro Filho”, livro que organizou e que faz uma revisão da obra do professor e jornalista que primeiro pensou numa teoria do jornalismo no país. Entre os autores do livro estão Elias Machado e Tattiana Teixeira. A obra foi lançada em 2007, quando foram celebrados vinte anos da edição de “Segredo da Pirâmide: para uma teoria marxista do jornalismo”.

Raquel Recuero me manda o seu fresquíssimo “Redes sociais na internet”, livro que deve se tornar uma referência obrigatória para aqueles que pesquisam o assunto no país. Em breve, Raquel falará neste blog sobre seu livro e sobre a pesquisa brasileira em cibercultura. Aliás, o livro físico deve contar com suporte de um site próprio logo-logo, inclusive com a possibilidade de algum download. Livros rimam com generosidade.

charles essPor falar nisso, recebi hoje pelo correio outro título que já pulou a fila das leituras: “Digital Media Ethics”, de Charles Ess. Quem me mandou foi o Fernando Firmino, a quem sequer conheço pessoalmente, mas a quem respeito e sigo nas pesquisas que ele realiza. Foi assim: alguém mencionou no Twitter que haveria uma discussão sobre o livro, e – atrevido – sugeri que postassem algo sobre isso. Fernando me escreveu em seguida, oferecendo cópia sobressalente do livro. Fiquei surpreso, positivamente surpreso. Afinal, a gente nem sempre espera ataques de generosidade e demonstrações desinteressadas de amizade.

Pois a rede é mesmo misteriosa. Aproxima as pessoas, reencontra, fortalece laços. Estimula a leitura, o diálogo, o dissenso. Reedita a possibilidade de ler o mundo e a vida. Alguém já disse que um bom livro é o melhor amigo. Não. Livros são boas companhias, sim, mas amigos são insuperáveis…

uma falsa questão para a comissão das diretrizes curriculares em jornalismo

pingos_nos_isApós uma oportuna jornada de audiências públicas envolvendo diversos setores interessados da sociedade, a comissão de especialistas que trabalha na reforma das diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo trabalha para finalizar um documento-síntese sobre o tema. O texto deve ser encaminhado ao Ministério da Educação em meados de agosto, para avaliação e tramitação no Conselho Nacional de Educação. Entre a versão da comissão e o texto final das novas diretrizes, muita coisa pode acontecer. Há quem ainda peça mais tempo para discussão e reflexão sobre o tema – é o caso da Fenaj -, mas sabemos todos que mudanças nos cursos de Jornalismo são ansiadas e até mesmo urgentes.

A comissão trabalha nas sugestões feitas, e talvez não seja mais possível agregar novas contribuições. Por isso, apenas sinalizo aqui um temor pessoal nas últimas rodadas de discussão que li em sites e blogs. Receio que ganhe cada vez mais relevo um aspecto que, na minha forma de ler, é uma falsa questão para a comissão de especialistas.

Nas últimas semanas, muito decorrente da terceira audiência pública promovida pela comissão, diversos atores sociais manifestaram suas preocupações com uma formação mais humanística nos cursos de Jornalismo. Mais que isso, frisaram da necessidade de se construir currículos com fortes doses de disciplinas desse naipe, de maneira a garantir formação mais amplas e sólidas aos novos jornalistas.

Penso que essa é uma falsa polêmica, uma falsa questão para o tema.


Desvio de função

Estive em São Paulo na terceira audiência e percebi uma clara tendência de sugestões em torno de conteúdos a serem incluídos nos currículos dos cursos de Jornalismo. Diversos colegas que usaram o microfone se restringiram a defender certas unidades de ensino e disciplinas em detrimento de outras, e muitas dessas sugestões são realmente muito bem vindas. No entanto, não era o caso de fazê-las ali. E por uma questão simples: a comissão que trabalha nas diretrizes NÃO VAI DITAR NOVOS CURRÍCULOS para os cursos. A comissão vai elaborar um texto que sinalize orientações mais gerais de formação. Daí que o documento das atuais diretrizes curriculares sinalize perfis desejáveis para os egressos dos cursos e competências e habilidades a serem perseguidas e desenvolvidas.

A LDB prevê as diretrizes, e essas diretrizes apontam os focos de formação esperados. Cabe aos gestores – coordenadores e coordenadores pedagógicos – estruturarem seus currículos de forma a satisfazer tais diretrizes. Por isso que as sugestões de conteúdo – embora ricas e interessantes – feitas na terceira audiência pouco importam à comissão. Se os especialistas se detiverem a listar conteúdos para rechearem currículos, estaremos retornando à lógica dos currículos mínimos dos anos 1980 e incorrendo num tremendo desvio de função da comissão.

Sei que esse risco é pouco provável. Na terça, 26 de maio, o presidente da comissão, José Marques de Melo, disse no programa televisivo do Observatório da Imprensa que não cabia àquele colegiado ditar novos currículos para os cursos. Mesmo sabendo que a comissão está consciente desse papel, é importante tornar muito claro o alcance de um documento como o das diretrizes curriculares.


Mais humanidades. Mais?

O coro ouvido nas últimas semanas clamou para que os cursos de Jornalismo contemplem uma formação mais humanística. Acho importante e oportuna a sugestão. Entretanto, ela precisa ser colocada em perspectiva para que se possa avaliar a sua real pertinência. Proponho ao leitor que pense em cinco escolas de Jornalismo no Brasil. Peço então que entre em seus sites e que acesse suas matrizes curriculares, seus ementários ou – quem sabe? – seus projetos pedagógicos. Notem a proporção de disciplinas específicas para a formação jornalística e as que poderiam ser classificadas como disciplinas mais amplas, de sustentação e formação humanística.

Posso afirmar que quaisquer que sejam as escolas listadas pelo leitor, em todas elas veremos disciplinas como Sociologia, Antropologia, História, Filosofia, Psicologia, entre outras. Veremos a clara preocupação de oferecer saberes de base para que os futuros jornalistas estejam preparados para analisar cenários e compreender realidades. Veremos também algumas tentativas de conexão entre essas unidades de conhecimento com a prática jornalística. Pois bem. Não é demais dizer que as humanidades fazem parte da formação oferecida nos cursos de Jornalismo, e eu estenderia isso a todo o Brasil. Venho desenvolvendo uma pesquisa sobre ensino de deontologia jornalística entre os cem cursos mais tradicionais do país. Isso tem me obrigado a analisar matrizes curriculares e ementas, e o que venho encontrando – entre outras coisas – é esta presença bem evidente de disciplinas de humanidades.

Com isso, pergunto: se os cursos já oferecem doses elementares de humanidades, precisamos valorizar ainda mais esse tipo de formação? Essa formação ampla é mais importante que a específica, voltada ao exercício profissional? Existe fórmula para equilibrar esses termos da equação?

Ana Arruda Calado, no mesmo programa do Observatório da Imprensa, foi pontual na questão: o problema não está na quantidade desses conhecimentos, mas na integração das formações humanística e específica. Isto é, precisamos trabalhar melhor nossas matrizes curriculares, nossas ementas, nossos planos de ensino, de forma a fazer com que as humanidades não sejam mais adereços nas situações de sala de aula, mas se amalgamem com as práticas da profissionalidade. Neste sentido, estendo o mesmo raciocínio para a falsa dicotomia teoria-prática, que também carece de mais atenção por professores e supervisores pedagógicos.

Cinismo e injustiça

Pareceu-me que o argumento dos defensores de mais humanidades nos cursos de Jornalismo está baseado na generalização de que os novos jornalistas chegam às redações totalmente despreparados. Isso é possível sim. É plausível que os egressos que não tiveram experiências profissionais anteriores ou simulações pedagógicas dos desafios das profissões desaguem nas redações como quem não sabe a que veio. Mas isso não é “privilégio” dos cursos de Jornalismo. Em outras áreas, existem claras oportunidades de ensaio, de exercício, de estágio supervisionado. Jovens formados em Medicina precisam passar por tempo de residência; concluintes dos cursos de Direito estagiam em escritórios do ramo, bem como egressos da Engenharia não saem por aí assinando projetos…

Dos jovens jornalistas espera-se que saiam completos, maduros e competentemente formados para o trabalho. Esquecem-se que a lei que regulamenta a profissão impede o estágio na área, e que muitas escolas de Jornalismo não detêm bons laboratórios para atividades práticas que poderiam servir de ensaios profissionais. Mesmo assim, exige-se que os jovens jornalistas saiam plenamente aptos à lida cotidiana.

Não se trata de passar a mão sobre a cabeça dos egressos. Não. Defendo que os cursos de Jornalismo contribuam de maneira decisiva para a transformação de amadores em profissionais capacitados para a atividade. Defendo também que sejam cursos de qualidade, com alta exigência pela excelência técnica, com grande potencial para formar jornalistas críticos e conscientes, responsáveis e éticos. No entanto, é  – no mínimo – cinismo esperar que os egressos desses cursos saiam plenamente preparados para um mercado em transformação se tanto a formação acadêmica quanto seu entorno são incapazes de assegurar condições plenas de capacitação. Isso sem contar na idéia equivocada de formação restrita aos quatro anos de curso. Profissionais – e jornalistas não estão fora disso – devem estar em constante formação, reciclagem e aprimoramento…

Foco na formação

Mesmo que o argumento seja generalizador, cínico e injusto, ele nos ajuda a ajustar o foco da formação que se deve perseguir nos cursos de Jornalismo. Os jovens jornalistas chegam crus nas redações? As razões são muitas, mas os erros e deslizes que colhemos todos os dias não estão circunscritos apenas nos focas. Gente muito experiente tem derrapado por aí. E não por conta de formações humanísticas deficientes, mas sim por problemas de formação específica em jornalismo.

Jovens repórteres têm saído para suas matérias sem saber como e onde buscar informações. Muitas vezes, não sabem formular perguntas ou conduzir entrevistas. Jovens pauteiros elaboram pautas inconsistentes ou que pouco orientam repórteres. Editores, nem sempre jovens, penam em como articular os conteúdos e materiais que têm à disposição e que devem oferecer ao público.

Isto é, os egressos dos cursos de Jornalismo precisam ter acesso a disciplinas e conteúdos que lhe permitam ler cenários, compreender realidades, analisar circunstâncias. Estudantes de Jornalismo precisam ter aulas de Sociologia, mas não sairão sociólogos formados. Sairão jornalistas que precisam saber buscar informações, apurar, relatar com precisão e correção. Sairão jornalistas que devem inquirir sociólogos, antropólogos ou outras fontes de informação com rigor, atenção e foco.

Por isso, insisto, a defesa de conteúdos mais humanísticos nos cursos de Jornalismo é uma falsa questão. Não é o que a comissão busca. Os cursos já têm disciplinas dessa natureza, e nossos problemas de formação têm sido mais graves na capacidade dos jovens profissionais atuarem bem na especificidade da profissão.

Britto, por que no te calas?

Britto Jr acha que apresentar reality show é fazer jornalismo.

Pelo jeito, ele também se acha um Pedro Bial.

Ah, coitado!

monitor tem reportagem multimídia premiada

O 10º Intercom Sul terminou ontem em Blumenau com o anúncio dos vencedores nas diversas categorias do Expocom, um verdadeiro festival competitivo de produtos de comunicação produzidos por alunos de graduação. Fiquei particularmente feliz e orgulhoso com a vitória da reportagem multimídia “Qual o futuro da praia brava?”, produzida por meus alunos e publicada inicialmente no Monitor de Mídia.

O material é experimental, investigativo, equilibrado jornalisticamente, e muito interessante do ponto de vista da narrativa multimídia. Ficou curioso? Veja a reportagem aqui.

Os autores são Stephani Loppnow, Gabriela Forlin, Marina Fiamoncini e Joel Minusculi. A mesma reportagem já havia ficado em segundo lugar no Prêmio Caixa-Unochapecó de Jornalismo Ambiental!!!

agonia da gazeta mercantil: a foto do cadáver?

Leitor, olhe com atenção a página abaixo. Sim, ela pode ser a capa da última edição da Gazeta Mercantil, jornal que já foi o principal diário dirigido a economia, negócios e finanças no Brasil.

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Conhecido por ser um jornal sisudo na linguagem e no visual, a Gazeta Mercantil resistiu à adoção de cores e à publicação de fotos em suas páginas. Tanto pelo público a que se orienta quanto pelo segmento a que cobre, o jornal muito provavelmente nunca estampou fotos chocantes em suas primeiras páginas. Irônico é ver a página reproduzida abaixo como uma autêntica foto de cadáver, o ponto final de um veículo de comunicação importante, influente, necessário.

Para saber mais da crise na Gazeta Mercantil e como a situação chegou a este ponto, vá por aqui.

intercom sul começa hoje em blumenau

A décima edição do Congresso da Intercom na região Sul começa hoje na Furb, em Blumenau.

Alguns números:

7 Divisões Temáticas, com 130 trabalhos previstos para apresentação

4 painéis

56 categorias da Expocom com finalistas

14 livros em lançamento

  • A Rádio no Espaço Escolar: Para Falar e Escrever Melhor, de Zeneida Alves de Assumpção
  • Civic Journalism: Haverá um Modelo Brasileiro?, de Márcio Fernandes
  • Contos de Fadas da Publicidade, de Lorreine Beatrice e Roseméri Laurindo
  • Ética no Jornalismo, de Rogério Christofoletti
  • História, Memória e Reflexões sobre a Propaganda, de M. Berenice Machado, A. Queiroz e D.C Araújo
  • Jornalismo e Mídia Social, de Evandro de Assis
  • Jornalismo em Três Dimensões: Singular, Particular e Universal, de Roseméri Laurindo
  • Leituras Sociais da Mídia, organizado por Cláudio Muller
  • Observatório de Mídia: Olhares da Cidadania, organizado por Rogério Christofoletti e Luiz Gonzaga Motta
  • O que é Radioteatro, de Ricardo Medeiros
  • Propaganda no Rádio: Formatos de Anúncio, de Clovis Reis
  • Realidade Regional em Comunicação: Perspectivas da Comunicação no Vale do Itajaí, organizado por Clóvis Reis
  • Retratos Midiáticos do Meio Ambiente: Gestos de Interpretação, organizado por Ariane Carla Pereira
  • Vidas Recortadas: Vidas Recontadas, organizado por Francisco Carlos Stocker

os testes da coréia e o nosso telhado de vidro

Homer-768566O Brasil fez coro ao resto do mundo e condenou o lançamento de mísseis nucleares pela Coréia do Norte. O Itamarati esbravejou contra a ameaça do oriente. Só que quem tem telhado de vidro não pode atirar pedra nos outros. Por aqui, vazou material radioativo em Angra 2, mas a empresa responsável pela usina diz que foi “insignificante”.

Pode até ser, mas o fato se deu faz mais de dez dias e só agora anunciam o episódio. O governo brasileiro não sabia disso? Se não, estava mal informado, o que é preocupante. Se sabia, foi mal intencionado, como aquele macaco que senta em cima do próprio rabo e zomba da cauda dos colegas…

diretrizes curriculares: um texto de eugênio bucci

O Observatório de Imprensa publicou há pouco (mais) um excelente texto de Eugênio Bucci, agora tratando dos debates sobre as novas diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo. Bucci participou da terceira audiência pública que a comissão que trabalha nas diretrizes convocou. E na ocasião, em pouco mais de dez minutinhos, lançou sugestões de conteúdos que deveriam preencher os currículos.

No texto do Observatório, Bucci amplia o escopo de sua fala. Vai além dos quatro eixos que havia formulado, e ainda reflete sobre o momento de crise do jornalismo, e o enfado nas universidades. Imperdível!

Leia aqui.

dois casos de péssima administração dos negócios em mídia

harry-enforcado

A chamada nova economia tem sido pródiga em mostrar casos de jovens gênios que criam soluções ou inventam necessidades e tornam-se podres de ricos da noite para o dia. Jeff Bezos, Bill Gates, Steve Jobs, a dupla do YouTube, o menino-com-cara-de-bobo-mas-que-de-bobo-não-tem-nada do Facebook, e por aí vai…

Mídia e tecnologia podem dar muito dinheiro sim, mas nas mãos certas.

Esta semana, duas notícias no mercado brasileiro mostram o lado avesso a esse, o dos desastres gerenciais. É falência, é passivo trabalhista, é erro estratégico de investimento, é péssima gestão de negócios. Estou falando da Gazeta Mercantil e dos Bloch, que já tiveram uma das principais revistas nacionais – a Manchete – e uma rede televisiva, de mesmo nome.

Vejam com seus próprios e incrédulos olhos:

Compradora não paga e leilão da Bloch Editores vira novela
(do Comunique-se)

Tanure decide devolver Gazeta Mercantil a Levy
(também do Comunique-se)

Levy diz que não vai assumir Gazeta; CBM afirma que vai colaborar
(ainda do Comunique-se)

Levy anuncia o fim da Gazeta Mercantil
(do Observatório da Imprensa)

 

Enquanto lá fora se queixam da queda das tiragens, da baixa nos negócios, aqui, tem gente que consegue se enforcar sozinha…

lost, house e a salvação do jornalismo

Na semana passada, meus seriados favoritos encerraram suas temporadas. Naquela ilha misteriosa, os passageiros do vôo 815 da Oceanic Air estão mais perdidos ainda: viagens no tempo, gente que morre e que retorna, guerra de facções, bombas exterminadoras… Quem acompanha a saga de Lost sabe que os produtores anunciaram um fim na sexta temporada, o que significa que por volta de abril ou maio do ano que vem teremos as respostas aos muitos questionamentos que a série provocou.

house_elenco11No Princeton-Plainsboro Hospital, a equipe do doutor Gregory House continua decifrando os mais intrigantes diagnósticos da medicina. Também na quinta temporada, House não abandonou a velha fórmula de seus episódios: associação de sintomas esquisitos, intrigas entre os médicos, pitadas generosas de sarcasmo e ironia, diálogos rasgantes e um dos personagens mais interessantes da TV das últimas décadas.

Tanto House quanto Lost chegaram ao final de suas temporadas com episódios muito bem escritos, com tramas bem urdidas, de maneira a deixar seus públicos ansiosos por ver mais capítulos dessas histórias. Não é novidade nenhuma dizer que os seriados norte-americanos são hoje ilhas bem conservadas de originalidade e qualidade técnica em suas produções. Basta olhar a TV e as sala de cinema e perceber que as inovações de formato, de temáticas, de linguagens têm vindos quase todas das produções para a telinha.

O cinema tem se apoiado em frequentes adaptações literárias, em remakes, e nas sequências de filmes de sucesso. Por conta dos orçamentos altos, da crise mundial, da falta de ousadia e de alguma preguiça, o filé mignon da produção audiovisual mundial tem sim circulado na formato de seriados. House e Lost são apenas bons exemplos disso.

E o jornalismo?

Mas o leitor deve estar se perguntando: o que tem a ver uma coisa com outra? Seriados são ficções e jornalismo é outra conversa. Sim, claro, mas o sucesso de House, Lost, Heroes, 24 Horas, Grey´s Anatomy, Damages, The Sopranos, Sex and City e tantos mais pode nos ajudar a pensar a tão famigerada crise do jornalismo.

É verdade que se fala mais de crise dos jornais. Nos Estados Unidos, a queda vertiginosa de tiragens, a redução do tempo de leitura, os cortes de assinaturas e a migração de anunciantes para outras mídias têm feito com que muita gente perca o sono. Há abutres que chegam a anunciar a data final, que vai decretar a morte dos jornais. Executivos se reúnem com acadêmicos para pensar em saídas. Por aqui, no Brasil, não se pode dizer que o pessimismo seja tanto, mas o setor está mais que ressabiado.

Como os negócios não vão lá muito bem, há quem diga que o problema do paciente precisa ser mesmo resolvido de qualquer forma. Se ele se queixa de dor na cabeça, que se corte a cabeça, oras. Daí, a crise dos jornais vira a crise do jornalismo. Uma crise de negócios se torna uma crise de identidade.

Pra falar a verdade, talvez haja alguma razão nisso, sabe? Talvez o problema de fluxo de caixa nos desacomode e nos leve a pensar em que o jornalismo se tornou hoje e para o que precisamos dele. Por isso, ao menos por agora, tomo como verdadeira uma crise no jornalismo e me ponho a pensar com House, ou com Locke…

Narrativa ou negócio?

lost-season2-300x300Fico pensando aqui com meus botões onde reside o sucesso desses seriados que todos amamos.

O que faz com que acompanhemos essas histórias? O que provoca nossa identificação com aqueles estranhos que só existem dentro daquelas novelinhas? Por que essas personagens nos chamam tanto a atenção? Qual o segredo dos roteiristas, que nos prendem do começo até o fim de uma temporada, e nos fazem esperar ansiosamente pelas próximas?

Arrisco uma resposta: o segredo está na narrativa.

O segredo está em como esses personagens nos são apresentados, em como suas vidas se entrelaçam, em como os cenários se descortinam à nossa frente, em como as circunstâncias vão se compondo num conjunto heterogêneo, dinâmico, conflituoso e complexo que são suas realidades. A descrição bem feita de um caracter extrapola a persona chapada e sem brilho, gerando um personagem vivo, multifacetado, contraditório, como queremos encontrar, como gostamos de nos enxergar.

Outros ingredientes como mistérios, dramas e perdas pessoais, grandes e pequenas tragédias, algum romance e intriga são bem vindos, e entram como temperos na mistura. Queremos fugas, buscamos fantasias, tentamos abstrair de nossas rotinas esmagadoras. Nos seriados, assistimos a tudo isso, de modo cômodo, confortável e – melhor ainda – seguro.

O jornalismo não desperta o mesmo interesse nem tampouco um décimo dessa paixão. Eu sei. Entretenimento sempre nos move mais, nos envolve de maneira mais abrangente e interesante. Mas fico imaginando: e se o jornalismo conseguisse extrair desses seriados alguns elementos que pudessem lhe restituir mais vigor e força? E se o jornalismo se aproximasse  de alguma maneira dos seriados absorvendo características que reforçassem a sua vocação, a sua natureza, o seu espírito?

Vejam que não estou defendendo uma reinvenção do jornalismo pelos moldes da ficção seriada. Não. Eu falo de resgate, de retomada, de reverso. E pelo que chamei de segredo do sucesso dos seriados, a narrativa. Isto é, e se o jornalismo observasse nos seriados a maneira como bem contar suas histórias, os contornos de um bom personagem, a dinâmica de uma envolvente sequência de fatos? Não se trata de capitular à ficção e renunciar à vocação da narrativa realista e do imperativo ético de dizer a verdade. Na verdade, uso outras palavras para perguntar: o jornalismo vive uma crise de negócios ou uma crise narrativa?

Economia afetiva

Essas minhas especulações me fazem pensar, por exemplo, que hoje se fala em oferecer experiências ao público. Na publicidade, no entretenimento, nos negócios, na mídia de maneira mais ampla, se fala em oferecer experiências interessantes, apaixonantes para os consumidores. Não mais se esfrega a marca do produto no rosto do seu possível comprador. Deve-se ir além, vinculando a mercadoria com algum prazer, alguma sensação, alguma memória e sentimento humano.

O jornalismo pode se desviar disso? O jornalismo tem que se desviar disso? O jornalismo pode traçar caminhos outros que não incorram numa derrocada desse tipo?

Ou de forma mais aguda: o jornalismo pode oferecer uma experiência narrativa mais envolvente, mais pulsante, mais interessante e mais concreta para o seu público? Uma reportagem pode ir além de informar o leitor? Posso pensar no meu leitor como um usuário, um parceiro, um acompanhante numa experiência de informação? Sim, tem gente que já trabalha nisso. Tem gente que experimenta com jornalismo de imersão, onde o leitor mergulha no fato, tendo acesso a conteúdos em camadas que lhe permitem se aprofundar no tema, conforme seu interesse, disponibilidade e disposição. Tem gente que experimenta a produção de games para informar ao mesmo que se entretém o público.

Os mais puristas podem reclamar, afinal jornalismo não é isso. Concordo. Jornalismo não é entretenimento. Mas talvez os jornalistas devamos observar mais os produtos diversionais para enxergar neles elementos que gerem empatia, envolvimento, interesse, paixão, emoção. É pensar o jornalismo pelo viés de uma economia afetiva. São ensaios de idéias essas minhas. Se perseguirmos esses vestígios, teremos que discutir onde o jornalismo vem se apoiando hoje, e que tipo de repercussões provocaria adotar essas escolhas. Como fica a credibilidade, por exemplo? E nossos protocolos éticos? E a função do jornalismo em sociedades complexas e ansiosas por informação?

Pode ser um monte de besteiras essas minhas especulações, mas afinal o que fez com que você chegasse até o final deste post, se não o interesse por diversão e jornalismo?

sbpjor lança edição 2009 de seu prêmio de pesquisa em jornalismo

logosbpjor
A partir de 1º de junho, estarão abertas as inscrições para a quarta edição do Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo. A premiação é voltada para trabalhos elaborados durante o ano de 2008 em três categorias: Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado. Uma quarta categoria (Sênior) é destinada a pesquisadores com reconhecida trajetória no campo do Jornalismo. Entre as novidades deste ano está a composição das comissões avaliadoras por três membros e a possibilidade de envio de trabalhos de iniciação científica em co-autoria.

As inscrições vão a 10 de agosto, e os resultados têm anúncio previsto para 6 de outubro. Os vencedores de cada categoria e seus respectivos orientadores receberão seus diplomas de mérito durante o 7º Encontro Nacional de Pesquisadores de Jornalismo, em novembro, na cidade de São Paulo.

Leia o regulamento aqui.

Os trabalhos devem ser enviados para o email premiosbpjor@yahoo.com.br

porque hoje é sábado…

…Vinicius e Toquinho nos contam o que é a felicidade

honestidade!

Fazer TV ao vivo não é fácil. Agora, imagina acordar de madrugada, fazer telejornal ao vivo, responder perguntas capciosas de bate-pronto e ainda manter a fleuma e a integridade. Foi o que aconteceu no Bom Dia Brasil de ontem, 21 de maio.

Foi assim:

Renata Vasconcelos chama reportagem que conta o caso da FNAC, que – por um erro de sistema – colocou diversos produtos à venda na internet por míseros R$ 9,90, inclusive computadores e TVs de plasma. A reportagem conta a história e voltamos para o estúdio. Marcio Gomes dá uma de engraçadinho e pergunta de forma marota à Mariana Godoy – que está no link de São Paulo – se ela resistiria à “oportunidade” de comprar um aparelho que custa quase R$ 6 mil por menos de R$ 10,00.

A resposta de Mariana Godoy é sensacional, e só perde para o sorrisinho amarelo de Gomes.

Veja com seus próprios olhos.

(Só fui saber depois, a partir da dica de Laura Seligman. Obrigadis!)

4 anos de monitorando, 1000 posts e algumas histórias

Hoje, este espaço completa quatro anos de existência, sendo a metade deles no WordPress. Ao mesmo em que isso acontece, percebo que este é o milésimo post por aqui. Essas duas marcas ajudam a compor um momento especial para mim, pois é na condição de blogueiro que tenho tido a oportunidade de me comunicar com mais gente, conhecer outras realidades e ampliar o horizonte dos meus interesses.

Quem é blogueiro sabe que manter decentemente um espaço na internet é como ter uma microempresa, um pequeno filho ou mesmo um cachorro bem carente. Tem que alimentá-lo bem, zelar pela sua integridade, gerenciar com quem ele se relaciona, enfim, cuidar. Blogueiro não é quem cria, mas quem cuida, quem cultiva.

Refiro-me a blogueiros sem financiamento ou remuneração, como eu. No mundo do trabalho, chamariam de amadores, muito embora seja uma grande contradição alguém ser um blogueiro profissional. Os blogs e outras traquitanas tecnológicas pós-internet bagunçaram nossas noções mais primitivas de trabalho, de rotina produtiva, de fluxo informativo, de hierarquia no processo da comunicação, e por aí vai. O blogueiro se guia por uma ética hacker – na acepção de Pekka Himanen, o antropólogo que estudou as comunidades de nerds e constatou que “hacker” não é um palavrão. Em geral, blogueiros são diletantes, generosos, vivem em bandos, mesmo que separados por fios e distâncias abissais. Blogueiros não são seres tecnológicos, são pessoas que se valem da tecnologia para viver (ou quem sabe ser) melhor. Como o surfista que se aproveita da prancha para conhecer o mar…

Por isso, agradeço aos leitores deste espaço e principalmente aqueles que foram meus interlocutores, deixando comentários, indicando links, retificando equívocos… Desde maio de 2007, contabilizei aqui mais de 134 mil visitas, pouco se comparado aos campeões de audiência, mas muito aquém do eu jamais pudesse esperar. Ainda em termos estatísticos, o monitorando.wordpress registrou mais de 1500 comentários neste tempo. O dia em que tivemos mais visitas – 2146!! – foi o 26 de novembro de 2008, quando passei a deixar por aqui relatos das enchentes que destruíram boa parte do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, de onde irradiamos nosso sinal. Trágicos, aqueles dias de novembro mostraram – como com o Katrina, nos EUA – a força da blogosfera e o quanto a tecnologia pode ajudar a unir pessoas e vidas.

Com quatro anos de blog, tivemos alguns layouts, e só aqui no WordPress foram quatro até agora: NeoSapien, Digg 3 Column, Conections e Cutline. Porque mil posts são também uma marca, o Monitorando passa por mais uma cirurgia plástica e passa a adotar o template Freshy, de Jide.

Por isso, entre e fique à vontade. Obrigado pela sua sempre bem vinda visita. Se gostou, indique aos amigos. Se não gostou do blog, ótimo! Indique então aos inimigos…

contagem regressiva para o intercom sul

Faltam oito dias para a décima edição do Congresso da Intercom na região Sul. O evento vai de 28 a 30 de maio, e acontece na Furb, em Blumenau (SC).

A programação pode ser conferida aqui, os finalistas do Expocom, aqui. As oficinas, aqui.

crítico de mídia é o grilo falante da cidadania

Reproduzo o ótimo artigo de meu amigo Luiz Gonzaga Motta, publicado originalmente no Observatório da Imprensa. Como sempre, Motta esbanja elegância, inteligência, poder de síntese e imaginação criativa.

Há poucos dias, o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Franklin Martins, disse em palestra no Rio de Janeiro que a crítica da mídia se espalha na sociedade: é o Grilo Falante da mídia brasileira. Ele fazia referência a uma personagem dos desenhos de Walt Disney, que age como conselheiro crítico de outras personagens. O Grilo Falante desempenha o papel de consciência oculta. O nome provém do eufemismo Jiminy Cricket, derivado de Jesus Christ, em inglês.
A metáfora é sugestiva. Proponho que os observatórios de mídia adotem esta personagem como figura-símbolo. Ela se ajusta bem aos observatórios de imprensa. Os observatórios não pretendem ser anjos da guarda da sociedade. Mas desempenham um inevitável papel na proteção dos cidadãos diante dos abusos dos meios de comunicação. Especialmente a partir de agora, depois que caiu a Lei de Imprensa. O Grilo Falante é um bichinho simpático, grita sempre quando seu protegido está à beira de cair em armadilhas. É um observador precavido, atua para evitar o pior.
O jornalismo é um serviço público, mas em nossa sociedade se organizou como atividade exclusivamente comercial. Em sua lógica, obedece prioritariamente às demandas do mercado, não às da sociedade. Quem argumentar contra, basta recordar a feroz disputa atual por índices de audiência entre os telejornais.

Uma ponte entre obra e leitor
Há uma defasagem permanente entre o que o jornalismo reporta e o que a sociedade quer. Agenda pública e cobertura jornalística nem sempre coincidem. O jornalismo não responde necessariamente à pluralidade dos interesses e demandas sociais.
Daí, a necessidade da crítica. A crítica é uma prática ética, uma atividade hermenêutica que se contrapõe à primeira interpretação dos fatos, a interpretação jornalística. Revela os mal-entendidos, amplia a compreensão, mostra a distância entre textos e contextos.
A crítica parte de juízos prévios, implica sempre uma atitude valorativa. Não há exercício crítico sem valores e não há qualquer problema com isso. As pressuposições de um indivíduo ou grupo, muito mais que preconceitos, constituem a realidade histórica do ser, como nos recorda H. Gadamer. Pressupostos são, portanto, parte constituinte da crítica.
O crítico é o Grilo Falante, o mediador entre os objetos culturais (notícias, reportagens, telenovelas etc.) e o público. Liga a obra ao universo cotidiano do leitor, ouvinte ou telespectador. Projeta-se como uma ponte entre obra e leitor, abrindo-lhe portas a processos da produção jornalística ou midiática freqüentemente desconhecidos e longínquos.

Um olhar ético e universalizante
Qualquer crítico investe na parcialidade. Como afirmam muitos autores, estando próximo da paixão, o crítico fica mais perto da universalidade. A paixão instrui as perguntas que vamos formular aos objetos culturais.
A questão passa então a ser: quais valores justificam tais perguntas? A resposta não é fácil, e necessariamente remete à reflexão sobre o posicionamento histórico do crítico e do objeto cultural a ser criticado.
A partir deste raciocínio, proponho que o crítico adote valores universais, assuma a posição do outro, amplie seus horizontes para além dos pressupostos individuais. Onde encontrar valores universais? Respondo: em um universalismo ético e pluralista. Colocar-se em defesa da ética da responsabilidade social, contra as injustiças, no lugar do outro, a favor dos que não têm voz.
Concretamente, enquanto crítico da mídia, posicionar-se na defesa de um desenvolvimento social e dos direitos humanos. Não precisamos de muita sociologia. Basta rever documentos assinados pelos nossos chefes de Estado, como a Declaração Universal dos Direitos do Homem, as Metas do Milênio, ou os indicadores do IDH. Eles materializam valores universais e pluralistas e podem ser consultados a qualquer momento. A partir deles, os observatórios podem desenvolver um olhar crítico ético e universalizante. Podem desempenhar com orgulho o papel de Grilo Falante junto à cidadania.

jornalista tem que estar antenado com novas mídias

Deu no Jornalistas da Web, e reproduzo:

Na última semana, Jornalistas da Web realizou uma enquete para saber se o novo profissional de jornalismo deve estar antenado com as novas mídias.

De um total de 79 respostas, a grande maioria, ou 83%, disse que sim, estar antenado com as novas mídias é um pré-requisito hoje em dia. Já 6% disseram que não, mas que é importante hoje em dia. Apenas 2% dos usuários que responderam a pesquisa disseram que jornalista não precisa estar ligado nas novas mídias, e 7% disseram não ter opinião sobre o assunto.

Na enquete desta semana, queremos saber qual recurso do celular, além da funcionalidade de telefone, você mais utiliza. Para votar, basta ir na página principal do site e localizar a enquete, que fica em destaque na coluna da direita. O resultado será anunciado na próxima segunda-feira, 25 de maio

um videocast sobre a crise da imprensa

Pedro Doria iniciou uma série de videoposts analisando a crise da imprensa e suas possíveis repercussões em terras brasileiras. Doria aproveita as informações que vem colhendo do período em que passa um ano de estudos na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, para tentar compreender melhor os arautos do apocalipse e o que pode funcionar (ou não) por aqui.

O primeiro episódio do videocast é sobre uma tal regra dos 30%, que liga o aumento da banda larga de internet nos domicílios à queda da tiragem de jornais.

Vale a pena assistir e acompanhar.

um relato da terceira audiência das diretrizes

A comissão de especialistas que trabalha na reforma das diretrizes curriculares dos cursos de Jornalismo concluiu ontem a etapa das audiências públicas que realizou com variados setores da sociedade. A terceira e última audiência aconteceu na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em São Paulo, e reuniu representantes de diversas organizações. “Foi a reunião mais densa e orgânica que tivemos”, avaliou o presidente da comissão, José Marques de Melo, após quase quatro horas de debates. “As duas audiências anteriores também foram bastante participativas, mas hoje a diversidade das falas enriqueceu bastante o processo”.

Marques de Melo se referia às quase trinta organizações presentes, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) a Unesco e Instituto Ethos, passando pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação (Enecos)  e Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI).

As manifestações das organizações, e as sugestões da platéia foram recolhidas pela comissão, que já iniciou a sistematização das informações para a redação de um documento que se pretende resultar no das novas diretrizes. Se antes o prazo de conclusão dos trabalhos era 3 de junho, agora estendeu-se até 12 de agosto, informou a representante do Ministério da Educação Cleonice Matos Henn.

Formação humanística
Não apenas entre as entidades participantes, mas também entre convidados, um tema foi repetido quase à exaustão durante a audiência: a necessidade de reforçar a formação humanística nos cursos de Jornalismo. Foi o caso dos jornalistas Caio Tulio Costa e Eugenio Bucci, que abriram a sessão de manifestações. Para eles – cada um a seu modo -, as escolas precisam retomar conteúdos que contribuam para uma formação mais clássica dos jornalistas, de modo a não apenas se capacitarem a executar tarefas práticas e cotidianas da profissão. “A formação do profissional multimídia não pode acontecer afastada de uma formação humanística”, afirmou Caio Tulio.

Eugenio Bucci criticou a organização atual das disciplinas nos currículos – jornalismo impresso, televisivo, etc… -, argumentando que essa disposição já não mais dá conta das demandas formativas. O professor de Ética da USP citou eixos que poderiam sustentar uma formação ideal na sua visão: Linguagem, Democracia, Formação Humanística e Formação em Teorias da Comunicação. Os conteúdos relevantes para formar novos jornalistas perpassariam esses eixos de forma mais fluida e sistêmica.

Curso complementar ou não?

Outro tema palpitante na audiência foi a própria natureza e modalidade dos cursos de Jornalismo a serem oferecidos no Brasil. Caio Tulio Costa, por exemplo, defendeu a proposta de profissionais formados em outros cursos fazerem especialização nas escolas de Jornalismo, habilitando-se a atuar nas redações. A proposta foi referendada por outras falas, entre as quais a da CNBB. Mas teve resistência bem marcada nas posições de Celso Schroeder, coordenador do FNDC, e de Valci Zuculoto, do Departamento de Educação e Aperfeiçoamento Profissional da Fenaj, que argumentaram pela garantia de formação específica em Jornalismo, e não a sua complementar.

Bem menos ligados à academia, alguns setores demonstraram forte preocupação quanto a oferta de cursos no país. Eduardo Ribeiro, da Mega Comunicação, comparou números de escolas e de egressos à tendência cada vez mais aguda de fechamento de postos de trabalho, e a consequente não absorção de grandes contingentes de recém-formados. Sérgio Gomes, da Oboré Comunicação, queixou-se da impossibilidade real de conciliar os conteúdos e competências desejáveis aos novos jornalistas com as condições encontradas nas escolas e na vida contemporânea.

Dispersão e resultados

A audiência de ontem foi comemorada pelo presidente da comissão, José Marques de Melo, como um momento de diversidade e encontro de pensamentos distintos no debate sobre as diretrizes curriculares. A pluralidade das organizações presentes e a possibilidade de manifestações livres enriquece, mas também fragmenta a discussão.

Nas quase quatro horas de audiência, falou-se de tudo: dos conteúdos desejáveis nos currículos à necessidade de maior fiscalização do MEC sobre os cursos; da urgência da democratização da comunicação ao papel central da ética na formação dos jornalistas. Houve até quem se perdesse, como o representante da ONG Amigos da Água que, em tom alarmante, falou da extinção da humanidade por causa da escassez do recurso; ou ainda como um angustiado repórter fotográfico, que se queixou de como o sindicato dos jornalistas vem permitindo a entrada de profissionais totalmente despreparados no mercado de trabalho.

Audiência públicas são relevantes, mas também são um perigo, pois podem descambar para um festival de catarses ideológicas, de reclamações descabidas e inoportunas, e de outros desvarios. Não foi o caso de ontem, talvez até pelo adiantado da hora e do cansaço evidente de todos.

Audiências como esta têm muito mais significado político do que prático e operacional. Nessas ocasiões, as organizações têm a liberdade de se manifestar e marcar posições, ancorando seus discursos em plataformas mais evidentes. Do ponto de vista prático, a comissão de especialistas teve a oportunidade de recolher contribuições, referendou o processo de debate público e concluiu uma importante etapa em seus trabalhos: ouvir os setores interessados e receber informações e sugestões.

A partir de agora, a comissão deve trabalhar em cima de uma massa considerável de dados, precisando inclusive tomar algumas decisões que venham a orientar o documento que será encaminhado ao MEC. Esse documento ainda não é o que sintetiza as diretrizes curriculares, já que é preciso que o Conselho Nacional de Educação analise e edite essas normativas. Como disse José Marques de Melo no final da audiência de ontem, não se deve alimentar ilusões de que o caminho esteja no final e ele seja tranquilo. De nada adianta termos diretrizes curriculares bem construídas se a sociedade não fazê-las acontecer. Marques de Melo sabe do que está falando e há muito chão pela frente…