igreja plagia texto sobre ética jornalística

Como se diz por aí: eu morro e não vejo tudo!

Pois não é que uma igreja foi condenada na justiça pelo uso indevido de um texto sobre ética, ética jornalística?

Reproduzo – com os devidos créditos – matéria que conta o caso tim-tim por tim-tim. O Comunique-se deu ontem a notícia:

A Igreja do Avivamento Mundial – Assembleia de Deus Ministério de Boston foi condenada indenizar em R$ 42.830,59 a jornalista Alessandra Silvério por violação de direitos autorais. Além disso, a igreja terá que publicar, no prazo de cinco dias a partir da data da intimação, erratas em três jornais de grande circulação na cidade de Curitiba (PR), sob pena de multa diária de R$ 1 mil. A igreja perdeu o prazo de constestação e, por isso, não cabe mais recurso.

A ação movida pela jornalista é por causa de plágio de seu trabalho de conclusão do curso de Jornalismo. O texto foi publicado originalmente em 2003, no site Aruanda. No mesmo ano, o jornal Mensageiro Cristão, de propriedade da igreja, republicou o artigo como se fosse da autoria do editor do veículo. Ironicamente, o texto trata da ética jornalística.

“Ora, a ré se utiliza de trabalho que não lhe pertence e, descaradamente fala em ética profissional”, afirma o juiz Vitor Frederico Kümpel em sua decisão.

O jornal com o texto plagiado foi editado em dezembro de 2003 e distribuído no Brasil e em outros países. Em sua defesa, a igreja alega que não possui ligação com o Ministério de Boston e que não possui revistas, jornais ou sites, argumento que não foi aceito pelo juiz.

3 fatos preocupantes de agora

1. O próprio Ministério da Saúde reconheceu: o vírus da temível gripe A já circula pelo Brasil. O mundo vive uma pandemia e já disseram que na vizinha Argentina haveria 100 mil infectados. Mantenhamos a calma.

2. O presidente da Comissão de Ética do Senado, Paulo Duque, é um senador sem voto. Ele é suplente de suplente de senador. Mantenhamos a vigilância.

3. A oposição e a mídia exibem os tentáculos de José Sarney, mas nada deve acontecer a ele. Mantenhamos a indignação.

last.fm, twitter e webjornalismo participativo

Nesta semana, três orientandos meus defenderam suas monografias em banca, encerrando parte importante de suas graduações em jornalismo.

Vinicius Batista de Oliveira apresentou a pesquisa “A revolução social da música: a relação dos usuários com as tags no Last.fm”. Para discutir aspectos como taggeamento e produção de conhecimento no terreno musical pelos ouvintes do sistema, Vinicius reuniu informações sobre 253 sujeitos de pesquisa em todo o Brasil, de longe o maior levantamento do gênero sobre o Last.fm. Além disso, entrevistou em profundidade duas importantes pesquisadoras nacionais do tema. Como Vinicius planeja publicar parte de sua pesquisa em periódicos científicos das área, não disponibilizamos agora esse material. Mas ficam os slides da apresentação em banca

Joel Minusculi apresentou a pesquisa “Reconfigurações da imprensa no webjornalismo participativo: o caso do Leitor-Repórter do diario.com.br”. Na monografia, Joel discute como o canal que o Diário Catarinense tem para incentivar a participação do leitor comum tem se estruturado, tomando como estudo de caso uma semana de postagens dos usuários. Justamente a semana que sacudiu o Vale do Itajaí em novembro de 2008, quando das enchentes que comoveram o país. Joel avalia a plataforma, o processo e as repercussões que tudo isso vem trazendo para a rotina produtiva dos jornalistas locais. Os slides da apresentação estão aqui.

Franciscos Machado da Silva defendeu a monografia “O papel do Twitter no jornalismo brasileiro”, onde analisa o caso de três contas de veículos nacionais: Trip, Roda Viva e Band Trânsito. No trabalho, Francisco faz uma excelente revisão de bibliografia sobre o microblog, inclusive com dados recentíssimos, e caracteriza o uso que os jornalistas vêm dando ao Twitter como mídia de suporte nos casos analisados. Os slides da apresentação podem ser conferidos aqui.

Fiquei bastante satisfeito com os resultados das pesquisas desses alunos. Eles não apenas mergulharam em seus temas, mas também trouxeram contribuições importantes para a discussão de temas altamente emergentes na área. Sob o signo das mudanças que o jornalismo e a comunicação estão passando nos últimos tempos, essas monografias coroam um período de muito trabalho e estudo por aqui. Muito em breve, vamos compartilhar textos mais enxutos desses trabalhos. Por enquanto, parabéns aos meninos!

5 coisas que não sou, mas queria ser

Vi este meme no Patifaria e peguei pra mim. Se quiser, faça o mesmo…

Trompetista de Jazz. Não sei nada de teoria musical, nada de partituras e a única coisa que sei tocar é cachorro sarnento. Os trompetistas de jazz geralmente são chiques, elegantes, competentes, charmosos e levam a vida no beiço. Suas silhuetas são esguias e a postura sempre pra cima… Quando terminam o show, colocam seus instrumentos nos estojos e vão embora sem demora.

Promotor. No Brasil, o Ministério Público tem um papel parecido com o de uma Liga da Justiça. Os caras são meio super-heróis, pois oferecem denúncia contra empresários que escravizam e que desmatam, perseguem políticos corruptos, tentam encarcerar poderosos malfeitores, e por aí vai. Ser promotor é lutar pela justiça social, pelo direito das populações, pelo resgate de dignidade e tal… Tudo o que o jornalista fazia nos meus sonhos de menino…

Poliglota. Eu disse: po-li-glo-ta. Troglodita eu já sou…

Zen. Na verdade, sou zen. Zen paziência, zen frescura, zen humor…

Pé de valsa. Quem dança, geralmente, leva a vida com mais rebolado e mais suíngue. Quem requebra tem jogo de cintura, tem molejo e malícia. Quem dança sabe onde colocar os pés e onde pôr as mãos…

dicas de jornalismo investigativo

Bob Woodward, um dos repórteres por trás da mais importante reportagem do século XX – a do caso Watergate -, dá dicas sobre jornalismo investigativo. São pouco mais de cinco minutos, em inglês e sem legenda, mas vale acompanhar o veterano jornalista…

mais sarney… mais sarney!!!

Sarney é como Michael Jackson: está em toda a parte!

No Maranhão, ainda mais…

– Para nascer, Maternidade Marly Sarney;
– Para morar, escolha uma das vilas: Sarney, Sarney Filho, Kiola Sarney ou, Roseana Sarney;
– Para estudar, há as seguintes opções de escolas: Sarney Neto, Roseana Sarney, Fernando Sarney, Marly Sarney e José Sarney;
– Para pesquisar, apanhe um táxi no Posto de Saúde Marly Sarney e vá até a Biblioteca José Sarney, que fica na maior universidade particular do Estado do Maranhão, que o povo jura que pertence a um tal de José Sarney;
– Para inteirar-se das notícias, leia o jornal O Estado do Maranhão, ou ligue a TV na TV Mirante, ou, se preferir ouvir rádio, sintonize  as Rádios Mirante AM e FM, todas do tal José Sarney. Se estiver no  interior do Estado ligue para uma das 35 emissoras de rádio ou 13  repetidoras da TV Mirante, todas do mesmo proprietário, do tal José Sarney;
– Para saber sobre as contas públicas, vá ao Tribunal de Contas Roseana Murad Sarney (recém batizado com esse nome, coisa proibida pela Constituição, lei que no Estado do Maranhão não tem nenhum valor);
– Para entrar ou sair da cidade, atravesse a Ponte José Sarney, pegue a Avenida José Sarney, vá até a Rodoviária Kiola Sarney. Lá, se quiser, pegue um ônibus caindo aos pedaços, ande algumas horas pelas ‘maravilhosas’ rodovias maranhenses e aporte no município José Sarney.

Fora do Maranhão

– Para dançar, o Funk do Sarney:

intercom e redes sociais

O Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação acontece em setembro em Curitiba.
Se você quer saber mais do Intercom 2009, os organizadores locais criaram até uma rede social no ning. Confira em http://www.intercom2009.ning.com

escolas de jornalismo e a crise dos jornais

O professor Larry Atkins, da universidades Temple e Arcadia, publicou ontem um artigo no Knight Digital Media Center com um sugestivo título: Não deixemos de lado as escolas de Jornalismo só porque os jornais estão em crise.

Atkins cita casos como o da Columbia University, que não vem sofrendo com o declínio dos jornais impressos e vem sim atraindo cada vez mais estudantes na sua escola de Jornalismo. “Mas como as escolas e os departamentos de Jornalismo estão acomodando este interesse às realidades em mudança da profissão?”, questiona Atkins. As respostas dadas pelas escolas têm vindo na forma de revisões curriculares, aumento na exigência de trabalhos nas disciplinas, e incentivo ao desenvolvimento de ações empreendedoras.

De acordo com algumas fontes do autor, mais oficinas práticas também estão sendo oferecidas pelos cursos, numa clara tentativa de simular situações reais da profissão. Eventos fora das universidades também têm sido “cobertos” pelos alunos, seguindo a mesma tendência. (O que me parece óbvio, e o que já se vem fazendo em muitas escolas de Jornalismo que conheço no Brasil)

O ensino com base em mídias sociais é também apontada pelo professor Atkins como uma tendência emergente forte nos cursos de Jornalismo norte-americanos.

Mas o que me chamou a atenção é o fato de professores e gestores olharem para fora de seus instituições, muito preocupados com a sobrevivência de seus cursos. Nos Estados Unidos, a queda nas tiragens dos jornais, a migração maciça de verbas publicitárias para outros meios e o vaticínio de que a imprensa está mesmo morrendo são fatores bem fortes que vêm abalando a confiança de quem produz jornalismo, de quem ensina e até de quem consome.

Por aqui, não temos essa crise ainda. Mas o fim da obrigatoriedade do diploma para exercer o jornalismo deve precipitar nas escolas preocupações semelhantes, e a busca de diferenciais de formação. Esta história está apenas começando… vamos acompanhar…

me pegaram de surpresa. esses alunos…

O João Guimarães Rosa, que é um cara que a gente devia ler muito mais, escreveu lá pelo meio do Grande Sertão: Veredas que “professor é quem de repente aprende”. E é. Para além dos convencionais clichês que a gente destila nas salas de aula, se o professor prestar bastante a atenção vai aprender todo dia alguma coisa…

Tenho me esforçado nos últimos dez anos a aprender e a dar algumas aulas. Tenho aprendido muito. Verdade…

Em dez anos de docência no ensino superior, tive diversos desafios, mas nenhum deles se comparou a um que precisei enfrentar este semestre. Não é nenhuma inconfidência o que irei contar, já que o jogo sempre foi muito aberto. Mas o fato é que peguei uma turma mista de alunos de Jornalismo, Relações Públicas e Publicidade e Propaganda para uma disciplina estreante: Temas Contemporâneos – Redes Sociais. O desafio estava tanto no trato com os alunos, na quantidade de sujeitos envolvidos (quase 50!), e na complexidade do tema, em constante mutação…

É preciso dizer que nada foi fácil nesses meses. Em muitos momentos, senti que não conseguia envolver completamente a turma, que muitos sequer reagiram, que não compreendiam a relevância dos conteúdos e práticas para seus futuros profissionais. Tivemos momentos tensos, delicados, quase que desagradáveis. Pela primeira vez na vida, tive que me aconselhar com as coordenadoras dos cursos, com a orientadora pedagógica. Era muita angústia a minha, de tentar convencê-los, chacoalhá-los, envolvê-los.

Mas a vida ensina, e os alunos também.

Não se tratava de uma conversão, mas de um convite à compreensão, de um encontro. A partir dali, o ritmo foi outro, o fluxo seguiu, e fui levado… No final do semestre, verdadeiramente, vi que os alunos haviam criado blogs e comunidades no Orkut, com empenho, lançando mão dos recursos tecnológicos e dos conceitos com os quais trabalhamos. Fiquei satisfeito com a conclusão do semestre, com o trajeto percorrido, com os companheiros de jornada. Fiquei de bem, de novo.

Pensei que tinha terminado assim, num happy end. Que nada!

Hoje, recebo email com um link. Lá, descubro que os alunos de Redes Sociais criaram um blog para se despedirem de mim. Estou em processo de transferência para uma outra instituição e ando afivelando as malas por aqui. Claro que me emocionei com o gesto, com as palavras, com tudo. A demonstração de apreço, o reconhecimento de quem realmente interessa – os alunos, oras! -, tudo isso me fez molhar esse teclado. Sinto-me envaidecido, privilegiado, mimado… tocado. Pensei que poderia me sentir realizado ao avaliar o resultado da disciplina no semestre, e ver que de alguma maneira contribui. Estava errado. Aprendi de novo. A sala de aula não tem mais paredes. E eu aprendo mais e mais…

sarney, alencar, lula e o brasil

Não sou analista político, claro. Mas vou palpitar. Aliás, sobre esse assunto eu até demorei pra falar…

Imagine que Lula esteja viajando a trabalho e que, no seu lugar, assuma o vice, José Alencar. Imagine ainda que Alencar adoeça, já que é um homem que luta contra tumores há pelo menos doze anos. Imagine ainda que Alencar não tenha mais condições de retomar o exercício do cargo… quem assume o país é o presidente da Câmara, Michel Temer. E logo em seguida, na linha sucessória, vem quem? Ele mesmo, o presidente do Senado, José Sarney, tão badalado nos últimos tempos.

Como Sarney é desses homens bafejados pela sorte, quem sabe – num jogo de dados do destino -, mesmo ele sendo quase linchado politicamente não se torna novamente presidente do país?

Em 1984, ele era presidente do PDS, o partido da situação, o partido dos presidentes militares do regime de 1964. No mesmo ano, farejando que o barco estava furado, deixou a legenda e junto com outros nomes da política fundou a Frente Liberal, que mais tarde se tornaria o PFL. A Frente coligou com o PMDB de Tancredo Neves, e Sarney virou o vice do político mineiro na disputa indireta pela presidência. Tancredo venceu, mas adoeceu e nem chegou a tomar posse em 1985. Quem assumiu? Ele mesmo, o hoje presidente do Senado, José Sarney, tão badalado nos últimos tempos…

gay talese está falando demais

Vou contrariar. Enquanto todos os principais órgãos da imprensa continuam aplaudindo, celebrando e babando nas declarações de Gay Talese, não resisto em dizer que a vinda do veterano e mítico jornalista para o Brasil já está cansando. Pronto, falei!

O fato é que todos os dias tem alguma entrevista ou declaração de Talese, quase sempre de forma polêmica ou desfocada. O jornalista veio ao país para a Festa Literária Internacional de Paraty e para um extenso roteiro de palestras, entrevistas, lançamento de livro e outros oba-obas. E boa parte dos repórteres que acompanham o mestre dos perfis e de reportagens sensacionais não tem conseguido manter uma distância saudável e necessária de sua fonte, incorrendo num dos principais deslizes da profissão. Assim, perguntam para o senhor Talese o que ele achou da queda da obrigatoriedade do diploma – “provavelmente acertada”-, o que pensa de Michael Jackson – “a mídia o matou” -, o que acha dos novos jornalistas – “não existem mais repórteres excelente”-, e por aí vai. Consultam o mestre nos intervalos de seus suspiros, como quem procura um oráculo, uma bússola.

Devagar, pessoal.

O senhor Talese tem contribuições históricas para o desenvolvimento do jornalismo, ainda exerce uma influência notável na área, mas daí a seguir sua sombra e fazer de seus comentários vaticínios da existência já é demais. Aliás, pessoalmente, acho que o senhor Talese está falando além da conta…

monitor de mídia, 150

Está na rede a edição 150 do Monitor de Mídia, uma revista multimídia que observa os meios de comunicação catarinenses. Emblemático, este número do Monitor é especial para mim. Foi minha despedida à frente do projeto que criei em agosto de 2001, seguindo os passos do Observatório da Imprensa.

Neste tempo todo, dezenas de alunos passaram pelo laboratório, aprendendo a avaliar a mídia e a exercer um jornalismo com crítica, ética, excelência técnica e responsabilidade. Convivi com colegas professores, com quem muito aprendi, e são eles que conduzirão os caminhos do Monitor a partir de agosto, quando do retorno do recesso escolar. Desenvolvi projetos e pesquisas que muito me orgulham. Trabalhei para disseminar uma cultura de consumo crítico dos meios de comunicação, seja para aperfeiçoar o jornalismo, seja para educar para a mídia. Foi tudo muito bom!

O sumário da edição 150 é este:

Diagnóstico
A pedra vira vidraça: MONITOR DE MÍDIA É AVALIADO
O Monitor de Mídia completa 150 edições e é avaliado por profissionais da comunicação

Reportagem
O que há por trás da notícia
Nossa equipe acompanhou os bastidores da produção das notícias em diversos veículos de comunicação da região.

Reportagem
Colégios federias: exemplo positivo de ensino público
Sílvia Mendes apurou que as escolas federais se destacam em relação ao ensino público

Editorial
Diploma de jornalismo e observatórios de mídia
Entenda um pouco mais sobre a queda do diploma de jornalismo

E-book
Diagnósticos das edições 101 a 150
Reunimos os últimos 50 diagnósticos do MONITOR DE MÍDIA em um e-book para você

Em agosto, o Monitor volta. Como não poderia deixar de ser. Há muito trabalho pela frente. Eu sigo com outros desafios, ainda insondáveis para mim.

7º encontro nacional de pesquisadores em jornalismo já tem site

Já está na rede o site do 7º Encontro da SBPJor: http://sbpjor.org.br/evento/.

Por lá, temos notícias, programação e outras informações sobre o evento, que acontece em São Paulo de 25 a 27 de novembro, lá na USP. Em breve, as inscrições também poderão ser feitas pelo próprio site… Vai lá conferir!!!

michael jackson em todo lugar

Não acompanhei os funerais de Michael Jackson. Os muitos compromissos de final de semestre simplesmente impediram. Mais sortuda que eu, minha esposa – que já está praticamente de férias – zapeou pela TV hoje à tarde e ficou impressionada com a onipresença do rei do pop.

Segunda ela, ao menos doze emissoras transmitiam o tributo ao vivo: RTP, Globo, Band, Record, Record News, CNN, CNN espanhol, E!, MTV, MTV Brasil, CBS e BandNews. Falta de pauta, exagero midiático, circo sinistro, tudo isso e mais a gigantesca figura pública que o artista construiu durante a carreira.

Quando o papa João Paulo II morreu, o anúncio de sua morte foi considerada a notícia mais dada do mundo. O episódio foi desbancado pela vitória de Barack Obama nas eleições norte-americanas, em menções na mídia. Com o passamento de Michael Jackson, sem apelos religiosos ou políticos, isso deve mudar. Alguém aí duvida que o acontecimento possa ser o fato mais noticiado da história? A conferir…

um prêmio para a pesquisa em jornalismo

Estão abertas desde 1º de junho e vão até 10 de agosto as inscrições para a  quarta edição do Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo. A premiação é voltada para trabalhos elaborados durante o ano de 2008 em três categorias: Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado. Uma quarta categoria (Sênior) é destinada a pesquisadores com reconhecida trajetória no campo do Jornalismo. Entre as novidades deste ano está a composição das comissões avaliadoras por três membros e a possibilidade de envio de trabalhos de iniciação científica em co-autoria.

O PAGF já é o mais reconhecido da pesquisa em jornalismo do país. Os resultados e vencedores devem ser anunciados em 6 de outubro, e os aclamados e seus orientadores receberã diplomas de mérito durante o 7º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, que acontece na USP em novembro.

O regulamento pode ser acessado aqui, e a ficha de inscrição aqui.

Todos os trabalhos devem ser enviados para o email premiosbpjor@yahoo.com.br

quando miles encontra michael

Porque ainda esta semana ouviremos muito falar de Michael Jackson, começo a semana com um encontro inusitado, emocionante e intenso: Miles Davis toca a “natureza humana” do rei do pop…

educação brasileira, um diagnóstico

Mario Sergio CortellaUma das entrevistas mais lúcidas que li nas últimas semanas está na edição de junho da revista Fórum. O filósofo Mario Sergio Cortella faz uma análise ponderada, aprofundada e certeira da evolução da educação no Brasil. Sua leitura mescla política, projeto econômico, história e realinhamento de forças na sociedade.
Cortella cita Darcy Ribeiro para quem a educação nacional não vive crise, mas realiza um projeto.

Destaco um trecho:

“A ditadura agudizou a crise da educação no Brasil? Sem dúvida, mas não por ser uma ditadura em si, mas porque fez um projeto capitalista com as elites. Juntar elite predatória, classe política canalha e classes médias acovardadas é uma receita muito boa para se criar uma condição econômica privilegiada e uma da educação que é de miserabilidade”.

Na entrevista, Cortella não se faz de rogado e dá nome aos bois quando avalia as políticas educacionais brasileira e paulistana dos últimos 15 anos. Com elegância e erudição características, o filósofo convida a pensar sobre os papéis da escola e da família, sobre a derrocada da função do professor e sobre a necessidade de fazer da educação um projeto prioritário de nação. Imperdível!!

A revista Fórum é dirigida pelo competente e insistente Renato Rovai.

37 – 5

No mês passado, completei 37 anos. Junho foi um tempo intenso, recheado de excelentes e péssimas notícias, do aconchego de amigos, de trabalho doentio, dos dias que escaparam pelos dedos. Trinta e sete é uma idade esquisitona. Não é bíblica como o 33, capciosa como o 24, nem emblemática como o 40. Não sou mais adolescente faz tempo, mas também não entrei na meia idade. Na verdade, é bem gostoso estar na faixa dos 30 e poucos. Você já não é aquele vulcão sem controle, não carrega tantos pesos desnecessários, tem mais jogo de cintura para os problemas, menos paciência para alguns assuntos e mais tolerância para outros.

No meu caso, a lataria está um pouco mais arranhada do que eu gostaria. A tapeçaria já não é aquela Brastemp, e tem os pneus também… Mas a parte elétrica – a da faísca – e o motor estão bonzinhos. Um vendedor de concessionária diria que é um semi-novo meio maltratatado. Eu concordaria, e pediria desconto pra levar a carcaça pra minha garagem.

Mas se o chassis se sustenta e se o automóvel tem história, conhece as estradas, vale a viagem.

A minha vem valendo muito. Meus 37 anos me deixam muito confortável, sabe? Minha mente é bastante jovial, e cuidar do corpo é por minha conta e risco. A preguiça ou a desculpa da falta de tempo me acomodam na fila daqueles que saqueiam a geladeira nas madrugadas, daqueles que praticam halterocopismo e arremesso de camarão à boca, daqueles que gostariam de puxar o freio de mão da vida, pra que ela seguisse numa marcha bem mais maneira…

Aos 37, me sinto verdadeiramente afortunado pelos meus amigos, pelos parentes que me amam – não são todos, é verdade, e é compreensível -, pela profissão que escolhi, pelo lar que venho construindo, pela vida que venho desenhando no espaço desta existência. Tem sido muito bom, embora eu já imagine que esteja chegando à metade da jornada. Bem, que venha a melhor parte agora…

***

Junho também celebrou os cinco anos de meu filho. Para o leitor que não tem filhos, isso parece apenas uma efeméride vazia, sem graça. Para os que ajudam a povoar o mundo, ah!, esses sabem o que são cinco anos de filiação. Ser pai, ser mãe – ao menos para mim – é exercer o papel de repetir os clichês, os lugares comuns que condenávamos em nossos pais. Dois carimbos fáceis:

“Nossa! Parece que foi ontem!”

“É uma bênção ter filhos, um presente!”

Eu diria mais: ele é a minha evolução, a versão beta mais bem acabada, um reloaded que funciona muito mais rápido e melhor. Seus chips são melhores; suas habilidades mais acionáveis; sua graça e inteligência, mais tangíveis. É muito bom ficar assistindo ao espetáculo da continuação, da geração, da vida em gerúndio. É muito bom perceber o desenvolvimento daquelas cabecinhas, o refinamento gradativo dos modos e comportamentos, o aflorar da consciência dos atos, a manifestação da sinceridade e da personalidade. Viver é maravilhoso; assistir à vida também é muito bom.

Dá um certo desalento cair na real. Ele tem apenas cinco anos. E muito do que você fez com ele, muito do que fez para ele sequer será lembrado. É duro, eu sei. Mas pense: o que você se lembra dos três anos? E dos quatro? Nossas lembranças mais longínquas parecem gravitar em torno dos cinco ou seis anos. E aí, você que é pai, você que é mãe fica pensando: “Putz! Tudo o que fiz se perdeu, se esvaiu?” Sim, talvez sim. Mas eu gosto de ver por outro lado: Foi um prazer participar disso tudo, sabia?

***

Estou aos 37. Ele está aos 5. Ainda vai descobrir esquinas mal iluminadas da vida. Ainda vai se deparar com as dificuldades de se colocar no mundo. Ainda vai conhecer as pessoas de que não quererá esquecer, que vai ansiar em carregar consigo. Foi assim comigo. Tem sido assim desde que o mundo é mundo. Será com ele. E que bom, não é verdade? O disco da vida gira igualzinho sempre, mas cada faixa toca de uma forma…

fim dos diplomas: a moda pegou!

Deu no Consultor Jurídico:

Requião questiona diploma para oficial de Justiça

Depois de decidir que jornalistas não precisam ter diploma para exercer a profissão, será a vez do Supremo Tribunal Federal resolver se oficiais de Justiça precisam de um curso superior para exercer o ofício. Roberto Requião, governador do Paraná, entrou com Ação Direta de Inconstitucionalidade, no STF, contra a Resolução 48/07 do Conselho Nacional de Justiça. A regra estabelece que os Tribunais de Justiça exijam diploma de curso superior para oficial de Justiça. Para Requião, a Resolução é uma afronta à autonomia e isonomia do poder Judiciário dos estados-membros.

Segundo ele, a determinação “produziria uma subordinação absoluta dos tribunais ao CNJ, violando a autonomia administrativo-orçamentária e mesmo de iniciativa legiferante do Judiciário local”. O governador afirma que seria questionável a competência do CNJ para proibir a nomeação, por meio de concurso público, de oficiais de Justiça que não possuam curso superior.

De acordo com Roberto Requião, “apenas a lei em sentido formal – ato editado pelo poder Legislativo, de iniciativa do poder Judiciário – poderia tratar da matéria”. Nesse sentido, o governador lembra que no Paraná existe a Lei estadual nº 16.023/08, que prevê o ensino médio como suficiente para o exercício da função de oficial de Justiça.

A elevação do requisito mínimo para o cargo, alerta Requião, ocasionaria um acréscimo significativo das despesas orçamentárias no Poder Judiciário do Paraná, “inviável na atualidade, pois inexistem recursos financeiros para suprir essa demanda”.

(Por falar no assunto, o blog Azesquerda publica um contundente artigo do constitucionalista João dos Passos Martins Neto sobre o fim do diploma de jornalismo)

100 blogs para estudantes de jornalismo e mais

Se você é estudante de Jornalismo, jornalista ou se interessa pela coisa, conheça uma lista de 100 melhores blogs sobre o assunto. A lista é ampla, mas limitada a endereços da blogosfera em inglês. Mas vale conferir e favoritar.

Veja aqui.

Se você é estudante de Jornalismo, jornalista, se interessa pela coisa e já leu o Jornalismo 2.0, do Mark Briggs, fique atento. Segundo o autor, está no forno uma edição reloaded do livro. Mas ele avisa: o livro só passará a circular daqui a quatro meses. Enquanto isso, ele vai dar umas palhinhas no seu blog…

cai o diploma; não caem os registros

A decisão do Supremo Tribunal Federal que desobriga o diploma de Jornalismo para exercer a profissão – a exemplo de outras sentenças – trouxe mais dúvidas e incertezas do que paz para o campo profissional. Após oito ministros do STF terem votado pela não exigência, havia dois entendimentos distintos para a nova realidade do mercado de trabalho jornalístico:

– A suprema corte decidiu que o decreto 972/69 era totalmente inconstitucional e, por isso, não haveria mais sentido existir registros profissionais para os jornalistas. A profissão estaria totalmente desregulamentada, sem regras de ingresso.

ou

– A suprema corte apenas vetou a obrigatoriedade do diploma. Com isso, ainda seria necessário ter registro para atuar na área, mas ele poderia ser obtido sem o canudo, como milhares de pessoas conseguiram amparadas pela liminar da juíza Carla Rister.

Permaneceu um vácuo jurídico até o final da semana passada. Na sexta, saiu no Diário da Justiça Eletrônico a decisão do STF:

O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, Ministro Gilmar Mendes (Presidente), conheceu e deu provimento aos recursos extraordinários, declarando a não-recepção do artigo 4º, inciso V, do Decreto-lei nº 972/1969, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio. Ausentes, licenciados, os Senhores Ministros Joaquim Barbosa e Menezes Direito. Falaram, pelo recorrente, Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo – SERTESP, a Dra. Taís Borja Gasparian; pelo Ministério Público Federal, o Procurador-Geral da República, Dr. Antônio Fernando Barros e Silva de Souza; pelos recorridos, FENAJ – Federação Nacional dos Jornalistas e outro, o Dr. João Roberto Egydio Piza Fontes e, pela Advocacia-Geral da União, a Dra. Grace Maria Fernandes Mendonça, Secretária-Geral de Contencioso. Plenário, 17.06.2009.

Com isso, o entendimento que tenho é de que caiu o diploma, mas os registros continuam valendo e sendo necessários para se atuar na área. O trecho da lei considerado inconstitucional é justamente o que define como documento obrigatório para se obter o registro o diploma de Jornalismo. Com o veto ao inciso V do artigo 4º, pode-se correr atrás do registro de jornalista sem o diploma.

Resumo da ópera: cai o diploma, mas o registro permanece como condição de acesso ao mercado de trabalho. Desregulamentação pela metade.

***

Para ver mais sobre a polêmica da queda do diploma, basta acessar a edição desta semana do Observatório da Imprensa, que traz um especial sobre o tema.

literatura e redes sociais

A literatura é mesmo um rio. Não dá pra aprisionar. Você estanca, ela busca formas de se desviar dos entraves. Você tenta deter as águas, mas ela contorna, se espessa, rompe e se espalha.

Esta semana, vi que dois dos caras mais conectados que conheço estão fazendo vazar suas prosas pelas redes sociais. Fernando Arteche começou a publicar trechos de um “suposto livro” na forma de posts em seu blog, Os trabalhos e os dias. André Lemos anunciou que vai adaptar um livro inacabado –  chamado “Reviravolta” – para o twitter. Ele mesmo conta: “História de viagem, na e fora da rede. Posts todo sábado, com o marcador &. Para seguir é so apontar para http://twitter.com/andrelemos

A literatura é mesmo um rio…

prestem atenção: é a história acontecendo…

Preparem-se!

Sim, ficaremos por dias lendo e ouvindo muita coisa sobre a morte de Michael Jackson e as implicações na cultura pop e no showbiz… mas veremos também muita discussão sobre como este episódio traz novidades para o jornalismo, para a consolidação das redes sociais e para novas configurações no processo de comunicação.

A CNN não exagerou. Jackson morreu e quase levou consigo a web.

Robert Niles, por sua vez e de forma arguta (como sempre), já aponta as lições que o caso oferece para os jornalistas que cobrem assuntos quentes.

Estamos diante de capítulos historicamente importantes da contemporaneidade. Poucas são as vezes em que o verbo “revolucionar” é empregado com tanta pertinência e vinculado com tanta justeza a um sujeito. Realmente, Michael Jackson revolucionou a cena pop, e isso não é um exagero. Sua morte foi uma grande notícia, do ponto de vista jornalístico e do ponto de vista leigo. A maneira como os meios de comunicação agiram e reagiram ao episódio também tem relevância. Pois nos permite estudar aspectos fundamentais para o jornalismo, como credibilidade, confiabilidade de fontes, velocidade na produção e difusão de notícias.

As coisas estão mudando rapidamente.

Portanto, o leitor tenha paciência e atenção. A história  está acontecendo bem debaixo de nossos pés. Aqui e agora. Em toda a parte.

michael jackson e eu

25 de junho de 2009. 17h40. “Meu! O Michael Jackson morreu! Não, não. Sofreu um ataque… é, um ataque! Tá aqui no Twitter”. Meu aluno Joel Minusculi suspende o ar no laboratório da universidade. As pessoas se olham, não acreditam, a gente chega a soltar piadinhas, pensando ser mais um hoax da internet.

1982. Num bairro da periferia de Rio Claro, interior de São Paulo, peço pra vizinha para que deixe ver a capa do disco que ela ouve sem parar a todo o volume. Charmosamente, Michael Jackson repousa num conjunto branco, sobre um fundo escuro. Peguei o LP nas mãos e pedi emprestado.

25 de junho de 2009. 18 horas. Os sites noticiosos começam a confirmar a notícia da morte do artista. As redes sociais já convulsionam. “Não acredito! Não acredito”, é o que mais ouço.

1982. Toco “Thriller” sem parar em casa, o telhado quase dança. Eu e meus três irmãos fazemos a farra na ausência dos pais, no trabalho.

1983. No bairro pobre, a moda pega. Quem tem o disco, empresta para que o vizinho faça cópias em fitas cassete. Na escola, no festival de talentos improvisado, começamos a imitar as danças do cara. Juntamos dinheiro para comprar jaquetas vermelhas, como a usada no clipe de “Thriller”. Não evitamos mais usar meias brancas com sapatos e calças escuras. Se ele pode, podemos tambem. Meninos brancos como eu passam a desejar ter mais melanina e mais balanço.

25 de junho de 2009. 19h20. Disciplina de Redes Sociais na Internet. Anuncio na sala de aula a morte de Michael Jackson e a rapidez do twitter, os vídeos mais vistos no YouTube, e os fóruns fervilhantes no orkut. Os alunos têm em média 18 anos. Conheceram a fase menos glamourosa do artista, mas não conseguem disfarçar a consternação, o espanto, a sensação de perda.

1984. Não existe internet. Não existe MTV no Brasil. Os clipes são exibidos em programas da TV aberta, e em ocasiões especiais até mesmo no Fantástico. Quase ninguém tem videocassete no bairro da periferia. Ficamos na expectativa de quando os clipes são exibidos… e quando isso acontece, paramos com tudo para estudar os movimentos do dançarino que parece ter asas nos pés.

1999. Michael Jackson já parece não me importar mais. Tenho outros ídolos. Suas excentricidades, os boatos, os escândalos alimentam uma cadeia imensa de piadas, de gracejos, de lendas. Sim, o artista que mudou a nossa forma de dançar, de cantar, de pensar e viver o pop se torna uma caricatura.

1985. “We are the world” é a música mais executada. Os meninos e as meninas do bairro pobre passam a cantar o hit. Foi a primeira letra de música em inglês que aprendi. As professoras chegaram a distribuir cópias nas aulas, falando de  geopolítica, de união dos países, etc…

1985. Meninos e meninas dançam juntos os sucessos do artista. Imitamos seus passos. Cantamos num inglês inventado. Improvisamos performances na quadra arrebentada da escola. Fingimos ser zumbis coreografados. Esquecemos de tudo e entendemos que se pode ser feliz ao menos na duração de uma canção.

2000. Michael Jackson é um artista recluso, esquisito, atolado em dívidas. É o rei do pop, mas quem venceu a batalha foi Madonna, que soube se inventar, prosperar, impor estilos e modismos. Prince nem é visto pelo retrovisor. Mas quem é rei não perde a majestade.

25 de junho de 2009. 23h40. Minha esposa se espanta com o turbilhão nos sites de relacionamento, as comunidades em luto se espalham numa velocidade impressionante. Ligo para um dos meus irmãos – aquele com quem “ensaiava” os passos -, e ele parecia muito abatido.

26 de junho de 2009. 00h25. Estou num maratona pela TV, zapeando entre clipes, homenagens, noticiários. “A gente parece só dar valor ao que a gente perde”, diz a mulher ao meu lado. Concordo com ela. Michael Jackson já não era o meu artista predileto, era mais um bom motivo de piadinhas, de trocadilhos, de gracejos. Mas não posso ignorar que ontem – com ele – se esvaiu uma parte importante da minha adolescência, do meu passado. Por causa do artista, um dia, os meninos perderam a vergonha e dançaram. Por causa dele, meninos e meninas quiseram aprender a cantar, quiseram aprender inglês, pensaram em ser artistas, em sair do bairro pobre, em buscar uma outra vida. Se alguém conseguiu? Sei lá, não importa. Mas o artista trouxe o sonho, a possibilidade, a expectativa. Tudo num ritmo contagiante, feliz, arrasador.

Por isso, é triste a notícia. Como foi pouco feliz a vida pessoal do astro. Fica a música, ficam os passos, o relevo da sua figura. Fica a lenda.

produção em mídias digitais: uma especialização

Exu Caveira Cover avisa que estão abertas as inscrições para o curso de especialização Produção em Mídias Digitais, que acontece na PUC-Minas de agosto de 2009 a junho de 2010.

Confira aqui!

o fim dos jornais: em santa catarina

Muito se fala sobre a crise dos jornais, sobre a queda das tiragens, sobre a migração das verbas publicitárias. Outro dia, tratamos do fim da Gazeta Mercantil, e agora, a blogosfera catarinense fervilha com fotos e vídeos que denunciam a penúria, o descaso, o abandono do espólio de O Estado.

Para quem não sabe, O Estado era o jornal mais antigo de Santa Catarina, um orgulho até décadas atrás. Falido, maltratado, mal administrado, O Estado sucumbiu. Celso Martins, um dos melhores repórteres com que trabalhei, mostra no que se tornou o maior diário dessas terras… triste fim.

feliz!

Nenhum post, nenhum poema, nenhum grito poderiam traduzir os ventos que chicoteiam meu coração nesses dias.
Estou feliz e radiante. A vida é surpreendente, e cada uma das suas esquinas mal iluminadas nos faz ver o quanto nada se sabe dos caminhos que percorremos.

das minhas sentimentalidades sobre o diploma

Relendo meu post anterior e ouvindo a minha esposa – o que deveria fazer mais vezes -, queria tornar mais clara a minha posição sobre o fim da obrigatoriedade do diploma de Jornalismo. Mesmo derrubado por uma feroz gripe, ontem, acompanhei atentamente ao julgamento do STF. Tuitei sobre isso. Tentei manter um certo distanciamento do tema, mas no final da sessão, o cansaço e o mal estar (da gripe ou da decisão?), já deixei escapar algumas farpinhas da minha indignação.

Dei aulas ontem à noite e falei com diversos alunos.

Mantive o equilíbrio e hoje cedo, postei uma análise distanciada do tema. Minha esposa leu e se enfureceu: Mas nada te indigna? Nada te tira do sério?

Ela tem razão. Eu deveria falar sobre isso. Mas eu não queria. Abri a caixa postal hoje e vi dezenas, verdade!, dezenas de mensagens destilando raiva, ira, indignação, protesto. Eu não queria engrossar o caldo do fel. Mas por outro lado, não posso falsear meus sentimentos. De decepção, de tristeza, de indignação, de raiva.

Tenho razões muito pessoais para me sentir assim. Sou professor de Legislação e Ética em Jornalismo há dez anos. Neste tempo todo, falei de regulamentação profissional, insisti na importância de uma profissão ter regras claras de ingresso e funcionamento. E ao falar de leis e regulamentos, eu falava sempre da profissionalidade, das formas de sermos o que somos, quando somos jornalistas.

Tenho razões muito pessoais para me sentir assim. Entre 2002 e 2005, fui dirigente sindical em Santa Catarina e trabalhei ativamente, escrevendo textos, promovendo eventos, participando de debates sobre a necessidade do diploma, em defesa desta regulamentação, a favor dessas regras.

Tenho razões muito pessoais para me sentir assim. Desde 2001, o meu fazer-pensar acadêmico gira em torno da profissão, da sua ética, e das estruturas nas quais se apóia a profissão jornalística.

Portanto, o investimento pessoal, emocional, de tempo e de energia de quase uma década foi muito grande, penoso mesmo. Não me arrependo. Claro que não. Continuo acreditando no Jornalismo, como algo importante para a sociedade. Continuo acreditando na organização dos profissionais, que se reúnem para defender e ampliar os seus direitos e a sua dignidade. Continuo acreditando que as escolas podem ter um papel crucial na formação de bons, de excelentes jornalistas. Continuo acreditando. Esta fé – que se traduz em pragmatismo, ou em uma certa frieza a olhos distantes -, esta fé aplaca meu descrédito, minha tristeza.

diploma obrigatório caiu, e agora?

Em dez anos de docência em Jornalismo, poucas vezes senti um clima tão intenso de perplexidade nos corredores da universidade, ontem à noite. Eram pouco mais de sete horas, e os ministros do Supremo Tribunal Federal decidiam que já não seria mais obrigatório ter diploma para se obter o registro profissional de jornalista. Quer dizer, a corte suprema brasileira desregulamentava uma profissão, derrubando um marco de quarenta anos.

Pelos corredores da universidade, alunos e professores se olhavam num misto de consternação, receio e certa vergonha. Claro que sempre houve a possibilidade de uma decisão como aquela, na medida em que o assunto seria julgado, mas pelo jeito, não era o que se esperava. Um silêncio cúmplice pairava, e o ar frio e pesado da noite envolvia a todos, como numa espécie de transe, transe de velório.

Mas o que eu faço com o meu diploma?

O encerramento da polêmica não faz terminar os questionamentos. Alguns perguntam o que farão com seus diplomas, conseguidos a duras penas. Ora, é preciso ter a clareza do alcance da decisão de ontem. O Supremo julgou a OBRIGATORIEDADE e não a VALIDADE do diploma. Isto é, não é mais preciso juntar o canudo para se conseguir o registro. Quem tem diploma expedido por uma instituição de ensino superior reconhecido pelo MEC continua tendo seu diploma, com validade e (por que não?) orgulho.

Repito: a decisão de ontem não enfraquece nenhum diploma. Enfraquece a categoria, na medida em que desregulamenta, na medida em que flexibiliza as regras para ingresso no mercado de trabalho. Antes, havia uma trava – o diploma -, agora, não há mais.

O que eu faço? Continuo o curso?

Mas claro que sim. Estudar não faz mal a ninguém. Quem faz universidade está investindo na própria formação, na própria qualificação profissional, e isso – com diploma obrigatório ou não – continuará a ser um divisor de águas na contratação de gente no mercado. Isto é, qualquer empregador quer sempre admitir o melhor profissional para a sua empresa. Se ele é melhor qualificado  – porque tem um diploma de jornalismo – do que o concorrente que tem ensino médio ou outro curso universitário, o empregador já sabe o que fazer.

As faculdades de Jornalismo vão fechar?

Difícil prever isso. São muitas, é verdade. Estima-se que mais de 400 pelo país. Talvez algumas não sigam adiante. Talvez nada se altere. Mas vamos ser sinceros: não era o decreto-lei 972/69 que fazia com que hordas de jovens se matriculassem nos cursos de Jornalismo. Era e sempre foi a vontade, o desejo, a expectativa de ser jornalistas. Então, não sei se a curto prazo a coisa deva se mover tanto. Um exemplo: a profissão de publicitário não exige diploma do curso para o seu exercício, e mesmo assim, esses cursos universitários são cada vez mais abundantes e cada vez mais atraentes, sendo dos mais disputados. Outras regras parecem vigorar…

A minha escola vai fechar por causa disso?

Abrir um curso universitário é muito complicado. Fechar também. Depende de muitos fatores, de um trâmite longo no Ministério da Educação, e de outros aspectos, entre os quais o da imagem da instituição de ensino. Nenhuma escola deve se orgulhar de fechar cursos, mas sim de abrir novas turmas. Por isso, um curso não se fecha do dia para a noite, até porque se assim o fizer, será alvo de uma torrente de processos dos alunos que se sentirão prejudicados. Por isso, qualquer precipitação agora é demasiada e desnecessária.

O Supremo agiu certo?

Pessoalmente, acho que os ministros demonstraram não conhecer a profissão, e que acabaram confundindo um direito amplo com o direito de exercício profissional. Como quem confunde direito à Justiça e direito de atuar como advogado.

Mas pra ser bem sincero, decidida a questão pelo STF, de que adianta continuar a argumentar e contra-argumentar, se o tempo não volta. Sou mais pragmático. E é necessário olhar pra frente. A derrota foi dura, mas não é a final.

O Supremo pode voltar atrás?

Não. A decisão está posta. O decreto-lei que regulamentava a profissão foi considerado inconstitucional. Para a Justiça, isso significa que ele é inválido. Logo, qualquer pessoa pode requerer seu registro profissional de jornalista sem o diploma.

Então, não há saída? A coisa acabou?

Mais ou menos. A saída não é pelo Judiciário, mas pelo Legislativo ou pelo Executivo. São eles que podem – por exemplo – formularem projetos de lei para uma nova regulamentação para a profissão. E se esse projeto tramitar no Congresso e se tornar lei, pronto: temos novas regras para a profissão.

A boa notícia é que isso pode estar já em curso. No final do ano passado, o Ministério do Trabalho criou um grupo que iria trabalhar na redação de uma nova regulamentação. Há cerca de um mês, o presidente da Fenaj, Sergio Murillo de Andrade, me disse que a coisa estava em banho-maria, penso que no compasso da decisão do STF. Fechado o capítulo no Judiciário, pela via política, haveria outros caminhos…

O mercado vai ficar pior?

É difícil dizer. Principalmente, num tempo em que é cada vez mais difícil enganar as pessoas. Por conta da internet e da cordilheira de informação que todos temos à disposição, a toda hora, pode-se desmintir qualquer um que queira aplicar um golpe. Fazer jornalismo é cada vez mais difícil. Vai depender de gente cada vez mais qualificada. Para a lei, não vai importar se essa gente terá diploma de Jornalismo ou não. Mas o fato é que nunca na história humana houve tanto interesse por informação e houve tanta informação à disposição. Isso requer tratamento técnico, especializado, adequado. Isso requer triagem, seleção, acuro, qualidade e credibilidade. Jornalistas são ainda muitíssimo necessários. Bons jornalistas são mais necessários ainda.

O jornalismo precisa se reafirmar. E talvez se reiventar. A ausência de diploma obrigatório trará novos componentes no cotidiano das redações, novas formas de atrito e de reacomodação de forças. O jornalismo continuará a ser necessário para as democracias, para a cidadania, para o desenvolvimento humano. Os profissionais que se ocupam disso, que se arriscam diariamente para obter informações, devem se orgulhar por este papel social que cumprem. Devem se orgulhar, mas precisam estar atentos, pois as mudanças são muito rápidas nesta área. Esta instabilidade provoca a vertigem e o deleite.

Para ir mais adiante…

Alec Duarte faz uma equilibrada análise de como fica a formação daqui pra frente. Cesar Valente aponta para dois possíveis caminhos, com a desregulamentação, e opta pelo mais otimista. Alberto Dines avalia que o STF errou tanto na extinção da Lei de Imprensa quanto com o expurgo da necessidade do diploma.

diploma de jornalismo não é mais obrigatório

O Supremo Tribunal Federal acaba de decidir que já não é mais obrigatório ter diploma de ensino superior para se obter o registro de jornalista. Caiu o diploma e a regulamentação profissional. Fiz cobertura pelo Twitter, mas amanhã – com a cuca mais fresca e o corpo mais refeito da gripe – escrevo algo aqui.

Agora, preciso dar minhas aulas… de Jornalismo.