Maçã-come-dedo!
Carioca-da-gema…
Homem-melancia.
Pão-duro.
Tomate-mestre e couve-flor-carneiro.
Basta dar uma olhadinha na banca de jornais, uma rodadinha pelos canais de TV ou uma voltinha na web e a gente se depara com a falação do momento: os gringos estão crescendo o olho sobre a Amazônia.
A capa da revista Isto É desta semana é sintomática:
No outro canto da banca, O Estado de S.Paulo berra: A Amazônia tem dono. E na semana que passou assisti a duas vezes, ao menos, a veiculação de um editorial da Band sobre o tema, conclamando o governo a tomar pé da situação. Joel Betting e José Luiz Datena leram “a opinião da Band”.
Não sei nada de Amazônia. Nunca fui até lá. Não sei nada de direito internacional e tenho uma idéia vaga de soberania nacional. Mas de qualquer forma não custa perguntar: Não é estranho que essa gritaria toda ganhe a mídia logo após a saída de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente? Se eu fosse um sujeito persecutório e encanado, diria que uma parcela influente da comunidade internacional estaria pressionando o governo brasileiro pelos flancos, os flancos ambientais. Lembra daquela queda de braço do biodiesel brasuca e do biodiesel à base de milho?
Todos parecem querer falar da Amazônia, pôr as mãos nos seus recursos, tirar fotinhos com macacos e indiazinhas ribeirinhas. A Amazônia é de todos. Ao menos nos sonhos…
Deu no Comunique-se, matéria de Carla Soares Martin:
Uma pesquisa da empresa de comunicação Textual afirma que 82% dos jornalistas utilizam blogs como fonte de pesquisa para suas matérias e reportagens. A empresa entrevistou, por questionário, 100 profissionais da mídia, nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte e Brasília, durante o mês de maio.
Decidi que estou numa semana de test-drives… tô fazendo isso com softwares e sistemas e otras cositas mas. Hoje à noite, foi a vez do navegador. Tô querendo assumir totalmente meu romance com a raposinha do Firefox… e tô aprendendo um monte com ela…
(acabei de publicar este post usando uma extensão direta do navegador. No popular: não precisei entrar na página do wordpress, me logar, botar senha, entrar na página de administrador e aí sim postar. Cliquei num botãozinho no pé da página e abriu uma janelinha para escrever e postar. A-do-rei!)
Nota no Expresso Digital, o boletim eletrônico do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, alfineta o empresariado do ramo:
Profetas que previram o fim do meio jornal: aproveitem para ler o caderno de empregos. A frase acima faz parte da campanha promovida pela Associação Nacional dos Jornais (ANJ) e foi veiculada na edição de hoje do Diário Catarinense, pg 10. Em linhas gerais, os textos destacam a alegria do patronal com o aumento na venda de exemplares, ampliação da publicidade no setor e, conseqüentemente, os lucros produzidos pela mídia impressa, que crescem anualmente.
O presidente da ANJ, Nelson Sirotsky, também presidente do grupo RBS, é o principal negociador com o Sindicato dos Jornalistas.
A peça publicitária da Associação destaca ainda: “Quem poderia prever que o jornal iniciaria o ano crescendo? Qualquer pessoa bem informada, já que ele fechou o ano passado com números extremamente positivos”.
“No primeiro trimestre de 2008 a tendência se acentuou e o investimento publicitário aumentou 23,72%, segundo a Intermeios. Em março, o percentual de participação dos jornais no bolo publicitário ficou em 19,4%, contra 18,3% no mesmo mês do ano anterior. Mas ainda sobrou um espaço para quem disse que o jornal iria acabar: a errata”.
Os dados da campanha publicitária mostram que o patronal tem amplas condições de pagar o piso mínimo de R$ 1.500,00 para os trabalhadores jornalistas.
A nota do SJSC bate forte porque a categoria está em plena negociação salarial. O período é delicado, sentar à mesa com os interlocutores é sempre complicado, uma cantilena de reclamações dos patrões: sempre a situação está difícil, quase nunca há condições de se pagar melhor os trabalhadores, etc…
Agrava a situação o fato de que a categoria é pouquíssimo unida e quase nada articulada. Quase sem respaldo, os dirigentes sindicais tentam desobstruir os diálogos, mostrando a necessidade de aumento e a incorporação de novos direitos e garantias. Não é fácil. Participei de ao menos duas negociações do tipo quando fui vice-presidente do SJSC, e ao final das reuniões o cansaço mental e emocional de todos era visível. Havia também outros sentimentos: uma raiva diante do teatro dos patrões e uma indignação incontornável. Apesar de tudo, é preciso resistir, de forma intransigente. É necessário sentar e negociar, brigar por direitos, pois eles nunca são concedidos, são conquistados.
Responda rápido: para quantos políticos você destinaria um post no seu blog?
Para quais?
A exemplo de muitos, eu dedicaria poucas linhas a poucos. O Jefferson Peres, que morreu há pouco de um ataque cardíaco fulminante, seria um deles. Uma montanha de clichês poderia ser suportada naquela estrutura corporal frágil: “reserva moral”, “político sério”, “homem público”, “bastião da moralidade e da ética”…
Esse sim mereceria luto de três dias.
Mais um clichê: o Senado perde uma voz respeitada dentro e fora dali.
Não conheço a Renata Correa, mas soube no Twitter que ela compilou 10 frases definitivas e memoráveis do Nelson Rodrigues.
Você pode não concordar com todas, mas não pode deixar de reconhecer que ele era um frasista espetacular. (Obrigado, GPavoni, pela dica!)
As frases, mastigadinhas:
Lia Seixas, conforme prometido, postou ontem a segunda parte da entrevista que fez com José Marques de Melo sobre os gêneros jornalísticos.
Aqui, você lê (ou ouve) a primeira parte .
(Aproveite pra ouvir a rádio do blog dela também. De primeira linha…)
Alex Primo – que engrossa a fila de desesperados como nós – lançou um abaixo-assinado solicitando a ampliação de horas no dia. O documento é endereçado a Bento 16. Você pode assinar aqui e participar dessa ofensiva pela libertação de homens e mulheres em busca de dias mais largos.
Eu também assinaria, não fosse o destinatário.
Acho que o documento deveria seguir direto pro chefe, sem intermediários. Mas como Deus anda bastante ocupado – o mundo está uma loucura! -, talvez a concorrência queira aproveitar a ocasião…
Já está na rede o site do evento, que acontece de 19 a 21 de novembro, na Universidade Metodista, em São Bernardo do Campo (SP).
Mais informações, no site!
A Associação Brasileira dos Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) acaba de lançar a chamada para a 3ª edição do Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo.
Veja os detalhes:
O Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo é atribuído em quatro modalidades:
A. Iniciação Científica, que premiará a melhor pesquisa em iniciação científica ou monografia de conclusão de curso no campo do jornalismo;
B. Mestrado, que premiará a melhor dissertação de mestrado no campo do jornalismo;
C. Doutorado, que premiará a melhor tese de doutorado no campo do jornalismo.
D. Sênior, que premiará a trajetória acadêmica e a contribuição do pesquisador para o campo do jornalismo.
O Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo, que será entregue em cerimônia pública pelo presidente da SBPJor, consiste em “Diploma e placa ao agraciado e a seu orientador nas categorias Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado”, além do homenageado na categoria Sênior.
A avaliação dos trabalhos inscritos será feita com base nos critérios de (1) mérito científico, (2) adequação ao tema ao campo do jornalismo, (3) metodologia, (4) uso correto da bibliografia, (5) originalidade e (6) inovação conceitual/teórica ou experimental/aplicada sobre o jornalismo.
Nas inscrições individuais são necessários:
A) Ficha de inscrição devidamente preenchida (enviada em arquivo digital anexo, separado).
B) Os trabalhos de iniciação científica e/ou monografia deverão ser apresentados na forma de um artigo para comunicação científica, conservando o título original, com um resumo de no máximo 10 linhas (em português), introdução, descrição da pesquisa, metodologia empregada, análise dos resultados, conclusões e referências bibliográficas. O trabalho deve ser enviado por e-mail (pagf2008@yahoo.com.br em arquivo PDF), acompanhado de uma declaração da instituição (em arquivo anexo) que ateste se o trabalho é de iniciação científica ou de monografia, período em que foi desenvolvido e professor orientador. No caso de trabalhos de iniciação científica, podem ser enviados trabalhos relativos a pesquisas em andamento ou concluídas em 2007 e, no caso de haver dois bolsistas de um mesmo projeto, o artigo deverá ser individual. O tamanho do texto deve ficar entre 40 mil a 60 mil caracteres (com espaços), incluindo bibliografia, fonte Times New Roman, corpo 12, em espaço 1,5. As comissões julgadoras não apreciarão trabalhos enviados fora destas especificações.
C) Para os trabalhos de mestrado e doutorado exigir-se-á o encaminhamento, vai e-mail (pagf2008@yahoo.com.br), com título, resumo e sumário descritivo dos capítulos do trabalho. O sumário descritivo deve ocupar no máximo 10 mil caracteres com espaço. Os trabalhos devem ser enviados com pseudônimo do autor e sem qualquer tipo de identificação do autor, do orientador e da instituição (no corpo do arquivo). Os trabalhos deverão ser encaminhados pelos próprios autores em arquivo PDF, via e-mail, acompanhados de uma declaração da Instituição atestando a aprovação e a nota obtida, bem como da ficha de inscrição com os dados de identificação, ambas em arquivo anexo, em separado. No corpo do texto do trabalho não deverá constar o nome do autor, e sim seu pseudônimo. Também não deverão constar os nomes do orientador nem da Instituição onde o trabalho foi desenvolvido, excluindo-se deste todos os agradecimentos ou citações que possam vir a identificar o autor do trabalho, sua instituição ou orientador.
D) Os trabalhos inscritos nas categorias Mestrado e/ou Doutorado devem, necessariamente, encaminhar, também em arquivo separado (versão PDF), a versão integral da dissertação e/ou tese, além do formato indicado na letra ‘C’, artigo 9º, deste Regulamento.
E) No caso da candidatura a Sênior, o proponente deverá enviar uma justifica da indicação do pesquisador, em que conste um resumo de sua trajetória acadêmica e de sua contribuição para o campo da pesquisa em jornalismo, de, no máximo, 10 mil caracteres (com espaço), em arquivo PDF, via e-mail (pagf2008@yahoo.com.br).
Calendário da Edição 2008 (III Prêmio AGF)
Lançamento da edição 2008 do Prêmio AGF: Abril de 2008
Recebimento de trabalhos (inscrições): 31 de julho de 2008
Prazo para Homologação das inscrições: 31 de agosto de 2008
Avaliação (julgamento) dos trabalhos inscritos: até 10 de outubro 2008
Solenidade de entrega do Prêmio aos vencedores: 19 de novembro de 2008
Inscrições por e-m: pagf2008@yahoo.com.br Outras Informações: www.sbpjor.org.br
O curso de Jornalismo da Univali abriu hoje à tarde o seu blog.
A iniciativa visa estreitar mais a comunicação entre alunos e professores, bem como difundir com mais rapidez e intensidade das produções do primeiro curso de Jornalismo do interior de Santa Catarina.
Se você sabe pouco do curso – que já tem 16 anos e formou mais de 600 jornalistas – ou não passou pelo blog, dê uma passadinha por lá: http://blogdojornalismo.wordpress.com
Saíram os vencedores do 2º Prêmio Espiral Edublogs 2008!
Saíram os vencedores do Knight News Challenge!
A perspicaz Lia Seixas entrevistou – no último sábado – o professor José Marques de Melo, a “maior referência brasileira no assunto gêneros jornalísticos”.
A primeira parte da entrevista foi ao ar hoje. Veja aqui.
A segunda virá na próxima terça.
(A entrevista, longa, com bom ritmo e com diversas surpresas, vale uma aula e um seminário sobre o tema)
É natural que um governante troque seus subordinados e companheiros de batalha política.
É normal que alguns desses aliados deixem o governo por insatisfação, por questões pessoais ou por insustentabilidade política.
É normal o troca-troca, ainda mais quando se vai além do primeiro mandato.
Mas tava hoje cedo – no trânsito – contando os desembarques mais evidentes do governo Lula:
– Zé Dirceu saiu
– Gushiken deixou a pasta
– Ricardo Kotscho voltou pra São Paulo
– Berzoini não está mais lá
– Palocci continua em Brasília, mas não no Ministério
– Zé Genoino desembarcou
– Saíram também o André Singer, o Bernardo Kucinski e o Eugenio Bucci
– Nilcéia Freire e Waldir Pires também lá se foram
– Agora, foi a vez de Marina Silva
Rapidinho a gente percebe como um mesmo governante pode ter dois governos completamente diferentes. Evolução? Dissenção? Sei lá, mermão!
Uma amiga me manda um vídeo sobre os 60 anos da criação do estado de Israel.
O vídeo tem pouco mais de sete minutos, mas vale a pena assistir e rever conceitos.
Se os negros aparecem pouco na mídia catarinense, as mulheres negras freqüentam muito menos espaço nos jornais. Esta é uma das principais conclusões de uma pesquisa desenvolvida no curso de Jornalismo da Univali, em Itajaí, e que conta com financiamento do CNPq. “Essas mulheres aparecem em apenas 2,3% das fotos publicados nos três principais jornais do Estado”, revela Roberta Watzko. A pesquisadora se debruçou sobre as páginas do Diário Catarinense, Jornal de Santa Catarina e A Notícia durante cinco meses, observando as fotos e catalogando cada imagem conforme a etnia e o gênero das pessoas retratadas.
“Foram mais de 34 mil fotos registradas entre outubro de 2007 e fevereiro de 2008”, completa o orientador da pesquisa Rogério Christofoletti. “Os resultados apontam para uma quase invisibilidade da mulher negra na imprensa. Nossos dados mostram que estatisticamente essas mulheres aparecem menos do que correspondem na população no estado”, completa. Segundo o Censo de 2000, mulheres pardas e negras somam 4,5% dos habitantes em Santa Catarina, números que hoje são mais significativos, já que a Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar (PNAD) de 2006 sinaliza um contingente bem maior dessas etnias.
De acordo com Roberta Watzko, a pesquisa ainda está em desenvolvimento. “Já concluímos a fase de levantamento estatístico da presença desses sujeitos na imprensa. Agora, voltaremos a esses dados e observaremos onde e como essas mulheres aparecem nos jornais”. A acadêmica de Jornalismo afirma que os dados da pesquisa não permitem concluir quais as razões da pouca presença das mulheres negras nas páginas da imprensa. “Sabemos que há preconceito na sociedade, e a imprensa parece reforçar esse comportamento, promovendo um certo ‘branqueamento’”.
Denominada “Mulheres Negras nas páginas dos jornais catarinenses”, a pesquisa é continuação de outro estudo desenvolvido em 2005 e 2006, quando foi identificada a presença dos negros nas fotos dos mesmos jornais. “Naquela época, não estávamos preocupados com a questão de gênero”, lembra Christofoletti. “Nossos resultados mostraram pouca visibilidade dos negros nas fotos, mas o que mais nos chamou a atenção foi onde eles apareceram. Quase sempre estavam nas páginas de esportes e cultura, restritos a jogadores de futebol ou músicos”. Parte dos resultados da primeira pesquisa foi apresentada em eventos científicos e publicada em uma revista portuguesa.
(Do press-release distribuído pelo Monitor de Mídia)
O terremoto de 7.8 graus na escala Richter que se abateu sobre o sudoeste da China hoje de manhã provoca ondas de choque por todos os lados.
Paul Bradshaw, como de hábito, muito rápido e antenado, reflete sobre o arrasa-quarteirão e as olas no Twitter.
Aqui no Brasil, o não menos antenado e rápido Pedro Doria avalia que a tragédia é um tremendo teste para o gigante chinês:
Este é um teste para a abertura da China. O New York Times trabalha com 7.600 mortes, já. A capacidade do governo de atender as vítimas, de lidar com a ajuda internacional, de explicar ao mundo o que se passa, darão mostras de que tipo de potência poderemos esperar. A China entrará num casulo de auto-proteção – como a URSS costumava fazer – ou permitirá à imprensa que torne tudo público, inclusive os vacilos das autoridades locais e nacionais? É certo que um caminho do meio é o mais provável. Do meio, sim, mas de que lado?
Se aqui no Brasil já temos a Rede Alfredo de Carvalho (a Rede Alcar), que se encarrega de um gigantesco inventário das histórias das diversas mídias, no México, há a Red de Historiadores de la Prensa y el Peridosimo en Iberoamérica.
Vale a pena passar por lá e cruzar antenas com nuestros amigos de la lengua de Cervantes…
1. Na Slate, Chris Wilson demole a suposta democracia da web 2.0. Para isso, usa como exemplos a Wikipedia e o Digg.
2. No CyberJournalist, uma survey sobre a credibilidade online.
3. Marcos Palacios comenta o livro de Adrian Monck que questiona a credibilidade da mídia através da história.
4. O próprio Monck apresenta o sumário de seu “Can you trust the media?”
No YouTube, há um video curtinho que oferece uma experiência agradável e interessante: nele, o internauta viaja com profundidade de campo pelo painel GUERNICA, de Pablo Picasso, pintado por ocasião dos bombardeios aéreos sofridos pela cidade espanhola de mesmo nome.
Sim, você leu certo. O quadro de duas dimensões – altura e comprimento – passa a ter mais uma, a largura, revelando volume de formas, diferenças de intensidade de luz, projeção de sombras… Literalmente, a tela se mexe, ganha vida.
Veja você mesmo.
Eugênio Bucci é hoje um dos mais atentos e criativos leitores da mídia nacional. Seus argumentos são equilibrados, seus comentários aprofundados e a clareza de seu discurso não só convence, como contagia.
Bucci publicou no início deste ano mais um livro, desta vez, um híbrido que mescla memórias, ensaio e prestação de contas. Presidente da Radiobrás durante o primeiro governo Lula, Bucci assumiu a frente da estatal com o claro propósito de resgatá-la do pântano chapa-branca em que sempre viveu e cresceu para um patamar de empresa pública de comunicação, orientada pelo interesse público e avessa ao patrimonialismo, aparelhamento e clientelismo endêmicos.
“Em Brasília, 19 horas” chegou ao mercado editorial com alguma surpresa. Afinal, não é à toda hora que um insider do governo vem à tona com livro desse porte. Algumas hienas devem ter tremido no Planalto; outros chacais rido nervosamente; as serpentes requebraram no cerrado do DF… Viriam daquelas páginas revelações, escândalos, indiscrições? Nada disso.
O livro de Bucci é, na sua quase integridade, um rigoroso relatório, dando contas de como quis imprimir seu projeto e fazer tomá-lo curso. Claro, há uns rompantes aqui, umas rusgas ali, mas o volume – na minha leitura muito personal – tem ao menos quatro bons motivos para ser lido:
1. O livro nos mostra uma Radiobrás que sempre esteve debaixo de nossos narizes e quase nunca nos interessou. Fale a verdade: a gente sempre pensou naquilo como um setor de Publicidade ou Relações Públicas de qualquer governo de plantão. Não se atrelava a estatal a um lugar onde se pudesse fazer jornalismo mesmo. Bucci relembra a experiência que liderou, comparando com outros momentos da empresa, o que é muito instrutivo.
2. O livro detalha como se pode conceber uma tarefa quase-impossível e como se conduz um projeto desses. Para quem vai assumir cargos semelhantes ou empreendimentos análogos, o livro já valeria como uma envolvente fonte de exemplos.
3. Bucci dá verdadeiras aulas sobre ética jornalística, princípios democráticos, valores republicanos e senso de civilidade. Quem conhece Bucci de outros carnavais ou leu outros livros seus, quem já viu isso sabe que não é só discurso da parte dele.
4. O livro dá dimensões muito precisas das distâncias entre os setores de Publicidade, Relações Públicas e Jornalismo. Cada um tem a sua função e importância. Mas Bucci separa joio e trigo, aveia e centeio. Com isso, revigora as fronteiras entre um campo e outro da área da comunicação, fortalecendo cada qual com seu ethos, seu espírito, suas demandas. Não é pouco isso…
Se o tom do autor no livro é quase sempre relatorial, não há distanciamento. Afinal, ele estava lá, no centro da arena, dos confrontos. Nos últimos capítulos, Bucci fica nu, despe-se de qualquer pudor de falar de si e da sua história e se entrega para o final que prepara. Ele está prestes a deixar o governo e a presidência da Radiobrás e a longa agonia que o separa da porta de saída é contada na riqueza dos sentimentos e nas memórias mais latejantes. O final do livro, bem, o final é matador. Não deixe de ler.
Vejam o que aconteceu numa escola portuguesa quando a professora irritada com os ring-ring decidiu confiscar o celular da aluna…
Seria cômico não fosse trágico!
Deu no Jornalistas da Web:
“Um dos principais portais de mídia online do Brasil, o UOL anunciou nesta semana seus resultados do primeiro trimestre de 2008.
Segundo a empresa, a receita de publicidade e outras somou R$ 53 milhões, representando um crescimento de 56% em comparação com o mesmo período em 2007. O número de assinantes pagantes de banda larga atingiu 1 milhão em março de 2008, um aumento de 20% sobre março de 2007.
Também em março deste ano, de acordo com dados divulgados pelo Ibope/NetRatings, a empresa apresentou um crescimento de 40% em visitantes únicos em relação a março do último ano. Ainda segundo a companhia de aferição, foram 1.848 milhões de páginas vistas e um tempo médio de permanência online de 1:01:02 em março de 2008.
O lucro líquido foi de R$ 24,7 milhões, 11% superior ao mesmo período em 2007″.
Os números são mais do que otimistas, mais que alvissareiros!!!
Desde o dia 5, isto é, há dois dias, está em funcionamento o Observatório de Ciberjornalismo, uma iniciativa que visa acompanhar o desenvolvimento do jornalismo online em Portugal e no mundo. Estão à frente da iniciativa os membros do Cetac.media, o Centro de Estudos das Tecnologias e Ciências da Comunicação.
O mesmo pessoal organiza em 11 e 12 de dezembro, na Universidade do Porto, o primeiro Congresso Internacional de Ciberjornalismo, sob o tema geral “Jornalismo 3G“. Quem abre o evento é o Ramón Salaverría, da Universidade de Navarra, e que recentemente esteve no Brasil.
No Observatório da Imprensa desta semana, Venício Artur Lima escreve sobre a III Conferência Legislativa sobre Liberdade de Imprensa, que reuniu a cúpula do empresariado de mídia no país. O texto “Liberdade de imprensa ou direito à comunicação” é ótimo, e dialoga com grande abertura com o editorial “Liberdade de Imprensa, mercado e direito à informação”, da edição 138 do Monitor de Mídia.
Ah, se todos lessem…