confiança e credibilidade…

Jaciara de Sá Carvalho retoma o assunto que me faz perder o sono, vez em quando: confiança.

No meu caso em particular, confiabilidade e, por extensão, credibilidade.

Vamos por partes, como já disse o rapaz dos becos de Londres.

Jaciara volta ao assunto para comentar suas leituras mais recentes. Ela menciona artigo de Rogério Costa – denominado “Por um novo conceito de comunidade: redes sociais, comunidades pessoais e inteligência coletiva – que ressalta a importância da confiança para o fortalecimento e manutenção dos laços das comunidades na web.

O assunto me interessa quando se fala de confiança das instituições (como a mídia) e de credibilidade dos meios de comunicação. No ano passado, concluí a orientação de uma pesquisa – financiada pelo UOL – em que tentávamos identificar elementos para a credibilidade dos blogs no jornalismo online. Por enquanto, apenas dois artigos resultantes da pesquisa, foram publicados (em co-autoria com Ana Paula França Laux), e podem ser consultados online:

Blogs jornalísticos e credibilidade: cinco casos brasileiros – revista Communicare

Confiabilidade, credibilidade e reputação: no jornalismo e na blogosfera – revista da Intercom

Ando escrevendo e pensando ainda sobre isso, mas nada muito sistematizado. Quando sair fumaça branca, aviso. No momento, a credibilidade na qual venho trabalhando é a que pode estar associada à Wikipedia como fonte de pesquisa escolar. No Mestrado em Educação, concluo a orientação de uma dissertação que trata exatamente desse tema. Por razões óbvias, não posso adiantar os resultados a que minha orientanda – Marli Vick Vieira – chegou, mas posso garantir que o trabalho está muito interessante. Para professores, alunos e pesquisadores da área.

contribuições ao seminário de jornalismo

Reproduzo notícia do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina 

As contribuições para os debates do II Seminário do Programa Nacional de Estímulo à Qualidade do Ensino de Jornalismo e do Estágio Acadêmico serão aceitas até 18 de março. O evento, marcado para Florianópolis, de 27 a 30 de março, juntamente com o I Seminário sobre o Conhecimento do Jornalismo, será consultivo. O objetivo é elaborar atualizações dos dois programas a serem encaminhadas para deliberação no XXXIII Congresso Nacional dos Jornalistas, no mês de agosto, em São Paulo.

Profissionais, professores, estudantes, Cursos de Jornalismo e Sindicatos de Jornalistas inscritos devem encaminhar suas propostas para o e-mail formacao@fenaj.org.br . Os documentos-base para os debates são:

Programa Nacional de Projetos de Estágio Acadêmico 2006 

Programa de Qualidade de Ensino 2004

Os organizadores do evento solicitam que as contribuições a cada um dos programas sejam encaminhadas separadamente, que não ultrapassem cinco páginas cada uma e que sigam os formatos dos dois programas. Após o dia 18, as contribuições serão disponibilizadas no site da FENAJ para que os interessados possam analisá-las e imprimi-las”.

competência em TICs para professores

Já está disponível em inglês e espanhol o documento da Unesco sobre competências em Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) para docentes. Esses padrões foram lançados no começo de janeiro em Londres, mas só agora tiveram sua tradução para o espanhol, conforme conta o ProfEblog.

Em inglês, o documento está em formato word e dividido em quatro arquivos. Aqui.

Em espanhol, o documento está em formato PDF, tem 28 páginas e não chega a um mega. Aqui.

Vale a pena conhecer esses standards e comparar com a própria realidade…

mais jornalismo em portugal

Jorge Pedro Sousa avisa que está no ar o site Teorização do Jornalismo em Portugal, uma iniciativa da Universidade Fernando Pessoa e da Fundação Fernando Pessoa.

Conforme explica o próprio Jorge Pedro, “trata-se da versão inicial e experimental do sítio de um projecto que estamos a desenvolver (…) e que visa recuperar o pensamento jornalístico português produzido até ao 25 de Abril de 1974. Pretendemos fazer do referido sítio uma espécie de biblioteca de resumos de livros sobre jornalismo publicados em Portugal, por autores portugueses, antes de 1974. Dos 350 livros que inventariámos em bibliotecas (primeira
fase do projecto), já temos fichas de leitura de cerca de 120, maioritariamente elaboradas pelos alunos de Ciências da Comunicação da UFP (sem dinheiro da FCT, não foi possível fazer as coisas de outra maneira). Também se encontram no sítio do projecto textos de interpretação, contexto e resultados”.

O projeto tem previsão de conclusão no ano que vem. Entre os pesquisadores envolvidos, está minha querida amiga Monica Delicato, brasileira que faz mestrado do outro lado do Atlântico.

jornalismo no brasil e em portugal: um livro

O professor José Marques de Melo manda o convite para o lançamento de “História, Teoria e Metodologia da Pesquisa em Jornalismo”, que co-organizou com Felipe Pena e Antonio Hohlfeldt. O evento acontece no dia 14, próxima sexta, às 9 horas, no salão nobre da Universidade Fernando Pessoa, no Porto, Portugal. Acontece lá porque o professor Jorge Pedro Sousa, um dos autores da coletânea, atua como anfitrião.

Veja o sumário do livro:

O jornalismo como forma de conhecimento: Uma abordagem qualitativa (Eduardo Meditsch)

Uma história breve do jornalismo no Ocidente (Jorge Pedro Sousa)

Uma história do jornalismo em Portugal até ao 25 de Abril de 1974 (Jorge Pedro Sousa)

Uma história do jornalismo em Portugal: o pós-25 de Abril (João Carlos Correia)

Jornalismo no Brasil: Dois séculos de história (Marialva Barbosa)

Pesquisa e reflexão sobre jornalismo: Até 1950… e depois (Jorge Pedro Sousa)

A teoria do jornalismo no Brasil – após 1950 (Felipe Pena)

A teorização do jornalismo no Brasil: Das origens à actualidade (José Marques de Melo)

A teorização do jornalismo em Portugal até 1974 (Jorge Pedro Sousa, Nair Silva, Gabriel Silva, Carlos Duarte)

Os estudos jornalísticos em Portugal: 30 anos de história (João Carlos Correia) Métodos de pesquisa em jornalismo (Antônio Hohlfeldt e Aline Strelow)

efeito universal na força sindical

Se a Igreja Universal ficou ofendida com as reportagens da Folha de S.Paulo, agora é a vez do presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, que ameaça uma enxurrada de processos contra o jornal. Tudo porque a Folha trouxe matérias sobre repasses do Ministério do Trabalho à central sindical.

Se você não está entendendo, lembre-se que o ministro do Trabalho Carlos Lupi é presidente do PDT, mesmo partido de Paulinho da Força.

E se você não se lembra, recordo que o mesmo ministro foi pressionado a deixar o cargo pela Comissão de Ética do governo federal, já que era complicadíssimo manter-se presidente de um partido e ministro de estado. Deu no que deu. Ele não saiu da pasta, caiu o presidente da comissão de Ética – Marcílio Marques Moreira -, houve repasse de dim-dim par entidade de Paulinho e Paulinho, bravinho, ameaça vir com mil, dois mil processos pra cima da Folha.

Leia matéria aqui: http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u379159.shtml

A Fenaj reagiu contra a ofensiva da Universal. A Fenaj é filiada à Central Única dos Trabalhadores, que rivaliza com a Força Sindical no campo da representação classista no país. Meu bom senso me faz supor que a Fenaj vai bater na Força, agora. Será?

contra a censura na internet

A Unesco e os Repórteres Sem Fronteiras promovem no próximo dia 12 de março o primeiro Dia Internacional da Liberdade de Expressão Online. A idéia lançada é de que os internautas do mundo todo protestem por 24 horas contra os países considerados “inimigos da internet”, já que são eles quem constrangem, perseguem e oprimem jornalistas, blogueiros e demais usuários.

De acordo com os Repórteres Sem Fronteiras, existem hoje 63 pessoas consideradas ciberdissidentes, que estão atrás das grades.

Para a ONG, os países “inimigos da internet” são a Birmânia, China, Coréia do Norte, Cuba, Egito, Eritréia, Tunísia, Turcomenistão e Vietnã.

monitor de mídia 136

Nova edição na rede.

Confira!

http://www.univali.br/monitor

 

 

gaveta do autor: mais uma atualização

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internet na sala de aula: um evento

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Na Espanha, acontece de 26 a 28 de junho próximos, o 1º Congresso Nacional de Internet na Sala de Aula. O evento acontecerá simultaneamente em Madri, Granada, Santander e Barcelona. Mas se você, como eu, não está na Espanha nem deve aparecer por lá naqueles dias, tem outra chance de acompanhar: há uma modalidade virtual do evento que acontece de 1º de abril a 30 de outubro.

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mais duas chamadas de texto

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Rosana Soares, uma das editoras da Rumores, avisa que o primeiro número já está disponível na web. E mais: chama para novas colaborações.

Informações: http://www.rumores.usp.br

A publicação é mantida pelo Grupo de Estudos de Linguagem: Práticas Midiáticas, da ECA/USP

***

A Revista Em Questão, da Fabico/UFRGS, também está de portas abertas a artigos.

O prazo para a próxima edição se esgota em 31 de março.

Mais informações: http://www.ufrgs.br/revistaemquestao


 

fórum de professores: hotsite

A Comissão Organizadora do 11º Fórum Nacional de Professores de Jornalismo manda avisar que já está na rede um hotsite do evento. Passe por lá!

www.fnpj.org.br/11-enpj

sobre grupos e sobre doenças

Nas relações humanas, dois aspectos vêm chamando muito a minha atenção nos últimos dias: relacionamentos em grupo e doenças ocupacionais. As duas coisas parecem distantes entre si, mas estão diretamente vinculadas à minha rotina de trabalho, aos projetos em que estou envolvido, enfim, à vida produtiva.

Na semana passada, uma colega de trabalho passou mal durante uma defesa de dissertação. Sua pressão explodiu, pensou que estava enfartando. Suava e sentia fortes dores no peito. Não porque o trabalho em si era ruim, mas por cansaço extremo e grande sobrecarga de trabalho. Mal terminou a defesa, ela correu ao hospital. Não. Ela não enfartou, mas também não foi afastada para se tratar.

Dias depois, outra colega passou mal. Nervosismo agravado pelo terrorismo do cumprimento de metas e por sucessivos cortes de verbas em seu departamento. Esta também permanece no batente.

Ontem, conversando virtualmente com uma colega de outro estado, ouvia queixas semelhantes de exaustão, desânimo e desesperança no ambiente do trabalho.

Hoje, durante uma reunião, outra amiga passou mal. Teve uma crise de hipoclicemia, somatizada por dissabores diversos.

Todas as colegas citadas acima andam bem nervosas, e todas são professoras.

Não sou médico nem nada, mas na pele do doutor Gregory House eu arriscaria um diagnóstico: Síndrome de Burnout, cada vez mais frequente em profissionais dessa área.

***

Ao mesmo tempo em que assisto a colegas adoecer, vejo projetos em grupo naufragar por dois sintomas: falta de senso coletivo e incapacidade no gerenciamento do próprio tempo. Isso sim vem me deixando doente.

O que percebo ao meu redor é o total egocentrismo, a falta de um compromisso maior com conquistas grupais, a mesquinhez de sempre. Tenho me sentido um idiota em insistir em tantas frentes.

Qual o remédio para isso?

crise na américa latina

A Colômbia pulou o muro do vizinho Equador pra pegar um peixe grande das FARC. Matou o cidadão e violou tratados internacionais. O Equador fez beicinho e exigiu desculpas. A Colômbia contra-atacou, dizendo que o Equador não tinha do que reclamar, afinal ele e a Venezuela davam dinheirinho pros bandidos das FARC. Lá em Miraflores, Chávez ficou chateado e tirou seus tanques de guerra da caixa. Pegou os soldadinhos de chumbo também. Em Brasília, Celso Amorim dourou as pílulas, mas assentiu que um pedido formal de desculpas era de bom tom.

Tô sentindo falta da Condoleeza Rice nesse angu. Esse governo Bush não tem política para a América Latina, não?

Quer saber?

Acho que não vai dar em nada.

uma lista para edublogueiros

Lilian Starobinas  criou uma lista no GoogleGroups para pensar e discutir educação, novas tecnologias e comunicação. Vá conferir, está aberta e crescendo:

Edublogosfera

Eu já estou por lá…

 

 

pesquisa em comunicação: revista

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Vejam o sumário da Chasqui, o número mais recente, o 100.

A versão em PDF ainda não está disponível.

Portada:  
  • Temas y objetivos de investigación en la comunicación de ayer , Luis Ramiro Beltrán Salmón
  • Reto de la investigación latinoamericana , José Marques de Melo

Opinión:
 
  • Dos apostillas a la libertad de expresión , Antonio Pasquali Greco

Ensayos:
 
  • El derecho a la comunicación , José Zepeda Varas y Daniel Prieto Castillo
  • Comunicación, organización y narrativas: Construyendo desde la seducción, Fernando Veliz Montero
  • Comunicación para activar el microcrédito y combatir la pobreza, Fabiana Feijoo
  • Leyendas mercantiles y sabotaje a las corporaciones, Miguel Santagada
  • Marketing municipal , Amaia Arribas Urrutia
  • En defensa del periodismo profesional , Ángel Arrese
  • Compras y fusiones mediáticas a nivel mundial, María Helena Barrera- Agarwal

Prensa:
  • El artículo, un género persuasivo, Rafael Yanes Mesa

Televisión:
 
  • Televisión digital, los olvidados de la revolución, Fernando Fuente-Alba Cariola

Investigación:
 
  • El impacto de la publicidad de cigarrillos en menores de edad, Juan Felipe Mejía Giraldo

Comunicación Organizacional :
 
  • Comunicación corporativa en empresas chilenas , Dino Villegas y Alejandro Kemp

chamado de textos: sygno y pensamiento

Reproduzo:

“La revista Signo Pensamiento convoca a todo (as) los (as) investigadores (as) y pensadores (as) del campo de la comunicación y de las ciencias sociales y humanas a presentar sus artículos para el número 53 (Julio – Diciembre de 2008) de nuestra publicación, dedicada al tema “ LENGUAJE Y NACIÓN”.”

Para quem não sabe, a Sygno y Pensamiento é um periódico científico da Universidad Javeriana, de Bogotá. Para saber mais, acesse a convocatória de textos. O prazo de recebimento vence em 22 de abril.

pseudotraduções da martin claret: dinamite pura!

O blog do Gaveta do Autor traz uma carta-denúncia de um tradutor que coloca mais gasolina na fogueira. Para quem não se lembra, a editora Martin Claret está sob denúncias de que plagiava traduções de livros, que não pagava pelos direitos de algumas outras e demais ilegalidades.

Vale a pena acompanhar…

steven johnson no roda viva

A TV Cultura exibiu há pouco o Roda Viva, que entrevistou o professor e crítico cultural Steven Johnson, bastante conhecido por quem se interessa pelas discussões sobre games, mídias digitais e desenvolvimento humano.

Johnson, como sabem também, esteve no Brasil para a Campus Party, onde deu autógrafos, palestras, sorrisos e ainda lançou seu mais novo livro, O mapa fantasma. Mas Johnson é mais conhecido por outros dois títulos polêmicos: Cultura da interface, Every thing bad is good for you.

A coletiva do Roda Viva ficou bastante centrada na relação entre games e aprendizagem, uso de games para além da diversão. Em praticamente metade do programa, muitas perguntas bateram na mesma tecla, fazendo com que o professor tivesse que explicar seus argumentos de que games, TV e sites de relacionamento, por exemplo, embora pareçam nocivos às pessoas, podem deixa-las mais inteligentes, já que despertam nelas potencialidades pouco exigidas nas mídias tradicionais e livrescas. Johnson se refere a coisas como tomadas de decisão rápidas, resolução de problemas mais simples e – em seguida – mais complexos, raciocínio rápido e destreza manual, amplitude e orientação espacial, etc…

A concentração das perguntas sobre games me pareceu demasiada, mas também sinaliza uma situação: fora a PlayTV – voltada para o público gamer -, não há oportunidades na TV brasileira para se discutir e pensar o assunto. Geralmente, os games viram notícia em duas situações: no seu lançamento – e aí, é jabá – ou na sua proibição ou condenação pelos “malefícios que provoca às novas gerações”. Para a grande mídia, game ainda é brincadeira de criança, e não a indústria de entretenimento que mais cresce no planeta e que já até desbancou a cinematográfica em movimentação de ativos.

De qualquer forma, me fez pensar…

(Neste blog, já tratei de games e educação aqui e aqui)

(O blog do Steven Johnson está aqui)

só para lembrar

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Se estiver vagando por aí, passe no Mais de Um, o coletivo de blogs catarinenses.

5 links para professores (antenados)

Twitter for Academia
http://academhack.outsidethetext.com/home/2008/twitter-for-academia

Academic Commons
http://www.academiccommons.org

LifeHacker
http://lifehacker.com

Blog on Wiki Patterns
http://www.ikiw.org

Wikipedia e o novo currículo
http://www.scienceprogress.org/2008/02/wikipedia-and-the-new-curriculum

 

Divirta-se e passe adiante!

 

jornalismo online: princípios básicos (3)

Paul Bradshaw oferece a terceira parte de seus posts especiais sobre os princípios básicos do jornalismo online.

O primeiro foi Brevidade. Em seguida, veio o Adaptabilidade. Agora, o Scanabilidade.

Neste blog, já dei algo sobre isso aqui e aqui.

estratégia da universal começa a fracassar

No começo, era uma grande idéia. Exortar os fiéis a entrarem com ações em juizados especiais contra uma jornalista que pratica o preconceito religioso em suas matérias. E melhor: fazer isso pelo país todo, de forma a impedir que a ré possa estar em mais de uma audiência ao mesmo tempo. Com isso, alguns processos seriam julgados à revelia, e a jornalista ficaria intimidada. Deixaria de escrever besteiras e tal.

Pois essa foi a estratégia montada pela Igreja Universal do Reino de Deus em reação a reportagens que a repórter Elvira Lobato vinha publicando desde o ano passado na Folha de S.Paulo (para entender, clique aqui).

Nesta semana, alguns movimentos no tabuleiro contribuíram para a estratégia começar a fazer água. Primeiro, a suspensão de 22 dispositivos da Lei de Imprensa pelo STF; e segundo, a derrota de algumas ações judiciais impetradas por fiéis.

Por partes.

A decisão – provisória! – do STF não atinge diretamente a ofensiva da Universal contra a Folha, A Tarde e o Extra. Não atinge porque o rebanho de Edir Macedo entrou com ações que têm como base não a Lei de Imprensa, mas os Códigos Civil e Penal. Logo, com o canetaço do STF, as ações não foram arquivadas. No entanto, o golpe é indireto: a liminar do STF chama a atenção da sociedade para a mídia, e mais simbolicamente para a liberdade de imprensa. Veja o que alegou o ministro do STF, Carlos Ayres Britto, que assinou o despacho: “A imprensa e a democracia são irmãs siamesas. Por isso que, em nosso país, a liberdade de expressão é a maior expressão da liberdade porquanto o que quer que seja pode ser dito por quem quer que seja”. O que quero dizer é que o lance do STF ressalta a importância e o papel social que podem desempenhar os meios de comunicação na democracia. (O Estadão preparou um material bem didático sobre o que está sendo discutido com a Lei de Imprensa: http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac129051,0.htm Aproveite e leia a matéria de hoje, aberta parcialmente para não-assinantes: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080224/not_imp129579,0.php)

Por outro lado, esses dias, mais duas ações de fiéis contra a Folha caíram por terra. Uma no Acre e outra no Paraná. E ambas foram rejeitadas por um argumento muito semelhante que pode ajudar a derrubar todas as demais ações: os fiéis que moveram as ações não têm legitimidade nelas. A matéria de Elvira Lobato não ofendeu os fiéis, mas se concentrou na forma como a Universal vem construindo seu imenso patrimônio e influência política. Trocando em miúdos: os fiéis se queixam de algo que não aconteceu, logo a ação mingua… A jurisprudência está aí. Basta que outros juízes que não caem no joguinho universal sigam o que manda a lei. (Para se ter uma idéia, cerca de 60 ações foram ajuizadas pelo rebanho de Macedo em todo o país).

Na semana passada, os meios de comunicação ligados à Universal (Portal Arca Universal e Rede Record, por exemplo) alardearam declaração do presidente Lula que surtiu como uma defesa da igreja: “As pessoas escrevem o que querem, depois ouvem o que não querem”. Nenhuma novidade nisso: só é preciso lembrar que o vice de Lula, José Alencar, deixou o PL para entrar no Partido Republicano Brasileiro. Adivinhe de quem é o partido? Da Universal.

O que vem a seguir?

1. A Universal vai perder mais ações nas próximas semanas.

2. Outras ações devem ser impetradas, agora com nova sustentação, tentando dar nova força à ofensiva.

3. Folha de S.Paulo e os demais réus vão dar uma tripudiada com suas vitórias parciais.

4. No Congresso Nacional, o PDT vai capitalizar forças para derrubar de vez a Lei de Imprensa.

5. Se o PRB for esperto, vai ser aliado de Miro Teixeira. (Com isso, traz o PDT na sua cruzada…)

6. O PT – paquidérmico e ruim de trato com a mídia – vai ficar olhando a coisa e coçando o queixo.

um golpe contra a lei de imprensa

O Supremo Tribunal Federal concedeu liminar contra artigos essenciais da Lei de Imprensa. Com a medida – provisória até que o STF julgue o mérito da ação -, ficam suspensas penas de prisão por calúnia, injúria e difamação que tiveram como base a Lei de Imprensa (5250/67). O Código Penal já trata da matéria.

O STF deu liminar com base em ação do PDT, que – capitaneado pelo deputado, jornalista e ex-ministro das Comunicações Miro Teixeira – quer derrubar a lei como um todo. Segundo argumenta o PDT, a 5250 é inconstitucional.

(Para ler matéria do G1 sobre isso, clique aqui ou da Folha de S.Paulo, aqui)

(Para saber da medida, tim-tim por tim-tim, vá ao Consultor Jurídico)

(Quer ler a liminar? Leia aqui em pdf)

A lei é inconstitucional? É sim, em diversas partes, ainda mais quando trata da censura de espetáculos e diversões (um dos trechos atingidos pela liminar). A lei é de 1967, e é tida como um dos entulhos autoritários, aquela legislação que restou após a queda da ditadura militar em janeiro de 1985.

Diversos países não têm lei de imprensa, e em alguns – como nos Estados Unidos – é inclusive proibido legislar sobre a mídia, de forma a constrangê-la ou impedir o seu trabalho. Quem garante isso é a tal Primeira Emenda, que os americanos tanto arrotam nos filmes.

De qualquer forma, a liminar não é uma surpresa por três motivos:

1. Miro Teixeira e o PDT fizeram alarde no Congresso reunindo assinaturas para um pedido de revogação da 5250/67.

2. A lei é flagrantemente obsoleta, inconstitucional e inóqua, já que muitos juristas e cortes já nem mais a levavam a sério. Para processos do tipo, recorriam ao Código Penal, mais forte e sem contestação jurídica.

3. Nem a mídia, nem a sociedade defendiam mais a lei, o que abre largos flancos para a sua derrota.

Há décadas, tramitam no Congresso diversos substitutivos da 5250. O mais avançado – para se ter uma idéia é de 1992.

A liminar do STF vem num momento oportuníssimo de discussões acirradas na mídia brasileira. Dois embates de grandes proporções estão em campo: um que envolve a Igreja Universal do Reino de Deus e a Rede Record contra Folha de S.Paulo, Extra e A Tarde; e outro que mobiliza o jornalista Luís Nassif contra a poderosa Veja (aqui o estopim da história, um resumo do Código Aberto, e sua sequência, aqui).

O ano já começou, senhores!

hackearam o mídia e política!

Sabotaram mais um site de observação de mídia nacional. Se em novembro de 2007 foi o Observatório da Imprensa (lembra?), agora foi a vez do Mídia e Política.

Leia a nota oficial dando a notícia e o novo endereço do site:
Nosso site foi invadido por um hacker, atualizaremos nossas edições na página www.mepnempp.blogspot.com enquanto solucionamos o problema. A mudança não permitirá, por enquanto, o acesso a textos anteriores a esta edição, mas será mantida a periodicidade quinzenal da página e a qualidade do conteúdo”

jornalismo: 20 mudanças em 10 anos

Paul Bradshaw listou na Press Gazette dez grandes modificações no panorama jornalístico que aconteceram na última década. Há de se concordar com todas elas, mas há mais. Bradshaw se restringe aos câmbios de cultura provocados pelo avanço tecnológico. Mas a realidade é maior.

As mudanças enumeradas pelo jornalista britânico são:

  1. From a lecture to a conversation
  2. The rise of the amateur
  3. Everyone’s a paperboy/girl now
  4. Measurability
  5. Hyperlocal, international
  6. Multimedia
  7. Really Simple Syndication
  8. Maps
  9. Databases
  10. Just a click away

Ok, ok. Eu gostaria de adicionar mais dez:

  1. A mídia está se tornando cada vez mais concentrada no mundo todo
  2. Cresce o número de processos contra jornalistas, seja porque esta é uma nova modalidade de hostilização dos poderosos, seja porque as vítimas da mídia recorrem mais aos tribunais
  3. Meios alternativos proliferam-se; alguns vingam, outros não. Ainda há instabilidade no mercado
  4. Cada vez se paga menos por conteúdos oferecidos online
  5. As mulheres invadiram as redações (bem como as escolas de comunicação, onde já são a maioria disparada dos alunos)
  6. A categoria jornalística – ao menos no Brasil – está mais desmobilizada do que nos anos 70, 80 e 90
  7. Explodiu o número de escolas de comunicação no país
  8. Jornalistas em cargos de chefia ou coordenação tem se rendido aos critérios do campo da administração para conduzir seu trabalho (repetem como ventrílocos  termos como reengenharia, inteligência emocional, tomada de decisão, endomarketing, market share…)
  9. Os departamentos jurídicos são cada vez mais influentes e decisivos nas empresas jornalísticas, cabendo a eles – em muitos locais – a última palavra sobre publicar ou não a matéria
  10.  O politicamente correto não tornou o jornalismo um produto melhor que antes

E aí? Quem tem mais dez novidades?

qualidade de ensino de jornalismo: eventos

Reproduzo:

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livro combina com vídeo

Sempre adorei comprar livros. Quando vou a uma livraria, não posso ter pressa, compromisso nem nada. Gosto de vasculhar as estantes, pegar os volumes, acariciar as capas, devorar orelhas e contracapas, escanear os sumários. Comprar livros é um prazer sensorial: envolve tato, visão, olfato e até o paladar (quem não lambe a ponta do dedo para folhear?)

Não renunciei a este prazer, mas não resisto e compro também pela internet. As livrarias virtuais estão cada vez mais interessantes. Entre as nacionais, a minha predileta é a Cultura. Tem visual claro, sem a poluição da Amazon ou as cores berrantes da Submarino. É segura, tem promoções interessantes e a entrega é super rápida.

Esta semana, descobri mais uma novidade que eu gostei lá na Cultura: agora, você clica num dos livros e abaixo das informações técnicas e trechos do livro, tem vídeos (do YouTube) relacionados.

Achei uma sacada! Cultura não tem fronteira: nem de país, de língua, de mídia, de nada…

Livro combina com vídeo sim!

fenaj lança nota contra igreja universal

A Federação Nacional dos Jornalistas lançou agora há pouco uma nota de repúdio à Igreja Universal do Reino de Deus e à Rede Record no episódio que já é uma das mais agudas perseguições à profissão no Brasil neste ano.

Para saber mais sobre a guerra entre a Universal e a mídia (leia-se jornal Extra, A Tarde e Folha de S.Paulo), acesse aqui (matéria de Elvira Lobato sobre a IURD), aqui (matéria sobre processos dos fiéis contra a mídia) e aqui (IURD desmente ações orquestradas).

Na segunda à noite, o jornalista Juca Kfouri fez um amplo desagravo à Elvira na mesa redonda que acontece semanalmente no canal ESPN Brasil. Juca apoiou a série de reportagens de Elvira e foi seguido em suas manifestações por outros jornalistas do mesmo programa, como João Palomino, Marcio Guedes e Fernando Calazans.

Durante a semana, surgiram outras manifestações de apoio às matérias investigativas dos jornais processados.

No portal Arca Universal, chamam a atenção duas notícias. Numa, de ontem, a matéria repercute a reportagem exibida no domingo sobre o “preconceito religioso” a que está sendo vítima a igreja. Na segunda matéria do portal, convocam o presidente da república, Lula, para abafar que esteja em curso uma série de atentados contra a liberdade de imprensa. 

Reproduzo a nota da Fenaj abaixo:

“Nota Oficial
Jornalistas repudiam intimidação da Universal 
A Federação Nacional dos Jornalistas, o Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro, o Sindicato dos Jornalistas da Bahia e demais Sindicatos do país filiados à FENAJ  repudiam, com veemência, a atitude da direção da Igreja Universal do Reino de Deus, que desencadeia campanha de intimidação contra jornalistas no exercício da profissão.Também apelam aos Tribunais e ao Superior Tribunal de Justiça no sentido de alertá-los para ações que se multiplicam a fim de inibir o trabalho de jornalistas em todo o país. O acesso e a divulgação da informação garantem o sistema democrático, são direitos do cidadão, e o cerceamento de ambos constitui violação dos direitos humanos.
A TV Record, controlada pela Universal, chegou ao extremo, inadmissível, de estampar no domingo, em cadeia nacional, a foto da jornalista Elvira Lobato, autora de uma matéria sobre a evolução patrimonial da Igreja, publicada na Folha de S.Paulo. Por esse motivo, Elvira responde a dezenas de ações propostas por fiéis e bispos em vários estados brasileiros.
Trata-se de uma clara incitação à intolerância e do uso de um meio de comunicação social de modo frontalmente contrário aos princípios democráticos, ao debate civilizado e construtivo entre posições divergentes.
O fato de expor a imagem da profissional em rede nacional de televisão, apontando-a como vilã no relacionamento com os fiéis, transfere para a Igreja a responsabilidade pela garantia da integridade moral e física da jornalista.
A Federação Nacional dos Jornalistas, o Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro, o Sindicato dos Jornalistas da Bahia e demais Sindicatos exigem que os responsáveis pela Igreja Universal intervenham para impedir qualquer tipo de manifestação de intolerância contra a jornalista.
O episódio nos remete à perseguição religiosa, absurda e violenta, praticada por extremistas contra o escritor Salman Rushdie, autor de Versos Satânicos, e as charges de Maomé publicadas no jornal dinamarquês Jyllands-Posten.
O jornalista Bruno Thys do jornal carioca Extra também é processado pela Universal em cinco cidades do Estado do Rio de Janeiro. O repórter Valmar Hupsel Filho, na capital baiana, já responde a pelo menos 36 ações ajuizadas em vários estados do Brasil, nenhuma delas em Salvador, sede do jornal A Tarde, onde trabalha.
Há evidência de que essas ações, com termos idênticos, estão sendo elaboradas de forma centralizada, distribuídas e depois impetradas em locais distantes, para dificultar e prejudicar a defesa, além de aumentar o custo com as viagens dos jornalistas ou seus representantes.
Encaminhados à Justiça com o nítido objetivo de intimidar jornalistas, em particular, e a imprensa, em geral, esses processos intranqüilizam e desestabilizam emocionalmente a vida dos profissionais e de seus familiares. Ao mesmo tempo, atentam claramente contra os princípios básicos da liberdade de expressão e manifestação do pensamento.
Em um ambiente democrático e laico, é preciso compreender e aceitar posições antagônicas e, mais ainda, absorver as críticas contundentes, sem estimular reações de revanche ou mesmo de pura perseguição.
Este episódio repete, com suas consideráveis diferenças, outras situações em que os meios de comunicação exorbitaram os fins para os quais foram criados. A Federação Nacional dos Jornalistas, o Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro, o Sindicato dos Jornalistas da Bahia e demais Sindicatos sustentam que a imprensa não pode se confundir com partidos políticos, crenças religiosas ou visões particulares de mundo.
Brasília, 20 de fevereiro de 2008.
Diretoria da Federação Nacional dos Jornalistas
Diretoria do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro
Diretoria Sindicato dos Jornalistas da Bahia”

jornalismo online: princípios básicos (2)

Paul Bradshaw dá continuidade a sua série de posts que refletem sobre as mudanças que o jornalismo online está promovendo não só no consumo, mas na cozinha da coisa, afetando também os jornalistas. São, como ele mesmo escreveu, princípios básicos.

Se o primeiro capítulo foi a Brevidade, este de agora trata da Adaptabilidade dos profissionais aos novos cenários.

O post é longo, mas serve como uma aula. Para ler, pensar, contestar ou concordar. Mas não deixar passar em branco.