essa pressa…

Meio minuto depois que o jogo terminou, algum engraçadinho apertou o botão errado e entrou a seguinte capa no UOL, agora há pouco… Note que o jogo NÃO TEVE PÊNALTIS…

Screenshot 2014-07-01 03.37.36Depois, corrigiram…

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ciberjor: mais prazo

O Grupo de Pesquisa em Ciberjornalismo da UFMS prorrogou o prazo de inscrições de trabalhos científicos para o 5º Simpósio Internacional de Ciberjornalismo. A chamada de trabalhos, que se encerrava nesta segunda-feira, dia 30 de junho, agora pode ser feita até o dia 18 de julho.

Saiba mais aqui

chasqui com chamada aberta

Reproduzindo…

A Revista Latinoamericana de Comunicação Chasqui, editada pelo CIESPAL, abre chamada para artigos em português ou espanhol para sua edição no. 127, que será publicada no próximo mês de setembro. O tema central será Jornalismo, Democracia e as novas batalhas da informação.
Os textos devem abordar as relações entre jornalismo e democracia no contexto da polarização política observada na maioria dos países da América Latina, assim como as influências das novas formas de produção e difusão de informação abertas pela mutação cultural e tecnológica e seu impacto nessas relações.
São esperados estudos teóricos e empíricos que analizem e/ou problematizem, neste novo contexto, os temas clássicos da liberdade de imprensa, liberdade de expressão e censura; a propriedade dos meios de comunicação, a regulação, o controle, a democratização e o direito à informação; a ética jornalística, a produção colaborativa, as redes sociais e a pulverização dos públicos; o protagonismo das fontes, os vazamentos, a manipulação, a verificação e a credibilidade; a informação, a contra-informação e a desinformação como desafios para o exercício da cidadania e o funcionamento das democracias no continente.
Os artigos enviados serão avaliados por um comitê científico constituído por pesquisadores vinculados aos temas de Jornalismo e Comunicação Política. Os textos podem ser enviados até 01 de agosto de 2014 através da plataformahttp://bit.ly/1kyIf5A , onde também se encontram as normas de publicação na revista.
A edição deste número temático está a cargo dos pesquisadores Alexander Amézquita (Colômbia/Equador), Editor da Revista Chasqui, e Eduardo Meditsch (Brasil) UFSC/CNPq.
A revista Chasqui está classificada com o nível A2 no Qualis da área de Ciências Sociais Aplicadas I da Capes.
Outras informações podem ser obtidas pelo email da revista:chasqui@ciespal.net Esta dirección electrónica esta protegida contra spambots. Es necesario activar Javascript para visualizarla ou    aamezquita@ciespal.net

correspondentes, um dossiê

A revista Sur Le Journalisme/Sobre Jornalismo/About Journalism está com chamadas abertas para um número especial sobre correspondentes. A revista trilingüe é resultado de um consórcio de pesquisadores brasileiros, belgas, franceses e canadenses.

Acesse a chamada aqui

simpósio de ciberjornalismo

Chamadas de texto abertas!

Saiba mais em http://www.ciberjor.ufms.br

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reportagem em quadrinhos!

A Copa do Mundo está na esquina. Quer saber além da escalação das seleções e dos detalhes dos jogos?

Então, confira a reportagem em quadrinhos Meninas em Jogo, de Andrea Dip e De Maio, para a Agência Pública: aqui.

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conteúdo gerado pelo usuário, um estudo

Screenshot 2014-06-04 02.47.20O Town Center for Digital Journalism, da Escola de Jornalismo de Columbia, acaba de disponibilizar ao grande público um estudo global sobre como sites, blogs e emissoras de TV usam e aproveitam os materiais enviados por suas audiências, os chamados Conteúdos Gerados pelos Usuários (CGU).

A pesquisa pode ser acessada aqui (em PDF, inglês, 153 páginas num arquivo de 2,8 megas).

Entre as conclusões, convém destacar que:

  • Os meios não sabem dar os devidos créditos nos casos de fotos e vídeos;
  • Esses materiais são utilizados todos os dias pela mídia!
  • Na pesquisa, 40% do CGU analisado estava relacionada à guerra civil síria, o que demonstra que os meios geralmente usam a colaboração amadora quando não têm acesso ou condições para fazer seu trabalho profissional;
  • As agências de notícia quase nunca conseguem verificar ou checar as informações embutidas nesses conteúdos, uma brecha perigosa para o jornalismo…
  • Os staffs editoriais não estão capacitados para lidar com os conteúdos dos colaboradores;
  • Nas redações, perdura um grande medo de que o uso de CGU gere ações judiciais, por violação de direitos autorais, de imagem, entre outros…

imprensa e judiciário, um evento

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lá se foi o myltainho

DSC_0151Ele me apareceu de mangas de camisa, chinelos de vovô e uma improvável calça hippie colorida. Era uma manhã de ar frio, mas havia sol. Me viu pelas grades do portão e escancarou um sorriso como se eu fosse um velho amigo. Que coisa! Eu só tinha conversado com Myltainho outras duas vezes. Uma por telefone, para convidá-lo para um evento na universidade, e outra, no próprio evento.

Desta vez, eu estava na frente de sua casa, no Ribeirão da Ilha – ao sul do sul da ilha – para entregar uns exemplares de um livro que eu organizara com Samuel Lima. Era um dos resultados do tal evento de que ele participou, e cuja fala se transformara num saboroso capítulo. O título já mostrava as armas de Myltainho: humor, mordacidade, inteligência e uma incorrigível provocação – “Oncotô? Doncovim? Proncovô?”. Ele explicava na sequência de que se tratava de uma “parlenda mineira sobre o crucial problema filosófico: onde estamos? de onde viemos? para onde vamos?”

Myltainho abriu o portão, recusou receber o pacote naquele momento e me fez segui-lo até o seu escritório. Atravessei a cozinha, passei por uma aconchegante sala de mobiliário simples, desviei de dois cachorros esparramados no chão e cheguei a um cômodo que quase me fez perder o fôlego: não tinha paredes externas, mas grandes janelas de vidro que mostravam a mata soberana avançando sobre a casa. No interior, uma longa bancada sustentava toneladas de livros, revistas, pastas, anotações, o diabo… Um velho computador estava ligado, livros abertos ao lado, discos se equilibravam em pilhas. Myltainho estava trabalhando concentrado e eu estava ali atrapalhando o velho. Aquele era o centro nervoso de seus textos, dos livros que escrevia, dos petardos que disparava. Naqueles metros quadrados, o controle da missão…

Naquela manhã, ele estava sozinho em casa: ele, a natureza, os cachorros, as ideias e os muitos projetos que tocava. Estiquei o pacote de livros para ele, que abriu como se fosse uma criança desembrulhando o brinquedo. Sorriu, inclinando os óculos que milagrosamente não despencavam do nariz, e agradeceu. Eu também agradeci e convidei para o lançamento que faríamos. Ele justificou a ausência: iria viajar para uma formatura ou homenagem, nem me lembro mais… Conversamos por quase uma hora e foi tudo. Não o encontrei mais, apesar de morarmos na mesma cidade e região. Soube há pouco por minha mulher da sua morte. Senti. Como se o conhecesse há mais tempo e ele fizesse parte de meu círculo de amigos. Vai entender: eu falara só três vezes com ele. E Myltainho me recebera tão bem!

Jornalista inquieto, trabalhador incansável, provocador incorrigível, não parava. Aos 74 anos, decidiu fazer uma reportagem investigativa em lugares insondáveis. Foi atrás daquelas três perguntas essenciais…

hoje tem intercomsul!

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Mais informações em http://www.comunicaunisul.com.br/intercom2014/

vida e morte dos blogs de comunicação

Em setembro de 2007, criei uma lista lusófona de blogs mantidos e alimentados por pesquisadores da comunicação. À época, reuni num mesmo link as iniciativas de colegas sobretudo brasileiros e portugueses que se deslumbravam com as potencialidades de se ter um canal exclusivo, barato e poderoso de comunicação. (Sim, os blogs já foram isso!)

A lista foi crescendo, crescendo, crescendo à base de indicações de blogueiros de todos os cantos. Cheguei a fazer 47 atualizações do post e a lista alcançou o expressivo número de 223 blogs de comunicação, sendo 178 do Brasil e 45 de Portugal e outros lugares.

Passados quase sete anos, fiquei curioso em saber a quantas andavam aqueles blogs. Na verdade, já faz algum tempo que escuto a sentença de que os blogs estão morrendo. Não é totalmente mentirosa a afirmação. Este meu espaço ficou mais de 100 dias sem nenhuma atualização entre 2013 e 2014, afundado numa crise de existência virtual. Outro dia, li um post da jornalista e blogueira de primeira hora Cora Rónai que me fez novamente perguntar: como estariam os blogs daquela lista lusófona?

Fui conferir.

Dos 45 blogs listados de Portugal e cercanias, dez foram simplesmente desativados (22%), 24 não são atualizados há mais de um ano e, portanto, morreram (53%), e apenas onze sobreviveram. Considerei blogs ativos aqueles que tiveram ao menos um post novo nos últimos 90 dias. Na parcial, a taxa de mortalidade foi de 75%. Apenas um em cada quatro blogs se manteve vivo nesses quase sete anos que nos separam da primeira lista.

Entre os brasileiros, as baixas foram maiores ainda. Dos 178 blogs, 48 foram desativados no período (27%) e 100 não são alimentados com novos conteúdos há mais de um ano (56%). Apenas 30 blogs são ativos, o que significa 17% do total. A taxa de mortalidade da parcela brasileira é de 83%.

No consolidado da lista lusófona de blogs de pesquisadores da comunicação, apenas 41 dos 223 sobreviveram, o que equivale a menos de um quinto (18,3%). Impressionante!

Como explicar isso?

É difícil apontar uma única razão. Fatores combinados poderiam justificar: cansaço do modismo, falta de tempo, desmotivação pessoal, emergência de redes sociais com muitos recursos e grande visibilidade como o Facebook… O fato é que os blogs já não são mais o que costumavam ser. E isso aconteceu muito, mas muito rápido…

violações à liberdade de expressão: um dossiê

Relatório-Violações-à-Liberdade-de-Expressão-418x600A ONG Artigo 19 acaba de lançar um amplo relatório sobre ataques e agressões à liberdade de expressão no Brasil, durante o ano de 2013.

A publicação tem linguagem simples, é fartamente ilustrada e traz conclusões sobre o assunto no país. Além disso, faz recomendações ao Estado, à mídia, e a outros atores da sociedade. Vale a pena conferir e guardar.

Acesse aqui.
(arquivo de 2,6 Mega, em PDF, português e 41 páginas)

fotojornalismo e experiência estética

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siga o bapijor 2014

Se você não está em Viedma, a capital da província de Río Negro, na Argentina, e não pode acompanhar a terceira edição do Seminário Brasil-Argentina de Pesquisa e Investigação em Jornalismo (Bapijor), não perca um detalhe por aqui: www.facebook.com/bapijor2014

jornalistas e o netmundial

(publicado originalmente em objETHOS)

Como você pretende estar em 2039, daqui a 25 anos? Como estarão organizadas as nossas sociedades no planeta? De que maneira as pessoas vão se divertir, buscar informações, organizar-se e tomar decisões?
É difícil responder com precisão a cada uma dessas perguntas, mas há quem não só se preocupe com isso mas também queira ajudar a determinar cada uma dessas condições. Vinte e cinco anos é mais ou menos a duração de uma geração, o que sinaliza uma medida para nossas ocorrências. A World Wide Web está completando 25 anos em 2014 e já é possível observar algumas das muitas transformações humanas decorrentes desse evento. São mudanças na comunicabilidade humana, na nossa sociabilidade, na maneira como nos relacionamos com o conhecimento, a informação e os ambientes que habitamos. E um detalhe importante: não apenas assistimos a tais modificações como temos participado delas, fazendo escolhas, alterando hábitos, aderindo a protocolos, aceitando situações ou delegando poderes.
A web – é preciso reconhecer – tem características que muito a diferenciam de qualquer outro empreendimento humano coletivo na história. A rapidez de sua disseminação, o alcance e a profundidade das mudanças que vem provocando, tudo isso, reforça esse entendimento. Mas a web é um ambiente tão distinto dos demais mercados de mídia? Tim Wu, professor da Escola de Direito da Universidade de Columbia (EUA), resiste em responder a pergunta de uma forma definitiva. Em “Impérios da Comunicação: do telefone à internet, da AT&T ao Google”, o especialista analisa um século da evolução da indústria norte-americana e de como invenções como o telefone, o cinema, o rádio, a televisão e a internet se inseriram na vida social contemporânea de uma forma tão intensa, rentável e poderosa. Monopólios, oligopólios, roubos de patentes, cartelização, violações de direitos autorais e todo tipo de trapaça são listadas para mostrar como grandes conglomerados se formaram, como dominaram mercados inteiros e como se perpetuaram por décadas. Sob as barbas dos governos, em conjunção carnal com eles e a despeito de seus interesses contrariados. Com os gigantes Google e Facebook, a internet é diferente? Se formos pensar no poder que apenas esses dois impérios têm, veremos que eles ignoram fronteiras geográficas, linguísticas, sociais, financeiras, culturais. Que lançam mão de estratégias agressivas para se apossar de fatias generosas dos mercados consumidores, ao mesmo tempo em que buscam anular suas concorrências e ganhar os corações e mentes de seus clientes/usuários.

Terra de gigantes
Professor Wu, com a web é diferente? Assistiremos a um mercado mais equilibrado, não concentrado, aberto à concorrência? Ele reconhece que agora o público tem um poder muito maior do que já teve, mas só isso não basta. “Quando escolhemos as opções mais convenientes, cedemos coletivamente o controle às grandes empresas baseados numa série de pequenas escolhas cujas consequências mal levamos em conta. Nossos hábitos têm muito mais poder que as leis para moldar o mercado”, explica Tim Wu.
Eli Pariser, em “O filtro invisível: o que a internet está escondendo de você”, faz revelações assustadoras sobre como Facebook, Google, Amazon e outras tantas empresas da web se valem dos dados de seus usuários para criar um sistema de circulação de informações que retroalimenta infinitamente os seus ganhos e presenças no mercado. A tese do autor é simples: todo internauta oferece dados pessoas em sua navegação e esses traços ajudam a compor complexos perfis consumidores que serão consultados pelas maiores empresas do ramo. Quanto mais completo estiver o perfil desse usuário, mais condições as empresas terão de lhe oferecer produtos e serviços conforme seus gostos e hábitos. A publicidade dirigida se apoia no detalhamento das informações sobre o comportamento do consumidor, na relevância desses dados e na oferta de praticidade e conveniência. Que pessoa não quer receber ofertas que tenham a sua cara, ao invés das toneladas de anúncios para todos os públicos?
Pariser alerta que as grandes empresas hoje estão criando uma bolha de filtros invisíveis que fecham a web cada vez mais em torno do usuário. Se a ideia da rede era poder conectar uma pessoa a qualquer outra (mesmo desconhecida), agora cada internauta encontra apenas o que está buscando (ou o que acha que necessita). Os resultados de uma mesma busca no Google são distintos para duas pessoas. Graças a dispositivos informáticos, os sistemas “identificam” e “lembram” de suas pesquisas mais recentes, seus hábitos de navegação, suas características e oferecem os resultados mais próximos de sua conveniência ou raio de interesse. Pode parecer prático, mas também é nefasto, já que oculta parte que pode ser relevante dos resultados. O serviço – que antes se pensava ser desinteressado, técnico – revela-se sensível a influências mercadológicas, a fatores desconhecidos.
A cada operação na web, deixamos rastros e dados sobre quem somos, onde estamos, o que queremos. Imagine a imensa quantidade de dados que você oferece todos os dias com suas buscas no Google, com os e-mails que dispara do Gmail (ou qualquer serviço semelhante), com as curtidas que deu no Facebook, com as estrelinhas que deu para os livros que comprou na Amazon, com as notas que deu ao vendedor do Mercado Livre, entre outras ações. Se existe um mercado customizado de produtos como roupas ou livros, como evitar que haja também algo parecido com o seu noticiário?

Moldando o futuro
Quando se trata de informação jornalística, o assunto fica mais sério. Afinal, este é um tipo de produto que ajuda o cidadão comum não apenas a se atualizar sobre o que acontece na sua comunidade como também permite que ele compreenda como funciona aquele ecossistema e tome decisões sobre os rumos dele. Isto é, o noticiário ajuda a entender o que está se passando e o que se pode fazer para mudar as coisas. Por isso, discutir o futuro imediato das sociedades é também pensar sobre as nossas próximas decisões políticas, tecnológicas e culturais. E isso não se posterga.
No mesmo ano em que a web completa o seu primeiro quarto de século, acontece em São Paulo o Encontro Multissetorial Global sobre o Futuro da Governança da Internet, oNetMundial. O evento é uma oportunidade para reunir empresas, governos, organizações e usuários do planeta inteiro para definir políticas para a web, de maneira a poder moldar boa parte de seu perfil num futuro próximo. Marcado para os dias 23 e 24 de abril, o NetMundial vai colocar nas mesmas mesas gente como governantes mundiais e gênios da computação, internautas e ativistas, empreendedores e investidores. Um documento de base foi elaborado a partir de consultas públicas, e chegou a receber mais de 180 contribuições de quase cinquenta países. É este documento – veja aqui – que vai orientar os debates para a definição de princípios de governança da internet e um roteiro de evolução futura dessas bases.
Estão em pauta temas como liberdade de expressão e de informação, acessibilidade, privacidade, diversidades cultural e linguística; segurança e estabilidade da internet, arquitetura aberta e distribuída, inovação e criatividade; governança aberta e participativa, transparência e confiabilidade; colaboração, inclusão e igualdade; agilidade e padrões abertos. São aspectos importantes para definir limites, contrapartidas, responsabilidades, deveres e direitos de usuários, empresas, governos e demais interessados. Não é pouca coisa e interessa a todo o mundo, todos os usuários de internet e principalmente aos jornalistas.
Por quê?
Porque um encontro como este ajuda a decidir como pode funcionar a web e para onde ela vai se orientar nos anos seguintes. Porque as escolhas que surgirem do NetMundial e que forem implementadas vão ajudar a desenhar os mercados de informação e comunicação onde o jornalismo se insere. Porque as definições de público, usuário, cliente ou consumidor de informação estão mudando e se fundindo, e os jornalistas precisam saber para quem estarão trabalhando. Porque a web é o grande terreno onde novas relações estão sendo engendradas entre jornalistas e audiências, a exemplo de participação ativa e colaboração. Porque uma rede mundial de computadores em contínua mutação e aprimoramento requer melhores serviços de informação (entre os quais a jornalística). Porque novos parâmetros éticos e novos valores podem surgir a partir das emergentes relações entre os diversos grupos envolvidos nos processos comunicativos on line. Por essas razões e outras mais, os jornalistas devem estar atentos ao NetMundial. Se ficarem míopes diante de um acontecimento como este, não vão perder apenas boas notícias. Vão perder também a oportunidade de participar dos debates e das decisões que afetam inexoravelmente a sua profissão e seu campo de atuação.
Volto a perguntar: Como você pretende estar daqui a 25 anos? Como estarão organizadas as nossas sociedades no planeta? De que maneira as pessoas vão se divertir, buscar informações, organizar-se e tomar decisões? O NetMundial não resolve todas essas questões, mas certamente nos motiva a pensar em possíveis respostas.

Referências
PARISER, Eli. O filtro invisível: o que a internet está escondendo de você. RJ: Jorge Zahar, 2012.
WU, Tim. Impérios da Comunicação: do telefone à internet, da AT&T ao Google. RJ: Jorge Zahar, 2012.

3º bapijor acontece na argentina esta semana

Screenshot 2014-04-21 06.34.43Em 2011 e 2012, a UFSC sediou o Seminário Brasil-Argentina de Pesquisa e Investigação Jornalística (Bapijor). Foram duas experiências muito ricas para pesquisadores e profissionais, professores e estudantes que acompanharam debates e trocas de experiências. O evento foi gestado no Observatório da Ética Jornalística (objETHOS) por mim e pelo professor Francisco José Castilhos Karam. O amigo Samuel Lima, à época como visitante na UFSC, também participou da concepção, organização e realização dos dois primeiros capítulos dessa história. Juntos, editamos dois livros: “Jornalismo Investigativo e Pesquisa Científica: Fronteiras” e “Reportagem, Pesquisa e Investigação”.

O terceiro episódio acontece nesta semana – nos dias 24 e 25 de abril – na entrada da Patagônia, na centenária cidade de Viedma, capital da província de Río Negro, Argentina. Quem lidera os movimentos é a professora Lila Luchessi, que escolheu como tema do evento Periodismo y Sociedad. El rol del periodismo en la sociedad del conocimiento. A programação pode ser conferida aqui.

O professor Francisco José Karam participa do painel “Prosumidores: cuando la audiencia hace periodismo” e me incumbiram de fazer a conferência de encerramento, onde devo tratar de ética jornalística, novas tecnologias e novos atores no ecossistema de comunicação.

Entre os brasileiros, participam ainda Daniela Arbex (Tribuna de Minas), Marcelo Soares (Folha de S. Paulo) e Ariel Palacios (Estado de S. Paulo/Globo News). Entre os convidados argentinos, estão Martín Becerra (Conicet/Universidad Nacional de Quilmes), Lila Luchessi (Universidad Nacional de Río Negro) , Guillermo Mastrini (Quilmes e Universidad de Buenos Aires), Fernando Irigaray (Universidad de Rosário), Adriana Amado (Universidad de La Matanza), além dos jornalistas Santiago Rey (ANB), Guillermo Berto (Diário de Río Negro), Gastón Roitiberg (La Nación), Juan Gorosito (Diario Noticias de La Costa) e Josefina Licitra (revista Orsai).

Mais informações em: http://bapijor.unrn.edu.ar

quem pode ser jornalista?

A resposta polêmica e incômoda de Jean-François Fogel é “qualquer um”. Pois quem decide é o público!

A declaração foi dada num evento recente no México e arrepiou a nuca de muita gente. Para um bom resumo da abordagem de Fogel, leia “No ambiente da nova mídia, o público decide quem é jornalista”, artigo de James Breiner.

Para ouvir as palavras do próprio Fogel, assista ao videozinho abaixo:

Você concorda?

os invisíveis do jornalismo

Screenshot 2014-04-16 07.31.45É com esse tema instigante e provocativo que a revista Sur Le Journalisme/About Journalism/Sobre Jornalismo chega com mais edição. A publicação traz ainda textos com uma segunda temática – a imagem da atualidade.

Para acessar, clique aqui.

A iniciativa reúne pesquisadores brasileiros, franceses, belgas e canadenses.

abertas vagas para mestrado e doutorado

De hoje, 14, até o próximo dia 25 de abril estão abertas as inscrições para vagas no processo seletivo do Mestrado e do novíssimo Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (POSJOR/UFSC)

Para o primeiro, são 20 vagas. Para o segundo, cinco.

Se você tem interesse, leia o edital e corra atrás!

erros e mais erros…

Os erros jornalísticos têm sido um assunto recorrente em minhas pesquisas. Em 2005, junto com um inquieto aluno de graduação, abordei o erro como um problema que afetava a qualidade no produto jornalístico. Nós nos debruçamos sobre três diários locais e observamos como eles lidavam com as próprias falhas, se as reconheciam, se as explicitavam, se as corrigiam…

Tempos depois, o assunto voltou à carga, e uma rigorosa e atenta aluna de mestrado me procurou para levarmos adiante um outro estudo, mais focado nas versões online de importantes jornais brasileiros. Esta mestranda não só fez um intenso monitoramento de como as empresas jornalísticas erram, como propôs uma tipologia de erros e as bases para uma política de gestão de identificação de erros e qualidade editorial. O resultado é a dissertação “Parâmetros éticos para uma política de correção de erros no jornalismo online”, que Lívia de Souza Vieira defende publicamente na próxima sexta-feira, 11 de abril, no Programa de Pós-Graduação em Jornalismo (POSJOR/UFSC).

Um segundo orientando também se envolveu com esse assunto e está lustrando seu projeto de dissertação, para ser defendida em 2015. Enquanto isso, ele mergulha no tema, lendo, discutindo e escrevendo sobre erros jornalísticos. Na segunda-feira passada – ontem! -, ele assinou um artigo na seção Comentário da Semana do site Observatório da Ética Jornalística (objETHOS). Sob o título “O alargamento do espaço de reverberação e suas consequências, o caso Ipea”, o artigo de Thiago Amorim Caminada merece leitura, e comentários… Como se pode perceber, o autor tratou da derrapada de um dos institutos de pesquisa mais influentes do país e de como a mídia embarcou nessa história.

Como se pode perceber rapidamente, os erros jornalísticos são assuntos palpitantes, instigantes e muito férteis para debates profissionais e acadêmicos. Se o leitor se resigna e acredita que isso é mais que natural e que errar é humano, sugiro que olhe ao redor e perceba que o equívoco não é só das órbitas humanas. Robôs também erram, e robôs jornalísticos o fazem sem qualquer dor na consciência. Nicholas Diakopoulos mostra isso em seu artigo “Bots on the Beat”, publicado no Slate, com uma versão brasileira assinada por Fernanda Lizardo e Leticia Nunes, no Observatório da Imprensa.

Essa coisa de robôs fazendo notícias malucas me lembrou uma história recente. Em 2008, tropas russas invadiram a Geórgia, em mais um daqueles embates separatistas da região que já foi uma união de repúblicas soviéticas.  Acontece que os robôs do GoogleNews “montaram” relatos da ação e ilustraram as matérias com um mapa do estado norte-americano da Geórgia e não o país vizinho russo… Os mais afobados ficaram muito preocupados: os russos estão atacando os Estados Unidos… pura barbeiragem dos robôs!

 

seminário de inverno no paraná

Reproduzindo…

Seminário de Inverno divulga chamada de trabalho para 2014inscrições (gratuitas) ao evento, que acontece entre 2 e 6 de junho na UEPG, podem ser feitas até dia 30 de abril O XVII Seminário de Inverno de Estudos em Comunicação está confirmado para a primeira semana de Junho 2014: entre os dias 2 e 6, das 19 às 22 horas. O envio de textos deve ser feito diretamente no site do evento (http://jornalismouepg.net.br/seminariodeinverno/).

O evento reúne estudantes (de graduação e/ou pós-graduação), profissionais e docentes dos cursos da UEPG e demais IES/PR. Para apresentar trabalho, os autores devem ser graduados ou estudantes-pesquisadores que realizam estudos em projetos ou ações sob responsabilidade/orientação de professores universitários. Cada autor/orientador pode inscrever (como autor ou co-autor) até dois trabalhos no evento. Os textos devem ser inéditos (em apresentação e publicação). Só recebem certificados o autor ou co-autor que efetivamente realizar a apresentação no dia previsto. Cada trabalho terá um tempo de 15 minutos para apresentação e, ao final da sessão, acontece o debate entre os autores e demais participantes do evento.Os trabalhos devem apresentar a seguinte formatação: título (até duas linhas, incluindo linha de apoio/complementar), resumo (de 7 a 10 linhas), três palavras-chave, identificação autoral de até duas linhas cada, texto completo, em times New Roman, corpo 12, espaço 1,5, e as indicações bibliográficas conforme as normas da ABNT, com tamanho total entre 10 e 15 páginas. Cada trabalho pode ter no máximo um autor e dois co-autores.

Os trabalhos selecionados e efetivamente apresentados serão publicados nos Anais do XVII Seminário de Inverno de Estudos em Comunicação (edição 2014), em versão digital com registro ISBN. Para isso, o(a) autor(a) deve enviar versão completa, até 30 de abril, atendendo às orientações editoriais da organização.O Evento é organizado pelo Programa de Mestrado em Jornalismo e Curso de Jornalismo da UEPG, com apoio do Centro Acadêmico João do Rio, Fundação Araucária (Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Paraná), Programa de Extensão Agência de Jornalismo UEPG e Pró-Reitoria de Extensão (PROEX) da UEPG.

As inscrições para envio de trabalhos vão até 30 de abril e os autores que tiverem trabalhos aprovados recebem aceite no dia 15 de maio. A palestra de abertura, na noite de 2 de junho, será feita pelo pós-doutorando (junto ao PPGJor UEPG pelo PNPD/Capes) Boanerges Lopes Filho. E a palestra de encerramento será realizada pela Drª Tattiana Teixeira, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), membro do quadro docente do Mestrado em Jornalismo UEPG. O tema da edição 2014 foca “o Jornalismo entre a crise de modelos e a legitimidade profissional”.

Informações:http://jornalismouepg.net.br/seminariodeinverno/

o golpe de 64 e a folha

Screenshot 2014-03-23 12.00.59A Folha de S. Paulo publicou em sua versão online uma extensa reportagem multimídia sobre os 50 anos do Golpe Militar de 1964. O trabalho é exaustivo, aprofundado, abrangente e fartamente ilustrado. Assinado por Ricardo Balthazar, Lucas Ferraz, Érica Fraga, Bernardo Mello Franco, Fabiano Maisonnave e Ricardo Mendonça,  “Tudo sobre a Ditadura Militar” é um bom documento, mas obviamente não traz TUDO, como indica o título. Claro que se trata de um rótulo típico do jornal que, de forma recorrente, exagera na sua auto-importância. Tudo bem, tudo bem…

O material merece e deve ser conferido.

Senti falta de três coisas:

1. Depoimentos do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff, cujas trajetórias estão ligadas ao episódio.

2. Mais depoimentos de militares envolvidos. Alguém pode argumentar que muitos já morreram, e é verdade, mas outros tantos estão vivinhos da silva e precisavam ser ouvidos. Os depoimentos do tenente-coronel da reserva Lício Maciel, por exemplo, são contundentes na reportagem, mostrando o “outro lado”…

3. Uma explicação melhor sobre uma eventual participação da própria Folha de S.Paulo na sustentação e apoio às ações dos golpistas. Veja o trecho pinçado abaixo:

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Notem que o texto, em determinado momento, deixa de fazer uma narrativa do passado obscuro para fazer propaganda de um episódio mais interessante ou menos vergonhoso, como se o jornal quisesse justificar suas ações pretéritas. Curioso é notar que o sociólogo Marcelo Ridenti, na própria reportagem da Folha, explica que os participantes de esquerda e de direita usam as mesmas estratégias discursivas para legitimar suas ações, mistificando o passado…

Diante do trabalhão que tiveram os repórteres para fazer tal esforço de investigação jornalística, custa muito tentar trazer à tona as respostas às acusações de cessão de veículos do jornal aos agentes da repressão? É difícil tentar olhar para as próprias vísceras? Claro que sim.

Entretanto, seria um momento mais do que oportuno para esclarecer o leitor e a sociedade. Ora, se até as Organizações Globo admitiram ter sido um erro o apoio ao golpe…

seminário brasil-argentina

1610001_10202753298770015_1285386788_nMais informações em http://bapijor.unrn.edu.ar

mestrado e doutorado em jornalismo

logo_posjorO Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da UFSC (POSJOR) lançou seu edital para o processo seletivo de Mestrado e Doutorado. 

As inscrições vão de 14 a 25 de abril de 2014. 

São oferecidas 20 vagas para o Mestrado e 5 para o Doutorado. 

O edital pode ser conferido aqui e mais informações sobre como elaborar e formatar o seu projeto de pesquisa estão aqui.

pesquisa em jornalismo investigativo

Se você se interessa pelo assunto, veja a oportunidade: a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo vai promover um seminário específico com pesquisadores.
Reproduzo a chamada:
O 9º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da ABRAJI, a ser realizado de 24 a 26 de julho de 2014 na cidade de São Paulo, incluirá em sua programação o I Seminário de Pesquisa em Jornalismo Investigativo.
Esta chamada de trabalhos pretende selecionar de 10 a 15 artigos inéditos para apresentação e discussão no seminário, tendo como foco os temas a seguir:
● A teoria e a prática do jornalismo investigativo no Brasil
 ● Aspectos jurídicos da investigação jornalística
● Lei de Acesso à Informação no Brasil e no mundo
 ● Jornalismo Guiado por Dados e Reportagem Assistida por Computador
 ● Pedagogia do jornalismo investigativo, RAC e Jornalismo Guiado por Dados
Os artigos submetidos para avaliação podem discutir quaisquer aspectos dos temas mencionados acima e não devem ter sido apresentados em eventos acadêmicos anteriores, nem veiculados em periódicos. Os trabalhos apresentados serão publicados em anais eletrônicos do seminário.
Instruções
 ● Enviar um artigo em português com até 40.000 caracteres com espaços (levar em conta notas de rodapé, bibliografia, títulos e outros elementos paratextuais na contagem) para o endereço cfp@abraji.org.br até 15 de abril de 2014.
 ● O artigo deve ser escrito a partir do modelo específico, disponível em formatos .DOCX e .ODT.
● Os artigos serão submetidos a avaliação cega por um comitê de pareceristas ad-hoc.
 ● O resultado da seleção será divulgado até o dia 15 de maio de 2014.
 ● Os autores selecionados deverão arcar com os custos da viagem e hospedagem. Não precisarão realizar o pagamento da inscrição no Congresso.
 ● A publicação dos artigos nos anais está condicionada à apresentação dos mesmos no seminário.

o objethos voltou

O projeto Observatório da Ética Jornalística (objETHOS) está retornando do recesso de final de ano. Atualizado semanalmente com comentários, artigos e materiais didáticos, o site volta à carga com um artigo meu sobre a “Pesquisa Brasileira de Mídia”, elaborada pelo Ibope/Inteligência e encomendada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. O estudo apresenta um detalhado retrato dos hábitos de consumo de mídia pela população nacional. Você pode ler meu artigo na íntegra aqui.

7 dias com a mídia

Screenshot 2014-03-02 10.16.54Em Portugal, o Grupo de Trabalho Informal sobre Literacia para os Media (GILM) anuncia a iniciativa 7 Dias com os Media. O GILM reúne representantes do governo português, da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), Universidade do Minho, Unesco, RTP, entre outros parceiros, e sua função é contribuir para a difusão de ações de educação para a mídia.

7 Dias com os Media está programado para a semana de 3 a 9 de maio, e você pode conferir aqui o site do evento. Aliás, visite também o Portal da Literácia Mediática.

a mídia e o cuidado como obrigação

David Putnam teve uma longa carreira como produtor de filmes premiados. Depois, cansou, largou tudo e passou a atuar com educação e ativismo social. Chegou a ser o homem forte da Unicef no Reino Unido. No video abaixo – uma intervenção no mundialmente aclamado TED – , ele traz questões bastantes interessantes sobre a mídia. Afinal, ela não deveria ter a obrigação de ser mais cuidadosa?

Para ver e pensar.